Maria Bethânia na gravação de seu CD/DVD com música CRIAÇÃO de Chico Lobo, HSBC Brasil, SP
Acervo digitalizado de la obra de Caetano Veloso, organizado por Evangelina Maffei [Buenos Aires, Argentina] Fecha de inicio: 2/12/2010. Sitio oficial de Caetano Veloso: http://www.caetanoveloso.com.br
Maria Bethânia na gravação de seu CD/DVD com música CRIAÇÃO de Chico Lobo, HSBC Brasil, SP
Maria
Bethânia celebra 50 anos de carreira com show no Rio em janeiro
29/12/2014
Foi em 13 de janeiro de 1965, no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, que uma menina de 17 anos estreava nos palcos. Era Maria Bethânia, que chegava do interior da Bahia, por indicação de Nara Leão, para substituí-la no espetáculo Opinião. 50 anos depois Bethânia virou uma das maiores vozes do país, com talento reconhecido, aclamada pela crítica e pelo público, não só aqui, mas também lá fora.
Meio século depois daquela noite em que ela conquistou o público após interpretar 'Carcará', a cantora celebra sua trajetória com um show em que vai celebrar seus 50 anos de carreira. Vai ser nos dias 10, 11, 15, 17 e 18 de janeiro, no Vivo Rio.
O novo espetáculo se chama 'Abraçar e Agradecer' e nele Bethânia
canta músicas de todos os tempos, inéditas em sua voz ou não, com canções
compostas especialmente para ela por nomes como Paulo Cesar Pinheiro, Dori
Caymmi e Chico Cesar, e trará textos de Wally Salomão, Clarice Lispector e
Carmem Oliveira, além de apresentar compositores novos e uma versão inédita
feita especialmente para ela por Nelson Motta. Não ficarão de fora músicas do
repertório do seu último CD 'Meus Quintais', como 'Dindi' (Tom Jobim e Aloysio
de Oliveira), 'Xavante' (Chico César) e 'Uma Iara' (Adriana Calcanhotto e Cid
Gomes). A turnê segue para São Paulo em março, com shows agendados entre os
dias 14 e 22 no HSBC Brasil, e depois seguirá viagem durante todo o ano de
2015.
Maria Bethânia canta Piaf
em show de 50 anos de carreira
Maria Bethânia deu a largada às comemorações de seus 50 anos de carreira com a estreia da turnê Abraçar e Agradecer no Vivo Rio, neste fim de semana. Dividido em dois atos, o show – que tem direção de Bia Lessa - trouxe alguns de seus grandes sucessos, como Rosa dos Ventos, A tua presença, Gostoso demais, além de canções de seu mais recente álbum, Meus Quintais. Intercalando canções com textos de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Wally Salomão e dela própria, Bethânia tinha algumas surpresas para o seu fiel público, entra elas, o clássico francês Non, je ne regrette rien, lançada por Edith Piaf no início dos anos 1960. A letra, que a cantora recitou trechos em português, diz “Não me arrependo de nada”. Nada mais apropriado, não? A baiana deu o seu recado.
A cantora ainda brindou o público, no bis, com
Brincar de Viver, canção de Guilherme
Arantes, feita para o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum, exibido
pela TV Globo em 1983. Bethânia jamais a havia cantando em um show. A tão
esperada Carcará, música que a projetou nacionalmente, em 1965, aparece apenas
em uma pequena brincadeira de Bethânia. A turnê Abraçar e Agradecer chega a São
Paulo em março.
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| Foto: Alexandre Moreira |
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| Foto: Marcos Ramos |
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| Foto: Marcos Ramos |
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| Foto: Marcos Ramos |
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Foto: Karina Zambrana |
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| Foto: Karina Zambrana |
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| Foto: Karina Zambrana |
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| Foto: Karina Zambrana |
Maria Bethânia comemora carreira com muito trabalho e sem
arrependimentos
“Tem que ser
mulher! Dá trabalho fazer 50 anos”, bradou Maria Bethânia ao ser ovacionada
no final da primeira apresentação de "Abraçar e Agradecer" que fez em
São Paulo, na noite de sábado (14/3), no HSBC Brasil. A cantora, que comemora
com a turnê (iniciada no Rio em 11 de janeiro e, em seguida com show em
Brasília, no dia 06 de março) cinco décadas na estrada, presenteou seu público
com um show tão espontâneo quanto bem planejado.
“Agradeço aos amigos que gostam de mim.
Apesar de mim”, declamou ela logo de início. Acompanhada da banda formada
por Jorge Helder (regência e contrabaixo), Túlio Mourão (piano e acordeom),
Paulo Dafilim (violas e violão), Pedro Franco (violão, bandolim e guitarra),
Marcio Mallard (cello). Pantico Rocha (bateria) e Marcelo Costa (percussão),
Bethânia mostrou vigor e se movimentou com força e delicadeza por um repertório
que variou do ‘universo exterior’, no primeiro ato, ao ‘universo interior’, no
segundo.
Uma viagem pelas canções que escreveram sua carreira, iniciada oficialmente em
13 de fevereiro de 1965, quando substituiu Nara Leão no espetáculo Opinião, no
Rio, com direção de Augusto Boal. Desde então, e de sua interpretação lendária
de "Carcará", que a tornou famosa em todo o País, muitos foram os
espetáculos. Nesta história, que ela relembra, abraça e agradece, não há espaço
para saudosismo. Ela revisita seu passado, mas finca os pés descalços no
presente e mira o futuro.
Vestindo dourado no primeiro ato de um show milimetricamente dirigido por Bia
Lessa (direção e cenografia) e por Guto Graça Mello (direção musical), ela
abriu com "Eterno em Mim" (Caetano Veloso, 1996) e seguiu com "Dona
do Dom" (Chico César, 2001) para, então, cantar pela primeira vez
"Gitâ" (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) em versão integral. Como se
ouvíssemos uma biografia musical, cada canção que sucede a outra conta um pouco
da vida, dos trabalhos, dos amores, paixões, acertos, desvios, retornos, deuses
e orixás desta mulher que “tem mais
coragem do que homem” e que completa 69 anos em junho.
No roteiro do show idealizado pela própria Bethânia, praticamente não há pausa
entre uma música e outra; e os acordes mudam também com a mesma rapidez. Vez ou
outra, como já é tradição, ela declama textos de Clarice Lispector, Waly
Salomão, Fernando Pessoa, e até mesmo de sua autoria. Estes, assim como as
canções, dizem muito sobre ela.
Enquanto alternava clássicos como "Tatuagem" (Chico Buarque, 1973) e
"Dindi" (Tom Jobim Aloysio de Oliveira, 1959) com composições novas,
como "Voz de Mágoa" (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2015) e
"Silêncio" (Flávia Wenceslau, 2015), sobre cada um dos músicos havia
apenas uma luminária de acrílico. Sobre Bethânia e o palco, feixes de luz ora
coloridos ora brancos, criavam tanto uma noção espacial quanto uma atmosfera
propícia a cada música.
Chão de LED e
de estrelas
Além da iluminação de Binho Schaefer, outro recurso cenográfico acertado foram
os telões de LED sob o palco, em que imagens de águas claras, cenas
bucólicas, entre outras, criavam um imaginário para as canções. Para os que
viram o show do alto, as imagens dos telões também eram exibidas sob os
pés de Bethânia, criando, no chão de LED, ora um tapete de rosas, ora um mar
agitado, um céu cheio de nuvens ou de estrelas. Era este universo de Bethânia
que se completava com o figurino criado por Gilda Midani (que também a vestiu
em outras turnês e no show que fez em Santo Amaro da Purificação, em
fevereiro).
A propósito, a saia, a blusa e o colete dourados que ela vestiu no primeiro ato
evocam as cores de Oxum, que cantou em "Oração de Mãe Menininha"
(Dorival Caymmi, 1972), no início do segundo ato. Para a segunda metade de um
show longo, com 37 canções, voltou ao palco de dourado e vermelho, a cor de
Iansã, a quem ela homenageou em "Vento de lá" (Roque Ferreira, 2007).
Depois de seu passeio pelo interior, foi com "Motriz" (Caetano
Veloso, 1983) que ela celebrou sua força e entoou as palavras de Clarice
Lispector: “Faça com que eu saiba ficar
com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.”
Por fim, depois da inédita "Eu te Desejo Amor" (versão de Nelson
Motta para "Que reste-t-il de nos amours", de Charles Trenet),
admite, entoando Fernando Pessoa: “Sou
eu, eu mesmo. Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.” E encerra, sem
arrependimentos, entoando "Non, Je ne Regrette Rien" (Charles Dumont
e Michael Vaucair, 1935) e, em seguida, pede "Silêncio", “pra me lembrar de tanta coisa que sonhei”.
E sob os acordes da vinheta de "Carcará", um presente dos músicos
para ela, gesticulou: “Pega, mata e come!”
Esfuziante,
a plateia pediu bis, mas Bethânia disse que não havia preparado nada. E emendou
os primeiros versos de "O Que é, o Que é?" (Gonzaguinha). “Esta
música eu vou cantar em minha vida, enquanto eu cantar, eu vou cantá-la.
Gonzaguinha! Viver… Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”,
arrancando arrepios até dos mais céticos da plateia. “É a vida. É bonita.”
Serviço
Abraçar e
Agradecer
Local: HSBC Brasil (Rua Bragança Paulista, 1281 - Chácara Santo Antonio)
Data: 15, domingo, 19, quinta, 21 e 22 de março, sábado e domingo
Horário: sábado e quinta-feira: 22hs e domingo: 20hs
Classificação: 14 anos. Menores desta idade somente acompanhados dos pais ou
responsáveis
Preços: de R$ 280,00 a R$ 140,00 - INGRESSOS ESGOTADOS
Capacidade: 4 mil lugares
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| Foto: Sebastian Freire |
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| Foto: Sebastian Freire |
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| Foto: Leo Martins / Agência O Globo |
Música
Maria
Bethânia: 'Só me resta o palco. Vou lá e grito feito uma doida'
Cantora detalha seu processo de criação e lamenta a ascensão do conservadorismo
por Leonardo Lichote
01/12/2016
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| Bethânia: "Vejo a gente querendo imitar o ruim. Estou morta de pena do Brasil" Foto: Leo Martins / Agência O Globo |
RIO
- Antes de surgir no palco e gritar “feito uma doida”, como diz, Maria Bethânia
entra numa calmaria ritualística. A cena é o abre-alas de “Abraçar e
agradecer”, DVD (com versão em CD também), que chega agora ao mercado,
encerrando as celebrações de seus 50 anos de carreira (em 2015). “Abraçar e
agradecer” traz dois discos. No primeiro, está a íntegra do show de mesmo nome,
que estreou por aqui em janeiro do ano passado, com músicas como “Começaria
tudo outra vez”, “Rosa dos ventos” e “Viramundo”. No segundo disco, estão
extras, incluindo cenas das demais comemorações em torno da data. Enquanto
lança “Abraçar...” e começa a preparar um novo disco, a cantora baiana de 70
anos concedeu a seguinte entrevista ao GLOBO. E falou de seus rituais, do
processo de criação, de influências e de política: “Temos uma natureza
diferente da desses brancos europeus e americanos. Somos outra cor. E vejo a
gente querendo imitar o ruim. Ah, me deprimo demais (...). Tô morta de pena do
Brasil”.
- Qual é a importância do ritual?
Acho que me equilibra. Sou muito livre, solta, e é bom ter uma sequência de atitudes a tomar, ter hora para cada coisa... Isso me dá um norte. Chegar três horas antes é imprescindível para mim. Desde a hora em que saio de casa, a maneira como rezo, olho o tempo, vejo as pessoas, aquilo já vai me vestindo para a cena. Ninguém nunca me mandou nem ensinou. Achei um modo de me separar da rua. Não gosto de usar em cena o que uso na rua. Nada que me traga a rua. Quero só aquela caixa preta, que é a plateia, e está ótimo para mim. É meu paraíso.
- Como você reage quando, por algum motivo, um
ritual é quebrado?
Sou disciplinada e me organizo pra que tudo dê certinho. Mas a vida existe pra isso. Às vezes não é aquele ambiente que eu quero, às vezes não consegui fazer minhas etapas no meu tempo de relaxamento. As coisas acontecem, mas eu tenho que acatar, respeitar, não volto atrás não. Não vou fazer de novo. Já passou. Às vezes a rua entra, invade, os aborrecimentos caseiros, tudo. Ninguém morre pra cantar, né? Pelo contrário. Tem que cantar vivo.
- No DVD aparece também um pequeno camarim
montado ao lado do palco.
Os camarins, principalmente no Brasil, nunca são no andar da apresentação. Há muita escada, fios, passa-se por baixo, por cima, uma aventurazinha. E, quando se tem que passar por isso antes de entrar em cena, o diafragma vai embora. Tenho que parar, rezo, gosto de rezar, faço uma respiração e fico pronta para a hora de entrar. Aquele pequeno camarim é onde me troco no intervalo. Porque não daria tempo de fazer o percurso até o camarim, o trânsito engarrafado (risos).
- Você tem rituais para criar?
O mais importante é o ócio. Ficar soltinha para filtrar o bom, o mau, o médio. Anoto o que vem à cabeça. Música, pensamento, livro, conversa, uma planta que vi, um problema que tenho que resolver. Vou anotando. Isso tudo faz parte para mim do que vou inventar. Tenho milhares de cadernos. E me perco, lógico. O Waly (Salomão) dizia: “Você é igual a mim, risca, escreve, anota tudo”. É uma imundície. Mas é um modo de organizar.
- O que anda criando?
Estou levantando repertório para o próximo disco. A alguns compositores peço, para outros digo: “Tô começando a fazer, se tiver algo...”. Eles perguntam: “Já tem ideia?”. Digo: “Não, vocês é que vão me dar”. Neste momento estou com ideia nenhuma e com todas as ideias. Porque agora espero o que eles vão me dizer. Como intérprete, eles é que me passam os recados, o que está quente neles, vivo, precisando ser falado. Aí vem política, amor, dor, degradação, paraíso, vem tudo. E vai me ajudando. Adoro este momento, mas ultimamente tem sido mais difícil ter tempo para o ócio. Lembro quando fiz “Mar de Sophia”. Cheguei a Salvador, acordei muito cedo, sentei na varanda, em cima do mar, peguei um papel. Quero fazer alguma coisa sobre água, Dona Sophia (a poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen), eu estava com os livros dela. Peguei o papel e fiz os dois discos, escolhi praticamente todos os poetas que queria ali. Parece que fiquei estudando, mas só sentei ali para olhar distraída.
- Agora você está completamente mergulhada
nesse novo disco?
Não, porque tem esse lançamento do DVD, depois vou para a Bahia participar de um show de Margareth (Menezes). No dia 9 recebo o título (de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia). Como muda essa data... A faculdade foi ocupada, desocuparam. Farei uma leitura no dia 14. Depois, mesmo que queiram e que inventem, não vai dar. É Natal, período que fico em branco. Minha mãe morreu num Natal, não me serve não. Festejo o nascimento do Menino Deus todos os dias, prefiro. E também não sou muito de réveillon, essa gincana não me encanta. Então espero em Deus que a maluquice comece a invadir com mais força depois disso. Mas tenho recebido músicas lindas.
- Nas canções
“Mortal loucura” e “Era pra ser” (lançadas neste ano como singles, para trilhas
de novelas), você trabalha com músicos mais jovens.
Sabe como foi “Mortal loucura”? Ouvi o disco da Elza (Soares). Fiquei louca. Falei para (José Miguel) Wisnik (a canção é um poema de Gregório de Matos musicado por ele): “Faz com os meninos que trabalharam com a Elza”. Fiquei muito impressionada com o trabalho deles. Elza não vou nem falar, sou perdida por ela. Com Gregório, tinha que ser uma moda de viola doida. E “Era pra ser”, canção linda da Adriana (Calcanhotto), ela disse que queria guitarra ou violão. Eu me lembrei de Pedro Sá. Depois, entrou Moreno (Veloso).
- Pensa em trabalhar com músicos mais jovens no
próximo disco?
Ainda
não estou nessa parte. Mas que vou mexer, vou.
- No
DVD, há a informação que o Desfile das Campeãs da Mangueira foi exatamente 50
anos depois de sua estreia no “Opinião”. Como você vê essas pontas se
encontrando?
Pois é, Kati (Almeida Braga, dona da Biscoito Fino) me falou. Isso é uma coisa mágica. É lindo ter acontecido assim. E tem uma coisa bonita. Desde que terminou o desfile, toda vez que eu tenho um aborrecimento sério, ou tristeza, vem baixinho: “Quem me chamou, Mangueira...”. (trecho do samba-enredo da escola). Aí abre, porque tem uma felicidade tão grande nisso... Algo que nunca alcancei, que vou alcançar talvez noutro patamar. Toda vez, se entristecer, se doer, aquilo vem assim. E aí eu sei que é maior do que tudo que senti, que vi, que vivi.
- Você está prestes a receber um título de Doutora da Universidade da Bahia. Na Bienal de São Paulo, você lembrou que foi educada em escola pública. Como vê a forma que a educação vem sendo tratada pelo governo Michel Temer?
A primeira coisa que o governo fez foi tirar dinheiro da educação e da saúde. Aliás, todos fazem. Bota em obra, em avião, bota no... ia dizer um palavrão, mas não fica bom para uma senhora. Mas só vejo piorar. Ao mesmo tempo, existem sinais deslumbrantes, como uma escola no Piauí, embaixo de uma árvore, com os meninos entre os melhores de matemática do mundo inteiro. Como sempre, a vida floresce. Mas a educação no Brasil é desastrosa.
- Você chegou ao Rio em 1965...
No auge da ditadura.
- Exatamente. Como vê a escalada do
conservadorismo hoje no Rio, no Brasil, no mundo? As vitórias de Trump, da
direita francesa, de Crivella, que já fez declarações de intolerância com
relação a religiões afro-brasileiras...
Agora, ele (Crivella) fala que vai governar para todo mundo, todas as religiões. E tem essa história de que artista é tudo vagabundo, piranha, que tira o dinheiro do povo. As pessoas não querem entender, não querem perder tempo. Tem que passar uma mensagem no WhatsApp, é tudo muito corrido. Essa rapidez de hoje interessa para muitas coisas, mas é um trator em cima de valores fundamentais. As pessoas se desequilibram, perdem a mão. Não por perversidade, mas pela ignorância e pela volúpia da facilidade. A eleição desse senhor americano, a votação na França que a direita ganhou... E quem quer ganhar mesmo é a extremona, a moça lá (Marine Le Pen) que quer que volte Joana D’Arc, que, coitada, era uma menina que queria namorar.
- E o Brasil no meio disso?
Acho muito triste. Porque a gente é diferente de Europa, de Estados Unidos. A gente é caboclo, é índio. Eu vim de Maputo agora, e chorava de emoção lá. É igual a Santo Amaro. Uma pobreza sem fim e uma alegria sem fim. É como se dissessem: “Estou vivo, vou lutar”. Fui para uma escola pública em Maputo, onde me fizeram uma homenagem. Entrou um menino pequeno com uma guitarra, lindo, sozinho. Deu uns acordes e começou: “Sonho meu/ Sonho meu”. Eu me arrepio até agora. Vem Dona Ivone Lara, essa volta que a coisa deu até ali. Temos uma natureza diferente da desses brancos europeus e americanos. Nós somos outra cor. E vejo a gente querendo imitar o ruim, o que não deu certo. Ah, eu me deprimo demais. Só me resta o palco. Vou lá e grito feito uma doida. Todas as vezes que faço leitura falo disso. Mas acho que entra por um ouvido e sai pelo outro. Fico com pena. Tô morta de pena do Brasil.
- Você acredita num futuro melhor para o país?
Acho
que está longe.
2016 - 3 Singles para Trilhas de Novelas
Abril: MORTAL LOUCURA

2016 - MORTAL LOUCURA
Autores: José Miguel Wisnik e Gregório de Matos
Na oração, que desaterra, a terra,
Quer Deus que a quem está o cuidado, dado,
Pregue que a vida é emprestado, estado,
Mistérios mil que desenterra, enterra
Quem não cuida de si, que é terra, erra,
Que o alto Rei, por afamado, amado,
É quem lhe assiste ao desvelado, lado,
Da morte ao ar não desaferra, aferra.
Quem do
mundo a mortal loucura, cura,
A vontade de Deus sagrada, agrada
Firmar-lhe a vida em atadura, dura.
O voz zelosa, que dobrada, brada,
Já sei que a flor da formosura, usura,
Será no fim dessa jornada, nada.
Direção Artística: Zé Miguel Wisnik
Produção Musical: Marcio Arantes
Gravado nos estudios:
YB (SP), por Carlos (Cacá) Lima
Biscoito Fino (RJ), por Fernando Prado / Assistente
de gravação: João Thiré
Estudio Audiorama (SP), por Marcio Arantes.
Mixado por Gustavo Lenza, no estudio La Nave (SP)
Masterizado por Felipe Tichauer, no estudio
RedTraxx Mastering (Miami/FL)
Músicos:
Maria Bethânia: Voz
Marcio Arantes: Baixo Synth e Guitarras
Siba: Rabeca
Guilherme Kastrup: Percussão
Paulo Dáfilin: Viola Caipira
Animação/Direção de arte: Rafael Rodrigues
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2016 - ERA PRA SER
Autor: Adriana Calcanhotto
Era pra ser canção de amor
Era o amor em versos
Era pra ser sobre você e eu e o meu deserto
Era pra ser para você, sempre você, pra sempre
Era pra poder ficar eternamente no presente
O amor soprou de outro lugar
Pra derrubar o que houvesse pela frente
Tenho que te falar
Essa canção não fala mais da gente
Era pra ser canção de amor
Era o amor em versos
Era pra ser sobre você e eu e o meu deserto
Era pra ser para você, sempre você, pra sempre
Era pra poder ficar eternamente no presente
O amor soprou de outro lugar
Pra derrubar o que houvesse pela frente
Tenho que te falar
Essa canção não fala mais da gente
O amor soprou de outro lugar
Pra derrubar o que houvesse pela frente
Tenho que te falar
Essa canção não fala mais da gente

2016 - CASINHA BRANCA
Autores: Gilson Vieira da Silva e Joran Ferreira da Silva
Eu tenho andado tão sozinha ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade tanto sonho perecer
Eu queria ter na vida, simplesmente
Um lugar de mato verde pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal, uma janela para ver o sol nascer
Às vezes, saio a caminhar pela cidade
À procura de amizade, vou seguindo a multidão
Mas me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão
E eu queria ter na vida, simplesmente
Um lugar de mato verde pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal, uma janela para ver o sol nascer
Trilha sonora original da novela "Êta mundo bom!." - Vol. 2