lunes, 10 de septiembre de 2012

1968 - VIDA, PAIXÃO E BANANA DO TROPICALISMO


















 
1968
Revista InTerValo 
Ano VI – nº 291
Páginas 10-11
Editora Abril
 

CAETANO VOLTA À TROPICÁLIA


Los ensayos en el Hotel Danubio en San Pablo

Con guión de José Carlos Capinam y Torquato Neto, el programa piloto fue registrado el 23 de agosto de 1968, en la gafieira Som de Cristal en San Pablo.












1968
Tropicália:
uma noite de loucura
Revista Intervalo nº 296, Página 20.


Depois da festa, uma ceia de bananas e abacaxis
Jornal da Tarde

Ramos de coqueiros enfeitavam o salão. Por todas as paredes muitas faixas com frases, algumas incompletas. Mais de 2.000 mil pessoas estavam na gafieira Som de Cristal para ver a festa e o programa de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Nara Leão, Maria Bethânia, Dalva de Oliveira, Dircinha e Linda Batista também estavam lá. A festa tropicalista começou à 1 hora e foi até às 4 da manhã. Depois eles foram cear.

Na porta da gafieira Som de Cristal, na rua Rêgo Freitas, o movimento era grande. Lá dentro, o salão estava cheio – mais de 2.000 pessoas. Muita gente de roupa esporte, muita gente de terno e gravata. Alguns rapazes de calção com as camisas do Palmeiras e do Corínthians. Mas ninguém se surpreendeu com isso: era a gravação do primeiro programa “Tropicália ou Panis et Circenses”, de Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Ramos de coqueiros enfeitavam o salão. Pregadas nas paredes, faixas: Não tem problema; Quem te viu quem te vê; Criança não verás; E agora José?; Vai que é mole; Deixa comigo; Primo você é que é feliz; Não teremos destruído se não destruirmos as ruínas; Não faltará pescado na semana santa.

No fundo do salão, uma arquibancada; no centro, dois palcos: um vazio, foi tomado pelo público; no outro a crooner da orquestra toda de branco, cantava um samba.

Eram onze e meia. A festa estava marcada para as onze, mas os tropicalistas ainda não tinham chegado.

Começou a correr a notícia de que Vicente Celestino, que também ia se apresentar no programa, tinha morrido.
-Isso é boato para tornar mais animada a festa. Aposto com quem quiser: na hora ele aparece aí, comentou uma mulher.

Passou de meia-noite, quando anunciaram que o cantor tinha mesmo morrido. Os apresentadores ficaram na dúvida se fariam o show, mas sabendo que, se o cantor estivesse vivo, a opinião dele seria a de que fizessem, decidiram fazer.

À 1h15 alguns assistentes começaram a gritar: “Caetano! Caetano! Caetano!” Era o cantor que chegava. Estava de vermelho, com um capote  preto e um lenço amarelo, felpudo, enrolado no pescoço. Dedé, sua esposa, veio com ele.
Depois chegaram Os Mutantes e Gilberto Gil, com uma capa preta. Chegaram também Nara Leão e alguns cantores da velha guarda: Araci de Almeida e as irmãs Linda e Dircinha Batista.

A festa começa, Grande Otelo, sentado no chão diz:
-Está na hora do Tropicalismo. Tropicalismo é discurso! Tropicalismo é o Chacrinha! Tropicalismo é homenagem! Tropicalismo é demagogia!

Gilberto Gil grita:
-Tropicalismo é uma questão de bom senso!

Grande Otelo continua:
-Tropicalismo é às margens plácidas, é assistir ao Direito de Nascer, tropicalismo é uma bênção dos céus! Está inaugurado o tropicalismo na televisão brasileira!

Nessa hora todo mundo canta Chiquita Bacana. Depois Caetano canta Tropicália. O público o acompanha.

Lá do fundo, sai uma procissão, com os cantores da noite. Quem vai na frente leva, espetado em um pau, um crânio de boi. Atrás vem anjos, velas, roupas longas de cores berrantes.
-É o Festival da bagunça, comenta alguém.

Mas o público aplaude e continua aplaudindo quando Caetano canta de novo, e depois Os Mutantes. Os aplausos maiores são quando Gil canta Miserere Nobis, numa encenação de luzes que se apagam e se acendem rapidamente no final da música.

Os cantores continuam: Nara, Os Mutantes, de novo Caetano, Dalva de Oliveira, Linda Batista, Dircinha Batista. Ao lado deles Araci de Almeida canta músicas de Noel. Em sua blusa branca esporte está escrito BH2OH!

Em um momento de pausa, Chacrinha começa a cantar uma música de Caetano e conversa com o cantor. Depois, é a vez de Maria Bethânia.

Todos os cantores estão juntos agora, de frente para as câmaras de televisão. Abraçados, cantam e dançam Bat Macumba de Gil. O público também canta e aplaude. A festa está chegando ao fim.

Vicente Celestino ensaiou à tarde, a música Mandem flores para o Brasil, que ele cantaria na festa. A uma da manhã, Gil e Veloso ainda não tinham chegado ao Som de Cristal. Eles estavam chorando por Vicente Celestino, que morreu às 23h, no Hotel Normandie.

Chacrinha tinha a única parte livre do programa. Ninguém escreveu nada e ele poderia fazer o que quisesse. Grande Otelo apresentou os tropicalistas. E dizia: “O meu lugar é aqui com esses rapazes, sempre gostei de estar com eles”.



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Agosto de 1968
A PROVA DE FOGO
Revista Intervalo nº 298





Los desentendedimiento entre productores y patrocinadores no tardaron en llegar y finalmente el programa re-editado por la TV Globo, fue al aire el 27 de setiembre con el título Direito de Nascer e Morrer do Tropicalismo.


Y Caetano y Gil, cada vez más cerca de la TV Tupi...



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