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sábado, 1 de noviembre de 2025

1993 - JOÃO DONATO e GAL COSTA

 






















































Registro inédito guarda último encontro de Gal Costa e João Donato no palco

 

Por Redação O Sul

11 de agosto de 2023


“A gente queria oferecer a vocês uma surpresa muito agradável: Gal Costa, a minha cantora favorita”. É dessa forma que João Donato chama Gal para dividir com ele alguns números de um show que realizou no dia 3 de dezembro de 1993 na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. 

Gal entra em cena e começa a improvisar em cima da melodia de Nasci Para Bailar, uma das composições mais famosas de Donato, que está ao piano. Ao avistar Arnaldo Antunes na plateia, Gal pergunta a Donato o que ele acha de chamar Antunes para o palco. Formam, assim, um trio que durante quase 10 minutos brinca em diferentes andamentos – tudo com condução de Donato e sua banda. 

A certa altura, Donato grita ‘pera’. Os três começam, então, uma divertida brincadeira com nomes de frutas. O ritmo é o bolero. Mas o espírito é puro jazz. O público se diverte e, no final, aplaude por quase três minutos. 

O arquivo em áudio desse encontro, o último no palco entre Gal e Donato, existe – e em excelentes condições sonoras. O guardião dessa preciosidade é o produtor e pesquisador musical Marcelo Fróes, dono do selo Discobertas. 

“Desconfio até que exista registro em vídeo também”, diz Froes. O pesquisador encontrou o material no meio de quase 800 fitas cassetes que fazem parte do acervo de Donato. Fróes as ouviu e catalogou os conteúdos delas entre 2014 e 2016. Ele disse que chegou a propor para Donato em 2021 que o material fosse lançado. 

“Gal também ouviu e mandou dizer que aprovava, mas naquele momento estava lançando produto. Pediu que esperássemos um pouco. Mas aí João (Donato) entrou no estúdio para gravar com (Jards) Macalé e tivemos que esperar. Agora nenhum dos dois está aqui. Como ambos gostaram da ideia, eu resolvi tentar mais uma vez”, diz. 

Registros 

Além de Nasci Para Bailar – canção que Gal nunca gravou – o registro traz Gal e Donato em outras cinco músicas: Até Quem Sabe, A Rã, Flor de Maracujá, Nua Ideia e Verbos do Amor. 

Todas foram gravadas por Gal ao longo da carreira. 

Verbos do Amor, parceria de Donato com Abel Silva, lançada pela cantora no disco

Minha Voz (1982), é executada no show com arranjo diferente do registro original, somente em voz e piano. Uma versão jazzística, com delicados vocalizes de Gal ao final. 

Nua Ideia, parceria de Donato com Caetano Veloso, que Gal gravou no disco Plural, aparece com arranjo bem próximo ao criado pelo próprio Donato para o registro fonográfico. 

Em Até Quem Sabe, A Rã e Flor de Maracujá, o entrosamento de Gal e Donato é total. 

Nas três canções, eles repetem a parceria do disco Cantar, lançado por Gal em 1974. Até Quem Sabe ganha introdução mais longa que a consagrada na gravação original. 

Em A Rã, Gal, aquela altura com uma voz mais madura, evoca a suavidade do seu cantar dos anos 1970. Em Flor de Maracujá, a cantora alonga as notas. 

Sexta Básica 

Essa apresentação ocorreu dentro de um projeto de nome Sexta Básica e marcou o reencontro entre Gal e Donato no palco após quase 20 anos, desde que haviam excursionado com a turnê do disco Cantar. 

Gal, em entressafra de projetos, havia se apresentado apenas uma vez no Rio naquele de 1993. Esses dois fatores geraram grande expectativa em torno do show. Os ingressos se esgotaram rapidamente. “Esse reencontro significou muito para ambos”, diz Fróes, que já produziu tanto relançamentos de Donato quanto de Gal.

 


sábado, 23 de junio de 2018

1981 - DEIXA ESCORRER




“… E a presença de Caetano... A música me foi apresentada por Luis Antonio Correa, e foi feita para a peça O percevejo de Maiakovski. É Caetano, um jeito novo de cantar, que a gente tenta, ousa e pode. …” 
[Elba Ramalho]


"... e a gente escuta coisa como Deixa escorrer, de Caetano, e se surpreende de ser Elba e ser Caetano – alguma alquimia misteriosa tirou tudo do lugar. ..."
[Ana Maria Bahiana]















Gravado e mixado no período de 15 de março a 15 de abril de 1982 nos estúdios Sigla - RJ 
Lançamento: maio de 1982



9/10/1982 - Tárik de Souza - Jornal do Brasil



























 
 


22/10/1982 - Correio Braziliense











1982
Revista FATOS E FOTOS – GENTE
N° 1.108
Rio de Janeiro, 18 de novembro de 1982

Fotos: Rui de Campos

















1982
Revista Amiga – TV Tudo
Novembro - n° 652
Editora Bloch





CAETANO NEM SE LEMBRA DA MÚSICA PROIBIDA
Durante show em São Paulo Caetano falou da censura.


“Não me lembro da letra… disse Caetano”. Teria que ler novamente. Chamou a mulher Dedé Gadelha e perguntou: “Quando é que eu fiz aquela letra para a peça tal?”. Dedé respondeu que foi em abril desse ano para a peça O Percevejo. Mesmo demonstrando total dessinteresse pelo fato de ter mais uma letra proibida, Caetano que tem sido um dos compositores mais visados pelo orgão censor ainda esclareceu “Até agora não me interessei na letra como canção. Quem sabe para o futuro?”.


Para dar por encerrado o assunto, negou-se a dar sua opinião sobre a censura brasileira, preferindo falar sobre o show que realizou para as crianças da Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor) … “Eu achava que ia ser um show normal, pois já havia cantado para crianças carentes em Porto Alegre. Aconteceu o contrário. Foi um negócio emocionante. A meninada cantou e dancou comigo…







“… A Censura proibiu Deixa Escorrer em nome da “moral e dos bons costumes”. Foi proibida para gravação por ter sido considerada “indecorosa” (“Deixa escorrer, deixa melar, deixa crescer… que o amor nao dá para compartimentar”. Na peça, porém, tal letra não causou problemas…”

[Folha de S.Paulo, 19/12/1982]






DEIXA ESCORRER
Letra e música: Caetano Veloso
Da peça teatral “O Percevejo”
Intérprete: NEY COSTA SANTOS

Deixa escorrer
Deixa melar
Deixa bater
Deixa sangrar
O amor não dá pra compartimentar

Deixa subir
Deixa crescer
Deixa cair
Deixa voar
A vida deixa-se contaminar

Pra que viver sem vodca, sem fumo e sem amor
Melhor morrer de vodca, do que de tédio e dissabor

Deixa esquecer
Deixa lembrar
Deixa esconder
Deixa mostrar
A luz, a sombra, o sonho, o sol e o mar

Deixa meter
Deixa tirar
Deixa acender
Deixa pra lá
Não cabe numa estrofe pra cantar