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viernes, 4 de septiembre de 2020

2020 - HEY JUDE


“Eu me lembro nitidamente de que ‘Hey Jude’, dos Beatles, era a canção positiva. Quando tocava, era sinal de que ia melhorar minha situação, os portões iam se abrir, a luz ia ser vista de novo”                      

[Caetano Veloso em trecho do documentário "Narciso em férias"]


"Nunca tinha cantado "Hey Jude". Digo, nunca tinha pegado o violão, sacado a harmonia e cantado mesmo. Nunca sequer aprendi a letra inteira. No dia da filmagem da entrevista para o Narciso em Férias foi a primeira vez. E ainda assim, quase só cantarolei. Por isso gravamos aqui em casa, eu e Lucas Nunes, tecladista e guitarrista da @bandadonica, ele fazendo o duplo papel de violonista e técnico de gravação, essa canção dos Beatles que era um anúncio de luz quando, na prisão, eu a ouvia no rádio de um sargento do PQD. Reouvindo aqui as canções mais marcantes de Sérgio Ricardo, vi que, mesmo as de maior sucesso na época em que foram lançadas, têm 14 mil, 22 mil, 108 visualizações. Por acaso (por algoritmo), veio na lista de sugestões do YouTube "A Day in The Life" dos Beatles: 102.196.955 visualizações. Pensei na situação periférica do Brasil. Em "Hey Jude" Lucas me ajudou, tocando violão, e mixando. Em referência aos rapazes de Liverpool (principalmente John Lennon), Lucas pôs "slap back" em minha voz. Mas reduzimos o efeito a um mínimo que significasse homenagem pós-irônica (diria Zeca) às lembranças. Assim, "Hey Jude" é a única faixa original, gravada recentemente em estúdio, single do filme. As outras são as que foram registradas durante a entrevista." 


[5/9/2020, Facebook]









Single
Lançamento plataformas digitais: 4/9/2020


Producer: Caetano Veloso
Composer: Lennon/McCartney
Recording Engineer: Lucas Nunes
Mixing Engineer: Lucas Nunes
Associeted Performer: Caetano Veloso
Guitar: Lucas Nunes
Mastering Engineer: Daniel Carvalho
Executive Producer: Paula Lavigne




Manuscrito [1968]



Letra parcial









Caetano Veloso regrava "Hey Jude", clássico dos Beatles - Foto: Divulgação


Caetano Veloso regrava “Hey Jude”, clássico dos Beatles

Faixa fará parte do documentário “Narciso em Férias”



Caetano Veloso lança versão de “Hey Jude”, clássico dos Beatles, na próxima segunda-feira (7/09). A canção faz parte do seu documentário “Narciso em Férias”, que estreia com exclusividade no Globoplay. No filme, o cantor conta como ela foi marcante durante o período em que esteve preso na Ditadura Militar.



Foto: Divulgação

“Nunca tinha cantado “Hey Jude”. Digo, nunca tinha pegado o violão, sacado a harmonia e cantado mesmo. Nunca sequer aprendi a letra inteira. No dia da filmagem da entrevista para o ‘Narciso em Férias’ foi a primeira vez. E ainda assim, quase só cantarolei”, conta Caetano.

Ao longo da obra, o cantor também lê e comenta uma série de documentos secretos da ditadura inéditos até hoje. Selecionado para o 77º Festival de Veneza, que acontece de 2 a 12 de setembro na Itália, o filme é dirigido por Renato Terra (“Uma Noite em 67”) e Ricardo Calil (“Cine Marrocos”), sendo uma realização Uns Produções, produzido por Paula Lavigne, e coproduzido pela VideoFilmes, de Walter Salles e João Moreira Salles.

Caetano ainda revela que quando ouvia o clássico dos Beatles na prisão, a esperança por dias melhores era renovada. Por isso a importância de tê-la no documentário.

“Em referência aos rapazes de Liverpool (principalmente John Lennon), Lucas Nunes, tecladista e guitarrista da Dônica, pôs “slap back” em minha voz. Mas reduzimos o efeito a um mínimo que significasse homenagem pós-irônica (diria Zeca) às lembranças. Assim, “Hey Jude” é a única faixa original, gravada recentemente em estúdio, single do filme. As outras são as que foram registradas durante a entrevista”, finaliza.




No ‘Conversa’, Caetano se emociona ao recordar música que ouvia na prisão: ‘Só falar o nome dá vontade de chorar’

Caetano Veloso é o entrevistado do programa de sexta-feira, 4/9/2020

Por Gshow
04/09/2020








Reprodução/TV Globo


"Narciso em Férias", documentário de Renato Terra e Ricardo Calil sobre a prisão de Caetano Veloso pela ditadura militar, em 1968, vai representar o Brasil no Festival de Veneza. Horas depois da exibição na Itália, na segunda-feira, o filme estreia no catálogo do Globoplay. No Conversa com Bial de sexta, 4/9, Caetano conta como foi revisitar as memórias do período para o filme, gravado 50 anos depois.

A escolha pelo título "Narciso em Férias" se deve ao fato de que, nos 54 dias em que esteve preso, Caetano não se viu no espelho. Trata-se do nome de um dos capítulos do livro "Deste lado do Paraíso", de Scott Fitzgerald, e também do capítulo do autobiógrafico "Verdade Tropical" (1990) em que o cantor narra a experiência da prisão.

Na esteira de seu lançamento como um livro independente, Paula Lavigne, companheira e empresária de Caetano que assina a produção do longa, deu a ideia de transformá-lo, também, em documentário.

No relato, Caetano contempla da aparição dos policiais em sua casa em São Paulo até sua soltura e chegada em Salvador. Bial comenta o fato de que, no cárcere, Caetano desenvolveu uma série de superstições e interpretava certos eventos como sinais de bom ou mau agouro. Entre as previsões, acertou o dia e a hora em que sairia da prisão.


“A aparição de barata, que até hoje eu tenho
medo, era o pior sinal possível. Fui fazer um
cálculo, acertei várias coisas.”



Caetano Veloso fala do documentário 'Narciso em Férias' — Foto: Reprodução/TV Globo


Entre as músicas que davam sorte, escutadas através do rádio do soldado, estava o clássico instantáneo “Hey Jude”, composição de Paul McCartney que ganhou um cover do baiano lançado hoje.

Mas Caetano emocionou-se ao lembrar de outra música que o acompanhou: “Onde o céu azul é mais azul”, de Francisco Alves.


"’Onde o céu azul é mais azul’ para mim é uma
surpresa que, quando eu fui levado a lembrar, só
falar o nome dá vontade de chorar. Uma coisa
comovente, não assustadora ou ameaçadora.
Tive pena de não ter cantado a canção todos
esses anos, e de não ter coragem de cantar
agora."



No 'Conversa', Caetano canta 'Terra', 'Irene' e 'Hey Jude' — Foto: Reprodução/TV Globo


O papo conta com uma pergunta de Gilberto Gil, gravada exclusivamente para o programa, cuja resposta está justamente na emoção de Caetano ao lembrar de “Onde o céu azul é mais azul”. O repertório contempla músicas que se relacionam com o período no cárcere, como “Irene” (a única composta na prisão) e “Terra”.










martes, 3 de octubre de 2017

2017 - CAETANO MORENO ZECA TOM VELOSO [2]



16/09/2017
Caetano Veloso comemora os 50 anos do Tropicalismo e avalia a situação do país, no 'Conversa com Bial'
E mais: cantor faz balanço da própria trajetória e comenta sobre o relançamento do livro de reflexões Verdade Tropical
E mais: cantor faz balanço da própria trajetória e comenta sobre o relançamento do livro de reflexões Verdade Tropical




Carreira artística, 50 anos do Tropicalismo e o relançamento do livro de reflexões da época da juventude, em Santo Amaro, "Verdade Tropical", foram os temas do bate-papo do Conversa com Bial desta sexta-feira, 15/9, que recebeu Caetano Veloso! O cantor, compositor e escritor participou do programa ao lado dos filhos Moreno, Zeca e Tom.


Veja o que rolou!


Caetano toca seus sucessos no 'Conversa' desta sexta-feira, 15/9 (Foto: Conversa com Bial/Divulgação)

Pedro Bial abre o programa, claro, com um belo discurso para Caetano!

“Conseguiu se manter jovem. Com vigor de um eterno adolescente, ele dialoga, cutuca e faz uma crônica do país numa obra em progresso que passa por gerações sem envelhecer”


Caetano Veloso canta "Oração ao Tempo"

Curiosidade sobre os nomes dos filhos...

“Moreno tem três sílabas, Zeca duas e Tom uma. Eu trabalhei muito com tamanho de palavras nas canções. E, quando chegou no Tropicalismo, estava ficando sem vitalidade e resolvemos dar uma virada, eles sabem dessa história. Moreno lembra de muita coisa. Foi um movimento de revitalização da música popular brasileira”

Caetano Veloso fala sobre os 50 anos do Tropicalismo

Carmem Miranda não sabia sambar, segundo Caetano

“Carmem Miranda não sabia sambar (...) As meninas da classe média não sabiam sambar antigamente. A Carmem Miranda, que era representante no mundo, fazia aquela dancinha meio não sei, mas não era samba”

Caetano Veloso fala sobre artistas que inspiraram o Tropicalismo

Caetano relembrou história das baratas na prisão


Caetano Veloso comenta relato sobre os dias que passou na prisão

Cantor fala sobre a primeira edição de Verdade Tropical e depressão

“Eu senti tudo que você pode imaginar, me arrependi de escrever tudo aquilo, não tinha cara de chegar nos editores que tinham me convidado e dizer ‘não quero mais’"

"Não tinha coragem de dizer para mim mesmo não quero mais, sentia repulsa, náusea, fiquei muito mal quando o livro já estava pronto”


Caetano comenta sobre sua depressão e o período em que escreveu o livro Verdade Tropical (Foto: Conversa com Bial/Divulgação)


Caetano Veloso fala sobre depressão

“Esse negócio de depressão parece um pouco chato, porque parece que dá um calor publicitário a livros. É muito íntimo, mas eu vendo agora o que disse na entrevista, ainda com medo de dizer o que era e como era. Eu tô bem melhor que na época”

20 anos depois e o Brasil...

“Já faz um tempo que tem havido essa separação e essa polarização, o pior de tudo é a má condução de estado e vida pública no Brasil. Isso é terrível, mas neste momento há algumas coisas pontuais. (...) Esse governo não me inspira confiança”


Caetano Veloso comenta a situação atual do Brasil

Brasil está melhorando?

“Há uma minimelhora no Brasil, que pode ser um mal sinal também. Mas eu não acho cabível, por exemplo, que a gente tenha visto aquele vídeo em que o cara está levando a mala de dinheiro ao lado daquela gravação do Joesley Batista e o presidente não ter sido afastado, eu acho errado”


Caetano toca ao lado dos filhos (Foto: Conversa com Bial/Divulgação)

 Esquerda X Direita

“Entro no avião com o pé esquerdo. Desde a infância, meus amigos são os mais da esquerda. Falavam contra os comunistas e meu pai defendeu em um almoço com pessoas inteligentes que queria justiça, aquilo ficou na minha cabeça. Viu como é maluco o negócio? Eu sei que é assim” 


Caetano Veloso fala sobre posicionamento político

Caetano falou que a memória já não vai tão bem

"Fui mencionar uma atriz e o nome não veio. Daí, precisei descrever ela inteira para Paulinha dizer quem era, o ritmo da frase não é a mesma coisa. Mas a gente envelhece, é que você ainda está moço, aquela idade ‘será que vou envelhecer mesmo’. Eu já envelheci mesmo, com 75. Moreno com 44, Zeca 25 e Tom 20."


Os filhos de Caetano mostraram que herdaram o talento musical do pai

Caetano Veloso se apresenta ao lado dos filhos



2017 - Caetano e Moreno

1973 - Caetano Veloso canta Júlia/Moreno
Programa Fantástico

1973 - Programa Fantástico - Repórter Cidinha Campos



O Conversa com Bial vai ao ar de segunda a sexta, após o Jornal da Globo, e você pode rever tudo na íntegra no Globo Play. Acompanhe a atração também no Facebook e no Instagram! 








TODO HOMEM
Letra e música: Zeca Veloso

O sol
Manhã de flor e sal
E areia no batom

Farol
Saudades no varal
Vermelho, azul, marrom

Eu sou
Cordão umbilical
Pra mim nunca tá bom

E o sol
Queimando o meu jornal
Minha voz, minha luz, meu som

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe

O céu
Espuma de maçã
Barriga, dois irmãos

O meu
Cabelo, negra lã
Nariz e rosto e mãos

O mel
A prata, o ouro e a rã
Cabeça e coração

E o céu
Se abre de manhã
Em abrigo, em colo, em chão

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe