miércoles, 12 de junio de 2024

2012 - BETHÂNIA E AS PALAVRAS

 

Maria Bethânia diz que não tem muita coragem de falar com Deus

Nesta semana, em seu programa Viver Com Fé, que vai ao ar no canal pago GNT, nesta quarta-feira (20/6), às 21h30. Cissa Guimarães terá uma conversa muito especial com Maria Bethânia. Durante a entrevista, a cantora admitiu que é devota de Nossa Senhora. 

“Tudo meu é com ela porque não tenho muita coragem de falar com Deus”, confessa Bethânia. 

A cantora também contou à Cissa que sua oração predileta nas horas de aperto, de preocupação ou de alegria é a Ave Maria. E, como não podia deixar de ser, as duas lembraram da sábia Dona Canô, mãe de Bethânia e Caetano, que tem mais de 100 anos. 

“Ninguém pode viver sem amor, sem festa e sem devoção”, citou a cantora, a frase tão usada por sua mãe e as duas se emocionaram. 



20/6/2012

























Maria Bethânia se apresenta para plateia de famosos no Rio

Cissa Guimarães foi ao teatro conferir o novo show de Maria Bethânia, na noite desta segunda-feira (2/7) no Theatro Net Rio, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. A cantora apresentou o show "Bethânia e as Palavras" no projeto Dia de Biscoito.








martes, 11 de junio de 2024

2022 - ZECA VELOSO - O SOPRO DO FOLE

 

Maria Bethânia grava pela primeira vez uma música de autoria do sobrinho Zeca Veloso, artista carioca revelado como compositor há seis anos na voz de Gal Costa – com o registro da canção "Você me deu" no álbum Estratosférica (2015) – e projetado há quatro anos no show Ofertório (2017), feito por Zeca em família com o pai, Caetano Veloso, e com os irmãos Moreno Veloso e Tom Veloso.


‘O sopro do fole’, composto por Zeca Veloso e apresentada como canção de exílio de inspiração nordestina, é uma das onze músicas que formam o repertório de "Noturno", álbum que Maria Bethânia lançará em 30 de julho de 2021, em edição da gravadora Biscoito Fino, inclusive no formato de CD.


03/7/2021 - Álbum "Noturno"



- Agora fale sobre 'O Sopro do Fole', composição do Zeca Veloso.

Pois é. Meu sobrinho. Acho deslumbrante essa música, porque tem um escuro noturno dentro dela, uma força que se agiganta no ser humano. Quando me mostrou a música, Zeca não me pediu para gravar, era apenas para eu saber que ele se inspirou em mim. Só disse isso. Mas, quando ele começou a cantar, notei que, no primeiro verso, tem a palavra vento. Tenho uma ligação muito forte com essa palavra, pois tem relação com meu orixá. Já fico louca quando se fala em vento, me aproximo. Fui ouvindo e achando cada verso mais bonito que outro. E fiquei muito encantada em ver o Zeca, que é tão urbano, tão carioca, fazer uma canção regional, do sertão. É um vislumbre, uma sensibilidade. E eu ter inspirado esse pensamento, esse passeio por essa área, me alegra muito porque é uma área deslumbrante, musical, nobre. Acabei fazendo o arranjo, que ganhou força com o acordeão do Toninho Ferragutti, que atendeu ao meu pedido: quero frases entre as palavras. Uma conversa paralela porque a letra se refere à amplidão do fole. Não importa que seja ilustrativo, pois acho que me traduz tão lindamente. “Moço, esse vento que vem ali / Tirou meu chapéu, balançou meu cordão” - é muito forte, guerreiro. E se parece comigo. Tanto acredito que pedi para gravar.

Ubiratan Brasil entrevista Maria Bethânia, 30/7/2021 



Escrita por Zeca com inspiração na guarânia sertaneja e nas músicas caipiras que sua tia Maria Bethânia canta, a canção tem dois momentos: Bethânia emprestou sua interpretação à composição e gravou a primeira versão da música para o álbum “Noturno”, de 2021. A inspiração transbordou e Zeca completou “O Sopro do Fole” com uma segunda parte, que traz mais do interior e celebra a música rural.



6/5/2022


O SOPRO DO FOLE

Letra e música: Zeca Veloso

 

“Moço, esse vento que ali

Tirou meu chapeu, balançou meu cordão

É o sopro do fole de festa que aqui

Chegou do sertão

É nota tão clara bem na minha mão

Apertando os baixo do meu coração

É tudo que eu deixo pra trás sem mais não

No seco do chão

Eu

Sou passarinho sem casa

Mexendo a asa

Eu vivo no mundo mas não sou daqui

Pinga um pouco de água

Quando não consigo mais voar

Passa o trabaio e a boiada

É pousar na viola e tocar um modão

Não me diga que não gosta não

Moço, esse vento que aqui

Beijou meu cavalo na beira do mar

É o canto-seresta de quem já passou

E tá pra voltar

É o sopro que acende a máquina do Rio

Que vem lá do fundo do nosso Brasil

Quem viu, quem cantou, quem chorou, quem sorriu

Falou e subiu

Ê

É ferro, é fogo, é pisada

Ê, vaquejada

Ô, boa-nova, notícia-clarão

Eu já tenho em minha mão a senha, a cela e o esporão

O alazão a esperar o sertão virar mar

O mar acender em fogo então

É o fim, é o início, eu cantei

É a festa da volta do rei”

 



Dezembro de 2021, Santo Amaro - Maria Bethânia, Rodrigo Velloso e Zeca Veloso
Foto: Hick Duarte



Dezembro de 2021, Santo Amaro - Maria Bethânia, Rodrigo Velloso e Zeca Veloso
Foto: Hick Duarte



ZECA VELOSO LANÇA “O SOPRO DO FOLE” COM INSPIRAÇÃO NA GUARÂNIA SERTANEJA 

A FAIXA É A PRIMEIRA DE SEU ÁLBUM DE ESTREIA


Redação

06.05.2022

 



Foto: Hick Duarte

Assim como o fole, que, em um instrumento musical, mantém o fluxo constante de ar, permitindo a emissão dos sons, Zeca Veloso refresca as nuances do interior e circula entre diferentes perspectivas a partir da música que vem de lá em “O Sopro do Fole”. Homenageando a arte e os costumes, ele narra uma conversa do campo para a cidade, do interior para o litoral. A faixa é a primeira de seu álbum de estreia. 

Escrita por Zeca Veloso com inspiração na guarânia sertaneja e nas músicas caipiras que sua tia Maria Bethânia canta, a canção tem dois momentos: Bethânia emprestou sua indiscutível interpretação à composição e gravou a primeira versão da música para o álbum “Noturno”, de 2021. A inspiração transbordou e Zeca completou “O Sopro do Fole” com uma segunda parte, que traz mais do interior, além de celebrar a música de nomes como a saudosa Marília Mendonça e João Gomes.

 


Foto: Hick Duarte


Pode-se dizer que ‘O Sopro do Fole’ é sobre o sertanejo na cidade grande, no litoral, no Rio. O sertão que me inspirou a fazer essa música é tanto o de Elomar, quanto o de Marília Mendonça, é tanto o de Cascatinha e Inhana, quanto o de Zé Neto e Cristiano ou Gusttavo Lima. É tanto o de Almir Sater, Sérgio Reis… a moda de viola, quanto o de Maiara & Maraísa. Tanto o de Xangai, quanto o de Zé Vaqueiro, João Gomes, mas, embora minha música possa parecer mais com a dos primeiros, foi principalmente por ver o Rio de Janeiro tomado pela música dos segundos que eu compus essa canção. Fole é um jeito de chamar o acordeom, mas também é um instrumento usado para acender o fogo”, explica. 

“O Sopro do Fole” chega acompanhada de clipe que apresenta o conceito elaborado pelo artista. O vídeo estabelece uma sensível relação traduzida nas imagens que acompanham a canção, como explica Zeca: “Na música, um homem sertanejo fala com um moço do Sudeste sobre a vinda da gente do interior para a cidade grande, e da música rural com ela, usando o acordeom como símbolo. No clipe, que dirigi com meu parceiro Pedro Koeler, apareço com o fole no peito, no Rio, e em cenas no campo e na roça, filmadas em Minas. De alguma forma, talvez eu interprete esse eu lírico da música. Mas penso melhor no vídeo sentido do que explicado”. 

Sobre a letra, ele acrescenta: “Eu tinha acabado de ouvir uma guarânia gravada por um cantor sertanejo mineiro, e a melodia de ‘O Sopro do Fole’ apareceu na minha cabeça enquanto pensava nas músicas caipiras que minha tia Bethânia canta. Junto com as primeiras notas do refrão, eu ouvia ‘eu sou passarinho sem casa…’ e fiquei com a ideia, que eu chamava de ‘passarinho’, um tempo na cabeça. Terminei fazendo em volta dela a primeira parte da letra: um homem sertanejo fala com um rapaz do litoral. 'Moço, esse vento que aqui | Tirou meu chapéu, balançou meu cordão | É o sopro do fole de festa que aqui | Chegou do sertão' e termina com ‘Passa o trabaio e a boiada | É pousar na viola e tocar um modão | Não me diga que não gosta não’. 

Ele continua: “Era, pra mim, principalmente uma canção que se opunha ao preconceito contra a música e cultura sertanejas. Mostrei a Thiago Amud, que logo disse ‘você já sabe quem vai gravar, né?’. Eu pensei também em minha tia Bethânia, mas não imaginei que ela realmente fosse gravar. Ela ouviu a música, e algumas semanas depois tinha gravado e lançado no seu disco ‘Noturno’. Fiquei felicíssimo”. 

“Comecei a trabalhar no meu álbum e sentia que faltava uma segunda parte para aquela letra. Logo em seguida morreu uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, Marilia Mendonça. Talvez eu tenha tido coragem de escrever uma outra parte um dia antes, ou dois. Pra minha surpresa, me apareceu uma letra tão inspirada quanto a primeira. Menos consistente, mas maior por outro lado. Fala de mais coisas do sertão, faz referência a outras músicas do meu disco. Pra mim, tem Marília, tem uma homenagem ao grande João Gomes, que na época era #1 do Brasil”, finaliza.


domingo, 9 de junio de 2024

2003 - MARIA BETHÂNIA - Jazz à Vienne

 

3 de julho de 2003


Jazz à Vienne

Théâtre Antique


BRÉSIL

Gilberto Gil / Maria Bethânia


Foto: David Redfern




miércoles, 5 de junio de 2024

2019 - UMA GAROTA CHAMADA MARINA

 

Marina Lima completa 64 anos e é tema de documentário em sua homenagem

Filme sobre a vida da cantora é dirigido por Candé Salles e revela a efervescência da artista e da mulher


Um grito: “É para uma tribo que quer ser livre”, avisa Marina Lima sobre 
seu documentário - Foto: Divulgação


17 de setembro de 2019 

Uma das estreias mais aguardadas de setembro é o documentário Uma Garota Chamada Marina, sobre a vida de Marina Lima, dirigido por Candé Salles. O cineasta foi, inclusive, um dos poucos homens por quem a cantora e compositora – lésbica assumida desde os 18 anos – se apaixonou e namorou. E o filme é fruto, justamente, dessa relação. “Foram 10 anos filmando Marina. Tive a sorte de acompanhar um período rico, de muitas mudanças”, explica o diretor, que registrou a intimidade da ex e grande amiga entre Rio, São Paulo, Porto Alegre e Berlim. “Filmava com o que tinha na hora: do VHS, passando por câmera sofisticada e até com o meu celular”, adianta Candé. O resultado é inovador, intimista e apresenta uma artista que tem pouquíssimos registros audiovisuais – apenas um DVD nos seus mais de 40 anos de carreira. 

“Esse filme é dedicado aos ‘Grunkies’, uma tribo de gente que pensa igual, tem muito talento, mas não quer se enquadrar. Quer ser livre. Essa é a minha turma”, decreta Marina do alto dos seus 63 anos. Ela, inclusive, completa 64 anos dia 17 deste mês. Em ótima forma – continua fazendo shows pelo país com aquela barriga sarada de fora –, a artista revela seu segredo: “Sigo o método dos gregos: ginástica, prosa e muita música”.


 

Primeiro álbum: Ensaio para o disco 'Simples como Fogo', lançado por Marina em 1979 - Foto: Antônio Guerreiro/divulgação

 

O documentário começa com um poema escrito para ela pelo irmão, Antonio Cícero. Poeta e escritor, ele também é um dos parceiros musicais de Marina. “A vida inteira morei com meu irmão e começamos a compor juntos, mas por ter muita intimidade, às vezes a gente se estranhava. Uma hora acho que a gente enjoou um do outro e fomos cada um para um caminho. Na época, fiquei aflita, achando que ele estava sendo injusto comigo, mas depois a gente se encontrou e descobriu que sentíamos muita falta um do outro. Passados 15 anos, ainda estamos nessa lua de mel e sempre cheios de saudades”, ela se declara.

Outras figuras importantes na vida da cantora também dão depoimentos. O escritor Fernando Muniz fala da importância das parcerias musicais dela com o irmão. “O período Marina e Cícero, nos anos 80, foi de intenso ativismo”, relembra. Já o figurinista Cao Albuquerque entrega histórias de bastidores, da época que o Baixo Leblon tinha ares de centro do universo. “A Marina levava horas e horas para enrolar aquele cabelo. Até ficar perfeito. Mas perfeito de uma forma que parecesse bem rebelde. Às vezes eram quatro horas arrumando o cabelo para duas horas de aparição. E eram aparições mesmo: da casa do Caetano, ou de um encontro com Bob Marley ou com Moraes Moreira, até um pulo na Sótão, a boate da época no Rio”, recorda Cao, às gargalhadas.

Grande amigo de Marina e um dos maiores arquitetos brasileiros, Isay Weinfeld também participa. Ele, inclusive, dirigiu um dos shows dela, “Clímax”. “Sempre o achei muito inteligente. Conversamos muito sobre música, arte, artistas, sobre a vida mesmo. O bom humor e requinte dele são incríveis”, elogia Marina. A mulher da cantora, a advogada Lidice Xavier, é apresentada de forma poética. Enquanto a silhueta de Lidice é exibida, a música Ela e Eu, sucesso de Caetano Veloso gravado por Marina, toca ao fundo. E nada mais sobre a vida amorosa da artista é dito. E precisa? “Não dá para se referir à Marina só como cantora. Ela deu voz às mulheres nos anos 80 e representa um grito de liberdade. Marina fez muita gente gozar”, finaliza Cao Albuquerque.



Antônio Cícero e Marina Lima



03/12/2019

 

A pré-estreia do documentário de Marina Lima no Rio: Caetano Veloso, o casal Camila Pitanga e Beatriz Coelho


Marina Lima reuniu os amigos “cariocaxxx”, que não são poucos, na pré-estreia do documentário “Uma garota chamada Marina”, com direção de Candé Salles e produção de Leticia Monte e Lula Buarque de Hollanda, nessa segunda (02/12), no Estação Net Gávea, no Shopping da Gávea. Iam chegando Caetano Veloso, Camila Pitanga, pela primeira vez num evento público com a namorada, Beatriz Coelho; Oskar Metsavath, Antonio Pitanga, Leilane Neubarth, Sergio Marone, Pablo Morais, uma festa. 

O filme entra em cartaz em seis cidades, a partir do dia 16 de janeiro e também vai estar no Canal Curta. “Foram 10 anos filmando. Tive a sorte de acompanhar um período de muitas mudanças na sociedade, principalmente no que se refere à condição feminina que Marina, com suas músicas, retrata como ninguém”, diz Candé, um dos únicos homens ex-namorados de Marina, gay assumida desde os 18 anos, que registrou a intimidade da cantora entre Rio, São Paulo, Porto Alegre e em Berlim, Alemanha.




Fotos: Ari Kate



Marina Lima e Caetano Veloso


Candé Salles, Marina Lima e Caetano Veloso


Antônio Cícero e Caetano Veloso




Antônio Pitanga, Marina Lima e Caetano Veloso



Caetano Veloso, Pedro Colombo, Marcio Debellian e Antônio Cícero 






martes, 4 de junio de 2024

1980's - RONALDO BASTOS - LULU SANTOS - CAETANO VELOSO - CELSO FONSECA

 

Gabriela de Chevalier, Ronaldo Bastos, Lulu Santos, Paula Lavigne, Caetano Veloso, Celso Fonseca e Scarlet Moon de Chevalier




2012 - OÁSIS DE BETHÂNIA

 




Foto: José Raphael Berrêdo 



29 de março de 2012

Bethânia lança 50º disco e prepara show para o segundo semestre

De fora do álbum, Caetano terá música incluída no palco, promete cantora.

Aplicativo e rádio são lançados nesta quarta (28/3); CD sai na sexta (30/3).

José Raphael Berrêdo (Do G1 RJ)


A foto de Gringo Cardia na capa do 50º CD de Maria Bethânia, que chega às lojas na próxima sexta-feira (30), mostra o sertão de Alagoas, numa paisagem silenciosa. Trata-se do "Oásis de Bethânia", título do disco, e o retrato do lugar que a cantora imagina para se manter centrada, com os pés no chão. 

"Sertão é onde não tem nada. Não tem água. Falta tudo. É um limite que Deus coloca. Para mim, é como se fosse uma fonte, uma nascente pura. Tenho sempre que lembrar que existe esse lugar no meu país. Me bota do tamanho que eu sou. É a vida seca. É o filho de Deus, criado sem apoio, sem ajuda, sem nada. Retrata muito a coisa árida do mundo, e ao mesmo tempo o amor que o sertanejo tem por sua terra", explicou a cantora nesta quarta-feira (28), na entrevista coletiva para o lançamento do novo trabalho, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro.

 

 

"O sertão me coloca do 
tamanho que eu sou"

 

Bethânia

 

Em cada uma das 10 faixas (metade delas inéditas), Bethânia convidou um artista para fazer arranjo original, sobre música autoral ou não. Djavan assina sua própria e inédita "Vive", na qual ainda toca violão. Lenine cria sobre "Velho Francisco", de Chico Buarque ("Precisava de mais pegada, o Chico é suave e o Lenine dá uma pancada", explicou). Hamilton de Holanda, Jorge Helder, Jaime Além, Maurício Carrilho, Marcelo Costa e André Mehmari também assinam canções intepretadas pela Abelha Rainha da MPB. 

"Como o Brasil tem apresentado uma geração de extraordinários músicos, queria estar perto deles de algum modo. Como sou muito intérprete, mais do que cantora, era um sonho que não sabia se poderia realizar. Tive a alegria de eles se interessarem. E vieram lindos, amorosos. O resultado saiu como eu queria." 

Um compositor em especial ficou de fora: o irmão Caetano Veloso. "Na primeira lista ele estava, com uma canção estranhíssima, que fez em 1967 para mim. Ele musicou um poema de Sá de Miranda. Mas quando eu terminei, vi que estava sobrando. É mais uma coisa que eu posso guardar para a cena. O espetáculo que pretendo para o disco tem que ser diferente." 


Na rede

Bethânia concordou em fazer da internet o principal meio de divulgação do CD. Ignorante confessa do meio, no entanto, deixou a cargo da gravadora as questões virtuais. "Agora tudo é internet. Vocês estarem aqui hoje eu sei que é uma coisa antiquíssima, do século 18. A gravadora procurou ver a melhor maneira e me falou que seria pela internet, como todos hoje, Chico (Buarque) e Marisa (Monte). Acho maravilhoso, legal que façam. Eu só sei fazer o que  sempre fiz, sentar e falar sobre o meu trabalho. Sei que tem um monte de coisa aí e se é útil para a música, para o trabalho, é interessantíssimo, mas confesso total ignorância", disse, provocando risos. 

O "monte de coisa" a que se refere inclui a pré-venda no iTunes Brasil - em uma semana o disco conquistou o quinto lugar entre os mais vendidos, ao lado de "21" de Adele, "The Wall" do Pink Floyd e "Nothing but the beat" de David Guetta -; um aplicativo, disponível a partir desta quarta (28) nos gadgets da Apple (iPhone, iPod e iPad), com fotos, discografia e informações sobre o novo disco; e a Rádio Maria Bethânia, com todas as músicas dela no site da Biscoito Fino e com links para o iTunes e redes sociais da gravadora.

 

'Mundo grosseiro'

Com 50 discos no currículo ("Soube ontem [terça-feira] que eram 50", confessou), a baiana ainda se emociona ao ver o trabalho concluído. "Sempre me comove. Sinto uma coisa forte porque, como artista, sou muito verdadeira, lido com coisas muito finas. Poesia, música, corda vocal, que é mais tênue que um fio de cabelo. O mundo tá grosseiro, sem classe, sem delicadeza, sem querer prestar atenção aos detalhes. Quando vejo o trabalho pronto, é sinal de que eu andei assim mesmo. É o que me conforta e me faz vaidosa. Quando penso que talvez eu fragilize e depois vejo que fiz, é um prazer." 

Primeira brasileira a atingir a marca de 1 milhão de discos vendidos, com "Álibi", em 1978, Bethânia finalmente expõe no disco outra paixão sua, a poesia. Na faixa "Carta de amor", recita, entre a letra e melodia de Paulo César Pinheiro, um texto autoral. Um dos poucos, aliás, que não foram queimados. Ela explica: "Escrevo e queimo. Acho purificador. Aquilo existe em um momento e deve desaparecer. Não pretendo ser escritora".


 

Maria Bethânia: "A estupidez faz mais barulho

No lançamento do disco "Oásis de Bethânia", na sede gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro, a cantora Maria Bethânia comentou, pela primeira vez, os ataques ao projeto de divulgação de poesia na internet, através de um blog, coordenado pelo cineasta Andrucha Waddington e pelo antropólogo Hermano Vianna. Os produtores foram autorizados a captar até R$ 1,3 milhão na Lei Rouanet. Bombardeado por críticas, o projeto terminou arquivado. Na conversa com jornalistas, Bethânia abordou de forma indireta e, por um momento, sem sutilezas, sobre a polêmica. 

"O blog, eu não abortei. Primeiro que eu nem engravidei dele (sorri). Depois, o blog é do Hermano (Vianna) e do Andrucha, meus dois amigos amados. A ideia, a sugestão, tudo deles. Eles assistiram a uma leitura minha, na Casa dos Saberes, e ficaram encantados, me passaram a ideia. Foram me convidar para ser a intérprete desses projetos, dizendo os textos. Fiquei honradíssima e falei: se me chamarem, eu vou correndo", relatou a cantora baiana. "Mas aí teve aquele desagravo tão pesado, soturno. Hermano se zangou muito e escreveu: afinal o Brasil não merecia, não precisava de poesia. E cancelou o projeto, com toda razão. Mas o projeto é dos dois. Espero que um dia eles possam fazer. Porque era útil. É bonito. (...) O meu nome ficou assim, entre o Hermano e o Andrucha, o nome que podia mais causar um frisson. E aproveitaram. Como há muito tempo, desde que eu me entendo por gente, sou muito séria, faço meu trabalho, faço minha vida sossegada, não sou de turma, não me dou, minha praia é minha praia... Isso, há muitos anos, vem causando muita reverência, muito respeito, muito reconhecimento... Chega uma hora que incomoda". 

Com pequenas pausas, ela relatou o que sentiu após os ataques, citando um trecho da música "Querido diário", presente no disco recém-lançado de Chico Buarque: "Aí aproveitaram essa coisa pra me bater. Me bateram. Mas eu andei. E eu sou como Chico Buarque: não quebro, não, porque sou macia." 

Antes desse comentário, Bethânia afirmou que "o mundo está grosseiro, está sem classe, sem delicadeza". Terra Magazine questionou se, a partir dessa percepção, ela considera que o interesse por poesia diminuiu no País. "Não diminuiu nada. É uma fome que você não imagina. Mas é assim alucinante. Não só poesia, mas literatura de um modo geral", defendeu a artista. "Você vê a bienal infantil, a loucura que é. Vi ontem que o Brasil bateu recorde mundial de visita a uma exposição. Isso é maravilhoso. A vontade, a sede, a fome de cultura é cada vez maior. Cresce no mesmo volume da estupidez. Agora, a estupidez faz mais barulho. A poesia... A Neide Archanjo repete o Baudelaire, se não me engano: a poesia é uma pétala que cai sobre o abismo... A cavalaria vem e explode sobre ela. Mas a fome existe", comparou.

 Com doze músicas, o disco "Oásis de Bethânia" inclui uma canção que não deixa de pesar como uma resposta aos detratores: "Calúnia" (Marino Pinto/Paulo Soledade), consagrada pela voz de Dalva de Oliveira, uma das principais referências da cantora ¿ "Quiseste ofuscar minha fama/ E até jogar-me na lama/ Só porque vivo a brilhar/ Sim, mostraste ser invejoso/ Viraste até mentiroso/ Só para caluniar". Brincou com os jornalistas: quem quiser que vista a carapuça. O disco traz ainda um texto escrito pela cantora em 2010: "Carta de amor", que dialoga com os versos do auge das farpas públicas trocadas por Dalva e Herivelto Martins. "Eu escrevi esse texto, entre milhares, no ano passado, nem lembro quando, e foi bom escrever. Eu precisava escrever essas palavras. Escrevi e eu precisava dizer depois essas palavras. Disse. Não sei se é bom, se é mau, se é bonito, se é feio... Certo ou errado." 

Mais adiante, Bethânia procurou não limitar o alcance da junção de letras, mas reconheceu que pode favorecer a interpretação de que representa uma resposta às críticas ao projeto de poesia. "Na verdade, primeiro que eu não escrevo pra quem eu acho que não possa compreender. Eu escrevo pra mim. Acho que eu posso me compreender um pouquinho. Pro meu analista, mostro muitas coisas pra ele, pros meus amigos, atores, diretores, Fauzi Arap, Elias (Andreato)... Pessoas de dentro da minha vida e do meu coração. Pra essas pessoas, eu escrevo. Eu acho que serviu... A escolha de 'Calúnia'. Eu sempre passo no repertório de Dalva, em qualquer trabalho. Me veio 'Calúnia' e eu disse: pronto, é um bom prólogo pra esse texto", contou Bethânia. E sugeriu: "Dentro desse contexto e de todos os outros contextos que funciona. É como roteirista de show. Tá nítido ali. Na dramaturgia, eu acho que está claro. Então, escolhi assim. Mas eu não posso dedicar: fiz isso pensando... Porque fica pequeno. Eu faço. Atinge... A brincadeira de 'Carta de amor' é porque é, sinceramente, uma carta de amor para mim. Eu escrevendo pra me livrar de demônios, angústias, dores, mágoas ". 

Segundo a cantora, o disco "se dirige para uma mudança cênica". Mas não quis adiantar detalhes do show que nascerá do seu "Oásis", cuja capa traz uma foto de Gringo Cardia do sertão de Alagoas. "O sertão é o silêncio, a resignação e a dignidade", disse. Ela também analisou, na entrevista, os trabalhos recentes de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gal Costa. "Chico fez um dos discos mais bonitos do mundo". 

"Caetano que me deu ("Recanto"), no dia de Natal. Passamos na casa de minha mãe. Me deu de presente: 'Eu dediquei a você e ao Gil'. Eu disse: 'É o quê? Gilberto, tudo bem, músico e compositor da vida de Gal. Mas, eu?'... Ouvi o disco inteiro, lógico. É um disco que não é para ouvir toda hora, nem todo dia. Caetano é exuberante, cruel, dorido demais. Fiquei apaixonada pela primeira faixa", declarou Bethânia. Na análise do disco da companheira geracional, ela destacou a marca da autoria de Caetano. "Achei muito bem cantado. Não é um disco simples, não é um disco comum, não é um disco qualquer. Primeiro de tudo, eu acho que o Brasil, que tem no mesmo ano um disco inédito de Caetano Veloso e de Chico Buarque, isso é privilégio dos maiores. Caetano chamou a Gal para interpretar o seu ineditismo. Chico fez ele e os parceiros de música, João (Bosco) tocando... Tudo lindo. Eu acho dois trabalhos lindos, completamente diferentes, apaixonantes... Acho que é merecido, é um reconhecimento à cantora que sustentou o movimento que ele e Gil criaram. Por isso eu não entendi ser dedicado (a mim) ... Ele, Gil e Gal foram o centro do Tropicalismo. E Gal sempre foi a intérprete disso. Nada mais justo do que reconhecê-la, homenageá-la e reverenciá-la fazendo o disco. Não é um disco qualquer. É o Caetano". 

Ao fim da coletiva, a filha de Iansã correu para a frente casa da Biscoito Fino: "Vim pegar um pouco de chuva!".

 





Capa do CD 'Oásis de Bethânia' - Foto: Divulgação




1 – Lágrima (Candido das Neves)
2 – O Velho Francisco (Chico Buarque)
3 - Vive (Djavan) - Inédita
4 - Casablanca (Roque Ferreira) Inédita
5 - Calmaria (Jota Velloso) - Inédita
*Citação: Não Sei Quantas Almas Tenho (Bernardo Soares) Edição Fauzi Arap
6 - Fado (Roque Ferreira) - Inédita
7 - Barulho (Roque Ferreira)
8 – Calúnia (Marino Pinto / Paulo Soledane)
* Citação: Lágrima (Sebastião Nunes / Garcia Jr. / Jackson do Pandeiro)
9 - Carta de amor (música e letra: Paulo Cesar Pinheiro) - Inédita
* Texto: Maria Bethânia
10 – Salmo (Rafael Rabelo e Paulo Cesar Pinheiro)


lunes, 3 de junio de 2024

1980's - MARIA BETHÂNIA e DOM HÉLDER CÂMARA

 

Dom Hélder Câmera (1909/1999), Arcebispo emérito de Olinda e Recife e Maria Bethânia




2013 - CONCERTO DA SÉRIE "MPB & JAZZ 2013 " - GAL COSTA e WAGNER TISO

 

5 de junho de 2013

Gal Costa e Wagner Tiso ensaiam para o MPB & Jazz

Trata-se da comemoração dos 10 anos do MPB & Jazz, que acontece no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dia 8 de junho, a partir das 20h. 

Nesta quarta-feira (5/6), Gal e Tiso se encontraram na Fundição Progresso, Centro do Rio, para ensaiar para o show que vai marcar a noite. 

Os dois serão acompanhadosda Orquestra Petrobras Sinfônica, sob a batuta do maestro Carlos Prazeres. Também estará por lá o grupo Água de Moringa homenageando Radamés Gnattali, Pixinguinha, Tom Jobim e Villa-Lobos.


Wagner Tiso e Gal Costa







Gal Costa e José Maurício Machline




domingo, 2 de junio de 2024

2018 - MARIA BETHÂNIA NA SAPUCAÍ

 

12 de fevereiro de 2018

PRESENÇA RARA, MARIA BETHÂNIA VOLTOU À SAPUCAÍ PARA PRESTIGIAR A MANGUEIRA

 

Maria Bethânia: pé quente para a Mangueira - Foto: Gabriel Reis/Divulgação


Dois anos depois de ser enredo da Mangueira, conquistando o título de campeã, a cantora Maria Bethânia voltou à Sapucaí para conferir a presença da Verde e Rosa no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. De sandália de tiras, ela chegou ao camarote Folia Tropical acompanhada de um grupo de amigos.

 

Foto: Gabriel Reis


Bethânia foi pé quente para a escola. Em 2016, com o samba enredo “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”, a Mangueira quebrou um jejum de 13 anos sem ganhar o cobiçado título. No Sábado das Campeãs, Bethânia dispensou o carro alegórico e cruzou a Avenida desfilando no chão, numa apresentação emocionante.

 


Maria Bethânia no Folia Tropical no domingo de Carnaval

Foto: Divulgação