viernes, 31 de mayo de 2024

1972 - MARIA BETHÂNIA

 



1972
Revista Amiga
n° 89
Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 1972
























1980 - MARIA BETHÂNIA

 

1980
Revista Ilusão
nº 353
Setembro de 1980











1980's - CAETANO VELOSO

 


Guilherme Araújo, Gal Costa e Caetano Veloso - Foto: Thereza Eugênia


Guilherme Araújo e Caetano Veloso - Foto: Thereza Eugênia








1981 - 10 anos - JOÃO GILBERTO / CAETANO VELOSO / GAL COSTA - Programa Especial da TV Tupi

 


1981
Revista TV contigo
n° 340
2a quinzena de setembro de 1981



















1998 - MARIA BETHÂNIA - Uma biografia

 


Foto: Marisa Alvarez Lima


Maria Bethânia Vianna Telles Velloso nascida no dia 18 de Junho de 1946 em Santo Amaro da Purificação tinha como sonho subir no palco como atriz. Não estava nos seus planos fazer do canto a sua profissão. Em casa porém, o irmão Caetano já brincava de fazer música. 

Em 1960, Bethânia e Caetano saíram de Santo Amaro para estudar em Salvador. Lá Caetano foi convidado pelo amigo Álvaro Guimarães para musicar a peça BOCA DE OURO de Nélson Rodrigues, montada em 63. Pela primeira vez Bethânia subiu no palco para cantar em público. E foi com um samba de Ataulfo Alves que ela abriu o espetáculo. Antes o que Bethânia conhecia de música era Nora Ney, Aracy de Almeida, Silvio Caldas, Orlando Silva e Maysa. 

Neste mesmo ano, em 63, Bethânia e Caetano conheceram Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Djalma Corrêa, Pitti, Alcivando Luz, Fernando Lona e passaram a cantar e a trabalhar juntos, já com João Gilberto e a bossa nova interferindo e modificando as suas vidas. 

Em junho de 1964, o grupo foi convidado para apresentar um show de música popular na semana de inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador. E surgiu o show NÓS POR EXEMPLO. O segundo espetáculo montado pelo grupo se chamou NOVA BOSSA VELHA, VELHA BOSSA NOVA Ainda em 64, novo show: MORA NA FILOSOFIA. Dessa vez só com Maria Bethânia em cena, lançada oficialmente cantora por Caetano Veloso. Nesse show, Bethânia é vista e aplaudida pela então musa da bossa nova, Nara Leão. 

No ínicio de 65 arrumou as malas às pressas e acompanhada pelo irmão Caetano veio para o Rio de Janeiro, atendendo a um convite de Nara Leão para substituí-la na peça OPINIÃO (participação de Zé Keti e João do Vale, direção musical de Dory Caymmi e direção de Augusto Boal). Bethânia estreou no dia 13 de fevereiro. Começou cantando manso mas em CARCARÁ sua voz explodiu marcando seu primeiro sucesso nacional e popular. A música de João do Vale marcou sua estréia em disco (LP Maria Bethânia lançado pela RCA em 1965) Bethânia assumia uma umagem de cantora de protesto, imagem essa forçada pela proposta e sobretudo pelo sucesso do show OPINIÃO. Ao sentir que o sucesso poderia desviar o curso de seu trabalho, antes mesmo de ter feito a sua opção profissional, Bethânia arrumou as malas de volta a Salvador. 

Disposta a prosseguir cantando, retornou ao Rio de Janeiro em 1966. Pouco depois assinou contrato com a TV Record por seis meses e dirigida por Augusto Boal participou ao lado de Gal, Gil, Caetano, Pitti e Tom Zé do show ARENA CANTA BAHIA no Teatro de Arena. Ainda no ano de 66 e mais uma vez dirigidos por Augusto Boal, os baianos fizeram o show TEMPO DE GUERRA no mesmo Teatro de Arena. 

Maria Bethânia, Vinicius de Moraes e Gilberto Gil no mês de setembro apresentaram no Teatro Opinião o show POIS É, roteiro de Capinam, Torquato Neto e Caetano Veloso, direção musical de Francis Hime e direção geral de Nélson Xavier. E no mês seguinte, outubro de 66, Maria Bethânia enfrentava o público do Maracanãzinho defendendo a música BEIRA MAR de Caetano Veloso e Gilberto Gil, não incluída entre as finalistas do I Festival Internacional da Canção. Em 1967, Bethânia aceitou o convite de Edu Lobo para gravar o disco EDU LOBO E MARIA BETHÂNIA, lançado pela Elenco. Nesse disco, pela voz de Bethânia está o samba SÓ ME FEZ BEM, o primeiro da parceria Edu Lobo- Vinicius de Moraes. 

Sua força no palco marcaria as sucessivas apresentações de Maria Bethânia em boites e teatros do Rio e São Paulo até 1970. Entre elas se destacam: RECITAL BOITE CANGACEIRO (Rio), RECITAL BOITE BARROCO (Rio), YES, NÓS TEMOS MARIA BETHÂNIA (Teatro de Bolso, Rio), COMIGO ME DESAVIM (o primeiro show dirigido por Fauzi Arap, Teatro Miguel Lemos, Rio), RECITAL NA BOITE BLOW UP (SP), BRASILEIRO PROFISSÃO ESPERANÇA (direção de Bibi Ferreira com Ítalo Rossi, Teatro Casa Grande, Rio) 

Em 1968 ela participou do LP Veloso, Gil e Bethânia lançado pela RCA. Caetano e Gil e Bethânia dividiam o lado A do disco cantando uma faixa cada um. Do lado B somente músicas de Noel Rosa interpretadas por Maria Bethânia. 

Ainda em 68, contratada pela Odeon,Bethânia lançou o LP RECITAL NA BOITE BARROCO. Em 69 e 70,respectivamente, Bethânia lançou os LPs MARIA BETHÂNIA e MARIA BETHÂNIA AO VIVO. 

Em 1971, dois acontecimentos marcaram o ínicio de uma nova fase na carreira de Maria Bethânia. Em janeiro ela gravou em estúdio, o LP A TUA PRESCENÇA, seu primeiro disco lançado pelo selo Philips e também o primeiro a receber generosos e unânimes elogios da crítica por sua qualidade técnica e artística. Em julho, dirigida por Fauzi Arap, acompanhada pelo Terra Trio, Bethânia estreava, no Teatro da Praia (Rio), o show ROSA DOS VENTOS. Um espetáculo diferente que dava a Bethânia possibilidade de mostrar sua versatilidade no palco, atuando com atriz e intérprete dos mais variados gêneros de música popular, de bolero ao baião, passando pelo frevo, tango, samba, música jovem ou inspirada nos temas de candomblé. 

Do show ROSA DOS VENTOS, resultou o disco do mesmo nome, lançado em setembro de 71, pela Philips, com produção de Roberto Menescal. Em 71 ainda, ela fez sua primeira viagem internacional, apresentando seus maiores sucessos no MIDEM. 

No ano seguinte, ao lado de Chico Buarque e Nara Leão, Maria Bethania participou do filme QUANDO O CARNAVAL CHEGAR, dirigido por Cacá Diegues. A trilha sonora do filme foi lançado em agosto de 72 pela Philips. 

Em novembro do mesmo ano chegava as lojas o disco DRAMA, produzido por Caetano Veloso. Bethânia apresenta-se no exterior (Itália, Alemanha, Austria, Dinamarca e Noruega). 

Em 1973, Antônio Bivar e Isabel Câmara assinam a direção do show DRAMA, LUZ DA NOITE. Mais uma vez Bethânia lotou o Teatro da Praia. O show está registrado no disco LUZ DA NOITE lançado em dezembro do mesmo ano. 

Em 1974, Bethânia e Fauzi Arap se reencontram para montar o show A CENA MUDA. Com esse show Bethânia comemorou 10 anos de carreira. E foi justamente em cima do tema sucesso que ela e Fauzi traçaram o roteiro musical. O disco A CENA MUDA foi gravado ao vivo no Teatro Casa Grande e lançado em novembro de 1974. 

Chico Buarque e Maria Bethânia despontaram o cenário musical brasileiro praticamente na mesma época. Entretanto nunca tinham pisados juntos num mesmo palco. Esse memorável encontro aconteceu no dia 6 de junho de 1975, idealizado por Caetano Veloso, Rui Guerra e Oswaldo Loureiro. Desse encontro surgiu o lp CHICO BUARQUE E MARIA BETHÂNIA GRAVADO AO VIVO NO CANECÃO, lançado pouco depois da estréia, reunindo os melhores momentos do show. 

No início de 1976, Bethânia entrou mais uma vez em estúdio. Dessa vez para gravar o lp PÁSSARO PROIBIDO, marco de sua carreira. Além do primeiro disco de ouro recebido pela vendagem deste lp, Maria Bethânia, através da música OLHOS NOS OLHOS de Chico Buarque, deixou de ser uma cantora executada somente nas rádios FM para ocupar os primeiros lugares das emissoras AM e ser definitivamente consagrada como uma cantora popular. 

Em julho de 1976 se realizou um encontro histórico: após 10 anos de carreiras individualmente vitoriosas Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa assumiram a identidade de um novo grupo OS DOCES BÁRBAROS. A estréia nacional ocorreu no dia 24 de junho no Anhembi, de São Paulo. 

Toda a efervescente trajetória de OS DOCES BÁRBAROS foi captada pelo diretor Jom Tob Azulay e transformada num divertido, controvertido e satírico longa metragem musical. O registro em disco está num album duplo lançado pela Philips em novembro de 1976. 

No dia 13 de janeiro de 1977, estreava no Teatro da Praia, PÁSSARO DA MANHÃ, um show leve, menos tenso que os anteriores, dirigido por Fauzi Arapi e cenários de Flávio Império. O show ficou registrado num belo lp do mesmo nome. trata-se de um registro de estúdio e não de um disco ao vivo. Com este lp, Maria Bethânia recebeu o segundo disco de ouro da sua carreira. 

Em maio de 1978, Caetano e Bethânia subiram no palco do teatro Santo Antônio. O espetáculo, roteiro de Caetano e Bethânia com sua direção geral, está registrado no lp MARIA BETHÂNIA E CAETANO VELOSO AO VIVO, gravado na Bahia e no Rio (Canecão). 

Pouco antes do natal de 1978 foi lançado o lp ALIBI que pela vendagem antecipada já chegava às lojas como disco de ouro. Todo esse sucesso foi mostrado ao vivo. Dirigida por Fauzi Arapi e cenário de Flávio Império, Maria Bethânia estreou no Teatro Cine Show Madureira (24-29 de julho). 

No mesmo de dezembro de 1979 aconteceu o lançamento do disco MEL. A década de 70 encerraria para Maria Bethânia de um modo particularmente especial. Ela foi a única cantora convidada para participar do especial de fim de ano de Roberto Carlos, produzido pela Rede Globo. Em janeiro de 80, Bethânia pisava no palco do Canecão com o show MEL, dirigida por Wally Salomão. 

Em 1980 a década é aberta com lp TALISMÃ, outro sucesso de vendas e que manteria a sua consagração junto ao grande público e crítica. 

Em 1981 volta ao Teatro da Praia, 10 anos depois de ROSA DOS VENTOS, para estrear o espetáculo ESTRANHA FORMA DE VIDA novamente dirigida por Fauzi Arapi e com cenário de Flávio Império. São apresentados 54 números - entre músicas e textos - que compõem o roteiro. No mesmo ano sai o disco ALTEZA. 

Em 1982 volta ao Canecão (Rio) dirigida por Bibi Ferreira no show NOSSOS MOMENTOS, uma colagem de seus shows anteriores entremeados de canções novas, algumas compostas especialmente para o show. O disco homônimo sai a seguir. 

Em 1983 desgastada com a super exposição alcançada pelo grande sucesso e as super vendas de seus discos e a consequente pressão das gravadoras, volta ao disco com CICLO. Nele ouvem-se canções acústicas e letras sofisticadas, quebrando regras que pareciam permanentes em sua discografia. Aclamado pela crítica e recebido com estranhamento pelo grande público, liberta a cantora de compromissos e à traz de volta à liberdade que sempre a caracterizou na elaboração de seu trabalho. 

No ano de 1984 estréia no Canecão (Rio) o show A HORA DA ESTRELA dirigido por Naum Alves de Souza baseado na obra de Clarice Lispector, um projeto ambicioso com linguagem teatral com música. O repertório trazia canções de Chico Buarque e Caetano Veloso feitas especialmente para o espetáculo. A seguir é lançado o disco A BEIRA E O MAR. Pouco divulgado pela gravadora, passaria desapercebido não fosse o repertório impecável que misturava algumas canções do show A HORA DA ESTRELA com canções inéditas e regravações. Neste disco encontra-se a gravação antológica da canção NA PRIMEIRA MANHÃ de Alceu Valença. 

Em 1985 estréia no Canecão o espetáculo 20 ANOS, novamente uma colagem de espetáculos anteriores, dirigido por Bibi Ferreira. 

Em 1986 Bethânia assina contrato com a RCA para a gravação de 3 discos, o primeiro é DEZEMBROS, disco com canções inéditas de Tom Jobim, Chico Buarque e Caetano Veloso, e uma feita especialmente para ela por Milton Nascimento chamada CANÇÕES E MOMENTOS escrita em homenagem à comovente interpretação da canção A PRIMEIRA MANHÃ feito por ela. 

Em 1988 sai o disco MARIA com participações especiais de Jeanne Moreau e Gal Costa. Na capa uma negra em vez de uma foto da cantora "Simbolizando todas as Marias do mundo." Estréia no Scala (Rio) o show MARIA dirigido por Fauzi Arapi. 

No ano de 1989 é lançado o disco MEMÓRIA DA PELE com canções de Djavan, Chico Buarque entre outros. No Scala (Rio) é apresentado o espetáculo DADAYA - AS 7 MORADAS dirigido por Ulysses Cruz feito para ser apresentado no exterior. 

1990. Os 25 anos de carreira é celebrado com disco e show 25 ANOS. O disco traz participações especiais de Nina Simone, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, João Gilberto entre outros. O show dirigido por José Possi Netto estréia no Imperator (Rio) e trazia textos de Fausto Fawcett e uma interpretação comovente de EXPLODE CORAÇÃO à capela. 

O disco OLHO D´ÁGUA é lançado em 1982. Sem o apoio da gravadora, mais uma vez o trabalho passa quase desapercebido, não ser pela inclusão da canção ALÉM DA ÚLTIMA ESTRELA em uma novela de televisão. 

O ano de 1993 traz de volta a recordista de vendas do tempo do disco ÁLIBI. O disco AS CANÇÕES QUE VOCÊ FEZ PRA MIM com músicas de Roberto e Erasmo Carlos é um estrondoso sucesso de público e crítica ultrapassando todos os limites de venda daquele ano. O show homônimo dirigido por Gabriel Villela no Canecão (Rio), traz de volta em termos de números e prestígio a consagração da cantora. 

Novamente um rompimento com a gravadora para manter a qualidade inabalável e despreocupada com números de sua carreira. Assina contrato com a gravadora EMI Odeon e lança o disco ÂMBAR com canções de novos compositores como Chico César, Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhoto. O show homônimo dirigido por Fauzi Arapi traz os poemas de Fernando Pessoa declamados por ela entremeados de canções inéditas e outras conhecidas do público. 

Em 1997 sai o registro do show ÂMBAR em um cd duplo intitulado IMITAÇÃO DA VIDA.

 


2011 - Maria Bethânia - 65 anos

 


Maria Bethânia vai completar 65 anos no próximo sábado, 18 de junho de 2011.


 




Para celebrar a data, a Universal Music põe nas lojas duas caixas, Maria e Bethânia, que embalam os 26 álbuns lançados pela intérprete nas gravadoras Elenco e Philips entre 1967 e 1995. 

Cada caixa agrega 13 CDs, sendo 12 álbuns originais e uma coletânea - Anos 70 na caixa Maria e Anos 80 e 90 na caixa Bethânia - que reúne gravações feitas pela intérprete em projetos coletivos e discos de colegas. 

Tais compilações são iscas para os fãs de Bethânia, já que a obra da cantora na Universal Music já foi relançada de forma avulsa em 2006 em edições remasterizadas e com textos de Rodrigo Faour sobre cada título. 

Além das coletâneas, as atuais reedições incluem os discos Quando o Carnaval Chegar (1972) e Doces Bárbaros (1976), omitidos na coleção posta nas lojas em 2006. 

Eis o conteúdo das caixas Maria e Bethânia e suas respectivas coletâneas:


MARIA

* Edu & Bethânia (1967)
* A Tua Presença (1971)
* Rosa dos Ventos - O Show Encantado (1971)
* Quando o Carnaval Chegar (1972)
* Drama - Anjo Exterminado (1972)
* Drama 3º Ato - Luz da Noite (1973)
* A Cena Muda (1974)
* Chico Buarque & Maria Bethânia ao Vivo (1975)
* Pássaro Proibido (1976)
* Doces Bárbaros (1976)
* Pássaro da Manhã (1977)
* Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo (1978)


Coletânea Anos 70
1. De Manhã
2. Apelo
3. O que Tinha de Ser
4. Viramundo
5. Asa Branca / Último Pau-de-Arara / Pau-de-Arara
6. Não Tem Solução
7. Preciso Aprender a Só Ser
8. Oração de Mãe Menininha
9. Coração Ateu
10. Esotérico
11. O Seu Amor
12. São João, Xangô Menino
13. Cavalgada

BETHÂNIA

* Álibi (1978)
* Mel (1979)
* Talismã (1980)
* Alteza (1981)
* Nossos Momentos (1982)
* Ciclo (1983)
* A Beira e o Mar (1984)
* Memória da Pele (1989)
* Maria Bethânia 25 Anos (1990)
* Olho d'Água (1992)
* As Canções que Você Fez pra mim (1993)
* Maria Bethânia ao Vivo (1995)





Coletânea Anos 80 e 90
1. Brincar de Viver
2. Salva Vida
3. Sereia Guiomar
4. Hino a Nossa Senhora da Purificação
5. Roda Ciranda
6. Caminhemos
7. Tarde em Itapoã
8. Morena do Mar
9. Libertar
10. Frevo nº 2 do Recife
11. Segue o Teu Destino
12. O Navio Negreiro
13. Pássara
14. Preciso Aprender a Ser Só
15. Linda Flor (Yaya)


jueves, 30 de mayo de 2024

2001 - BISCOITO FINO - Maria Bethânia

 























21/09/2001

 

Maria Bethânia troca BMG por gravadora brasileira

 JOÃO BERNARDO CALDEIRA

JB Online 

"É uma revolução no mercado fonográfico brasileiro". Parece exagero, mas não é. Com essa afirmação, a empresária da cantora Maria Bethânia, Maria Luisa Jucá, resume a transferência da baiana, que deixou a multinacional BMG e assinou um contrato de cinco anos com a gravadora brasileira Biscoito Fino, com apenas um ano de existência. 

A notícia seria divulgada na próxima semana, mas o colunista Ricardo Boechat adiantou hoje aos leitores do JORNAL DO BRASIL.

 Disputada por duas grandes gravadoras multinacionais, por quê Maria Bethânia, com 35 anos de carreira, decidiu escolher a desconhecida e recém criada Biscoito Fino? Maria Luisa esclarece:"A Kati deixou a Bethânia à vontade, porque pensa a longo prazo e questiona o imediatismo do mercado brasileiro". 

À frente do Grupo Icatu, sócia da Conspiração Filmes e do novo selo, entre outros empreendimentos, a empresária Kati Almeida Braga apostou na qualidade, sem abusar da usual pressão que se faz sobre os artistas, para conquistar a cantora. "A Bethânia gostou do conceito. Decidimos investir em poucos talentos, mas no melhor da MPB. 

Daremos dedicação total e um contrato de longo prazo", explica. 

Além disso, os três discos previstos pelo contrato com a BMG já foram lançados (A Força que Nunca Seca, Diamante Verdadeiro e Maricotinha, este último nas lojas a partir deste mês), o que acabou liberando a baiana para decidir seu futuro. 

Com o mercado vendendo 50% a menos do que no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), a mudança pode significar uma nova maneira de equilibrar interesses mercadológicos e liberdade artística. "Para uma multinacional não importa se trata-se de É o Tchan ou Maria Bethânia", diz a empresária da cantora. "O que importa é vender. E é por conta dessa nova proposta da Kati que a Bethânia se sentiu à vontade para ingressar na Biscoito Fino". O primeiro disco da nova parceria deve chegar às lojas no primeiro semestre do próximo ano.

 

Rio, 21 de setembro de 2001 

Bethânia troca multinacional por pequeno selo 

João Pimentel

Não durou nem um dia o propalado desemprego de Maria Bethânia. O fim  do contrato com a BMG e a não-renovação com a multinacional, mais do que o simples rompimento de uma parceria de anos, representou mais uma guinada na carreira da cantora, agora contratada da pequena  gravadora Biscoito Fino. 

Segundo a empresária de Bethânia, Maria Jucá, a cantora fez uma  opção por um outro tipo de relação artística. 

— Bethânia tinha propostas de multinacionais e também da Biscoito Fino, através da Kati Almeida Braga, sócia de Olívia Hime. Foi uma questão conceitual — diz a empresária.

— Depois de 35 anos de uma carreira marcada pela autenticidade, ela continuará realizando seu trabalho sem as pressões de mercado. 

Olívia Hime acredita em um casamento perfeito. 

— Bethânia quer mudar sua forma de trabalhar e vamos oferecer tudo o que ela precisar. Ela vai ter tempo para elaborar seus projetos. Bethânia é uma figura emblemática e estamos muito honrados. 


 

Maria Bethânia



Bethânia foi a primeira cantora brasileira a atingir a marca de 1 milhão de discos vendidos, com Álibi, em 1978. Nada mal para quem, quando menina em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, sonhava em ser atriz. Sua estréia nos palcos aconteceu em 1963, em Salvador, cantando um samba de Ataulfo Alves na peça Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues.

Em 1964, Maria Bethânia e músicos iniciantes como seu irmão Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé montaram o espetáculo Nós Por Exemplo, em Salvador. Bethânia tinha apenas 19 anos quando recebeu de Augusto Boal um convite para substituir Nara Leão no antológico espetáculo Opinião, no Rio de Janeiro. Logo na primeira apresentação, a baiana arrebatou a platéia carioca interpretando Carcará, de João do Vale e José Cândido. No mesmo ano gravou seus primeiros discos e pouco depois estaria sendo chamada de Abelha Rainha da MPB.

Maria Bethânia já lançou mais de 30 discos, tendo dividido alguns com grandes nomes da MPB, como Edu Lobo, Chico Buarque e os Doces Bárbaros (Caetano, Gil e Gal Costa). Em 2002, ela lançou em CD o tão aguardado Maricotinha Ao Vivo, pela Biscoito Fino. Em 2003, foram lançados o DVD de Maricotinha Ao Vivo e o CD Cânticos Preces Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu.

Ainda em 2003, Bethânia cria o selo Quitanda, em parceria com Kati Almeida Braga, pelo qual lançou o CD Brasileirinho e Namorando a Rosa, homenagem à Rosinha de Valença, onde vários intérpretes lembram a violonista, inclusive Bethânia, que canta quatro músicas, duas delas dividindo o microfone com Joanna e Caetano Veloso. Em 2005, a BF lançou Que Falta Você me Faz, uma homenagem de Bethânia ao poetinha Vinicius de Moraes.

 


Maria Bethânia

Entrevista



1) Sua mudança para uma gravadora independente depois de 35 anos em multinacionais constitui uma atitude sem precedentes na indústria fonográfica brasileira. O que motivou você a tomar esta decisão?

Tenho muito orgulho de estar na Biscoito Fino, porque é uma gravadora que tem como principal artista a música popular brasileira. Isso me interessa e sempre me interessou. A convite de Kati Almeida Braga e Olivia Hime eu acabei aqui, o que acho muito bom, um luxo, muito sofisticado. E passei por todas as gravadoras multinacionais que existem no Brasil. Fui e voltei várias vezes. Estava na BMG e no final do contrato a gravadora não me procurou pra renovar porque meu contrato era muito caro. Então fiz um acerto com a Kati para fazer projetos especiais na Biscoito Fino. Logo depois ela me procurou para dizer que queria a cantora. Um contrato normal, três discos de carreira e mais os projetos especiais que eu fizesse durante cinco anos. Eu achei aquilo ótimo, uma boa idéia, porque senti, além do amor à música popular brasileira, uma qualidade administrativa diferente, apaixonada, encantada pelo trabalho, um lastro firme, seguro, sem precisar ameaçar o artista. Me senti bem como nunca me senti na vida.

2) Maricotinha ao Vivo pode ser considerado tecnicamente um dos discos ao vivo mais bem realizados na história da MPB. O palco é mais quente do que o estúdio?

A qualidade sonora do Maricotinha ao Vivo realmente é extraordinária, porque eu convidei o Moogie para fazer a produção, a gravação, todo o trabalho sonoro do disco. E ele é um excelente técnico, reconhecido mundialmente e se apaixonou pelo show. Eu conheço o Moogie há muitos anos, tenho vários discos feitos com ele, mas ele ficou louco pelo Maricotinha. Gravou as quatro noites com muita paixão, se divertindo muito. Acho que isso trouxe para o disco um calor do show ao vivo. E acho que ele merece todas as reverências, porque é um trabalho realmente espetacular, fora do normal num show gravado ao vivo, no Brasil ou no exterior. O palco tem uma diferença natural do estúdio. Porque o estúdio é de uma solidão! Você fica ali sozinha resolvendo, intuindo, enquanto o palco é o contrário. São milhares de pessoas esperando para compreender, sentir ou gostar. E aquilo já estimula você a mexer com o seu calor, com a sua energia, com tudo. Eu amo as duas coisas, tanto o palco quanto o estúdio, com as suas diferenças. O palco prá mim é o lugar sagrado, onde eu me sinto melhor na vida, acho bonita aquela coisa, tudo ali é fascinante.




3) Você costuma dizer que Caetano Veloso e Chico Buarque são os compositores cujas canções melhor se adaptam às suas interpretações. Que nomes da nova geração da MPB você considera complementares aos de sua geração e por que?

Eu na verdade, quando falo de Chico e Caetano - e quem sou eu para dizer que suas canções se adaptam à minha voz? - é porque os dois foram os que mais confiaram canções à minha voz. Eu me sinto comovida e adoro cantá-los. Eles são extraordinários. Não precisa eu lhe dizer, todo mundo sabe. É isso. Eles são os mais importantes da minha vida profissional porque foram os que mais me deram canções. Isso foi fazendo a minha história. Sou uma intérprete que aprendi a cantá-los, a interpretá-los e talvez eu me sinta mais em casa nas suas canções. Eu acho assim: tem uma coisa meio errada no Brasil que é “quem substitui ou quem corresponde a Chico e Caetano na geração nova?”. Eu acho que por aí a pergunta fica errada. Existe renovação na música popular brasileira? Eu acho que existe e existe da melhor qualidade. Agora, fica parecendo que a nova geração está devendo porque quer se comparar. Seria a mesma coisa dizer de Caetano, Chico, Gil, Milton quando apareceram, esta geração deslumbrante, “não é igual a Caymmi, a Noel Rosa, a Ary Barroso”. E não são mesmo. São diferentes. O mundo é outro hoje. Então a nova geração tem que cantar o que o mundo lhe oferece. É muito mais duro do que era na nossa época, muito mais frio, mais neutro. Na nossa época era muito envolvimento, muita paixão, sonho, quer dizer, a nossa geração viveu muito isso. Mas acho que na nova geração de compositores e cantores no Brasil temos o Lenine, extraordinário, Adriana Calcanhoto, Chico César, Vanessa da Mata. São artistas muito fortes. Ana Carolina, a Cássia Eller, prá mim a maior expressão, mas era mais uma intérprete do que uma compositora, talvez por isso ela tenha me tocado tanto sempre. Mas acho que todos estão fazendo de maneira tão própria, tão firme e tão expressiva na sua maneira de ser. Mas se ficar esperando que o Chico César componha igual ao Chico Buarque vai dar confusão.

4) A sua seleção de poesias é tão rigorosa quanto a das músicas? Você lê muito, costuma descobrir novos autores tanto na literatura quanto na música?

Eu ouço os discos quando chegam: dos colegas, dos principiantes, dos anônimos, dos famosíssimos. Faço a minha seleção ali. Gosto de música negra americana, gosto da nossa música. E leio. Ultimamente não tenho lido muito não. Quando eu viajo eu leio um pouco mais. Me estimulam as livrarias fora do Brasil. São lindas e fico fascinada com os espaços, a facilidade que você encontra. Vou comprando e lendo. Mas o meu rigor tanto para música quanto para poesia é a emoção. Se emocionar, eu falo ou canto.




Bethânia espanta a crise, abre selo e grava terceiro disco em menos de três anos


                                                                    Arquivo U.M

Alheia à crise do mercado fonográfico, Maria Bethânia 
está lançando o selo Quitanda, através do qual coloca 
nas lojas seu terceiro CD em menos de três anos, Brasileirinho


Que crise que nada. Depois de surpreender o mercado fonográfico, em 2001, ao trocar a multinacional BMG pela então recém-criada gravadora Biscoito Fino, de Olivia Hime e Kati Almeida Braga, e de lançar dois trabalhos por ela (Maricotinha Ao Vivo e Cânticos, Preces E Súplicas À Senhora dos Jardins dos Céus), Maria Bethânia caminha contra a tão propalada crise do mundo do disco e lança seu próprio selo, Quitanda, que é distribuído pela Biscoito Fino e tem como sócia ninguém menos senão Kati Braga. A proposta, segundo Bethânia, é que o selo seja completamente diferente do que se vê por aí no “mercadão”, misturando música, teatro e literatura, em prosa e poesia.

E o primeiro trabalho de Bethânia por seu selo é um CD autoral: Brasileirinho, o terceiro disco dela em menos de três anos (Maricotinha Ao Vivo foi lançado no final de 2001 e ganhou recentemente o disco de ouro; e Cânticos... foi lançado em 2002). Como o nome já indica, o CD tem como mote o Brasil, mas do ponto de vista do sincretismo religioso. Bethânia também explora ao máximo a leitura de poemas, apenas exacerbando o que é uma tradição em sua carreira.

A cantora aborda em diversos momentos a relação entre os santos católicos e os orixás da umbanda, como em São João Xangô Menino (clássico de Caetano e Gil que a própria Bethânia gravara, com a dupla de compositores e Gal Costa, no grupo Doces Bárbaros), e até mesmo o universo indígena é representado na faixa Senhor da Floresta (René Bittencourt e Augusto Calheiros).

A primeira faixa de trabalho, que já está tocando bem nas rádios, é Santo Antônio, de J. Velloso. Ainda na linha do catolicismo há Padroeiro do Brasil, que fala de São Jorge e tem a participação do grupo de choro Tira Poeira), e Sussurana (Heckel Tavares e Luiz Peixoto), com Nana Caymmi.

No lado da umbanda, as referências mais claras são em Salve As Folhas (Gerônimo e Ildásio Tavares), com a participação do grupo Uakiti e a leitura, feita por Ferreira Gullar, do poema O Descobrimento, de Mário de Andrade; Cabocla Jurema (domínio público), com citação de Ponto de Janaína (D.P. ) e participação de Miúcha, além da leitura do poema O Poeta Come Amendoim, também de Mário de Andrade, por Denise Stoklos; e Purificar O Subaé (Caetano Veloso), com um trecho de Cantiga para Janaína (2) (D.P.) e leitura de Poema Pátria Minha, de Vinicius de Moraes. Também é possível ver ecos da religião em Yáyá Massemba e Ele É O Meu Capitão.
O disco acaba com a bela Melodia Sentimental, de Villa-Lobos e Dora Vasconcellos. Nada comercial, como quer Bethânia.

 

Samba de roda na voz de Dona Edith



                                                Reprodução

Outro lançamento do selo Quitanda é 
Vozes da Purificação,
de Dona Edith do Prato.
Ela esbanja suingue raspando a faca no prato,
em músicas na maioria de domínio público



O segundo trabalho do selo Quintanda traz o samba de roda de Dona Edith da Purificação, 72 anos, conterrânea de Bethânia e Caetano da cidade baiana de Santo Amaro da Purificação, no CD Vozes da Purificação. Ambos, aliás, participam intensamente do disco. Bethânia – que gravara com Dona Edith em seu disco Ciclo, na faixa Filosofia Pura – canta no pot-pourri Quem Pode Mais, Dona de Casa e Eu Vim Aqui. O mano Caetano – responsável pelo “surgimento” musical de Dona Edith, ao lançá-la em seu LP Araçá Azul – participa diretamente, cantando, e indiretamente de Minha Senhora, pois a faixa traz como música incidental How Beautiful, do filho Moreno Veloso.

Outro ponto em comum entre Brasileirinho e Vozes da Purificação é a presença de J. Velloso, que, além de produzir este último, assina Raiz, música incidental que aparece em Casa Nova, que ainda tem a participação de Mariene de Castro. À exceção de Hino de Nossa Senhora da Purificação, de Carlos Sepúlveda, que aparece de forma incidental em Viola Meu Bem, todas as demais canções são de domínio público. Entre elas, Marinheiro Só, Tombo do Pau, Senimbu E Calolé, Ai Dindinha (com Mené Barreto) e Santo Amaro Ê Ê (com Erlon Portugal).

Em todas as 13 faixas do disco – que foi lançado inicialmente em 2002, numa tiragem limitada – Dona Edith aparece tocando de forma bem suingada seu tradicional prato e cantando acompanhada do grupo Vozes da Purificação, formado por sete septuagenárias vozes femininas.





miércoles, 29 de mayo de 2024

2006 - 2007 - MARIA BETHÂNIA - Mar de Sophia / Pirata / Dentro do mar tem rio

 


29 Junho 2007

 

Maria Bethânia canta Sophia em concertos na próxima semana em Portugal

por © 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A


A cantora brasileira Maria Bethânia regressa terça-feira aos palcos portugueses para um concerto no Coliseu do Porto, seguindo-se espectáculos em Lisboa e na Figueira da Foz com o show "Dentro do mar tem rio". 

O novo espectáculo de Bethânia inspira-se nos seus dois últimos álbuns, "Pirata" e "Mar de Sophia", sendo este inspirado na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Neste "Mar de Sophia", a cantora brasileira canta o mar (Memórias do Mar) e evoca a figura do marinheiro (Marinheiro só e O Marujo português). 

Em "Pirata" a cantora fala do interior do Brasil, do seu fascínio por rios e cachoeiras e de toda a vida que se desenvolve em torno da água, num disco feito a partir de pequenas histórias. 

Estes dois discos de Bethânia são lançados segunda-feira em Portugal.

Depois do Porto, haverá dois espectáculos, quinta e sexta-feira, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, com a digressão da cantora brasileira a terminar dia 8 na Figueira da Foz. 

Maria Bethânia nasceu a 18 de Junho de 1946, tendo gravado mais de 40 álbuns ao longo de 42 anos de carreira.






Portugal

Show "Dentro do Mar Tem Rio", concebido a partir dos dois últimos discos, ‘Mar de Sophia’ e ‘Pirata’

 

3 de julho de 2007 – Coliseu do Porto

5 e 6 de julho de 2007 – Coliseu de Lisboa

8 de julho de 2997 – Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz


1970's - VIOLETA ARRAES GERVAISEAU


Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau (Araripe, Ceará, 5 de maio de 1926 - Rio de Janeiro, 17 de junho de 2008)





JACKSON ARAUJO — Como se deu seu contato com Caetano Veloso?
VIOLETA ARRAES 
— O Caetano faz parte dessa geração utópica de antes de 64 sem ser militante político. Eu o conheci pessoalmente quando ele foi exilado. Uma das grandes afinidades que eu tenho com Caetano é que ele é um rapaz interiorano, que chegou de Santo Amaro. Santo Amaro é o Crato. Vimos muitas coisas juntos. Falávamos de espetáculos, shows, exposições e mesmo de moda. Há duas músicas dele que me tocam em particular. Uma delas é “Língua”. Eu estava em Portugal no momento em que saiu a primeira edição do “Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa. Lá, estava escrito: “A minha pátria é minha língua”. Parecia a descrição do primeiro elan amoroso. A mesma emoção. Eu fiquei tão fascinada que comprei quatro exemplares. E mandei um para Caetano de imediato. Passou-se o tempo e ele fez aquele coisa maravilhosa e teve a generosidade e o afeto de me dedicar. A outra música tem a ver com a poluição. Uma vez Caetano chegou à nossa casa e eu estava com uma reportagem que falava muito de poluição. A reportagem dizia que o segundo lugar mais poluído do Brasil era Santo Amaro. Eu disse a Caetano: “Olha, nunca lhe pedi nada e tive grandes brigas com pessoas que comparam você a Chico e dizem que a música dele é engajada e a sua não. Tenho horror disso. Mas há uma coisa que preciso pedir a você. Você tem que fazer algo sobre a poluição”. Ele me respondeu que não adiantava, que todo mundo reclamava e não resolvia. Aí, eu disse que, se ele fizesse uma canção, haveria outra repercussão. Ele compôs “Purificar o Subaé”, que é linda porque denuncia a poluição de maneira ao mesmo tempo solene e afetiva, carinhosamente pessoal. . . .”

 


JACKSON ARAUJO — Você também conheceu Maria Bethânia na França?
VIOLETA ARRAES 
Sim, a conheci em Paris e desde então somos amigas. Também Gil e várias outras pessoas que forçosamente acabaram vivendo no exterior. Com os baianos havia laços especiais, por conta da arte popular, da música, da nordestinidade e do interioranismo. Já fui várias vezes a Santo Amaro.

Fiquei muito impressionada na primeira vez em que estive na casa de Canô. Como é tudo parecido! A casa, os móveis, a maneira de viver, tudo!

Violeta Arraes, em depoimento a Jackson Araujo, 2006.

 


Violeta Arraes e o marido Pierre Gervaiseau, com Maria Bethânia nos anos 80.



Violeta Arraes, Maria Bethânia, dona Canô e Mabel Velloso em Santo Amaro
Foto: Acervo Maria Bethânia
Pág. 149 do livro "Ent
ão, Maria Bethânia" (Bia Lessa)