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jueves, 15 de octubre de 2020

2020 - THEREZA EUGÊNIA



Parabéns, Thereza Eugênia!



                                                                               
JORNAL DO BRASIL - 26/12/1999





15/9/2015




A inauguração do Gabinete de Leitura Guilherme Araújo (15/9/2015), na rua Redentor, em Ipanema, foi marcada pela abertura da exposição de fotos de Araújo feitas por Thereza Eugênia.


















































sábado, 1 de septiembre de 2018

2001 - Premio MICHELANGELO ANTONIONI - PER LE ARTI


“Es uno de los músicos que más ayudó a revolucionar el sentido de la música, tornándola una forma de arte moderna y su obra tiene un enorme impacto sobre a cultura del Brasil contemporáneo”.
[2001, Organizadores del premio]


En la agenda, una reseña cinematográfica en el Teatro Clitunno de Trevi:
25/9 - Quattro Giorni a Settembre, de Bruno Barreto
26/9 - Central do Brasil, de Walter Salles
27/9 - Princesa, de Henrique Goldman
28/9 - Professione: reporter, de Michelangelo Antonioni

29/9 - Entrega del Premio Michelangelo Antonioni per le Arti (Escultura “Cubo sin cubo” de Sol Lewitt):

Concierto de Caetano Veloso dedicado a Michelangelo Antonioni en el dia de su cumpleaños y ceremonia de premiación en el Lyrick Theatre en Asís.



BBC Brasil

28 de setembro, 2001

Caetano Veloso recebe prêmio na Itália

Caetano 'revolucionou o sentido da música'

Glaucia da Mata Machado, de Roma

Caetano Veloso recebe neste sábado, dia 29, em Assis, na Itália, o prêmio Michelangelo Antonioni, dedicado às artes.

O prêmio foi criado em 1998, pelo arquiteto Alberto Zanmatti, pela jornalista Marisella Mazzaroli e pela coreógrafa Gisella Johnson, para homenagear a figura e a obra do cineasta italiano Michelangelo Antonioni e como forma de celebrar os artistas que influenciaram os caminhos das artes no mundo.

Em 1999, o prêmio foi concedido a Kazuo Ohno, lenda viva da dança japonesa Butoh. No ano passado, foi a vez do violoncelista Mstislav Rostropovich e da soprano Galina Visnevskaya, ambos russos.

A entrega do prêmio será no Teatro Lírico de Assis. A razão da escolha de Caetano Veloso para receber o prêmio este ano, segundo os organizadores, é que o cantor "é um dos músicos que mais ajudou a revolucionar o sentido da música, tornando-a uma forma de arte moderna" e a sua obra "teve um enorme impacto sobre a cultura do Brasil contemporâneo".

Show

Depois da entrega, Caetano fará um show em homenagem ao cineasta italiano, que neste dia estará fazendo 89 anos.

Antonioni começou a trabalhar como crítico de cinema, função que exerceu por 10 anos. Sua carreira de cineasta só foi iniciada aos 30 anos de idade, em 1942, com um curta metragem intitulado Gente do Pó, que conta a vida dos habitantes da região do rio Pó, no norte da Itália.

Daí em diante sua obra começou a ser aplaudida e vaiada, com igual intensidade e paixão na Itália. Mas foi com Blow Up: Depois Daquele Beijo, feito em 66, que ele se tornou conhecido no mundo inteiro.

Seu último filme, Al di la delle nuvole, foi apresentado no Festival de Veneza em 94.




Caetano cantó canciones suyas y algunos clásicos italianos:

VOCÊ É LINDA
O HOMEN VELHO
GAROTA DE IPANEMA
ONDE ANDARÁS
MICHELANGELO ANTONIONI
TONADA DE LUNA LLENA
SAMPA
TERRA
LUNA ROSSA
COME PRIMA
ESTATE



"Sono troppo onorato"...












MATTOSO, Gilda. Assessora de Encrenca. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006. 240 pág.


Pág. 90,91,92 e 93


Antonioni “Visione del silenzio…”

Caetano, como é do conhecimento de muitos, é um apaixonado por cinema em geral e por cinema italiano em especial. Mais particularmente ainda, por Fellini e Antonioni.

Nos anos 1980 teve o privilégio de conhecer Antonioni aqui no Rio, na casa de Júlio Bressane. Encontrou-se novamente com ele em outra ocasião, na casa de Cacá Diegues.

O emblemático diretor correspondeu ao seu carinho e recomendou-lhe que quando fosse a Itália, não deixasse de procura-lo. E assim passamos a fazer: para todos os shows em Roma, Enrica e Michelangelo eram convidados mais que especiais.

Em 2000, para seu CD Noites do Norte, Caetano comôs uma canção com o nome do diretor e escreveu a letra em italiano, que diz:

Visione del silenzio
Angolo vuoto
Pagina senza parola
Una lettera scritta sopra un viso
Di pietra e vapore
Amore
Inutile finestra

[“Visão do silêncio / ângulo vazio / página sem palabra / uma carta escrita sobre um rosto / de pedra e vapor / amor / inútil janela]

É a cara dos filmes de Antonioni. Mandamos logo a gravação para ele soubemos por Enrica que ele ficou profundamente tocado com a homenagem. Pois bem, não por acaso, Caetano foi indicado para receber o prêmio Michelangelo Antonioni, dado por um grupo de intelectuais e artistas italianos, amigos do diretor, que formam uma confraria chamada Kybalion. Na edição anterior, haviam contemplado o coreógrafo japones Kasuo Ohno. A entrega do prêmio acontece sempre em data próxima ao aniversário de Antonioni (29 de Setembro) e o premiado deve fazer uma apresentação, ou uma exposição, de for artista plástico.

Fomos para a Itália uma semana antes da entrega do premio e nos instalaram num hotel antiqüíssimo e pitoresco chamado Il Vecchio Molino, localizado entre Assis, onde aconteceriam a entrega e o show de Caetano e Trevi, cidade onde Enrica e Antonioni têm casa de campo. Nossos anfitriões foram Marisella e Alberto Zanmatti, ela jornalista e apresentadora da RAI e ele, arquiteto renomado. O casal também tem casa na região e os 2 são amicíssimos dos Antonioni e fazem parte da tal confraria que escolhe os premiados. O prêmio, uma escultura do artista norte americano Sol Lewitt, também amigo da turma toda.

Mal chegamos ao hotel, Caetano subiu para descansar e eu fiquei conversando um pouco com Marisella que logo me mostrou um plano para nossa estada com eles. Arrepiei-me, pois a programação começava quase todos os dias as 11 h. Delicadamente, expliquei-lhe o problema da insônia de Caetano, sobretudo quando não está em casa, depois de uma viagem de avião, com frio, etc. Que esse problema vinha da infancia, conforme me explicara sua mãe, dona Canô. Enfim, falei-lhe que o dia de Caetano começava – com boa vontade – lá pelas 15/16 h. Ela disse que não tinha problema mas que queria então que eu fosse almoçar na casa deles para conhecer melhor seu marido Alberto. Como de hábito, deixei um bilhete sob a porta do quarto de Caetano com todos os telefones de contato e dizendo meus passos para ele, caso precisasse de mim. Mal saímos do hotel, já na estradinha, tocou o celular de Marisella. Era Caetano dizendo que tinha resolvido não dormir e que queria ir conosco. Fiquei surpresa. Demos meia volta e fomos busca-lo. Lá chegando, pedi a ele que confirmasse o que eu dissera, para ela não pensar que eu era louca ou mentirosa.

Antes de chegarmos à charmosa casa dos Zanmatti, ela passou num dos lugares mais lindos que já vi em minha vida: Le Fonti del Clituno, ume espécie de lago formado pelas águas do rio Clituno, cheio de plantas aquáticas e cercado de salice piangenti (salgueiro chorão, árvore linda de nome igualmente lindo nas duas línguas!). No caminho, Marisella foi logo dizendo que não havia feito nada de especial para o almoço. Disse a ela que isto é o melhor da Itália. Chegamos à casa, que tem uma vista lindíssima da região Umbria. Alberto, o marido, era tão simpatico quanto ela. Instalamo-nos e fui ajudá-la a pôr a mesa. Ela foi ao jardim e recolheu ervas perfumadíssimas que jogou numa panela com o melhor azeite do mundo. Na entrada de Trevi, há um portal de cerca viva feita de oliveiras onde se lê: Trevi, la capitale del olio (Trevi: a capital do azeite). Misturou a massa caseira com os temperos e nos serviu acompanhada de uma salada também feita com produtos do seu quintal. Foi uma refeição simplíssima, mas dos deuses.

No dia seguinte, a programação tinha uma sessão do filme de Antonioni Passageiro, profissão repórter, cópia restaurada, com um magistral Jack Nicholson, que iam passar no Teatro Municipal de Trevi. Caetano assistiu ao filme emocionado, sentado ao lado de Antonioni e Enrica. Depois jantamos num restaurante simples e delicioso a beira do rio Clituno. No dia seguinte seria o almoço de aniversário de Antonioni em casa deles.

Lá chegando, casa simples e linda cercada de muito verde. havia uns barmen no jardim preparando caipirinhas para convidados seletíssimos, entre os quais o impagável Tonino Guerra, roetirista de filmes do diretor e também de Fellini e de outras feras. Tomei a caipirinha e pensei que fosse uma sutil homenagem ao premiado do ano. Mas ao nos sentarmos à mesa (eram 2 mesas de 16 lugares cada uma cabeçeira ocupada por Antonioni e outra por Enrica) havia um menu, impresso, personalizado, com capa dura forrada de seda verde e numerado, um para cada convidado (guardo o meu avaramente). Nele se lia: Pranzo di Gala per Caetano Veloso, a casa de Michelangelo Antonioni, nel giorno del suo compleanno. Trevi, 29 di Settembre, de 2001. (Almoço de gala para Caetano Veloso, na casa de Michelangelo Antonioni, no dia de seu aniversário. Trevi, 29 de setembro de 2001)


29/9/2001 - 89 anos Michelangelo Antonioni
Pranzo di Gala per Caetano Veloso, a casa de Michelangelo Antonioni, nel giorno del suo compleanno. Trevi, 29 di Settembre, de 2001

Portanto, muito mais do que apenas as caipirinhas, o almoço era também todo em homenagem a Caetano. Foi um banquete daqueles!. Depois fomos descansar, pois à noite aconteceria o show em Assis. O espetáculo foi muito emocionante, pois Caetano misturou suas canções com algumas italianas com “Luna Rossa” (clássico napolitano de V. de Crescenzo e Antonio Viscione), “Come Prima”(Domenico Modugno e Tony Dallara), e, naturalmente a sua “Michelangelo Antonioni”. O homenageado foi às lágrimas, bem como quase todos na platéia.

No fim da apresentação, para não forçar Antonioni que estava debilitado por conte de um derrame que afetou também – e sobretudo- a fala, Caetano desceu à platéia para receber o prêmio das mãos dele, de joelhos a seus pés, num gesto de grande elegância e humildade.


jueves, 30 de marzo de 2017

2017 - THEREZA EUGÊNIA - Fotógrafos




Caetano Veloso


                      " ...Acho que foi o artista que

 mais fotografei." [Thereza Eugênia]





ULTIMA HORA














1972 - Maria Bethânia e Sandra Gadelha

1979 - Caetano Veloso

1977 - Ney Matogrosso


Fafá de Belém


Angela Ro Ro







 Revista TRIP 

#263 Mar 2017








Fotógrafa que registrou a MPB dos anos 70 e 80, Thereza Eugênia elege suas imagens mais marcantes à Trip

por Bruna Bittencourt
28.3.2017



Thereza Eugênia Paes da Silva, 77, é um denominador comum da MPB. Desde o fim da década de 60, clicou de Roberto Carlos a Caetano Veloso, Maysa a Maria Bethânia. A baiana de Serrinha chegou ao Rio de Janeiro em 1964, para "cortar o cordão umbilical" e trabalhar como enfermeira -- profissão que ela conciliou com a fotografia e exerceu até a década de 90. Em meio ao frenesi de Blow Up (1966), filme de Michelangelo Antonioni protagonizado por um fotógrafo, comprou uma câmera. Thereza começou clicando a irmã, sua primeira modelo. "Ela tinha uma certa pose, bem interessante", lembra à Trip. "E as pessoas foram me chamando."


Em 1970, foi convidada a fotografar Roberto Carlos no palco. Como não tinha o equipamento apropriado, pegou uma câmera emprestada do Canecão (onde o cantor se apresentaria). O gerente da casa gralhou: "Como vocês chamam uma garota que mal sabe pegar no equipamento?". Mas Roberto gostou e escolheu uma das imagens para estampar seu disco de 1970, uma das capas preferidas que Thereza clicou.


"Sempre usei muita luz ambiente e de palco. Minhas fotos têm um certo senso de intimidade, entrava na casa dos artistas. Na memória dos meus fotografados, fiquei como uma pessoa que nunca fez imagens comprometedoras ou polêmicas deles", diz.

Amiga de Caetano, era a única com um câmera no aniversário de 40 anos do cantor. "São dois prazeres: ouvir e fotografar música." 

Hoje, ela clica muito pelas praias do Rio com um iPhone 6 e outro 7, que alimentam parte das fotos de seu perfil no Instagram. "Sou uma ótima dona de rua. Moro na zona sul, saio andando." Thereza segue fotografando artistas. "No ano passado, Marina me ligou para clicar o show dela [No Osso]. Alcione quis que eu fotografasse seu aniversário, Fafá [de Belém] me chamou para o Círio de Nazaré." A pedido da Trip, ela relembra histórias por trás de algumas de suas fotos mais marcantes:





Caetano Veloso: "Quando ele chegou de Londres, em 1972, fez três apresentações no teatro João Caetano. Só se falava disso, era o grande evento do Rio de Janeiro. Houve um derrame de xerox de convites na praia. Quando alguém entrou com o ingresso falso, Guilherme gritou: 'Deixe entrar, o cara é amigo de Caetano'. Fui com Marina Lima. Era a primeira vez que estava vendo o artista no palco, no seu primeiro show no Rio após o exílio. Impressionada com seus movimentos ao cantar 'O Que é Que a Baiana tem?', fiz uma dupla exposição no mesmo negativo. Acho que foi o artista que mais fotografei."



Maria Bethânia: "Esta foto é a melhor que fiz de Bethânia no palco durante o espetáculo Drama-Luz da Noite [início da década de 1970], que assisti várias vezes. Comecei a fazer fotos dela na sua casa. Até a década de 80, fotografa palco e plateia dos seus shows. Ela nunca criou nenhuma restrição ao meu trabalho. Há pelo menos 50 fotos de Bethânia no livro de Bia Lessa [a fotobiografia Então Maria Bethânia, lançada no fim de 2016]."




Guilherme Araújo: "Guilherme (1936-2007) foi um grande empresário, trabalhou por 15 anos com Caetano e Gal. Tinha uma relação de amizade com os artistas. Adorava ser fotografado e eu era como se fosse sua selfie. Fiquei muito amiga dele, era como um irmão, me incluiu no testamento dele. Esta foto sintetiza como percebia a relação dele com Gal: o criador e a criatura. A máscara com o rosto dela foi uma invenção dele para o show Fantasia [1981]. Mãe de Gal, Dona Mariah Costa ao ver a foto, disse: 'A boca dela na máscara é semelhante a de Guilherme'."
 


Gal Costa no show Gal Tropical: "Em 1979, Guilherme quis dar uma virada na imagem dela, mostrar Gal elegante, vestida por Guilherme Guimarães. Ela entrava no palco descendo uma escada com todo esplendor, como se dissesse ao que veio. Este espetáculo foi ovacionado pela crítica e ficou um ano em cartaz. Estrelas de cinema como Liza Minnelli e Ursula Andress vinham para o Carnaval do Rio e assitiam ao show de Gal, iam ao camarim. Retrata muito bem uma fase muito importante na vida dela."



Wanderléa no espelho: "Influenciada pela pintura pontilhista, tentei com um filme granulado um efeito parecido. Esta foi minha melhor foto neste estilo. Fui inspirada por uma capa de Miro da Rita Lee [o disco homônimo da cantora, de 1980], era uma experiência. Wanderléa é uma pessoa adorável, carinhosa."





Música

30.3.2017 

Fotógrafa revela em redes sociais imagens "secretas" de astros da MPB


Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

 

Artistas fotografados por Thereza Eugênia entre os anos 70 e 80 no Rio de Janeiro - Imagem: Thereza Eugênia




Quem vê Thereza Eugênia, 77, pela praia de Ipanema ou do Arpoador com um celular na mão, registrando o cotidiano de quem passa por ali, talvez nem imagine a história por trás de toda uma vida na fotografia. Junto às imagens de seus principais alvos hoje --mulheres de biquíni, banhistas jogando frescobol, vendedores ambulantes e surfistas--, ela guarda uma infinidade de registros de Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Chico Buarque, Nara Leão, Gilberto Gil.

A estreia de Thereza no mundo musical aconteceu por acaso, em 1970, e quase deu errado. Ela só tinha trabalhos amadores quando foi chamada para registrar o show de Roberto Carlos no Canecão, no Rio de Janeiro. Não tinha sequer câmera profissional. A solução foi pedir uma máquina emprestada ao gerente da casa de shows. "As imagens ficaram escuras, mas o Roberto Carlos adorou e escolheu uma delas para ser usada na capa de seu disco em 1970", lembra ela. "É até hoje uma das capas mais lembradas do artista", diz, orgulhosa, ao UOL.
 

Capa do disco de Roberto Carlos de 1970 com foto de Thereza Eugênia - Imagem: Thereza Eugênia/Divulgação



Desde então, o relacionamento com os principais artistas da MPB só se fortaleceu, a ponto de Thereza frequentar a casa de muitos deles. Como o foco dos trabalhos de Thereza era publicitário, as cenas de bastidores e da intimidade que a fotógrafa capturava de maneira despretensiosa nunca foram reveladas em público.

Entusiasta das redes sociais, Thereza viu no Instagram a chance de divulgar essas imagens. Seu perfil, @therezaeugenia, é um prato cheio para os fãs da MPB que agora têm à disposição imagens como a de Chico Buarque fumando despretensiosamente um cigarro em casa, de Maria Bethânia tomando banho na piscina, de Caetano com o filho Moreno e de Ferreira Gullar só de bermuda. 

"Sou de uma época em que o registro da intimidade dos artistas não era tão divulgado e compartilhado quanto hoje. Eu ia para a casa deles, fazia as fotos e guardava para mim", conta. Para a fotógrafa, com os celulares as pessoas passaram a compartilhar naturalmente sua intimidade. "Era difícil conquistar a confiança de um artista para entrarmos em sua casa. Hoje em dia, você saca o celular e faz uma selfie".

A foto de Chico Buarque, por exemplo, feita em 1982, mostra o cantor em sua casa na Gávea, no Rio de Janeiro, durante uma entrevista para a gravadora. "Ele chegou usando uma bermuda, fumando e tomando um cafezinho. Nem se preocupou em se arrumar, ele estava completamente à vontade".

Quem também ficou muito a vontade com Thereza foi o escritor Ferreira Gullar. "Fui fazer a foto da capa para um CD de poesias. Ele chegou com uma bermuda larga que aparecia a cueca. Mas o Ferreira Gullar era um gênio. Eu nunca diria para ele botar uma calça. Me lembro que tivemos um papo extremamente interessante sem nenhum esnobismo cultural".





Caetano Veloso, o fotogênico

O artista mais fácil de fotografar, na opinião de Thereza, é Caetano Veloso. "Ele participa da foto, faz poses. Em 1974, eu fiz uma foto dele com o filho Moreno, que tinha uns 2 anos na época. O Moreno chegou para brincar e Caetano o chamou para a foto. O resultado foi uma cena linda entre pai e filho".


Pelo menos outras duas fotos de Caetano feitas por Thereza também ficaram muito conhecidas e só deram certo porque havia entre eles muita intimidade. "Uma vez pedi para ele posar com uma pena de pavão e ele topou. No Photoshop eu tomei a liberdade de esgarçar o seu cabelo, para ficar ainda mais armado. A imagem é reproduzida até hoje", lembra. "Nesta mesma ocasião, eu pedi para ele se deitar em cima de vários travesseiros vestindo apenas uma mortalha".




Uma das fotos mais famosas de Thereza Eugênia mostra Caetano Veloso segurando contra o rosto uma pluma de pavão



Outra foto de Caetano Veloso que ficou muito conhecida, feita por Thereza Eugênia, mostra o músico deitado em cima de almofadas


Baiana da cidade de Serrinha, Thereza sempre se deu bem com seus conterrâneos. Outra personagem que é fotografada por ela até hoje é a irmã de Caetano, a cantora Maria Bethânia, que aparece em imagens em seu Instagram na praia, em casa, tocando violão, largada no sofá. "É uma amiga querida", diz ela, que hoje é moradora do bairro de Copacabana.

Do passado até os dias atuais, a única diferença que a fotógrafa percebeu em seu trabalho foi a qualidade das imagens que melhorou muito, principalmente dos celulares. "Agora evito usar câmeras profissionais na rua por causa dos assaltos". O seu aparelho favorito é o iPhone 7 Plus. "A qualidade das imagens é ótima, mas o que continua valendo numa foto é o olhar do fotógrafo".

As principais fotos de Thereza Eugênia também estão expostas no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em Ipanema, casa onde viveu o empresário musical e antigo patrão de Thereza. Com curadoria da própria fotógrafa, as imagens revisitam várias fases da vida do empresário e de seus artistas.



1968 - Gilberto Gil, Guilherme Araújo, Caetano Veloso - Foto: autor desconhecido






 


















A casa de Guilherme Araújo, hoje, Gabinete de Leitura inaugurado em 2015.
Direção: Gilda Mattoso


Rua Redentor, 157, Ipanema - RJ




Fotos da exposição de Thereza Eugênia



Foto de autor desconhecido





 


16/11/2016


MUITO OBRIGADA
Thereza Eugênia, Gilda Mattoso e Marcus Vinicius!!!!!!!!

Evangelina Maffei (Buenos Aires, Argentina) Blog "CAETANO VELOSO ... en detalle"