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sábado, 28 de septiembre de 2019

2019 - VELHICE



1990, Caetano Veloso. Lançamento do álbum gravado em Nova Iorque.






Entrevista a Caetano Veloso por conciertos en Colombia - Música y Libros – Cultura – EL TIEMPO.COM


Caetano Veloso: ‘El nuestro no es un ‘show’ de virtuosos’

El artista brasileño se presentará con sus tres hijos en Barranquilla, Bogotá y Medellín.


Por: Juan Martín Fierro
28 de agosto 2019, 07:49 p.m.

Antes de lanzar su último álbum, ‘Ok Ok Ok’, Gilberto Gil dijo: ‘Este es el primer álbum de mi vejez’. ¿Cómo ha sido su propia experiencia de envejecer?

Vivo la vejez con curiosidad. Reconozco las incomodidades y las limitaciones, pero no creo que ser joven signifique necesariamente ser más feliz. Hay una alegría en la juventud, la alegría física de la intensidad del sexo y de la impresión de una grande, muy grande distancia con respecto a la muerte. Pero alguien puede ser muy infeliz a los 25 y mucho más feliz a los 80. Cuando escribí O homem velho yo todavía no sentía las diferencias del envejecimiento. Apenas percibía que me estaba aproximando. Y mi padre ya había muerto, a los 82. Ahora, frente a las invitaciones para irnos a China, Japón y Oceanía, coincido con Tom en la tendencia de no aceptar a causa de la vejez.

Los vuelos largos son terribles para un organismo senil. Muchos días son necesarios para que uno se recupere. Aun así, todavía estoy en duda en cuanto al viaje a Asia.


13/9/2019 - Bogotá

13/9/2019 - Bogotá




20/9/2019 - Foto: Guido Adler - Reprodução / Facebook






Caetano e a velhice: “Não creio que ser jovem significa necessariamente ser mais feliz”

Publicado por Diario do Centro do Mundo
23 de setembro de 2019



"... Vivo a velhice com curiosidade. Reconheço os incômodos e as limitações mas não creio que ser jovem significa necessariamente ser mais feliz. Há uma alegria na juventude - a alegria física da intensidade do sexo e da impressão de grande distância da morte - que é inegável. Mas alguém pode ser muito infeliz aos 25 e muito mais feliz aos 80. Quando escrevi "O homem velho" eu ainda não sentia as diferenças do envelhecimento. Apenas percebia que estava me aproximando. E meu pai tinha morrido (aos 82). Agora, diante de convites para irmos à China, ao Japão e à Oceania, só fecho com Tom na tendência a não aceitar por causa da velhice.

Voos longos são terríveis para um organismo senil. Muitos dias são necessários para a gente se recuperar. Mesmo assim, ainda estou em dúvida quanto à ida à Ásia. ..."


[Depoimento de Caetano Veloso em entrevista para EL TIEMPO. 
Publicado na fanpage de Facebook do autor, 23/9/2019]



miércoles, 17 de octubre de 2018

1972 - MORSE TAMBÉM É MÚSICA



1972
Revista DIGA
EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS
ANO 1 – N° 1
MARÇO / ABRIL – 1972



Caetano Veloso: morse também é música


















Fonte: Facebook / Revistas Brasileiras Antigas


martes, 1 de diciembre de 2015

1984 - O HOMEM VELHO



Música y letra: Caetano Veloso 
© 1984

- à memória de meu pai, a Mick Jagger e a Chico Buarque, que agora tem 40 anos, mas aos 20 fez uma canção lindíssima sobre o tema.


O homem velho deixa a vida e morte para trás
Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais
O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
O homem velho é o rei dos animais

A solidão agora é sólida uma pedra ao sol
As linhas do destino nas mãos a mão apagou
Ele já tem a alma saturada de poesia, soul e rock'n'roll
As coisas migram e ele serve de farol

A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve traz o olor fugaz
Do sexo das meninas

Luz fria, seus cabelos têm tristeza de neon
Belezas dores e alegrias passam sem um som
Eu vejo o homem velho rindo numa curva do caminho de Hebron
E ao seu olhar tudo que é cor muda de tom

Os filhos, filmes livros ditos como um vendaval
Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal
Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual
Já tem coragem de saber que é imortal





1984 - CAETANO VELOSO 
6252 7118 / 4:08
Álbum "Velô"
Philips LP 824.024-1, A-4.
CD 824.024-2, Track 4. 

1986 - CAETANO VELOSO 
6403 1500 / 3:22
Álbum "Caetano Veloso"
Recorded September 1985, at Vanguard Studios, NYC
Elektra/Nonesuch Digital LP 979.127-1 [EE. UU.], A-2.
CD 979.127-2, Track 2.
Philips LP 846.916-1, A-2. [1990, Brasil]
CD 846.916-2, Track 2. 

1989 - CLARA SANDRONI 
/ 4:27
Álbum "Clara Sandroni"
Kuarup Discos KLP-038, A-3.
Kuarup Discos KCD-038, Track 3.
Biscoito Fino CD bf 564, Track 3. [2004]

2001 – LÉA COSTA 
Álbum “Sotaques”
Afrakà Records / Harmony CD PGL-15178 [Italia] 


2007 – CAETANO VELOSO 
Álbum “Cê ao vivo”
Gravado em 12 de junho de 2007 na Fundição Progresso, Rio de Janeiro (RJ).
Universal Music CD 60251737304, Track 6. | DVD 60251737308, Track 6.
































Rodrigo Velloso, Dona Canô, Maria Bethânia e José Telles Velloso









 
 




1987 - Chico Buarque, Caetano e Tarso de Castro (1941/1991)



FOLHA DE S.PAULO
2/8/2012

"O Homem Velho"
Pasquale Cipro Neto


O homem velho da letra de Caetano parece mesmo ser esse nobre ser que fez um pedido ao deus Tempo

PENSEI E repensei se devia escrever "antes da hora" sobre os (quase) 70 anos do amado Caetano Veloso. Abro o site de Caetano e vejo que ele (o site) mudou. Os 70 anos do mestre já estão estampados ("Caetano Veloso 70"), então perco o receio de falar antes do aniversário (no próximo dia 7).
Faz mais de um mês que penso em escrever sobre isso e, quando me imaginava fazendo-o, a primeira coisa que me vinha à mente era a monumental canção "O Homem Velho", que está no não menos monumental disco "Velô", de 1984. Caetano dedica a canção "à memória de meu pai, a Mick Jagger e a Chico Buarque, que agora tem 40 anos, mas aos 20 fez uma canção belíssima sobre o tema".
A canção a que Caetano se refere é a também monumental "O Velho", que está no disco "Chico Buarque Vol. 3", de 1968 (Chico tinha 24 anos): "O velho vai-se agora / Vai-se embora / Sem bagagem / Não sabe pra que veio / Foi passeio / Foi passagem / Então eu lhe pergunto pelo amor / Ele me é franco / Mostra um verso manco / De um caderno em branco / Que já se fechou...".
O homem velho da canção de Caetano é outro. Parece saber pra que veio -e não foi passeio, nem passagem: "Os filhos, filmes, ditos, livros como um vendaval / Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal / Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual / Já tem coragem de saber que é imortal".
Caetano já tinha feito um "acordo" com o deus Tempo, na inesquecível "Oração ao Tempo" (do disco "Cinema Transcendental", anterior a "Velô"): "És um senhor tão bonito / Quanto a cara do meu filho / Tempo Tempo Tempo Tempo / Vou te fazer um pedido (...) Peço-te o prazer legítimo / E o movimento preciso (...) Quando o tempo for propício (...) De modo que o meu espírito / Ganhe um brilho definido / (...) E eu espalhe benefícios / (...) O que usaremos pra isso / Fica guardado em sigilo (...) / Apenas contigo e migo (...) / E quando eu tiver saído / Para fora do teu círculo (...) / Não serei nem terás sido (...) / Ainda assim acredito / Ser possível reunirmo-nos (...) / Num outro tipo de vínculo (...) / Portanto peço-te aquilo / E te ofereço elogios (...) / Nas rimas do meu estilo / Tempo Tempo Tempo Tempo".
O homem velho da letra de Caetano parece mesmo ser esse nobre ser que fez um pedido ao deus Tempo (e caminha para ser merecedor da anuência desse deus). Lembra o que diz Drummond em seu antológico poema "Os Ombros Suportam o Mundo": "Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? / Teus ombros suportam o mundo / e ele não pesa mais que a mão de uma criança".
Volto à letra de "O Homem Velho" e a alguns de seus fortes versos: "O homem velho deixa vida e morte para trás / (...) O homem velho é o rei dos animais / A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol / As linhas do destino nas mãos a mão apagou / Ele já tem a alma saturada de poesia, soul e rock'n rol / As coisas migram e ele serve de farol...".
Detenho-me neste belíssimo verso: "As linhas do destino nas mãos a mão apagou". Como se não bastassem a beleza e a profundidade do sentido desse verso, há nele a quinta-essência da construção linguístico-literária. Ao inverter a ordem "natural" da frase ("A mão apagou as linhas do destino nas mãos") e, consequentemente, mantê-la na voz ativa (a passiva seria "As linhas do destino nas mãos foram apagadas pela mão"), Caetano é certeiro: mostra com ênfase e sabedoria o que faz a "mão" (que aí é metáfora e metonímia da vida, da passagem do tempo) com as linhas do destino que temos nas mãos.
Um beijo na alma, Caetano. É isso.




PASQUALE CIPRO NETO, professor de português há 40, é idealizador e apresentador dos programas “Nossa Língua Portuguesa” (rádio Cultura AM e TV Cultura) e “Letra e Música” (rádio Cultura AM), autor de várias obras didáticas e paradidáticas e colaborador da Folha de S. Paulo desde 1989.