Feelings Tour
1997/98
Mar31, 1998
Palace
São Paulo BRAZIL
Apr3,1998
Metropolitan
Rio de Janeiro BRAZIL
São Paulo, quarta, 4
de março de 1998
David Byrne toca em SP e no Rio
da Reportagem Local
O cantor e compositor norte-americano
David Byrne é mais um nome do pop internacional a fazer shows no Brasil nas
próximas semanas. Ele se apresenta no Palace, em São Paulo, no próximo dia 31,
e no Metropolitan, no Rio, em 1º de abril.
Estão previstas para o repertório canções de seu álbum mais recente,
"Feelings", e da banda com que Byrne se celebrizou, Talking Heads.
Antes de Byrne, o músico de pop-soul-jazz George Benson ocupa as mesmas casas,
entre os próximos dias 17 e 19, em São Paulo, e 21, no Rio.
Em maio, acontece a edição 98 do festival Top Cat Blues, que ocupa as
quartas-feiras do Palace e as sextas e sábados do morro da Urca. O elenco inclui
David Sanborn, Lloyd Cole and The Commotions, Robert Cray Band, Steve Winwood e
The Blues Brothers Band.
Stephen Altit, 33, diretor artístico da
Top Cat, produtora que organiza o evento, afirma que Lloyd Cole and The
Commotions, banda emblemática dos anos 80, se reunirá especialmente para os
shows brasileiros.
(PAS)

São Paulo, sábado, 21
de março de 1998
MÚSICA
Cantor, dono do selo Luaka Bop, se apresenta em SP no dia 31 (Palace) e, dia
3 de abril, no Rio (Metropolitan)
Sem nostalgia, Byrne quer agradar a
todos
BIA
ABRAMO
especial para Folha, de Berkeley (EUA)
Na primeira vez em que se apresentou no
Brasil, David Byrne admite que cometeu uma temeridade: veio mostrar
"Momo", um disco "latino", e se recusou a tocar os velhos
sucessos dos Talking Heads. No dia 31 de março, Byrne volta para shows no
Palace, em São Paulo. No dia 3 de abril, no Metropolitan do Rio. Dessa vez, diz
que não vai decepcionar os velhos fãs. Do escritório de seu selo Luaka Bop, em
Nova York, Byrne falou por telefone à Folha.
Folha
- Você disse que "Feelings" é o disco dos seus sonhos. É mais
divertido fazer música nos anos 90 do que nos anos 80?
David Byrne - Sim,
de certa forma hoje em dia é mais fácil e mais divertido fazer o disco que você
imagina fazer. O problema é como fazer com que as pessoas ouçam seu disco. Há
milhões de discos por aí, é impossível ouvi-los todos, é até mesmo impossível
ficar informado sobre todos eles. Se você faz algo que é singular e
interessante -e aí não estou falando de mim, mas de qualquer um-, como é que
você se conecta com as pessoas que podem estar interessadas em ouvi-lo?
Folha - E você acha que conseguiu isso com "Feelings"?
Byrne - Não sei do ponto de vista das vendas, mas a turnê para mim tem
sido muito satisfatória. Estou me divertindo bastante, o show é bem energético
e dançante, para mim é ótimo estar na estrada novamente.
Folha - Você está planejando algum tipo de participação especial de algum
de seus amigos brasileiros para os shows no Brasil?
Byrne - Não sei, talvez alguma coisa aconteça, mas não estou planejando
nada. Tom Zé vai estar dando show em São Paulo no dia de minha chegada e eu vou
vê-lo. Sei lá, quem sabe o que vai acontecer? Eu estou bem animado de tocar no
Brasil.
Folha - Como foi sua primeira experiência em tocar no Brasil, na turnê de
"Momo"?
Byrne - Acho que chegar com "Momo" foi um jeito muito
estranho de me apresentar ao Brasil (risos). Naquele show, eu não tocava nenhum
dos meus hits antigos dos Talking Heads, só material do "Momo". Foi
um pouco arriscado. Mas acabou dando certo, o público é ótimo e eu me diverti
bastante. Nesse novo show, estou fazendo uma espécie de retrospectiva, toco
algumas músicas dos Talking Heads, coisas mais recentes, talvez algumas músicas
de outras pessoas... Quem sabe?
Folha - Esse ano, o Luaka Bop completa dez anos de atividade. Como você
avalia o papel do selo?
Byrne - Por muito tempo, as pessoas simplesmente achavam que a gente
estava lançando coisas muito estranhas, o que as pessoas aqui na América do
Norte se contentam em chamar de world music. Mas agora nós conseguimos um certo
sucesso, com o Cornershop ou o Zap Mama, por exemplo, e talvez as pessoas já
não estejam achando o selo tão estranho assim. Isso é ótimo.
Folha - Algum plano de lançar mais música brasileira?
Byrne - Estamos gravando um novo disco do Tom Zé, com músicas novas,
que é muito bom, estava ouvindo hoje de manhã. Bem, nosso primeiro lançamento
foi "Beleza Tropical", uma coletânea de MPB dos anos 70 e 80. Então,
para comemorar nosso aniversário de dez anos, vamos lançar "Beleza
Tropical 2", a nossa versão de "Tropicália 2". Estive ouvindo
outras coisas, não sei exatamente o que vai acontecer. Ouvi um artista chamado
Pedro Luiz e a Parede. Ele gravou um disco chamado "Astronauta Tupi"
e gostei muito.
Folha - Você se encontrou com Caetano Veloso recentemente para gravar
"Dreamworld", uma faixa para o "Red, Hot and Lisbon". Como
ficou?
Byrne - A música já está mixada. Fiquei muito contente, é uma bela
música. Escrevi alguns versos, Caetano escreveu outros. Para mim, era uma
espécie de sonho, ouço Caetano há anos, nós já nos encontramos algumas vezes,
mas a gente nunca tinha trabalhado junto.
Folha - E o curioso é que você, de certa forma, é em parte responsável
pelo livro do Caetano. Por tê-lo apresentado a alguém do "The New York
Times", que publicou aquele artigo sobre Carmem Miranda. O artigo atraiu a
atenção de uma editora americana que sugeriu a idéia do livro...
Byrne - Eu nunca tinha ouvido essa história inteira... Claro que estou
muito lisonjeado. Eu só vi meu nome no livro e fiquei muito surpreso. Estou
esperando a tradução, porque não entendo português o suficiente.
São Paulo, quinta, 2
de abril de 1998
SHOW CRÍTICA
São Paulo viu Byrne dar tudo de si
PAULO VIEIRA
especial para a Folha
O show que David Byrne deu anteontem, no Palace,
foi uma repetição precisa -talvez sem efeitos de distorção de voz- do que ele
vem fazendo desde que estreou "Feelings" no verão europeu passado.
Com um tecladista munido de milhares de bases pré-gravadas, um baterista com um
set quase todo eletrônico, um baixista e uma backing vocal, empunhando ele
eventualmente a guitarra e trajando um costume de pelúcia rosa, Byrne começou
com "Fuzzy Freaky", a faixa que também abre seu último disco solo,
"Feelings".
O que se viu daí por diante foi uma combinação de "Feelings" com
algumas releituras de antigas dos Talking Heads, a banda que liderou e onde
hoje (sob nome The Heads) só encontra desafetos.
Mas, para ficar em três exemplos, se "Once in Lifetime", "Psycho
Killer" e a sensacional "I Zimbra", clássicos dos TH, foram
bastante modificadas, tendo batidas aceleradas, algumas citações e ritmos
incluídos, Byrne não conseguiu se desprender das velhas melodias,
restaurando-as com sua voz bastante razoável para cantor de rock.
Nesse sentido, Byrne, mesmo sincronizado com tendências musicais, melhor
dizendo, sonoras, contemporâneas -mal conheceu os ingleses do Morcheeba, súbito
os chamou para produzir "Feelings"-, não opera a revolução em seu
próprio repertório.
Não o faz como um dinossauro como Bob Dylan, capaz de embaralhar quase
mortalmente sua própria música sem qualquer recurso eletrônico. A antiga
melodia dos TH sempre volta, e o casamento dela ao microfone com a massa sonora
eletrônica circunstante carece de intersecção.
Mas um show, notadamente de alguém que ficou quase estigmatizado como um ídolo
new-wave, não se faz de conceitos musicais avançados nem de poesia concreta.
Assim, seria difícil imaginar alguém mais "amigável" do que Byrne
sobre aquele palco na terça.
Os beats convidavam para a dança, ele trocava algumas vezes de figurino,
invadia o recinto do público, mostrava a roupa íntima sob sua saia escocesa. Se
descontentou os órfãos de 81, surpreendeu com os latinos -justamente o ponto
mais vulnerável de sua carreira-solo-, ao desfilar uma rumba com forte acento
Miami Sound Machine e misturar "Wild Thing" a um tema do cancioneiro
de Celia Cruz.
Permitiu um solo "cabeça" de sua backing -ela se redimiria com uma
intervenção dance "Jovem Pan" em "I Zimbra" - e não parou
de conceder bis. Não chamou, e acho que ganhamos todos com isso, Tom Zé para o
palco. O Rio de Janeiro já fique sabendo que pode esperar de Byrne tudo de si.
Show: David Byrne
Onde: Metropolitan (av. Ayrton Senna, 3.000, tel.
021/385-0518)
Quando: amanhã, às 21h30
Quanto: R$ 30 (platéia e lateral); R$ 40 (especial
e lateral especial); R$ 60 (palco); R$ 40 a R$ 60 (camarote)