lunes, 13 de abril de 2026

1998 - GAL COSTA - JVC JAZZ FESTIVAL

 



JVC Jazz Festival, de Nova York, realizado de 15 a 27 de junho de 1998.


Dia 23 de junho
Tuesday
Gal Costa
Avery Fisher Hall (no Lincoln Center)















São Paulo, quinta-feira, 25 de junho de 1998

Show de Gal vira baile carnavalesco em NY

CARLOS CALADO
ESPECIAL PARA A FOLHA


A derrota da seleção verde-amarela na Copa não diminuiu a animação dos brasileiros radicados em Nova York. Pelo menos foi o que centenas deles demonstraram poucas horas após a partida, durante o show de Gal Costa, no JVC Jazz Festival.

Até algumas camisetas da seleção brasileira foram vistas na platéia. O imponente Avery Fisher Hall acabou virando salão de baile carnavalesco, quando Gal relembrou as dançantes "Festa do Interior" e "Balancê", músicas que foram escolhidas para o bis de sua apresentação.Apesar de ter sido anunciado como "Gal Costa and Friends", o show exibido pela cantora em Nova York não contou com convidados especiais.

Basicamente, foi o mesmo que vem rodando o Brasil durante os últimos meses.

A diferença é que Gal estava em uma noite especial. Combinando magnetismo e sensualidade com sua voz privilegiada, dominou completamente a platéia durante uma hora e meia.

Gritos de "maravilhosa", em vários momentos, deram a medida do carisma da cantora.Sorrindo e imitando os trejeitos de Carmem Miranda, Gal abriu o show com o clássico samba "Aquarela do Brasil" (de Ary Barroso), seguido por "Falsa Baiana" (de Geraldo Pereira).

Bastavam duas ou três palavras de cada novo número para que a platéia explodisse em aplausos e assobios.

Em sucessos como "Que Pena", "Você Não Entende Nada" e "Barato Total", os mais animados formaram um coro para acompanhar a cantora.

Não faltou também a declarada homenagem ao compositor Tom Jobim, que Gal fez questão de anunciar em inglês: uma versão emocionada da canção "Dindi", devidamente seguida por "A Felicidade" e "Corcovado".

Menos conhecida pelo público nova-iorquino, "Vapor Barato" (de Jards Macalé e Waly Salomão) fechou o show com um efeito surpreendente. Depois de ouvi-la, em absoluto silêncio, toda a platéia levantou-se para aplaudir.

Interpretada por Gal em inglês irrepreensível, "London, London" (de Caetano Veloso) também soou especial para os norte-americanos presentes no Avery Fisher Hall.

Por alguns minutos, tiveram a rara chance de ouvir uma grande intérprete brasileira, entendendo o que ela cantava.

O jornalista Carlos Calado viajou a convite da JVC do Brasil e da United Airlines.

 

 


1998 - JVC JAZZ FESTIVAL - 4 noites de MPB

 


26ª edição do JVC Jazz Festival 


JVC Jazz Festival, de Nova York, realizado de 15 a 27 de junho de 1998.



São Paulo, sexta, 17 de abril de 1998 

MÚSICA

O festival nova-iorquino acontece de 15 a 27 de junho, com shows de João Gilberto, Maria Bethânia e Gal Costa

MPB comanda quatro noites do JVC Jazz

 

CARLOS CALADO
especial para a Folha

O JVC Jazz Festival -o mais tradicional evento do gênero nos EUA- vai reforçar a ênfase que vem dando, nos últimos anos, à música popular brasileira.
Em sua 26ª edição, que acontece de 15 a 27 de junho, o festival nova-iorquino dobra o número de noites dedicadas à MPB. Desta vez serão quatro concertos, em palcos nobres como o do Carnegie Hall e o do Avery Fisher Hall.

Esse destaque vem acompanhado de pompa e circunstância. Normalmente encabeçado por grandes astros do jazz ou do blues, o primeiro concerto no Carnegie Hall -dia 19 de junho- será estrelado por João Gilberto.
Em princípio, o cantor e compositor vai comemorar os 40 anos da bossa nova, acompanhado apenas por seu violão. No entanto, surpresas e parcerias de última hora não estão descartadas.

"Chegamos a pensar em nomes de convidados, mas o João prefere surpreender a platéia", diz o produtor Hélio Alves, que acaba de assumir a coordenação das noites brasileiras do festival com sua empresa The Brazilian Beat.

Um dia após João Gilberto, será a vez de Maria Bethânia subir ao palco do Carnegie Hall, para apresentar o show "Âmbar/Imitação da Vida". A cantora não se exibe em Nova York há nove anos.

A presença brasileira no JVC Jazz Festival prossegue no dia 23 de junho. Acompanhada por sua banda, Gal Costa comemora 30 anos de carreira fonográfica, no palco do Avery Fisher Hall.

Já na noite seguinte, o concerto "Brazilian Jazz Ensemble" pretende reunir no mesmo Avery Fisher Hall uma seleção de craques da música instrumental brasileira.
Além do violonista e cantor João Bosco, o programa divulgado inicialmente incluiria também Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Toninho Horta e Hélio Delmiro. No entanto, a participação de Hermeto já foi cancelada.
"Infelizmente, eles se anteciparam antes de fecharmos o contrato", disse ontem à Folha Luiz Bueno, produtor do músico alagoano.

Expansão da MPB

Animado com o aumento do interesse pela música popular brasileira nos EUA, André Alves ressalta o fato de os shows brasileiros terem sido os mais disputados durante a última edição do evento nova-iorquino.

"Por isso, sugeri a George Wein, diretor-geral do JVC, que aumentasse o número de concertos. Agora teremos um verdadeiro festival de música brasileira dentro do festival de jazz", comemora.
O conceito de festival dentro do festival foi aplicado também a uma série de concertos na sala Sylvia and Danny Kaye Playhouse, que começa no dia 15 de junho. Graças a essa programação, as já tradicionais 9 noites do JVC Jazz Festival transformaram-se em 13.

Tributos ao pianista Fats Waller (no dia 15), ao compositor Harold Arlen (dia 18) e ao guitarrista Herb Ellis (dia 16), servirão de pretexto para as aparições de vários veteranos do jazz, como os trompetistas Clark Terry e Harry Edison, ou os guitarristas Charlie Byrd, Tal Farlow e o roqueiro Andy Summers.

Outro segmento que também vem ganhando mais espaço no festival é o da música afro-cubana. Como já acontecera em 97, o JVC dedica sua última noite, no Carnegie Hall, a um encontro de medalhões do gênero: a cantora Célia Cruz, o percussionista Tito Puente e o trompetista Arturo Sandoval.

Outras duas noites destacam atrações latinas. No dia 21, Rubén Blades canta no Carnegie Hall. No dia 26, o Hammerstein Ballroom promove o encontro das bandas Los Van Van e Cubanismo.

Já entre as atrações mais jazzísticas, há opções para quase todos os gostos -do concerto da cantora Cassandra Wilson ao show comandado pelo organista Jack McDuff, ambos no dia 23.












15 de junho de 1998


Destaques do evento


Dia 19 de junho
Sexta
João Gilberto
Carnegie Hall

 
Dia 20 de junho
Sábado
Maria Bethânia
Carnegie Hall

 
Dia 23 de junho
Tuesday
Gal Costa
Avery Fisher Hall (no Lincoln Center)

Dia 24 de junho
Wednesday
João Bosco
Avery Fisher Hall (no Lincoln Center)








15 de junho de 1998


MÚSICA


João Gilberto, Maria Bethânia, João Bosco e Gal Costa são atrações do evento que começa hoje em Nova York

JVC Jazz Festival destaca 4 noites de MPB

CARLOS CALADO
especial para a Folha

Um concerto em homenagem ao pianista e cantor norte-americano Fats Waller (1904-1943) abre hoje à noite, em Nova York, a 26ª edição do JVC Jazz Festival.

O mais prestigioso evento do gênero nos EUA -que oferece mais de 50 programas entre concertos, shows ao ar livre e workshops até dia 27- aumentou a ênfase que já vinha dando à música brasileira nos últimos anos.

Para essa edição, o JVC programou um minifestival de música brasileira, que vai ocupar durante quatro noites suas salas mais nobres: o Carnegie Hall e o Avery Fisher Hall (no Lincoln Center).

Quem abre essa série de concertos é João Gilberto. Na próxima sexta-feira, o cantor e compositor comemora os 40 anos da Bossa Nova, acompanhado por seu violão, no palco do Carnegie Hall.

No sábado, a atração é Maria Bethânia. Há nove anos sem se apresentar em Nova York, a cantora baiana exibe seu show "Âmbar/Imitação da Vida".

Outro concerto em tom comemorativo acontece no dia 23: a cantora Gal Costa festeja 30 anos de carreira fonográfica, acompanhada por sua banda, no palco do Avery Fisher Hall.

A mostra verde-amarela termina no dia 24. O show "Brazilian Jazz Ensemble" reúne quatro astros da MPB e do instrumental brasileiro: Leny Andrade (que substitui Hermeto Pascoal, anunciado inicialmente), João Bosco, Egberto Gismonti e Toninho Horta.

"A comunidade dos músicos de Nova York está excitada com a chance de ouvir todas essas feras juntas", diz o produtor Hélio Alves, que assumiu a coordenação das noites brasileiras, neste ano.

Outros festivais internos compõem o JVC 98. Além da homenagem de hoje a Fats Waller, com o trompetista Clark Terry e o pianista George Wein (criador e diretor do festival), mais cinco tributos acontecerão na sala Sylvia and Danny Kaye Playhouse.

Jazzistas da velha guarda, como o guitarrista Charlie Byrd e a pianista Marian McPartland, vão homenagear outros veteranos do gênero, como o guitarrista Herb Ellis (amanhã) e os trompetistas Harry Edison (quarta) e Jimmy McPartland (dia 22).

Para os fãs do jazz moderno, alguns dos concertos mais atraentes do festival estão programados para o Symphony Space, onde acontece a série "In the Pocket".
O elenco destaca a Mingus Big Band, os bateristas T.S. Monk, Jack DeJohnette e Leon Parker, o tubista Howard Johnson, os trompetistas Jon Faddis e Tom Harrell e os saxofonistas George Coleman, Chico Freeman e David Newman.

Apesar de repetir nomes de edições recentes, o Carnegie Hall também oferece outros programas apetitosos, comandados pelos cantores Cassandra Wilson, Ruben Blades e Celia Cruz.

Sobre os rumores de que o JVC pode sofrer mudanças essenciais em 99, após a venda de ações do evento para a emissora de TV BET (Black Entertainment Television), Hélio Alves se diz tranquilo.

"George Wein continua na direção do festival e jamais abriria mão de seu caráter. A entrada da BET não muda nada. Só fortalece o evento", diz o produtor.

Duofel


Comemorando 20 anos de carreira, os violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, que formam o Duofel, também se apresentam em Nova York, na quinta-feira.

O duo instrumental paulista será uma das atrações do Summerstage -série de concertos gratuitos, realizados no verão, no Central Park. Também participam o grupo Boca Livre, o percussionista Cyro Baptista, o cantor Ed Motta e as bandas Karnak e O Rappa.

 












June 19, 1998


A Burst of Brazilian Music Reflects Four Decades of Cultural Interchange


By Jon Pareles

The music of Brazil is a tuneful affirmation of the beauties of cultural interchange. Ever since foreigners started showing up in South America, Brazilians have borrowed and transformed the music that showed up with them. This weekend, and in the days that follow, New Yorkers have a chance to hear the results of four decades of Brazilian musical alchemy, with two festivals creating the most concentrated Brazilian invasion in at least a decade. 

Over the next few days, lucky New Yorkers can hear Brazilian syncretism in action, from the understated samba-jazz-pop innovation that was the bossa nova to the globe-hopping, electronically sampled information overload of a 1990's group called Karnak. 

The JVC Jazz Festival has booked Joao Gilberto, the father of the bossa nova, for a sold-out concert tonight at Carnegie Hall; the reclusive, whispery singer, who rarely tours, is celebrating the 40th anniversary of his first bossa nova single. On Wednesday at Avery Fisher Hall, the JVC festival brings together the guitarists Joao Bosco, Egberto Gismonti and Toninho Horta, backed by first-rate Brazilian sidemen, as the Brazilian Jazz Ensemble. 

And in between are concerts by two major singers -- Maria Bethania (at Carnegie Hall tomorrow) and Gal Costa (at Avery Fisher Hall on Tuesday) -- from the movement called tropicalismo, Brazil's major musical wave of the late 1960's and early 70's. Tropicalismo merged Brazilian traditions with the wild-eyed possibilities of rock and was spearheaded by songwriters who rank with the best musicians alive: Caetano Veloso (Ms. Bethania's brother) and Gilberto Gil. 

Ms. Bethania and Ms. Costa are lifetime friends from Bahia, where they grew up with Mr. Veloso and Mr. Gil. When the two songwriters, who were already stars in Brazil, grew a little too inventive for the dictatorship that was running Brazil in the late 60's, both were imprisoned and then exiled to London. There, they soaked up English rock from the Beatles to Traffic to Pink Floyd. Meanwhile, they were sending songs back home, where Ms. Costa and Ms. Bethania would perform and record them. 

Ms. Bethania is revered in Brazil, but has not performed in New York City since 1988; her deep contralto voice gives her songs a pensive dignity. Ms. Costa's show at Avery Fisher Hall looks back to the early days of tropicalismo, following up on an album, ''Acustico'' (''Unplugged''), that she recorded in a concert for MTV Brasil. On it, she revives some of the songs from the early days of tropicalismo; in concert, as on the album, she will be backed by a small band playing acoustic instruments.

''It is such beautiful and rich material'', she said. ''And the way that I sing is very different 30 years later. The feeling is much deeper.'' 

Ms. Costa is one of the world's most graceful singers, with a voice that brings tender understanding to every line. ''To be a good singer, you must always think about the words and what the words say,'' she said. ''I must identify with the song and find something in common with the lyrics of the song. I try to feel every word.'' 

Meanwhile, Central Park Summerstage has chosen this week for its own Brazilian music festival, which started on Wednesday. Tonight, the percussionist Cyro Baptista leads his group, Beat the Donkey, a band of percussionists who merge carnival traditions with modern friskiness. Sharing the bill is Dance Brazil, performing a work about what gold mining did to the people of the Amazonas region; the score is by Mr. Veloso.