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sábado, 29 de noviembre de 2025

2025 - 1ª FESTA LITERÁRIA DA CASA RUI BARBOSA [Fli Rui] - NEIDE ARCHANJO

 



“Nada desenvolve bem, claramente, brilhantemente sem a arte. Ler alguns trechos, alguns poemas de Neide Archanjo pra mim é uma honra. Fui grande amiga de Neidinha, sinto muita saudade dela e tenho um orgulho danado da poesia que ela escreveu. Linda!”

Maria Bethânia


Autora homenageada na primeira edição da FliRui, a poeta paulista Neide Archanjo, grande expoente da literatura brasileira do Brasil nos anos 1960, com mais de 10 livros publicados, não poderia ter uma voz melhor para apresentar sua obra.

Maria Bethânia, cantora icônica da música brasileira, representante da geração que a partir da Música Popular Brasileira transformou a cultura nacional, é atração da FliRui no dia 28/11, às 18h, com uma leitura de poemas selecionados de Neide Archanjo.

Além de Neide, o evento tem como homenageados o pernambucano João Cabral de Melo Neto e o paraense Dalcídio Jurandir, autores cujos acervos estão preservados no Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Casa Rui.





Homenagem à Neide Archanjo com leitura de Maria Bethânia

Redação Alô Alô Bahia

Tiago Mascarenhas

28/11/2025


Maria Bethânia foi o grande destaque da noite desta sexta-feira (28/11) na Fundação Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, no Rio de Janeiro, ao participar da abertura da primeira edição da Festa Literária da instituição. 

A artista apresentou uma leitura de poema que atraiu a atenção do público e, ao final, recebeu flores das mãos da ministra da Cultura, Margareth Menezes. 

A estreia da festa literária inaugura um novo momento para a Casa de Rui Barbosa. Ao longo de toda a programação, mais de 40 atividades gratuitas ocupam completamente o espaço da fundação, articulando debates, oficinas, feira de livros, espetáculos, exposições, sessões de cineclube, atrações infantis e encontros com nomes centrais da cultura e da literatura contemporânea. 

Além de Bethânia e Margareth Menezes, participam desta primeira edição personalidades como a ministra Cármen Lúcia, Ailton Krenak, Ana Paula Tavares, Ondjaki, Dira Paes, Bia Lessa, Eliane Potiguara, Daniel Munduruku, Márcia Kambeba, Amara Moira e André Dahmer.






Foto: Victor Chapetta/Brazil News







Foto: Victor Chapetta/Brazil News


É ela, são elas. São poesias, palavras, afetos e caminhos. É canto, é palavra, é verso que voa pela eternidade. É plural e singular na mesma liturgia. É literatura democrática, é democracia em literatura. 

Neide Archanjo, pela voz em devoção da menina de Oyá, Maria Bethânia, encheu a Casa Rui de Neidinha, de poesia, de cânticos, entre vogais, vocábulos e sentimentos, construindo a sonoridade da poesia. “Se assim sonhava, certamente assim o fazia", disse Neide pela voz de Bethânia. O amor resiste.





Foto: Victor Chapetta/Brazil News






Jandira Feghali e Maria Bethânia


Regina Casé, Jandira Feghali, Margareth Menezes


Foto: Pedro Atelie


Foto: Pedro Atelie


Foto: Pedro Atelie


Foto: Pedro Atelie


Foto: Pedro Atelie









miércoles, 18 de junio de 2025

1997 - PEQUENO ORATÓRIO DO POETA PARA O ANJO - Neide Archanjo

 




ARCHANJO, Neide. Pequeno Oratório do Poeta para o Anjo, 1ª edição. Rio de Janeiro: N. Archanjo, 1997; 60p.

Acompanha o CD da Blue Studios com quatro poemas do livro gravados por Maria Bethânia.

Capa e imagens: Lucia Sartori




31 de março de 1997

Quatro poemas do livro Pequeno Oratório do Poeta para o Anjo

de Neide Archanjo

 

Meu nome é Maria Bethânia

 

 

Era o mar

E parecia ser o mar.

Era o mar.

 

Dois mil anos

Esperei por aquele

que febre alguma

ou olhar

moedas escárnios

anseios desejos

amores confessos

puderam tocar.

À minha frente

ei-lo intato

suspenso sobre meus lábios

aureolado suplicando

o nome do seu nome.

 

 

Era quimera

e parecia ser o amor.

Era quimera.

 

Graça flutuante

figurava estar sentado.

A cabeça era magra

coberta de cachos

junquilhos

de onde o sol jorrava.

As asas

mantidas fechadas

tocavam o chão

longas emplumadas

o corpo intangível.

Seus olhos

Castanhoverdecinzadourados

escarlates me olhavam

como se fossem

desde sempre

a límpida palavra.

Era belo e assim se apresentava.

 

 

Era o caule

e parecia ser a flor.

Era o caule.

 

Veste-se de blue

e um fio transparente

costura-lhe

asas e costas.

 

Os pés

traz escondidos

calçando botas.

Não voa

Não cumpre seu nome.

 

Quer ser apenas

azul e belo

como é a paixão.

 

 

Era a Beleza

e parecia ser a Beleza.

Era a Beleza.

 

Filho pródigo

abandonou a casa.

De seus vestígios de musa

de seus lampejos de Anjo

brotaram todas as lágrimas.

A dor

incrustada na curva da porta

esperou por muito tempo

a volta.

Depois no rubi deste coração

escreveu seu nome.

 























São Paulo, quinta-feira, 22 de maio de 1997


Bethânia lê obra de Neide Archanjo

ALVARO MACHADO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Portugueses de fino trato já afirmaram que Maria Bethânia lhes revelou o espírito mais genuíno de Fernando Pessoa -como nos poemas ditos em seu último álbum, "Imitação da Vida".

Porém há um outro lado desse interesse da intérprete por poesia que poderá ser melhor conhecido hoje, quando Bethânia comparece à Biblioteca Nacional, no Rio, para interpretar o "Pequeno Oratório do Poeta para o Anjo", mais recente produção da poeta paulistana Neide Archanjo.

Esse recital, sob a batuta da diretora teatral Bia Lessa, marca o lançamento nacional do livro, que chega ao leitor em embalagem requintada: acompanhado de CD no qual Bethânia lê poemas e ilustrado pela pintora paulista Lucila Sartori.

Em São Paulo o lançamento será no dia 17 de junho, no teatro Maria Della Costa, com outras afinidades eletivas da autora: Regina Duarte será a intérprete, sob direção da artista plástica Denise Millan.

Em ambos os eventos estarão expostos os quatro dípticos em óleo sobre tela de Sartori, que acompanham a temática do livro com "anunciações angélicas" em cores rebaixadas e folhas de ouro.

Atualmente radicada no Rio, Neide Archanjo estreou em poesia em 1964, com "Primeiros Ofícios da Memória". Tem outros sete livros publicados em várias editoras, premiação da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) em 80 e indicação para o prêmio Jabuti em 95 ("Tudo é Sempre Agora", ed. Maltese).

Assessora do Departamento Nacional do Livro, Neide Archanjo é bastante atuante em mesas-redondas e apresentações de poesia em todo o Brasil, dentro de um panorama recente que se configura quase como um movimento informal de revitalização da produção e amostragem poéticas.

Entusiasta do contato direto com o público, que ela se refere como "opção política", criou nos anos 69/70 os "Varais de Poesia" e o movimento "Poesia na Praça", com os poetas Ilka Brunhilde, José Luís Archanjo, Álvaro de Farias e outros.
Na feira hippie da Praça da República e em cafés do centro de São Paulo pendurava-se e declamava poemas sobre fatos acontecidos na véspera.

Drummond
Archanjo pertence à vigorosa família poética feminina de Hilda Hilst, Renata Pallotini, Mariajosé de Carvalho, Dora Ferreira da Silva e outras autoras paulistas.

Carlos Drummond de Andrade, que tinha por elas grande admiração, escreveu para Archanjo: "Você alcança a justa e vibrante expressão que deixa marca no leitor".
"Pequeno Oratório..." tem influência explícita de Rilke, que com Jorge de Lima e Saint-John Perse está entre os autores preferidos da poeta.

Conforme o plano original da autora, o livro chega com o encarte de CD, papel e ilustrações especiais, e por isso foi produzido de forma independente.

"Pequeno Oratório..." terá uma tiragem de 3.000 exemplares e distribuição comercial pela Tempo (tel. 011/240-1027).

Os 16 poemas falam, segundo Archanjo, sobre "a visitação, a presença da musa, ou da beleza, que é sempre 'pré-ante-perdida'. O que fica é a poesia que relata essa aparição e o clamor da perda".

Os títulos dos poemas são haicais que, em sua sequência, configuram um poema em movimento.

Compõem-se de afirmações que vão se metamorfoseando por meio de seus contrários: 

"Era quimera/ e parecia ser o amor./ Era quimera."

Para a autora, "o êxtase da visitação é como um diamante bruto que deve ser lapidado, ou revelado, em seus diversos prismas, até a catarse do poema, da obra".


Livro: Pequeno Oratório do Poeta para o Anjo, de Neide Archanjo (60 págs.) Lançamento: hoje, às 18h, na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro (av. Rio Branco, 219, tel. 021/262-8255)
Quanto: R$ 25, incluindo encarte com CD
Distribuição: Tempo (tel. 011/240-1027)










































Revista Manchete - 26/7/1997










Foto: Lívio Campos