16/3/2011
Maria Bethânia
apresenta em BH leituras de prosa e poesia
Para a cantora,
que vai fazer três shows em BH, amor pelas letras vem da infância em Santo
Amaro
Ailton
Magioli - EM Cultura
Por
mais que tente, Maria Bethânia, de 64 anos, não consegue se lembrar da primeira
palavra que falou na infância. “Não tenho
a menor memória”, confessa, às gargalhadas, ao telefone, admitindo que nem
mesmo a mãe, dona Canô, havia falado sobre o assunto com ela até então. Uma
menina falante, no entanto, ela admite que foi. “No colégio falava muito. Era conversadeira”, recorda a intérprete,
que estreia sexta-feira, no Teatro Dom Silvério, a temporada relâmpago do
espetáculo Bethânia e as palavras, com ingressos esgotados para as três
apresentações em Belo Horizonte.
“A madre superiora sempre dizia: ‘Lá vem
ela, falando alto’”, acrescenta Bethânia, que, apesar de já se aventurar a
cantar, achava a própria voz uma coisa medonha. “Era grave, cantava muito alto, muito gritado”, justifica aquela que
viria se tornar a maior intérprete brasileira. Longe de se tornar uma cantora
de banheiro, Maria Bethânia gostava mesmo de cantar era no convento, onde
iniciou o processo educacional. A poesia propriamente dita, recorda, entrou em
sua vida um pouquinho mais tarde. “Foi na
época do exame de admissão para o ginásio.”
Como Santo Amaro da Purificação, na Bahia, era uma cidade muito pequena, em que
todo mundo sabia quem era quem, Maria Bethânia tinha contato com o poeta e
amigo de seu pai Nestor Oliveira, que acabou se tornando seu mestre. “Juca, professor Nestor, professor Édio, que
ainda é vivo. Tinha outros poetas que eram amigos de meu pai.” A irmã
Mabel, no entanto, que acabou se tornando poeta, era a mais interessada no
assunto desde então. “Ela tinha
interesse, o noivo dela também escrevia poesia”, salientando que Mabel
também era meio madrinha de Caetano Veloso que, não por acaso, acabaria
responsável por sua formação. “Eu fui
pegando a caroninha assim lá de cima, uma escadinha boa.”
Já no ginásio, o poeta-professor Nestor Oliveira gostava de declamar
poesia, fazer os alunos trabalharem com o tema, escrevendo poesia, rimas,
quadras, sonetos e divisões. “Ele tinha
cuidado de ensinar. Adorava. Nestor é um grande poeta”, elogia. “Ele era exigentíssimo com a finura no
português, com o aprender a falar direitinho, elegante, gostar das palavras.
Disso me lembro muito bem.” Intelectual e leitor, Caetano introduz a irmã
no meio literário, quando ela começa a se apurar no setor. De Santo Amaro para
Salvador, onde conhece a professora de português extraordinária (Candolina),
que também tinha a ver com poesia e literatura em geral, Bethânia lembra,
orgulhosa, da formação, que incluiu até aulas de dicção na escola pública de
então.
“Na época fui ser bandeirante. Eu tinha
uma patrulha chamada Tuti Negra. Pedi a Caetano e Nestor para fazerem o hino da
minha patrulha. Infelizmente, esqueci, Caetano não lembra, não temos registro
algum dele”, lamenta. De cara, por conta de Caetano, que vivia com a
revista Senhor, que a família assinava, Bethânia teve acesso aos grandes
poetas, incluindo Fernando Pessoa e a escritora Clarice Lispector, que, mesmo
não sendo poeta, atraiu a atenção da cantora. Para ela, há muitas palavras
significativas. “A cada dia isso pode
mudar, mas tenho a impressão de que o sentimento de não deixar esta chama, esta
criança, como costumo dizer, se apagar, é o que me move. Sou comandada pelas
palavras, acho que isso é encantamento de palco, é destino, é escolha de Deus
para uma profissão, para um ofício. Uma palavra que acho linda é ofício”,
afirma.
Canto e leitura
Em Bethânia
e as palavras, como gosta de dizer, poderia ser qualquer (outra)
cantora ou atriz declamando poemas, em companhia do violonista Jaime Alem e do
percussionista Carlos César. Mas não é bem assim. Trata-se da intérprete
definida pela poeta portuguesa Maria Gabriela Llansol como uma “cantora de
leitura”. “Não inventei nada, mas é lógico que cada um afina de um modo”,
resume a experiência de declamar poesia no palco. Ao ser convidada pela UFMG
para participar do ciclo de conferências Sentimentos do mundo, quando tudo
começou, a cantora diz ter ficado feliz em ver tal projeto nascer dentro de uma
escola. “Como eles queriam uma coisa pequena, uma performance, peguei meus
papéis e falei: vou montar uns textos para ver o que dá. Fiquei brincando e
adorei fazer aquilo. Senti-me tão feliz, porque a cantora veio para poder
indicar caminho e também para se expressar. Mas para mim foi bonito, porque era
mais a palavra falada”, avalia.

Com a venda do recital para novas leituras (nove, ao todo), Maria Bethânia
lembra que a curta duração da apresentação (1 hora e 10 minutos) acabou
limitando-o à leitura. “Não é nenhum
espetáculo”, adverte, salientando que botou música na performance porque a
cada dia que faz a leitura, ela muda. “Já
no programa informo que tudo poderá mudar de acordo com a cantora”, sorri,
lembrando que as mudanças vêm de acordo com a vontade dela de ler um poeta ou
um autor, além de se referir a algo que a comove. “Lógico que há três pontos básicos: chego, peço licença, passo pelos
meus poetas preferidos e depois chego à dedicatória”, explica. E explica
que o restante pode ser mexido de um dia para o outro. No contato com o público,
muda pouco. “Estou quietinha com a
partitura, lendo. Não estou fazendo um show, não tem a cara de show. É quase
uma conversa meio mágica, com um pouco de dramaturgia, porque isso eu aprendi
com Fauzi Arap. Tudo que faço é assim”, conclui. “É Maria Bethânia lendo, de oclinhos, com seus 64 anos.”
Letra e música
Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Ramos Rosa, Sophia de Mello
Breyner, José Craveirinha, Padre Antônio Vieira, Caetano Veloso, Fausto Fawcett
e Ferreira Gullar são alguns dos autores com presença garantida no recital, que
é entremeado por trechos de canções brasileiras e portuguesas como ABC do
sertão (Luiz Gonzaga), Romaria (Renato Teixeira), Estranha forma de vida
(Amália Rodrigues) e Dança da solidão (Paulinho da Viola). Hermano Vianna e
Elias Andreatto colaboraram na performance.
BETHÂNIA E AS PALAVRAS
Sexta-feira e sábado, 21h; domingo, 19h. Teatro Dom Silvério, Avenida Nossa
Senhora do Carmo, 230, Savassi. Ingressos esgotados. Informações: (31)
3209-8989.

Bethânia e as palavras
Maria Bethânia se apresenta no Teatro Dom Silvério
Tudo
começou em Belo Horizonte, há cerca de dois anos, quando a intérprete foi
convidada pela professora e escritora Lúcia Castello Branco para participar de
uma leitura de textos no Ciclo de Conferências
Sentimentos do Mundo, no câmpus da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). O evento também recebeu David Lynch, Danielle Mitterrand e Arnaldo
Antunes. De lá para cá, ainda que a cantora tenha lançado dois belos discos,
não se fala em outra coisa: Bethânia e as palavras, o projeto
especial da baiana que será retomado com apresentações na capital mineira (18,
19 e 20 de março), além de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Em BH, os
ingressos começarão a ser vendidos à partir do dia 28 de fereveiro.
Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Ramos Rosa, Sophia de Mello
Breyner, José Craveirinha, Padre Antônio Vieira, Caetano Veloso, Fausto Fawcett
e Ferreira Gullar estão no programa do recital, entremeado por trechos de conhecidas
canções brasileiras e portuguesas – como ABC do sertão (Luiz Gonzaga), Romaria
(Renato Teixeira), Estranha forma de vida (Amália Rodrigues) e Dança da solidão
(Paulinho da Viola). O espetáculo conta com a colaboração de Hermano Vianna, de
Elias Andreatto, do violonista Jaime Alem e do percussionista Carlos César. A
produção negocia sua apresentação no Festival de Inverno da UFMG, em
Diamantina, em julho.
Fã da cantora, Lúcia Castello Branco conta que aprendeu a ler Clarice Lispector
por meio da intérprete baiana. “É uma das vozes mais bonitas que nós temos.
Bethânia canta com a alma, mas sou fã dela como leitora de textos”, diz Lúcia,
salientando que não por acaso a escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol
chamou a atenção para o fato de a brasileira ser “cantora de leitura”. A
convivência de Lúcia com Maria Bethânia é anterior ao Ciclo Sentimentos do
Mundo. Em 2006, a professora da UFMG e Gabriel Sanna dirigiram o documentário Língua de brincar. Lúcia também fez o
documentário Mar interior, ainda inédito,
que relata a relação da cantora com a literatura.
A ligação de Maria Bethânia com a palavra remonta à infância. Desde os tempos
de colégio em Santo Amaro da Purificação, quando o professor Nestor Oliveira
lhe ensinou a ouvir poesia, assim como ao irmão Caetano Veloso. Mais tarde, ela
acabou levando os textos para o palco, incorporando-os definitivamente a seu
repertório. Em BH, na estreia de Sentimentos do Mundo, a cantora fez uma
espécie de memorial da própria carreira, recitando de Fernando Pessoa a Manoel
de Barros, passando por Jorge Portugal, Ascendino Ferreira e Maria Gabriela
Llansol. Bethânia intercalou a leitura com a interpretação de algumas canções.
O maestro Jaime Alem diz que um dos diferenciais de Bethânia e as palavras é a
falta de compromisso da intérprete com a cena. “Ali, ela pode ler à vontade”,
explica Alem, salientando que plateias geralmente menores do recital
possibilitam maior proximidade da artista com o público. “Por nada ser
cronometrado, ela acaba ficando mais solta”, afirma. Depois da estreia na
capital mineira, onde cantou a capela, Bethânia acabou sentindo falta de
música. O espetáculo, que já foi apresentado em Portugal, ganhou violão e
percussão.
Espetáculo: Bethânia e as palavras
Local: Teatro Dom Silvério


● ● ● ● ● ● ●
Maria Bethânia
também fará shows em
São Paulo: 29, 30 e 31 de março
Curitiba: 26 e 27 de abril
Porto Alegre: 30 de abril e 1º de maio
● ● ● ● ● ● ●
Para celebrar o lançamento da nova edição do livro Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, de Reynaldo Jardim, Marcio Debellian produziu recitais Bethânia e as Palavras, nos dias 18 e 19 de outubro de 2011, no SESC Ginástico, no Rio de Janeiro.
As apresentações contaram com a participação especial de Elias Andreato e roteiro especial, em homenagem ao poeta Reynaldo Jardim.
● ● ● ● ● ● ●
“Bethânia
e as Palavras - Leitura Poética”
Teatro
Universitário, Campus da Ufes de Goiabeiras, Vitória/ES.
Sábado
7/7/2012, às 21h e
Domingo
8/7/2012, às 19h
Ficha
Técnica:
Direção:
Elias Andreatto
Colaboração:
Hermano Vianna
Violonista:
Luiz Brasil
Percussionista:
Carlos César
● ● ● ● ● ● ●
2º Festival de História,
promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Diamantina.
Entre 19 e 22 de setembro de 2013.
Festival realizado em
Diamantina comprova o crescente interesse do cidadão por história. Debates com
especialistas e shows, como o de Maria Bethânia, caíram no gosto do público
Ana Clara Brant
Estado de Minas: 23/9/2013
Maria
Bethânia declamou poemas e cantou em sua bela estreia em Diamantina (foto:
Leandro Couri/EM)
“…
Música e letra O 2º fHist
acertou em incorporar novas abordagens – como shows, concertos, exibição de
filmes e exposições – à discussão da história. Num dos momentos mais
emocionantes do festival, Maria Bethânia – em seu show de estreia na terra de
JK – alternou poemas e canções. A plateia delirou.
Acompanhada do violonista Paulo Dafilin e do percussionista Carlos Cesar, a
baiana mesclou textos e versos de Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Cecília
Meireles, Ramos Rosa, Sophia de Mello Breyner Andersen, José Craveirinha, Padre
Antonio Vieira e Ferreira Gullar com trechos de conhecidas canções brasileiras
e portuguesas.
O repertório musical foi de ABC do sertão (Luiz Gonzaga), Romaria (Renato
Teixeira) e Último pau-de-arara (J. Guimarães/Venâncio/Corumbá) a Estranha
forma de vida (Amália Rodrigues), passando por Marinheiro só (domínio público,
adaptação Caetano Veloso), Dança da solidão (Paulinho da Viola) e Menino de
Jaçanã (Luís Vieira/Arnaldo Passos).
A apresentação da cantora na tenda da Praça Doutor Prado, no Centro de
Diamantina, foi registrada e faz parte de projeto que engloba DVD e livro, que
será lançado pela Editora UFMG e distribuído para escolas da rede pública.
“Tudo começou justamente aqui em Minas, em 2009, quando a Bethânia participou
do ciclo de conferências Sentimentos do mundo, no câmpus da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG), em BH. Ela se encantou tanto que quis
prosseguir com a iniciativa. Diamantina foi o local das primeiras gravações do
DVD”, informou o diretor do projeto, o cenógrafo e arquiteto Gringo Cardia. O
lançamento está previsto para o ano que vem.”
● ● ● ● ● ● ●
26/2/2015
Em show, Maria Bethânia faz leitura e pede poesia no ensino público
Tiago
Dias
Do UOL, em São Paulo
Maria Bethânia provou do fanatismo que somou em cinco décadas de
carreira no início da temporada do show "Bethânia e as Palavras",
no Sesc Pinheiros, em São Paulo,
nesta quarta-feira (25). Com raras aparições na rede, ela arrastou filas nas
unidades e esgotou os quatro dias de apresentação em 25 minutos. Em um dia
caótico de chuva na cidade, o teatro lotou e havia até fila de espera para
ingressos remanescentes. Tudo para poder ver Bethânia bem de perto a preço
popular de R$ 18 a R$ 60.
Quem esperava um espetáculo nos
moldes de "Abraçar e Agradecer", turnê oficial de comemoração dos 50
anos, teve, na verdade, um presente maior: Bethânia em um estado ainda mais
puro, envolta com seus poemas favoritos, em um teatro menor, mais intimista que
as casas de shows onde costuma se apresentar.
Era Bethânia a declamar,
acompanhada de interlúdios musicais precisos do violonista Paulinho Dafilin e
do percussionista Carlos Cesa. Vestida de maneira sóbria, com terno branco,
sempre descalça e com as habituais pulseiras, manteve-se no canto esquerdo, ao
pé de um pedestal com os textos.
A Bethânia cantora --a dançar
no centro do palco -- só veio no bis não programado. "Senhores, é um show pequeno, uma leitura. Eu estou aqui nesse
teatro, e meu Deus. O que podemos fazer, hein?", questionou os
músicos. Escolheu "Reconvexo", do irmão Caetano
Veloso, para brindar o público.
Intelectualmente, é um desafio,
ela reconhece, declamar poemas em "tempos tão difíceis". Ao relembrar
o professor de ginásio Nestor Oliveira, cujo poema "Ciclo" Caetano
musicou, ela pediu para que a poesia esteja presente nas salas de aula. "Eu ainda acredito no ensino
público", disse. Bethânia emociona, mas seu costumeiro sarcasmo -- ou
'piti', como os fãs costumam chamar nas redes sociais -- sempre está presente.
No bis, ela respondeu, séria, a um fã que pedia uma foto: "Por favor,
ainda estou no palco".
"Bethânia e as
Palavras" é um show em que a
cantora expõe suas descobertas no mundo literário. Ainda influenciada pelo
espetáculo "Opinião", que a projetou em 1965, suas turnês sempre
costuraram canções com poemas. A mistura aqui é o inverso: textos marcantes da
carreira são entremeados por trechos de conhecidas canções, como "Marinheiro Só" (domínio
público/adaptação Caetano Veloso), "Dança da Solidão" (Paulinho da
Viola) e "Olhos de Lince", de Jards Macalé. Em atos, ela desdobra suas descobertas: do
mundo, do amor, do Brasil profundo.
Assim, a leitura do trecho de
"Grande Sertão: Veredas",
de Guimarães Rosa, em que Riobaldo admite sua paixão por Diadorim, é
acompanhada do sucesso "Meu Primeiro Amor". Ao recitar "Navio Negreiro", de Castro Alves, cantou "Zumbi", de Jorge Ben. Dentro do contexto paulista, com
a crise hídrica, ela exalta o sertão com o poema "Águas e Mágoas do Rio São Francisco", de Carlos Drummond de
Andrade. "Está secando o velho
Chico. Está mirrando, está morrendo", ela declama, salientando que o
texto é de 1977. Poderia ser de hoje.
Já a poesia portuguesa encontra
eco nos poemas de Sofia de Melo Breyner Andresen e, principalmente, Fernando
Pessoa -- seu poeta favorito, a propósito, ganha um ato só seu. "Poema do Menino Jesus", do
heterônimo Alberto Caeiro, é seguido por "Cálix Bento" e "Romaria", acompanhada por palmas.
O projeto começou em Minas, em
2009, quando Bethânia foi convidada pela UFMG para participar do ciclo de
conferências "Sentimentos do Mundo". O próximo passo seria um blog de
poesia, mas o site foi engavetado após o pedido de R$ 1 mi na Lei Rouanet em
2011 gerar polêmica. O show deve ganhar DVD ainda este ano.
● ● ● ● ● ● ●
3° Festival de História vai
ter extensa programação cultural [Portugal]
8 de maio de 2015
A programação cultural do 3º Festival de História
(fHist), em sua primeira etapa, que acontece na cidade portuguesa de Braga,
promete emocionar os participantes, de 21 a 23 de maio próximo. A primeira
apresentação será da cantora Maria Bethânia que fará na Sala Principal do
centenário Theatro Circo o espetáculo Leituras Poéticas, em que declama seus
poemas favoritos acompanhada de interlúdios musicais e mescla canções
conhecidas de seu repertório. Será no dia 21, quinta-feira, às 21 horas.
CONCERTO INTEGRADO
NO PROGRAMA CULTURAL DO 3º fHist - FESTIVAL DE HISTÓRIA
Acompanhada pelo percussionista Carlos Cesar e pelo
guitarrista Paulo Dafilin, Maria Bethânia vai dar voz a mais de 20 temas,
revisitando músicas do seu repertório como “Romaria”, “Cálix Bento”, “Menino de
Braçanã”, “Cirandeiro” ou “Rosa Vermelha”. O alinhamento musical, do qual farão
parte ainda os temas “Estranha Forma de Vida”, de Amália Rodrigues, “Comida” da
banda Titâs ou “Jenipapo”, de Caetano Veloso, entre muitos outros, será
intercalado com excertos de poemas de Fernando Pessoa, Manoel Bandeira, Mário
de Andrade, Ferreira Gullar e de textos de Guimarães Rosa e Clarice Lispector.
 |
| 21/5/2015 em Braga: "Bethânia e as
palavras" |
Maria Bethânia emociona o Theatro Circo de Braga
Foram uma
hora e meia de pura emoção até o centenário Theatro Circo, na Avenida da
Liberdade, explodir em intermináveis aplausos, marcando o ponto alto do
Festival de História o 3º fHist na cidade
portuguesa de Braga: as Leituras Poéticas da cantora brasileira.
A intérprete subiu ao palco alguns minutos depois de 21 horas desta
quinta-feira, dia 21, toda vestida de branco, cantou exuberante "As Ayabás
com os
ventos de Iansã, e iniciou
a leitura de poemas e textos, sempre mesclados a trechos de canções, em um
belo e coerente conjunto. Relatou que a apresentação de "Leituras Poéticas"
nasceu em 2009, quando ela participou do ciclo de conferências
"Sentimentos do Mundo" na UFMG, em Belo Horizonte e, entusiasmada,
repetiu o projeto em diversas casas de ensino e pesquisa. "Ler, ouvir e
dizer poesia na correria que as pessoas vivem hoje é como provocar o
mundo", disse a cantora, que enaltece a idéia de incentivar a leitura dos
poetas e expressões artísticas nas salas de aulas. Disse de seu prazer em
trazer as "Leituras Poéticas" a Braga e do orgulho de já tê-la
apresentado na Casa de Fernando Pessoa, seu "poeta e inspiração
maior".
Foi a leitura de Pessoa, na delicadeza de Alberto
Caieiro, um dos emocionantes momentos do espetáculo. Maria Bethânia declamou,
ainda, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves, Manoel Bandeira, Fausto
Fawcett: "...a lua é uma lantejoula da Nasa que brilha leitosa no meu
vestido estrelado", e Craveirinha, com o "Quero ser Tambor". Leu
textos preciosos de Guimarães Rosa, em "Grandes Sertões" e revisitou
músicas de seu repertório como "Romaria", "Cálix Bento",
"Cirandeiro" e outras de Dorival Cayme, Caetano Veloso e tantos
outros. Sempre acompanhada dos músicos Carlos César na percussão e Paulo
Dafilin na guitarra, aos aplausos finais, concedeu um "Bis" , a
conhecida e animada canção "Convexo" e deixou o palco com sorriso
aberto.
● ● ● ● ● ● ●
 |
| 6/1/2015 |
Projeto da UFMG vira livro, DVD e série de TV
Maria Bethânia foi uma das convidadas e, em vez de cantar, a baiana
declamou poesia.
por
e Ana Clara Brant 16/12/2015
 |
Bethânia
em Diamantina, em 2013, na apresentação que está no DVD
(Foto: Leandro Couri/EM)
|
Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) que gerou frutos importantes e, hoje, está resultando em um
livro, um DVD e até uma série de TV. O projeto Sentimentos
do mundo foi criado para
celebrar os 80 anos da instituição e tinha o objetivo de promover apresentações
artísticas e conferências com renomados intelectuais e pesquisadores
internacionais, de diversas áreas do conhecimento, reconhecidos pela
contribuição ao seu campo de atuação.
Maria Bethânia foi uma das convidadas, mas os
organizadores queriam algo diferente da cantora. Em vez de cantar, a baiana
declamou poesia. “Bethânia acabou refinando e aperfeiçoando este espetáculo em
que mescla versos e música e o apresentou em vários lugares do Brasil e até no
exterior”, destaca a historiadora e professora da UFMG Heloísa Starling. Ao
lado da própria artista, do diretor da Editora UFMG, Wander Melo Miranda, e do
artista gráfico, designer e cenógrafo Gringo Cardia, Heloísa idealizou o Cadernos
de poesia, livro que reúne poemas, canções e textos literários selecionados
pela cantora e é ilustrado com obras de renomados artistas plásticos
brasileiros. A obra será lançada hoje no Rio de Janeiro, e em março, na
abertura do ano letivo da UFMG, com a presença da intérprete que deu início ao
projeto.
Heloísa Starling lembra que a cantora sempre
valorizou sua formação em escola pública, o que ela faz questão de frisar em
suas apresentações e reforça ao dedicar Cadernos a duas mestras de sua
vida, as professoras Thereza Aragão e
Violeta Arraes.
“Alguns exemplares desse projeto serão doados
para escolas das redes municipal e estadual do país, a começar por Minas
Gerais”, acrescenta a historiadora.
O livro vem acompanhado de DVD, produzido
pelo selo Quitanda e distribuído pela gravadora Biscoito Fino, com a
interpretação dos textos por Maria Bethânia, ilustrada com recursos de animação
gráfica. O vídeo foi gravado em 2013, durante o Festival de História de
Diamantina (fHist), e tem direção assinada por Gringo Cardia, que também assina
o projeto gráfico do livro. Heloísa Starling lembra que a publicação terá outro
desdobramento: uma série de TV com a participação de Bethânia, historiadores e
acadêmicos já começou a ser gravada e deve ir ar ao no segundo semestre de 2016
no canal Arte 1.
Caderno de Poesias
Maria Bethânia
Universidade Federal de Minas Gerais [UFMG, 280 páginas]
DVD Quitanda/Biscoito Fino
 |
2015 – MARIA BETHÂNIA
Gravado ao vivo em 20 de setembro
de 2013 no 2º Festival de História, promovido pela Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) em Diamantina.
|
15/12/2015
Equipe Anna Ramalho
Maria Bethânia lança “Caderno de Poesias” no Rio
Com poemas, canções e textos literários selecionados por Maria Bethânia, além de ilustrações de obras de
artistas plásticos, será lançado nesta quarta-feira, dia 16, às 19h, o
livro “Caderno de Poesias” (Ed. UFMG e Quitanda Produções), na Livraria da
Travessa do Leblon. O projeto gráfico é de Gringo Cardia.
O livro é acompanhado por um DVD da leitura, “Bethânia e as
Palavras”, gravado ao vivo na Universidade Federal de Minas Gerais, em que a
cantora interpreta Guimarães Rosa, Dorival Caymmi,
Carlos Drummond de Andrade, Fausto Fawcett, Manuel Bandeira, Caetano Veloso,
Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Fernando Pessoa e Olavo Bilac, entre tantos. “Os nomes dos poetas
populares deveriam estar na boca do povo”, diz Bethânia.
 |
| Foto: Leo Marinho |