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O
Ciclo Sentimentos do Mundo conta ainda com uma programação de concertos e
espetáculos que são apresentados ao ar livre no campus da UFMG.
Simpatia e carinho com fãs
marcam encerramento da apresentação de Bethânia
Terça-feira, 17 de março de 2009
Depois
da abertura da série Sentimentos do Mundo de 2009, Maria Bethânia conversou com
jornalistas sobre a apresentação no auditório da Reitoria da UFMG. A cantora
disse que se surpreendeu com a recepção. "Foi um acontecimento diferente,
um ambiente muito respeitoso, muito reverente. Eu não sou professora, sou
cantora popular e achei um comportamento lindo."
A
simpatia dispensada ao público, que teve a chance de tirar fotos e recolher
autógrafos da artista, deixou o clima da apresentação ainda mais descontraído.
Maria Bethânia participou do Sentimentos do Mundo a convite do reitor Ronaldo
Tadêu Pena e da professora do Departamento de Letras da UFMG Lucia Castelo
Branco.
“Acho
que a iniciativa é uma contribuição que merece destaque. Trazer a arte para uma
casa de ensino é muito importante”, afirmou a cantora. Segundo Maria Bethânia,
a escolha das obras lidas ocorreu em função de autores com que tem intimidade e
que foram importantes para sua vida. Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Caetano
Veloso e o grupo Titãs tiveram espaço em seu repertório.
Maria
Bethânia contou que, durante o processo de escolha dos textos, ela pensava
exatamente nos alunos, imaginando como poderia dizer em 50 minutos o que pensa.
"Foi trabalhoso, mas gostei do esforço, porque tive a chance de pensar em
como estou hoje. Refletir sobre coisas nas quais normalmente não prestamos
atenção", revelou.
A
performance de Maria Bethânia mesclou leitura e música. “Às vezes eu faço shows
só cantando. Às vezes eu leio. Dá para separar a literatura da música. Mas eu
gosto é de ser intérprete, de misturar”, explicou. Sua mistura não ficou só no
campo da interpretação oral, ela também trabalhou com artistas de diferentes
gerações e contextos.
A
cantora intercalou poetas portugueses com a literatura brasileira, Guimarães
Rosa, Fernando Pessoa e cantou músicas dos Titãs. "Eu sou Brasil, eu sou
misturada”, concluiu.
17/3/2009
Maria Bethânia, abriu a Série
Sentimentos do Mundo, promovido pela UFMG (Universidade Federal de
Minas Gerais), para quem a conhece apenas como cantora, foi uma bela
oportunidade de conhecer toda a ligação de Bethânia com a palavra, com os
textos que sempre disse em seus espetáculos, e sua notória contribuição para a
divulgação da importância da leitura em nosso país.
De Vieira aos Titãs
Maria Bethânia abre Sentimentos
do Mundo em 2009 com leitura de autores que influenciaram a sua
carreira artística
Itamar Rigueira Jr. e Luiza Lages
Pelo menos 700 pessoas se reuniram no
auditório, saguão e mezanino da Reitoria da UFMG para acompanhar, no dia 17
de março de 2009, a apresentação da cantora Maria Bethânia no
programa Sentimentos do Mundo. Durante cerca de 50 minutos,
ela recitou textos de Antonio Vieira, Fernando Pessoa, Cecília Meireles,
Caetano Veloso, Titãs, entre outros autores, e cantou a capella trechos de
canções brasileiras e portuguesas.
O espetáculo marcou a retomada do ciclo
em 2009. Desde 2007, o projeto trouxe à UFMG nomes como o sociólogo Boaventura
de Sousa Santos, o cineasta David Lynch e a ambientalista Danielle Mitterrand.
Antes de começar a leitura, Bethânia elogiou a iniciativa de “trazer expressões
artísticas para uma casa de ensino” e defendeu a “educação plena”. “Acho que estou
aqui porque ouso me expressar com a palavra falada, sempre gostei de emprestar
vida e voz aos personagens que os autores revelam”, ela disse.
Lucia Castelo Branco preparou um texto para
apresentar a artista
Maria Bethânia foi apresentada pela
professora da Faculdade Letras Lucia Castelo Branco. Com um texto poético, ela
lembrou seu primeiro contato com a literatura, ouvindo Clarice Lispector na voz
de Bethânia, a participação da cantora no DVD Língua de brincar, que ela
produziu sobre o poeta Manoel de Barros, e a admiração que a escritora
portuguesa Maria Gabriela Llansol – morta no ano passado – tinha pela cantora
baiana. “Maria Gabriela nunca se encontrou com Bethânia, mas creio que o
desejou profundamente”, disse Lucia Castelo Branco, que prepara um DVD sobre a
faceta “cantora de leitura” de Maria Bethânia.
Assovio
A artista disse que escolheu textos com
os quais tinha intimidade. E começou com Titãs (“a gente
não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”) e Fernando
Pessoa (poema O rio da minha aldeia).
Cantarolou Marinheiro
só, gravada pelo irmão Caetano Veloso, e convidou a plateia a acompanhá-la
quando entoou Calix bento (adaptada do folclore por Tavinho Moura
e consagrada na voz de Milton Nascimento).
Com o conhecido domínio de palco e a
desenvoltura de quem sempre recita textos em seus espetáculos – desde sua
famosa estreia no show Opinião, em 1965, como ela própria lembrou –, Bethânia
se soltou ainda mais depois de alguns minutos e reagiu com bom humor quando
ouviu um assovio do público. “Pensei que em leitura de texto não tinha
isso, faça isso também no meu show”, ela disse.
Ao ler trechos do Sermão de
Santo Antônio, do Padre Antônio Vieira, Bethânia citou o local
em que ele foi lido – São Luís do Maranhão – e enfatizou a data – 1654 –,
chamando a atenção para a atualidade do texto. “O saber e o poder
incham os homens”, escreveu Vieira. Bethânia recitou ainda, entre
outros, Cecília Meireles, Guimarães Rosa e voltou
a Caetano Veloso, com um extrato da letra de Língua (“Gosto
de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões”). Para terminar,
certamente não por acaso, ela escolheu Clarice Lispector: “Simplesmente
eu sou eu. E você é você. É vasto, vai durar. Por enquanto tu olhas para mim e
me amas. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.”
Os aplausos a Maria Bethânia duraram cerca de cinco minutos. Antes de se
despedir do público e deixar o palco, a artista recebeu do reitor Ronaldo Pena
uma placa de agradecimento, com versos do escritor Emílio Moura, ex-aluno e
ex-professor da UFMG.
Reverência
Depois da apresentação, Maria Bethânia
conversou com jornalistas sobre a apresentação no auditório da Reitoria da UFMG
e revelou-se surpresa com a recepção. “Foi um acontecimento diferente,
um ambiente muito respeitoso, reverente”. Simpática, a cantora tirou fotos
com a plateia, majoritariamente jovem, e distribuiu autógrafos. Ela contou que,
durante o processo de escolha dos textos, pensava exatamente nos alunos,
imaginando como poderia dizer em 50 minutos o que pensa. “Foi
trabalhoso, mas gostei do esforço, porque tive a chance de refletir sobre
coisas nas quais normalmente não prestamos atenção”, revelou.
Sobre a mescla de leitura e música que
marcou sua performance, Maria Bethânia comentou: “Às vezes eu faço
shows só cantando. Às vezes eu leio. Dá para separar a literatura da música.
Mas eu gosto é de ser intérprete, de misturar”.
Fotos: Foca Lisboa