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lunes, 18 de abril de 2022

1966 - "ESTAMOS CHEGANDO DAQUI E DALI"

 

CHEGANÇA

Música: Edu Lobo

Letra: Oduvaldo Viana Filho

1964

 

Estamos chegando, daqui e dali

E de todo lugar que se tem prá partir

Estamos chegando, daqui e dali

E de todo lugar que se tem prá partir

 

Trazendo na chegança

Foice velha, mulher nova

E uma quadra de esperança

E uma quadra de esperança

 

Ah! se viver fosse chegar

Ah! se viver fosse chegar

 

Chegar sem parar

Parar pra casar

Casar e os filhos espalhar

Pôr o mundo num tal de rodar

Pôr o mundo num tal de rodar

O mundo, num tal de rodar

 























domingo, 13 de septiembre de 2020

1971 - PRONTUÁRIO DE MARIA BETHÂNIA VIANNA TELLES VELOSO


"Está relacionada entre os elementos veiculadores de propaganda de caráter subversivo nos meios artísticos"


[27 de dezembro de 1968]


Pesquisa: Evangelina Maffei


“O período da Ditadura Militar foi terrível. Duas horas da manhã, eles invadiram minha casa. Me levaram para um quartel, depois de rodarem por muitas horas. Fui interrogada até amanhecer. Já tinham presos Caetano e Gil, em São Paulo. Achavam que eu sabia do Vandré. Me prenderam por conta de um livro, escrito em minha homenagem, por Reynaldo Jardim. Eles queriam saber por que este cara escreveu este livro para mim. O livro é um poema lindo. Um gesto de amor. E Reynaldo já tinha sido preso. Eles me mostraram o depoimento dele. Que coincidia com o que eu dizia. Sou uma mulher de palco. Ele, um intelectual, poeta. Quis escrever um poema. E foi publicado. Depois, proibido”.

 


“Aquele foi um período horrível. Caetano e meus amigos, exilados. E, pela dificuldade de ele sobreviver ao exílio, por causa de sua sensibilidade diante da maneira grosseira como isto tudo aconteceu, eu sentia uma dor muito grande. Sofri demais. Meu pai se acabou, neste período. Eu fiquei no Brasil. E a maneira que eu tinha de manter o meu trabalho era receber as canções que eles faziam no exílio. Não só Caetano, mas também os amigos. Aqui, eu cantava para dar alguma notícia deles, mantendo um sentimento por eles. Mas foi o período mais triste que passei em minha vida. Foi horrível. Caetano sofreu demais também”

 [14/6/1992, Maria Bethânia, em entrevista a Marília Gabriela]







14/5/1971 - Pedido de antecedentes

18/5/1971 - Cópia de prontuário

1965/66 - Histórico I

1966/68 - Histórico II

27-12-1968 - Histórico III

Trecho de Programa 

26/7/1971
"c) A marginada é irmã do cantor CAETANO VELOSO"







Programa do show “É um tempo de guerra”

















jueves, 24 de octubre de 2019

1964 - MORA NA FILOSOFIA







Show MARIA BETHÂNIA
1964 – dezembro

MORA NA FILOSOFIA

Teatro Vila Velha, Salvador

Direção: Caetano Veloso
Produção: Orlando Senna


Cenário de Calazans Neto, emprestado da montagem de "Eles não usam black-tie" onde simulava uma favela de um morro do Rio de Janeiro, Bethânia exibiu seu potencial de atriz e canções como "O Morro" de Carlos Lyra e Gianfrancesco Guarnieri e "Favela" de Heckel Tavares viraram quase textos teatrais.

Marca o primeiro show individual de Maria Bethânia.










MORA NA FILOSOFIA

Participação: Perinho Albuquerque

PRA SEU GOVERNO (Haroldo Lobo)
CANÇÃO ESPONTÂNEA (Caetano Veloso)
DE MANHÃ (Caetano Veloso)
FAVELA (Hekel Tavares)
MEU BARRACÃO (Noel Rosa)
A FELICIDADE (Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
CHÃO DE ESTRELAS (Sílvio Caldas/Orestes Barbosa)
O MORRO [Feio não é bonito] (Carlos Lyra/João Francisco Guarnieri)
AVE MARIA NO MORRO [Barracão de zinco] (Herivelto Martins)
ACENDER AS VELAS (Zé Keti)
ENQUANTO A TRISTEZA NÃO VEM (Sérgio Ricardo)
AO VOLTAR DO SAMBA (Sinval Silva)
ONDE ESTÃO OS TAMBORINS (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) 
FOI ELA (Ary Barroso)
LATA D’ÁGUA (Luiz Antônio)
MORA NA FILOSOFIA (Monsueto Menezes/Arnaldo Passos)


Fonte: Hineni Gomes Ferreira





21/2/1965 - O JORNAL








miércoles, 21 de noviembre de 2018

1965 - TEMPO DE GUERRA





1965  - Jards Macalé e Maria Bethânia

Ensaio do "É um Tempo de Guerra" no foyer do Teatro Vila Velha, Salvador-BA

Foto: Arquivo Conceição e Orlando Senna

 



"É um tempo de guerra
É um tempo sem sol"


“Bethânia me pediu que dirigisse um espetáculo só com ela. Juntamos músicas de que ela gostava, outras que eu preferia, e demos o título de Tempo de Guerra, inspirado numa canção do Zumbi, inspirada em Brecht. (...) Bethânia queria ajudar seus amigos baianos, lançá-los no Sul onde eram desconhecidos. Além de Caetano, ela me apresentou Maria da Graça (que virou Gal Costa), Gilberto Gil, Tom Zé e Piti e com eles fiz um segundo ato, músicas de Caetano e Gil, e um texto lírico de Caetano (...). Decidimos fazer um musical contando histórias de nordestinos que vinham para o sul em busca de trabalho, fugindo da fome. As canções de Arena canta Bahia foram escolhidas pelas letras, para contar uma história de retirantes. Não era seleção das mais belas músicas baianas: eu queria mostrar famílias que sofriam seca e buscavam miragens de esperanças. Gente com medo de sonhar colorido: sonhava preto e branco. Sonhavam gotas de orvalho, sem coragem de sonhar oceanos. Caetano não se conformava: inconcebível espetáculo cujo título continha a palavra mágica, Bahia, Caymmi estando ausente. Sempre gostei de Caymmi (...) Não se tratava, porém, de gostar ou não, mas de escolher músicas que condenassem a ditadura, cada vez mais desumana."

[BOAL, Augusto. Hamlet e o filho do padeiro. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 232-233.]



Show musical inspirado em poema de Bertolt Brecht



“eu vivo num tempo de guerra. O homem ri só porque ainda não lhe disseran as novidades terriveis” - BRECHT

“as vacas estão sendo ordenadas: quem beberá o leite? Assim vai o mundo… e o mundo não vai bem…” BRECHT

“minha voz não pode muito, mas gritar eu bem gritei: é um tempo de guerra” -
BRECHT

“Viver num país sem senso de humor é insuportavel. mas viver num país que precisa de senso de humor, essa eu não aguento…" - BRECHT-BETHÂNIA



Programa do show “É um tempo de guerra”, interpretado por Maria Bethânia




Texto de Bertolt Brecht [1898/1956], com tradução e roteiro de Augusto Boal

























TEMPO DE GUERRA - O Teatro de Arena deberá lançar em São Paulo em breve “Tempo de Guerra” com duração de 50 minutos, roteiro e direção de Augusto Boal. Esse espetáculo foi apresentado na Bahia quando Boal lá esteve ha alguns meses, na interpretação de Maria Bethânia.

“Tempo de Guerra” é a segunda parte da montagem: a primeira é “Brecht Fala do Homem”, com poemas e canções do dramaturgo alemão.






































24/10/1965
























 






















11/1965

















Fotos: Dirceu Leme - Ensaios



Maria Bethânia

Gal Costa

Gal Costa

Gilberto Gil e Gal Costa

Gilberto Gil e Gal Costa 

Tom Zé



Tom Zé

Gilberto Gil, Gal Costa, Piti, Benê e Augusto Boal

 Piti, Benê e Jards Macalé







Discografia



1967 - MARIA BETHÂNIA
A.1. VIRAMUNDO (Gilberto Gil/Capinan)
A.2. ANDA LUZIA (João de Barro)
B.1. TRES APITOS (Noel Rosa)
B.2. EU VIVO NUM TEMPO DE GUERRA (Edu Lobo/Gianfrancesco Guarnieri)
RCA Victor EP (45 rpm) nº 86.545 [Francia]