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| Maria Bethânia e Chico Pinheiro - Foto: Matheus Cabral |
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Acervo digitalizado de la obra de Caetano Veloso, organizado por Evangelina Maffei [Buenos Aires, Argentina] Fecha de inicio: 2/12/2010. Sitio oficial de Caetano Veloso: http://www.caetanoveloso.com.br
O grito de resistência de
Gal Costa e Waly Salomão
Dirigido
pelo poeta baiano, o espetáculo "Fa-Tal: Gal a Todo Vapor" tornou-se
um símbolo dos dias amargos do AI-5 e da era Médici, além de ter motivado o
lançamento do histórico LP duplo
Por Marcelo Pinheiro
Brasileiros com um mínimo de consciência política e senso de respeito ao livre arbítrio dedicaram a última terça-feira* (31.3.2014) para, exatos 50 anos depois, reverenciar a memória das vítimas do golpe civil-militar de 1964 e repudiar o legado sombrio dos 21 anos de ditadura. Pesquisa anunciada hoje pelo R-18, maior banco de dados sociais da América Latina, revelou: entre 31 de março e 1 de abril, 46 milhões de usuários trataram do assunto nas redes sociais. Nada mais justo, e oxalá esse número cresça, ano após ano. Afinal, a ditadura deflagrada com o golpe que depôs o presidente João Goulart foi o capítulo mais sombrio da história recente do País. Sob a égide de cinco marechais e generais não só os opositores políticos do regime sofreram tortura, foram mortos, exilados ou submetidos à clandestinidade, mas também os protagonistas de diversas expressões culturais do País, que procuravam manifestar, em suas obras e em seu ativismo cidadão, resistência e repúdio ao regime.
Nesses 21 anos de obscurantismo seria indigno minimizar o impacto nefasto da ditadura na vida dos brasileiros, mas houve nos dias derradeiros de 1968 – ano em que boa parte da juventude do mundo se insurgiu contra a opressão de valores comportamentais e políticos – um ponto divisor, que elevou as arbitrariedades dos militares ao ápice da barbárie. Com o decreto do Ato Institucional n° 5, em 13 de dezembro daquele ano, os militares fecharam o Congresso, caçaram mandatos, suspenderam direitos políticos e recrudesceram a censura vigente e a prática da tortura, instaurando um crescente ambiente de terror no País.
Foi nesse contexto nefasto que, dois dias após o Natal de 1968, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos, em Salvador. Encarcerados por dois meses, os compositores, que havia pouco tinham enterrado simbolicamente a Tropicália no programa televisivo Divino, Maravilhoso, justamente pela consciência de estarem flertando com o perigo, foram obrigados a sair do País e partir, em julho daquele ano, para um exílio em Londres, onde viveram por dois anos.
Mas não foram só eles que partiram. Entre milhares de brasileiros comuns, outras estrelas da nascente MPB também tiveram que botar o pé na estrada. Pouco depois, entre outros, Chico Buarque foi para a Itália, Nara Leão para a França e Edu Lobo para os Estados Unidos. Quem por aqui ficou, para poder lidar com a censura sem correr o risco de ser o próximo exilado ou cobaia de toda sorte de torturas, teve de se reinventar.
Especulações sobre as atrocidades do período diziam, por exemplo, que Geraldo Vandré sofreu lavagem cerebral e foi emasculado (teve os testículos retirados), mas ele próprio nega a suposição grotesca e até mesmo a hipótese de que tenha sido torturado. Verdade ou não, depois de sua prisão e exílio, em 1968, inquestionável mesmo foi a total reclusão e hiato produtivo do compositor do hino de protesto Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores.
Nesse contexto de guerra declarada, em que todos
tinham um inimigo comum, a ditadura, então dotada dos superpoderes do AI-5,
houve também quem contasse com a notória estupidez dos censores. Chico, por
exemplo, que escreveu letras contundentes, como Apesar de Você e Vai
Passar, chegou ao cúmulo de criar uma personagem, o sambista Julinho da
Adelaide, e, camuflado em seu pseudônimo, registrar a pérola Jorge Maravilha,
cujo refrão mandava recado sonoro e dos mais insolentes para o general Ernesto
Geisel: “Você não gosta de mim / Mas sua filha gosta”. No mesmo contexto, Paulo
César Pinheiro e Maurício Tapajós compuseram Pesadelo, gravada pelo
MPB-4 no álbum de 1972 do sugestivo título Cicatrizes, que continha,
entre outras afrontas, frases como: “Você corta um verso / Eu escrevo outro /
Você me prende vivo / Eu escapo morto”.
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Capa do LP “Fa-tal – Gal a Todo Vapor” - Foto:
Divulgação / Philips |
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Arte original do miolo interno de "Fa-Tal: Gal a Todo Vapor" Foto: Divulgação / Philips |
Mas houve também quem criasse e defendesse obras de extremo lirismo a partir de mensagens cifradas e subjetivas, especialmente jovens compositores e letristas que começavam a defender seus repertórios, como Luiz Melodia, o conterrâneo Jards Macalé e Waly Salomão, poeta baiano ligado a trupe tropicalista. Nesse período sombrio, em que dar continuidade a trajetória artística demandava abrir verdadeiras trincheiras, Waly (então sob o codinome Waly Sailormoon) dirigiu um dos espetáculos de maior simbolismo para dimensionarmos hoje o terror da era Médici.
Em novembro de 1971, sob a batuta de Waly, Gal Costa subiu ao palco do Teatro Teresa Raquel para dar início ao espetáculo Fa-Tal: Gal a Todo Vapor. Composto de 19 canções, o show foi dividido em duas partes; uma acústica, com Gal e o violão em primeiro plano; outra, bem mais energética, conduzida pelo Lanny Trio, uma usina de som formada pelo guitar hero tropicalista Lanny Gordin, o baterista Jorginho Gomes, irmão de Pepeu, Baixinho, também do Novos Baianos, na tuba, além do contrabaixista Novelli.
O título de uma reportagem de Teresa Gomes publicada na revista InTerValo quando da estreia do espetáculo sintetiza a experiência: “Gal Dá Um Show a Todo Vapor”. O conteúdo do texto, no entanto, é visivelmente comprometido para evitar a mordaça da censura. O que era um grito urgente contra o ambiente de terror instaurado no País foi tratado por Teresa como um lamento pelo fim da contracultura – que até definhava, mas, como veremos, o alvo de Gal era outro.
“Gal Costa está no Teatro Teresa Raquel, no Rio, num espetáculo onde ela canta, meio amarga, que o sonho hippie acabou, que a cultura underground faliu”, diz o olho da reportagem, que logo após traça um perfil do público: “Grande massa da plateia era formada pelos jovens louquíssimos, com suas roupas exóticas, cabelos enormes, colares, anéis…”.
No camarim de Gal, Teresa tentou aprofundar a pauta “declínio da era udigrudi”, mas não obteve sucesso: “Não sou cantora underground. Sou uma cantora e nada mais… O que eu sou é aquilo que se absorve da vida. Não sou nem do underground nem do establishment!”, afirmou Gal, que ainda deu à repórter da InTerValo uma pista profética “A orientação desse show é a renovação do repertório”.
Um dos trunfos do espetáculo, a seleção de canções de Fa-tal reunia pérolas da velha guarda, como Falsa Baiana, de Geraldo Pereira, Antonico, de Ismael Silva, e Fruta Gogóia, tradicional tema do folclore baiano, ao lado de clássicos inistantâneos de amigos de Gal, como Dê Um Rolê, de Moraes Moreira e Luiz Galvão, dos Novos Baianos, Como 2 e 2, de Caetano, e Charles Anjo 45, de Jorge Ben.
A histórica série de shows também carrega o mérito
de ter sido determinante para consolidar os nomes de Luiz Melodia, ao revelar a
primorosa Pérola Negra, Jards
Macalé, Duda Machado e Waly Salomão, que escreveram dois retratos pungentes
daquele início de década, Hotel das
Estrelas (letra de Duda) e Vapor
Barato (letra de Waly). Os versos reproduzidos abaixo escancaram
que o alvo de Gal não era exatamente o ocaso da contracultura.
“Sobre um pátio abandonado / Profetas nos
corredores / Mortos embaixo da Escada / No fundo do peito, esse fruto apodrecendo
a cada dentada”
Excerto de Hotel das Estrelas
“Oh sim, eu estou tão cansado / Mas não pra dizer
que eu estou indo embora / Talvez eu volte, um dia eu volto / Mas eu quero
esquecê-la, eu preciso / Oh, minha grande, ah minha pequena, oh minha grande
obsessão”
Excerto de Vapor Barato
Com esse lirismo combativo, que versava sobre as dores da permanência e do exílio como impossibilidades temporárias de uma subjetiva relação amorosa, o amor a nosso País, pouco depois, não por acaso, Waly, foi preso por portar um cigarro de maconha e amargou meses de cárcere no extinto complexo penitenciário do Carandirú, em São Paulo. Experiência que só tornou sua poética ainda mais incisiva e madura. Na solidão de sua cela, Waly escreveu, ainda sob a corruptela Sailormoon, o clásico Me Segura Qu’eu Vou Dar um Troço, publicado em 1972 pela José Álvaro Editor.
Em maio de 1972, meses depois de encerrar a temporada de Fa-Tal, Gal concedeu extensa entrevista à revista O Bondinho, em um bate-papo informal com o repórter Myltinho Severiano. O plá, para usar aqui uma gíria da época, tratava da infância na Bahia, da enorme vontade de ser mãe (desejo jamais concretizado por ela), do reencontro com seu guru João Gilberto e do significado de sua permanência no Brasil, quando podia se dar ao luxo de viver dias bem mais amenos em outro país ou continente. A argumentação vem como um quebra-cabeça cronológico, a partir de um episódio-chave para a Tropicália, ocorrido em 13 de novembro de 1968, exatamente um mês antes de ser decretado o AI-5.
“Cantei Divino Maravilhoso no Festival da Record. Anunciaram Caetano Veloso e Gilberto Gil e começaram as vaias. Entrei eu e a vaia dobrou. Vi a raiva e consegui entender. Quando passei pra frente do palco, as pessoas que estavam vaiando acabaram aplaudindo. Lembro que tinha uma menina me vaiando e eu fiquei com tanta raiva que olhei para ela e cantei: ‘É, é, é, é preciso estar atento e forte!’. Fui direto no olho dela, com uma violência tão grande que a menina parou e se sentou na cadeira. Era um acontecimento muito forte para mim. Uma coisa verdadeira. Depois, aconteceu a prisão de Caetano e Gil (seis meses depois, o exílio) e eu fazia o meu show pensando neles. Eu não podia fazer nada. O que eu podia fazer era gritar e cantar. Então, eu cantava por eles. Cantava pensando neles, cantava de uma maneira muito violenta. Era como se eu estivesse lutando por eles. Eu estava lá, junto com eles. Era o que eu podia fazer: cantar, cantar, cantar.”
Em decorrência do sucesso de Fatal: Gal a Todo Vapor, em dezembro de 1971, a toque de caixa, a Philips decidiu transformar os registros do show em um álbum duplo. Com projeto gráfico ousado, de Luciano Figueiredo e Oscar Ramos a partir de fotos de Edison Santos e do cineasta Ivan Cardoso, claro, os dois LP’s tem precariedades técnicas. Problema característico de um período em que a indústria fonográfica do País ainda não dispunha de experiência e tecnologia para realizar gravações ao vivo com alta fidelidade.
Mas esse demérito não faz a menor diferença. Quarenta e dois anos depois, as duas bolachas ainda fazem o coração bater forte, a voz embargar e as lágrimas caírem. É como um improvável túnel do tempo, que nos reporta, por meio dos músicos e da voz de Gal, ao passado de profundo torpor que adoraríamos poder reescrever.
Como disse a mãe de Gal à Teresa, a repórter que foi abordar a cantora em seu camarim na estreia de Fa-Tal: “Gracinha dá vida às músicas que canta! Não é minha filha?!”.
Verdade sem mentira, certo muito verdadeiro, diria
o amigo Jorge Ben, Dona Mariá.

1971 - Revista Fatos e Fotos
Reportagem: Teresa Cristina
Abigail Izquierdo "Bibi" Ferreira [1/6/1922 - 13/12/2019]
Em
cartaz Theatro Net Rio, Bibi –
Histórias e Canções
é um musical que marca a comemoração dos 90 anos da atriz Bibi Ferreira (89), que retoma momentos importantes de
seus 70 anos de carreira acompanhada de uma orquestra de 27 músicos.
Bibi Ferreira celebra seus 90 anos no palco com estreia de espetáculo
A atriz ainda comemora 70 anos de carreira em 'Bibi - Histórias e Canções'
Por Globo Teatro
05/04/2012
Tradicional palco carioca por onde passaram grandes nomes da música popular brasileira e do teatro nacional, o antigo Teatro Tereza Rachel, agora chamado Theatro Net Rio, reabriu na noite desta quarta-feira (4/4/2012) com a estreia para convidados de “Bibi”, espetáculo em que Bibi Ferreira comemora os 90 anos de idade e 70 de carreira.
Dezenas de artistas compareceram ao show da atriz e celebraram a recuperação da casa, como Ary Fontoura, Marília Pêra, Ney Latorraca, Gilberto Gil, Beth Carvalho, Diogo Vilela, Miguel Falabella e Christiane Torloni.
Na reinauguração do Teatro Tereza Rachel, em Copacabana, no Rio de Janeiro, estreou Bibi - Histórias e Canções, em abril de 2012.
No mesmo palco onde, em 1975, ela estreou Gota d´água, Bibi contou episódios de sua trajetória e cantou músicas que marcaram sua vida, incluindo canções americanas de Hollywood e da Broadway, sucessos nacionais de Noel Rosa, Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, tangos, árias de ópera e, claro, Piaf.
Uma orquestra de 21 músicos, regida por Flávio Mendes, completou o espetáculo, que marcou os 90 anos de idade e os 71 anos de carreira. Concebido por Bibi, em parceria com Nilson Raman e João Falcão, dirigido pelo último, o espetáculo contou com Flávio Mendes na direção musical e da orquestra.
Venerada, Bibi faz 90 anos no palco
Maria Bethânia, Fernanda Montenegro e Fernanda Torres
celebram a artista Bibi Ferreira
05/06/2012
Com planos de se apresentar em novembro nos Estados Unidos e reverenciada por grandes artistas, Bibi Ferreira celebrou 90 anos na última sexta-feira, 1.
Unanimidade como referencia dos nossos palcos, a diva apresentava o espetáculo Bibi - História e Canções em um teatro carioca quando foi surpreendida pelo Parabéns a Você. De pé na plateia, batendo palmas e não menos emocionadas que a aniversariante, estavam a cantora Maria Bethania (65), as atrizes Fernanda Montenegro (82) com a filha, Fernanda Torres (46), e Bárbara Paz (37), a bailarina Ana Botafogo (55) e o pianista Arthur Moreira Lima (71), com a mulher, Margareth Garrett (57).
“É bastante comovida que falo da beleza que foi essa noite. Só espero que vocês todos cheguem aonde estou, sobretudo no palco. Ainda preciso fazer muitos shows. Este ano, vou me apresentar em Nova York, no Lincoln Center”, disse a cantora, atriz e diretora, simplificando o segredo de manter a voz tão poderosa em mais de 70 anos de carreira. “É apenas saúde, alimentação, uma maneira tranquila de viver e pais exigentes”, enumerou a herdeira do ator Procópio Ferreira com a bailarina española Aída Izquierdo Ferreira.
Após o espetáculo, em que prioriza canções brasileiras, do samba de breque ao samba-canção, sem esquecer de Edith Piaf (1915-1963) e Amália Rodrigues (1920-1999), Bibi recebeu os fãs famosos no camarim tendo nas mãos um buquê de 90 rosas presenteado pelo seu empresario Nilson Raman (46). Além das felicitações, a estrela recebeu grandes elogios.
Fernanda Montenegro contou que se lembra dos trabalhos de Bibi desde a estreia dela, aos 18 anos, como Mirandolina na peça La Locandiera. “Na época, queria ser como a Bibi quando crescesse. Ela é o teatro brasileiro”, realçou Fernanda, sob aprovação da filha. “A maneira como fala o texto com a consciência de quem canta, e como canta com a consciência de quem é atriz, é inacreditável”, exaltou Fernandinha.
Com lágrimas nos olhos, Arthur Moreira Lima confessou. “É tão raro ver uma artista assim, completa, que eu, que
não sou de chorar, hoje chorei”, declarou o músico.
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| Cartaz |
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| Novembro/2011 - Maria Bethânia e Chico Buarque no estúdio Floresta, Rio de Janeiro Foto: Mary Debs |
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| Foto: Leo Aversa |
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| Foto: Leo Aversa |
AGENDA
2011
Curitiba
(Teatro Guaíra)
18/11/2011 – Lulu Santos canta Roberto e Erasmo
19/11/2011 – Sandy canta Michael Jackson
20/11/2011 – Maria Bethânia canta Chico Buarque
São Paulo (Via Funchal)
21/11/2011 – Sandy canta Michael Jackson
22/11/2011 – Maria Bethânia canta Chico Buarque
23/11/2011 – Lulu Santos canta Roberto e Erasmo
Ribeirão Preto (Teatro Pedro
II)
06/12/2011 – Maria Bethânia canta Chico Buarque
07/12/2011 – Lulu Santos canta Roberto e Erasmo
08/12/2011 – Sandy canta Michael Jackson
Goiânia (Teatro Rio Vermelho)
16/12/2011 – Maria Bethânia canta Chico Buarque
17/12/2011 – Sandy canta Michael Jackson
18/12/2011 – Lulu Santos canta Roberto e Erasmo
Recife (Teatro Guararapes)
18/01/2012 – Maria Bethânia canta Chico Buarque
19/01/2012 – Sandy canta Michael Jackson
20/01/2012 – Lulu Santos canta Roberto e Erasmo
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| 6/12/2011 - Ribeirão Preto - Teatro Pedro II |
GAZETA DO POVO
Entrevista com Maria Bethânia:
As doçuras e agruras de Chico
18/11/2011
O show que Maria Bethânia apresenta neste domingo (20/11), no Teatro Guaíra (Pça. Santos Andrade, s/nº, com ingressos já praticamente esgotados), é o primeiro totalmente dedicado à obra de Chico Buarque na carreira da cantora. O projeto faz parte da série do Circuito Cultural Banco do Brasil, idealizada e dirigida por Monique Gardenberg com assistência de Toni Platão na curadoria, e que tem ainda Lulu Santos cantando Roberto e Erasmo Carlos e Sandy interpretando Michael Jackson. Os shows percorrem cinco cidades brasileiras.
No
entanto, a relação de Bethânia com o trabalho de Chico Buarque vem de muito
antes. O compositor, como afirma a cantora em entrevista por e-mail à Gazeta do
Povo, é um dos alicerces de seu repertório. Uma aproximação ainda mais intensa
com a obra do compositor, aliás, já estava sendo feita por Bethânia em função
de um projeto futuro – “no mínimo cinco discos para cantar Chico, no mínimo um espetáculo
com cinco atos”, conforme explica a cantora na entrevista. A conferir.
Bethânia
fala (em respostas generosas) também sobre algumas das músicas mais importantes
de Chico em sua carreira e sobre sua admiração pessoal pelo compositor. Já a
respeito de seu novo disco, que deve sair em 2012 – e que tem Chico, como
sempre, mas é um projeto totalmente diferente – a cantora preferiu deixar a
conversa para depois. Leia mais abaixo.
Maria Bethânia e Chico Buarque: o compositor é
um dos alicerces do repertório da cantora.
Não é novidade ouvi-la interpretando Chico Buarque. Mas, até então, tratava-se de algumas canções, como a antológica interpretação de “Rosa dos Ventos”. É possível almejar interpretações tão marcantes em um repertório inteiro?
“Rosa dos Ventos” é uma música tão forte na minha vida quanto “Carcará”. Aliás, o Chico e Caetano, após o “Carcará” – que é o [espetáculo] Opinião, de João do Vale, meu lançamento como cantora profissional – marcaram minha história. Eu passei, como Waly Salomão dizia, da FM para a AM através do Chico Buarque de Hollanda cantando “Olhos nos Olhos”, e é verdade.
“Rosa dos Ventos”
foi uma música que deu outra mudada no meu caminho de escolha de repertório. É
uma música épica, tão forte como foi o “Carcará”. Tanto que ela está no
repertório deste show. “Vida, Vida” é outra canção que tem a mesma intenção e
força de interpretação e que também está.
Quais outras
canções escolheu e como procurou trabalha-las?
O Chico romântico é
certamente um alicerce que eu tenho no meu repertório; então é muito fácil
trabalhar. É muito gostoso, muito saboroso, muito prático, vem naturalmente.
“Terezinha”, “Tatuagem”, “Olhos no Olhos”, “Fora de Hora”… Está tudo dentro do
meu espírito. Mesmo porque fizemos um show juntos durante muito tempo. A gente
cantava “Com Açúcar e com Afeto”, “Cotidiano” e tal.
Fora isto, tem a
minha admiração pelo Chico, pela obra dele, por ele como músico, como
compositor, como homem e como cidadão. É uma honra pra mim ter nascido no mesmo
país que ele.
O Chico, quando
comenta a nossa relação com a vida, com a dor, com a perda, com a tristeza, com
a dificuldade, com a burrice e com a estupidez, parece que ele escreve o que eu
penso, da maneira que eu penso. Não tem uma vírgula fora do lugar. O Chico,
para mim, é muito em casa, muito meu, tenho ele de algum modo, de todo modo.
Então, o espetáculo que vou fazer a convite da Monique Gardenberg – para
apresentar as canções do Chico – é onde nós pretendemos que o Chico apareça,
com pelo menos um desenho do Chico inteirinho, em todas as áreas que ele gosta
de passear.
Naturalmente, por
eu ser uma intérprete, as canções escolhidas por mim têm muito a ver com o meu
repertório, mas tem também coisas dele que jamais cantei, que eu conheço e que
são atraentes, são apaixonantes. É uma emoção cantar “Vai trabalhar,
Vagabundo”, por exemplo. Aliás, é um momento muito bom cantar esta música, é
propício, é fácil, não tem esforço, entendeu?. Sai. No show tem as doçuras, tem
as durezas, tem as agruras, o Chico completo.
Este show foi uma
oportunidade de realizar uma ideia já antiga?
Neste momento, fui
convidada para fazer Chico Buarque. Eu tenho um projeto, meu, além do da
Monique, mas pra muito mais adiante, porque agora eu vou lançar um disco meu
que não tem nada a ver com este projeto. Tem o Chico porque Chico sempre está,
mas é outra praia. Mas daqui um tempo eu irei fazer. Estou estudando a obra do
Chico mais profundamente porque quero fazer um trabalho grande, um trabalho
completamente fora de ordem, ou seja, no mínimo cinco discos para cantar Chico,
no mínimo um espetáculo com cinco atos. Em que as pessoas saem, vão embora,
podem voltar, podem não querer ver o terceiro, querem ver o quarto ato…
(risos). Quero fazer um Chico assim, mas isto eu não sei se chegarei a fazer,
nem quando farei. No momento, o que eu estou fazendo é este. E este tem o Chico
desenhado inteiro. Menorzinho, mas tem. Este daqui me dá tanto prazer; é uma
alegria. É inacreditável – a cada hora que você vai ensaiando uma canção, não
acabou de sentir uma emoção, já vem outra música com outra emoção… porque Chico
não tem fim! Chico não acaba, ele vai; você acha; onde você procurar tem!
Em que fase está a
produção de seu novo disco? Há ideias musicais – de interpretação, arranjo,
sonoridade – ou mesmo canções do novo trabalho que poderão ser ouvidas no show
do Circuito Cultural?
Sobre o disco novo
prefiro não responder agora. Quando fora hora a gente conversa sobre isto. Hoje
vamos ficar só neste projeto do Chico.
26/01/2012
Circuito
Cultural Banco do Brasil está de volta
Circuito Cultural Banco do Brasil volta com Maria Bethânia, Lulu Santos e Sandy cantando seus compositores favoritos
Pela primeira vez, Maria Bethânia dedicará um show inteiramente à obra de Chico Buarque, Lulu Santos cantará a fase roqueira de Roberto e Erasmo e Sandy dará nova roupagem às músicas do ídolo Michael Jackson. Idealizados e dirigidos por Monique Gardenberg, em co-curadoria com Toni Platão, os três espetáculos inéditos acontecerão a partir de novembro, marcando a volta do Circuito Cultural, o bem-sucedido projeto itinerante do Banco do Brasil que durante uma década levou arte e cultura aos quatro cantos do país.
Criado em 1999, o Circuito Cultural Banco do Brasil investiu nas mais variadas formas de manifestações artísticas. Suas 121 ações - de shows de música popular e instrumental a exposições, oficinas, palestras, mostras de vídeos e espetáculos de teatro e dança – percorreram 32 cidades e reuniram um público de mais de 1,25 milhão de pessoas.
Esta primeira série de shows – sempre apresentados em dias consecutivos – começa em Curitiba (Teatro Guaíra, de 18 a 20 de novembro) e depois segue para São Paulo (Via Funchal, de 21 a 23 de novembro), Ribeirão Preto (Teatro Pedro II, de 6 a 8 de dezembro), Goiânia (Teatro Rio Vermelho, de 16 a 18 de dezembro) e Recife (Teatro Guararapes, de 18 a 20 de janeiro). A ideia é, a cada ano, ter grandes artistas da música brasileira abordando o repertório de um grande compositor
Maria
Bethânia canta Chico Buarque
Desde que pisou profissionalmente no palco pela primeira vez, em 1965, aos 18 anos, Maria Bethânia se firmou como a mais autoral das cantoras brasileiras e não parou de escrever para si uma trajetória singular na história da MPB. Ao longo de 45 anos de trabalho, conseguiu conciliar de forma magistral atributos aparentemente inconciliáveis: reverência ao passado e ousadia; independência artística e sucesso comercial; sofisticação e apelo popular. Foi a primeira mulher a vender um milhão de discos no país. Nunca se atrelou a movimentos, jamais se submeteu a pressão de gravadoras e sempre navegou na contramão do mercado. Tudo isso lhe garantiu uma carreira imaculada, que atravessa as décadas angariando a admiração fiel do público e da critica.
Mais do que cantora, Maria Bethânia sempre gostou de se definir como intérprete. E com justa razão. Ela deu origem a uma linhagem de cantoras que, por força de sua interpretação, tornam-se quase co-autoras das canções que passam por suas vozes. E pelo timbre grave e dramático de Bethânia já passou, e continua a passar, o melhor da música brasileira.
Entretanto, de todos os compositores que
interpretou, nenhum ganhou mais sentido na sua voz do que Chico Buarque. Sem
falsa modéstia, e com aval do próprio compositor, Bethânia costuma se dizer sua
melhor intérprete. E não é para menos: em quase cinco décadas de carreira, já
interpretou mais de cinqüenta de suas canções.
Lulu Santos canta Roberto e
Erasmo
Os números não mentem: sete milhões de discos vendidos, três dezenas de hits que atravessam gerações e uma intensa agenda de show – invariavelmente lotados – pelo país afora. Lulu Santos é um caso raro de artista que consegue manter a popularidade em alta, lançar discos com repertório inédito e dar continuidade a experimentação em seu repertório, que mistura rock, soul, funk e eletrônica, na mais perfeita tradução da música pop brasileira, gênero no qual é um precursor.
No ano em que comemora 30 anos de carreira, ele subirá ao palco despido de seus hits e de todo o repertório autoral pela primeira vez, para celebrar uma parceria responsável por outra infinita lista de canções que habitam a memória afetiva dos brasileiros há décadas: Roberto e Erasmo Carlos. A afinidade entre Lulu e o repertório da dupla já era evidente na regravação de ‘Se Você Pensa’, um dos grandes sucessos do álbum ‘Eu e Memê, Memê e Eu’ (1995), até hoje presença cativa em todas as pistas de dança.
Para o show, Lulu optou focar na fase roqueira do
início da parceria do Rei com o Tremendão, entre canções que remetem à Jovem
Guarda e outras afiliadas ao rock mais tradicional.
Sandy
canta Michael Jackson
Mais do que uma fã, Sandy sempre se identificou com a obra e a carreira de Michael Jackson. Ambos começaram a carreira ainda crianças e bastante ligados à raiz familiar, experimentaram o sucesso avassalador na infância e passaram com louvor no desafio da carreira solo. Na primeira visita do astro pop ao Brasil, em 1993, Sandy – à época com dez anos – não somente conheceu o ídolo, como fez uma pequena participação em seu show, ao lado do irmão Junior, no Estádio do Morumbi.
Antes mesmo da precoce morte de Jackson, em 2009,
ela já interpretara algumas músicas de seu repertório, mas nunca tinha pensado
em realizar um tributo exclusivamente dedicado a ele. A experiência será um
contraste com o repertório de seu elogiado último álbum, ‘Manuscrito’, somente
com canções autorais. ‘Michael fez parte da minha infância, seu talento musical
era indiscutível, penso que ele é como uma lenda: imortal, vai ficar para
sempre na história’, declarou a cantora.
Circuito Cultural Banco do Brasil
O Circuito Cultural é uma proposta diferenciada e capilarizada de atuação na área cultural. A iniciativa teve como precursor o projeto Brasil Musical, lançado em 1993, que buscava popularizar a música instrumental brasileira. Realizado por cinco anos, o Brasil Musical atingiu um público variado, tendo recebido, em 1994, o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria de Melhor Projeto de Música Popular, e, em 1997, o prêmio ABERJE – Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, como Melhor Projeto Institucional da Região Centro-Oeste/Leste.
A partir de 1998 o projeto passou a incorporar intérpretes de MPB e deu origem ao Circuito Cultural Banco do Brasil no ano seguinte, quando o projeto percorreu quatro cidades, recebendo um total de 76 mil pessoas e arrecadando 15 toneladas de alimentos.
O Circuito Cultural passou então a contemplar as
mais variadas manifestações artísticas: exposições de artistas locais (artes
plásticas e fotografia), música, artes cênicas (teatro e dança), oficinas,
palestras e mostras de vídeo.
Em 2000, o projeto percorreu 19 cidades, recebeu cerca de 370 mil pessoas e arrecadou mais de 100 toneladas de alimentos, em um formato que privilegiava grandes shows populares. Este modelo cresceu ao longo dos anos e durou até 2007 e, em 2008 e 2009, com estrutura parecida, passou a ser conduzido pelos CCBBs RJ, SP e DF.
"Maria Bethânia canta Chico Buarque"
AGENDA 2011
BELO
HORIZONTE (Palácio das Artes)
28/7/2012
– Maria Bethânia
BRASILIA (Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional)
8/8/2012 - Sandy
9/8/2012 – Lulu Santos
10/8/2012 – Maria Bethânia
PORTO ALEGRE (Teatro Sesi)
14/8/2012 – LULU SANTOS
15/8/2012 – MARIA BETHÂNIA
16/8/2012 - SANDY
RIO DE JANEIRO (Vivo Rio)
19/8/2012 – Maria Bethânia
SALVADOR (Teatro Castro Alves)
24/8/2012
25/8/2012
26/8/2012
Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2012
Era para ter acontecido no início do mês, mas rolou ontem, no Vivo Rio, o show Maria Bethânia canta Chico Buarque, que estava, claro, na plateia.
O projeto itinerante do Banco do Brasil, batizado de Circuito Cultural, tem curadoria de Monique Gardenberg e Toni Plantão e roda o país.
Além de Bethânia, o projeto tem também, Lulu Santos interpretando Roberto e Erasmo; e Sandy cantando Michael Jackson…
No palco, sempre elegante, Maria Bethânia interpreta as principais canções de Chico. Aliás, em quase cinco décadas de carreira, ela
já cantou mais de 50 das canções dele. No show, Vai trabalhar, vagabundo,
Valsinha, Chico Buarque da Mangueira, Olhos nos olhos, Rosa dos ventos…
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| Abelha: show com músicas de Chico e pés descalços - Foto: Cristina Granato |
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| Foto: Cristina Granato |
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| Foto: Felipe Panfili |
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| Foto: Felipe Panfili |
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| Foto: Felipe Panfili |
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| Foto: Felipe Panfili |
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| Foto: Cristina Granato |
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| Foto: Cristina Granato |
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| Foto: Cristina Granato |
"Caetano decidiu que Gal seria sua cantora", diz
Maria Bethânia
Em espetáculo no TCA, Maria Bethânia fala sobre relação do irmão
com Gal Costa e diz que Chico é 'o homem mais bonito do mundo'
26.08.2012
Hagamenon Brito
Maria Bethânia, 66 anos, e Chico Buarque, 68, têm uma longa e afetiva relação na MPB. Começou na década de 60, teve seu marco inicial em disco quando Bethânia gravou pela primeira vez uma canção de Chico Buarque - Rosa dos Ventos, no álbum A Tua Presença (1971) -, passou pelo palco num show e turnê em conjunto, em 1975, e segue acompanhando o movimento da vida.
O novo capítulo dessa ligação e admiração artística é o espetáculo Maria Bethânia Canta Chico Buarque. O projeto, idealizado por Monique Gardenberg para o Circuito Cultural Banco do Brasil, estreou em 2011 e sua série de cinco apresentações este ano chega ao fim hoje no TCA, 20h, com ingressos há muito esgotados.
Com aproximadamente 30 músicas, incluindo o bis, o repertório do espetáculo privilegia as canções de Chico Buarque interpretadas pela filha de dona Canô ao longo dos seus 47 anos de vitoriosa carreira.
Cada vez menos dramática e mais serena em cena, mas sempre autoral e intensa, Bethânia canta clássicos como Rosa dos Ventos, Baioque, Maninha, Apesar de Você, Gente Humilde, Sonho Impossível, Cálice, Roda Viva, Beatriz, Gota d’Água, Noite dos Mascarados, A Rita, Terezinha, Olhos nos Olhos, Tatuagem e Olê, Olá.
Confira entrevista feita por telefone com Maria Bethânia, que nos atendeu em sua casa, no Rio, sempre atenciosa.
De um lado, você
tem Caetano Veloso que, além de ser seu irmão, é um grande compositor e está
sempre presente em sua carreira. Do outro, Chico Buarque, de quem você já
cantou mais de 50 músicas e de quem é, para muitos, a melhor intérprete. Qual o
seu compositor predileto entre os dois?
Caetano e Chico são os dois compositores
da minha vida, estão presentes no meu repertório nestes 47 anos de estrada,
cada um à sua maneira. São os dois pilares da minha música e uso as canções de
cada um deles de acordo com aquilo que estou querendo expressar naquele
momento. Sou uma intérprete e utilizo aquilo deles que melhor me traduz.
Tão íntima assim da obra desses dois gigantes da MPB, quais as
particularidades de composição que você ressaltaria em Chico e Caetano?
São vanguardistas, admiráveis e têm personalidades muito fortes. Ambos me conhecem
e eu ouço os dois sempre, em casa, porque me exercito e me alimento como
intérprete, e sou íntima da obra deles. São românticos, são épicos, sabem falar
sobre a vida de todas as maneiras possíveis. São pessoas que eu quero muito e
que têm o dom de me traduzir.
Você lembra da
primeira vez em que viu, em que encontrou Chico Buarque nos anos 60?
Não me lembro do
primeiro encontro fisicamente, mas lembro da primeira música que ouvi de Chico:
Olê, Olá. Foi com Vinicius (de Moraes), em São Paulo, no Teatro de Arena, que
apresentava o espetáculo Arena Conta Zumbi (1965), que era deslumbrante. Na
época, todos nós apresentávamos nossos shows e depois íamos para o Teatro de
Arena, e numa dessas noites, Vinicius me mostrou Olé, Olá. A música de Chico
chegou para mim antes de sua imagem física.
Vi você e Chico juntos duas vezes na
vida. Na primeira, no cinema, no musical Quando o Carnaval Chegar (1972), de
Cacá Diegues, que tinha também a doce Nara Leão (1942-1989). E no filme vocês
passavam, para mim, uma ideia de namoro (risos)...
(Risos). Eu era a Rosa, muito
brincalhona. Eu e Chico somos geminianos, temos um elo forte, somos
brincalhões. De certa maneira, tinha um pouco de verdade, era uma brincadeira
platônica (risos). Chico é o homem mais bonito do mundo!
Às vezes, brinco
com amigas jovens que acham que Chico ainda é um homem lindo. Digo que ele já
tem 68 anos, que está velho... Bem, coisas do humor típico de um canceriano
(risos).Que nada, ele está
cada vez mais bonito. Adoro quando a luz bate nos cabelos grisalhos dele, adoro
as mãos dele, o jeito. Ele é todo lindo!
Foi difícil
selecionar o repertório desse show, já que você gravou ou interpretou dezenas
de canções de Chico? Como foi o processo?
São canções de
Chico que têm a ver comigo, com o meu passado. Não faria sentido gravar
composições mais atuais de um artista que continua na ativa. Mas o repertório é
um desenho de Chico Buarque por inteiro, da sua visão do Brasil, de amor, do
cotidiano, da época do protesto contra a ditadura, da sua relação com a vida,
com as dores e as alegrias. Parece que Chico escreve o que eu penso, da maneira
que eu penso. Não mudaria uma vírgula. O Chico romântico, por exemplo, é um
alicerce de todo o meu repertório.
A segunda vez que
vi você e Chico juntos foi no show Chico Buarque & Maria Bethânia, em 1975,
no Teatro Guaíra, em Curitiba. Um dos shows inesquecíveis da minha vida, aliás.
Como foi aquele convívio?
Só no Canecão, no Rio, foram oito meses
em cartaz, de terça a domingo. Além do encontro quase diário no palco, às vezes
jantávamos juntos. Naquele tempo, aliás, os artistas se encontravam muito,
queríamos mostrar um acorde novo, uma música nova, uma poesia...
Compartilhávamos tudo pessoalmente, não era algo virtual como agora.
No
último domingo, Chico Buarque assistiu ao seu show no Vivo Rio, no Rio de
Janeiro. Como foi?
Um presente de papai do céu! Uma coisa é
cantar as músicas de Chico, outra é cantar para ele (risos). Ele levou as
filhas, a namorada, o neto... Gosto de toda a família, adoro Miúcha, a irmã
dele. Dona Amélia (NR: mãe de Chico, morta em 2010, aos 100 anos) dizia que eu
era uma filha dela (risos), que era tudo uma família: Hollanda Velloso, Velloso
Hollanda.
Existe
a possibilidade do show ser lançado em disco? Quais os planos após o término da
turnê, em Salvador?
Todo show que faço é registrado pela
Biscoito Fino, mas ainda é cedo para pensar se este será transformado em disco.
Preciso de um maior distanciamento. Como parei tudo para fazer essa série de
shows, vou ter que retomar a ideia da turnê de Oasis (NR: último álbum da
cantora, lançado em abril) do zero. Não sei se o show de Oasis estreará ainda
este ano, porque só de ensaio precisaria de três meses.
Você
ficou com ciúmes, digamos, por Caetano Veloso ter feito um álbum (Recanto/2011)
inteiro para Gal Costa cantar?
De jeito nenhum. Caetano decidiu que Gal
seria sua cantora já no show Nós, por Exemplo (1964), aí no Vila Velha. Ele fez
essa opção e todo compositor tem esse direito, não me cabe julgar. O Lulu
(Santos) costuma dizer que "Cada cantor tem que saber qual o seu
aquário". Tem quem ache isso grosso, mas acho fofo. A maior cantora do
mundo é Nana (Caymmi), mas não tem a ver comigo, com meu modo de interpretar.
Ao encontrar com Chico, domingo, eu disse: "Sei que não sou a sua cantora,
mas eu me candidato a esse posto" (risos). Sou uma intérprete e Caetano é
fundamental em minha música, mas a cantora dele é Gal Costa. Não há nada demais
nisso.
Maria Bethânia nega sentir ciúmes de Caetano
com Gal Gosta
Segunda-Feira, 27/08/2012
Por Josemar
Arlego
Irmã de Caetano Veloso, Maria Bethânia
negou que tenha ficado com cíumes pelo fato de o cantor e compositor ter feito
um álbum (Recanto/2011) inteiro para Gal Costa cantar. "De jeito nenhum. Caetano decidiu que Gal seria sua cantora já no
show Nós, por Exemplo (1964), aí no Vila Velha. Ele fez essa opção e todo
compositor tem esse direito, não me cabe julgar. O Lulu (Santos) costuma dizer
que 'cada cantor tem que saber qual o seu aquário'. Tem quem ache isso grosso,
mas acho fofo. A maior cantora do mundo é Nana (Caymmi), mas não tem a ver
comigo, com meu modo de interpretar. Ao encontrar com Chico, domingo, eu disse:
'Sei que não sou a sua cantora, mas eu me candidato a esse posto' (risos). Sou
uma intérprete e Caetano é fundamental em minha música, mas a cantora dele é
Gal Costa. Não há nada demais nisso", revelou Bethânia, em entrevista
ao jornal Correio.