En noviembre de 2011, ganador del 12º Grammy Latino en la categoría Mejor álbum de rock brasileño.
5 Outubro 2010
Revista CARAS
Caetano
Veloso curte momento zen em Buenos Aires
Na capital argentina,
cantor baiano descansa em hotel budista antes de gravar novo DVD

O
músico no hall do Ilum Experience Home, em Palermo Hollywood, em
Buenos Aires.
O
cantor e compositor Caetano Veloso (68) tem uma relação carinhosa com a
Argentina, onde tem inúmeros fãs.
Recentemente,
ele esteve em Buenos Aires, onde ficou hospedado no hotel budista Ilum
Experience Home, no elegante bairro de Palermo Hollywood. "Meditar me
ajuda muito a compor", garante ele.
Durante
sua estada na capital argentina, o cantor aproveitou para relaxar e reencontrou
um amigo, o empresário Gabriel Hochbaum, com quem colocou a conversa em dia e
saboreou a gastronomia local.
De
volta ao Brasil, o artista se prepara para transformar seu show Zii e Zie em CD
e DVD.
A
gravação está marcada para 8 de outubro no Vivo Rio, na capital carioca.
No
repertório estão composições como Água, A Voz do Morto, Irene e
o tango Volver,
de Carlos Gardel (1890/1935) e Alfredo le Pera (1900/1935).
Já no ano que vem, a exemplo de
Roberto Carlos (69), tema da escola de samba Beija-Flor, Caetano ganhará
homenagem da Paraíso do Tuiuti, atualmente no Grupo B. "Ele é um
cantor maravilhoso e tem tudo a ver com o Carnaval", afirma o
presidente da agremiação de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, Renato Ribeiro
Marins.
O filho de Dona Canô (103) retorna ao Sambódromo após um jejum de
17 anos.
Em 1994, ele, Gilberto Gil
(68), Gal Costa (65) e Maria Bethânia (64) desfilaram pela Mangueira, que
lembrou os Doces Bárbaros com o samba-enredo Atrás da
Verde-e-Rosa Só Não Vai Quem Já Morreu.
Además de los formatos en CD y DVD, MTV Ao Vivo – Caetano zii e zie, tuvo una edición especial con 2 DVD’s con registros de la temporada Obra en Progresso y finalmente, en Blue-ray.
Se estrenó por MTV Brasil, el 22 de febrero de 2011.
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2011
MTV Ao Vivo - Caetano zii e zie
Gravado no Vivo Rio nos dias 7 e 8 de outubro de 2010 (Rio de Janeiro)
Universal Music CD 602527594521
01. A VOZ DO MORTO (Caetano Veloso)
Citação: COLE NA CORDA (Fagner Ferreira/Wostinho Nascimento/Uédson Péricles/Márcio Victor) / VIOLA (Eddye/Franco Daniele/Neto de Lins) / KUDURO (Sinho Maia/Franco Daniele/Ivan Brasil/Neto de Lins/Edeity)
02. SEM CAIS (Pedro Sá/Caetano Veloso)
03. TREM DAS CORES (Caetano Veloso)
04. PERDEU (Caetano Veloso)
05. POR QUEM? (Caetano Veloso)
06. LOBÃO TEM RAZÃO (Caetano Veloso)
07. MARIA BETHÂNIA [Betha, Bethânia] (Caetano Veloso)
Citação: BAIÃO (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)
08. IRENE (Caetano Veloso)
09. VOLVER (Carlos Gardel/Alfredo Le Pera)
10. AQUELE FREVO AXÉ (Caetano Veloso/Cezar Mendes)
11. NÃO IDENTIFICADO (Caetano Veloso)
12. A BASE DE GUANTÁNAMO (Caetano Veloso)
13. LAPA (Caetano Veloso)
14. ÁGUA (Kassin)
15. A COR AMARELA (Caetano Veloso)
16. EU SOU NEGUINHA? (Caetano Veloso)
17. FORÇA ESTRANHA (Caetano Veloso)
2011
MTV Ao Vivo - Caetano zii e zie
Gravado no Vivo Rio nos dias 7 e 8 de outubro de 2010 (Rio de Janeiro)
Universal Music DVD 60252759453
01. A VOZ DO MORTO (Caetano Veloso)
Citação: COLE NA CORDA (Fagner Ferreira/Wostinho Nascimento/Uédson Péricles/Márcio Victor) / VIOLA (Eddye/Franco Daniele/Neto de Lins) / KUDURO (Sinho Maia/Franco Daniele/Ivan Brasil/Neto de Lins/Edeity)
02. SEM CAIS (Pedro Sá/Caetano Veloso)
03. TREM DAS CORES (Caetano Veloso)
04. PERDEU (Caetano Veloso)
05. POR QUEM? (Caetano Veloso)
06. LOBÃO TEM RAZÃO (Caetano Veloso)
07. MARIA BETHÂNIA [Betha, Bethânia] (Caetano Veloso)
Citação: BAIÃO (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)
08. IRENE (Caetano Veloso)
09. VOLVER (Carlos Gardel/Alfredo Le Pera)
10. AQUELE FREVO AXÉ (Caetano Veloso/Cezar Mendes)
11. BILLIE JEAN (Michael Jackson) / ELEANOR RIGBY (John Lennon/Paul McCartney)
12. TARADO NI VOCÊ (Caetano Veloso)
13. NÃO IDENTIFICADO (Caetano Veloso)
14. ODEIO (Caetano Veloso)
15. A BASE DE GUANTÁNAMO (Caetano Veloso)
16. LAPA (Caetano Veloso)
17. ÁGUA (Kassin)
18. A COR AMARELA (Caetano Veloso)
19. EU SOU NEGUINHA? (Caetano Veloso)
20. FALSO LEBLON (Caetano Veloso)
21. MENINA DA RIA (Caetano Veloso)
22. FORÇA ESTRANHA (Caetano Veloso)
23. MANJAR DE REIS (Jorge Mautner/Nelson Jacobina) Participación: Jorge Mautner
MTV Ao Vivo - Caetano zii e zie
Edição Especial
Universal Music 2 DVD’s 602527594545
DVD 1 - Show zii e zie
Gravado no Vivo Rio nos dias 7 e 8 de outubro de 2010 (Rio de Janeiro)
01. A VOZ DO MORTO (Caetano Veloso)
Citação: COLE NA CORDA (Fagner Ferreira/Wostinho Nascimento/Uédson Péricles/Márcio Victor) / VIOLA (Eddye/Franco Daniele/Neto de Lins) / KUDURO (Sinho Maia/Franco Daniele/Ivan Brasil/Neto de Lins/Edeity)
02. SEM CAIS (Pedro Sá/Caetano Veloso)
03. TREM DAS CORES (Caetano Veloso)
04. PERDEU (Caetano Veloso)
05. POR QUEM? (Caetano Veloso)
06. LOBÃO TEM RAZÃO (Caetano Veloso)
07. MARIA BETHÂNIA [Betha, Bethânia] (Caetano Veloso)
Citação: BAIÃO (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)
08. IRENE (Caetano Veloso)
09. VOLVER (Carlos Gardel/Alfredo Le Pera)
10. AQUELE FREVO AXÉ (Caetano Veloso/Cezar Mendes)
11. BILLIE JEAN (Michael Jackson) / ELEANOR RIGBY (John Lennon/Paul McCartney)
12. TARADO NI VOCÊ (Caetano Veloso)
13. NÃO IDENTIFICADO (Caetano Veloso)
14. ODEIO (Caetano Veloso)
15. A BASE DE GUANTÁNAMO (Caetano Veloso)
16. LAPA (Caetano Veloso)
17. ÁGUA (Kassin)
18. A COR AMARELA (Caetano Veloso)
19. EU SOU NEGUINHA? (Caetano Veloso)
20. FALSO LEBLON (Caetano Veloso)
21. MENINA DA RIA (Caetano Veloso)
22. FORÇA ESTRANHA (Caetano Veloso)
23. MANJAR DE REIS (Jorge Mautner/Nelson Jacobina) Participación: Jorge Mautner
DVD 2 - Extras - show "Obra em Progresso" e Making of do projeto "zii e zie":
Gravados em apresentação do show no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro (RJ), em 19 de agosto de 2008.
01. DESDE QUE O SAMBA É SAMBA (Caetano Veloso)
02. INCOMPATIBILIDADE DE GÊNIOS (João Bosco/Aldir Blanc)
03. UNS (Caetano Veloso)
04. SAUDADE FEZ UM SAMBA (Carlos Lyra/Ronaldo Bôscoli)
05. ÁGUA (Kassin)
06. TRÊS TRAVESTIS (Caetano Veloso)
07. VINGANÇA (Lupicínio Rodrigues)
08. VOCÊ JÁ FOI À BAHIA? (Dorival Caymmi)
09. HOMEM (Caetano Veloso)
2011
MTV Ao Vivo - Caetano zii e zie
Universal Music Blu-ray 602527594958
01. A VOZ DO MORTO (Caetano Veloso)
Citação: COLE NA CORDA (Fagner Ferreira/Wostinho Nascimento/Uédson Péricles/Márcio Victor) / VIOLA (Eddye/Franco Daniele/Neto de Lins) / KUDURO (Sinho Maia/Franco Daniele/Ivan Brasil/Neto de Lins/Edeity)
02. SEM CAIS (Pedro Sá/Caetano Veloso)
03. TREM DAS CORES (Caetano Veloso)
04. PERDEU (Caetano Veloso)
05. POR QUEM? (Caetano Veloso)
06. LOBÃO TEM RAZÃO (Caetano Veloso)
07. MARIA BETHÂNIA [Betha, Bethânia] (Caetano Veloso)
Citação: BAIÃO (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)
08. IRENE (Caetano Veloso)
09. VOLVER (Carlos Gardel/Alfredo Le Pera)
10. AQUELE FREVO AXÉ (Caetano Veloso/Cezar Mendes)
11. BILLIE JEAN (Michael Jackson) / ELEANOR RIGBY (John Lennon/Paul McCartney)
12. TARADO NI VOCÊ (Caetano Veloso)
13. NÃO IDENTIFICADO (Caetano Veloso)
14. ODEIO (Caetano Veloso)
15. A BASE DE GUANTÁNAMO (Caetano Veloso)
16. LAPA (Caetano Veloso)
17. ÁGUA (Kassin)
18. A COR AMARELA (Caetano Veloso)
19. EU SOU NEGUINHA? (Caetano Veloso)
20. FALSO LEBLON (Caetano Veloso)
21. MENINA DA RIA (Caetano Veloso)
22. FORÇA ESTRANHA (Caetano Veloso)
23. MANJAR DE REIS (Jorge Mautner/Nelson Jacobina) Participación: Jorge Mautner
24. DESDE QUE O SAMBA É SAMBA (Caetano Veloso)
25. INCOMPATIBILIDADE DE GÊNIOS (João Bosco/Aldir Blanc)
26. UNS (Caetano Veloso)
27. SAUDADE FEZ UM SAMBA (Carlos Lyra/Ronaldo Bôscoli)
28. ÁGUA (Kassin)
29. TRÊS TRAVESTIS (Caetano Veloso)
30. VINGANÇA (Lupicínio Rodrigues)
31. VOCÊ JÁ FOI À BAHIA? (Dorival Caymmi)
32. HOMEM (Caetano Veloso)
33. A VOZ DO MORTO (Caetano Veloso)
34. FALSO LEBLON (Caetano Veloso)
35. LAPA (Caetano Veloso)
36. LOBÃO TEM RAZÃO (Caetano Veloso)
Citação: COLE NA CORDA (Fagner Ferreira/Wostinho Nascimento/Uédson Péricles/Márcio Victor) / VIOLA (Eddye/Franco Daniele/Neto de Lins) / KUDURO (Sinho Maia/Franco Daniele/Ivan Brasil/Neto de Lins/Edeity)
37. MANJAR DE REIS (Jorge Mautner/Nelson Jacobina)
38. A COR AMARELA (Caetano Veloso)
39. NÃO IDENTIFICADO (Caetano Veloso)
40. TARADO NI VOCÊ (Caetano Veloso)
41. INCOMPATIBILIDADE DE GÊNIOS (João Bosco/Aldir Blanc)
42. YOU DON'T KNOW ME (Caetano Veloso)
43. TODO ERRADO (Jorge Mautner)
44. TODO ERRADO (Jorge Mautner) Participación: Jorge Mautner
45. UM CANTO DE AFOXÉ PARA O BLOCO DO ILÊ (Caetano Veloso/Moreno Veloso)
46. SERTÃO (Moreno Veloso/Caetano Veloso)
47. ESTE AMOR (Caetano Veloso)
48. SEM CAIS (Pedro Sá/Caetano Veloso)
49. BASE DE GUANTÁNAMO (Caetano Veloso)
50. EU SOU NEGUINHA? (Caetano Veloso)
19/02/2011
O Globo
O rock-samba de Caetano
O show 'Zii e zie' ganha versão visual com edição especial dupla reunindo a série 'Obra em progresso'
Luiz Felipe Reis

RIO - Sentado à cabeceira, Caetano Veloso está envolvido por uma TV de tela plana, biombos de propaganda e caixinhas de DVD espalhadas na mesa de reuniões do escritório da produtora Natasha. Em todos os elementos visuais está a asa-delta estática que marca tanto o cenário do show "Zii e zie" como o projeto visual do DVD que registra suas apresentações. Nada é em vão. E em pouco menos de meia hora de conversa, Caetano parece planar, abre os olhos como que para buscar respostas em meio ao emaranhado de imagens e palavras que lhe tomam a mente. Diz que tudo começou por uma vontade irrefreável de seu filho Zeca: encantado com uma apresentação num teatro em Portugal, ele passou a insistir que aquilo deveria ser filmado. Depois de convencer pai e mãe (a empresária Paula Lavigne), assim foi feito. E, na terça-feira, o DVD "MTV ao vivo - Caetano - Zii e zie" será lançado, com direito a uma edição especial dupla com o registro da série "Obra em progresso" e um making of de "Zii e zie".
- Estávamos fechando a turnê, não havia DVD planejado, mas tamanha foi a
insistência de Zeca que eu disse para ele falar com Paula.
Ela disse o mesmo que eu, que não havia planos e nem verba, mas ele começou a trabalhar, e conseguimos.
Quando vejo este DVD comparado ao do show de "Cê", sobressaem muitas diferenças. Há um apuro estético, visual, que não tivemos com o outro. E a banda está mais entrosada.
"O flerte e o trabalho com o rock
atravessam a minha carreira,
desde que toquei com os Beat Boys,
passando para o "Transa",
que foi muito sério e importante...
Com dois CDs de estúdio e dois DVDs com a banda Cê - formada por Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria) - lançados, Caetano já traça planos para um próximo álbum.
Não sabe muito bem que caminho seguir, mas sente que a história com os músicos que ajudaram a repaginar a sua sonoridade e a angariar uma nova legião de fãs não para por aqui. Se em "Cê" o rock turbinado com as distorções de Sá era exposto de forma mais crua, visceral, "Zii e zie" adotou o gênero como utensílio para reenquadrar a dinâmica do samba.
Para o terceiro, Caetano vislumbra uma pegada mais próxima a "Cê", algo que ele já batiza de "TransCê".
- Acho que vai haver um retorno, porque "Zii e zie" era muito marcado pelo
samba, o rock sendo tratado para retrabalhar os sambas. O flerte e o trabalho com o rock atravessam a minha carreira, desde que toquei com os Beat Boys, passando para o "Transa", que foi muito sério e importante... Até chegarmos ao "Velô", tocado como uma banda new age, e agora a fase "Cê".
Já tenho algumas ideias, mas não quero tocar nisso porque me desconcentra do trabalho com Gal.
Ele se refere ao novo disco da cantora, produzido por Moreno Veloso e Kassin com a participação dos músicos da banda Cê e do grupo Rabotnik.
Caetano já compôs dez faixas para o álbum, que deve ser lançado ainda no primeiro semestre. Diz que pode fazer mais uma ou duas. O trabalho traz experimentações com a eletrônica, em programações capitaneadas por Kassin e também (ar)riscadas por Zeca.
- Compor para Gal abre uma série de novas portas no meu modo de trabalhar a canção. Cheguei a pensar em trazer uma música de "Zii e zie" para ela, mas vi que não era preciso. É um disco em que as letras não fazem necessariamente sentido. É como "Qualquer coisa"... Aquela letra quer dizer o quê? Não sei, mas comunica alguma coisa, as pessoas entendem. Então não sei se há uma temática predominante, mas há algo que eu e Gal entendemos.
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2011
Revista BRAVO!
Fevereiro - n° 162
Em fevereiro de 2011, na época
do lançamento do DVD MTV Ao Vivo Caetano Zii e Zie, Caetano Veloso
estampou a capa da edição nº 162 da revista Bravo! ao lado de Pedro Sá,
Ricardo Dias Gomes, Marcelo Callado (integrantes da banda Cê) e da cantora Nina
Becker. A manchete da revista diz: “O
Guru da Nova Geração”, uma referência à influência e ao trabalho de Caetano
junto à nova geração de músicos brasileiros. Os principais exemplos dessa
atuação de Caetano são o premiado show que realizou há três anos com a
Orquestra Imperial em São Paulo, a turnê com a cantora Maria Gadu e a própria
banda Cê – formada especialmente para acompanhá-lo e com a qual já lançou três
discos, dois DVDs e começa em março a terceira turnê, em uma parceria que já
dura sete anos.
Billboard
Brasil
Edição Março
2011
P.
34
Fotos: Luciano Oliveira
 |
O
mediador: 'Quero que o diálogo sobre direitos autorais se mantenha num nível
alto, para que não vire uma guerrinha de turma'
|
Nos últimos anos, Caetano
tem tocado com músicos mais jovens; gravou um disco próximo do universo rock
(“Cê”, de 2006) e com a mesma banda fez outro álbum, de sambas. Sambas, não…
Transambas, termo que ele sacou da caixola para denominar a mistura criada ao
vivo, durante a temporada do show “Obra em Progresso”, no Rio, em 2008.
Agora, o DVD “Caetano Zii e
Zie” (lançado também em edição especial dupla que incluiu trechos do show “Obra
em Progresso”) fecha o ciclo e o mais ilustre tropicalista parte pra um,
próximo desafio, ainda com a Banda Cê. Enquanto não começa a compor para o novo
álbum, o baiano de Santo Amaro da Purificação produz com o filho Moreno o
próximo disco da comadre Gal Costa, só com músicas dele. Todas inéditas.
Enquanto atendia à imprensa
para falar do lançamento do DVD gravado ao vivo com o material do álbum “Zii e
Zie”, Caetano Veloso estava preocupado com o vôo tomaria em seguida para São
Paulo, para celebrar os 80 anos do poeta e parceiro Augusto de Campos. Como
adora ir a shows, Caê lamentava que, por causa da viagem, ia perder o de
Djavan, no Rio, na mesma sexta. O que não o impediu de falar com a habitual
desenvoltura sobre direitos autorais, política religião, idade, e – claro –
música.
O disco “Zii e Zie”
veio da experiência ao vivo “Obra em Progresso”, que agora está voltando para o
palco nesse DVD. É o fechamento de um ciclo?
Só fizemos esse show para
poder gravar o DVD, já tínhamos terminado a excursão na Europa. Mas agora que
saiu o DVD pode ser que a gente faça alguma coisa pra festejar o lançamento. O
ciclo já tinha fechado.
Como você montou o
repertório? Não tinha uns sambas do Carlos Lyra, no começo? É mais difícil
mexer com bossa nova do que com samba?
Isso eu cantava no “Obra em
Progresso”, mas não entrou no show “Zii e Zie”. Não é mais difícil. A gente
cantava “Saudade Fez o Samba” e tinha vontade de fazer “Você e Eu”. “Saudade
Fez o Samba” não estava no esquema dessas levadas que a gente tá fazendo, com
guitarras. Esse samba não caberia, era mais pra lembrar um samba pequeno e
perfeito. A gente não tinha muito interesse em fazer bossa nova, mas a bossa
nova daria certo, sim.
Você uso usou o
termo “transambas” para definir as faixas do álbum “Zii e Zie”. Era sua
intenção fazer samba com uma banda formada para gravar um disco de rock?
Não samba somente, mas
fazer algo com a rítmica do samba, com a sonoridade dessa banda. Depois que eu
tinha feito o “Cê”, comecei a compor as canções para o próximo disco. Pensava
na banda e fazia um negócio com características do samba, não só rítmicas, mas
coisas melódicas dos sambas mais antigos, que o Francisco Alves (1898-1952,
um dos mais populares cantores brasileiros de seu tempo) cantava. Isso
aparece em “Falso Leblon”, em “Lobão tem razão”.
Os músicos da Banda
Cê dizem ter influência do seu disco de 1972, o “Transa”. Que tipo de conversa
você tem com eles sobre a sua obra? Eles falam de arranjos do passado dos quais
você não se lembra e tem que ir lá e ouvir de novo?
Sim, às vezes acontece! Mas
é fácil lidar com eles, porque tudo que eu falo eles entendem logo, e tudo que
eles trazem é muito claro. É muito boa a conversa entre a gente. Tanto que eu
quero fazer mais um disco com eles.
Com essa história
de mexer com rock você acha que o seu público deu uma mudada?
Um pouquinho, mas sempre
houve jovens nos meus shows e continua gente que vem vendo os meus shows há
muito tempo. Não tem muita gente da minha geração, porque as pessoas vão
chegando a uma certa idade e vão menos a shows. O jovem compra mais disco e vê
mais show, de todo mundo. Uma coisa determinante é o local onde você canta. Tem
lugares onde só vão jovens, como o Circo Voador. Quase não tem ninguém velho
porque não tem o tipo de conforto e ambiente que as pessoas mais velhas
requerem.
Apesar de a Banda
Cê ter sido fundamental, só tem uma música que é parceria com um deles, o Pedro
Sá (guitarrista), em “Sem Cais”. Por que não teve mais parcerias nas
composições?
No “Cê”, quando falei com o
Pedro, eu já tinha as canções compostas e os arranjos desenvolvidos na minha
cabeça. Os meninos chegaram, o Marcelo (Callado, baterista) e o
Ricardo (Dias Gomes, baixista/tecladista), e eu já sabia o que eu
queria que eles tocassem. No caso do “Zii e Zie” eu falei: “Olha se alguém
tiver um negócio assim, traga pra gente fazer um negócio junto, pra ser mais de
banda”. O Pedro Sá mostrou essa música, era uma gravação instrumental, eu achei
muito bonita e decidi botar uma letra.
Eles são melhores
intérpretes que compositores?
Nunca se sabe, pode ser que
um deles dispare compondo muitas coisas.
Você fez uma
comparação desse disco com o “Velô” (1984), que também foi testado ao vivo e é
um disco de rock. Tem a ver, por ser disco de rock, fazer ao vivo pra testar?
Não. Eu não fiz esse ao
vivo antes, na medida em que ia fazendo, ia mostrando. Então eu ensaiei para
gravar mesmo. O “Velô” eu ensaiei, fiz a excursão inteira e só gravei depois. O
rock ao vivo é legal, mas eu não sou nem rock nem mpb. Meus shows são meus
shows, têm vários elementos.
Mas não há como
negar que você é associado à mpb, até à gênese dela…
Quando apareceu o termo mpb,
os tropicalistas eram os errados, nós éramos como traidores daquilo, fazendo
uma coisa na direção contrária. Eu era ligado ao rock, tocava com os Beat Boys,
depois toquei com Os Mutantes. E o pessoal da mpb achava que era traição. Então
eu não sou mpb, mas não me incomodo, pode dizer mpb, isso não quer dizer nada.
O rock é um gênero, mas mpb não é.
Você não gosta de
segmentar as coisas…
Eu não gosto, sou
tropicalista, é outro enfoque. O apelido tropicalismo apareceu bem depois que a
gente já tinha feito o essencial. O Gil dizia que o que ele fazia era um som
universal, botaram o apelido de tropicalismo por um acidente, depois. O Carlos
Lyra fala: o pessoal do tropicalismo fez um movimento, planejou, fez um
manifesto; e a bossa nova, não, era uma coisa espontânea. Foi a mesma coisa, os
manifestos vieram depois, de brincadeira e errados, não tinham nada que ver com
o que a gente vinha fazendo. O apelido tropicalismo veio por causa do nome da
obra de Helio Oiticica, que eu nem conhecia e que o Luiz Carlos Barreto botou
como nome da minha música, que era a música central do movimento. Eu não quis o
nome e não gostava, porque ficava parecendo que era uma definição de coisas de
um país tropical. Mas depois eu gostei, me acostumei e adotei.
Ao iniciar o
processo de compor para um novo disco, você procura saber o que tá acontecendo
para buscar um caminho musical?
Eu procuro, mas não porque
vou fazer um disco. Eu vou observando na medida do possível. Eu não ouço muita
coisa, ouço o que cai na minha mão. Às vezes uma coisa que eu sinto curiosidade
e boto pra ouvir. Mas na minha idade eu esqueço. Ouço, já sei o que é e
esqueço, não fico com aquilo como eu ficava quando era novo.
O que está te
encantando na música atual, que pode te ajudar num próximo trabalho?
Eu tô trabalhando no disco
da Gal, fico pensando nas produções. Já tá bem encaminhado, tem umas nove
músicas compostas, sendo que dessas, umas cinco já tem voz guia dela e duas já
estão com o arranjo, as programações e os instrumentos.
Essa experiência do
“Obra em Progresso”, de fazer o disco durante o show, usando a internet, você
pretende continuar?
Foi muito bom enquanto
durou, mas também não sinto saudades de ter que escrever no blog. Quando parei,
eu senti um certo alívio, aquilo me cansava um pouco.
Como você tá se
relacionando com as novas tecnologias? Você tem iPad, iPhone?
Eu agora tenho um iPad,
ganhei de presente, mas sei usar pouco. Meu filho, o Zeca, já usou tanto e eu
não sei nada. Aprendi a baixar livros e baixei uns de graça, não comprei nada.
Eu prefiro ler no papel, mas aquilo tem uma vantagem que é pra viajar. Você
pode baixar certos livros e viajar sem carregar os livros que pesam muito na
mala. Na internet eu gosto muito de e-mail, é melhor do que telefone. Eu não
tenho celular.
Quais sites você
acessa?
Eu só leio jornal no papel.
Se eu leio on line não acredito no que eu tô lendo. Não me acostumei, porque na
internet tem muita coisa e qualquer coisa pode aparecer ali. Não é como você
ter aquele Globo na mão, o Estadão, a Folha de São Paulo…
Você já teve uma
relação mais conturbada com a imprensa, com a Veja… já fez carta resposta pra
jornal. Agora a coisa parece estar mais tranqüila, é por que você assina uma
coluna n’O Globo?
Vocês é que ficaram
calminhos…
Você tá gostando de
fazer a coluna?
Eu gosto. É uma obrigação a
mais pra semana. Sempre escrevo no último dia, correndo, sexta tem que fechar,
hoje eu mandei. Eu acordei no meio da manhã, aí escrevi rápido e dormi de novo.
Ouro dia você falou
que seus dois filhos, o Zeca e o Tom, são evangélicos…
O entrevistador me
perguntou: seus filhos são evangélicos? Eu disse: eu sou ateu, mas os meus três
filhos são muito religiosos. O Moreno tem uma religiosidade muito intensa e
abrangente, embora não tenha ligação exclusiva com nenhuma religião, e os outros
dois são evangélicos, que é a religião a qual eles se sentiram atraídos. Ele me
perguntou como que eu reagi, e eu disse: tudo bem, eu acompanho.
Isso não gera
conflito entre vocês? É que ser evangélico parece algo muito distante da sua
história…
Não é muito distante porque
eu, antes de o Zeca nascer, já me atraía por aqueles programas dos evangélicos
que tinha na televisão. Eu sabia que ia ter um papel importante, depois passei
a achar mais importante ainda, porque o negócio de religião não é fácil de
descartar.
Os evangélicos já
são maioria no Estado do Rio. Você vê problemas de uma polarização entre
evangélicos e católicos?
Não. Quanto mais eles
ganharam espaço, menos agressivos ficaram em relação a outras religiões.
Aquelas falas de agressão, de satanizar o candomblé ainda tem, mas o tom e a
frequência baixaram muito. E aquele episódio do chute na Santa, que o próprio
Bispo Macedo diz que foi o momento mais baixo da história da igreja dele, esse
período já foi. Quanto maior a audiência deles mais calmos eles ficam a esse
respeito.
O que você acha da
Ana de Hollanda como Ministra da Cultura?
Das irmãs do Chico acho que
é a que eu menos conheço, mas conheço e gosto dela, então gostei da escolha.
Ela tá se comportando muito bem.
Na sua coluna você
tem falado de direitos autorais e do Creative Commons…
O Creative Commons ficou
ligado através do Gil e do Hermano (Vianna, antropólogo), ao
ministério Gil. Pra mim a questão do Creative Commons não é tão relevante
assim, mas o assunto é. Eu acho que os americanos nasceram no mundo do
copyright e a gente no mundo do direito do autor. A filosofia do direito do
autor é do autor; copyright é direito de cópia. O que não quer dizer que o
Creative Commons não seja adaptável a um lugar cuja legislação se baseie no
direito do autor e não no copyright. Se alguém ganha dinheiro com aquilo, de
algum modo, o autor tem que ganhar. E a ideia de autor, mesmo sob um ponto de
vista filosófico, também precisa ser defendida contra um folclore de que “tudo é
de todo mundo”. Uma coisa é software livre, mas “Saudade da Bahia” foi composto
por Dorival Caimmy, “Chega de Saudade” foi composto por Antonio Carlos Jobim, e
ninguém faria igual.
Nas colunas do
jornal O Globo você se coloca com uma posição conciliadora…
Eu quero ser o mediador,
para que o diálogo se mantenha num nível alto, para que não vire uma guerrinha
de troca de turma. Saiu aquela turma do ministério, entrou a outra turma e
agora quem entrou fica contra tudo aquilo. Isso é chato. Mas não acontece também
porque são pessoas de alto nível, o Gil e a Ana. Eu me meto porque embora eu
não entenda muito bem – não conto meu dinheiro, não sei se sou roubado, se
ganho bem – procuro não ser totalmente irresponsável em relação a isso. E
também para dizer que esses assuntos são importantes para botar as pessoas que
sabem pensar para pensarem a respeito disso.
Você já pensou em
assumir um cargo público para contribuir nesse sentido?
Não, eu posso ser amigo das
pessoas e ajudar a criar o clima que favoreça a discussão, mas eu não tenho
vocação técnica pra coisa nenhuma, não seria a pessoa certa.
Você se considera
bem remunerado pela lei de direitos autorais?
Na minha vida eu ganhei
muito mais dinheiro do que eu queria e do que eu imaginava que ganharia. Então
eu não tenho do que reclamar. Eu venho de uma casa pobre, não tenho ambições
burguesas, pra mim tá até demais, sempre foi assim. Eu fiquei muito satisfeito
quando minhas músicas ficaram conhecidas, nem esperava. Você tem vontade de
divulgar o que você faz, o dinheiro é um negócio secundário que vem a partir
disso.
Você não votou na
Dilma, mas parece que tá gostando desse inicio de Governo…
É, tô até gostando, porque
primeiro todo mundo sentiu o alívio de ela ser discreta. O Lula ficava falando
muito em muita coisa. Você viu que o Congresso tá bem amarrado? O PMDB tá todo
dominado, isso eu achei interessante. O Brasil continua como era, com os
problemas que sempre teve. A Dilma simplesmente entrou e entrou bem. Eu gostei
de ela falar aquele negócio dos direitos humanos, contra o apedrejamento no
Irã.
Já teria mudado seu
voto?
Não, eu votei em Marina (Silva,
candidata do PV) e ia continuar votando em Marina.
Como você cuida da
saúde? Se cuida para não engordar? Faz check up?
Não tomo cuidado pra não
engordar porque minha tendência nunca foi de engordar, na minha família são
todos magros. Mas faço check up. Eu preferia ter uma vida mais saudável,
deveria fazer mais exercícios… Tô meio barrigudo, horrível. Eu tenho que
conseguir me dar uma rotina de horário de sono, esse é o maior problema.
Você anda muito com
juventude…
É, eu toco com uma banda de
jovens, vou a muitos shows de gente jovem, tenho amigos jovens. Mas tenho
amigos também da minha idade. Uma das pessoas que eu mais vejo é o Jorge
Mautner, quase todo dia, e o Antonio Cícero, que é mais novo, mas é dentro da
minha geração.
A revista “Bravo”
colocou você na capa como guru dessa nova geração…
Não gostei, acho que não tá
correta a expressão. Soa antiquado o termo “guru”, e não é verdade. Tem um
negócio de dizer que o Chico e o Paulinho da Viola estão congelados no inverno
e que eu tô no verão. A comparação tá errada. Mas a gente não pode ficar
reclamando de tudo que sai na imprensa, é assim mesmo.
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Enquanto
não começa a compor para o novo álbum, Caetano produz o próximo disco da
comadre Gal Costa
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