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domingo, 23 de marzo de 2025

2024 - 2025 - CAETANO&BETHÂNIA - Turnê

 

Agenda 2024


3, 4, 10 e 11 de agosto: Rio de Janeiro (Farmasi Arena)

7 de setembro: Belo Horizonte (Estádio Mineirão)

21 de setembro: Curitiba (Pedreira Paulo Leminski)

28 de setembro: Belém (Estádio Mangueirão)

25 e 26 de outubro: Recife (Classic Hall)

9 de novembro: Brasília (Arena BRB Mané Garrincha)

16 de novembro: Fortaleza (Arena Castelão)

30 de novembro: Salvador (Casa de Apostas Arena Fonte Nova)

14, 15 e 18 de dezembro: São Paulo (Allianz Parque)

31 de dezembro: Rio de Janeiro (Praia de Copacabana)

 

Agenda 2025


8 de fevereiro - Salvador (Casa de Apostas Arena Fonte Nova)

15 de março: Rio de Janeiro (Farmasi Arena)

22 de março: Porto Alegre (Arena do Grêmio)



29/3/1999 - Maria Bethânia e Caetano Veloso fizeram um show emocionante de comemoração aos 450 anos de Salvador - Foto: Gildo Lima - Cedoc A TARDE













18/9/1981 - Caetano Veloso sempre surpreende com sua capacidade de inovação artística - Foto: Cedoc A TARDE




15/6/1994 - Maria Bethânia tem carreira marcada pela constância do seu protagonismo na cena musical brasileira - Foto: Cedoc A TARDE









COLUNA

A TARDE MEMÓRIA

Por Cleidiana Ramos

20 de abril de 2024


Cleidiana Ramos é jornalista e doutora em antropologia



Encontro de Caetano Veloso e Maria Bethânia é novo marco musical

 

Os irmãos estiveram juntos em ocasiões especiais, como o show de comemoração aos 450 anos de Salvador


Desde que a turnê conjunta de Caetano Veloso e Maria Bethânia por capitais brasileiras foi anunciada no mês passado a rotina da produção tem sido a de anunciar novas datas e lidar com a situação de ingressos esgotados rapidamente. A série de shows só começa em agosto, no Rio de Janeiro, mas o projeto já é considerado o maior evento da música brasileira deste ano. A alta procura indica o quanto os irmãos, baianos de Santo Amaro, conseguiram manter de protagonismo na cena musical. A apresentação conjunta, em um formato mais longo, repete o encontro entre eles que aconteceu em Salvador na celebração dos 450 anos de fundação da cidade e que foi o ponto alto da festa, como foi registrado em A TARDE: 

“Com o Hino ao Senhor do Bonfim, os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia encerraram ontem as comemorações dos 450 anos de Salvador. O show durou quase três horas e fez o chão da praça balançar com o embalo dos milhares de pessoas que lotaram a Praça Castro Alves. Dois telões instalados em locais estratégicos levaram as imagens do show até a Ladeira de São Bento e à rua Carlos Gomes, e as pessoas que não conseguiram espaço na Praça Castro Alves puderam acompanhar o espetáculo”.

(A TARDE, 30/03/1999, p.3).

 

De acordo com o texto, o show, além de canções que marcaram a trajetória dos artistas teve o que tem sido uma marca nas apresentações de Bethânia: a declamação de poemas. Naquela ocasião ela recitou Navio Negreiro, de Castro Alves, em uma versão musicada por Caetano. 


Os irmãos já estiveram juntos em outras ocasiões, como no tributo a Mãe Menininha, nos 21 anos da morte da ialorixá do Ilê Iyá Omi Axé Iyamasé, mais conhecido como Terreiro do Gantois, de onde Bethânia é filha de santo. Em 1978, A TARDE também registrou um encontro que, segundo o texto, foi o primeiro: 

“Um show sem intervalo e com a duração de uma hora e quarenta e cinco minutos, incluindo um repertório de 22 músicas, inclusive algumas inéditas é o que Caetano Veloso e Maria Bethânia farão de terça-feira, até o próximo domingo, às 21 horas, no Teatro Santo Antônio. Em entrevista coletiva nas escadarias do teatro, ontem à tarde, os artistas disseram que a escolha do Santo Antônio se deu por falta de pauta no TCA e principalmente porque foi ali que Bethânia viu pela primeira vez artistas e peças de teatro. Também esta é a primeira vez que os irmãos Veloso fazem shows juntos”.

(A TARDE, 28/5/1978, p.3).

 

Sucesso nacional


A novidade dessa turnê é a sua extensão. São dez cidades, incluindo Salvador. A relação inicial foi ampliada a pedidos e em alguns casos foi aberta mais uma apresentação. Só essa expansão dá uma dimensão da importância que os artistas possuem no cenário musical brasileiro. 

“Caetano Veloso e Maria Bethânia têm uma capacidade inventiva e de comunicação enorme com o público. São artistas longevos que acumularam mais de seis décadas de sucesso e de presença no mainstream cultural brasileiro. Caetano Veloso, no último trabalho dele, Meu Coco, mostrou como um artista com tanto tempo de carreira consegue produzir algo tão inventivo. E Maria Bethânia como intérprete, como alguém que pensa o Brasil como artista, consegue também se renovar”, analisa o antropólogo, historiador, jornalista e poeta, Marlon Marcos. Doutor em antropologia, ele é professor do Campus dos Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), localizado em São Francisco do Conde. 

Essa capacidade de renovação das linguagens artísticas e da criatividade apontadas pelo professor Marlon Marcos, tem feito com que a arte de Bethânia e Caetano conquiste novas gerações. Uma amostra são os memes que tem os dois como protagonistas. Um relacionado a Caetano, por conta de uma reportagem de uma seção de notícias de celebridades publicada em 2011 tem o seu aniversário, em 10 de março, celebrado todos os anos nas redes. O texto ganhou projeção pela banalidade do título: Caetano Veloso estaciona carro no Leblon. 

“O meme rejuvenesce a obra e alcança pessoas que não a conheciam. A curiosidade sobre o protagonista do meme leva à busca por saber mais sobre a pessoa que está gerando o riso, a graça ou o debate sobre uma questão. O meme acaba servindo como um instrumento de atração de um público que talvez desconhecesse a obra dos artistas, o que dá uma dimensão da capacidade de renovação do que eles produzem”, diz Marlon Marcos. Ele é autor de Oyá-Bethânia- os mitos de um orixá nos ritos de uma estrela. O livro, que mostra a inserção da religiosidade de Maria Bethânia em sua arte e essa relação com a indústria cultural, é derivado da dissertação de mestrado do antropólogo apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia. (Pós Afro-Ufba) e orientada pelo professor Cláudio Luiz Pereira.

 

Estética provocativa

 

As carreiras de Caetano Veloso e Maria Bethânia surgiram em um contexto de extrema tensão social no Brasil por conta da ditadura militar iniciada com o golpe de 1964. Bethânia ganhou projeção ao substituir Nara Leão (1942-1989) na peça Opinião, após se mudar para o Rio de Janeiro. “Aquela cantora de voz potente, andrógina, em comparação ao estilo delicado e de voz doce de Nara Leão arrebatou a cena musical brasileira. Foi ali também que se abriu o caminho para o irmão de Bethânia, Caetano”, aponta Marlon Marcos. 

A dupla tem a sua trajetória conectada de forma mais intensa à arte de mais dois baianos: Gilberto Gil e Gal Costa (1945-2022). Embora com características muito próprias na música, os caminhos dos quatro sempre estiveram unidos porque começaram juntos. Caetano e Gil dialogaram de forma intensa, inclusive em um movimento, o Tropicalismo, ao lado de outros artistas, como Tom Zé. Mas, embora, cada um tenha suas trajetórias muito bem-marcadas do ponto de vista individual é sempre recorrente analisar suas carreiras na perspectiva de quarteto. 

“Para mim, os quatro representam uma síntese de tudo o que foi produzido na Bahia por nomes como Dorival Caymmi, Assis Valente, João Gilberto e Raul Seixas. Eles sintetizam a grande invenção musical que é esse lugar chamado Bahia. De fato, são extremamente importantes, começaram juntos e levaram a Bahia pelo mundo”, avalia o professor Marlon Marcos. 

Na avaliação do professor, em relação aos irmãos Caetano e Bethânia, o primeiro fez uma experimentação estética mais evidente por conta do Tropicalismo, mas Bethânia, ao seu modo, também tem carreira marcada pela inovação. “O Tropicalismo foi uma proposta de movimento estético e através da antropofagia conseguiu alcançar diversas linguagens em uma brasilidade que sentimos como algo nosso. Maria Bethânia pode ser vista como mais reclusa em relação à estética tropicalista, mas esteve atenta a querer cantar em sua voz tudo que fosse o Brasil a que ela escolheu pertencer: o Brasil afro-indígena, do Recôncavo da Bahia, do samba chula, do samba de roda, das canções amorosas, do amor rasgado, do samba canção e da obra de Dorival Caymmi. Bethânia escolheu esse caminho e a estética tropicalista é aquela que diz ser tudo possível dentro da música”, acrescenta o antropólogo. 

Aqui estão algumas pistas do porquê este encontro mobiliza tantas atenções e emoções. Nos duetos, mas também nos momentos solos, as várias faces do público destes shows estarão em conexão com os dois artistas que irão conduzir a magia que a música é capaz de produzir.



1976 - Ao lado de Gilberto Gil e Gal Costa, Bethânia e Caetano formaram " Os Doces Bárbaros" - Foto: Cedoc A TARDE




 31/12/1983 - Foto: Cedoc A TARDE


1978 - Foto: Cedoc A TARDE


Foto: Reprodução - Cedoc A TARDE


20/5/1993 - Foto: Rejane Carneiro - Cedoc A TARDE

 

28/10/1984 - Foto: Cedoc A TARDE




21/1/1981 - Caetano Veloso ao lado de Tancredo Neves em agenda de luta por eleições diretas e defesa da Lagoa do Abaeté - Foto: Cedoc A TARDE



13/9/1982 - O abraço de Caetano Veloso em Irmã Dulce que, em 2019, foi reconhecida como santa pela Igreja Católica |Foto: Cedoc A TARDE







lunes, 29 de enero de 2018

1984 - DIRETAS JÁ


Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?

Será, será que será que será que será
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir
Por mais zil anos?


"Fui totalmente simpatizante e participante da campanha pelas diretas, por duas razões: porque ela expressa o desejo de votar para presidente da República e depois porque é um modo civilizado, calmo, de demonstrar que a gente não acredita que a Revolução de 64 veio para salvar o Brasil de alguma coisa má. Que por mais enganados que pudessem estar alguns dos líderes dessa evolução a esse respeito, as reformas que o Brasil necessitava - e continua necessitando, talvez mais do que nunca - e os desejos da população para que essas reformas fossem realizadas, a Revolução de 64 veio como uma violentação repressora desses desejos. Por outro lado, a gente ouve falar do dinheiro norte-americano envoívido em golpes de estado na América do Sul. Tuda isso faz com que a gente, mesmo não sendo político, atuante, sinta que, embora a Revolução de 64 expresse algo que também é o Brasil, a meu ver, não expressa o Brasil' que nós desejámos." 

[Caetano Veloso, 30/6/1984, Revista Manchete. Reportagem a Mitico Yoshijima]



Diretas Já foi um movimento político democrático com grande participação popular que ocorreu no ano de 1984. Este movimento era favorável e apoiava a emenda do deputado federal Dante de Oliveira [PMDB-MT] que restabeleceria as eleições diretas para presidente da República no Brasil.



Dante de Oliveira - Foto: A. Dorgivan - CPDoc JB

Durante o movimento ocorreram diversas manifestações populares em muitas cidades brasileiras como, por exemplo, passeatas e comícios. Estes eventos populares contaram com a participação de milhares de brasileiros.

O movimento das Diretas Já contou com o apoio de diversos políticos da época como, por exemplo, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, José Serra, Mário Covas, Teotônio Vilela, Eduardo Suplicy, Leonel Brizola, Luis Inácio Lula da Silva, Miguel Arraes, entre outros. Teve também a participação de artistas, jogadores de futebol, cantores, religiosos, etc.


O maior comício realizado na cidade de Salvador foi promovido pelo PMDB com 15 mil pessoas, com a participação de Tancredo Neves (governador de Minas Gerais), Ulisses Guimarães, Caetano Veloso, Lídice da Mata e Domingos Leonelli.













20/1/1984 - Tancredo Neves e Caetano Veloso - Foto: Crildo Lima





FOLHA DE S.PAULO
Sábado, 21 de janeiro de 1984

Rubens Artigas e Vicente de Paula
Repórteres da Sucursal de Salvador


Em Salvador comício reúne vinte mil

A capital baiana realiza comício em praca pública exigindo a volta do pleito direto

Cerca de 20 mil baianos reuniram-se ontem à noite na praça Municipal, em Salvador, para o comício pelas eleições diretas.

No palanque, estavam políticos como o deputado Ulisses Guimarães presidente do PMDB; o gobernador de Minas, Tancredo Neves; o prefeito de São Paulo, Mário Covas; o líder peemedebista na Câmara, Freitas Nobre, ao lado de Miguel Arraes, Caetano Veloso e Gonzaguinha.

. . .

A tarde, ao chegar a Salvador, depois de dizer que sua posição é a mesma do PMDB, a favor da volta das diretas, o gobernador Tancredo Neves foi convidado pelo cantor Caetano Veloso a visitar a lagoa do Abaeté. Caetano reclamou contra a devastação da área e disse a Tancredo que o consideraba “o maior político brasileiro do momento”.

Ao visitar as dunas do Abaeté, Tancredo observou ser necessário preservar uma das áreas mais bonitas de Salvador, dizendo que se engajava na campanha promovida por Caetano Veloso.

Caetano Veloso foi incisivo ao afirmar que a última vez que votou foi no marechal Lott, o adversário de Jânio Quadros nas eleições de 1960. “Depois disso nunca mais tive a alegría de votar para presidente. Precisamos acabar com essa tradição de países da América do Sul de sempre serem dominados por regimes de força”.

Para Caetano Veloso, Tancredo Neves é o seu candidato à presidencia da República, por considerá-lo “o maior político brasileiro no momento”. Lembrou que gostou muito de um debate do gobernador mineiro com o exsenador Jarbas Passarinho, na televisão. E também o considera “super-politissíssimo”.




25/1/1984



Fernando Henrique Cardoso, Mora Guimarães (mulher de Ulysses Guimarães), Lucy Montoro, Franco Montoro e Lula 

25/1/1984 - Chico Buarque - S. Paulo


Gilberto Gil e Regina Duarte


Gilberto Gil, Alceu Valença e Regina Duarte


Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli

25/1/1984 - Fafá de Belém  anima comício pelas Diretas Já, período em que se transformou na musa do movimento - Foto: João Pires




10/4/1984 - Chico Buarque - Rio de Janeiro




9/10/1984

Lançamento do Comitê Jovem do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) durante campanha de Tancredo Neves à presidência da República.


Djavan e Caetano Veloso
Foto: José Renato / O Globo - Estúdio/Agência


Fotos: Acervo do CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil

Caetano Veloso e Ziraldo - Foto: José Renato / O Globo - Estúdio/Agência



Hugo Carvana - Foto: José Renato / O Globo - Estúdio/Agência







































Bibliografia


LEONELLI, Domingos, e OLIVEIRA, Dante. Diretas Já, 15 meses que abalaram a ditadura. Rio de Janeiro, Editora Record, 2004. 643 pág.


Para lembrar os 20 anos de ''Diretas Já'', dois de seus principais personagens contam em detalhes os bastidores de um dos maiores movimentos populares do Brasil. Dante de Oliveira e Domingos Leonelli contam histórias divertidas - como a briga da Fafá de Belém no comício da Candelária, no Rio - que se misturam às (auto) críticas, análises e à memória destes dois políticos que participaram ativamente das articulações da campanha até abril de 1984, quando a Emenda Dante de Oliveira foi votada. Aliás, a obstinação de Dante em conseguir assinaturas para que Emenda chegasse à Câmara dos Deputados foi tão grande que acabou ganhando, de Ulysses Guimarães, o apelido de 'mosquito elétrico'.
O tema é presentado em 15 capítulos mês (Jan-84/Abr-85).