Álbum “Amigos novos e antigos"
80 anos de João Bosco
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João Bosco (à esquerda) com Caetano Veloso
em 'Sinhá' (2011), segunda das duas parcerias do artista mineiro com Chico
Buarque - Foto: Victor Correa / Divulgação |
“Estar ao lado de Caetano e dizer a ele tantas
coisas que sinto em relação à sua obra – e ouvir o que ele falou sobre mim –
são a síntese deste novo trabalho. É justamente a razão de ser do álbum:
celebrar os amigos, os encontros, a admiração e o afeto que a música foi
construindo ao longo da vida” (J.B.)
João Bosco e Caetano Veloso
SINHÁ
(João Bosco/Chico Buarque)
2011
Se a dona se banhou
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem
Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê
Que nunca vi Sinhá
Por que me faz tão mal
Com olhos tão azuis
Me benzo com o sinal
Da santa cruz
Eu só cheguei no açude
Atrás da sabiá
Olhava o arvoredo
Eu não olhei Sinhá
Se a dona se despiu
Eu já andava além
Estava na moenda
Estava para Xerém
Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá
Para que que vosmincê
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê
Me tira a luz
E assim vai se encerrar
O conto de um cantor
Com voz do pelourinho
E ares de senhor
Cantor atormentado
Herdeiro sarará
Do nome e do renome
De um feroz senhor de engenho
E das mandingas de um escravo
Que no engenho enfeitiçou Sinhá























