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domingo, 28 de mayo de 2023

1979 - NIGHTINGALE - Gilberto Gil

 

Junho 1978 - Revista POP


1978, Robertinho Silva, Gilberto Gil, Lee Ritenour, Don Grusin e Sérgio Mendes 




Gravado no Kendun Recorders, Burbank, CA, 1978 





























O segundo LP de Gilberto Gil



















Revista NOIZE

14/06/2022


Disco perdido de Gilberto Gil é encontrado e lançado 40 anos depois


Na manhã desta terça-feira o imortal Gilberto Gil, 79, em parceria com o Google Arts & Culture — plataforma online da Google para facilitar o acesso à arte, lançou a mostra digital denominada O Ritmo de Gil. Trata-se da primeira retrospectiva de um artista brasileiro vivo na plataforma global. O acervo tem mais de 41 mil imagens distribuídas em 140 seções, além de 900 vídeos e gravações históricas que foram digitalizadas. 

Uma das relíquias encontradas pelos pesquisadores Chris Fuscaldo e Ricardo Schott, foi um disco nunca antes lançado, gravado em 1982 quando Gil estava em Nova York, com a companheira Flora Gil. O cantor após o lançamento do aclamado álbum Nightingale (1979), que teve como produtor Sérgio Mendes, foi convidado pelo então presidente da Warner Music, André Midani, para continuar a expansão de sua carreira em solos americanos. Logo o artista tirou dois meses de licença do Brasil para a gravação do disco perdido, que foi resgatado por uma fita cassete.

  

Rótulo da fita cassete na qual foi encontrado o álbum de Gilberto Gil, gravado em Nova York em 1982 - Foto: Google Arts & Culture/Reprodução)


“Em 1978, a gente tinha começado essa expansão para o exterior, fazendo shows na Europa. Era uma intenção natural de expandir um pouco mais o trabalho para outras partes do mundo. Aí surgiu essa ideia do disco", diz Gilberto Gil em entrevista com a escritora e jornalista Chris Fuscaldo. 

O artista que esta prestes a completar 80 anos, no dia 26 de junho, comentou que depois da temporada no exterior, no retorno ao Brasil, cancelou o lançamento do disco que tem participação do ícone da voz negra Roberta Flack, na faixa “Jump For Joy”, e produção do percusionista Ralph MacDonald

No disco já surgia a famosa “Estrela”, que Gil só viria a gravar de novo e lançar no álbum Quanta (1997). É a única faixa cantada em português no álbum americano, que no rótulo traz “(Star)” depois do nome original.


“Acho que faltou brasilidade. Senti falta de músicos brasileiros, apesar da excelência dos que participaram”, afirma Gilberto Gil para a jornalista e escritora Chris Fuscaldo - Foto: Rafael Rocha


Durante a gravação no Rosebud Recording Studio, na Broadway, os artistas gravaram nove canções. Na fita cassete estão na ordem as faixas “You Need Love”, “Jump For Joy”, “Estrela (Star)”, “Fill Up The Night With Music”, “Come On Back Tomorrow”, “Somebody Like Me”, “Moon and Star Girl”, “When The Wind Blows” (a versão em inglês de Deixar Você) e “Take a Holiday”. 

Questionado sobre a decisão de cancelar o disco, Gil comenta para Fuscaldo: “Lembro de ter achado que faltavam coisas e sobravam coisas naquele disco. Talvez tenha me incomodado a maneira de produzir muito pragmática. Acho que faltou brasilidade. Senti falta de músicos brasileiros, apesar da excelência dos que participaram. Todos eles tinham experiência em estúdio, de gravações com artistas de variados gêneros musicais. Talvez até por isso eu senti falta de uma certa personalização maior na fabricação do disco.”


domingo, 8 de noviembre de 2015

1988 - LINDA [Você é Linda]




1988 - Carmen Ritenour, Lee Ritenour e Caetano Veloso



 
1988 - LEE RITENOUR

Participación Especial: CAETANO VELOSO

/ 5:28

Álbum “Festival” [Lee Ritenour]

GRP Records LP GR-9570-1, B-2.

GRP Records CD GRD-9570, Track 7.




LEE RITENOUR, 63, é músico, compositor e guitarrista norte-americano.



O festival que deu em 'Festival'
03/05/2015

O "Brazil Projects 88" foi um marco na minha carreira.

No ano anterior eu havia conhecido Carmen –que é brasileira e com quem me casaria–, por meio de Paulinho da Costa, percussionista carioca radicado nos Estados Unidos, e de Arice, sua mulher.

Esse encontro deflagraria um novo capítulo de minha história com o Brasil, que tinha começado no fim da adolescência, quando, aos 19 anos, fui introduzido pelo violonista Oscar Castro Neves a Dorival Caymmi e Tom Jobim. Eu, que já era apaixonado pela música brasileira, comecei a desenvolver minha relação com seus artistas.


Minha então namorada estava em Nova York produzindo o evento –além de uma megaexposição de arte, o "Brazil Projects 88" incluiria uma série de shows no Town Hall, para os quais Carmen estava convidando grandes músicos.


Eu, que estava morando em Los Angeles e preparava um novo álbum, de repente pensei que o melhor seria levar a produção do disco –que sairia naquele mesmo ano, batizado como "Festival"–, para a Costa Leste.


Mal Carmen abriu o apartamento, e eu já lotava a sala com duas "geladeiras" cheias de equipamentos. Quem viveu aquela época sabe muito bem que era necessário um grande volume de traquitanas até para montar uma fita demo caseira, coisa que hoje se faz sozinho, com o seu iPhone.

Passada sua surpresa, Carmen nos apresentou a todos esses músicos brasileiros. Conhecê-los me fez mudar o conceito do disco; queria incluir aqueles artistas que ela reunira para o projeto.

Ato contínuo, eu já estava perguntando ao Caetano: "Hey, você pode tocar no meu disco?".

Eu e esses músicos maravilhosos –Dave Grusin, Marcus Miller, Omar Hakim, Ernie Watts, Anthony Jackson– um dia estávamos no estúdio, fazendo o arranjo de "Você É Linda" quando Caetano entrou pela porta e, ao ouvir nossa versão, disse: "Meu Deus, eu ainda nem me aqueci e vocês já estão tocando a música fantasticamente!".

Ele ficou surpreso e impressionado com o tratamento americano para uma de suas canções clássicas, e satisfeito por aquele conjunto ter conseguido captar a sensibilidade de sua música.


Graças ao Caetano eu conheci o Carlinhos Brown, que na época tocava percussão com ele. Fiquei encantado com a qualidade do seu trabalho e o convidei para tocar também; gravamos juntos quatro músicas e ficaram ótimas.


Por fim, mas não menos importante, foi nessa mesma ocasião que eu conheci João Bosco, outro artista lendário, que também participou de "Festival".


Ainda de outras formas o "Brazil Projects" me tocaria naquele ano. Ter a oportunidade de ver João Gilberto se apresentar foi uma delas.


Todo mundo conhece as suas histórias, sua fama de ser muito excêntrico. Para mim João Gilberto é apenas um artista fantástico, um dos meus favoritos de todos os tempos, um grande herói.


Carmen conseguiu trazê-lo não uma, mas duas vezes aos Estados Unidos –e todo mundo sabe que não é fácil conseguir convencê-lo a ir a qualquer lugar. Ele se convenceu após ouvir, em um programa de entrevistas na TV brasileira, Carmen falando sobre o projeto. Ele percebeu a integridade e beleza da ideia e depois aceitou o convite para participar.


Do mesmo jeito que só houve um Frank Sinatra, com sua forma própria de cantar, não há outro João Gilberto. Conhecê-lo melhor teve em mim um efeito vital.

Foi muito importante para um músico de jazz contemporâneo ter essa aproximação mais profunda, e de uma só tacada, com esses artistas brasileiros.