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domingo, 10 de abril de 2022

2022 - GILBERTO GIL - Academia Brasileira de Letras

 

“Hoje Gilberto Gil toma posse na Academia Brasileira de Letras. Ele foi meu companheiro de armas na luta sonora do tropicalismo. É meu irmão em música e letra. Só não estou na cerimônia da posse porque cumpro compromisso de excursão com Meu coco. De Porto Alegre mando aquele abraço. Parabéns a Gil, à Academia, ao Brasil. E seguimos aqui citando, cada vez que canto ‘Itapuã’, uma frase marcante na história da sua música e da nossa vida.

[Caetano Veloso, 8/4/2022]
















1968
Revista Joia
n° 177 – Maio de 1968









"Em maio de 1968, na capa do meu segundo LP, e já integrado à Tropicália, apareço envergando um fardão e usando pincenê. Ao recordar esse episódio escrevi um poema para este evento:

“Sempre houve críticas à Academia,
que a Casa de Machado não faria jus
ao sonho que sonhara ser um dia:
todos ali representados por alguns.

Tal ampla representatividade
sonhada por Nabuco e demais fundadores
jamais fora alcançada de verdade,
jamais todos os saberes e sabores.

Eu mesmo, nos meus tempos de aventuras,
cheguei a envergar um garboso fardão,
vestido então como ironia dura,
a fantasia pura da ilusão!

Juntava-me, naquele instante, aos muitos
que alfinetavam a Instituição
mal sabia eu quais os intuitos,
do destino astuto a interrogação.

Um amigo lembrou-me outro dia
que as ironias sempre trazem seu revés.
papéis trocados, eis aqui, vida vadia:
fardão custoso, bordado a ouro, vistoso,
me revestindo da cabeça aos pés”




Gilberto Gil toma posse como 'imortal' da Academia Brasileira de Letras 

O artista é, atualmente, o segundo negro a ocupar uma cadeira na ABL. Gil foi eleito para a cadeira 20 da ABL em novembro do ano passado com 21 votos. 

Por g1 Rio

08/04/2022

 

O cantor, compositor e ex-Ministro da Cultura, Gilberto Gil, de 79 anos, tomou posse nesta sexta-feira (8/4) como membro "imortal" na Academia Brasileira de Letras (ABL). 

Gil passou a ocupar a Cadeira 20 da Academia, sucedendo o acadêmico Murilo Melo Filho, que foi advogado, escritor e um dos grandes jornalistas brasileiros da segunda metade do século XX. 

Em seu discurso de posse, Gil lembrou que é o primeiro representante da música popular brasileira a tomar posse na academia. 

"Entre tantas honrarias que a vida generosamente me proporcionou essa tem para mim uma dimensão especial, não só porque aqui é a casa de Machado de Assis, um escritor universal, afrodescendente como eu, mas também porque a ABL, fundada em 20 de julho de 1897, representa mesmo para quem a critica a instância maior que legitima e consagra de forma perene a atividade de um escritor ou criador cultura em nosso país", afirmou o novo "imortal". 

"A Academia Brasileira de Letras é a Casa da Palavra e da Memória Cultural do Brasil. E tem uma responsabilidade grande no sentido de fortalecer uma imagem intelectual do país que se imponha à maré do obscurantismo, da ignorância, e demagogia de feição antidemocrática", disse ainda o compositor. 

"Poucas vezes na nossa história republicana o escritor, o artista, o produtor de cultura, foram tão hostilizados e depreciados como agora. Há uma guerra em prol da desrazão e do conflito ideológico nas redes sociais da Internet, e a questão merece a atenção dos nossos educadores e homens públicos", acrescentou. 

"A ABL tem muito a contribuir nesse debate civilizatório. E eu gostaria, aqui, efetivamente, de colaborar para o debate, em prol da cultura e da justiça", disse ainda Gil. 

A posse ocorreu no Petit Trianon, no Centro do Rio. A eleição de Gil para a Cadeira 20 da ABL foi em novembro do ano passado, quando o ícone da música brasileira recebeu 21 votos. 

A cadeira 20 da ABL tem como patrono Joaquim Manuel de Macedo, e o fundador foi Salvador de Mendonça. Também a ocuparam Emílio de Meneses, Humberto de Campos, Múcio Leão, Aurélio de Lyra Tavares e Murilo Melo Filho, que faleceu em 2020. 

O artista é, atualmente, o segundo negro a ocupar uma cadeira na ABL. O outro imortal é o escritor e professor Domício Proença Filho, que foi presidente da academia em 2016 e 2017.  



Gilberto Gil faz a prova do fardão para sua posse na Academia Brasileira de Letras - Foto: Flora Gil / Reprodução





Gilberto Gil e Nélida Piñón - Foto: Thereza Eugênia


Fernanda Montenegro e Gilberto Gil - Foto: Thereza Eugênia











A Academia Brasileira de Letras dará continuidade ao ciclo de conferências “Brasil Moderno”, que celebra o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, na quinta-feira, 14 de abril, às 17h30, com a conferência “Antropofagia e Tropicália” do Acadêmico Gilberto Gil. A coordenação do ciclo é do Acadêmico e poeta Geraldo Carneiro e a coordenação geral é do Acadêmico e Primeiro Secretário Joaquim Falcão. O evento será realizado no Teatro Raimundo Magalhães Jr., sede da Academia, na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, no Rio de Janeiro e a entrada é franca.



14/4/2022 - Caetano Veloso e Gilberto Gil - Foto: Thereza Eugênia























lunes, 2 de abril de 2018

2018 - “As cidades dos poetas”




O GLOBO

LIVROS
CULTURA

Ciclo de conferências começa com análise de músicas de Caetano Veloso
As cidades e a poesia são tema de palestras na ABL nesta terça, dia 3



Acadêmico Antônio Carlos Secchin analisará letras de Caetano Veloso em sua palestra Foto: Fernando Lemos


POR BOLÍVAR TORRES
02/04/2018

RIO - Os grandes espaços urbanos sempre foram um dos temas preferidos de romancistas, contistas e ensaístas. Com a poesia não poderia ser diferente, como comprova o ciclo de conferências “As cidades dos poetas”, promovido pela Academia Brasileira de Letras. O evento começa nesta terça, dia 3, às 17h30m, no Teatro Raimundo Magalhães Jr, com a palestra “Caetano Veloso: Londres e São Paulo”, do acadêmico, professor, poeta e ensaísta Antônio Carlos Secchin, também coordenador do ciclo. A palestra versará sobre a construção da ideia de cidade — no caso, Londres e São Paulo — a partir da subjetividade do cantor, compositor e — por que não? — poeta.

Caê “Globe trotter”

As outras três palestras do mês de abril acontecem todas as terças-feiras, sempre abordando a relação entre um poeta e duas urbes: João Cabral de Melo Neto (Sevilha e Recife), no dia 10, por Felipe Fortuna; Olavo Bilac, no dia 17, por Emmanuel Santiago, que faz segredo sobre as cidades em pauta; e Ferreira Gullar (São Luís e Rio de Janeiro), no dia 24, por Adriano Espínola.

— Achei o tema oportuno, primeiro porque é muito forte e impactante na poesia ocidental desde o século XIX, segundo porque não havia ainda sido trabalhado no âmbito das conferências da ABL — explica Secchin. — Mas também uma maneira de puxar a sardinha para a poesia. A ficção tem audiências maiores, e eu queria chamar atenção para o fato de que essas grandes questões também são muito bem tratadas na poesia.

Sétimo ocupante da cadeira nº 19 da ABL, Secchin pretende analisar em sua palestra duas letras de Caetano: “London, London”, de 1971, composta em inglês durante o exílio em Londres; e “Sampa”, de 1978, que faz referência aos anos em que o cantor morou na capital paulista.

— Caetano escreveu sobre tantas cidades que é quase um globe trotter. Dava para fazer um ciclo só com ele — brinca Secchin. — Mas é interessante notar as diferenças entre “London, London” e “Sampa”. A primeira traz uma experiência quase imediata, composta em cima do lance, nos anos 1970. Já a segunda recorda o início da carreira dele em São Paulo, dez anos antes, e tem um caráter memorialístico.
A palestra de Emmanuel Santiago sobre Bilac também promete surpreender. As cidades envolvidas não foram reveladas, mas Secchin tem um palpite:
— Costumamos associar Bilac ao poeta parnasiano, mas ele também arregaçou as mangas para fazer a crônica das transformações urbanas do Rio de Pereira Passos.

“As cidades dos poetas”
SERVIÇO:
Nesta terça, dia 3, às 17h30m
Quanto: Grátis
Onde: ABL — Av. Presidente Wilson 203, Centro (3974-2516)
Classificação: Livre


sábado, 17 de marzo de 2018

2018 - ANTÔNIO CÍCERO - Cadeira 27


Antônio Cícero entra para a Academia Brasileira de Letras


O poeta e filósofo foi eleito para a cadeira 27, na sucessão do professor Eduardo Portella. O compositor é parceiro em músicas de artistas nacionais como Adriana Calcanhotto e João Bosco.

Por G1 Rio
10/08/2017

O escritor Antônio Cícero foi eleito nesta quinta-feira (10/8) para a cadeira 27 da Academia Brasileira de Letras (ABL), sucedendo Eduardo Portella, morto no dia 3 de maio deste ano.

"Antonio Cicero é um dos escritores mais representativos da literatura brasileira contemporânea", declarou o Presidente da ABL, Acadêmico Domício Proença Filho.

Cicero foi eleito por 30 votos. Concorreram na eleição, 22 acadêmicos - 12 por cartas.

Antes de Cicero, os ocupantes anteriores da cadeira 27 foram: Joaquim Nabuco – fundador da cadeira e que escolheu como patrono Maciel Monteiro, Dantas Barreto, Gregório da Fonseca, Levi Carneiro e Otávio de Faria.




FOLHA DE S.PAULO

16/3/2018

Antonio Cicero fará defesa do cânone literário em posse hoje na ABL


O filósofo e escritor Antônio Cícero em sua casa no Rio
Foto: Zô Guimarães / Folhapress

Maurício Meireles
SÃO PAULO

O discurso de Antonio Cicero, que, na noite desta sexta (16), toma posse na ABL (Academia Brasileira de Letras), será uma defesa da existência de um cânone literário —uma resposta, pelo visto, a segmentos da crítica que tentam relativizá-lo.

“Acho que isso vem do início do século 20, com movimentos de vanguarda como o Dadaísmo”, diz.

“Em compensação, movimentos de vanguarda posteriores, como o nosso Concretismo, afirmavam a importância de se reconhecer um ‘paideuma’ isto é, no fundo, de se reconhecer um cânone. A existência do cânone não impede a valorização da inovação.”

Filósofo de formação e poeta, Cicero é o segundo intelectual que também tem uma carreira como compositor a ser eleito recentemente para a Casa de Machado —em outubro de 2016, havia sido a vez de Geraldinho Carneiro.

Cicero escreveu a letra de grandes hits da MPB, como “O Último Romântico”, gravada por Lulu Santos, e “Fullgás”, em parceria com sua irmã Marina Lima. Como já disseram, deve ser o único filósofo cuja obra toca no rádio.

Questionado se sua eleição significa um reconhecimento maior da canção popular como um gênero literário, ele diz:
“Tomara que sim. Afinal, a verdade é que, já há algum tempo, os poemas de alguns dos nossos maiores poetas, como Caetano Veloso e Chico Buarque, têm a forma de canções.”

Apesar de seu trabalho intelectual e formação acadêmica rigorosos, sua posse traz à Academia um escritor que circulava em grupos que, nos anos 1970, se opunham a instituições como a ABL ou à hierarquia da vida universitária, vistas como caretas.

Cicero esteve próximo dos tropicalistas e já falou, em um ensaio publicado em “A Poesia e a Crítica” (Companhia das Letras), seu último livro, que as conversas com Caetano em Londres, foram importantes para sua formação intelectual.

De todo modo, apesar de andar com o grupo, ele diz no mesmo ensaio nunca ter se definido como contracultural.

“Desde cedo, conheci e admirei amigos de meu pai que acabaram fazer parte da ABL, como Celso Furtado e Helio Jaguaribe, de modo que não tinha esse preconceito”, diz Cicero. “Além disso, é importante que haja uma instituição que tenha por fim primeiro cultivas a língua e a literatura do Brasil.”

ELEIÇÃO
Cicero vai substituir Eduardo Portella, morto em maio do ano passado, na cadeira 27, cujo fundados é Joaquim Nabuco. Ele conseguiu se eleger na terceira tentativa, com o apoio da ala dos escritores na Casa de Machado (que tem ainda juristas, políticos, jornalistas etc.).

O autor estreou na poesia em 1996, com “Guardar”, e desde então publicou ainda livros como “A Cidade e os Livros” (2002) e “Porventura” (2012).

No fim de 2016, quando fez 70 anos, ganhou um tributo do músico Arthur Nogueira, que gravou um álbum só com suas composições.

No momento, Cicero trabalha em um novo livro de filosofia, na qual pretende desenvolver a teoria da modernidade já exposta em “O Mundo Desde o Fim”, lançado pela extinta editora e livraria Francisco Alves, em 1995.





De fardão, Antônio Cícero posa com a irmã Marina - Foto: Reprodução / Instagram

Antônio Cícero recebe os cumprimentos de Caetano Veloso
Foto: Reprodução / Instagram


O GLOBO

Antonio Cícero toma posse na ABL com presença de ilustres da MPB

Poeta e filósofo assume a cadeira 27, que já foi do escritor e abolicionista Joaquim Nabuco



Posse do novo imortal Antonio Cicero - Marcelo Theobald / Agência O Globo



POR BOLÍVAR TORRES
18/03/2018 4:30

RIO — Antonio Cícero passou a última sexta-feira, dia da sua posse na Academia Brasileira de Letras, isolado, tentando terminar o seu discurso. Celular desligado, telefone fixo caindo na secretária. Vários e-mails não respondidos. Aguardava-se sua chegada na casa de Machado de Assis às 19h15m para fotos e entrevistas antes da cerimônia (marcada para as 21h), mas já eram quase 20h e nada.

Até que, em cima do laço, o poeta e filósofo, autor de livros como “O mundo desde o fim” e letras de sucessos da MPB como “Fullgás”, apareceu devidamente enfiado no fardão, discurso em mãos, pronto para ser imortalizado.

— Estava até agora reescrevendo o discurso, não estava achando bom — disse ele — Reescrevi três vezes nas duas últimas semanas. Estou acostumado a dar palestras, mas isso é diferente, não é para ser muito teórico. Queria algo mais pessoal, mas não tanto. Acho que consegui o tom.

Cícero dedicou carinho especial ao texto, desde ontem gravado para sempre na história da instituição. Depois de duas tentativas frustradas de entrar para a Academia, ele finalmente conseguiu sua eleição em agosto do ano passado, para a cadeira 27, que tem como fundador o escritor e abolicionista Joaquim Nabuco e pertencia até então a Eduardo Portella.



Cícero é aplaudido em sua posse na ABL - Marcelo Theobald / Agência O Globo


Como manda a tradição, Cícero dedicou boa parte da sua fala a homenagens ao antecessor e ao patrono. Mas também usou sua intervenção para defender o que considera uma das principais funções de uma academia: a determinação do cânone literário.

“Contra o relativismo difuso que vigora em nossos dias, afirmo que existem obras boas e obras ruins, obras insignificantes e obras imortais”, leu em voz alta o novo acadêmico. “Um poeta que acredita que todos os poemas ou todos os textos se equivalem — por exemplo, que tudo é relativo ao gosto da pessoa que julga — não tem por que produzir uma obra nova. Pois bem, o cânone pretende ser o conjunto das obras modelares, exemplares, imortais. Ele é tanto mais perfeito quando mais perto disso chegar.”

Autor e teórico com formação filosófica e literária, leitor dos clássicos gregos no original, Cícero já vinha sustentando essa ideia há um tempo (escreveu um capítulo sobre o tema seu mais recente livro, “A poesia e a crítica”). Mas não deixa de ser curioso que ela seja levantada na mesma noite em que a Academia celebrou um maior envolvimento com a cultura popular.

Nos últimos dois anos, a ABL elegeu duas personalidades com raízes na contracultura:

Cícero e o poeta, tradutor e compositor Geraldinho Carneiro (em 2016). Em seu discurso de recepção, o acadêmico Arnaldo Niskier louvou Cícero citando duas vezes a letra de “Fullgás”, hit do pop-rock composto por ele nos anos 1980.

Também saiu do protocolo para destacar as presenças ilustres da cultura popular na plateia, como Martinho da Vila, Marina Lima (irmã de Cícero e coautora de “Fullgás”) e Caetano Veloso (“Todos nós, aqui presentes, aprendemos muito com Caetano”, lembrou, provocando aplausos).

— Isso demonstra a abertura da Academia para a cultura popular — disse Niskier.
Não há, porém, nenhuma contradição em celebrar o pop e defender o cânone. O próprio Cícero assinala que, embora necessária, a noção de cânone não é fixa, está aí para ser discutida e modificada — a Academia seria, inclusive, um dos agentes desse processo.

Geraldinho Carneiro, que nos anos 1980 dialogou com o movimento da poesia marginal e, assim como Cícero, compôs letras de canções populares, disse ter adorado o discurso do novo acadêmico, embora tenha suas diferenças.

— O meu discurso foi muito diferente, eu esculhambei o cânone — brinca.

Já o poeta e agitador cultural Jorge Salomão, irmão do tropicalista Waly, ficou animado ao ver tantos amigos da contracultura na plateia:

— Talvez agora haja um fluxo na ABL — disse ele.




JORNAL DO BRASIL

18/03/2018

A posse de Cícero

Um bafo de frescor arejou o salão da Academia Brasileira de Letras. Os imortais abriam alas para a mais humana mortalidade, na poesia de Antônio Cicero, autor de versos como “Não quero mudar você / nem mostrar novos mundos / pois eu, meu amor, / acho graça até mesmo em clichês”. E faz afirmações como “Com que direito considerar o poema “Os Lusíadas”, digamos, melhor ou mais memorável que a canção “A Eguinha Pocotó”, quando muita gente prefere esta?”.


Com a entrada de Cícero, abre-se uma fresta para a contracultura na ABL e, nessa esteira, valores inquietantes se colocam. Alguns até passaram por lá... O poeta, filósofo e compositor Antônio Cícero Correia Lima, irmão da cantora Marina Lima, tomava posse da cadeira 27, cujo fundador foi Joaquim Nabuco.


Caetano Veloso, Martinho da Vila, Fernanda Montenegro e outros foram levar abraço ao novo imortal – Foto: Marcelo Borgongino

Cícero discursou sobre a imortalidade da poesia, passeando por Immanuel Kant, Antônio Carlos Sechin e Hélio Jaguaribe. Perguntou o que fazia certos poemas, entre tantos, bons ou não, serem imortais. Ele mesmo respondeu: ‘um poema bom vale por si, sobrevive ao tempo’. Estava ali, quase disfarçada, a defesa da existência de um cânone literário.

Sobre a cadeira 27, teceu elogios a Nabuco, que no século 19 previra as marcas que a escravidão deixaria pelos próximos muitos anos na sociedade brasileira. Em se tratando de Antônio Cícero, citar o abolicionista não foi apenas alusão à história da cadeira 27, mas clara crítica à desigualdade social no Brasil. Com o rosto denunciando sua felicidade, foi aplaudido por longo tempo.



Caetano Veloso e Antônio Cícero - Foto: Marcelo Borgongino

Arnaldo e Ruth Niskier e Caetano Veloso e Paula Lavigne - Foto: Marcelo Borgongino

Paula Lavigne e Caetano Veloso - Foto: Marcelo Borgongino




Caetano e Cícero - 'Tabu' de Julio Bressane




miércoles, 13 de enero de 2016

1997 - AS 14 MAIORES CANÇÕES DA MPB NO SÉCULO XX


Lista divulgada na Academia Brasileira de Letras no dia 21/11/1997.

Outras 53 canções foram lembradas pelo júri, mas não emplacaram entre as 14.




Críticos que integraram a banca de jurados:

Albino Pinheiro
Ary Vasconcelos
Carlos Rennó
Jairo Severiano
Joaquim Ferreira dos Santos
João Máximo
Lena Frias
Luiz Fernando Vieira
Okky de Souza
Sérgio Cabral
Ricardo Cravo Albin
Ruy Castro
Tárik de Souza