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viernes, 10 de marzo de 2023

2022 - GAL COSTA

 

“O que a gente pode dizer num momento tão triste nessa perda imensa pra todos.
Gal, você é e sempre vai ser essa luz que abrange tudo com sua voz de puro cristal.
Cante no paraíso que estiver. A gente te ama pra sempre.”

Bruna Lombardi, 9/11/2022







GZH

   BRUNA LOMBARDI

Minha amiga Gal Costa: uma voz tamanha


Estávamos todos na mesma frequência, caminhando na direção do sol, sem lenço e sem documento, sem querer repetir os erros de uma sociedade que não nos traduzia


23/11/2022 


Agora é o silencio. Porque depois da voz dela se espalhar no ar, depois do mundo cantar junto, depois de fazer a vida ficar melhor e tão mais bonita, depois de você, Gal, só o silêncio. 

Um silencio imenso e profundo, onde todas as vozes, os murmúrios, o burburinho das pessoas ficou num outro plano, desaparecendo ao fundo da cena, sumindo dentro de uma súbita neblina que cobriu tudo. De repente o show parou. O palco ficou vazio. No centro, no foco de luz, sua ausência. 

Aos poucos sua voz vai ser multiplicada e por todos os lados, como jorros de luz, vamos escutar esse som que vem dos anjos, de algum lugar que é puro deslumbramento. 

Os planos da minha memória se sobrepõem. Recebi a notícia ao embarcar e agora, do meio das nuvens, revejo fragmentos de uma história. Gal Costa se foi e com ela se vai uma era. 

Um país que tive a sorte de vivenciar, um sonho do qual fiz parte, uma emoção sem fim. 

Começa na minha adolescência, descobrindo maravilhada um mundo que falava de paz, amor e liberdade. Uma explosão de idéias e talentos, expressões, roupas, atitudes, liberdade, sexo e música, muita música. 

Meu nome é Gal, cantava aquela voz de cristal, um clima selvagem nas dunas da Gal, cabelos soltos, roupas leves, corpos flutuantes e um verão que parecia nunca ter fim.

A gente cantava nas ruas e mesmo sem dinheiro pra ir no show sentia a vibração desse novo tempo onde a Gal surgia já icônica. 

Esse foi o mundo que me encantou e me deu um norte, um rumo, um pertencimento. Estávamos todos na mesma frequência, caminhando na direção do Sol, sem lenço e sem documento, sem querer repetir os erros de uma sociedade que não nos traduzia. 

A vida era jovem e tinha uma proposta. Tinha uma clara filosofia. Uma mudança de valores, a perspectiva da grande transformação. 

Era o Brasil anos 70 em plena Ditadura, Censura e Repressão. A Arte era uma forma de resistência, a manifestação de um infinito talento que criou esperança de um mundo possível. 

Sobrevivemos de paixão, tesão e alegria.

Nem todos sobreviveram, mas essa é outra história. 

Agora aqui, no meio das nuvens, revejo amigos e sei como tudo isso foi me mostrando o caminho. O astral feliz dessa gente linda deu significado pras coisas e foi parte da matéria prima que me faz ser o que sou. 

Eu era a menina que queria abraçar toda a extensão do planeta e a Gal explodia sensual na trilha sonora. 

O mundo discutia a Revolução Sexual, o Poder do Feminismo, do Movimento Black Power, a Contracultura e tantas outras questões fundamentais para construção de uma nova sociedade. 

A poesia concreta nas esquinas de Sampa, o Xingu e suas terras demarcadas graças aos irmãos Villas-Boas, os intelectuais brilhavam, o mundo buscava cultura, inteligência, beleza. Gente é pra brilhar e não pra morrer de fome. 

O Ri e eu apaixonados íamos em todos os shows, doces bárbaros, Caetano, Gil, Bethânia, Gal, Chico, Milton Nascimento, Rita Lee, Djavan, Cazuza, Marina. Nessa altura já éramos todos amigos, frequentávamos as casas uns dos outros, bares, conversas, risadas. Tudo perigoso, tudo divino maravilhoso. 

Gal, amiga querida, você é pra sempre.




miércoles, 8 de noviembre de 2017

2007 - SOZINHO NA CIDADE




Letra: Bruna Lombardi
Música: Carlos Alberto Riccelli

Pra onde ela foi a cidade que eu tinha
e tudo o que era meu...
Eu tinha o chão, tinha o céu e agora
nem sei o que aconteceu.

Você foi embora e a rua vazia
a casa vazia doeu...
Ainda queria dizer tanta coisa,
mas não deu...

Pra onde foi tudo o que eu tinha
pra onde você foi
E eu
vou pra onde?

Aonde a gente se esconde
do que aconteceu...
Ainda queria dizer tanta coisa,
mas não deu...

Nessa cidade tão cheia de gente
Ninguém sabe o que você sente
Ninguém quer saber de ninguém


Voz: Caetano Veloso
Baixo, arranjo: Sérgio Bartolo
Arranjo: Zé Godoy 




2007 - CAETANO VELOSO

O SIGNO DA CIDADE
Trilha sonora original do filme de Carlos Alberto Riccelli
Europa Filmes DVD D-5481, Track 2. [2009]


2008 - O livro




São Paulo, quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Retrato de SP, "O Signo da Cidade" chega à tela em 25/1

SILVANA ARANTES
DA REPORTAGEM LOCAL 

No próximo aniversário de São Paulo, dia 25 de janeiro, os paulistanos Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi revelam ao público seu retrato filmado da metrópole, lançando o longa "O Signo da Cidade", que tem roteiro dela e direção dele.

Já exibido e premiado em festivais, o filme acompanha histórias paralelas, alinhavadas pela voz e pelos conselhos da locutora Teca (Lombardi).

Enquanto comanda um programa noturno de rádio, que serve de refúgio para a solidão e a angústia da maioria das demais personagens, Teca atravessa um período de vácuo amoroso e de revisão da própria história familiar.

Bruna e Riccelli estenderam sua parceria criativa até à trilha sonora do filme. Foi escrita por ela e musicada por ele a canção "Sozinho na Cidade", gravada especialmente para o filme por Caetano Veloso, autor de "Sampa", uma definitiva síntese musical da cidade.

Os versos de "Sozinho na Cidade" têm um tom indagativo. "Pra onde foi tudo o que eu tinha / Pra onde você foi / E eu / Vou pra onde?". A dúvida sobre o próprio destino é o sentimento que domina o personagem do jovem Gabriel (Kim Riccelli), no momento em que a música se associa às imagens dele.

Estréia

"O Signo da Cidade" marca a estréia no cinema do ator Kim Riccelli, filho da roteirista e do diretor. Bruna conta que escreveu o papel pensando em Kim para interpretá-lo. Ela fez o mesmo com os personagens desempenhados por Juca de Oliveira, Denise Fraga, Graziella Moretto e Luis Miranda.

Riccelli afirma que, "quando você tem o ator certo, já é meio caminho andado" e diz que, por isso, "foi muito simples" a relação com o elenco. Mas o diretor cita sua própria experiência como intérprete de personagens para ressalvar: "Ao mesmo tempo, sei que nada é simples para um ator".

Bruna diz que a "delicadeza" é a característica mais marcante de Riccelli no trato com os atores e corrobora a avaliação dele sobre a permanente complexidade do ato de interpretar. "Mesmo tendo escrito o filme, fui para o set mais perdida do que qualquer outro ator", diz.

Como roteirista, ela estava segura, desde a primeira linha do texto, de que queria abordar temas como "a invisibilidade" e tratar "dos heróis anônimos, aqueles que seguram a barra, mas são esquecidos na estrutura social, sendo que, sem eles, a estrutura arrebenta".

O ímpeto de falar desse tema está relacionado à constatação de Bruna de que "os valores humanistas viraram um luxo que se perdeu e estamos massacrados por valores que não são exatamente os nossos".

A acolhida que "O Signo das Cidade" teve em festivais fez diretor e roteirista sentirem-se "recompensados por acreditar na inteligência do público"




25/01/08

Famosos prestigiam pré-estréia de longa de Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli

Atores recebem convidados no Cine Odeon, no centro do Rio de Janeiro

Do EGO, no Rio

Kim, Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli: estréia em família

Bruna Lombardi estava radiante na pré-estréia de "O Signo da Cidade", filme que escreveu, produziu e no qual também atua, na noite desta quinta-feira, 24, no Cine Odeon, no centro do Rio.

“É tudo que sonhei fazer: um elenco extraordinário, músicas de Caetano e Maria Bethânia, a reação do público que foi ótima durante o festival e, claro, o trabalho ao lado de meu filho e marido", elogiou a atriz, que no longa atua como a astróloga Teca ao lado de Kim e foi dirigida por Carlos Alberto Riccelli.

Além de comemorar o trabalho em família, a atriz fez questão de dedicar a sessão aos autores da trilha musical.

“Escrevi duas poesias e tive o grande prazer delas terem se tornado músicas na voz de Caetano e Bethânia”.


Bruna recebe abraço de Malvino Salvador


PARCERIA DE VIDA

Esta é a segunda vez que o casal de atores Bruna e Riccelli divide parceria em um longa-metragem. O primeiro foi “Stress, Orgasms and Salvation”, filmado em Los Angeles.

“Para mim não atrapalha em nada trabalhar com a Bruna. É a mesma coisa que dirigir uma outra atriz, nós separamos muito bem o trabalho da vida pessoal. Muitas vezes isso até ajuda, nossa comunicação é muito boa, muitas vezes um olhar já basta”, disse Ricceli.

Sobre os projetos de turnê com o novo filme, o diretor revelou: “Ficamos gratos com os prêmios que recebemos do júri popular. Pretendo viajar com o filme por todo o Brasil, quero fazer com que ele alcance o maior número de público. Vamos fazer algumas sessões com preços populares para que todos consigam assistir”.


As atrizes Laís Marques e Eva Wilma, que fazem parte do elendo de 'O Signo da Cidade' 

ESTRÉIA 

Não menos empolgado com a estréia estava Kim Riccelli, que está atuando pela primeira no cinema nacional.

“Estou esperando o máximo pelo o filme, coisas ótimas. Qualquer que seja a sua história, você vai se identificar com algum personagem”, contou Kim, formado em teatro pela Universidade da Califórnia (UCLA). 

Malvino Salvador também faz o seu début na telona em "O Signo da Cidade". Ele foi convidado pessoalmente por Bruna e Riccelli para interpretar o marceneiro Gil, vizinho de Teca.

“O filme é extraordinário, adorei fazer. Ele retrata emoções, sonhos, esperanças”.


ELENCO
A veterana atriz Eva Wilma interpreta Adélia, uma mulher bem otimista diante das dificuldades do mundo.

“O filme é um painel da grande metrópole, aborda violência e emoções de uma forma poética”, disse a atriz.

Do elenco também estavam presentes Ana Rosa, Laís Marques, Luiz Miranda, Manoel Carlos, Paulo Betti, Nelson Xavier, Flávio Bauraqui, Débora Olivieri, Zelito Viana. 


Sinopse


Enquanto astros e estrelas se movem pelo céu de São Paulo, atirando sua mágica ao acaso, homens e mulheres perguntam o que será de seus sonhos e desejos. Gil está casado e só. Lydia flerta com o perigo. Josialdo nasceu para ser mulher. Mônica só quer se dar bem. No programa noturno de rádio em que atende ouvintes anônimos, a astróloga Teca se vê entre os anseios dos outros e seus próprios problemas. Aos poucos, o destino enreda a todos numa única teia. Na luta para romper o isolamento e achar o rumo da redenção, eles vão descobrir o poder transformador da solidariedade.


Direção: CARLOS ALBERTO RICCELLI
Roteiro: BRUNA LOMBARDI
Direção de fotografia: MARCELO TROTTA
Direção de arte: MARA ABREU
Figurino: PAULA IGLECIO
Música: SÉRGIO BÁRTOLO e ZÉ GODOY
Edição: MARCIO HASHIMOTO SOARES
Diretor-assistente: KIM RICCELLI
Produtores: BRUNA LOMBARDI e CARLOS ALBERTO RICCELLI
Produtor Executivo: ARY PINI
Produtores associados: DANIEL FILHO e GEÓRGIA COSTA ARAÚJO
Produtora: PULSAR PRODUÇÕES
Distribuição: EUROPA FILMES / MAM

Elenco
BRUNA LOMBARDI (Teca)
JUCA DE OLIVEIRA (Aníbal)
MALVINO SALVADOR (Gil)
GRAZIELLA MORETTO (Mônica)
LUIS MIRANDA (Sombra)
SIDNEY SANTIAGO (Josialdo)
LAÍS MARQUES (Júlia)
ROGÉRIO BRITO (Orievaldo)
MARCELO LAZZARATTO (Rafa)
THIAGO PINHEIRO (Luís)
BETHITO TAVARES (Biô)

Apresentando:
KIM RICCELLI (Gabriel)

Participações especiais:
FERNANDO ALVES PINTO (Devanir)
CRISTINA MUTARELLI (Hilda)
IRENE STEFANIA (Isadora)
ZÉ CARLOS MACHADO (Delegado)
ANA ROSA (Mãe de Biô)
SELMA EGREI (Celeste)
VALÉRIA LAUAND (Enfermeira Yolanda)
WANDI DORATIOTTO (Cara do estacionamento)
IARA JAMRA (Agente de viagens)

Atrizes convidadas:
DENISE FRAGA (Lydia)
EVA WILMA (Adélia)


Fonte: ACADEMIA BRASILEIRA DE CINEMA