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domingo, 12 de julio de 2026

2009 - J. VELLOSO e Os Cavaleiros de Jorge

 

​"A motivação principal para esse disco foi o registro de canções que nasceram durante um período em que eu vinha fazendo muitos shows. Queria aproveitar o prazer de cantar e compor com outros parceiros. Esse disco teve a felicidade de ser lançado pelo selo Quitanda/Biscoito Fino, após a audição feita por Maria Bethânia, que, gostando do resultado do trabalho, me fez o convite para lançar pelo seu selo."

J. Velloso

 









J. Velloso e Os Cavaleiros de Jorge





          

2009

J. Velloso e Os Cavaleiros de Jorge é mais um lançamento (direção artística Maria Bethânia). O disco traz músicas inéditas deste grande compositor e músico baiano. Destaque para as participações especiais de Virgínia Rodrigues (Doida para amar), Jorge Vercillo (Verde Saudade) e Jorge Mautner (Oração para São Jorge), entre outros.

 

FICHA TÉCNICA DO DISCO

Direção Artística: J. Velloso
Produção Musical: Alex Mesquita e Jaime Alem
Produção Executiva: Alex Mesquita e Luzia Moraes
Banda Os Cavaleiros De Jorge: Luciano Salvador Bahia, Gustavo Caribé, Dailha Mendes e J. Velloso
Vocais: Nair de Cândia, Jurêma de Cândia, Viviane Godói, Rafael Godói e Jaime Alem
Gravação: Home Studio Curva Do Tempo e Estúdio Biscoito Fino (Voz de J. Velloso, vocais e violões de Jaime Alem)
Engenheiro de gravação: Alex Mesquita (Home Studio Curva Do Tempo)
Engenheiro de gravação e mixagem: Fernando Prado
Técnicos assistentes de gravação: Gustavo Krebs e Lucas Ariel
Edições digitais: Gustavo Krebs
Criação de encarte: Maria Bethânia
Fotos: Sora Maia
Fotos do camaleão: Paulo Alberto



FAIXAS


01. JORGE VALENTE / ORAÇÃO PRA SÃO JORGE
Intérprete: J. Velloso e Jorge Mautner
Autoria: J. Velloso / Domínio Público
Editora: Direto / Domínio Público


02. KIRIMURÊ / CANINDÉ
Intérprete: J. Velloso e Jaime Alem
Autoria: J. Velloso
Editora: Nossamúsica / Direto


03. MEDO
Intérprete: J. Velloso
Autoria: J. Velloso
Editora: Direto


04. FOGUETE
Intérprete: J. Velloso e Silvinho do Acordeon
Autoria: Roque Ferreira / J. Velloso
Editora: Universal


05. MODA DE VIOLA
Intérprete: J. Velloso e Paulo Dáfilin
Autoria: J. Velloso
Editora: Direto


06. CAMALEÃO VAIDOSO
Intérprete: J. Velloso
Autoria: J. Velloso
Editora: Direto


07. FEITICEIRA
Intérprete: J. Velloso
Autoria: Roberto Mendes / J. Velloso
Editora: Direto


08. VERDE SAUDADE
Intérprete: J. Velloso e Jorge Vercillo
Autoria: Roberto Mendes / J. Velloso
Editora: Direto


09. ME DÁ UM CHEIRO AMOR
Intérprete: J. Velloso e Silvinho do Acordeon
Autoria: Roque Ferreira / J. Velloso
Editora: Direto


10. ESSA VERDADE
Intérprete: J. Velloso e Mario Ulloa
Autoria: Luciano Salvador Bahia / J. Velloso
Editora: Direto


11. IPOD
Intérprete: J. Velloso
Autoria: J. Velloso
Editora: Direto


12. DOIDA PARA AMAR
Intérprete: J. Velloso e Virgínia Rodrigues
Autoria: Roberto Mendes / J. Velloso
Editora: Direto


13. EU SOU PRETO / CITAÇÃO: SONHO MEU / CITAÇÃO: AXÉ DA LUA
Intérprete: J. Velloso e Luizinho do Jêje
Autoria: (J. Velloso / Mariene De Castro) / (D. Ivone Lara / Délcio Carvalho) / Cacau Da Bahia
Editora: Direto / Warner Chappell (Addaf) / Direitos Reservados

 


miércoles, 17 de septiembre de 2025

2025 - GAL COSTA - AS VÁRIAS PONTAS DE UMA ESTRELA – Ao vivo no Coala

 

1983 - Chico Buarque, Gal Costa e Edu Lobo

A História de Lily Braun (Edu Lobo/Chico Buarque) composta para a trilha do balé "O Grande Circo Místico"






17/9/2022



"E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê"





A HISTÓRIA DE LILLY BRAUN - Ao Vivo

Gal Costa

(Edu Lobo/Chico Buarque)

2025 Biscoito Fino

Lançamento: 17/9/2025 (plataformas digitais)

 

Banda: 

Fábio Sá (baixo elétrico e acústico)

André Lima (piano)

Victor Cabral (bateria e percussão).


Producer: Marcus Preto

Mixing Engineer: Duda Mello

Mixing Engineer: Moreno Veloso

Mastering Engineer: Alexandre Rabaço

A And R Coordinator: Rafael Freire

Music Publisher: Lobo Music (Abramus)

Music Publisher: Marola Edições



A HISTÓRIA DE LILY BRAUN

1983 © - Marola Edições Musicais Ltda.
Todos os direitos reservados
Direitos de Execução Pública controlados pelo ECAD (AMAR) Internacional Copyright Secured
 

 

Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
 

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz
 

E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou
 

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues
 

Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris
 

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê
 

Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar
 

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz


jueves, 28 de noviembre de 2024

2010 - MARIA BETHÂNIA e PAULO CÉSAR PINHEIRO - Biscoito Fino

 









5/11/2010 - Maria Bethânia, Paulo César Pinheiro, Mestre Cobra e o elenco do espetáculo BESOURO CORDÃO DE OURO




São Paulo, quarta-feira, 10 de novembro de 2010 


música


Maria Bethânia reforça seu lado B e lança Paulo César Pinheiro


Cantora grava disco com poucos sucessos e álbum de compositor sobre mito da capoeira

"Capoeira de Besouro", de Paulo César Pinheiro, sai simultaneamente ao registro ao vivo "Amor Festa Devoção"



5/11/2010 - Maria Bethânia e o músico Paulo César Pinheiro no lançamento de seus novos discos na sede da gravadora Biscoito Fino, no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro (RJ) - Foto: Rafael Andrade/Folhapress


LUIZ FERNANDO VIANNA
DO RIO

Desde 2003, quando se associou à Biscoito Fino para realizar "Brasileirinho", Maria Bethânia vem lançando discos próprios ou alheios (por seu selo Quitanda) com forte presença de tradições culturais e religiosas e frágil apelo comercial. 

A opção pelo lado B se renova. "Amor Festa Devoção" é mais um registro ao vivo de Bethânia, no qual um Gonzaguinha aqui e um Caetano Veloso ali são exceções no repertório com poucos sucessos dentre muitas faixas (36 no CD duplo, incluindo os "pot-pourri", e 42 no DVD). 

"Não existe mais disco na vida real. Esse aí vai vender uns 12, 14 exemplares. Eu faço porque eu gosto", diz ela.

 

BESOURO


Foi por gostar muito de "Capoeira de Besouro" que a cantora decidiu lançar o CD de Paulo César Pinheiro por seu selo. O disco é a trilha da peça que o compositor escreveu sobre a vida de Manoel Henrique Pereira, o Besouro, mito maior da história da capoeira, nascido no final do século 19 em Santo Amaro da Purificação, a cidade natal da baiana Bethânia -seu pai conheceu o capoeirista.
 

"É a cara da Quitanda: um Brasil caboclo, menos urbano e sofisticado, do interior.
Não é um disco careta, para estudiosos discutirem se o berimbau está afinado em não sei que nota. Ele é caloroso, amoroso, verdadeiro.
"
 

Das 15 faixas do CD, 14 são inspiradas em toques de berimbau usados nas rodas de capoeira -a outra é um samba de roda. Pinheiro escolheu a estrutura para pontuar o personagem que está na origem de sua carreira. 

Sua primeira letra de sucesso, "Lapinha", tinha como refrão um canto de Besouro: "Quando eu morrer, me enterre na Lapinha/ Calça-culote, paletó-almofadinha". Ele ainda não sabia quem era o autor, embora já conhecesse o mito graças à leitura de "Mar Morto", de Jorge Amado. 

De lá para cá, não parou de se interessar pelo capoeirista, concluindo em 2004 a peça "Besouro Cordão de Ouro", que até hoje roda o país. 

Embora não costume cantar, preferiu gravar ele mesmo as músicas. 

"Sou mais íntimo delas do que os próprios atores da peça", explica Pinheiro, apostando que a qualidade da produção possa inspirar outros sobre tradições. "Como diz Bethânia, nossos amigos [compositores] se afastaram dessa música".



Maria Bethânia e Paulo César Pinheiro

Dupla celebração de grandes nomes da MPB

10/11/2010


Um encontro de dois grandes nomes da MPB, no Rio. Para marcar seus 45 anos de carreira, Maria Bethânia (64) lançou o CD duplo e o DVD do show “Amor, Festa, Devoção” na sede da gravadora Biscoito Fino. 

Ao mesmo tempo, Paulo César Pinheiro (61) festejou novo álbum, “Capoeira de Besouro”, pelo selo Quitanda, de Bethânia. "O trabalho do Paulo tem grande sofisticação poética", elogia ela.



Maria Bethânia e Paulo César Pinheiro - Foto: Ivan Faria






AMOR FESTA DEVOÇÃO
Maria Bethânia
Biscoito Fino
DVD, CD e Blu-ray


Amor, Festa, Devoção, a turnê de Maria Bethânia que emocionou o Brasil e a Europa ao longo do último ano, ganha seu registro definitivo em um DVD. 

Além das canções de seus 2 discos anteriores “Tua” e “Encanteria”, o repertório do show inclui grandes clássicos da carreira da intérprete, como “Explode Coração” e “O Que É, O Que É”, e sucessos de Caetano Veloso, como “Dama do Cassino”, “Não Identificado” e “Queixa”. 

No ano em que completa 45 anos de carreira, Maria Bethânia dedica este trabalho à Dona Canô. Como o título sugere, amor, festa e devoção norteiam. “São palavras que me dão norte e que têm como subtexto a fé, a esperança e a caridade, características fortes em minha mãe”, explica Bethânia – que dedica o show à sua mãe, Dona Canô. 

O DVD, dirigido por André Horta e Lizanne Paulo, foi gravado em março de 2010, no Vivo Rio e conta com músicas extras, além de um registro inédito de Maria Bethânia, feito em 2004.






CAPOEIRA DE BESOURO
Paulo César Pinheiro
Quitanda











miércoles, 12 de junio de 2024

2012 - BETHÂNIA E AS PALAVRAS

 





Maria Bethânia diz que não tem muita coragem de falar com Deus

Nesta semana, em seu programa Viver Com Fé, que vai ao ar no canal pago GNT, nesta quarta-feira (20/6), às 21h30. Cissa Guimarães terá uma conversa muito especial com Maria Bethânia. Durante a entrevista, a cantora admitiu que é devota de Nossa Senhora. 

“Tudo meu é com ela porque não tenho muita coragem de falar com Deus”, confessa Bethânia. 

A cantora também contou à Cissa que sua oração predileta nas horas de aperto, de preocupação ou de alegria é a Ave Maria. E, como não podia deixar de ser, as duas lembraram da sábia Dona Canô, mãe de Bethânia e Caetano, que tem mais de 100 anos. 

“Ninguém pode viver sem amor, sem festa e sem devoção”, citou a cantora, a frase tão usada por sua mãe e as duas se emocionaram. 



20/6/2012

























Maria Bethânia se apresenta para plateia de famosos no Rio

Cissa Guimarães foi ao teatro conferir o novo show de Maria Bethânia, na noite desta segunda-feira (2/7) no Theatro Net Rio, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. A cantora apresentou o show "Bethânia e as Palavras" no projeto Dia de Biscoito.








martes, 4 de junio de 2024

2012 - OÁSIS DE BETHÂNIA / CARTA DE AMOR

 

O GLOBO

30/03/2012

Bem acompanhada, Maria Bethânia lança disco ‘solitário’

Álbum soa como resposta, ora doce, ora dura, às críticas recebidas por blog de poesia


Leonardo Lichote


Mônica Imbuzeiro 


RIO - No fim de 2011, Maria Bethânia teve o impulso de entrar em estúdio para preparar um disco. Só sabia, então, que queria fazê-lo sozinha. 

— Queria assinar, arcar com toda a responsabilidade. Meu desejo era por algo solitário, me expressar só. Se pudesse, faria à capela — exagera, sorrindo. — Porque nasci só, vou morrer só, não tenho filhos... Sou só. 

Paradoxalmente, porém, o núcleo do CD "Oásis de Bethânia" (Biscoito Fino) está em "Carta de amor" — com refrãos de Paulo César Pinheiro e texto da cantora —, que já na abertura anuncia o oposto da solidão: "Não mexe comigo/ Que eu não ando só". Em seguida, Bethânia declama: "Eu tenho Zumbi, Besouro, o chefe dos Tupis/ (...) Eu tenho Jesus, Maria e José". E continua: "Eu posso engolir você/ Só pra cuspir depois". Palavras que podem ser lidas como resposta às críticas dirigidas a ela quando se soube que o Ministério da Cultura autorizou a captação de R$ 1,3 milhão para o projeto que ficou conhecido como "blog da Bethânia" — proposto a ela por Hermano Vianna, ele consistia na publicação de 365 vídeos com a cantora declamando poemas. 

— Eram palavras que eu precisava dizer. Uma urgência. Quem quiser vestir a carapuça que vista — diz a cantora sobre "Carta de amor", justificando o longo silêncio desde a polêmica, há um ano. — Estava fazendo coisas, mas nada que precisasse que eu falasse com a imprensa. Até porque o assunto ia ser só um. 

Musicalmente, Bethânia também não anda só. Apesar da instrumentação econômica que confirma seu desejo de solidão (muitas vezes há apenas um músico a seu lado), ela se cercou de boa companhia em "Oásis de Bethânia". Depois de ter Jaime Alem como fiel arranjador por 30 anos, a cantora convidou Jorge Helder (que assina com ela a "criação geral" do CD), Djavan, Hamilton de Holanda, Lenine, Mauricio Carrilho, Marcelo Costa e André Mehmari, além do próprio Alem, para assinar os arranjos — ao espalhar a autoria entre muitos, ela acaba reafirmando sua assinatura, solitária, como a mais forte do disco. 

Das dez faixas, cinco são inéditas

Para cada faixa escolhida, vinha à sua mente o arranjador ideal. "O velho Francisco", de Chico Buarque — compositor ao qual a cantora planeja dedicar uma série de CDs ("No mínimo 12!", diz, rindo) — ficou a cargo de Lenine ("Seu Lenine é o que há de mais tradicional e mais moderno, traz uma novidade no entendimento rítmico"). Alem faz "Fado" ("A exuberância dele na viola, para mim, seu forte"). Carrilho está em "Calúnia" ("Seu violão filho de Baden"). 

— A primeira que pensei foi "Lágrima". Ouvia muito com Orlando Silva, já cantei, mas nunca pensei em gravá-la. Quis logo chamar o Hamilton (de Holanda, bandolinista). Gravamos juntos, ao vivo. Quase todo o CD foi assim. Ouvi "Salmo" (de Raphael Rabello e Paulo César Pinheiro) com Amélia Rabello e o próprio Raphael. Quando ouvi o violão dele, pensei: "Não posso gravar com violão". Chamei o (pianista André) Mehmari, que foi lindo. Aliás, depois que me botaram no pelourinho, tive muita sorte com essas pessoas que chamei. Vieram com tanta doçura, parecia uma coisa de Deus, unguentos de Maria de Bethânia mesmo. 

Ela faz referência à personagem bíblica que ungiu os pés de Cristo e batizou a cidade israelense Maria de Bethânia, que inspirou o nome do CD: 

— Conheci a cidade, que fica num oásis — conta, lembrando que o nome foi retirado do texto de "Carta de amor". — E meu oásis é o sertão, como na foto de Gringo Cardia na capa do disco. 

Com dez faixas, "Oásis de Bethânia" — lançado junto com o aplicativo da cantora para iPhone — traz cinco inéditas: "Vive", de Djavan; "Casablanca" e "Fado", de Roque Ferreira (que tem três no CD); "Calmaria", de Jota Velloso; e "Carta de amor": 

— Djavan me disse: "Desde 1978 não componho para você, quero fazer isso agora". Falei para escrever sobre o que quisesse e ele veio com uma de suas melhores. Já "Calmaria" tem a ver com meu momento de isolamento. E Roque, fora do samba de roda, mostra sua grande admiração pelo Caymmi romântico. 

Num acaso, "Vive" acaba tocando numa ideia central do CD: o saber viver. Ou seja, chorar quando for para chorar ("Lágrima"), louvar a grandeza da existência ("Salmo"), ter a consciência da calmaria e da tempestade ("Calmaria"), assim como da passagem do tempo ("O velho Francisco"). E, acima de tudo (referência ao episódio do blog?), marcar a poesia como uma instância superior da vida. Bethânia sorri com a observação sobre a repetição no CD de palavras como poesia e poeta e destaca uma ocorrência: 

— Fiquei muito com o repertório de Dalva (de Oliveira) para fazer o disco. E "Calúnia", sobre essa mulher que foi traída, caluniada, me pareceu uma boa preparação para "Carta de amor". "Deixa a calúnia de lado se de fato és poeta" (cita o verso de "Calúnia"). Boa parte da grandeza da canção está aí.
















Foto: José Raphael Berrêdo 



29 de março de 2012

Bethânia lança 50º disco e prepara show para o segundo semestre

De fora do álbum, Caetano terá música incluída no palco, promete cantora.

Aplicativo e rádio são lançados nesta quarta (28/3); CD sai na sexta (30/3).

José Raphael Berrêdo (Do G1 RJ)


A foto de Gringo Cardia na capa do 50º CD de Maria Bethânia, que chega às lojas na próxima sexta-feira (30), mostra o sertão de Alagoas, numa paisagem silenciosa. Trata-se do "Oásis de Bethânia", título do disco, e o retrato do lugar que a cantora imagina para se manter centrada, com os pés no chão. 

"Sertão é onde não tem nada. Não tem água. Falta tudo. É um limite que Deus coloca. Para mim, é como se fosse uma fonte, uma nascente pura. Tenho sempre que lembrar que existe esse lugar no meu país. Me bota do tamanho que eu sou. É a vida seca. É o filho de Deus, criado sem apoio, sem ajuda, sem nada. Retrata muito a coisa árida do mundo, e ao mesmo tempo o amor que o sertanejo tem por sua terra", explicou a cantora nesta quarta-feira (28), na entrevista coletiva para o lançamento do novo trabalho, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro.

 

 

"O sertão me coloca do 
tamanho que eu sou"

 

Bethânia

 

Em cada uma das 10 faixas (metade delas inéditas), Bethânia convidou um artista para fazer arranjo original, sobre música autoral ou não. Djavan assina sua própria e inédita "Vive", na qual ainda toca violão. Lenine cria sobre "Velho Francisco", de Chico Buarque ("Precisava de mais pegada, o Chico é suave e o Lenine dá uma pancada", explicou). Hamilton de Holanda, Jorge Helder, Jaime Além, Maurício Carrilho, Marcelo Costa e André Mehmari também assinam canções intepretadas pela Abelha Rainha da MPB. 

"Como o Brasil tem apresentado uma geração de extraordinários músicos, queria estar perto deles de algum modo. Como sou muito intérprete, mais do que cantora, era um sonho que não sabia se poderia realizar. Tive a alegria de eles se interessarem. E vieram lindos, amorosos. O resultado saiu como eu queria." 

Um compositor em especial ficou de fora: o irmão Caetano Veloso. "Na primeira lista ele estava, com uma canção estranhíssima, que fez em 1967 para mim. Ele musicou um poema de Sá de Miranda. Mas quando eu terminei, vi que estava sobrando. É mais uma coisa que eu posso guardar para a cena. O espetáculo que pretendo para o disco tem que ser diferente." 


Na rede

Bethânia concordou em fazer da internet o principal meio de divulgação do CD. Ignorante confessa do meio, no entanto, deixou a cargo da gravadora as questões virtuais. "Agora tudo é internet. Vocês estarem aqui hoje eu sei que é uma coisa antiquíssima, do século 18. A gravadora procurou ver a melhor maneira e me falou que seria pela internet, como todos hoje, Chico (Buarque) e Marisa (Monte). Acho maravilhoso, legal que façam. Eu só sei fazer o que  sempre fiz, sentar e falar sobre o meu trabalho. Sei que tem um monte de coisa aí e se é útil para a música, para o trabalho, é interessantíssimo, mas confesso total ignorância", disse, provocando risos. 

O "monte de coisa" a que se refere inclui a pré-venda no iTunes Brasil - em uma semana o disco conquistou o quinto lugar entre os mais vendidos, ao lado de "21" de Adele, "The Wall" do Pink Floyd e "Nothing but the beat" de David Guetta -; um aplicativo, disponível a partir desta quarta (28) nos gadgets da Apple (iPhone, iPod e iPad), com fotos, discografia e informações sobre o novo disco; e a Rádio Maria Bethânia, com todas as músicas dela no site da Biscoito Fino e com links para o iTunes e redes sociais da gravadora.

 

'Mundo grosseiro'

Com 50 discos no currículo ("Soube ontem [terça-feira] que eram 50", confessou), a baiana ainda se emociona ao ver o trabalho concluído. "Sempre me comove. Sinto uma coisa forte porque, como artista, sou muito verdadeira, lido com coisas muito finas. Poesia, música, corda vocal, que é mais tênue que um fio de cabelo. O mundo tá grosseiro, sem classe, sem delicadeza, sem querer prestar atenção aos detalhes. Quando vejo o trabalho pronto, é sinal de que eu andei assim mesmo. É o que me conforta e me faz vaidosa. Quando penso que talvez eu fragilize e depois vejo que fiz, é um prazer." 

Primeira brasileira a atingir a marca de 1 milhão de discos vendidos, com "Álibi", em 1978, Bethânia finalmente expõe no disco outra paixão sua, a poesia. Na faixa "Carta de amor", recita, entre a letra e melodia de Paulo César Pinheiro, um texto autoral. Um dos poucos, aliás, que não foram queimados. Ela explica: "Escrevo e queimo. Acho purificador. Aquilo existe em um momento e deve desaparecer. Não pretendo ser escritora".


 

Maria Bethânia: "A estupidez faz mais barulho

No lançamento do disco "Oásis de Bethânia", na sede gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro, a cantora Maria Bethânia comentou, pela primeira vez, os ataques ao projeto de divulgação de poesia na internet, através de um blog, coordenado pelo cineasta Andrucha Waddington e pelo antropólogo Hermano Vianna. Os produtores foram autorizados a captar até R$ 1,3 milhão na Lei Rouanet. Bombardeado por críticas, o projeto terminou arquivado. Na conversa com jornalistas, Bethânia abordou de forma indireta e, por um momento, sem sutilezas, sobre a polêmica. 

"O blog, eu não abortei. Primeiro que eu nem engravidei dele (sorri). Depois, o blog é do Hermano (Vianna) e do Andrucha, meus dois amigos amados. A ideia, a sugestão, tudo deles. Eles assistiram a uma leitura minha, na Casa dos Saberes, e ficaram encantados, me passaram a ideia. Foram me convidar para ser a intérprete desses projetos, dizendo os textos. Fiquei honradíssima e falei: se me chamarem, eu vou correndo", relatou a cantora baiana. "Mas aí teve aquele desagravo tão pesado, soturno. Hermano se zangou muito e escreveu: afinal o Brasil não merecia, não precisava de poesia. E cancelou o projeto, com toda razão. Mas o projeto é dos dois. Espero que um dia eles possam fazer. Porque era útil. É bonito. (...) O meu nome ficou assim, entre o Hermano e o Andrucha, o nome que podia mais causar um frisson. E aproveitaram. Como há muito tempo, desde que eu me entendo por gente, sou muito séria, faço meu trabalho, faço minha vida sossegada, não sou de turma, não me dou, minha praia é minha praia... Isso, há muitos anos, vem causando muita reverência, muito respeito, muito reconhecimento... Chega uma hora que incomoda". 

Com pequenas pausas, ela relatou o que sentiu após os ataques, citando um trecho da música "Querido diário", presente no disco recém-lançado de Chico Buarque: "Aí aproveitaram essa coisa pra me bater. Me bateram. Mas eu andei. E eu sou como Chico Buarque: não quebro, não, porque sou macia." 

Antes desse comentário, Bethânia afirmou que "o mundo está grosseiro, está sem classe, sem delicadeza". Terra Magazine questionou se, a partir dessa percepção, ela considera que o interesse por poesia diminuiu no País. "Não diminuiu nada. É uma fome que você não imagina. Mas é assim alucinante. Não só poesia, mas literatura de um modo geral", defendeu a artista. "Você vê a bienal infantil, a loucura que é. Vi ontem que o Brasil bateu recorde mundial de visita a uma exposição. Isso é maravilhoso. A vontade, a sede, a fome de cultura é cada vez maior. Cresce no mesmo volume da estupidez. Agora, a estupidez faz mais barulho. A poesia... A Neide Archanjo repete o Baudelaire, se não me engano: a poesia é uma pétala que cai sobre o abismo... A cavalaria vem e explode sobre ela. Mas a fome existe", comparou.

 Com doze músicas, o disco "Oásis de Bethânia" inclui uma canção que não deixa de pesar como uma resposta aos detratores: "Calúnia" (Marino Pinto/Paulo Soledade), consagrada pela voz de Dalva de Oliveira, uma das principais referências da cantora ¿ "Quiseste ofuscar minha fama/ E até jogar-me na lama/ Só porque vivo a brilhar/ Sim, mostraste ser invejoso/ Viraste até mentiroso/ Só para caluniar". Brincou com os jornalistas: quem quiser que vista a carapuça. O disco traz ainda um texto escrito pela cantora em 2010: "Carta de amor", que dialoga com os versos do auge das farpas públicas trocadas por Dalva e Herivelto Martins. "Eu escrevi esse texto, entre milhares, no ano passado, nem lembro quando, e foi bom escrever. Eu precisava escrever essas palavras. Escrevi e eu precisava dizer depois essas palavras. Disse. Não sei se é bom, se é mau, se é bonito, se é feio... Certo ou errado." 

Mais adiante, Bethânia procurou não limitar o alcance da junção de letras, mas reconheceu que pode favorecer a interpretação de que representa uma resposta às críticas ao projeto de poesia. "Na verdade, primeiro que eu não escrevo pra quem eu acho que não possa compreender. Eu escrevo pra mim. Acho que eu posso me compreender um pouquinho. Pro meu analista, mostro muitas coisas pra ele, pros meus amigos, atores, diretores, Fauzi Arap, Elias (Andreato)... Pessoas de dentro da minha vida e do meu coração. Pra essas pessoas, eu escrevo. Eu acho que serviu... A escolha de 'Calúnia'. Eu sempre passo no repertório de Dalva, em qualquer trabalho. Me veio 'Calúnia' e eu disse: pronto, é um bom prólogo pra esse texto", contou Bethânia. E sugeriu: "Dentro desse contexto e de todos os outros contextos que funciona. É como roteirista de show. Tá nítido ali. Na dramaturgia, eu acho que está claro. Então, escolhi assim. Mas eu não posso dedicar: fiz isso pensando... Porque fica pequeno. Eu faço. Atinge... A brincadeira de 'Carta de amor' é porque é, sinceramente, uma carta de amor para mim. Eu escrevendo pra me livrar de demônios, angústias, dores, mágoas ". 

Segundo a cantora, o disco "se dirige para uma mudança cênica". Mas não quis adiantar detalhes do show que nascerá do seu "Oásis", cuja capa traz uma foto de Gringo Cardia do sertão de Alagoas. "O sertão é o silêncio, a resignação e a dignidade", disse. Ela também analisou, na entrevista, os trabalhos recentes de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gal Costa. "Chico fez um dos discos mais bonitos do mundo". 

"Caetano que me deu ("Recanto"), no dia de Natal. Passamos na casa de minha mãe. Me deu de presente: 'Eu dediquei a você e ao Gil'. Eu disse: 'É o quê? Gilberto, tudo bem, músico e compositor da vida de Gal. Mas, eu?'... Ouvi o disco inteiro, lógico. É um disco que não é para ouvir toda hora, nem todo dia. Caetano é exuberante, cruel, dorido demais. Fiquei apaixonada pela primeira faixa", declarou Bethânia. Na análise do disco da companheira geracional, ela destacou a marca da autoria de Caetano. "Achei muito bem cantado. Não é um disco simples, não é um disco comum, não é um disco qualquer. Primeiro de tudo, eu acho que o Brasil, que tem no mesmo ano um disco inédito de Caetano Veloso e de Chico Buarque, isso é privilégio dos maiores. Caetano chamou a Gal para interpretar o seu ineditismo. Chico fez ele e os parceiros de música, João (Bosco) tocando... Tudo lindo. Eu acho dois trabalhos lindos, completamente diferentes, apaixonantes... Acho que é merecido, é um reconhecimento à cantora que sustentou o movimento que ele e Gil criaram. Por isso eu não entendi ser dedicado (a mim) ... Ele, Gil e Gal foram o centro do Tropicalismo. E Gal sempre foi a intérprete disso. Nada mais justo do que reconhecê-la, homenageá-la e reverenciá-la fazendo o disco. Não é um disco qualquer. É o Caetano". 

Ao fim da coletiva, a filha de Iansã correu para a frente casa da Biscoito Fino: "Vim pegar um pouco de chuva!".



"Vim pegar um pouco de chuva!"

 




Capa do CD 'Oásis de Bethânia' - Foto: Divulgação




1 – Lágrima (Candido das Neves)
2 – O Velho Francisco (Chico Buarque)
3 - Vive (Djavan) - Inédita
4 - Casablanca (Roque Ferreira) Inédita
5 - Calmaria (Jota Velloso) - Inédita
*Citação: Não Sei Quantas Almas Tenho (Bernardo Soares) Edição Fauzi Arap
6 - Fado (Roque Ferreira) - Inédita
7 - Barulho (Roque Ferreira)
8 – Calúnia (Marino Pinto / Paulo Soledade)
* Citação: Lágrima (Sebastião Nunes / Garcia Jr. / Jackson do Pandeiro)
9 - Carta de amor (música e letra: Paulo Cesar Pinheiro) - Inédita
* Texto: Maria Bethânia
10 – Salmo (Rafael Rabelo / Paulo Cesar Pinheiro)













28/4/2012 - Folha de S.Paulo
Foto: Daryan Dornelles




Estreia do show: Domingo 18 de novembro de 2012


BETHÂNIA RELÊ CLÁSSICOS E CONTEMPORÂNEOS


20/11/2012 - Folha de S.Paulo



































Foto: Thyago Andrade / Foto Rio News


Foto: Thyago Andrade / Foto Rio News


Foto: Thyago Andrade / Foto Rio News



Foto: Anderson Borde/AgNews




Fernanda Montenegro assiste apresentação da cantora Maria Bethânia no Rio de Janeiro (18/11/12) - Foto: Thyago Andrade / Foto Rio News





Fernanda Montenegro - Rio de Janeiro - Foto: Anderson Borde/AgNews





Renata Sorrah


Renata Sorrah


Renata Sorrah








2013

Revista Contigo!

N° 1961 - 18 de abril 2013





















2013 –MARIA BETHÂNIA
Álbum “Carta de amor”
Gravado em 13 e 14 de abril de 2013, em apresentações na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). 
Biscoito Fino 2 CD’s BF 258-2 / BF 259-2|
DVD BF 260-3