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domingo, 7 de julio de 2024

2024 - A TARDE - ENCONTRO DE CAETANO VELOSO E MARIA BETHÂNIA

 

COLUNA

A TARDE MEMÓRIA

Por Cleidiana Ramos


20 de abril de 2024 

Encontro de Caetano Veloso e Maria Bethânia é novo marco musical

Os irmãos estiveram juntos em ocasiões especiais, como o show de comemoração aos 450 anos de Salvador


Ao lado de Gilberto Gil e Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso
formaram " Os Doces Bárbaros" 

Desde que a turnê conjunta de Caetano Veloso e Maria Bethânia por capitais brasileiras foi anunciada no mês passado a rotina da produção tem sido a de anunciar novas datas e lidar com a situação de ingressos esgotados rapidamente. A série de shows só começa em agosto, no Rio de Janeiro, mas o projeto já é considerado o maior evento da música brasileira deste ano. A alta procura indica o quanto os irmãos, baianos de Santo Amaro, conseguiram manter de protagonismo na cena musical. A apresentação conjunta, em um formato mais longo, repete o encontro entre eles que aconteceu em Salvador na celebração dos 450 anos de fundação da cidade e que foi o ponto alto da festa, como foi registrado em A TARDE: 

“Com o Hino ao Senhor do Bonfim, os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia encerraram ontem as comemorações dos 450 anos de Salvador. O show durou quase três horas e fez o chão da praça balançar com o embalo dos milhares de pessoas que lotaram a Praça Castro Alves. Dois telões instalados em locais estratégicos levaram as imagens do show até a Ladeira de São Bento e à rua Carlos Gomes, e as pessoas que não conseguiram espaço na Praça Castro Alves puderam acompanhar o espetáculo”(A TARDE, 30/03/1999, p.3).

De acordo com o texto, o show, além de canções que marcaram a trajetória dos artistas teve o que tem sido uma marca nas apresentações de Bethânia: a declamação de poemas. Naquela ocasião ela recitou Navio Negreiro, de Castro Alves, em uma versão musicada por Caetano. 

Os irmãos já estiveram juntos em outras ocasiões, como no tributo a Mãe Menininha, nos 21 anos da morte da ialorixá do Ilê Iyá Omi Axé Iyamasé, mais conhecido como Terreiro do Gantois, de onde Bethânia é filha de santo. Em 1978, A TARDE também registrou um encontro que, segundo o texto, foi o primeiro: 

“Um show sem intervalo e com a duração de uma hora e quarenta e cinco minutos, incluindo um repertório de 22 músicas, inclusive algumas inéditas é o que Caetano Veloso e Maria Bethânia farão de terça-feira, até o próximo domingo, às 21 horas, no Teatro Santo Antônio. Em entrevista coletiva nas escadarias do teatro, ontem à tarde, os artistas disseram que a escolha do Santo Antônio se deu por falta de pauta no TCA e principalmente porque foi ali que Bethânia viu pela primeira vez artistas e peças de teatro. Também esta é a primeira vez que os irmãos Veloso fazem shows juntos”. (A TARDE, 28/5/1978, p.3). 

Sucesso nacional

A novidade dessa turnê é a sua extensão. São dez cidades, incluindo Salvador. A relação inicial foi ampliada a pedidos e em alguns casos foi aberta mais uma apresentação. Só essa expansão dá uma dimensão da importância que os artistas possuem no cenário musical brasileiro. 

“Caetano Veloso e Maria Bethânia têm uma capacidade inventiva e de comunicação enorme com o público. São artistas longevos que acumularam mais de seis décadas de sucesso e de presença no mainstream cultural brasileiro. Caetano Veloso, no último trabalho dele, Meu Coco, mostrou como um artista com tanto tempo de carreira consegue produzir algo tão inventivo. E Maria Bethânia como intérprete, como alguém que pensa o Brasil como artista, consegue também se renovar”, analisa o antropólogo, historiador, jornalista e poeta, Marlon Marcos. Doutor em antropologia, ele é professor do Campus dos Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), localizado em São Francisco do Conde. 

Essa capacidade de renovação das linguagens artísticas e da criatividade apontadas pelo professor Marlon Marcos, tem feito com que a arte de Bethânia e Caetano conquiste novas gerações. Uma amostra são os memes que tem os dois como protagonistas. Um relacionado a Caetano, por conta de uma reportagem de uma seção de notícias de celebridades publicada em 2011 tem o seu aniversário, em 10 de março, celebrado todos os anos nas redes. O texto ganhou projeção pela banalidade do título: Caetano Veloso estaciona carro no Leblon. 

“O meme rejuvenesce a obra e alcança pessoas que não a conheciam. A curiosidade sobre o protagonista do meme leva à busca por saber mais sobre a pessoa que está gerando o riso, a graça ou o debate sobre uma questão. O meme acaba servindo como um instrumento de atração de um público que talvez desconhecesse a obra dos artistas, o que dá uma dimensão da capacidade de renovação do que eles produzem”, diz Marlon Marcos. Ele é autor de Oyá-Bethânia- os mitos de um orixá nos ritos de uma estrela. O livro, que mostra a inserção da religiosidade de Maria Bethânia em sua arte e essa relação com a indústria cultural, é derivado da dissertação de mestrado do antropólogo apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia. (Pós Afro-Ufba) e orientada pelo professor Cláudio Luiz Pereira. 

Estética provocativa

As carreiras de Caetano Veloso e Maria Bethânia surgiram em um contexto de extrema tensão social no Brasil por conta da ditadura militar iniciada com o golpe de 1964. Bethânia ganhou projeção ao substituir Nara Leão (1942-1989) na peça Opinião, após se mudar para o Rio de Janeiro. “Aquela cantora de voz potente, andrógina, em comparação ao estilo delicado e de voz doce de Nara Leão arrebatou a cena musical brasileira. Foi ali também que se abriu o caminho para o irmão de Bethânia, Caetano”, aponta Marlon Marcos. 

A dupla tem a sua trajetória conectada de forma mais intensa à arte de mais dois baianos: Gilberto Gil e Gal Costa (1945-2022). Embora com características muito próprias na música, os caminhos dos quatro sempre estiveram unidos porque começaram juntos. Caetano e Gil dialogaram de forma intensa, inclusive em um movimento, o Tropicalismo, ao lado de outros artistas, como Tom Zé. Mas, embora, cada um tenha suas trajetórias muito bem-marcadas do ponto de vista individual é sempre recorrente analisar suas carreiras na perspectiva de quarteto. 

“Para mim, os quatro representam uma síntese de tudo o que foi produzido na Bahia por nomes como Dorival Caymmi, Assis Valente, João Gilberto e Raul Seixas. Eles sintetizam a grande invenção musical que é esse lugar chamado Bahia. De fato, são extremamente importantes, começaram juntos e levaram a Bahia pelo mundo”, avalia o professor Marlon Marcos. 

Na avaliação do professor, em relação aos irmãos Caetano e Bethânia, o primeiro fez uma experimentação estética mais evidente por conta do Tropicalismo, mas Bethânia, ao seu modo, também tem carreira marcada pela inovação. “O Tropicalismo foi uma proposta de movimento estético e através da antropofagia conseguiu alcançar diversas linguagens em uma brasilidade que sentimos como algo nosso. Maria Bethânia pode ser vista como mais reclusa em relação à estética tropicalista, mas esteve atenta a querer cantar em sua voz tudo que fosse o Brasil a que ela escolheu pertencer: o Brasil afro-indígena, do Recôncavo da Bahia, do samba chula, do samba de roda, das canções amorosas, do amor rasgado, do samba canção e da obra de Dorival Caymmi. Bethânia escolheu esse caminho e a estética tropicalista é aquela que diz ser tudo possível dentro da música”, acrescenta o antropólogo. 

Aqui estão algumas pistas do porquê este encontro mobiliza tantas atenções e emoções. Nos duetos, mas também nos momentos solos, as várias faces do público destes shows estarão em conexão com os dois artistas que irão conduzir a magia que a música é capaz de produzir.





  • 31/12/1983 | Cedoc A TARDE

 



1978 | Cedoc A TARDE


Sem data | Cedoc A TARDE


20/5/1993 - Foto: Rejane Carneiro | Cedoc A TARDE


15/6/1994 - Cedoc A TARDE


21/1/1981 | Cedoc A TARDE


Caetano Veloso e Irmã Dulce - 13/9/1982 | Cedoc A TARDE


28/10/1984 | Cedoc A TARDE


18/9/1981 | Cedoc A TARDE


29/3/1999 - 450 anos de Salvador - Foto: Gildo Lima | Cedoc A TARDE






domingo, 12 de julio de 2015

1999 - SALVADOR 450 ANOS



29/3/1999 -  Foto: Gildo Lima | Cedoc A TARDE






29/3/1999











 





 


 







São Paulo, Sexta-feira, 26 de Março de 1999

MÚSICA
Capital comemora 450 anos com shows
Caetano Veloso reabre concha acústica na BA


LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador

Com a apresentação do espetáculo "Livro Vivo", o cantor e compositor Caetano Veloso vai reinaugurar hoje a concha acústica do TCA (Teatro Castro Alves).
Caetano voltará a cantar em Salvador na próxima segunda, quando a capital baiana comemora 450 anos de fundação. Ele se apresentará ao lado da irmã e cantora Maria Bethânia num palco montado na praça Castro Alves.
O governo estadual investiu R$ 1,5 milhão nas obras de modernização da concha, que agora tem capacidade para abrigar 5.000 pessoas -antes abrigava 3.000. O palco e a parte plana superior da platéia ganharam um visual "futurista", com coberturas de lona.

Com o término das obras, a concha acústica do TCA conta agora com três camarins, seis camarotes, sala de administração, depósito, duas bilheterias e sete catracas para a entrada do público.

Segundo Paulo Gaudenzi, secretário da Cultura e do Turismo da Bahia, os cantores Edson Gomes, Adriana Calcanhoto, Djavan e Lulu Santos se apresentarão na concha acústica em abril e maio.

Elaborada pelo governo estadual e pela Prefeitura de Salvador, a programação para comemorar os 450 anos de fundação da primeira capital brasileira começou na semana passada, com o lançamento do catálogo "450 Motivos para Amar Salvador".

Na próxima terça, o novo arcebispo de Salvador, dom Geraldo Majella Agnelo, 66, vai presidir, na Fonte Nova, uma missa em ação de graças ao aniversário da cidade. Os padres Marcelo Rossi e Zeca também participarão da cerimônia.
A programação prevê ainda a inauguração das obras de restauração da praça da Sé (centro histórico) e a encenação da chegada de Thomé de Souza ao porto da Barra.

Também no próximo dia 29 o governo baiano vai entregar à população o "Quarteirão Cultural" -120 imóveis no centro histórico que foram restaurados. Os casarões vão abrigar galerias, bibliotecas, espaços culturais e cinemas.





No dia 29/3, show em homenagem aos 450 anos da cidade, na praça Castro Alves, a partir das 20h30.





















Terça-feira, 30 de março de 1999

Caetano e Bethânia cantam em comemoração aos 450 anos de Salvador

Do Diário do Grande ABC

Não era o encontro dos trios elétricos, que tradicionalmente encerra o carnaval baiano, mas a Praça Castro Alves ficou lotada por milhares de pessoas, na noite de segunda, para assistir ao show de Caetano Veloso e Maria Bethânia, que encerrou as comemorações dos 450 anos de Salvador.

Os dois cantaram seus principais sucessos e encerraram a festa com o Hino do Senhor do Bonfim, santo de maior devoção dos baianos. 

Dona Canô, 91 anos, mãe da dupla de artistas mais famosos da Bahia, fez questão de assistir a apresentação dos filhos de um dos cantos do palco.
Ela se emocionou junto com os espectadores no momento em que Caetano e Bethânia recitaram trechos do poema "Navio Negreiro" de Castro Alves. Os dois cantaram 41 músicas, grande parte delas falando da Bahia, entre elas "A Bahia Te Espera", de Ari Barroso e "Saudades da Bahia" de Dorival Caymmi. 

Pouco antes do show na Castro Alves, o prefeito Antonio Imbassahy (PFL) inaugurou a obra de revitalização da Praça da Sé contando com as presenças do governador César Borges (PFL) e o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhaes. Após a inauguração da Praça da Sé, houve uma apresentação da Orquestra Sinfônica da Bahia.






22 de maio de 2000

Pavilhão Atlântico, no Parque das Nações, em Lisboa

Caetano Veloso e Maria Bethânia

Concerto de comemoração dos 500 anos do achamento do Brasil.


















 
1999 
450 ANOS SALVADOR
MARIA BETHÂNIA / CAETANO VELOSO


1. OS MAIS DOCES BÁRBAROS (Gilberto Gil/Caetano Veloso) 3:00
2. SÃO SALVADOR (Dorival Caymmi) 2:57
3. TUDO DE NOVO (Caetano Veloso) 2:38
4. ORAÇÃO À MÃE MENININHA (Dorival Caymmi) 2:28
5. IANSÃ (Gilberto Gil) 1:55
6. JOÃO VALENTÃO (Dorival Caymmi) 2:12
7. BAHIA COM H (Denis Brian) 2:01
8. SAUDADE DA BAHIA (Dorival Caymmi) 1:20 /SAMPA (Caetano Veloso) 2:45
9. Ô MEU PAI (Tatau/Birro Pacheco) 2:47
10. SOZINHO (Peninha) 2:52
11. MILAGRES DO POVO (Caetano Veloso) 3:20
12. É DE MANHÃ (Caetano Veloso) 1:25
13. A BAHIA TE ESPERA (Ary Barroso) 1:48
14. ROSA DOS VENTOS (Chico Buarque) 1:58
15. GITÂ (Raul Seixas/Paulo Coelho) 02:30
16. EXPLODE CORAÇÃO (Gonzaguinha) 01:46
17. ILUMINADA (Jorge Portugal/Roberto Mendes) 2:24
18. MINHA HISTÓRIA (Lucio Dalla/Paola Pallottino – Versión: Chico Buarque) 3:57
19. NEGUE (Jair Amorim/Adelino Moreira) 1:47
20. MENSAGEM (Cícero Nunes) 2:16
21. EU PRECISO DE VOCÊ (Roberto Carlos Erasmo Carlos) 3:09
22. RECONVEXO Caetano Veloso) 3:35
23. ALEGRIA (Arnaldo Antunes) 2:57
24. É O AMOR (Zezé Di Camargo/Luciano) 4:06
25. EMOÇÕES (Roberto Carlos) 2:33
26. ESOTÉRICO (Gilberto Gil) 2:57
27. ATIRASTE UMA PEDRA (Herivelto Martins) 3:05
28. QUIXABEIRA (Carlinhos Brown / Dominio Público) 2:47
29. O NAVIO NEGREIRO (Castro Alves) 3:04
30. UM ÍNDIO (Caetano Veloso) 3:12
31. VOCÊ JÁ FOI À BAHIA (Dorival Caymmi) 2:02
32. HINO AO SENHOR DO BONFIM (João Antonio Wanderley/Artur de Sales) 3:39