Mostrando entradas con la etiqueta A pele do futuro. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta A pele do futuro. Mostrar todas las entradas

martes, 4 de noviembre de 2025

2018 - Especial MINHA CANÇÃO - GAL COSTA

 

Em 2018 Gal participou do programa “Minha Canção”, comandado por Sarah Oliveira na Rádio Eldorado e falou sobre seu novo álbum “A Pele do Futuro”. 

Ela relembrou o processo de criação da música “Palavras no Corpo”, composta por Omar Salomão e Silva.


Foto: Valéria Gonçalves


Em entrevista exclusiva a Sarah Oliveira, Gal Costa dá detalhes sobre nova parceria com Bethânia

A cantora é convidada especial no encerramento da segunda temporada do programa da Rádio Eldorado

 

Por Leandro Cacossi

14/06/2018


Sarah Oliveira recebe Gal Costa no encerramento da segunda temporada do programa 'Minha Canção', da Rádio Eldorado - Foto: Valéria Gonçalves/Estadão

Gal Costa se prepara para lançar disco de inéditas em agosto. No novo trabalho, a cantora retoma uma das mais emblemáticas parcerias da MPB, dividindo os vocais com Maria Bethânia. Gal fala sobre o assunto em conversa com Sarah Oliveira no programa “Minha Canção”.   

A atração da Rádio Eldorado entra na reta final de sua segunda temporada e tem Gal Costa como protagonista de suas duas últimas edições. Ela momentos marcantes de sua carreira em um bate-papo repleto de emoção e boas histórias, tudo embalado por canções emblemáticas de sua carreira. 

Gal não gravava uma música inédita com Bethânia desde década de 1990. A música inédita, chamada “A Fotografia”, tem letra de Jorge Mautner e melodia de César Lacerda. O reencontro afetivo da dupla vem desde a gravação do documentário “O Nome Dela é Gal”, do canal HBO. 

“A música ficou pronta, coloquei voz, mixamos e mandei ontem [terça, 12] pronta para Bethânia ouvir. Ela não me respondeu na hora, demorou um pouco pra me responder. Hoje [quarta, 13],quando acordei, tinha uma mensagem linda dela, toda entusiasmada com nossa música juntas, fiquei felicíssima. As pessoas ao meu redor quando, nos ouvem juntas cantando, se comovem. As junções de nossas vozes provoca isso", afirma Gal Costa. 

Gal Costa também fala sobre a expectativa para o disco de inéditas, com lançamento marcado para agosto. “Fazer show e lançar disco de inéditas com esta idade que estou e com o pique que tenho ainda, que é exatamente o mesmo que eu tinha lá atrás, me deixa realizada. Esta ousadia, esta transgressão que eu provoco desde sempre, tem um sofrimento, mas me traz uma sensação de liberdade e alegria que vocês não podem calcular”, afirma.


Sarah Oliveira recebe Gal Costa no encerramento da segunda temporada do programa 'Minha Canção', da Rádio Eldorado - Foto: Valéria Gonçalves/Estadão

Sarah Oliveira destaca a importância de receber Gal Costa no encerramento da segunda temporada do ‘Minha Canção’. “Desde o início tinha o sonho de trazer a Gal. Ela tem uma trajetória muito importante e uma obra muito vasta, de parcerias com Caetano Veloso, Wally Salomão, Gilberto Gil. Foi tudo guiado pela memória afetiva”, afirma. “Ter ‘nossa rainha’, como eu costumava dizer, finalizando essa segunda temporada, é muito especial e emocionante”, completa a apresentadora. 

O programa ainda conta com os depoimentos de Marília Gabriela, Fernanda Montenegro e Mallu Magalhães. Elas relembram episódios que marcaram suas vidas com músicas gravadas por Gal Costa como trilha sonora. 

O ‘Minha Canção’ especial com Gal Costa vai ao ar em dois episódios. O primeiro, nesta sexta-feira, dia 15/6, a partir das 17h, com reprise no domingo, dia 17/6, no mesmo horário. O segundo, no dia 22/6, com reprise em 24 de junho, sempre às 17h. Você ouve em FM 107,3, no site radioeldorado.com.br e nos aplicativos da Rádio Eldorado para iOS e Android.


- - - - -




Sarah Oliveira: 'Gal contribuiu para a libertação feminina com corpo livre' 

Sarah Oliveira

Colaboração para Universa, em São Paulo

09/11/2022 


Esta manhã foi das mais tristes da minha vida e de muita gente que vai ler este texto. 

Gal foi embora de supressa. Assim, do nada. De repente, uma ligação, e todos entramos em uma fenda no tempo e no espaço. Que loucura. 

Eu havia trocado mensagens com ela no domingo, depois do show da Björk [no festival Primavera Sound]. Cheguei inebriada por aquele acontecimento e me lembrei da Gal. 

Mandei um carinho para ela na madrugada, que me respondeu prontamente. Conto isso porque acho bonito saberem que uma cantora tão fundamento como a Gal, era tão ligada. Ela era cheia de tesão pela vida, pelas novidades. Todas as entrevistas que me deu, seja na MTV, no GNT ou recentemente, quando gravou meu programa "Minha Canção" [transmitido na Rádio Eldorado], ela esbanjava este vigor.

No dia da gravação do "Minha Canção", chegou animadíssima porque havia recebido, naquela manhã, uma ligação da Bethânia dizendo que amou a música "Minha Mãe", que Jorge Mautner compôs para as duas gravarem juntas, de maneira inédita, depois de tantos anos. Está em seu disco "A Pele do Futuro". E no palco, então, Gal vinha sendo a queridinha dos festivais, um público cada vez mais jovem a acompanhava. Gravou canções inéditas e vinha cantando com gente de várias idades e vertentes. Misturou Caetano, Bethânia, Gil e Mautner com Marília Mendonça, Céu, Emicida, Erasmo, Tim Bernardes, Nando Reis, Caetano, Malu Magalhães, Rubel. Aqui, uma menção honrosa e um agradecimento público ao meu querido amigo Marcus Preto, que foi essencial para a carreira dela nos últimos anos, fazendo esta ponte entre a Gal e todo mundo que a amava e admirava. Isso a alimentou demais. 

Gal ousou ser libertária na ditadura. No Rio, ela encontrava a turma dela todos os dias, em um duto que desembocava no fundo do mar, em Ipanema, e tinham dunas de areia. O lugar acabou levando o apelido de "dunas da Gal". Todo mundo ia lá para vê-la e "virou um reduto dos hippies que pensavam como nós. "Eu vivia na praia e ficava criando com Wally [Salomão] e Caetano", me contou. 

Foi lá que Wally Salomão fez "Mal Secreto" para ela. "Quando você vai embora, movo meu rosto do espelho, minha alma chora." Esta canção está no icônico "Fatal". 

Aliás, "Fatal" é um disco que eu ouço dia sim, dia não. Eu talvez não tenha mencionado isso antes, mas a primeira vez que ouvi "Fatal" foi quando tive vontade de trabalhar com música. Entender a importância daquele disco para a cultura brasileira. 

Foi quando entendi João Gilberto dizendo que Gal era a melhor cantora do Brasil.

A contribuição dela para a libertação feminina foi enorme. A imagem, no seu caso, sempre foi muito importante O que ela vestia, a naturalidade como mostrava o seu corpo, nós mulheres sempre nos identificamos com isso. E isso foi passando de geração a geração. "Minha história é rica neste aspecto, sinto que sou uma cantora emblemática para as mulheres, neste sentido', ela me disse. 

São muitos momentos assim, mas acho que a capa de "Índia" diz tudo. A ditadura censurou a capa, com Gal de tanga cobrindo sua vagina e deixando virilha e coxa à mostra, em foco. O disco era vendido num invólucro preto. 

Conversando sobre "Índia", ela confessou sorrindo: "Outro dia, eu tava ouvindo este disco encantada comigo mesma, pensava: 'Como eu balbuciava lindamente daquela maneira. Eu sempre cantei de maneira rasgada, e em "Índia", eu cantei delicadamente. Como consegui?"

Neste disco, Caetano escreveu para ela "Da Maior Importância". "Rolava um tesão louco entre mim e Caetano, era um amor platônico, mas nunca chegamos às vias de fato. Até hoje não entendo por que não transamos." Quando gravei o programa com Caetano, mostrei este depoimento a ele. Quando ouviu isso, ruborizou como nunca tinha visto e disse: "Eu não sei responder, Gal", e gargalhou. 

Outro dos vários presentes de Caetano para Gal foi o álbum "Recanto". Quando ela lançou este disco, eu estava grávida de minha primeira filha, Chloe. Ela me deu a honra de gravar meu programa "Viva Voz" e também meu documentário "Na Trilha Da Canção" (disponível no GloboPlay e no no YouTube) 

Eu lembro quando ouvi "Recanto Escuro" e a melodia daquela canção me soava doída. Não conseguia parar de chorar, achava que era sensibilidade exacerbada da gestação, mas Gal me confidenciou: "Eu também chorei de soluçar quando ouvi esta letra. Ninguém sabe, mas é uma autobiografia minha e dele que se entrelaçava. Eu sou uma intérprete muito importante para o repertório do Caetano, desde os anos 60. É uma canção profunda.

Ela canta chorando: "Coisas sagradas permanecem". "Espírito é o que enfim resulta." 

Ela também relembrou quando convidou Herbert Vianna para participar de seu "Acústico MTV". Isso foi um pouco antes do acidente dele e ela se emocionou lembrando da emoção do Herbert de estar ali ao seu lado. Ficou muito surpresa por isso. E soltou uma frase que eu carrego até hoje: "Um artista nunca tem a dimensão do que ele representa." 

E finalizou: "Quando você se arrisca e transgride é muito sofrimento, mas se é verdadeiro, você acaba tendo liberdade para fazer o que quiser até o final da sua vida. É uma sensação de dever cumprido, sabe?" 

Sabemos, Gal. Como ela canta em "Com medo, com Pedro" —que Gil escreveu pra ela:

 

"Deus me livre de ter medo agora

Depois que eu já me joguei no mundo

Deus me livre de ter medo agora

Depois que eu já pus os pés no fundo." 

 

Obrigada demais por tudo, vaca profana --fatal-- eterna.



Gal Costa e Sarah Oliveira - Foto: Flávia Montenegro


Gal Costa e Sarah Oliveira - Foto: Arquivo pessoal




jueves, 9 de mayo de 2024

2019 - GAL COSTA - A PELE DO FUTURO / 21ª MOSTRA SESC CARIRI DE CULTURAS

 




8 de novembro de 2019

Gal Costa abre Mostra Sesc Cariri comemorando liberdade de Lula.


show de abertura não poderia ser mais especial. A partir das 20 horas, Gal Costa sobe ao palco do Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti, no Crato, com o show “A Pele do Futuro”, nome do 40º álbum da artista baiana, lançado em 2018.







9 de novembro de 2019 - Foto: Marcus Preto



10 de novembro de 2019


MARCOS SAMPAIO

Foto: Ribamar Neto / Divulgação

 

A trajetória de Gal Costa é pontuada pelas mais diversas viradas estéticas. Sua estreia foi com um disco de bossa nova, mas já virou o jogo e partiu para um lado rock and roll quando integrou o movimento tropicalista. Como uma Janis Joplin baiana, ela soltou a voz no fim dos anos 1960 para alertar que era “preciso estar atento e forte” e que não havia “tempo pra temer a morte”. Do rock, tornou-se diva da MPB, abraçou jovens e veteranos compositores, dividiu palco com Tom Jobim e Nando Reis, e nos últimos discos vem buscando uma renovação do repertório ao trazer pra perto nomes como Dani Black, Criolo e Silva.

Seu mais recente trabalho, A Pele Do Futuro, faz parte desse movimento de encontrar o novo. Com a colaboração de nomes como Pupillo e Marcus Preto, a cantora de 75 anos criou um álbum que costura épocas e mistura discoteca com Maria Bethânia e Marília Mendonça. E foi vestida nessa pele de futuro que Gal Costa subiu ao palco montado no Parque de Exposições do Crato para declarar aberta a 21ª Mostra Sesc Cariri.

 


Foto: Davi Pinheiro / Divulgação

 

Com um público volumoso, mas não capaz de lotar o local imenso (criado para grandes maratonas dos principais nomes do forró), Gal entrou no palco por volta das 21 horas bem amparada por uma banda de peso roqueiro e por muitos aplausos. De rosto sério, ela mal pisou no seu espaço, e já levantou o braço fazendo um “L” com as mãos para celebrar a recém-anunciada saída do ex-presidente Lula da prisão após mais de 500 dias.

“Hoje até troquei de roupa por que é um dia de festa”, adiantou Gal Costa, que trocou o figurino oficial da turnê (um vestido rosa), por uma bata amarela estampada. “Com a liberdade do Lula, vai fortalecer nossa oposição, nossa democracia”, acrescentou a intérprete que abriu os trabalhos com Dê Um Rolê, clássico dos Novos Baianos, e Vaca Profana, composição de Caetano Veloso feita em sua homenagem. Dali em diante, ela repetiu inúmeras vezes que aquele era um dia de festa. E foi.



Foto: Davi Pinheiro / Divulgação


O show apresentado do Crato é o mesmo registrado em CD e DVD ao vivo e recentemente lançado pela Biscoito Fino – também disponível nas plataformas de streaming. Mas com algumas ausências. Privilegiando sucessos de carreira, o espetáculo excluiu boas canções como O que é que há, Lágrimas Negras e Minha Mãe. Muito provavelmente, essas canções foram tiradas do repertório por ser um show aberto, o que exige uma conexão mais forte com o público e um pouco mais agito.

E justiça seja feita. O set list que ficou agradou de imediato. Alguns momentos em especial. Que Pena fez muita gente sambar no miudinho de Jorge Ben. As Curvas da Estrada de Santos e Sua Estupidez sustentaram a realeza de Roberto Carlos, que havia se apresentado naquele mesmo espaço alguns anos antes. Chuva de Prata, que recentemente voltou a chamar a atenção depois de mais um tuíte equivocado do presidente Bolsonaro, foi cantada a plenos pulmões por todos. E bloco final de frevos e sambas que fizeram a alegria de muitos carnavais garantiu muitos sorrisos. Bloco do Prazer, Balancê e outras estavam nesse bis.




Foto: Davi Pinheiro / Divulgação

 


Fora do registro oficial, mas incluída na turnê há algum tempo, Brasil caiu como uma luva na ocasião e mostra que as palavras de Cazuza seguem tão atuais quanto quando foram escritas. Gal Costa também manteve bem seu posto de “musa de qualquer estação” e grande intérprete. A voz continua vivaz, melhor ainda ao vivo. Os movimentos são bem mais contidos e calculados e, apesar de falar pouco, sabe dar ao público o que ele quer. Ao final, nada de autógrafos ou entrevista. Entrou imediatamente no carro e partiu para o aeroporto, para outro compromisso. Ficou uma impressão de que foi um tanto apressado e curto o show, mas é difícil dizer que não foi bom.



Gal Costa abre Mostra Sesc de Culturas

Gal Costa trouxe seu emblemático show “A Pele do Futuro” no auge dos seus 74 anos


Erika Souza


Foto: Joedson Kelvin




O Crato recebeu com entusiasmo e aos gritos de “Lula Livre” o show musical que abriu a vigésima primeira edição da Mostra Sesc de Culturas Cariri, esse presente foi em grande estilo, pois Gal Costa trouxe seu emblemático show, em plena turnê “A Pele do Futuro”. 

No auge dos seus 74 anos, Gal é uma das cantoras mais importantes da história da nossa música. 

O show “A Pele do Futuro” faz parte de um projeto lançado em 2018 e é o disco 40 da carreira de Gal Costa e traz composições de Gilberto Gil, Djavan, Adriana Calcanhoto, Jorge Mautner e o ruivo que encerra a mostra, Nando Reis. 

Para a jornalista Sarah Gomes, esse show é uma experiência espiritual e a performance de Gal é visceral. 

Tenho 74 anos e vi um show dela [Gal Costa] há mais de 50 anos e me sinto emocionado em viver esse momento desse show no Crato.” Afirma seu Marcelo Silva, aposentado e fã de Gal.









martes, 13 de junio de 2023

2018 - A PELE DO FUTURO - Gal Costa

 

Foto: Lucas Lima


UNIVERSA

Publicado em 28 de setembro de 2018.

Reportagem: Talyta Vespa

Edição: Juliana Linhares

Fotos e Edição de imagens: Lucas Lima

Direção de Arte: Mariana Romani

Vídeo: Alexandre Moura Souto Ferreira



"SOU GOSTOSA. TÔ NA VIBE"


Gal Costa lança disco, vota em Ciro Gomes, não quer falar sobre sua sexualidade nem que a droga seja liberada

 

TALYTA VESPA E JULIANA LINHARES

 

Gal Costa tem aneizinhos azuis claro em volta das íris, castanhas. “Se eu tivesse o olho todo azul, já pensou que arraso?”, pergunta a cantora, envolvendo a equipe de Universa com uma fala mansa, um sorriso aberto – com aquela boca – e mexendo os dedos dos pés, que se livram dos sapatos quando ela começa a entrevista. 

A cantora está contando sobre o lançamento de “Pele do Futuro”, seu quadragésimo disco, em 53 anos de carreira – “vixi, 50, 51 no máximo, tá querendo me envelhecer? – e enquanto repassa lembranças de carreira e dos 73 anos, as guias de candomblé vermelhas, brancas e azuis grudadas em seu peito fazem um barulhinho. Obaluaê, um de seus orixás, é o deus da terra, da doença, da solidão e do silêncio. O outro, Iansã, é a valente senhora dos ventos e das tempestades. Gal total. 

Nesta entrevista, com valentia, ela ataca a homofobia de Jair Bolsonaro (“Ter ódio de um cara só porque ele é travesti é muito estranho. Talvez esse ódio seja uma atração”), e conta das tantas vezes que é chamada de “gostosa” nos shows (“No Canecão, enquanto fazia um solo de rock, sentada toda sexy no piano, um cara gritou ‘libidinoooosa’. Achei maravilhoso”). Mas na hora da conversa que toca em temas caros a ela, Gal gruda na terra. Falar de sua sexualidade, não (“Sou reservada. Ponto final”), não também, sobre a possibilidade de regulamentação das drogas (“É perigoso...Melhor que não liberem por enquanto, tá legal?”) 

A “Pele do Futuro” disco traz parcerias com Gilberto Gil, Erasmo Carlos, Marília Mendonça, Silva, Maria Bethânia e outros nomões da MPB. A pele do futuro de Gal vai continuar sinuosa, porque ela adora dançar, lisinha, já que passou duas vezes pelas habilidosas mãos de Ivo Pitanguy e hoje recebe muitos cremes, e fa-tal: “Eu tô sempre na vibe”. 

 

"Libidinoooosa"

Gal tem uma presença sensual. Olha fundo nos olhos do interlocutor, sorri enquanto fala, alisa as mãos, mexe no cabelo e, enquanto faz as fotos para essa matéria, ensaia uma coreografia lenta e sinuosa. “Adoro dançar”, diz para a equipe. 

O corpo de Gal, ao longo da história, serviu para protestar, seduzir e chocar. No auge da ditadura, a capa do disco “Índia” trazia um close da região íntima da cantora, coberta apenas por uma tanguinha vermelha e exígua. Os contornos e volumes da área eram altamente provocativos. Na década de 1990, outro vráá: Enquanto cantava num show o refrão "Brasil, mostra a tua cara!”, Gal levantava os braços e deixava à mostra os peitos; lindos, para melhorar tudo. “Não sei por que isso chocou tanto, já tinha aparecido pelada antes”, diz ela, sobre o ensaio nua que fez para a revista Status, em meados dos 80. “Foi polêmico lá atrás, mas eu gosto do resultado, de ver meu corpo jovem, 30, 40 anos. Estava gostosa, é bom ter esse registro”. 

Estava, não. Para muita gente, ela é. Em shows, ouve o chamado que, não, ela não considera assédio. 

“Gritam ‘ô, gostosa!’ Eu sou gostosa; então neguinho chama ali no auge da empolgação. Fiz uma apresentação no Canecão e enquanto cantava um solo de rock, sentada toda sexy no piano, um cara soltou ‘libidinoooosaaaa’. Achei maravilhoso, adorei. Não é assédio, o cara tava empolgado”

 

Ciro Gomes, Bolsonaro e "uma atração"

A fala sossegada de Gal, na cadência, não na potência, não se altera quando ela fala de política. E talvez seja justamente por isso que, quando ela diz “que as pessoas estão votando em Bolsonaro por ódio ao PT; o cara é um voto de ódio”, todos na sala ficam à espera do que mais virá. E vem “ele é racista, homofóbico, grita com mulher. Quem respeita os outros não quer um presidente assim. Ter ódio de um cara só porque ele é travesti é muito estranho. Talvez esse ódio seja uma atração”. 

Gal vota em Ciro Gomes, o mesmo candidato do amigo Caetano Veloso, porque ela quer “equilíbrio e harmonia”. 

Ela aderiu ao movimento #EleNão, que tomou as redes sociais nos últimos dias. E, claro: “já fui xingada”. A cantora é da cepa dos artistas que se posicionam. “Como dizia Brizola, artista não dá voto, mas tira”. 

A cantora diz estar de olho na luta das mulheres que ajudou a barrar o crescimento do coiso. No entanto, alerta que os homens precisam participar. “Todos juntos podemos derrotar uma coisa negativa”

 

Da maior importancia

Universa: Você é reservada em relação à sua sexualidade e...

Gal: Sou. Ponto final.

Universa: Não posso terminar a pergunta?

Gal: Não.

 

A pergunta inteira era: “Você é reservada em relação à sua sexualidade e diz que gosta de manter privada ao menos essa parte da vida. Num momento em que o ódio à orientação sexual das pessoas está tão violento, não pensa em mudar essa posição?” 

Gal foi casada com o violonista Marco Pereira durante dois anos, na década de 1990. Teve outros amores importantes e famosos, que marcaram as linhas mestras de seu coração e de sua carreira. 

Caetano Veloso -- ele de novo, como não, a amizade é tão profunda que ela é madrinha do filho mais velho dele; como é também de Preta, filha de Gilberto Gil – teve um tesãozinho reprimido por ela; que rendeu, claro, uma música linda. 

“Da Maior Importância”, escrita em 1975, diz: “De repente, ser uma coisa tão grande, da maior importância, deve haver uma transa qualquer pra você e pra mim”. A não transa ficou só na canção, porque Gal era a melhor amiga da então mulher de Caetano, Dedé Gadelha. 

“Dedé era ciumenta, embora naquela época tivesse essa história de amor livre. Na verdade, as pessoas fingiam que não tinham ciúme, né?”

 

Maior cantora do país: Elis ou Gal?

São 40 discos, 30 indicações para prêmios, cerca de 480 parcerias e registros de diversos shows em que foi aplaudida por 10, 20, 30 minutos. Nesses 53 anos de carreira -- “50, 51 no máximo, tá me envelhecendo, é?” -- Gal, invariavelmente, é colocada nas listas das melhores cantoras do Brasil. 

“Das melhores”, para muita gente, soa injusto. Ela não seria a melhor? “Não vou dizer que sou a maior. Elis Regina falava: 'Eu sou a maior cantora do Brasil. Depois de mim, é a Gal'". Em 1960, quando a viu cantar pela primeira vez, o guru de todos os tropicalistas, João Gilberto, vaticinou: “Você será a maior cantora do Brasil”. “Claro, eu cantava igual a ele”, diz Gal, com um sorriso gaiato. 

Aos 73 anos, com um filho adolescente, e doida pra ficar em casa “comendo uma tapioquinha com queijo”, a cantora diz que o tesão para seguir fazendo show, turnê, entrevista e foto é o "amô”. “Sempre quis ser cantora, nunca pensei em ser outra coisa. Amo o que faço. Se eu não fizer mais turnê, vou ficar triste e morrer”. 

 

"Pra que falar 'filho adotivo?' É meu filho, pô!"

A cantora tem um filho, Gabriel, de 13 anos. Ele estuda num dos colégios mais tradicionais de São Paulo, adora jogar PS4 (um videogame, para os não-iniciados em adolescência) e se interessa por música. “Sou louca por ele. É a alegria da minha vida”. 

Assim como Regina Casé, que disse à Universa se incomodar quando mencionam que seu filho, Roque, é adotivo (“Ninguém fala 'o filho que veio sem querer' ou 'o filho que a fulana teve por doação de esperma'), Gal também considera a informação pouco carinhosa. “É meu filho, pô! Tem meu cordão umbilical espiritual e isso é mais que suficiente”. 

Gabriel chegou à vida de Gal quando tinha dois anos. E o processo do amor foi construído e aprendido como qualquer outro. “Perguntei a uma amiga se ela já amou o filho loucamente no momento em que ele nasceu. Ela me disse que não, que aprendeu a amar. Foi o mesmo que aconteceu em casa”. 

Gal foi criada pela mãe porque seu pai abandonou a família. Gabriel também é filho de mãe solo. Ela analisa a falta que a figura do pai causa neles: “Meu pai não fez falta nenhuma. Claro que eu ficava triste porque via minhas colegas com seus pais e eu não tinha um. Ainda assim, me tornei uma mulher corajosa e tive todo o incentivo da minha mãe. Não tem problema algum criar um filho sem pai. Essa coisa de família está mudando; qualquer um pode formar uma família”. 


Dores e delicias

 “Quando estaba na Itália pela turnê do ‘Gal canta Jobim’ (de 1994), fui aplaudida por meia hora, sem parar, depois que saí do palco. Na Argentina, uma vez, precisei voltar cinco vezes, de tanto que ovacionavam”, relembra Gal. 

Entre tantos sucessos, de maneira honesta, Gal relembra um dos momentos baixos de sua carreira. O disco “Cantar”, de 1974, feito depois do tropicalismo, foi considerado suave demais. “Fiquei sem público depois do disco. Foi uma mudança radicalíssima no meu estilo. Saí de turnê e não tinha quase ninguém nos shows. Entrei em crise, fiquei um tempo sem fazer nada depois disso”. Hoje, “Cantar” é um disco cultuado. 

O novo álbum, “A Pele do Futuro”, também tem um perfume de suavidade. E Gal, de novo, está no mood de causar. “Não sigo o que o público gosta. Sou uma cantora com histórico de mudanças. Gosto de ser radical. E não é que eu não gosto de cantar doce e manso. Meu canto, por mais que queira ser agressivo, é suave. Sempre tô no mood de causar”. 

Na época da novela “Gabriela”, o diretor de TV Daniel Filho a convidou para interpretar o papel principal; ela, que já cantava o tema de abertura da novela. “Tive medo. Achei que não conseguiria ser atriz. Mas poderia ter conseguido. De todo modo, a Sônia Braga fez lindamente”. Arrependimento? Que nada. Só mais uma pitada de cravo e canela na história dela. 

 

Ar

A quem interessar possa: o cabelão preto e cacheado é "lavou, saiu e pá". O corpo, que nessa entrevista dança levinho, enquanto ela faz as fotos, é moldado por ginástica regrada. Gal é das que usam até relógio especial para controlar os treinos. 

 

Terra

O rosto já passou duas vezes pelas mãos de Ivo Pitanguy e, hoje, recebe cremes todas as noites. "Quando jovem, eu passava creme por todo o corpo. Hoje tenho preguiça. Antes de dormir, cuida da pele para que fique jovial" 

 

Céu

O espírito é cuidado pelos orixás Obaluaê e Iansã. As guias vermelhas, azuis e brancas penduradas no pescoço refletem essa entrega. A saber: o primeiro é o orixá que dá cura e doença; o segundo é guerreiro, se mostra nas tempestades.

 

Drogas: não à liberação.

Você leu certo 

Maconha, cocaína e LSD já passaram por Gal e ela não gostou de nada, diz. “Droga é uma coisa perigosa. Se não tem estrutura emocional, a pessoa pode cair em desgraça”. 

As correntes contemporâneas que sustentam que a liberação das drogas pode diminuir a violência causada pelo tráfico não seduzem a cantora. Instada a dizer se é a favor de algum tipo de regulamentação, ela inicia uma tese para, logo depois, mudar tudo. “A única droga que eu acho que pode ser liberada é a Cannabis, porque tem um efeito medicinal importante para pessoas doentes”, raciocina. 

“Estou pensando... Tem aquela música: ‘Eu não tenho opinião formada sobre isso’, brinca, parodiando “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas, para, em seguida, carimbar: “Não. Melhor que não liberem por enquanto, tá legal?”. 

 

Tapioca e Netflix 

Gal adora novela das nove, Netflix e alguns esportes. “Um dia desses, assisti à luta entre duas mulheres no UFC. Achei aquilo uma barbaridade. Quem gosta é o Djavan, cansei de ver essas lutas na casa dele”. 

E, fazer tudo isso em frente à TV, só fica melhor com “uma tapiooooca com queeeeeijo e geleia diet”. De restaurante, ela tem preguiça, e de cozinha....“não sei cozinhar”. 

O que mais cabe na noite de Gal? “Ela é viciada em Instagram!”, entrega seu empresário, e todos gargalham. 

“Veja bem.... Sou muito simples”, diz baby, mexendo com nosso coração vagabundo.

 


Fotos: Lucas Lima















FOLHA DE S.PAULO
28 de setembro de 2018


Gal Costa, lançamento do álbum ‘A Pele do Futuro’, pela gravadora Biscoito Fino.


Fotos: Keiny Andrade/Folhapress

















Gal Costa: “O Brasil encaretou”

Amanda Cavalcanti


Na sexta-feira anterior ao lançamento do disco, no dia 21 de setembro, conversei com Gal e Marcus para entender como foi o processo de criação de A Pele do Futuro. A cantora explicou que, além de se inspirar na dance music, o disco também pretendia ser uma homenagem à Amy Winehouse, artista de quem Gal é muito fã. Durante o processo criativo, porém, A Pele acabou tomando vida própria e se transformando num amalgamento de não só dance music, mas MPB, samba e até baladas românticas.

Isso se mostra no time de compositores que participou do disco. Além de Guilherme Arantes e outros veteranos, tanto da voz de Gal quanto da música brasileira num geral, como Gilberto Gil e Djavan. Mas nomes novos também não estão em falta: além de uma composição de Tim Bernardes (“Realmente Lindo”), A Pele também conta com uma letra de Marília Mendonça, que também participa da faixa “Cuidando de Longe” cantando. 

Gal conta que Marília participou do disco a seu pedido. “Marília é uma coisa especial dentro da música sertaneja. Ela tem um canto rasgado, um jeito de compôr muito intuitivo e popular”, fala. “Tive a ideia de chamá-la porque queria cantar uma sofrência como dance music. Queria cantar uma música de sofrimento, mas que ao mesmo tempo que você está cantando, está dançando.” 

A cantora também se diz muito fã do feminejo, e enxerga Marília como peça fundamental desse quebra-cabeça. “Só tinha homem, né? Agora as mulheres estão chegando. E ela chegou com tudo, ela é a rainha”, diz. 

O feminejo e seu mote da presença, voz e ponto de vista feminino no sertanejo foram uma mudança política sutil, mas importante: um som que era o símbolo perfeito do homem-hétero-padrão brasileiro (e cujos muitos grandes artistas declararam apoio aos “valores tradicionais” do presidenciável Jair Bolsonaro) foi tomado pelas mulheres que falam de infidelidade e amor à sua maneira e se colocam, inclusive, contra esses valores — Marília Mendonça se juntou à campanha #EleNão, contra Bolsonaro (e foi atacada e ameaçada por tal atitude). 

De certa forma, essa foi a atuação política que Gal buscou durante algumas décadas de sua carreira, em suas próprias palavras: “Meu jeito de fazer política nunca foi militante. Foi mais do lado transgressor, maneira de vestir, jeito de fazer música. Mais comportamental do que militante. Já apanhei muito e já fui muito elogiada por essa razão, mas é uma coisa que me dá prazer porque se arriscar é importante, revolucionário e renovador pra mim mesma. Quando dá certo, é uma guerra que você vence.” 

Mas, comparando a recepção de seus riscos artísticos em outras épocas e a resposta que esses novos artistas recebem hoje, Gal chega a uma conclusão infeliz. “O Brasil encaretou muito. Sempre teve gente careta, mas o mundo está muito esquisito. As pessoas são intolerantes, não respeitam os outros, agressivas”, fala. “Elas têm que aprender a conviver com o amor, com as diferenças e respeitar o outro como ele é e quer ser. O mundo tá parecendo que quer acabar.” 

Perguntada se sente influenciada por algum novo artista da música popular brasileira, Gal responde que não, mas que se enxerga em muitos deles. “Minha influência é consequência desses anos todos de carreira que tenho, fiz muita coisa. Tive várias fases e comecei a experimentar coisas diferentes, ousar mais. Cantar diferente de tudo o que eu imaginava que seria a vida inteira”, completa. 

A Pele do Futuro é nada mais que uma representação de todas essas facetas de Gal e uma retrospectiva dessas mais de cinco décadas de carreira numa roupagem nova. Além de, claro, uma imagem palpável da Gal de 2018: a que dança em tempos de crise.


Fotos: Gabriela Batista/vice









sábado, 27 de mayo de 2023

2019 - A PELE DO FUTURO - Gal Costa

 



Gal Costa celebrou a vida e a música do Brasil no Coliseu dos Recreios

Por Bernardo Crastes, 27 de janeiro de 2019


Foto: Idalécio Francisco / CCA


Após a digressão de 50(!) anos de carreira que trouxe Gal Costa a Portugal em Novembro de 2017, eis que a cantora brasileira se apresentou novamente no nosso país em nome próprio, desta vez para apresentar o novo disco A Pele do Futuro. Num formato assumidamente diferente dos concertos das bodas de ouro – feitos em formato acústico, com apenas guitarra e Gal a ser ouvidas -, desta vez tivemos direito a banda completa, que reproduziu o som cheio do álbum, para além de revisitar outras canções incontornáveis. Para uma carreira tão longa e recheada, não conseguimos deixar de pensar que as quase duas horas não chegaram para matar a nossa sede de bossa nova e tropicália, mas a sensação latente no final foi de satisfação com o espectáculo. 

Depois da lista de créditos das pessoas que contribuíram para que o concerto acontecesse, a voz-off deixou-nos com Gal Costa – recebida por uma chuva de aplausos. Bem merecidos, tendo em conta o início, em que Gal rasga a atmosfera de excitação com o seu vozeirão, cantando “Não se assuste pessoa, se eu lhe disser que a vida é boa”cover de “Dê um Rolê”, dos Novos Baianos. É esse o mote para o concerto, uma celebração da vida e das coisas boas, porque o mundo já está suficientemente virado do avesso.


Foto: Idalécio Francisco / CCA


A admiração inicial dissipa-se ligeiramente ao longo da canção seguinte, parte integrante de A Pele do Futuro. Durante a mesma, a voz de Gal parece fraquejar, não atingindo algumas notas mais elevadas e soando meio presa. Curiosamente, na letra, Gal afirma ser filha das vozes que vieram antes e mãe das que virão depois. Claro que sabemos isso, tendo em conta o seu estrondoso percurso, mas não ajuda à admiração da voz que a música em si fique um pouco aquém de composições do passado, soando a uma espécie de tributo a big bands clássicas. À medida que o concerto vai avançando, somos mais frequentemente arrebatados, tanto pela voz, que se destaca em momentos mais solenes, como pela música. “Viagem Passageira”, uma composição recente de Gilberto Gil, feita para Gal, retém os elementos sónicos e o léxico que caracterizam a sua música, trazendo um cheirinho do Brasil musical do passado para o presente. 

Por entre elogios a Lisboa – que “está tão linda” -, Gal revisita a tropicália e os anos 60, altura em que visitou a cidade para fazer um programa de televisão. Desses tempos de ditadura portuguesa, relembra os olhares atónitos das pessoas que perscrutavam a sua vestimenta de “hippie louca”, e a sua fala, da qual não entendia nada. Para colorir essas recordações, Gal toma como suas “London London”, canção de Caetano Veloso, na qual procura por “flying saucers in the sky”, e “As Curvas da Estrada de Santos”. O alinhamento equilibrado revela ser uma revisitação do percurso musical do Brasil, nas composições de intervenientes incontornáveis, assim como novas promessas – como Tim Bernardes ou Teago Oliveira. A pele do futuro é feita por aqueles que compõem o tecido criativo do Brasil.


Foto: Idalécio Francisco / CCA


Quando Gal fica sozinha em palco com Lucas Martins e o seu contrabaixo, dá-se um dos momentos mais sublimes do concerto. “Lágrimas Negras” fez aquilo que as melhores baladas brasileiras clássicas fazem: transportar-nos para um outro lugar e tempo. Do interior do Coliseu dos Recreios, fomos para uma praia carioca, onde deixámos que Gal nos embalasse nas ondas da sua voz. Nunca o Coliseu nos tinha parecido tão amplo, com a plateia silenciosa e o palco despido de intervenientes.

Muitas das canções até então tocadas haviam sido clássicos, mas que nunca foram gravados ou conhecidos na voz de Gal Costa. Por isso, quando o público ouve o início de canções instantaneamente associadas à artista, como “Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais de Mim)” ou “Chuva de Prata”, a reacção é de efusão. “Minha Mãe”, d’A Pele do Futuro, que conta com a colaboração de Maria Bethânia em estúdio, é interposta com “Oração de Mãe Menininha”, outro dueto entre as duas artistas. As canções funcionam como duas faces da mesma moeda e são bem recebidas pelo público, muito pelas suas letras emotivas, dedicadas à figura materna. 

Por entre canções, Gal mostra-se bem disposta, fazendo mais uns quantos elogios a Lisboa (“a cidade mais pacata”) e contando histórias. Para apresentar “Palavras no Corpo”, conta-nos que a canção surgiu a partir de uma simples frase de um dos intervenientes do espectáculo: “ninguém diz ‘eu te amo’ como a Gal”; e a repetição da afamada expressão na canção confirma-nos isso, à medida que ouvimos essas palavras pelo meio dos trompetes leves.


Foto: Idalécio Francisco / CCA


Mais para o final do espectáculo, a bola que faz parte do cenário converte-se em bola de espelhos, para completar a homenagem à música disco feita em “Sublime”, a porta de entrada do mais recente álbum. Gal urge a que o público se levante e dance, completando o ciclo da celebração da vida. A reacção foi tão entusiasta, que o público manteve-se em pé ao longo das duas canções seguintes, que fecharam o concerto. “Viva a vida!”, gritou Gal, que pareceu ter força de vida para dar e vender – o que de certa forma faz, através da sua música. 

O encore fez-se por forma de uma rapsódia de clássicos, seguindo-se uns aos outros para júbilo crescente do público. É sempre bom revisitar as canções que já nos fizeram felizes, assim como as épocas da sua génese, e é isso que se sente nos concertos dos grandes artistas brasileiros. Este espectáculo não foi excepção, comprovando que vale a pena celebrar a vida com a música de quem já o faz há mais de 50 anos – antes da reforma, que Gal assume um dia acontecer, mas não para já.

 


1/2/2019


1/2/2019









2019 – GAL COSTA

Álbum “A pele do futuro - ao vivo”

Gravado nos dias 23 e 24 de março de 2019, na Casa Natura Musical (SP)

Biscoito Fino 2 CD’s│ DVD


Com capa assinada pelo artista plástico e poeta Omar Salomão, “A Pele do Futuro – Ao Vivo”, novo trabalho da cantora Gal Costa, chega às lojas físicas e plataformas digitais no dia 13 de setembro de 2019, em lançamento da gravadora Biscoito Fino. A foto é de Marcos Hermes.



Foto: Marcos Hermes



Foto: Marcos Hermes


- - - - - -

 












 - - - - - - 


11/9/2019  - Gal Costa, quando lançou o DVD "A Pele do Futuro"

Fotos: Nilton Fukuda / Estadão







Gal Costa sobre a censura: "É preciso estar 

atento e forte"

19 de setembro de 2019

 

A cantora Gal Costa, uma das maiores vozes da música brasileira, lança o DVD "A Pele do Futuro", registro ao vivo feito em março do disco de mesmo nome. O show, dividido em três atos, traz várias versões de Gal ao fazer conexões entre passado, presente e futuro em interpretações que emocionam e também fazem dançar. "Sou eu me projetando no futuro porque a música que a gente faz, que toda minha geração faz, vai ficar para sempre, eterna, uma música que nunca vai ser apagada da memória". 

Em entrevista ao Terra, a cantora falou sobre o Brasil atual, acha que não corremos o risco de viver uma nova ditadura, mas aconselhou: "É preciso estar atento e forte". Ela diz que ficou assustada com a censura à HQ na Bienal do Rio, que estampava um beijo gay na capa, e lembrou a própria censura que sofreu com o disco "Índia", que nos anos 70 só pôde ser vendido dentro de uma capa plástica.




C A N C E L A D O S





Gal Costa dá dois concertos em Portugal


21 de Setembro de 2022


Jessica Mar


‘As Várias Pontas de uma Estrela’ é o novo espetáculo de Gal Costa. Para comemorar os 56 anos de carreira discográfica, a cantora centra-se nas relações entre o seu vasto e rico repertório, repleto de êxitos. 

O concerto marca o reencontro com o público português no dia 15 de novembro, a partir das 21h, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e no dia 20 de novembro, na Casa da Música. Os bilhetes estão à venda pela Ticketline e nos locais habituais. A produção do espetáculo é da YN MUSiC. 

No repertório, além da canção que dá origem ao concerto – uma composição de Milton Nascimento e Caetano Veloso, de 1982 – Gal cantará os seus grandes sucessos como “Baby”, “Festa do Interior”, “Divino Maravilhoso”, e também composições de outros grandes nomes da música brasileira, tais como Tom Jobim, Dorival Caymmi, Chico Buarque e Caetano Veloso.  

Durante a pandemia Covid-19, Gal Costa testou o formato de piano, baixo e bateria – trocando o acompanhamento de violão pelo piano. A banda que subirá ao palco com a cantora é formada por Fábio Sá (baixo elétrico e acústico), André Lima (piano) e Victor Cabral (bateria e percussão). 

Entre as principais canções, além da música que dá origem ao concerto – uma composição de Milton Nascimento e Caetano Veloso, de 1982 – Gal cantará os seus grandes sucessos e de outros ícones da música brasileira como Tom Jobim, Dorival Caymmi, Chico Buarque e Caetano. 

A artista também apresentará músicas do seu último álbum Nenhuma Dor, entre elas ‘Pois é‘, gravada em parceria com o aclamado portugués António Zambujo. A banda que subirá ao palco com a cantora é formada por Fábio Sá (baixo elétrico e acústico), André Lima (piano) e Victor Cabral (bateria e percussão).

A ligação de Gal com Portugal vem do berço: o seu avô é nascido na Ilha da Madeira. Ao longo dos quase 60 anos de carreira, estreitou as relações com o país em diversas apresentações. Numa das mais marcantes, Gal reconheceu na plateia a incrível Amália Rodrigues, de quem é fã declarada, e convidou-a para cantar.



13/4/2023


GAL COSTA | AS VÁRIAS PONTAS DE UMA ESTRELA

MÚSICA & FESTIVAIS | CONCERTO

COLISEU DE LISBOA

SALA PRINCIPAL


Comunicado Cancelamento


"É com grande pesar que comunicamos o cancelamento dos concertos da grande cantora Gal Costa em Portugal. 


Gal Costa faleceu na manhã do dia 09 de novembro, em sua casa, em São Paulo, aos 77 anos. 


Agradecemos o carinho de todos nesse momento tão difícil."


O reembolso dos bilhetes será feitonos locais onde foram adquiridos.


Agradecemos a compreensão."