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jueves, 7 de mayo de 2020

2003 - PAULA LAVIGNE



2003
Revista Trip
Maio 2003 - Ano 02. N° 21




BRUTA FLOR

PÁGINAS VERMELHAS POR NINA LEMOS






  



A EMPRESÁRIA PAULA LAVIGNE, 34 ANOS ESPOSA DE CAETANO VELOSO, MÃE DE DOIS FILHOS, MULHER ASSUMIDAMENTE RICA E PODEROSA, PARECE NÃO CONHECER A PALAVRA TABU. FALA O QUE PENSA SOBRE SEXO, DINHEIRO, AMOR E O CASAMENTO NADA CONVENCIONAL QUE MANTÉM HÁ 17 ANOS


Paula Lavigne é daquelas mulheres que dão medo. A fama é de antipática, brava, temperamental. Dizem que essa carioca de 34 anos, empresária bem-sucedida, mãe de Zeca, 11, e Tom, 6, esposa todo-poderosa do astro Caetano Veloso, é fogo. Áries com ascendente em áries. Medo. Mas a Paula que recebe a Tpm é muito simpática, tranqüila. Dá a entrevista descalça tomando uma Coca Diet. Se ela assusta, é pelo fato de não fugir de nenhuma pergunta e de falar francamente sobre coisas que as pessoas não falam (ou não assumem) com tanta tranqüilidade.


"Sim, eu gosto de ser rica, meu apartamento na Vieira Souto é maravilhoso", vai falando, sem culpa, a filha do advogado Arthur Lavigne e da psicanalista Irene Mafra. Boa parte do que tem, conseguiu às próprias custas. É dona da gravadora Natasha Records (que tem no catálogo artistas como MV Bill e Virgínia Rodrigues). Investe em cinema (atualmente produz o filme Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes, que chega às telas em agosto). E ainda controla – depois de "transformar em um império" – o patrimônio do marido. O Caetano que casou com Paula tinha pelo menos dez vezes menos dinheiro do que o de hoje, 17 anos depois da união, segundo os cálculos da própria. "Um artista como ele tem mesmo que ter isso", diz.

Além do assumido pendor pelo dinheiro, Paula tem a capacidade de se reinventar. Passou a adolescência se achando feia. E resolveu aderir à teoria do "se algo não vai bem, vamos resolver logo". Operou o nariz, que achava grande, e colocou silicone depois de amamentar os filhos. Com a malhação, virou uma mulher gostosa. Hoje, não se acha nenhuma beldade. Mas garante que não faria feio se posasse nua – coisa que não vai fazer. Não por pudor, mas porque não precisa do dinheiro. "A Playboy virou o sonho da casa própria das atrizes [risos]. Se eu fosse elas, faria também. Mas vou fazer pra quê? Meu cachê ia ser muito alto porque sou mulher do Caetano. E não ia vender muito, porque não sou a Carla Perez. Não gosto de fazer um mau negócio", explica.

Modern love

A autocrítica também a impediu de prosseguir na carreira de atriz, depois de investidas em trabalhos como a minissérie Anos Dourados e a novela Vale Tudo. Diz ela, por ter percebido, a tempo, não ser lá muito boa nesse ramo. Tanto controle sobre si mesma não a impediu, porém, que falasse mais do que a boca em certas ocasiões. Como há cinco anos, quando entregou, em uma entrevista, ter perdido a virgindade aos 13 com Caetano, à época quarentão. Hoje ela se diverte com a história. Mas não se afasta de outras polêmicas. Confessa que seu casamento não é, de fato, do tipo convencional. Paula acredita que o desejo por outras pessoas faz parte de uma união longa – cabe a ambas as partes encarar isso, ou não. E para encarar tem que ter peito. Coisa que Paula parece realmente ter. Para tudo. Até para dizer que detesta ser mulher: "Se ser mulher é pior, por que eu vou querer a coisa pior?".




Tpm. Você é brava?
Paula. Eu sou simpática, mas não conta para ninguém. Isso fica entre nós. Acho ótimo que as pessoas achem que eu sou brava e antipática. Tenho uma história de vida na qual tive de me impor. O negócio é o seguinte: ninguém me passa para trás. E no trabalho eu às vezes preciso comandar 200 pessoas. Aí eu vou lá e comando. Alguém tem que comandar. Sou um pouco general mesmo. Mas, para virar general, você tem que ter sido um bom soldado.

Tpm. E brigona?
Paula. Não gosto de brigar. Não acordo e falo: "Hoje vou dar um barraco". Mas, quando entro em uma briga, eu brigo muito bem. Sou boa nisso. É engraçado, porque o Caetano não tem fama de brigão, mas é até mais que eu. Vai falar mal do Chico Buarque ou do Gilberto Gil na frente dele para ver o que acontece? Vai ver se ele não vai ficar bravo!

Tpm. Tem um episódio em que você teria tentado bater no Marcelo D2...
Paula. Foi o seguinte. Ele me deu uns furos na trilha sonora do Orfeu [filme produzido por Paula]. Achei babaquice. Se não quisesse fazer, falasse. Agora, furar. Deixar todo o mundo no estúdio esperando por vários dias, estúdio alugado, dinheiro da produção sendo gasto. Aí ele foi ao jornal e tirou uma onda, disse que tinha furado de propósito. A gente se encontrou nos bastidores do VMB e o Caetano falou com ele. Eu fiquei mais numas de separar. Faz tempo que isso aconteceu [em 2000]. Já passou.

Tpm. Já usou drogas?
Paula. Sou superantidroga. Maconha é diferente, não dá para comparar com as outras drogas. Você não vê ninguém matar alguém por causa de maconha. Por causa de cocaína sim. As pessoas matam, se matam. Maconha eu não coloco na pasta de drogas. Não fumo porque não gosto. Agora, odeio gente bêbada. Imagina se entra alguém aqui bêbado, cheirado ou louco de heroína. A gente ia ter que sair correndo. Até já fumei maconha, mas não gosto de nada que me tire do meu estado normal. Se quiserem me chamar de careta, me chamem. Eu e o Caetano juntos, então, somos uns chatos. Saímos e ficamos só na Coca-Cola. Se quiser beber, beleza. Mas não venha me alugar!

Tpm. Você interfere muito na carreira do Caetano?
Paula. A gente só conversa muito. Mas, por exemplo, o Caetano não faz campanha publicitária. Ele é um artista e esse é um direito dele. O que chega de proposta boa aqui... Umas me deixaram até tensa [risos]. Mas eu sei que essa é a postura dele, eu respeito.

Tpm. Ser "a mulher" de um artista incomoda?
Paula. Eu não. Uma vez perguntaram para a Giulieta Masina [mulher de Federico Fellini] como era ser casada com um gênio. Ela disse: "Melhor ser casada com um gênio do que com um imbecil". Acho a mesma coisa. Ainda bem que o meu marido é muito inteligente. Eu que não ia querer ser casada com imbecil...

Tpm.Você acredita em relacionamento aberto?
Paula. Tudo é possível. O ser humano tem todas as possibilidades. Eu não acredito que exista um casamento só. Acredito que existam fases. E acho, sim, que você pode passar por fases tendo outra coisa se aquilo for bom, sem fazer com que o casamento acabe. Se eu tenho 16 anos, tudo muda. É outra coisa. Acho que, quando há cumplicidade, tudo bem. Acho que se você tem momentos... Tem que estudar a situação. Não é porque você vai ter uma coisa fora do casamento que o seu casamento vai acabar. Ou o contrário. Conheço casal que nunca teve nada fora e tudo bem. O que é casamento aberto? Trair? Depois de 20 anos juntos eu não conheço nenhum casal que não tenha traído, a não ser o pai e a mãe do Caetano, talvez [risos]. Se a gente fizer uma pesquisa vai ver isso. Existem as regras que você combina. Pode ser que em uma época você queira um casamento aberto, depois se canse e não queira mais. Aí é conversar. Tem homens que ficam anos tendo amantes, e mulheres que acham até bom que os homens não comam elas, querem cuidar da casa. São tantas combinações e dentro disso tantas fases. Eu acredito no seguinte: que você tem que lidar com as situações que aparecem. E eu te digo uma coisa, as situações aparecem. Você está vivo, está com o coração batendo, sente necessidade de viver coisas diferentes. Acredito em um casamento aberto para avaliar as situações novas da vida.

Tpm. Você largou a carreira de atriz para virar empresária do seu marido. Não rolou preconceito do estilo: "Ela é uma mulherzinha que vai cuidar do marido"?
Paula. Olha, "inha" eu não sou em nada! Não sou mulherzinha, boazinha, nenhuma "inha". Só sou a Paulinha [risos]. Foi uma decisão difícil. A minha trajetória profissional ficou muito ligada à vida do Caetano. Nunca escolhi uma profissão. Fui fazer Tablado porque disseram no colégio que eu era muito agitada, ou seja, era problemática. Gostei, mas não era nem uma beldade, nem uma puta atriz. Eu não fazia diferença, sabe. E não gostava muito. Eles mandam mudar o cabelo, te maquiam, dizem o que você precisa fazer e eu nunca gosto de ser mandada [risos]. Quando descobri que gostava de cuidar da carreira do Caetano, fui lá, criei uma gravadora. Vi que era empresária mesmo. E sou boa no que eu faço.


Com Zeca e Caetano, na casa da família em Salvador, no verão de 93

Tpm. Desde criança você leva jeito com dinheiro?
Paula. Sempre tive o dom. Sabia administrar bem a minha mesada. Quando ia visita em casa, meus pais morriam de vergonha. Eu sempre dava um jeito de vender um artesanato que eu fazia para levantar uma graninha.

Tpm. Quando você começou a mexer nos negócios do Caetano encontrou um caos?
Paula. Caos não. Mas vi que tinha muita coisa para ser melhorada. Pô, olha o tamanho da obra do Caetano! Hoje a gente tem quem cuide só da carreira internacional dele, na verdade é um império. E é justo que seja. Ele é um artista importante. Hoje o Caetano tem um patrimônio mais de dez vezes maior do que tinha. Vivemos bem. Somos ricos. Temos um apartamento maravilhoso na Vieira Souto [avenida da praia de Ipanema], uma casa maravilhosa na Bahia e um apartamento incrível em Nova York. Minha ambição agora é manter isso que a gente já conseguiu.


Aos 2 anos de idade, na casa dos pais

Tpm. Você sempre quis ser rica?
Paula. Sempre. E acho que mereço ser rica. O que a pessoa deve fazer com dinheiro eu faço. Não vem com essa de que dinheiro é ruim! É como tudo, se você tem muito, dá trabalho para lidar. Emprego pessoas, faço o dinheiro girar. Tenho uma relação saudável com o dinheiro. Acho dinheiro bom. É difícil lidar porque tem gente que não tem nenhum. Agora, para viver, precisa ter dinheiro. Eu e o Caetano sabemos lidar bem com isso. Essa onda de Ação Social... Ah, nós já fazemos isso há muito tempo com o Afro Reggae [ONG da favela Vigário Geral, no Rio de Janeiro, que realiza trabalhos culturais e tem o grupo musical homônimo] e com o Projeto Axé, da Bahia. Mas não sou culpada, não. Não dou dinheiro para ninguém. Agora, se o meu dinheiro fosse resolver a miséria do Brasil, eu dava todo ele. Juro. Mas não vai resolver porque não tenho tanto dinheiro assim.













1997

1997

1997







domingo, 11 de junio de 2017

2015 - CAETANO 50: MÚSICA E TRANSFORMAÇÃO


A área externa do Auditório Ibirapuera vai ser palco da celebração da obra de Caetano Veloso em show gratuito que acontece no fim da tarde de 18 de outubro, domingo, a partir das 18h.

A apresentação faz parte da edição 2015 do projeto Trip - Música e Transformação, idealizado pela Revista Trip e que já celebrou Chico Buarque no ano passado.


Para este ano, foram convocados nomes como Paulo Ricardo, Jards Macalé, Fafá de Belém e outros importantes nomes da música popular brasileira, que interpretam de maneira pessoal e única algumas de suas composições preferidas de Caetano. As diversas fases da carreira do músico devem ser incluídas no setlist, que promete fazer o público viajar no tempo e relembrar canções que marcaram gerações.


UMA CELEBRAÇÃO AOS 50 ANOS DE CAÊ

TRIP TRANSFORMADORES / SHOW / CAETANO VELOSO / MÚSICA

Todo o potencial transformador da música em uma noite. A história do Brasil passada a limpo através do repertório de Caetano Veloso

Por redação
19/10/2015

São Paulo 18 de outubro, primeiro dia de horário de verão. O frio surpreendente no domigo não conseguiu esfriar os corações quentes dos quase 15 mil ali presentes, reunidos no lado externo do Auditório Ibirapuera para prestar um tributo à obra de Caetano Veloso.

É a já tradicional noite em que a Trip celebra o potencial transformador da música. Quando o movimiento Trip Transformadores, em sua nona edição, paga um tributo a vida e obra de um artista marcado pela rebeldia e a inquietude. O show Música e Transformação: Caetano 50 faz parte de um ciclo de eventos que se concluirá no mesmo Auditório. Em novembro, vamos novamente homenagear pessoas, ideias e projetos capazes de alterar (para melhor) a realidade onde estão inseridos.

E para contar essa história de 5 décadas da carreira, foi necessário reunir artistas da velha guarda como Fafá de Belém e Jorge Mautner, mas também nomes da nova geração, como Karina Buhr e Saulo Duarte e a Unidade. Mas o tratamento do público foi igual para todos que subiram ao palco: cantando em coro. Afinal, todo mundo ali tinha a sua favorita do repertório.

E por que celebrar 50 anos da obra de Caetano Veloso? Porque ele é um artista cuja obra personaliza a transformação. Que, de um jeito ou de outro, narrou através de suas canções o momento em que o Brasil se encontrava nas últimas 5 décadas. Caetano nunca ficou estagnado em determinada fase de sucesso na carreira. Ao contrário, fez questão de se reinventar, acompanhando as revoluções estéticas, ou mesmo antecipando-as. Afinal, a música não pára, e Caetano também não!


''Gosto do Transa (1972), mas foi com Cê (2006) e Zii e Zie (2009) que eu entendi que aquele homem continuava se transformando hoje, na minha época'',  diz Mahmundi que interpretou Queixa Foto: José Proença



London London, na voz de Paulo Ricardo: ''Caetano é minha maior influência como compositor. Ele é. – Foto: José Proença

 Na voz de Karina Buhr, Um Índio e Irene: "Qualquer pessoa sabe cantar alguma do Caetano, ou acha que sabe. Faz parte da vida de todo mundo. Até de quem não gosta... ou acha que não gosta!" Foto: José Proença


 "Ele é um compositor que me preenche desde criança", afirma Laya, que ficou com os clássicos: Como 2 e 2, Divino Maravilhoso e Cinema Olympia – Foto: José Proença


 Jards Macalé tocou duas de suas parcerias com Caê: Amizade e Coração Vagabundo. Nos bastidores, falou sobre o longo período que ele e Caetano romperam a amizade e de sua aproximação: ''Nos encontramos, nos abraçamos e sorrimos...'' – Foto: José Proença


 Jorge Mautner, outro parceiro de longa data, ficou responsável por Homem-Bomba e Tarado – Foto: José Proença


Saulo Duarte e a Unidade foi uma das gratas surpresas da noite. O grupo paraense, além de refazer os grandes hits Odara e Beleza Pura, os paraenses desempenharam a função de banda de apoio de todo o espetáculo – Foto: José Proença 



Com o clima paraense já preparado, Saulo Duarte chamou ao palco a "verdadeira orixá de sua terra", Fafá de Belém. Cajá e Naturalmente, ganharam temperos de carimbó: "Caetano foi meu primeiro amigo quando sai de Belém. O disco dele feito no exílio me lembrava que eu também estava longe da minha Belém..." – Foto: José Proença


 "Tive um k7 do Circuladô Ao Vivo. Escutei tanto no walkieman que a fita estragou...", recorda Mariana Aydar se apresentou ao lado de Lanny Gordin, lenda da guitarra e dos arranjos, um dos responsáveis pela estética da Tropicália, Chuva, suor e cerveja” e “Atrás do trio elétrico” – Foto: José Proença


Todos os cantores: Sampa







Caetano 50: Música e Transformação em uma homenagem inesquecível

Dia 18 de outubro de 2015 ficou marcado por um verdadeiro encontro de gerações. O evento Música e Transformação cumpriu com os seus intuitos iniciais: homenageou um dos maiores ícones da música nacional e mundial, resgatou grandes sucessos interpretados originalmente por Caetano Veloso nas últimas cinco décadas e acontecimentos importantes que tomaram o país neste mesmo período, além de aquecer o palco do Auditório Ibirapuera rumo à tradicional noite de premiação desta nona edição do Movimento Trip Transformadores – que acontece no próximo dia 11 de novembro. E os protagonistas desta noite fria, coincidentemente em pleno primeiro dia de horário de verão, vieram dos mais variados cantos do Brasil, representando gerações diferentes e unidas por uma única paixão: a música. O público também protagonizou o encontro: milhares de pessoas prestigiaram o espetáculo da área externa do Auditório e em coro reforçaram o canto de obras históricas.
Logo nas duas primeiras apresentações da noite, a feliz diversidade dos convidados – e da própria Trip– já ficou evidente: Mahmundi, aos 25 anos de idade, assumiu a responsabilidade de abrir os trabalhos. A carioca, cujas referências variam – em estilos musicais e épocas inspiradoras –, cantou logo de cara um dos maiores sucessos de Caetano: “Queixa”. Já o seu sucessor no palco conheceu o sucesso antes mesmo de ela nascer: Paulo Ricardo, um representante genuíno do rock nacional, deu nova roupagem à canção “London London”. Em seguida foi a vez da pernambucana Karina Buhr emocionar e fazer o público dançar com “Índio” e “Irene” e, posteriormente, de Laya Lopes, cearense de corpo, alma e sotaque, interpretar três hits consecutivos: “Como 2 e 2”, “Divino maravilhoso” e “Cinema Olympia”.
Era chegada a hora de o público ver de perto dois dos maiores ídolos da nossa música de todos os tempos. Saulo e a Unidade, que durante todo o show permaneceram como banda base dos demais artistas, descansaram por alguns minutos e deram lugar a Jards Macalé e seu violão. Macalé cantou duas parcerias com Caetano – “Amizade” e “Coração vagabundo” – e foi reverenciado pela calorosa plateia. Jorge Mautner, também parceiro de longa data do homenageado, subiu ao palco em seguida e mostrou propriedade ao cantar duas obras que ele conhece e muito bem: “Homem-Bomba” e “Tarado”. Foi a vez então de o Pará desembarcar em São Paulo: Saulo e A Unidade, que marcaram presença no palco desde o início, tiveram a honra de cantar e tocar dois dos maiores e mais conhecidos sucessos da noite. O público foi ao deleite com “Odara” e “Beleza pura”. Fafá de Belém, recebida pelos animados jovens conterrâneos com muita admiração, discursou lindamente sobre a influência de Caetano para a música e deu toques de carimbó para “Cajá” e “Naturalmente”.
Mariana Aydar e o lendário guitarrista Lanny Gordin foram os últimos a subir no palco, mas não propriamente “encerraram” o espetáculo. Isso porque, após protagonizarem um verdadeiro Carnaval fora de época com “Chuva, suor e cerveja” e “Atrás do trio elétrico”, ambos receberam todos os cantores novamente no palco para um verdadeiro coro. A música escolhida para a ocasião não poderia ser outra: “Sampa”, uma canção histórica de Caetano, que, como o próprio nome adianta, fala sobre essa que é uma das cidades mais receptivas do mundo.
O evento não teve apenas atrativos musicais: na projeção simultânea em cima do palco onde ocorreram os shows, fotos do artista Walter Firmo representaram as transformações que ocorreram no Brasil ao longo destas últimas 50 primaveras, e uma arrecadação de livros recebeu doações para a ONG Social Skate – do homenageado em 2013 do Prêmio Trip Transformadores, Sandro Testinha.


jueves, 30 de marzo de 2017

2017 - THEREZA EUGÊNIA - Fotógrafos




Caetano Veloso


                      " ...Acho que foi o artista que

 mais fotografei." [Thereza Eugênia]





ULTIMA HORA














1972 - Maria Bethânia e Sandra Gadelha

1979 - Caetano Veloso

1977 - Ney Matogrosso


Fafá de Belém


Angela Ro Ro







 Revista TRIP 

#263 Mar 2017








Fotógrafa que registrou a MPB dos anos 70 e 80, Thereza Eugênia elege suas imagens mais marcantes à Trip

por Bruna Bittencourt
28.3.2017



Thereza Eugênia Paes da Silva, 77, é um denominador comum da MPB. Desde o fim da década de 60, clicou de Roberto Carlos a Caetano Veloso, Maysa a Maria Bethânia. A baiana de Serrinha chegou ao Rio de Janeiro em 1964, para "cortar o cordão umbilical" e trabalhar como enfermeira -- profissão que ela conciliou com a fotografia e exerceu até a década de 90. Em meio ao frenesi de Blow Up (1966), filme de Michelangelo Antonioni protagonizado por um fotógrafo, comprou uma câmera. Thereza começou clicando a irmã, sua primeira modelo. "Ela tinha uma certa pose, bem interessante", lembra à Trip. "E as pessoas foram me chamando."


Em 1970, foi convidada a fotografar Roberto Carlos no palco. Como não tinha o equipamento apropriado, pegou uma câmera emprestada do Canecão (onde o cantor se apresentaria). O gerente da casa gralhou: "Como vocês chamam uma garota que mal sabe pegar no equipamento?". Mas Roberto gostou e escolheu uma das imagens para estampar seu disco de 1970, uma das capas preferidas que Thereza clicou.


"Sempre usei muita luz ambiente e de palco. Minhas fotos têm um certo senso de intimidade, entrava na casa dos artistas. Na memória dos meus fotografados, fiquei como uma pessoa que nunca fez imagens comprometedoras ou polêmicas deles", diz.

Amiga de Caetano, era a única com um câmera no aniversário de 40 anos do cantor. "São dois prazeres: ouvir e fotografar música." 

Hoje, ela clica muito pelas praias do Rio com um iPhone 6 e outro 7, que alimentam parte das fotos de seu perfil no Instagram. "Sou uma ótima dona de rua. Moro na zona sul, saio andando." Thereza segue fotografando artistas. "No ano passado, Marina me ligou para clicar o show dela [No Osso]. Alcione quis que eu fotografasse seu aniversário, Fafá [de Belém] me chamou para o Círio de Nazaré." A pedido da Trip, ela relembra histórias por trás de algumas de suas fotos mais marcantes:





Caetano Veloso: "Quando ele chegou de Londres, em 1972, fez três apresentações no teatro João Caetano. Só se falava disso, era o grande evento do Rio de Janeiro. Houve um derrame de xerox de convites na praia. Quando alguém entrou com o ingresso falso, Guilherme gritou: 'Deixe entrar, o cara é amigo de Caetano'. Fui com Marina Lima. Era a primeira vez que estava vendo o artista no palco, no seu primeiro show no Rio após o exílio. Impressionada com seus movimentos ao cantar 'O Que é Que a Baiana tem?', fiz uma dupla exposição no mesmo negativo. Acho que foi o artista que mais fotografei."



Maria Bethânia: "Esta foto é a melhor que fiz de Bethânia no palco durante o espetáculo Drama-Luz da Noite [início da década de 1970], que assisti várias vezes. Comecei a fazer fotos dela na sua casa. Até a década de 80, fotografa palco e plateia dos seus shows. Ela nunca criou nenhuma restrição ao meu trabalho. Há pelo menos 50 fotos de Bethânia no livro de Bia Lessa [a fotobiografia Então Maria Bethânia, lançada no fim de 2016]."




Guilherme Araújo: "Guilherme (1936-2007) foi um grande empresário, trabalhou por 15 anos com Caetano e Gal. Tinha uma relação de amizade com os artistas. Adorava ser fotografado e eu era como se fosse sua selfie. Fiquei muito amiga dele, era como um irmão, me incluiu no testamento dele. Esta foto sintetiza como percebia a relação dele com Gal: o criador e a criatura. A máscara com o rosto dela foi uma invenção dele para o show Fantasia [1981]. Mãe de Gal, Dona Mariah Costa ao ver a foto, disse: 'A boca dela na máscara é semelhante a de Guilherme'."
 


Gal Costa no show Gal Tropical: "Em 1979, Guilherme quis dar uma virada na imagem dela, mostrar Gal elegante, vestida por Guilherme Guimarães. Ela entrava no palco descendo uma escada com todo esplendor, como se dissesse ao que veio. Este espetáculo foi ovacionado pela crítica e ficou um ano em cartaz. Estrelas de cinema como Liza Minnelli e Ursula Andress vinham para o Carnaval do Rio e assitiam ao show de Gal, iam ao camarim. Retrata muito bem uma fase muito importante na vida dela."



Wanderléa no espelho: "Influenciada pela pintura pontilhista, tentei com um filme granulado um efeito parecido. Esta foi minha melhor foto neste estilo. Fui inspirada por uma capa de Miro da Rita Lee [o disco homônimo da cantora, de 1980], era uma experiência. Wanderléa é uma pessoa adorável, carinhosa."





Música

30.3.2017 

Fotógrafa revela em redes sociais imagens "secretas" de astros da MPB


Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

 

Artistas fotografados por Thereza Eugênia entre os anos 70 e 80 no Rio de Janeiro - Imagem: Thereza Eugênia




Quem vê Thereza Eugênia, 77, pela praia de Ipanema ou do Arpoador com um celular na mão, registrando o cotidiano de quem passa por ali, talvez nem imagine a história por trás de toda uma vida na fotografia. Junto às imagens de seus principais alvos hoje --mulheres de biquíni, banhistas jogando frescobol, vendedores ambulantes e surfistas--, ela guarda uma infinidade de registros de Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Chico Buarque, Nara Leão, Gilberto Gil.

A estreia de Thereza no mundo musical aconteceu por acaso, em 1970, e quase deu errado. Ela só tinha trabalhos amadores quando foi chamada para registrar o show de Roberto Carlos no Canecão, no Rio de Janeiro. Não tinha sequer câmera profissional. A solução foi pedir uma máquina emprestada ao gerente da casa de shows. "As imagens ficaram escuras, mas o Roberto Carlos adorou e escolheu uma delas para ser usada na capa de seu disco em 1970", lembra ela. "É até hoje uma das capas mais lembradas do artista", diz, orgulhosa, ao UOL.
 

Capa do disco de Roberto Carlos de 1970 com foto de Thereza Eugênia - Imagem: Thereza Eugênia/Divulgação



Desde então, o relacionamento com os principais artistas da MPB só se fortaleceu, a ponto de Thereza frequentar a casa de muitos deles. Como o foco dos trabalhos de Thereza era publicitário, as cenas de bastidores e da intimidade que a fotógrafa capturava de maneira despretensiosa nunca foram reveladas em público.

Entusiasta das redes sociais, Thereza viu no Instagram a chance de divulgar essas imagens. Seu perfil, @therezaeugenia, é um prato cheio para os fãs da MPB que agora têm à disposição imagens como a de Chico Buarque fumando despretensiosamente um cigarro em casa, de Maria Bethânia tomando banho na piscina, de Caetano com o filho Moreno e de Ferreira Gullar só de bermuda. 

"Sou de uma época em que o registro da intimidade dos artistas não era tão divulgado e compartilhado quanto hoje. Eu ia para a casa deles, fazia as fotos e guardava para mim", conta. Para a fotógrafa, com os celulares as pessoas passaram a compartilhar naturalmente sua intimidade. "Era difícil conquistar a confiança de um artista para entrarmos em sua casa. Hoje em dia, você saca o celular e faz uma selfie".

A foto de Chico Buarque, por exemplo, feita em 1982, mostra o cantor em sua casa na Gávea, no Rio de Janeiro, durante uma entrevista para a gravadora. "Ele chegou usando uma bermuda, fumando e tomando um cafezinho. Nem se preocupou em se arrumar, ele estava completamente à vontade".

Quem também ficou muito a vontade com Thereza foi o escritor Ferreira Gullar. "Fui fazer a foto da capa para um CD de poesias. Ele chegou com uma bermuda larga que aparecia a cueca. Mas o Ferreira Gullar era um gênio. Eu nunca diria para ele botar uma calça. Me lembro que tivemos um papo extremamente interessante sem nenhum esnobismo cultural".





Caetano Veloso, o fotogênico

O artista mais fácil de fotografar, na opinião de Thereza, é Caetano Veloso. "Ele participa da foto, faz poses. Em 1974, eu fiz uma foto dele com o filho Moreno, que tinha uns 2 anos na época. O Moreno chegou para brincar e Caetano o chamou para a foto. O resultado foi uma cena linda entre pai e filho".


Pelo menos outras duas fotos de Caetano feitas por Thereza também ficaram muito conhecidas e só deram certo porque havia entre eles muita intimidade. "Uma vez pedi para ele posar com uma pena de pavão e ele topou. No Photoshop eu tomei a liberdade de esgarçar o seu cabelo, para ficar ainda mais armado. A imagem é reproduzida até hoje", lembra. "Nesta mesma ocasião, eu pedi para ele se deitar em cima de vários travesseiros vestindo apenas uma mortalha".




Uma das fotos mais famosas de Thereza Eugênia mostra Caetano Veloso segurando contra o rosto uma pluma de pavão



Outra foto de Caetano Veloso que ficou muito conhecida, feita por Thereza Eugênia, mostra o músico deitado em cima de almofadas


Baiana da cidade de Serrinha, Thereza sempre se deu bem com seus conterrâneos. Outra personagem que é fotografada por ela até hoje é a irmã de Caetano, a cantora Maria Bethânia, que aparece em imagens em seu Instagram na praia, em casa, tocando violão, largada no sofá. "É uma amiga querida", diz ela, que hoje é moradora do bairro de Copacabana.

Do passado até os dias atuais, a única diferença que a fotógrafa percebeu em seu trabalho foi a qualidade das imagens que melhorou muito, principalmente dos celulares. "Agora evito usar câmeras profissionais na rua por causa dos assaltos". O seu aparelho favorito é o iPhone 7 Plus. "A qualidade das imagens é ótima, mas o que continua valendo numa foto é o olhar do fotógrafo".

As principais fotos de Thereza Eugênia também estão expostas no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em Ipanema, casa onde viveu o empresário musical e antigo patrão de Thereza. Com curadoria da própria fotógrafa, as imagens revisitam várias fases da vida do empresário e de seus artistas.



1968 - Gilberto Gil, Guilherme Araújo, Caetano Veloso - Foto: autor desconhecido






 


















A casa de Guilherme Araújo, hoje, Gabinete de Leitura inaugurado em 2015.
Direção: Gilda Mattoso


Rua Redentor, 157, Ipanema - RJ




Fotos da exposição de Thereza Eugênia



Foto de autor desconhecido





 


16/11/2016


MUITO OBRIGADA
Thereza Eugênia, Gilda Mattoso e Marcus Vinicius!!!!!!!!

Evangelina Maffei (Buenos Aires, Argentina) Blog "CAETANO VELOSO ... en detalle"