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domingo, 23 de marzo de 2025

2024 - 2025 - CAETANO&BETHÂNIA - Turnê

 

Agenda 2024


3, 4, 10 e 11 de agosto: Rio de Janeiro (Farmasi Arena)

7 de setembro: Belo Horizonte (Estádio Mineirão)

21 de setembro: Curitiba (Pedreira Paulo Leminski)

28 de setembro: Belém (Estádio Mangueirão)

25 e 26 de outubro: Recife (Classic Hall)

9 de novembro: Brasília (Arena BRB Mané Garrincha)

16 de novembro: Fortaleza (Arena Castelão)

30 de novembro: Salvador (Casa de Apostas Arena Fonte Nova)

14, 15 e 18 de dezembro: São Paulo (Allianz Parque)

31 de dezembro: Rio de Janeiro (Praia de Copacabana)

 

Agenda 2025


8 de fevereiro - Salvador (Casa de Apostas Arena Fonte Nova)

15 de março: Rio de Janeiro (Farmasi Arena)

22 de março: Porto Alegre (Arena do Grêmio)



29/3/1999 - Maria Bethânia e Caetano Veloso fizeram um show emocionante de comemoração aos 450 anos de Salvador - Foto: Gildo Lima - Cedoc A TARDE













18/9/1981 - Caetano Veloso sempre surpreende com sua capacidade de inovação artística - Foto: Cedoc A TARDE




15/6/1994 - Maria Bethânia tem carreira marcada pela constância do seu protagonismo na cena musical brasileira - Foto: Cedoc A TARDE









COLUNA

A TARDE MEMÓRIA

Por Cleidiana Ramos

20 de abril de 2024


Cleidiana Ramos é jornalista e doutora em antropologia



Encontro de Caetano Veloso e Maria Bethânia é novo marco musical

 

Os irmãos estiveram juntos em ocasiões especiais, como o show de comemoração aos 450 anos de Salvador


Desde que a turnê conjunta de Caetano Veloso e Maria Bethânia por capitais brasileiras foi anunciada no mês passado a rotina da produção tem sido a de anunciar novas datas e lidar com a situação de ingressos esgotados rapidamente. A série de shows só começa em agosto, no Rio de Janeiro, mas o projeto já é considerado o maior evento da música brasileira deste ano. A alta procura indica o quanto os irmãos, baianos de Santo Amaro, conseguiram manter de protagonismo na cena musical. A apresentação conjunta, em um formato mais longo, repete o encontro entre eles que aconteceu em Salvador na celebração dos 450 anos de fundação da cidade e que foi o ponto alto da festa, como foi registrado em A TARDE: 

“Com o Hino ao Senhor do Bonfim, os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia encerraram ontem as comemorações dos 450 anos de Salvador. O show durou quase três horas e fez o chão da praça balançar com o embalo dos milhares de pessoas que lotaram a Praça Castro Alves. Dois telões instalados em locais estratégicos levaram as imagens do show até a Ladeira de São Bento e à rua Carlos Gomes, e as pessoas que não conseguiram espaço na Praça Castro Alves puderam acompanhar o espetáculo”.

(A TARDE, 30/03/1999, p.3).

 

De acordo com o texto, o show, além de canções que marcaram a trajetória dos artistas teve o que tem sido uma marca nas apresentações de Bethânia: a declamação de poemas. Naquela ocasião ela recitou Navio Negreiro, de Castro Alves, em uma versão musicada por Caetano. 


Os irmãos já estiveram juntos em outras ocasiões, como no tributo a Mãe Menininha, nos 21 anos da morte da ialorixá do Ilê Iyá Omi Axé Iyamasé, mais conhecido como Terreiro do Gantois, de onde Bethânia é filha de santo. Em 1978, A TARDE também registrou um encontro que, segundo o texto, foi o primeiro: 

“Um show sem intervalo e com a duração de uma hora e quarenta e cinco minutos, incluindo um repertório de 22 músicas, inclusive algumas inéditas é o que Caetano Veloso e Maria Bethânia farão de terça-feira, até o próximo domingo, às 21 horas, no Teatro Santo Antônio. Em entrevista coletiva nas escadarias do teatro, ontem à tarde, os artistas disseram que a escolha do Santo Antônio se deu por falta de pauta no TCA e principalmente porque foi ali que Bethânia viu pela primeira vez artistas e peças de teatro. Também esta é a primeira vez que os irmãos Veloso fazem shows juntos”.

(A TARDE, 28/5/1978, p.3).

 

Sucesso nacional


A novidade dessa turnê é a sua extensão. São dez cidades, incluindo Salvador. A relação inicial foi ampliada a pedidos e em alguns casos foi aberta mais uma apresentação. Só essa expansão dá uma dimensão da importância que os artistas possuem no cenário musical brasileiro. 

“Caetano Veloso e Maria Bethânia têm uma capacidade inventiva e de comunicação enorme com o público. São artistas longevos que acumularam mais de seis décadas de sucesso e de presença no mainstream cultural brasileiro. Caetano Veloso, no último trabalho dele, Meu Coco, mostrou como um artista com tanto tempo de carreira consegue produzir algo tão inventivo. E Maria Bethânia como intérprete, como alguém que pensa o Brasil como artista, consegue também se renovar”, analisa o antropólogo, historiador, jornalista e poeta, Marlon Marcos. Doutor em antropologia, ele é professor do Campus dos Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), localizado em São Francisco do Conde. 

Essa capacidade de renovação das linguagens artísticas e da criatividade apontadas pelo professor Marlon Marcos, tem feito com que a arte de Bethânia e Caetano conquiste novas gerações. Uma amostra são os memes que tem os dois como protagonistas. Um relacionado a Caetano, por conta de uma reportagem de uma seção de notícias de celebridades publicada em 2011 tem o seu aniversário, em 10 de março, celebrado todos os anos nas redes. O texto ganhou projeção pela banalidade do título: Caetano Veloso estaciona carro no Leblon. 

“O meme rejuvenesce a obra e alcança pessoas que não a conheciam. A curiosidade sobre o protagonista do meme leva à busca por saber mais sobre a pessoa que está gerando o riso, a graça ou o debate sobre uma questão. O meme acaba servindo como um instrumento de atração de um público que talvez desconhecesse a obra dos artistas, o que dá uma dimensão da capacidade de renovação do que eles produzem”, diz Marlon Marcos. Ele é autor de Oyá-Bethânia- os mitos de um orixá nos ritos de uma estrela. O livro, que mostra a inserção da religiosidade de Maria Bethânia em sua arte e essa relação com a indústria cultural, é derivado da dissertação de mestrado do antropólogo apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia. (Pós Afro-Ufba) e orientada pelo professor Cláudio Luiz Pereira.

 

Estética provocativa

 

As carreiras de Caetano Veloso e Maria Bethânia surgiram em um contexto de extrema tensão social no Brasil por conta da ditadura militar iniciada com o golpe de 1964. Bethânia ganhou projeção ao substituir Nara Leão (1942-1989) na peça Opinião, após se mudar para o Rio de Janeiro. “Aquela cantora de voz potente, andrógina, em comparação ao estilo delicado e de voz doce de Nara Leão arrebatou a cena musical brasileira. Foi ali também que se abriu o caminho para o irmão de Bethânia, Caetano”, aponta Marlon Marcos. 

A dupla tem a sua trajetória conectada de forma mais intensa à arte de mais dois baianos: Gilberto Gil e Gal Costa (1945-2022). Embora com características muito próprias na música, os caminhos dos quatro sempre estiveram unidos porque começaram juntos. Caetano e Gil dialogaram de forma intensa, inclusive em um movimento, o Tropicalismo, ao lado de outros artistas, como Tom Zé. Mas, embora, cada um tenha suas trajetórias muito bem-marcadas do ponto de vista individual é sempre recorrente analisar suas carreiras na perspectiva de quarteto. 

“Para mim, os quatro representam uma síntese de tudo o que foi produzido na Bahia por nomes como Dorival Caymmi, Assis Valente, João Gilberto e Raul Seixas. Eles sintetizam a grande invenção musical que é esse lugar chamado Bahia. De fato, são extremamente importantes, começaram juntos e levaram a Bahia pelo mundo”, avalia o professor Marlon Marcos. 

Na avaliação do professor, em relação aos irmãos Caetano e Bethânia, o primeiro fez uma experimentação estética mais evidente por conta do Tropicalismo, mas Bethânia, ao seu modo, também tem carreira marcada pela inovação. “O Tropicalismo foi uma proposta de movimento estético e através da antropofagia conseguiu alcançar diversas linguagens em uma brasilidade que sentimos como algo nosso. Maria Bethânia pode ser vista como mais reclusa em relação à estética tropicalista, mas esteve atenta a querer cantar em sua voz tudo que fosse o Brasil a que ela escolheu pertencer: o Brasil afro-indígena, do Recôncavo da Bahia, do samba chula, do samba de roda, das canções amorosas, do amor rasgado, do samba canção e da obra de Dorival Caymmi. Bethânia escolheu esse caminho e a estética tropicalista é aquela que diz ser tudo possível dentro da música”, acrescenta o antropólogo. 

Aqui estão algumas pistas do porquê este encontro mobiliza tantas atenções e emoções. Nos duetos, mas também nos momentos solos, as várias faces do público destes shows estarão em conexão com os dois artistas que irão conduzir a magia que a música é capaz de produzir.



1976 - Ao lado de Gilberto Gil e Gal Costa, Bethânia e Caetano formaram " Os Doces Bárbaros" - Foto: Cedoc A TARDE




 31/12/1983 - Foto: Cedoc A TARDE


1978 - Foto: Cedoc A TARDE


Foto: Reprodução - Cedoc A TARDE


20/5/1993 - Foto: Rejane Carneiro - Cedoc A TARDE

 

28/10/1984 - Foto: Cedoc A TARDE




21/1/1981 - Caetano Veloso ao lado de Tancredo Neves em agenda de luta por eleições diretas e defesa da Lagoa do Abaeté - Foto: Cedoc A TARDE



13/9/1982 - O abraço de Caetano Veloso em Irmã Dulce que, em 2019, foi reconhecida como santa pela Igreja Católica |Foto: Cedoc A TARDE







domingo, 15 de diciembre de 2024

2024 - CAETANO&BETHÂNIA - Turnê

 

Agenda 2024


3, 4, 10 e 11 de agosto: Rio de Janeiro (Farmasi Arena)

7 de setembro: Belo Horizonte (Estádio Mineirão)

21 de setembro: Curitiba (Pedreira Paulo Leminski)

28 de setembro: Belém (Estádio Mangueirão)

25 e 26 de outubro: Recife (Classic Hall)

9 de novembro: Brasília (Arena BRB Mané Garrincha)

16 de novembro: Fortaleza (Arena Castelão)

30 de novembro: Salvador (Casa de Apostas Arena Fonte Nova)

14, 15 e 18 de dezembro: São Paulo (Allianz Parque)

 

Agenda 2025


8 de fevereiro - Salvador (Casa de Apostas Arena Fonte Nova)

15 de março: Rio de Janeiro (Farmasi Arena)

22 de março: Porto Alegre (Arena do Grêmio)



14 de março de 2024

Sobre a turnê Caetano&Bethânia

Claudio Leal

 

A turnê Caetano & Bethânia tem um significado especial para a música popular brasileira, para a história dos dois irmãos e para os fãs que sonham em vê-los em um só espetáculo. Nascidos em Santo Amaro, no recôncavo baiano, Caetano Veloso e Maria Bethânia são reconhecidos como artistas essenciais à formação cultural de várias gerações, com trajetórias projetadas para além da música, inspirando criadores em todas as partes e em todas as artes. 

Esse reencontro histórico em arenas do país permite a cada espectador uma visão ainda mais clara da força criadora de Caetano e Bethânia, unidos desde a infância pela memória de canções. Na família Veloso, falou mais alto a sugestão de Caetano para o batismo da irmã como “Maria Bethânia”, nome extraído de uma música de Capiba cantada por Nelson Gonçalves.

A voz de Bethânia seria um dos motores da entrega de Caetano à vida de compositor. A história dessa partilha musical se iniciou há 60 anos, no show “Nós, por exemplo”, no Teatro Vila Velha, em Salvador, em 1964. Ainda muito jovens, numa fase de revelação de caminhos para a música brasileira, eles surgiram como artistas inseparáveis de sua geração, no meio do agito das artes na capital baiana, ao lado de Gal, Gilberto Gil, Tom Zé, Roberto Santana, Alcyvando Luz, Djalma Corrêa, Fernando Lona, Piti e Perna Fróes. Bethânia despontava, porém, como uma cabeça acima de movimentos, determinada a criar um projeto estético fiel às suas paixões musicais profundas. Antes e depois do tropicalismo, Caetano seria um tradutor fraterno dessa poética. 

Com a mudança de Santo Amaro para Salvador, em 1960, os irmãos se tornaram cúmplices nas descobertas de uma grande cidade, da literatura de Clarice Lispector e de seus destinos artísticos. Juntos, experimentaram o teatro, a música e o cinema. Caetano era então o guia urbano de Bethânia, ainda saudosa da vida e da alma santamarenses. Em sua ida para o Rio de Janeiro, onde substituiu Nara Leão no espetáculo Opinião em 1965, Bethânia viajou acompanhada de Caetano, atendendo ao pedido do pai, José Telles Velloso. O sucesso da cantora teria consequências na história da música popular e no desenvolvimento das carreiras de Caetano, Gal e Gil. 

Aos 18 anos, ela avisou ao irmão que dali para frente definiria sozinha seu rumo no mundo. Mas, desde então, suas trajetórias artísticas não deixaram de estar entrelaçadas. Caetano compôs mais de 30 canções para gravações originais de Bethânia, pensando no alcance de sua voz e em sua presença cênica. Ainda na juventude, esse arco de belezas envolveu “Sol Negro” (em duo com Gal Costa) e “De Manhã” e se desenvolveria em joias como “Gema” e “Reconvexo”, um hit da “destemida Iara”. 

Mesmo canções registradas pelo próprio Caetano ganharam versões de forte marca autoral de Bethânia, como “Tigresa”, “O Ciúme” ou “Sete Mil Vezes”. Em “Um índio”, nos Doces Bárbaros, a cantora reivindicou para si a utopia indígena de Caetano. Não à toa, o escritor argentino Julio Cortázar suspeitava que os dois irmãos eram uma só pessoa. 

Em seis décadas de carreira, Caetano e Bethânia sustentaram um pacto artístico silencioso, uma identidade atemporal que aflorou em momentos decisivos: no álbum “Drama” (1972), produzido por Caetano, relevante para seu aprendizado em estúdio no retorno do exílio; na formação do grupo Doces Bárbaros, em 1976, quando Bethânia aglutinou seus manos baianos; no show que virou disco ao vivo, em 1978; em duos pontuais em suas discografias e – impossível esquecer – nas festas familiares no quintal de dona Canô, em Santo Amaro. 

Além de fazer letras, por vezes incorporando frases literais de Bethânia (“Baby” nasceu assim), ele também vestiu com melodias os poemas de Waly Salomão destinados à Abelha-Rainha. Com ela, aprendeu a amar a jovem guarda de Roberto Carlos. Esse elo musical e existencial ganhou um sentido elevado em tempos sombrios. No exílio em Londres, em 1971, Caetano cantou para o Brasil: “Maria Bethânia, please send me a letter”. Na pandemia, como mensagem contra a tristeza repentina do mundo, a irmã sugeriu que ele cantasse “Noite de Cristal”, que clama por “dias de outras cores”. A canção entraria no álbum “Meu Coco”, de 2021. 

A identificação mútua originou pontos brilhantes na criação do compositor, que chegava a traduzir melhor suas próprias emoções a partir da presença dramática da irmã. Caetano tem sido um decifrador do mito artístico de Bethânia dentro e fora dos palcos. Nessa linhagem de canções, podem ser lembradas “Drama” (“minha voz soa exatamente/ de onde no corpo da alma de uma pessoa/ se produz a palavra eu”), “Tapete Mágico” (“no palco Maria Bethânia desenha-se todas as chamas do pássaro”) e “Motriz”, em que ambos celebram a voz da mãe, Canô, como a matriz de um dom (“em tudo a voz de minha mãe/ e a minha voz na dela”). Em “Vaca Profana”, a irmã é sinônimo de intensidade amorosa: “Quero que pinte um amor Bethânia”. 

Em outros momentos, seus projetos artísticos levaram para o mundo os amores, as festas, as alegrias e as dores dos nascidos em Santo Amaro. Em “Purificar o Subaé” (1981) os irmãos cantaram pela salvação do rio de sua aldeia, falando em nome de todos os rios de todas as aldeias. 

Fiel a uma história de tantos desejos, a turnê Caetano & Bethânia vai apresentar em todas as regiões do país a eternidade poética de duas vozes que nos ajudaram a viver, mudar e pensar nosso tempo. A festa, a devoção, o canto de Canô, a dança do irmão Rodrigo Velloso, o som do Recôncavo, o samba da Mangueira, Gal, o raio de Iansã, alto astral, lindas canções: Caetano & Bethânia.

 


14 de março de 2024


Allianz Parque, São Paulo 

Caetano&Bethânia

Claudio Leal


O show “Caetano & Bethânia” significa uma conquista geracional e uma renovação da presença dos irmãos nos palcos. Estrelas da constelação surgida nos anos 1960, Caetano e Bethânia preservam uma inteligência poético-musical de encher olhos e estádios, com domínio do pensamento e da performance de alcance popular, sem confrontos com vertentes mais recentes do pop. Caetano, aos 82 anos, e Bethânia, aos 78, estão no palco como artistas únicos que simbolizam a história coletiva de uma geração singular na música moderna.

É importante olhar Caetano enquanto Bethânia canta. A expressão cênica de Bethânia, rara cantora a produzir marcos no teatro brasileiro (“Rosa dos Ventos”, “Drama”, “A Cena Muda”), não é nenhum segredo. Mas, aqui, ela atinge uma dimensão inédita. A cantora-atriz essencializa os gestos, para se projetar no espetáculo audiovisual, e preenche os estádios com a sua voz. Tornou-se assim a nossa mais expressiva atriz de multidões, sensual e trágica. Pensei num instante maluco: Bethânia é a realização da utopia do “teatro de estádio” de Oswald de Andrade e Zé Celso. Olhei Caetano e percebi que, ao contemplar a irmã, ele parecia pensar sobre o mito teatral de Bethânia. Caetano pode ter instantes malucos no meio de cenas grandiosas. 

O roteiro incorpora núcleos e motivos familiares expandidos em leituras multiculturais do Brasil. Tudo é uma questão pessoal. Nada é só uma questão pessoal, e o show se abre a visões panorâmicas. Os irmãos saem de uma cidade de interior (“Motriz” e “Não identificado”), celebram as religiosidades, alcançam a “Tropicália” e chegam ao pessimismo de “Marginália II”, de Gil e Torquato (“aqui é o fim do mundo”). O imaginário religioso não se restringe a igrejas e terreiros, e há espaço para o sebastianismo de “Um Índio”, crença mais oculta. O samba de roda do recôncavo, introduzido por “13 de Maio” no segmento inicial, surge como uma versão amplificada dos aniversários de outro irmão, o festeiro Rodrigo Velloso, no quintal da casa de Santo Amaro.

O show cruza as trajetórias dos irmãos e clareia os caminhos pessoais, representados também pelas canções de sucesso radiofônico, que demonstram a complexidade da vida comercial de ambos. 

A junção de “Fé” e “Reconvexo” foi uma sábia reunião de duas canções nascidas da ira, afirmativas de sensibilidades brasileiras inspiradas pelo sagrado e profano. Além disso, as cidades e as irmandades da alma: Rio-Mangueira, Bahia e Sampa-tropicalismo; Gil e Gal. No figurino, os orixás.

Caetano cria o ponto de tensão do show. Na hora do louvor evangélico “Deus Cuida de Mim”, a plateia é menos acolhedora e conversa fiado. Embora o crescimento de igrejas neopentecostais me preocupe mais em uma perspectiva pessimista, reconheço sua coragem de enfrentar o próprio público, de inocular a dúvida e a dissonância, como “agent provocateur”. Para Caetano, espetáculos dessa envergadura não fazem sentido sem esse grão de sal. Na turnê com Gil, “As Camélias do Quilombo do Leblon” cumpriu um papel análogo. Contestador ou contestado, ele continua a ser a mais influente inteligência artística do país. 

“Caetano & Bethânia” é o mundo que uma família pode absorver, expandir e cantar.

 


miércoles, 11 de diciembre de 2024

2024 - FÉ

 








"'Fé' já me atraiu e quando eu ouvi a canção com aquelas palavras, aquele enredo, eu falei: é muito sentida, muito inteligente, boa e é cara de hoje do mundo, do Brasil, de nós, da música popular brasileira. Isso é lindo!. Peguei o telefone e liguei pro Caetano (estava muito no princípio essa conversa de fazermos o show) e falei: Caetano, se a gente fizer o show, tem uma música que eu quero que entre, chama-se 'Fé', da IZA"


Maria Bethânia




Capa do single




2024 - CAETANO VELOSO

 

3 de dezembro de 2024


Caetano Veloso passeia pelas ruas do Pelourinho.











Regina Casé e Caetano Veloso





viernes, 23 de agosto de 2024

2024 - CAETANO&BETHÂNIA - Turnê - RIO DE JANEIRO

 



3, 4, 10, 11 de agosto de 2024



4/8/2024 - Foto: Marcos Hermes


O GLOBO 

Cultura


Em ‘Caetano & Bethânia’, cantores dão ao grande público tudo o que ele quer

 

Estreia da turnê de arena dos irmãos baianos, patrimônios da MPB, revela um show cheio de sucessos, com poucas mas boas surpresas

Por Silvio Essinger

Rio de Janeiro

04/08/2024


Maria Bethânia e Caetano Veloso no show 'Caetano & Bethânia' na Farmasi Arena (Rio) — Foto: Silvio Essinger


Quem um dia sonhou ver Caetano Veloso e Maria Bethânia juntos, em uma turnê para arenas, como astros de rock, a cumprir um extenso repertório com a soma de seus sucessos e clássicos... cuidado com o que você deseja, porque “Caetano & Bethânia”, o show que estreou na noite de sábado na Farmasi Arena, no Rio, é bem isso. 

Ao longo de duas horas de apresentação, os irmãos de 81 (Caetano) e 78 anos mostraram vitalidade e disposição de agradar a um público vasto (13 mil pessoas na noite) com um repertório que reunia tudo que se poderia querer deles, algumas poucas (mas boas) surpresas e a constatação de que não restam muitos artistas capazes de fazer o que eles fazem. 

A banquinha de merchandising (com camisetas e canecas da turnê, quase como relíquias de Aparecida do Norte), a pista livre de mesas, os fãs aglomerados desde cedo na frente do palco, a discotecagem animada, tudo isso ajudava a compor o clima de noite em arena que antecedeu os primeiros acordes do show. 

Enfim, às 22h19, com a banda no palco e luzes apagadas, a abertura bombástica de “Alegria, alegria” começou a desfazer o grande mistério de “Caetano & Bethânia”: convergindo para a frente do palco a partir das rampas pensadas pela diretora Bia Lessa, os irmãos, ambos vestindo veludo, embora de diferentes cores, uniram vozes no hino tropicalista de Caetano, e foram recebidos como os Beatles do Shea Stadium: com um canto da plateia em tão alto volume que, para quem estava mais na frente, o som dos astros, saído dos alto falantes, parecia baixo. 

Com a dinâmica tradicional dos irmãos (Bethânia mais teatral e Caetano em busca das pontuações musicais e poéticas), o show seguiu, sem pausas, por “Os mais doces bárbaros”, “Gente”, “Oração ao tempo” (a partir da qual o som foi regulado), “Motriz” e um “Objeto não identificado” muito aplaudido. A banda, formada segundo a direção musical conjunta dos braços direitos de Caetano (o guitarrista Lucas Nunes) e de Bethânia (o baixista Jorge Helder), deu às canções iniciais do espetáculo uma pegada mais grandiloquente, acelerada, que aos poucos foi se diversificando e abrindo espaço para algumas delícias musicais. 

Foi o caso da parte mais Bahia e africana do show, com “Milagres do povo” e (“Isso é Gil!”, alertou Caetano) “Filhos de Ghandi”, à qual o naipe de sopros de Diogo Gomes, Joana Queiroz e Marlon Sette providenciou um sabor todo especial. A mesma impressão de que uma alquimia musical tinha sido feita se deu na dobradinha “Um índio” e “Cajuína”, a partir da qual o show adquiriu uma leveza maior, permitindo a Caetano enfim pegar um violão para cantar, sem a irmã, o seu hit “Sozinho”, de Peninha. 

A opção por entregar de bandeja ao público suas músicas mais populares, nos momentos solo, acabou rendendo alguns dos melhores momentos de “Caetano & Bethânia”. No caso do cantor, com um “Leãozinho” gostoso, em ijexá, e um “Você é linda” que foi pura radiofonia. Já no de Bethânia, foi com “Brincar de viver”, “Explode coração”, “Negue” e “As canções que você fez pra mim”, em que ela explodiu de emoção soul emoldurada pelos sopros e por backing vocals. 

De volta ao show em dupla, num palco no qual os telões foram usados com sobriedade e bom gosto, sem grandes invenções, Caetano e Bethânia passaram pelos sambas de temática mangueirense e chegaram à esperada homenagem à amiga Gal Costa, com “Baby” e “Vaca profana” (dos versos “quero que pinte um amor Bethânia”, que Maria cantou rindo). Outro dos grandes momentos do show se deu pouco depois, com “O quereres”, uma daquelas odisseias poéticas de Caetano que deu gosto de ver Bethânia percorrer, junto com o irmão, até o fim. 

Iza e Kleber Lucas

A maior surpresa de “Caetano & Bethânia” veio na sequência: os dois defendendo com firmeza a “Fé”, hit da cantora Iza (“fé pra enfrentar esses filhos da puta!” – foi bonito vê-los cantar esses versos). Um contraponto curioso para a corajosa decisão de Caetano de lutar, na parte solo de seu show, pouco antes, pelo louvor “Deus cuida de mim”, do pastor Kleber Lucas. Mesmo com o argumento de que hoje muitos brasileiros hoje são evangélicos, mesmo já tendo gravado a canção com Kleber... a verdade é que ela ficou deslocada no show. 

Inevitável e indispensável, do repertório comum a Caetano e Bethânia, o delicioso samba baiano “Reconvexo” foi o número escolhido, com sabedoria, para o espetáculo começar a dizer adeus. Mas, também, como terminar um show desses, de tantas emoções e histórias? A solução encontrada foi das boas: logo após o “Reconvexo”, um “Tudo de novo” (canção feita por Caetano para o primeiro show em dupla com a irmã, de 1978), uma rápida saída do palco e uma volta, com a banda suingando com “Odara”, para as despedidas de fato. 

Bis, não teve. E nem precisou. 

Cotação: Ótimo


Victor Chapetta / AG News

Victor Chapetta / AG News

Victor Chapetta / AG News

Victor Chapetta / AG News













Foto: Daniel Ramalho












Foto: Rodrigo Goffredo


4/8/2024



4/8/2024 - Foto: Marcos Hermes

4/8/2024 - Foto: Marcos Hermes

4/8/2024 - Foto: Marcos Hermes





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Notícia

 

Filhos de Dona Canô

Entre o sagrado e o humano: Caetano Veloso e Maria Bethânia celebram legado musical na estreia de turnê conjunta no Rio

 

Reportagem de Zero Hora assistiu ao primeiro show dos irmãos baianos, realizado nesse sábado para 13 mil pessoas. Artistas serviram um repertório de sucessos, fizeram homenagens e transmitiram vigor e irmandade aos fãs

 

04/08/2024

 

WILLIAM MANSQUE do Rio de Janeiro 

* O repórter viajou à convite da Live Nation

 

Os dois em um. O sagrado e o humano. O intenso e o suave. Quem for à Arena do Grêmio, no dia 12 de outubro, verá a comunhão de dois filhos de Dona Canô. 

Caetano Veloso, 81 anos, e Maria Bethânia, 78, cantam suas trajetórias em pouco mais de duas horas. Ao mesmo tempo, agraciam a irmandade. 

A reportagem de Zero Hora assistiu ao primeiro show da turnê Caetano & Bethânia, realizado nesse sábado (3/8), na Farmasi Arena, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ). Diante de 13 mil pessoas, as crias de Santo Amaro (BA) repassaram sucessos e transmitiram vigor. 

Embora a montagem do palco seja elegante, com oito telões verticais — que exibem as imagens do show, apresentam fotos de arquivo, vídeos e animações em concomitância da canção que está sendo cantada —, não se pode esperar pomposos efeitos especiais. Obviamente, também não se pode cobrar que Caetano e Bethânia esbanjem grandes movimentos físicos pelo palco. Só a presença dos dois já é sagrada o suficiente. 

Acompanhados de uma megabanda com 11 integrantes – o que inclui nomes como Jorge Helder, um dos baixistas mais renomados da MPB, e participação especial de Pretinho da Serrinha na percussão —, os irmãos ainda propiciam o principal: gogó e interpretação. 

Porém, quando o show abriu com Alegria, Alegria, Caetano estava um pouco contido. Parecia incomodado com algo. Era, talvez, um problema técnico: o som de sua voz estava baixo e abafado. Essa questão foi consertada ao longo do show, mas, em alguns momentos, o volume do cantor era menor. De qualquer maneira, Caetano se soltou durante a apresentação e impôs aquele seu canto afinado e suave. 

Por outro lado, Bethânia segue ostentando seu costumeiro vocal grave e potente. É como se ela preenchesse cada espaço da atmosfera do ginásio toda vez que entrasse na música. Algumas vezes, o público vibrava quando a cantora entrava nos duetos.

Depois de Alegria, Alegria, o repertório seguiu com canções como Os Mais Doces Bárbaros, Oração ao Tempo, Milagres do Povo, Dedicatória e Filhos de Gandhi (versão da música de Gilberto Gil dedicada ao cortejo de afoxé). Os dois alternavam as estrofes das músicas. 

Na vez de Tropicália, Bethânia sentou-se do lado esquerdo do palco e ficou apenas observando o irmão cantar. Na música seguinte, Marginália II, rolou o inverso:

Caetano se acomodou no canto direito para ver a irmã brilhar. Foi uma constante do show: sorrisos de admiração por quem está ao lado. 

Em seguida, enquanto cantava a inevitável Um Índio, Bethânia derrapou na letra e admitiu levemente: “Errei”. O público aplaudiu. Os dois são entidades da música brasileira, mas também são humanos. 

 

Da balada ao louvor

Depois de Cajuína, Bethânia deixou o palco. Era a vez do bloco do Caetano. Na primeira música, ele empunhou o violão para fazer todo ginásio cantar a balada romántica Sozinho. A verve pop e doce de Caetano seguiu contemplada com Leãozinho, na sequência, sendo outro triunfo recebido calorosamente pela plateia. 

Depois da desilusão amorosa de Você Não Me Ensinou a Te Esquecer, Caetano trouxe a queridinha das novelas da Globo Você É Linda (trilha dos folhetins Belíssima, Fera Ferida, Além do Tempo e Eu Prometo). A deixa para os casais dançarem abraçados. 

Para encerrar o bloco, Caetano optou por um louvor: Deus Cuida de Mim, parceria com o pastor Kleber Lucas. Regravação de uma música de 1999 lançada como single em 2022, foi a música mais recente do repertório do show. Antes, ele anunciou: 

"O fato de virem crescendo enormemente o número de evangélicos no Brasil é uma coisa que tem imensa importância para mim. Por isso vou cantar o amado louvor de Kleber Lucas". 

Uma parcela do público comemorou e acompanhou a música. Mas, neste momento do show, parte da plateia ficou mais dispersa e se movimentou – saiu para comprar bebida ou foi ao banheiro.

 

A hora da loba 

Caetano deixou o palco para a vez da irmã. Se hoje as redes sociais costumam chamar uma mulher forte e independente de loba, é de se pensar que Bethânia facilmente lidera uma alcateia. 

Em seu bloco, a cantora trouxe Brincar de Viver e Explode Coração, dando razão a um diálogo do filme Aquarius (2016), em que Clara (Sônia Braga) aconselha o sobrinho: “Toca Maria Bethânia pra ela, mostra que tu é intenso”. 

A robustez da interpretação de Bethânia é incessante. Quando ela cantou sua versão de As Canções que Você Fez pra Mim, de Roberto Carlos, é possível que tenha convencido alguns por ali a mandarem uma mensagem de “lembrei de você” para uma pessoa errada. Momento delicado. 

Quando a introdução de Negue saiu apressada, enquanto a canção anterior ainda recebia ovação, a loba sentenciou para a banda: “Podem fazer de novo?”. Um momento até esperado, dado ao histórico sempre rígido e perfeccionista da cantora no palco. Ela sabe o que faz. Para fechar o bloco, Bethânia cantou Vida, de Chico Buarque.

 

Homenagens e celebração

Com a volta do irmão, houve um momento de exaltação à escola de samba Mangueira, resgatando samba-enredo e culminando na música Onde o Rio é Mais Baiano, de Caetano. 

A homenagem seguinte foi direcionada para Gal Costa, com a dobradinha Baby e Vaca Profana. “Gal para sempre”, bradaram os irmãos. Depois do tributo à Gal, foi a vez de outro baiano ser contemplado. Os irmãos interpretaram Gita, de Raul Seixas 

Depois de O Quereres, os irmãos apresentaram uma versão de Fé, da cantora Iza. De fato, pode ser animador ver Bethânia proferir o verso “Fé pra enfrentar esses filha da p***”. 

Uma das músicas mais aguardadas da turnê veio na sequência. Reconvexo sempre faz a plateia dançar. Aqui os dois irmãos ensaiaram uns passinhos no palco. Ao final, Bethânia beijou o rosto de Caetano. 

Por fim, Tudo de Novo fecha o show. É a música que abre o disco ao vivo dos dois, de 1978. Segundo Caetano já relatou, é uma música que ele fez para cantar com Bethânia, uma celebração. 

 

Talvez seja a música que melhor traduz o sentimento desta turnê: 

“Minha mãe, meu pai, meu povo/ Eis aqui tudo de novo/ A mesma grande saudade/ A mesma grande vontade / Meu povo, sofremos tanto/ Mas sabemos o que é bom/ Vamos fazer uma festa/ Noites assim como esta/ Podem nos levar pra o tom”. 

 

Ainda há um bis com Odara cantado pelo trio de backing vocals, como uma saideira festejante. Os irmãos voltam ao palco para se despedirem, Caetano até ensaia cantar, mas não prossegue. É um momento para o público celebrar o legado que viu no palco.

  

Show em Porto Alegre 

A turnê Caetano & Bethânia chegará a Porto Alegre no dia 12 de outubro, na Arena do Grêmio.

Os ingressos custam a partir de R$ 130 (meia-entrada) e pode ser adquiridos pela plataforma da Ticketmaster e na bilheteria da Arena (de terça a sábado, das 10h às 17h – não tem funcionamento em dias de jogos, feriados e emendas de feriados)


 

 












SET LIST 

[Domingo 4 de agosto de 2024]

 

CAETANO e BETHÂNIA

1. ALEGRIA, ALEGRIA (Caetano Veloso) 1967

2. OS MAIS DOCES BÁRBAROS (Caetano Veloso) 1976

3. GENTE (Caetano Veloso) 1977

4. ORAÇÃO AO TEMPO (Caetano Veloso) 1979

5. MOTRIZ (Caetano Veloso) 1983

6. NÃO IDENTIFICADO (Caetano Veloso) 1969

7. A TUA PRESENÇA MORENA (Caetano Veloso) 1977

8. 13 DE MAIO (Caetano Veloso) 2000

9. SAMBA DE DOIS-DOIS (Roque Ferreira/Paulo César Pinheiro) 2004

10. A DONZELA SE CASOU (Moreno Veloso) 2022

11. MILAGRES DO POVO (Caetano Veloso) 1985

 

Apresentação dos músicos

12. FILHOS DE GHANDI (Gilberto Gil) 1973

13. DEDICATÓRIA (Caetano Veloso) 1985

14. EU E A ÁGUA (Caetano Veloso) 1988

15. TROPICÁLIA (Caetano Veloso) 1967

16. MARGINÁLIA II (Gilberto Gil/Torquato Neto) 1968

17. UM ÍNDIO (Caetano Veloso) 1976

18. CAJUÍNA (Caetano Veloso) 1979

 

CAETANO

19. SOZINHO (Peninha ) 1996

20. O LEÃOZINHO (Caetano Veloso) 1977

21. VOCÊ NÃO ME ENSINOU A TE ESQUECER (Fernando Mendes, José Wilson e Lucas) 1978

22. VOCÊ É LINDA (Caetano Veloso) 1983

23. DEUS CUIDA DE MIM (Kleber Lucas) 1999


BETHÂNIA

24. BRINCAR DE VIVER (Guilherme Arantes/Jon Lucien) 1983

25. EXPLODE CORAÇÃO (Gonzaguinha) 1978

26. AS CANÇÕES QUE VOCÊ FEZ PRA MIM (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) 1966

27. NEGUE (Adelino Moreira/Enzo Almeida Passos) 1960

28. VIDA (Chico Buarque) 1980

 

CAETANO e BETHÂNIA

29. SEI LÁ, MANGUEIRA (Paulinho da Viola/Hermínio Bello de Carvalho) 1968

30. ATRÁS DA VERDE-E-ROSA SÓ NÃO VAI QUEM JÁ MORREU (David Correia, Paulinho Carvalho, Carlos Senna e Bira do Ponto (1993)

31. MARIA BETHÂNIA, A MENINA DOS OLHOS DE OYÁ (Alemão do Cavaco/Almyr/Cadu/Lacyr D Mangueira/Paulinho Bandolim/Renan Brandão) 2016

32. EXALTAÇÃO A MANGUEIRA (Aloísio Augusto da Costa/Enéas de Brito) 1955

33. ONDE O RIO É MAIS BAIANO (Caetano Veloso) 1994

34. BABY (Caetano Veloso)

35. VACA PROFANA (Caetano Veloso) 1984

36. GITA (Raul Seixas/Paulo Coelho) 1974

37. O QUERERES (Caetano Veloso) 1984

38. FÉ (IZA/Sérgio Santos/Pablo Bispo/Ruxell/Lukinhas/Henrique Bacellar/Junior Pierro/Fabinho Negramande) 2022

39. RECONVEXO (Caetano Veloso) 1989

40. TUDO DE NOVO (Caetano Veloso) 1978

 

Final

41. ODARA (Caetano Veloso) 1977



 

3/8/2024 - Carolina Dieckmann e Preta Gil (8/8/1974-20/7/2025)
Foto: Victor Chapetta / Agnews