São
Paulo, quarta-feira, 10 de janeiro de 1996
Folha de S.Paulo
Coluna Joyce
Pascowitch
Moisés
Teve
estrela mais que local a festa Ternos de Reis, tradicional de Santo Amaro da
Purificação, Bahia.
A
madrinha dona Canô teve como co-star o filho Caetano Veloso, que surgiu como um
dos três Reis Magos.
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| 22 de janeiro de 1996, Brown carrega Caetano Veloso durante o show do grupo Acordes Verdes. Caetano era convidado da banda onde Brown tocou no início da carreira, acompanhando o cantor multi-instrumentista Luiz Caldas - Foto: Claudionor Jr. / Arquivo Correio |
FOLHA DE S. PAULO
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17/2/1996
- Carnaval - Moreno Veloso e Luisa Buarque de Holanda sobem a ladeira do
Pelourinho para assistirem o bloco Filhos de Gandhi – Foto: Rogério
Assis/Folhapress
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19/2/1996 - Paula Lavigne arruma seu turbante antes
da saída do Olodum, no Pelourinho - Foto: Rogerio Assis / Folhapress
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São Paulo,
segunda-feira, 4 de novembro de 1996
Sepultura é MPB distorcida
LÚCIO RIBEIRO
Editor-assistente da Ilustrada
Xô, Alanis Morissette! Depois de abrigar o pop
"raivoso" da cantora canadense, o palco paulistano do Olympia será
varrido quarta e quinta-feira pela sonzeira sem controle de mais uma atração
internacional: a banda brasileira Sepultura.
O grupo "gringo" fecha sua ronda pelo país com a turnê de divulgação
do álbum "Roots" na sexta, no Imperator, Rio.
O estrago que o mais recente CD do Sepultura causou nas paradas pelo mundo
justifica o título de atração "internacional". Quando
"Roots" foi lançado, em fevereiro, foi parar direto no 27º lugar da
Billboard, um feito para um disco de "death metal".
Em menos de um mês, a revista européia "Music & Media" soltou uma
lista com os CDs mais vendidos no continente. E "Roots", sexto álbum
da banda, já abocanhava a segunda posição, desbancando pesos pesados como
Michael Jackson e Madonna, atrás apenas do britpop do Oasis.
Na Polônia, ganhou disco de ouro. Na Inglaterra, prata. Na Ásia, mais ouro:
Malásia e Indonésia. Nos EUA, as vendas chegam perto de meio milhão de cópias.
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Folha - Como você explica para um fã
do Sepultura a foto que tem você com a guitarra e o Caetano Veloso ao microfone?
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Max
Cavalera, Carlinhos Brown e Caetano Veloso
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Max Cavalera - Foi um dos momentos
mais -como dizer?- engraçados da minha carreira. Estávamos gravando o clipe de
"Roots Bloody Roots" na Bahia e fomos ver um ensaio da Timbalada.
Numa hora em que estava o Caetano no palco, o Carlinhos Brown me chamou para
subir também.
Aí eu pensei: "Ih, fodeu geral! Nem sei tocar essas coisas mais...
lentas" (risos).
Eu subi no palco e o guitarrista da Timbalada me deu a guitarra. E eles
começaram a tocar uma música e ali não teve jeito de eu sair fora.
Folha - Qual era a música?
Cavalera - Não sei o quê "da
lua". Alguma coisa "da lua". O que me salvou foi que a guitarra
tinha um pedal wah-wah. Fiquei fazendo barulho a música inteira.
Foi um lance estranho. Estou acostumado a fazer "jam session" com o
pessoal do Pantera, do Biohazard, Ratos de Porão. Agora, com o Caetano
Veloso... Mas o pedal me salvou, fiquei fazendo a barulheira e até que ficou
legal. Razoavelmente passável.
Folha - O caderno "Mais!"
em abril dedicou um número ao Sepultura com o título "Raízes do
Brasil". As reportagens cravavam que o Sepultura fazia uma síntese musical
entre rock e sons tribais, o que levava a banda a fazer parte de um novo
conceito de MPB. Para você, o Sepultura é MPB?
Cavalera - É uma coisa difícil de
dizer. Achei os textos espetaculares. É bom ver que esse nosso trabalho com
índios, com a percussão da Timbalada acabou chamando atenção de pessoas
totalmente não-ligadas no mundo do rock. Atraiu a atenção até de professor.
Falar que o Sepultura é MPB... A gente canta em inglês... Só se for uma MPB
distorcida. Nós distorcemos também o metal. Quem for ver o show vai ver que o
Sepultura é a mesma podreira de sempre.
Muita gente falou que nós fizemos no "Roots" uma batucada para
gringo. Para vender nos EUA, na Europa. É estúpido isso. A percussão que foi
gravada ali é pesada, gastou muito tempo para fazer. E fizemos porque achamos
muito bom o som que o Carlinhos Brown tira com as latarias. E misturar isso com
o nosso som foi sensacional.
Folha - O Sepultura no Brasil não
deixa de ser uma atração internacional, por tudo o que vocês representam e até
pelo nome que vocês têm fora do país. Vocês sentem em algum momento, tocando na
Dinamarca, por exemplo, que o Sepultura é uma banda brasileira?
Cavalera - Totalmente. Todo show que
a gente faz tem sempre bandeira do Brasil no meio do público. Às vezes nós
falamos até em português com a galera. Nunca nos sentimos como uma banda
internacional. Ninguém nunca vai ver a gente falando em inglês um com o outro.
Folha - Os shows do Sepultura
acontecem só no Rio e em SP. Vocês não estão devendo uma turnê pelo Brasil
inteiro para os fãs do Nordeste, do Sul?
Cavalera - O que acontece é que
nenhum promotor quer bancar uma turnê do Sepultura pelo Brasil. Estamos
esperando por isso há tantos anos que nossa paciência já esgotou. O que vai
acabar acontecendo é que vamos tirar dinheiro do próprio bolso para conseguir
tocar de norte a sul.
Folha - Em 1997?
Cavalera - A idéia é terminar a
turnê do "Roots" no Brasil, no ano que vem, tocando em umas 15
cidades.
Folha - Faz dois anos que vocês não
tocam no Brasil. O que se pode esperar dos shows do Olympia e do Imperator?
Cavalera - A banda está atravessando
a melhor fase ao vivo de toda a carreira. Além de tocar as músicas velhas
misturadas às novas, vamos fazer "jam" com as bandas que abrirão
nosso show (Ratos de Porão, em SP -a do Rio não está confirmada). Nós temos
tocado desde que o disco foi lançado, e a reação do público e até da crítica
tem sido impressionante.
Folha - É verdade que seu filho, o
Zyon, de 4 anos, vai tocar bateria em uma música no show?
Cavalera - Vai depender do astral
dele no dia. É em "Kaiowas", que tem um arranjo no fim só com
bateria, que as bandas que estão com a gente vêm ao palco para tocar junto. É
nessa parte que o Zyon toca. E o público delira.