Teatro Francisco Nunes - Belo Horizonte
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| Foto: Manuel Serpa |
Acervo digitalizado de la obra de Caetano Veloso, organizado por Evangelina Maffei [Buenos Aires, Argentina] Fecha de inicio: 2/12/2010. Sitio oficial de Caetano Veloso: http://www.caetanoveloso.com.br
Mart´nália estreia clipe de ‘Domingo’, com Caetano
Veloso
16/12/2024
Canção que integra o álbum “Pagode da Mart´nália”, em que a cantora carioca revisita clássicos do pagode dos anos 90, “Domingo” ganhou clipe oficial. Registrado em estúdio, com a presença de Caetano Veloso, que colabora com Mart´nália nesta nova releitura, o clipe ficou disponível, no domingo, 15 de dezembro de 2024.
Originalmente
interpretada pelo grupo Só Pra Contrariar e com letra de Alexandre Pires,
Fernando Pires, Vadinho e Renato Barros, “Domingo” ganha um lindíssimo arranjo
de cordas de Itamar Assière e Luiz Otávio, com os inconfundíveis vocais de
Mart´nália e Caetano Veloso.

Domingo quero te encontrar
E desabafar todo o meu sofrer
Estar ao teu lado, esquecer de tudo
Tudo que o amor até hoje nos fez sofrer
Esquecer a briga que deixou ferida
E que até hoje não cicatrizou
Te amar de novo faz parte da vida
Abre o coração, tudo tem sentido e tem razão
Cola o teu rosto no meu
Chega mais perto de mim
Faça de conta que eu sou teu namorado
Amar você é bom demais
É tudo que eu posso querer
Se tudo você tem melhor
Pior é te perder

2024 - MART'NÁLIA
Participação
Especial: CAETANO VELOSO
Álbum “Pagode
da Mart’nália”
Três Selos LP TS-076, B1. / Sony
Music Brazil
Lado A
Lado B
1. DOMINGO (Alexandre Pires/Fernando Pires/Vadinho/Renato Barros) Participação
especial: Caetano Veloso
2. RECADO À MINHA AMADA (Juninho/Fi/Salgadinho)
3. O TEU CHAMEGO (Beto Correa/Lucio Curvello)
Participação especial: Martinho da Vila
4. EU E ELA (Délcio Luiz/Ronaldo Barcellos)
5. SEM O TEU CALOR (Péricles/Chrigor/Izaías Marcelo)
6. ESSA TAL LIBERDADE
Participação especial: Luiz
Otávio
Capa do Álbum: Vik Muniz
Capa do Single: Marcia Alvarez e Stucky
A
Três Selos lança Pagode da Mart’nália, um álbum que reposiciona o pagode
romântico dos anos 1990 sob a ótica sofisticada e irreverente da cantora. Nesta
edição especial para colecionadores, o disco chega em vinil azul de 180g,
prensado pela Fábrica Rocinante, com encarte assinado pelo jornalista Ramiro
Zwetsch.
Dona
de uma assinatura vocal única, Mart’nália imprime sua cadência inconfundível a
um repertório emblemático, revisitando canções que marcaram época. A curadoria
das faixas, realizada pelos diretores artísticos Marcia Alvarez e Marcus Preto,
priorizou composições que dialogassem com a personalidade da artista,
respeitando o balanço e a sofisticação que sempre permearam sua carreira. O
resultado é um álbum que transcende a nostalgia e revela novas camadas nos
clássicos do pagode romântico.
A
produção musical ficou a cargo de Luiz Otávio, que trouxe um refinamento
instrumental ao trabalho, sem diluir sua essência popular. Acompanhada por uma
banda excepcional, Mart’nália recria sucessos de grupos como Só pra Contrariar,
Raça Negra, Molejo e Revelação, equilibrando leveza e profundidade.
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Jan, Marlene Moura, Guilherme Araújo, Marisa Alvarez Lima, Guto Burgos e João Vitorino |
Texto de Caetano Veloso para a Revista Status - fevereiro de 1985
Gal só me surpreendeu uma
vez: quando a conheci e a ouvi cantar. Foi uma surpresa tão grande e tão
profunda que ainda hoje vivo sob o seu impacto. Na hora eu pensei: "A
maior cantora do Brasil". Dai em diante foi só acompanhar os modos com que
essa constatação procurou se confirmar. Primeiro era a possibilidade de
realização da cantora de bossa nova ideal, com a combinação exata da emissão e
feeling que eu não encontrava em nenhuma outra (virtude ainda hoje intacta, a
chuva de prata da sua voz cobrindo o País). Depois a realização do rockcarnaval
tropicalista que a tornou estrela. Para mim, sempre mais cantora do que
estrela, embora esse estrelato tenha sido quase sempre uma exteriorização do
brilho de sua personalidade que antes só se revelava (e ocultava) no canto.
Ouvi-la e, talvez principalmente, vê-la cantar Força Estranha foi, para mim, tomar contato com um momento
de integração equilibrada entre as três dimensões - pessoa, estrela, cantora.
Vê-la cantar o Balancê foi
entrar em relação direta com o mito: chorei quase duas horas seguidas depois de
assistir o show "Gal
Tropical" só por causa do Balancê. Marina me alertou para o fato de que é perigoso
manter uma fidelidade assim, obstinada, à luz que se vê numa pessoa,
independente do que acontece com ela ou do que ela faz: nega-se-lhe o drama,
todas as mudanças aparecem ilusões de superfície, aprisiona-se a pessoa. De
todo modo, creio que só eu compartilhei com Marina da opinião favorável ao show
"Fantasia", no meu entender o melhor espetáculo que Gal apresentou
desde "Fatal",
com exceção talvez de "Cantar",
mas "Cantar" fui
eu que dirigiu... os números finais de "Gal Tropical" eram lindos, mas o todo do show era
muito estranho pra mim. "Fantasia" não pareceu (a mim e a Marina)
forte, grande e sincero. Às vezes tenho certeza de que esse show teria sido um
sucesso se tivesse sido lançado em São Paulo, onde o "Tropical" não
pegou como temi que o meu "Velô" talvez ão começasse bem no Rio. Mas
eu gostaria que as pessoas pudessem ver Gal como eu vi no "Fantasia".
Estou absolutamente certo de que é um equivoco profundo e perigoso que assim
não seja e muitas coisas não andarão bem enquanto isso não se der. Ali sim, eu
a vi lindíssimamente bem vestida e bem nua, no caminho certo e cantando bem.
Não se trata de corresponder às subdesenvolvidas exigências brasileiras de que
as cantoras sejam ao mesmo tempo manequins elegantes e pensadoras políticas
(quem reparou na peruca loura da Ella
Fizgerald ou nas botinhas de strass de Sarah Vaughan?). O fundamental é que a roupa se torne
sagrada para quem a veste. Um corpo nu é uma mensagem complexa. Quando eu tava
entrando na puberdade, eu era nudista, misturava meus desejos exibicionistas à
ingênua ideia de que roupa é apenas uma repressão desnecessária, achava que não
devíamos nos envergonhar do nosso corpo e não imaginava que o homem nunca é nu.
Lembro do festival de rock da ilha de Wight, milhares de pessoas nuas na praia:
eu ficava excitado, mas não envergonhado ou escandalizado. Gal estava lá. Eu
nem me lembro se ela tirou a roupa. Eu nunca namorei com ela. Uma vez tive uma
pequena discussão com o jornalista Ruy Castro (terá sido mesmo esse?) por causa
dessa mania atual de se perguntar aos entrevistados se já treparam, se já
brocharam, etc. . . Foi na casa do Eduardo Mascarenhas e por causa da
entrevista deste (ele já tinha se atrapalhado na resposta á pergunta sobre
brochada). Acho uma tolice que as pessoas se sintam na obrigação de narrar suas
intimidades. Pois bem, eu e Gal sempre brochamos todas as vezes que tentamos
brincar de namorar. No início da nossa carreira, dividíamos a cama de casal de
Guilherme Araújo em Sampa. Todas as noites eu tentava seduzi-la com um disco do
Bob Dylan e papo-furado. Ela sempre resistiu e terminávamos as noites às
gargalhadas. Acho que na época dos Doces Bárbaros, na Bahia, nós tentamos
fingir que íamos namorar no hotel onde ela estava hospedada. Foi legal porque
aí a vi nua como ela aparece em algumas dessas fotos bonitas e carinhosas que a
Marisa fez. Tomando banho. Gal é linda. Tem uma boca linda e é magnifico que
por essa boca saia exatamente essa voz. Sempre a senti mulata e uma das coisas
melhores de ela ter cortado agora os cabelos e tirado essas fotos nuas é a
revelação de sua mulatice. São deslumbrantes sobretudo onde a bunda aparece de
perfil, bem negra e bem dura. Há muita alegria física e muita dignidade nesse
corpo de mulher madura e menina. eu não sou leitor (voyeur) dessas revistas de
nua. Raramente olho, sem muito interesse, essas publicações. Parece que eu não
tenho tempo pra isso - é como jogar baralho ou assistir futebol pela TV. Me
entedia. Um dia Regina Casé me pediu um conselho se devia ou não liberar fotos
suas para uma dessas revistas e eu não soube dar. Gal também me perguntou e eu
disse: sou indiferente. Não me sinto, no entanto, indiferente diante de todas
as fotos de mulher nua (ou homem nu) que eu vejo. No caso de Gal, especialmente
eu sinto mil emoções relacionadas com o encontro de extensões daquela qualidade
essencial que um dia eu percebi na sua voz.
CAETANO VELOSO
