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martes, 6 de marzo de 2018

2018 - ELEIÇÕES





O POVO

ELEIÇÕES 2018

Guilherme Boulos e Sonia Guajajara lançarão pré-candidatura pelo PSOL

O evento reunirá artistas, políticos, intelectuais, bem como lideranças de movimentos sociais do campo progressista

02/03/2018
Redação O POVO Online


O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, lança sua pré-candidatura próximo sábado, 3 de março, em São Paulo. A vice na chapa de Boulos é Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas. A informação é da Folha de S. Paulo.

O evento reunirá artistas, políticos, intelectuais, bem como lideranças de movimentos sociais do campo progressista - que não serão necessariamente filiados ao PSOL.

Caetano Veloso, por exemplo, estará presente no ato. O cantor já declarou seu voto no pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Ele sugeriu, inclusive, que o projeto de nacional desenvolvimento defendido pelo candidato cearense poderia abrigar Boulos em eventual disputa de segundo turno.

No evento, estarão presentes o arquiteto Nabil Bonduk, ex-secretário de Cultura da gestão Haddad; a ex-prefeita paulistana Luiza Erundina; Frei Betto; a cineasta Marina Person e a escritora Antonia Pellegrino.





3 de março de 2018

Com aval de Lula e celebridades, Boulos lança pré-candidatura à Presidência 

Chapa do PSOL tem a líder indígena Sonia Guajajara como vice; personalidades falaram no evento

Anna Virginia Balloussier
São Paulo

Com respaldo de Lula, um potencial rival eleitoral, e de personalidades que outrora orbitaram PT e Marina Silva, o líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, lançou neste sábado (3) sua pré-candidatura à Presidência, com a líder indígena Sonia Guajajara de vice. Ele se filiará ao PSOL nos próximos dias, e o partido deve oficializar sua chapa em sua convenção nacional, no dia 10 de março.

Caetano Veloso cantou "Gente" para introduzir Boulos, que o enrolou numa bandeira do MTST, e "Índios" para apresentar Guajajara, de quem ganhou um cocar.

"Este nosso encontro talvez fosse improvável. Não é um encontro óbvio toda essa diversidade que está aqui. O que nos uniu foi o avanço do conservadorismo, que nos forçou a buscar alianças novas", disse o futuro presidenciável.

O atual inquilino do Palácio do Planalto foi alvo preferencial. "Este Temer vai ficar na história como um Juscelino Kubitschek ao contrário, em menos de dois anos conseguiu fazer o país voltar 50 anos atrás."

A mensagem de Lula, transmitida em telão, martelou a ideia de que Boulos é um bom quadro político —para o futuro. "Você sabe o quanto eu te respeito, o quanto gosto de você pessoalmente e quanto acho você uma pessoa de muito futuro na política. Jamais vou pedir para você não ser candidato", afirmou o ex-presidente, que depende de decisões judiciais para disputar o Planalto.

O petista definiu o neófito eleitoral como "uma pessoa nova, que tem futuro, que pode se projetar". Também citou a pré-candidata Manuela D'Ávila (PC do B), mas ignorou Ciro Gomes (PDT), nome esquerdista que melhor pontua em pesquisas de intenção de voto e a quem criticou em entrevista recente à colunista da Folha Monica Bergamo.

Boulos devolveu o afago do petista e criticou o Judiciário por condenar Lula, a quem prestou "sincera solidariedade pela injustiça" que estaria sofrendo. 

"Diferenças políticas", afirmou, "não podem significar conivência com injustiça".
"Só quem se ilude acredita que vai parar com o Lula. Não vai parar por aí. Pega toda a esquerda, pega todos nós. Quando vemos Bolsonaros discursando e sendo aclamados ao defender tortura, extermínio, um tipo como Brilhante Ustra ser defendido a céu aberto..."

Boulos defendeu a necessidade de não pregar para convertidos. "A gente quer mudar o Brasil, mas fica contente em só falar nas nossas bolhas." A meta, disse, é "conciliar essa disposição para uma nova esperança".

QUALQUER COISA

Com os versos "esse papo já tá qualquer coisa", de sua popularíssima "Qualquer Coisa", Caetano abriu no gogó a Conferência Cidadã, numa casa de eventos na zona oeste paulistana. O músico, contudo, já se disse simpático a outro concorrente do campo progressista, Ciro.

Sua mulher, Paula Lavigne, empresária e idealizadora do movimento político #342, é uma das entusiastas da dobradinha Boulos-Guajajara — ela recebeu o líder do MTST em sua casa, point de artistas interessados em causas políticas.

2017

In loco ou por vídeo, em defesa da plataforma saíram artistas como Sonia Braga, que advogou pelo "que é melhor para nós, trabalhadores", e Wagner Moura, que já declarou votos em Lula (PT) e Marina (Rede) e hoje se diz desgostoso "com a série de retrocessos que o Brasil está passando". "A gente não vai governar para todo mundo, vai governar para 99%", disse o deputado fluminense Marcelo Freixo, em alfinetada ao chamado 1% mais rico da população.

"Aqui nasce uma esquerda que não está fazendo aliança para conseguir tempo de TV", disse Freixo, que no fim de 2017 contou à reportagem ter tido a ideia de lançar Boulos pelo PSOL, enquanto tomava um café com a namorada, Antonia Pellegrino, roteirista e cofundadora do blog #AgoraÉQueSãoElas (hospedado no site da Folha). 

"Elites brancas", "presidente golpista" e "chuva de conservadorismo" foram algumas das expressões aplaudidas no evento apoiado por figuras conhecidas da esquerda, como a cartunista Laerte, que atacou um Congresso "lotado de gente que nos odeia". O ex-governador gaúcho Tarso Genro, do PT, mandou um recado audiovisual a Boulos: "Tu é um nome para ser pensado no futuro". O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos escolheu o mesmo formato para fazer seu desagravo à candidatura.

Pastor evangélico de credenciais progressistas, Henrique Vieira exaltou o programa "negro, feminista, LGBT" do PSOL, ao qual é filiado. "Ser religioso é sempre ser conservador? Graças a Deus e aos deuses, não."

Frei Betto enquadrou os tempos atuais numa "democracia mentirosa" e disse que "em breve não poderemos fazer reuniões como esta". Finalizou seu discurso com uma sugestão: "Guardemos o pessimismo para dias melhores".

Monica Iozzi previu um ano difícil pela frente. "Mas juntos a gente vai sobreviver ao ataque dos zumbis", disse a atriz, que em 2017 foi condenada a pagar R$ 30 mil para o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Iozzi o enfureceu ao publicar uma foto de Mendes, que havia autorizado um habeas corpus para o médico condenado por estuprar pacientes Roger Abdelmassih, com uma faixa escrito "Cúmplice?".

A plateia foi povoada por feministas, ativistas negros e LGBTQ, indígenas "e até uns burguesinhos", como autozombou um militante "branco, hétero, cisgênero" que entoava um bordão caro a movimentos sociais: "Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro".

Escritor, rapper e poeta, Ferréz sugeriu ao público: "Quando algum jornalista perguntar cadê a periferia, pode dizer que a porra da periferia está aqui". Engatou com uma poesia que exaltou o "terrorista literário de fuzil, Bic na mão" e "Guilherme Boulos na porra do bagulho".





Conferência Cidadã em São Paulo



UMI ÍNDIO para Sonia Guajajara e GENTE para Guilherme Boulos




3/3/2018 - Boulos durante evento da Conferência Cidadã  - Mídia Ninja







 






viernes, 12 de enero de 2018

2018 - CAETANO MORENO ZECA TOM VELOSO [9]









Show
Caetano Veloso e filhos lotam Teatro RioMar Fortaleza com a nova turnê

Ao lado de Moreno, Zeca e Tom, o baiano emocionou a plateia com um show familiar e algumas músicas inéditas


12.01.2018 por Roberta Souza 


Zeca, Caetano, Moreno e Tom Veloso, em show da nova turnê no Teatro Riomar Fortaleza

Na hora em que os primeiros versos de "Alegria, Alegria", na voz de Caetano Veloso, ecoaram no Teatro RioMar Fortaleza, nem todas as cadeiras estavam preenchidas.

Muitos atrasados entraram logo após a música de abertura, quando o baiano já iniciava com os filhos a poesia de "O seu amor", canção que outrora ele também cantara com parentes sanguíneos (Bethânia) e outros não (Gil e Gal), na formação de Doces Bárbaros (1976). Os ingressos para a turnê "Caetano Moreno Zeca Tom" na capital cearense esgotaram na tarde de 30 de dezembro, e a lotação, que incluiu uma fileira de cadeiras extras no teatro e algumas pessoas em pé nas laterais comprovaram que estava ali no palco, naquela noite de quinta-feira 11, um dos principais representantes da Música Popular Brasileira.

O show, que estreou no Rio de Janeiro em outubro passado, já passou por São Paulo, Belo Horizonte, Recife. Mas na última noite, foi Fortaleza que se tornou sala para essa reunião familiar. Sim, porque a interação do pai e dos filhos fazia com que o público se sentisse num cômodo da casa dos Veloso, tamanha era sintonia dos quatro. 


> Músicos de Família
É certo que as clássicas "Reconvexo", "Leãozinho", "Ilê Aiyê" - esta a primeira parceria de Caetano com o mais velho, Moreno, quando ele ainda tinha 7 anos - estavam entre as mais esperadas do público, mas canções inéditas de todos eles, incluindo "Todo Homem", do estreante Zeca, emocionaram os presentes durante cerca de uma hora e meia de espetáculo.

Ouviu-se o "velosear" nos violões de Caetano e Tom, na percussão e violoncelo de Moreno, nos teclados e guitarra de Zeca. E viu-se também o gingado de três deles, menos do estreante mais tímido. Funk, samba do recôncavo e samba carioca marcaram os passos dos mais acostumados com o show, levando a plateia ao delírio.

Ficou claro que a herança dos meninos foi musical e coreográfica. E, em nenhum momento você viu só o pai em destaque - ainda que seu nome tenha levado boa parte do público para lá -, tampouco discreto. A noite era de todos, com a rouquidão de Caetano se esvaindo a medida que a resposta aumentava.

Ainda que a presença masculina fosse forte no palco, canções para Dona Canô, mãe de Caetano, e para as mães dos três filhos, cantadas em forma de homenagem, intensificaram o show com a importância da figura feminina na vida dos quatro. "Todo homem precisa de uma mãe", já reforçaria Zeca no trecho da canção que apresenta o CD e DVD da turnê, "Ofertório", a ser lançado em abril deste ano.




O POVO

Shows e Espetáculos

VIDA&ARTE VIU

Encontro de gerações marca show de Caetano Veloso com os filhos em Fortaleza
O show "Caetano Moreno Zeca Tom Veloso" reuniu o baiano com seus três filhos no Teatro RioMar
12/01/2018

JOÃO GABRIEL TRÉZ


Foto: João Gabriel Tréz / O POVO

Aprendi a ouvir Caetano Veloso com minha mãe. Não tenho uma primeira memória concreta de como começou, mas tenho muitas outras de momentos com ela que foram regados pelo baiano: de uma tarde inteira de nós dois ouvindo músicas do cantor enquanto eu, aos 10 ou 11 anos, escrevia poesias inspiradas nas composições, passando pelo show do disco "Abraçaço", em 2013, primeira apresentação dele que fomos juntos, primeira vez que o vi ao vivo. Na noite da quinta, no Teatro RioMar, escrevemos outra parte dessa história com o show "Caetano Moreno Zeca Tom Veloso", que reuniu o baiano com seus três filhos.

Com os ingressos já esgotados para o evento, o local ficou lotado. De gente e de diferenças entre elas. O público ia de senhoras com dificuldades para andar, mas molejo suficiente para remexer os ombros ao som das músicas mais animadas, a jovens tão fãs que pareciam seguir o cantor, de 75 anos, desde os anos 1960. O próprio repertório levado pela família Veloso foi democrático e misturado, indo de sucessos do pai (como "Trem das Cores" e "Oração ao Tempo") a composições dos filhos (como a positiva "Um Passo a Frente", de Moreno, a romântica "Um Só Lugar", de Tom, e a emocionante "Todo Homem", de Zeca). A abertura do espetáculo, com "Alegria, alegria" seguida de "O seu amor", foi de fazer chorar. Outro destaque foi o funk apresentado por Caetano, "Alexandrino".

Por mais que tenha sido protagonista de momentos de brilho como esse, Caetano foi no show, antes de tudo, pai. A cada filho que ganhava os holofotes, ele dividia, orgulhoso, histórias, risadas e olhares. A harmonia entre os quatro no palco foi de fazer sorrir. Se um era a voz principal, os outros acompanhavam com instrumentos, assobios, backing vocals.

Moreno foi o mais tranquilo da prole, experiente que é — num outro momento memorável da noite, sambou com o pai ao som de "How beautiful could a being be". Caçula, Tom foi descontraído: chegou de chinelo, ficou descalço, dançou o funk do pai, sarrou no ar. Zeca, como explicou Caetano, estreava nos palcos naquela turnê e o nervosismo era visível nas mãos do jovem, que não paravam quietas. Numa das canções em que era coadjuvante, ele fez menção de tirar o casaco que vestia, mas, discreto, desistiu no meio do caminho e só completou a ação quando a música acabou, as luzes cessaram e os aplausos irromperam. O tanto que foi tímido, foi charmoso.

Os encontros de gerações e a potência do que eles podem significar, enfim, marcaram a noite. Eram vários pais, mães, filhos, parentes, amigos, casais e recém-conhecidos. Era Caetano, no palco, acompanhado dos filhos. Éramos, na plateia, minha mãe e eu. Era tudo em família.






Trabalhadores sem teto (MTST) - Facebook






O POVO

Fortaleza

ENCONTRO
Caetano Veloso visita MTST em conjunto habitacional com nome do pai de Ciro Gomes

Em nota, o MTST afirmou que a classe artística tem fundamental importância na defesa da democracia
12/01/2018

Redação O POVO Online com informações do repórter Rômulo Costa

O cantor e compositor Caetano Veloso encontrou, na tarde desta sexta-feira, 12, em Fortaleza, militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), no conjunto habitacional José Euclides Ferreira Gomes, antigo assentamento. Ele se apresentou ao lado dos filhos nessa quinta, no teatro Riomar.

O movimento informa que a visita do artista ao local, que leva o nome do pai dos irmãos Ciro, Cid e Ivo Gomes, é para conhecer e conversar com os moradores do conjunto, onde o MTST conquistou o direito a 200 moradias, das quais 100 já foram entregues.

Caetano, a companheira Paula Lavigne e um integrante do MTST andaram pelo conjunto habitacional. Em um trecho da caminhada, ao fundo, havia uma pichação de uma facção criminosa no muro.


Caetano e um integrante do MTST conversam no conjunto habitacional (Foto: Mateus Dantas/O POVO)

O cantor é ativista do #342Agora, um grupo formado pela classe artística e formadores de opinião, que se unem para pressionar investigação contra o presidente Michel Temer.


Caetano visita casa de morador do conjunto habitacional. (Foto: Rômulo Costa/O POVO)


Em nota, o MTST afirmou que a classe artística tem fundamental importância na defesa da democracia e ampliação da participação popular "na construção de novos rumos para nosso país".



Caetano Veloso encontra militantes do MTST no Jangurussu
Fotos: Mateus Dantas / O Povo















Fortaleza

BATE-PRONTO
Caetano Veloso fala sobre a possível candidatura de Guilherme Boulos à presidência
O cantor visitou conjunto habitacional no Jangurussu e fala ainda sobre a atuação do MTST no País
13/01/2018

O cantor e compositor Caetano Veloso fala ao O POVO Online sobre a atuação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e sobre a possibilidade de candidatura à presidência da República do líder nacional do movimento, Guilherme Boulos. Veloso visitou na noite desta sexta-feira, 12, o conjunto habitacional José Euclides, no Jangurussu, que recebeu famílias de militantes do MTST. Confira a entrevista com o cantor:

Como foi a visita ao conjunto habitacional?
Foi muito ilustrativo para mim. Eu estive na ocupação de São Bernardo do Campo (em São Paulo) e aprendi muita coisa. Aqui vivenciei mais coisas, ouvindo as conversas das pessoas que agora têm casa. Fiquei muito impressionado. Acho que essa experiência do MTST e dessas conquistas que ele já fez e dos projetos que tem deveriam ser do conhecimento da maioria dos brasileiros. Há um desprezo injusto em relação a essa questão (da moradia) e ao enfrentamento dela.

O senhor disse que não tinha muito conhecimento da atuação do MTST...
Eu sabia que tinha alguma ocupação em São Paulo, mas era tido pela imprensa como uma ocupação indevida ou algo ilegal. Depois eu aprendi melhor e, vendo de perto, eu aprendi mais ainda. A experiência, a prática da solidariedade e da afirmação de cada indivíduo por conta de sua relação com a coletividade. É muito bom.

Esse tipo de luta tem o que para dizer ao Brasil de hoje?
Quase tudo. Tudo o que está faltando no Brasil de hoje, todos os problemas que nós temos seriam resolvidos com um tipo de consciência como o de dona Mazé (dos Santos, 64 anos, uma das militantes que foi beneficiada com um apartamento no conjunto habitacional).

O senhor tem tido conversas com o Guilherme Boulos (líder nacional do MTST). Ele está sendo cotado como presidenciável. Ele seria uma saída?
Olha, é uma beleza que haja até a possibilidade de uma candidatura do Boulos, porque ele é um sujeito importante. Um amigo meu baiano que mora no Rio (de Janeiro) tinha me falado dele. Ele me disse que achava muito impressionante o modo de ele pensar, a clareza, a responsabilidade, mas eu não conhecia o Boulos pessoalmente. Quando teve um negócio de Diretas Já, me pediram para cantar um show no Rio. Eu nem tava muito nesse negócio de Diretas Já propriamente mas gostei de participar do show na companhia de militantes. Boulos veio de São Paulo e foi a primeira vez que eu estive com ele. Agora quando fui a São Bernardo (do Campo, em visita a ocupação do MTST) estive com ele com mais tempo. Depois ele foi ao Rio e conversamos mais longamente e muita cosia ficou esclarecida para mim. Ele é um sujeito que tem tanto um grau de consciência, de resposabilidade que honra a história politica do Brasil que ele seja pelo menos remotamente sugerido a presidente da República.

Ele sintetiza o que o senhor espera da esquerda de hoje?
Em grande parte sim. Até onde, pelo que sei, tudo o que ele tem dito me parece justo. A questão da esquerda é mais longa, mais complicada, mas nesse ponto que ele está eu acho que a resposta é sim.


martes, 12 de diciembre de 2017

2017 - MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TETO (MTST)







O GLOBO
Um mês após proibição de show, Caetano se apresenta em evento do MTST em SP
Em outubro, a Justiça alegou falta de segurança para show em ocupação do movimento


POR ALESSANDRO GIANNINI

10/12/2017

Caetano Veloso faz show no Largo da Batata em São Paulo - Marcos Alves / Agência O Globo


SÃO PAULO — Depois de ver frustrada a tentativa de se apresentar em uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto (MTST) em São Bernardo do Campo, em outubro, Caetano Veloso transferiu o show para este domingo no Largo da Batata, na Zona Oeste de São Paulo. Com o cantor e compositor baiano se apresentaram Criolo, Maria Gadú e Péricles, entre outros.

Depois de discursos da empresária Paula Lavigne e da atriz Sônia Braga, Caetano abriu o show às 18h24, cantando “Sampa” ao violão, acompanhado de seus principais convidados. Emendou com “Desde que o samba é samba” e, depois, passou a alternar a presença no palco com os outros artistas. No repertório, clássicos como “Quereres”, “Odeio” e “Menino do Rio” — este último em dueto com Criolo.

A concentração começou às 14h. O caminhão onde foi montado o palco estava tocando música gravada. Pouco antes do início da apresentação, uma chuva rápida afugentou parte dos espectadores. Mas o tempo logo melhorou e a praça principal, no largo, foi totalmente ocupada. O policiamento em volta do local era apenas preventivo, segundo a Polícia Militar, que não deu estimativa de público.

Nos bastidores, a atriz Sônia Braga disse que este é um "dia muito importante para a democracia":
— Nós estamos aqui não pelo MTST, estamos aqui por nós mesmos. Porque temos que lutar pela democracia, que está em perigo. Se você não está preocupado com o que está acontecendo, só pode estar louco — disse ela.

O líder do MTST, Guilherme Boulos, agradeceu a presença do público.
— Essa proibição fez com que um show para 7 mil pessoas na ocupação de São Bernardo do Campo se transformasse em um show para 30 mil pessoas no Largo da Batata — disse ele.

Em outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu a realização do show na ocupação "Povo sem Medo", em São Bernardo, em razão de segurança e, também, porque já havia liminar pela reintegração de posse. No seu despacho, a juíza Ida Inês Del Cid disse que "o brilhantismo e a voz inigualável de Caetano" levariam muitas pessoas para o evento e que o local não teria as condições necessárias para garantir a segurança de tantas pessoas. Ela determinou uma multa de R$ 500 mil caso a ordem fosse desobedecida.










Caetano Veloso faz show em ato pelos 20 anos do MTST em SP

Também se apresentaram o rapper Criolo, o sambista Péricles e a cantora Maria Gadu. Discursos criticaram governo federal e a reforma da Previdência.

Por Paula Paiva Paulo e Fábio Tito, G1 SP
10/12/2017 

O cantor Caetano Veloso se apresentou no Largo da Batata, na Zona Oeste de São Paulo, neste domingo (10), em ato que celebra os 20 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O artista cantou com o rapper Criolo, o sambista Péricles e Maria Gadu.

Caetano pretendia cantar na ocupação no Bairro Planalto, em São Bernardo do Campo, no ABC, em 30 de outubro, mas a juíza Ida Inês Del Cid, da 2ª Vara da Fazenda Pública da cidade, proibiu o show. Em sua decisão, ela disse que a ocupação não possuía "estrutura a suportar show, mormente para artistas da envergadura de Caetano Veloso, um dos requeridos nesta ação”.


Caetano e Maria Gadu tocam em show do MTST no Largo da Batata
Foto: Fábio Tito/G1


"É um momento histórico ter artistas como Caetano Veloso e todos que virão fazer um evento público como esse de apoio à luta do MTST”, disse ao G1 o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, antes do início da apresentação.

“Um reconhecimento da legitimidade da mobilização dos sem-teto. Um reconhecimento da força que essa mobilização ganhou na sociedade e, no nosso caso, é a melhor maneira de comemorar os 20 anos do movimento", acrescentou.


Público encheu o Largo da Batata para ver o show de Caetano Veloso e convidados
Foto: Fábio Tito/G1


Show

Caetano abriu o show por volta das 18h20 com "Sampa", música que homenageia a capital paulista, e emendou com "Desde que o samba é samba", outro clássico de sua autoria.

Ao lado de Maria Gadu, cantou "O quereres", música de abertura da novela "A Força do Querer", da TV Globo. Caetano também agitou o público com "Alegria, alegria", "Leãozinho", entre outros sucessos.

O show terminou pouco depois das 20h10 com a canção "Tieta".


Caetano (ao centro) ouve leitura de carta por Sônia Braga
Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo

Discursos

A produtora Paula Lavigne, do Movimento 342 Artes (um dos idealizadores do evento), abriu a rodada de discursos agradecendo a juíza que proibiu o show na ocupação. Segundo ela, a decisão possibilitou involuntariamente a realização de um ato maior na capital.

Em seguida, Boulos assumiu o microfone e criticou o governo federal e a reforma da Previdência. “Não contentes com tudo que têm feito no Brasil, querem aprovar uma reforma que tira o direito à aposentadoria do povo brasileiro. E nós não podemos permitir”, disse.

“Foi a intolerância, como disse a Paula [Lavigne], que proibiu o show do Caetano na ocupação. (...) O que eles conseguiram é que o show do Caetano, que ia ser pra 7 mil pessoas em São Bernardo, virasse um show para mais de 30 mil pessoas no Largo da Batata”, acrescentou.

Depois, a atriz Sônia Braga leu uma carta sobre os direitos humanos. Após sua apresentação, a cantora Maria Gadu gritou "Fora, Temer" duas vezes. O público ecoou a crítica ao presidente da República diversas vezes.

A líder indígena Sônia Guajajara subiu no palco e ficou ao lado de Caetano durante a execução de “Um Índio”. Em seguida, ela falou em nome de minorias e puxou o coro de “demarcação já”.


Caetano canta 'Um Índio' ao lado da índia Sônia Guajajara durante festa dos 20 anos do MTST - Foto: Fábio Tito/G1

Criolo se diverte no canto do palco durante show de Caetano no Largo da Batata (Foto: Fábio Tito/G1)

Sônia Braga, Caetano Veloso, Maria Gadú e Criolo agradecem ao público no final do show pelos 20 anos do MTST (Foto: Fábio Tito/G1)




Público começa a chegar a ato do MTST (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)




Música

Em ato do MTST, Caetano deixa discurso de lado por show de tom amoroso

Tiago Dias
Do UOL, em São Paulo
10/12/2017


Caetano Veloso chega ao Largo da Batata para o ato-show nos 20 anos do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) Imagem: Marcelo Justo/UOL


No show que encerrou as comemorações de 20 anos do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), Caetano Veloso resgatou canções históricas de 1967, que inauguraram o movimento tropicalista e canalizaram o sentimento da contracultura na época da Ditadura.

"Alegria Alegria" e "Tropicália" foram cantadas em uníssono pelo público que tomou o Largo da Batata, em São Paulo, neste domingo (10), para comemorar o aniversário do movimento, mas o paralelo entre a época e o Brasil de 2017 ficou restrito apenas à música.

Sem fazer qualquer discurso, Caetano deixou para a plateia o coro de “Fora, Temer”. No refrão de “Odeio”, canção sobre o fim de um relacionamento, como de praxe o público respondeu: "Odeio você, Temer". Segundo Guilherme Boulos, coordenador do MTST, havia 30 mil pessoas no local.


Caetano Veloso com a líder indígena Sônia Bone Guajajara
Imagem: Reprodução/Facebook


No momento mais forte da apresentação, enquanto Caetano cantava "Um Índio", a líder indígena Sônia Bone Guajajara fez um discurso a favor dos sem-teto e da demarcação de terras indígenas: "É a nossa missão tirar das mãos das grandes cooperações esse poder podre que eles têm na mão. Nós podemos lutar pelo direito de lutar e existir."

A presença de Guajajara, junto com “Podres Poderes”, cantado em seguida, foi o momento mais explicitamente político de um show que privilegiou mensagens mais amorosas e manifestos à beleza do Brasil, entremeada por músicas de Criolo, Maria Gadú e Péricles. O ex-Exaltasamba cantou "Eu e Você Sempre" e resumiu o tom da apresentação: "Vamos falar de amor, o mundo está precisando."

Enquanto “Tigreza” e “Vaca Profana” eram cantadas como eco do movimento feminista, em peso no show, “Gente”, com o verso “gente é para viver, não morrer de fome”, trazia à tona as preocupações de um artista sempre muito crítico à esquerda, mas que recentemente tem participado de forma mais ativa de movimentos sociais.
“Minha primeira motivação para colocar-me à esquerda se mantém até hoje: a horrenda desigualdade da sociedade brasileira”, ele diz no capítulo que introduz o relançamento de seu livro, “Verdade Tropical”. “E só faz exacerbar-se no clima dos meses recentes, em que o horror dos conservadores finge se dirigir à corrupção quando é nojo e medo dos pobres, pretos e desorganizados, além de impaciência com estes.”

Convidado do show, Criolo pulou no trio durante toda a apresentação e atiçou a plateia: "Uma salva de palmas para o maloqueiro Caetano", pediu. Vestindo trajes de estilo urbano da Lab, marca de roupas do rapper Emicida, o cantor e compositor de 75 anos sorriu.

No final de “Força Estranha”, após os versos “Por isso é que eu canto, não posso parar, por isso essa voz tamanha”, no entanto, olhou para a plateia que o acompanhava e disse incisivamente: “Esta é a voz”.






Show foi impedido na Justiça

Vestindo a camiseta dos 20 anos do MTST, a empresária Paula Lavigne acompanhou todo o ato com o celular na mão.

Ela é o nome por trás da apresentação, que aconteceria no dia 30 de outubro, na ocupação da Frente Povo Sem Medo, em um terreno de quase 70 mil m² que abriga cerca de oito mil famílias em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Paula e Caetano chegaram a ir ao local, mas foram impedidos se apresentar por determinação da Justiça. Caetano reagiu: "Não sei dizer se foi censura, não sou um técnico. Mas dá impressão de que não é um ambiente democrático", disse. "Pode ser um modo de reprimir uma ação que seria legítima."

Ao lado das atrizes Sonia Braga, Aline Moraes e Marina Person, Paula fez um breve discurso antes da apresentação: "Promessa feita, promessa cumprida. Quero agradecer apenas a juíza que impediu o show em São Bernardo. Você nos deu força, nos deu garra e determinação", disse.