“Eu acho que a letra de música não é inferior à
poesia do livro. Eu trabalho com esse espírito. Quando decidi utilizar mais a
música como suporte, alguns poetas recriminaram a minha opção, achando que era
inferior em termos de poética. Mas o ato de criar, tanto para o livro quanto
para suporte musical, exige o mesmo comportamento de mim. É como se fosse um transe,
em que meu orixá é a palavra, e eu recebo a minha poesia”
“Eu acho que a
música é um suporte ágil, faz a poesia entrar em
contato mais facilmente com o
público. Percebi que a música
era de alcance universal e quando eu tive que
fugir da Bahia
[para o Rio de Janeiro], em 1964, por conta desse envolvimento
com o movimento de cultura popular, comecei a fazer parcerias
musicais”,
relembra. São dezenas de colaboradores
acumulados: Paulinho da Viola, Edu Lobo,
Gilberto Gil, Caetano
Veloso, Geraldo Azevedo, João Bosco, Tom Zé.... “O que
não me
falta é parceria”
José Carlos Capinan
Cancioneiro geral [1962-2023], organizado por Claudio Leal e Leonardo Gandolfi, abarca mais de
sessenta anos de trabalho artístico de Capinan, reunindo todos os seus livros
de poesia, além de poemas esparsos e uma vasta seleção das canções escritas
pelo poeta entre 1965 e 2023, seguidos de um posfácio do jornalista Claudio
Leal e textos críticos assinados por José Guilherme Merquior, Ênio Silveira,
Gilberto Gil e Luiz Carlos Maciel.
Lançamento
16 de maio de 2024, na Academia Baiana de Letras (ABL).
Parcerias con Caetano Veloso:
- BONINA (gravada por Marília
Medalha, 1968)
- CLARICE (gravada por Caetano Veloso, 1968; Clara Nunes, 1972 e Orlando Silva, 1973)
MARIA, MARIA (gravada por Maria Bethânia - 1968)
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| José Carlos Capinan - Crédito:
Divulgação/Rodrigo Sombra |
Grande parte de nossa melhor poesia chega ao
público pelas ondas do rádio. Do samba ao rap, da bossa nova aos vários ramos e
gerações da mpb, temos chamado de letristas alguns dos
grandes poetas da língua portuguesa, que muitas vezes não chegam a reunir suas
palavras em livros. Nessa longa tradição, o nome de José Carlos Capinan — ou
simplesmente Capinan — é uma presença das mais significativas.
Desde os anos da Tropicália, seus versos são
musicados por parceiros como Edu Lobo, Fagner, Gilberto Gil, Jards Macalé e
Paulinho da Viola, cantados por vozes como as de Gal Costa, Caetano Veloso,
Elis Regina, João Bosco e Maria Bethânia, regravados por gerações de artistas
e, acima de tudo, cantarolados por milhões de ouvintes, que talvez não saibam
que devem ao poeta baiano as letras de “Soy loco por ti, América” ou “Papel
machê”, entre centenas de outros grandes sucessos que sabemos de cor.
Em paralelo às parcerias musicais, Capinan também
esteve sintonizado com outros caminhos da poesia de sua época, tendo publicado
diversos livros em que sua rara e combativa sensibilidade social se expressa
tão intensamente quanto nos discos.
Como afirma Maria Bethânia, na orelha desta edição,
“Capinan escrevendo é lírico, político, guerreiro, autor raro, brilhante, vivendo
na carne cada verso, cada rima, cada expressão”.