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domingo, 27 de octubre de 2019

2019 - Textos de J. VELLOSO


16/9/2019
Texto de J. Velloso [Facebook]


Claudionor Vianna Telles Velloso [D. Canô] (16/9/1907 - 25/12/2012)



Hoje era dia de festa e até hoje a gente continua festejando. Festejar a vinda de D. Canô é festejar a vida com alegria. Nesses festejos eu aprendi a expandir amorosamente minha família. Quando me lembro dos aniversários dela, vem logo a lembrança de nos juntarmos todos para a foto. Todos com sorrisos largos e olhos brilhando. Vários parentes foram se chegando ou cada um de nós foi trazendo outro.

Vou citar poucos aqui, mas é bom saber que são muito mais do que esses. Nessa foto que tirei hoje com a máquina da minha saudade eu vi nitidamente Beto, Ivonete, Dr. Lúcio, Nando, Guerreiro, Kikiki, Edneusa, Dirlene, Carlos, Alcina e, quem me faz lembrar de fotografias, Maria Sampaio.

Minha avó me ensinou muitas coisas, não sei o que deu pra aprender, mas aprendi que família não tem nada a haver com a rigidez biológica do DNA. Família é o amor da amizade reencarnando, que segue hereditário nos genes dos sentimentos e que vai se espalhando. No dia de hoje almoçávamos sempre todos juntos nos preparando para a festa que ali já começava. Mas com o desnortear da vida eu acabei sabendo agora que hoje é dia 16 de setembro, o dia dela, e eu estava num restaurante a quilo e sozinho.

O impressionante é que a tristeza não me veio, apesar de tantas saudades e do momento presente, mas o que eu senti foi uma gratidão profunda com a vida, pois o bem que meus amores me deram nunca vai deixar de estar em mim, por isso “só agradeci”. Um beijo minha avó e obrigado por sua bênção eterna.




9/10/2019
Texto de Jota Velloso [Facebook]

Eunice Souza Oliveira [Nicinha] (9/10/1928 - 26/10/2011)




Essa coisa de família grande e amorosa promove situações mais que interessantes. Minha madrinha de batismo é Iara, muito amada e que nos deixou a pouco tempo. Minha outra madrinha é Alcina, que na verdade é madrinha de minha irmã, mas isso é outra história. Mas minha Dinda Nicinha, que fazia anos hoje, é uma referência incomparável pra mim.

Eu sempre observava ela com muita admiração e adorava pedir a bênção a ela de forma particular. Ela era duma presença iluminada e marcante. Ela era toda nossa e nós todos éramos todos dela. Era como se fosse a nossa Lua, orbitando sobre todos e sabendo das nossas marés.

Faz parte das minhas lembranças a sua alegria exuberante, o costume fazer cócegas até a gente perder o fôlego, e a maneira de demonstrar fé em Nossa Senhora da Purificação e em Senhor do Bonfim de forma quase que carnal, pois ela conversava com eles com muita intimidade que chegava até a brigar.

Ela me deu vários presentes inesquecíveis, mas o pricipal foi um violão quando fiz 15 anos. Nessa época eu só gostava de jogar bola. Música eu só gostava de ouvir lendo os encartes, mas nunca pensei em fazer nada relacionado. Como eu era amigo de Cezar Mendes, depois que Nicinha me deu violão, ele começou a me dar aulas e eu comecei a gostar daquilo. Percebia que Nicinha observava tudo isso de forma muito natural.

Acredito que era pela forma dela gostar tanto de música que a fazia pensar que todo mundo gostasse da mesma forma.

Não é fácil situar Nicinha, pois ela é um amor e uma saudade diferente de tudo. Ela tem um amor singular de todos nós, pois ela foi muito singular com todos da casa. Nicinha é uma família completa.

Acredito que ela tenha me dado a lanterna pra me salvar da escuridão quando eu era adolescente e hoje, quando vemos tanta grosseria e asneira no mundo, eu agradeço ainda mais por tudo que ela fez e continua a fazer por todos nós que tivemos a sorte de amá-la e de também sermos amados por ela.

Agora vou parar pra lembrar dela; sem chorar, pois ela nunca gostou de tristeza. Vou tentar ouvir sua gargalhada, sua voz falada e cantada. Salve Babá. Onde quer que você possa estar, sei que está dentro de cada um de nós. Obrigado por tudo, minha madrinha.



14/10/2019
Texto de J. Velloso [Facebook]

José Telles Velloso [Zeca/Seu Zeca/Seu Zezinho] (14/10/1901 - 13/12/1983)

 

Acho que isso, de se observar, é coisa que vem com o tempo. Começamos a nos olhar à distância e analisar essa loucura que somos nós. Percebemos que somos muitos e em constante mutação.

O meu nome, que eu adoro, é Joviniano José. É uma combinação que meus pais fizeram juntando o nome dos pais deles. Eu me sinto muito feliz com isso apesar de alguns acharem estranho. Mas hoje é pra falar do José, meu avô Zezinho que foi o único avô que conheci. Sei que dei um azar danado em não ter conhecido o meu avô Joviniano; mas a sorte de ter conhecido, convivido e amado o meu avô José é muito determinante pra mim.

Falar de meu avô Zezinho é muito delicado, pois sua presença na minha vida é muito ampla e a sua forma de existir moldou a minha. Em todos momentos de dúvidas, principalmente morais, eu me pergunto “o que meu avô acharia disso?”. Acredito que muitos que conheceram ele possam ter também essa conversa consigo.

Depois que perdemos muitos queridos, falar deles virou uma terapia e uma forma de ainda ter eles vivos. Conversando com Mirella pra explicar como meu Avô Zezinho era, eu me vi sem encontrar um caminho pra começar a falar. Tudo que eu pensei salientar dele, como admirador apaixonado, foi se confundindo com outras lembranças e que não poderiam ficar de fora. Essa profusão de lembranças dele foram transbordando e eu, pra me proteger, chorando, me resignei, simplifiquei e acabei, sem premeditar, sendo mais profundo e preciso ao dizer: ‘ele era completamente maravilhoso’.

Sabe o que é uma pessoa que não me deixou uma queixa, um talvez ou um quem sabe? Suas histórias fazem parte dos meus dias, pois não preciso pensar para estar com ele. Assim é ele pra mim, não precisa eu parar pra lembrar dele para que ele já esteja, basta eu acordar que ele já está. Sei que hoje, que era seu aniversário, ele estaria feliz com a campanha do Bahia, mesmo ele sendo torcedor do Ypiranga; mas também estaria proporcionalmente estarrecido e triste com o que vem acontecendo no Brasil, pois ele era, acima de tudo, humanista, mas, pra simplificar tudo, basta dizer "ele era completamente maravilhoso."



16/9/2010 - 103 anos D. Canô






viernes, 20 de julio de 2012

1931 - GENEALOGÍA





Autógrafo en el adorable "JANELAS", base para esta genealogía



"A casa da gente era grande e tinha quintal. No quintal sempre limpo, a mangueira que viu a gente crescer.

Éramos quantos? Oito irmãos... casa cheia. (pág. 20)

...

O sobrado  era tão grande que dentro dele cabia o Telégrafo.
O som do aparelho Morse acompanhou de perto os nossos dias." (pág. 41)

(1990, Janelas - Mabel Velloso)




Rua Conselheiro Saraiva, casa nº 39, antigua Rua Direita (calle del Telégrafo, calle de la panadería "Padaria Francesa"), en Santo Amaro da Purificação (Bahia).










19421945
Acervo Mabel Velloso
        

Caetano Emanuel Viana Teles Veloso nació y vivió en la Rua Direita hasta sus 9 años.


caetano veloso disse:
Março 14th, 2009 at 5:39 pm
(del blog "Obra em Progresso")

sou mulato. meu pai era mulato evidente. os pais dele eram mulatos. bethânia tinha cabelo crespo quando nova. os bisavós de meu pai podem ter sido escravos. nem sei quem foram seus avós. minha mãe é morena de cabelo negro e liso. clara nasceu loura e assim permaneceu até ter o primeiro filho. mabel é morena amulatada e as filhas dela são mulatas evidentes. meus filhos, mesmo tendo mães brancas (brancas como ninguém na minha família é), ficam com os cabelos encrespados quando chegam à adolescência. não vejo razão para duvidarem de minha mulatice. “sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral”.


Abuela paterna/Acervo Rodrigo Velloso
Abuelos paternos:
Cupertino y Maria Clara (Vovó Pomba / Iá Pomba), nieta de una india pataxó.


Abuelos maternos:
Anízio César de Oliveira Vianna (Poeta, circa 1867) y Júlia Muniz de Araújo (Vovó Júlia / Vovó Julinha / Iá Julinha).

D. Canô, en entrevista para la Revista Tpm #69, setiembre de 2007:

“…
P: Sua mãe não só te ensinou a cozinhar, mas criou a senhora e seus dois irmãos sozinha?
R:  Foi. Conheci meu pai já velho, perto de morrer. Quando ele ficou doente, mandou chamar e fui vê-lo em Salvador. Mas era pequena e tive medo, porque ele era muito barbudo. Logo depois morreu. Minha mãe morreu com 82 anos, aqui nesta casa..."



Padres:
José Telles Velloso (Zeca / Seu Zeca / Seu Zezinho)  (14/10/1901-13/12/1983). Responsable de la Agencia de Correos y Telégrafos de Santo Amaro y Claudionor Vianna Telles Velloso (D. Canô). Nacida en Santo Amaro da Purificação (16/9/1907-25/12/2012).
Se casaron en la Iglesia de Nuestra Señora del Rosario de Santo Amaro, el 7 de enero de 1931.

Tías paternas:
Minha Ju [Jovina Telles Velloso], que trabajaba en el Correo.
Mãe Mina

Tíos maternos:
Almir Caribé
Tía Geni [Joana Araújo Silva] / Sinhô
 

Primas por parte del padre:
Minha (sua) Inha / Mariinha / Maria de Lourdes Velloso Costa 
Minha (sua) Aia
Minha (sua) Daia / Lindaura
Minha (sua) Dete
Minha (sua) Teça
Minha (sua) Guja
Margarida Velloso Salles






1948 - Roberto, Mabel, Clara Maria, Rodrigo, Nicinha, Caetano e Bethânia

Foto: Acervo Mabel Velloso







Rodrigo, Roberto, Caetano, Bethânia...


Minha Daia e Moreno Veloso

2/11/1997 - Lindaura, Minha Daia, tia de Caetano Veloso, em Santo Amaro da Purificação [FSP-Mais!] - Foto: Xando Pereira / Folhapress



Hermanos:


Eunice Souza Oliveira [Nicinha]. (9/10/1928-26/10/2011)
Hermana biológica de Dona Edith do Prato [Edit de Oliveira Nogueira (1915-8/1/2009)] y de Dona Elza.

D. Canô, en entrevista para la Revista Tpm #69, setiembre de 2007:
"...
P: Como é a história de Nicinha?
R:  Aconteceu que ela nasceu de um susto que a mãe dela tomou quando estava grávida. A parede da casa caiu e a menina nasceu com sete meses, pequetitica, uma coisinha de nada. Mariinha, uma das sobrinhas de Zeca, trazia a criança pra casa, levava toda noite pra dormir, tornava a trazer de manhã. Ficamos apegados a ela. Ainda não tínhamos filhos. Foi Nicinha que levou nossas alianças no casamento. Hoje ela é a camareira de Bethânia..."



Clara Maria Vianna Telles Velloso Barreto (7/2/1932-23/6/2017).
Casada con Layrton Barreto.
Hijos:
J. Velloso (Joviniano José Velloso Barreto, 16/1/1961) y
Maria Velloso Barreto (Baia) (23/4)


Maria Isabel [Mabel] Vianna Telles Velloso (14/2/1934). Escritora.
Casada con Antônio Mesquita (14/10/1934-2012)
Hijas:
Jovina Dulce Velloso Mesquita (Ju) (1/11/1962)
Maria Clara Velloso Mesquita (Lala) (5/2/1965). Hijos: Jorge y Anna Luiza
Belô Velloso (Isabel Velloso Mesquita) (19/8/1971)



Rodrigo Antonio Vianna Telles Velloso (26/1/1935).
Secretario de Cultura de Santo Amaro.


Roberto José [Bob] Vianna Telles Velloso (14/8/1939).


Maria Bethânia Vianna Telles Velloso (18/6/1946).

Irene Telles Velloso (5/4/1954).
Hijo: 
Rodrigo [Diguinho] 18/6/1979


D. Canô, en entrevista para la Revista Tpm #69, setiembre de 2007:
"...
P: E a mais nova, Irene, também é adotada?
R: A Irene também é adotada. E foi uma coisa pior. A mãe dela morreu de parto, com tétano, sete dias depois de dar à luz. O pai, de uma família daqui de Santo Amaro, enlouqueceu, e a gente ficou com a criança..."


Esposas: 
Idelzuith (Dedé) Barreira Gadelha (6/12/1948)
Paula Mafra Lavigne (31/3/1969)



Caetano y Bethânia en primera línea - Avenida Viana Bandeira, nº 179



"Uma casa grande, bonita, com quatro janelas de frente. A porta no centro, duas janelas de cada lado. Na sala de visitas o piano ocupou seu lugar de destaque." (2002, Mabel Velloso)


7 de enero de 1951 - Primera comunión
Aniversario del casamiento de los padres



Los primeros años en Santo Amaro



Foto: Braz Bezerra - Copyright Agência - JB

20/11/1967 - Casamento com Dedé Gadelha na Igreja de São Pedro, Salvador



A família - Janeiro de 1971





7/1/1981 - Bodas de Ouro CANÔ e ZECA











Santo Amaro,  Caetano, Dedé, Moreno, Nicincha, Rodrigo, Maria Bethânia
Foto: Maria Sampaio




7/8/2012 -  70 años de Caetano Veloso - con los hijos:
Moreno Gadelha Veloso - Zeca Lavigne Veloso - Tom Lavigne Veloso









Fuente/Bibliografía

VELLOSO, Mabel. Janelas. Salvador/Bahia: Empresa Gráfica da Bahia - EGBA, 1990. 82 pág.


_____ Caetano Veloso. (Coleção mestres da música no Brasil) edição. São Paulo: Editora Moderna Ltda., 2002. 32 pág.