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lunes, 7 de octubre de 2019

2019 - MAJUR



No texto da seção GQ Vozes, Caetano Veloso narra o dia que os dois se conheceram em sua casa em Salvador.


2019
Revista GQ Brasil
Outubro

Caetano Veloso apresenta Majur: "Ouvi-la e vê-la é, hoje, um luxo para os brasileiros"

A convite da GQ Brasil, o ícone da MPB descreve uma de suas vozes mais jovens: “Uma expressão artística saída da zona nuclear da sociedade baiana, de sua história e de seus espontâneos projetos rebeldes”


CAETANO VELOSO
05 OUT 2019 

Um canto e um instante: “É uma menina de 23 anos pertencente à geração que trata desses assuntos de fluidez de gênero com naturalidade”, diz Caetano Veloso
Foto: Vavá Ribeiro



Majur surgiu pela porta da sala de jantar da minha casa em Salvador. Ele veio trazido por Maria Gadú e Lua Leça. Digo “ele” porque, ao ver aquela pessoa de 1 metro e 93, com pernas enormes, sentar-se à mesa, pensei: “Nunca tinha encontrado esse cara alto que chegou com Lua e Gadú. Ninguém me apresentou. Ele fica muito bonito assim com esse cabelo de mulher e essa roupa que poderia ser de mulher, além da gesticulação bem definida no que é visto como feminino hoje em dia”.

Alguns longos minutos depois, ele tinha se aproximado da cadeira que ficava perto da minha e dito: “Nem imaginava que estava vindo a sua casa. Meu nome é Majur”. E conversamos sobre nossas amigas não terem avisado a nós dois sobre o encontro que estava se dando. Demoro muito para comer um prato. Quando repito, então, a mesa fica vazia antes que eu chegue à metade do segundo. Quando finalmente saí da mesa, fomos todos para a sala onde tem sofás e poltronas. Ali ouvi mais Majur. Observei sua beleza peculiar e o casal Gadú-Lua riu conosco do susto duplo que elas nos prepararam.

Dentro de algum tempo Majur estava cantando. A primeira vez que eu a ouvi em música foi “a palo seco”, “a capella”: sem violão ou pandeiro, piano ou xique-xique. Aqui já penso “ela”, escrevo que “a ouvi”. Desde esse instante fiquei sabendo que era indiferente chamá-la de “ela” ou “ele”: diz-se “não binário”. É uma menina de 23 anos, pertence à geração que trata desses assuntos de fluidez de gênero com naturalidade. Mas a voz! A voz!

Majur sem microfone é muito mais Majur. Sem instrumentos e sem microfone, é muito mais do que um canto. Aqui a gente enfim percebe a estética do volume e do timbre.

Depois disso, todos os que estavam naquela sala se enamoraram da personalidade artística de Majur. Mas não paramos por aí. Ela tinha sua história na cidade. Nascera e começara a crescer no Uruguai, não o país que fica ao sul do Rio Grande do Sul e ao leste da Argentina, mas o bairro da Cidade Baixa onde se ergueu o que veio a se chamar de Alagados, conjunto precário e amplo de palafitas que entrou em verso de música dos Paralamas.

Ele – ela – era também um ponto profundo da estrutura da cidade. Menino negro e bonito, que encontrara, juntamente com sua irmã, amparo, compreensão e exemplo na mãe, assistente e educadora social. Esta os levava para ver o que se passava com os menores carentes de quem ela devia cuidar. A irmã de Majur, irmã única e mulher cis, hoje mãe de um bebê, foi sempre uma protetora intuitiva do moleque talentoso e fora do comum.

Majur não é só uma voz potente. Muito menos apenas uma pessoa exuberante, de pele muito lisa e quadríceps deslumbrantes, que não se define pelo sexo biológico em que nasceu. Ele não é um gesto de afirmação política de um grupo ou de uma tendência. Ela é uma expressão artística saída da zona nuclear da sociedade baiana, de sua história e de seus espontâneos projetos rebeldes.

Com sua boca enorme, passa pelos roucos aveludados e pelos ásperos, pelos falsetes delicados e pelos agudíssimos gritos que saem como que de grandes cavernas. Atenta ao carnaval, conhecedora do rap e das ondas de trap e reggaeton, Majur tem ouvido para o desenrolar do rhythm & blues e compõe e canta dentro do gosto pop da história dessa corrente. É o pop captado diretamente pela sensibilidade popular, constantemente refeito por essa sensibilidade que lhe deu nome.

Ouvir e ver Majur é, hoje, um luxo para os brasileiros. Que o Brasil acerte a fazer vozes como a sua ecoarem no mundo. Que sua elegância ensine os modos refinados ao mundo meio desengonçado que temos hoje em dia. E que o brilho de sua pele o ilumine.






domingo, 9 de diciembre de 2018

2018 - MEN OF THE YEAR – 8° Edição


Aconteceu na noite de terça-feira (27/11), a cerimônia de entrega do 8º premio GQ Men Of The Year Award.














28/11/2018
POR REDAÇÃO GQ


O Men of The Year chegou à oitava edição seguindo a tradição. Não faltou gente bonita, elegante e sincera no palco e na plateia do Copacabana Palace. 

Assim como sobrou emoção na hora de receber os prêmios. Tudo como manda o figurino (de gala) da festa anual da GQ.


Zeca Veloso - Foto: Raphael Dias - Getty Images South America


Caetano Veloso entrega prêmio de surpresa ao filho Zeca no MOTY


Ninguém melhor que o pai poderia entregar a honraria ao prodígio músico


Caetano Veloso entrega o prêmio Música ao filho Zeca - Foto: Roberto Filho


Um dos grandes momentos da cerimônia do MOTY 2018 foi na entrega do prêmio Revelação. Surpreendendo a todos, Caetano Veloso surgiu no palco e entregou a honraria pessoalmente ao filho Zeca, capa da GQ no mês de novembro.

"É uma glória estar aqui. Eu vou entregar o prêmio para uma das pessoas mais importantes da minha vida: meu filhinho, Zeca", disse Caetano Veloso. O carinho foi retribuído pelo talentoso filho, seu parceiro de palco na turnê Ofetório, que ainda conta com Moreno e Tom.




"Quero agradecer aos meus pais, que me convenceram a cantar e tocar profissionalmente, quando eu nem pensava mais nisso. Os grandes homens do ano são esses que tem historias lindas de superação, como Kondzilla e Edu Lyra. Esses são os grandes!", falou Zeca.


Kondzilla

Edu Lyra










2018
Revista GQ Brasil
Novembro

Capa: ZECA VELOSO E RUBEL BRISOLLA




Foto: Pedro Loreto