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domingo, 18 de enero de 2026

2013 - PROJETO NIVEA VIVA TOM - VANESSA DA MATA convida MARIA BETHÂNIA

 


Vanessa da Mata e Maria Bethânia relembram Tom Jobim

Reverência a Tom Jobim, ícone da Bossa Nova, é comandada por Vanessa da Mata e Maria Bethânia

Publicado em 16/04/2013



No Rio, Bethânia faz uma participação na abertura do projeto musical que Vanessa mostrará em seis cidades do país. Mãe e filha apresentam show 

Fotos: Ivan Faria


Fernanda Montenegro e Fernanda Torres

Notáveis representantes da ala feminina da MPB, Maria Bethânia (66) e Vanessa da Mata (37) uniram suas vozes para reverenciar um dos ícones da bossa nova no lançamento do projeto NIVEA Viva Tom Jobim, no Rio. Juntas, elas se emocionaram ao cantar o clásico Chega de Saudade, composto pelo também maestro e pianista, em parceria com Vinicius de Moraes (1913-1980), em 1958. “Esse trabalho é a maior responsabilidade que eu já tive. Depois dos Beatles, Tom é o mais regravado no mundo. Até Amy Winehouse, em álbum póstumo, canta Jobim. Ele representa desafio, sagacidade e inspiração”, resumiu Vanessa, que vai interpretar as canções do compositor em shows gratuitos por seis capitais brasileiras: Salvador, Recife, Brasília, Porto Alegre, São Paulo e Rio. 

Mestre de cerimônias da noite ao lado da filha, Fernanda Torres (47), Fernanda Montenegro (83), admiradora do legado musical de Tom, descreveu o fascínio que o artista exerce sobre ela. “É um dos maiores nomes da cultura e da música popular brasileira. Influenciou gerações de artistas do Brasil e do mundo. Sempre conviveu com a natureza, eterna inspiração para suas composições, assim como o amor, o Rio e as mulheres, tão bem traduzidas em seus versos”, afirmou. 

Embalados por Só Tinha De Ser Com Você, 1964, um dos grandes sucessos da carreira de Tom, o casal de atores Adriana Esteves (43) e Vladimir Brichta (36) trocava olhares apaixonados ao longo da apresentação. “Essa é uma das minhas preferidas! Achei ótimo ver Vanessa interpretar a obra dele”, elogiou o ator. No show, Antonia Fontenelle (39) lembrou-se do diretor Marcos Paulo (1951-2012). “Um dos hits de Vanessa foi tema do meu início de namoro com Marcos”, contou. Prestigiaram ainda Isis Valverde (26) e o namorado, Tom Rezende (23), Christiane Torloni (56), Bethy Lagardère (63), Ana Lontra Jobim (55), viúva de Tom com a filha deles, Maria Luiza (25), e a outra herdeira do músico, Elizabeth (55).


















jueves, 23 de octubre de 2025

2013 - CAETANO VELOSO e GLÓRIA MARIA

 

Teatro O Tablado


Glória Maria encontra Caetano Veloso

Redação

03/11/2013

Glória Maria aproveitou o domingo (3/11) para levar suas filhas ao teatro para assistirem Pluft, O Fantasminha, estrelada por Claudia Abreu. 

Na plateia do Teatro Tablado, no Rio de Janeiro, a apresentadora teve um encontro inesperado com Caetano Veloso. Glória Maria registrou o momento no Instagram e compartilhou com seus seguidores. 

"Meu amigo… Mestre… Guerreiro. Parceiro da vida… Caetano Veloso… Encontro inesperado na plateia do Tablado… Para curtir Pluft, O Fantasminha… Claudia Abreu sensacional... Minhas filhas AMARAM", escreveu a jornalista na legenda. 

Escrita por Maria Clara Machado, a história conta o encontro de Maribel, uma menina sequestrada e escondida em um porão, e Pluft, um fantasminha do bem que vive por lá. Claudia dá vida ao personagem Pluft, pela segunda vez. Maria Clara Gueiros também faz parte do elenco.


3/11/2013 - Caetano Veloso, Glória Maria e as filhas Maria e Laura


3/11/2013 - Caetano Veloso, Glória Maria e as filhas Maria e Laura






martes, 19 de agosto de 2025

2013 - manifesto do movimiento caetano é foda

 

manifesto do movimiento caetano é foda

 

I - desfaçatez, livro e brasil.

II - isso começou em 2013 e essas redes deixam a gente louco mesmo.

III - Evangelina e Pedro.

IV - ‘Caetano é foda’ é a última coisa que se consegue ouvir no show dos filhos.

V - e a carne se fez verbo e caetaneou entre nós.

VI - aflora isso: somente amor.

VII - o certo é ser gente linda e cantar as maluquices de Seu Caetano.

VIII - jesus de nazaré e os tambores do candomblé.

IX - Natividade: tudo é mesmo muito grande assim.

X - somos sexuais, há de haver a segunda abolição e não existe abismo em que nos caiba.

XI - é infinitivamente pessoal salvarmo-nos para salvar o mundo sebastianisticamente.

XII - simones, raimundos... homens e mulheres há.

XIII - tudo isso é por demais forte simbolicamente… para eu não me abalar.

p.s.: e eu sou só eu.

 

FRANCISCO TABOZA


7 de agosto de 2022 - CIDADE DAS ARTES
Especial Caetano Veloso - 80 anos





martes, 12 de agosto de 2025

2013 - GAL COSTA - 47th Montreux Jazz Festival


Gal Costa performs at the Montreux Jazz Festival, 

Switzerland on July 12, 2013.

Auditorium Stravinski






47th MONTREUX JAZZ FESTIVAL
July 5-20, 2013



Fotos: Jacques Lauber


















domingo, 20 de julio de 2025

2013 - GAL COSTA - Revista Serafina

 


2013
Revista Serafina
Junho



Gal Costa por Daniel Benevides



Fotos: Fe Pinheiro























Domingo, 26 de maio de 2013

 

Subitamente, a voz se tornou a extensão de um corpo, diz Ruy Castro sobre Gal

 

Folha de São Paulo - Serafina

 

RUY CASTRO
COLUNISTA DA FOLHA

 

Seu nome não era Gal --ainda. 

Era Graça ou Gracinha, como a chamavam seus amigos do Solar da Fossa, um casarão colonial de Botafogo, no Rio, onde ela morava, e cujos inquilinos eram tão jovens, criativos, esperançosos, boêmios, bonitos e duros como ela. Caetano, um deles até pouco antes, se mandara para São Paulo. Mas Paulinho da Viola, Itala Nandi, Rogério Duarte, Claudio Marzo, Betty Faria, Maria Gladys, o pessoal do Teatro Jovem e muitos outros, seus vizinhos de porta, continuavam ali, às vésperas das grandes coisas que iriam lhes acontecer. 

Era 1967, outubro ou novembro, com o verão às portas. Novo no Solar e na vida, eu a via todos os dias no jardim -vestido e cabelos curtos, sozinha, pensativa, 22 anos, quase incorpórea. Um ano antes, Caetano gravara seu primeiro disco, "Domingo", em que dividia com ela a capa e a faixa de abertura, "Onde Eu Nasci Passa um Rio", e lhe reservara várias faixas para que ela brilhasse sozinha. 

O nome Gal estava na capa, sem dúvida, até acima do de Caetano. Mas a voz que saía da vitrola, cantando "Avarandado", "Maria Joana" e outras, parecia tão imaterial quanto sua dona. Era uma voz da bossa nova, voz de travesseiro, feita para soprar intimidades -mas etérea na afinação e quase cruel em sua perfeição. Era como se ela tivesse vindo ao mundo para cantar as canções que João Gilberto nos ficaria devendo.

Algumas semanas depois, já estaríamos em 1968 -ano de que ninguém sairia como entrou. Meninos viraram homens, homens viraram meninos. Correrias, patas de cavalos, tiros nas avenidas, novas palavras de ordem e desordem. Nos quartéis, rumor de sabres --era a noite a caminho. Nos auditórios, artistas de terno da Ducal, de vinco impecável, viam-se dividindo o palco com os de camisolão de bananas e não entendiam nada --era o tropicalismo. 

Não me lembro de Gracinha no Solar em 1968. Se continuou lá, já não era vista flanando pelo jardim em que Caetano mandara plantar "folhas de sonho", como na letra de "Panis et Circenses". Ou então fui eu que, aberto às irresistíveis solicitações das ruas naquele ano, não parei muito tempo para observar. Um dia, alguém ligou um rádio e ouvimos sua voz cantando "Baby". Cantando bonito. Por onde andaria Gracinha? Até que, em 1969, essa voz -subitamente extensão de um corpo, ríspida, descabelada, nacos de pele à mostra- anunciou: "Meu nome é Gal! Meu nome é Gal!" 

E só então descobrimos que Gracinha tinha se despedido do Solar e do mundo, e dera seu lugar a Gal Costa. 

O nome Gal estava na capa, sem dúvida, até acima do de Caetano. Mas a voz que saía da vitrola, cantando "Avarandado", "Maria Joana" e outras, parecia tão imaterial quanto sua dona. Era uma voz da bossa nova, voz de travesseiro, feita para soprar intimidades -mas etérea na afinação e quase cruel em sua perfeição. Era como se ela tivesse vindo ao mundo para cantar as canções que João Gilberto nos ficaria devendo.

Algumas semanas depois, já estaríamos em 1968 -ano de que ninguém sairia como entrou. Meninos viraram homens, homens viraram meninos. Correrias, patas de cavalos, tiros nas avenidas, novas palavras de ordem e desordem. Nos quartéis, rumor de sabres --era a noite a caminho. Nos auditórios, artistas de terno da Ducal, de vinco impecável, viam-se dividindo o palco com os de camisolão de bananas e não entendiam nada --era o tropicalismo. 

Não me lembro de Gracinha no Solar em 1968. Se continuou lá, já não era vista flanando pelo jardim em que Caetano mandara plantar "folhas de sonho", como na letra de "Panis et Circenses". Ou então fui eu que, aberto às irresistíveis solicitações das ruas naquele ano, não parei muito tempo para observar. Um dia, alguém ligou um rádio e ouvimos sua voz cantando "Baby". Cantando bonito. Por onde andaria Gracinha? Até que, em 1969, essa voz -subitamente extensão de um corpo, ríspida, descabelada, nacos de pele à mostra- anunciou: "Meu nome é Gal! Meu nome é Gal!" 

E só então descobrimos que Gracinha tinha se despedido do Solar e do mundo, e dera seu lugar a Gal Costa.

 






viernes, 18 de julio de 2025

2013 - GAL COSTA - Paraguay

14 de febrero de 2013

GAL COSTA EN CONCIERTO

Centro de Convenciones de la Conmebol




14/2/2013


El romántico concierto de Gal Costa en la Conmebol

La cantante brasileña Gal Costa presentó un romántico espectáculo para las parejas en el Día de los Enamorados. El concierto que se realizó en el Centro de Convenciones de la Conmebol contó con espacios exclusivos de Personal y Chivas Regal. En la noche, en la que se festejó el amor, los presentes disfrutaron de una exclusiva cena siguiendo las canciones de la artista de bossa nova.

Febrero 15, 2013 





martes, 20 de mayo de 2025

2013 - GAL COSTA - São Paulo

 

O cantor Gilberto Gil agitou o Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, com canções de seu mais recente disco, 'Concerto de Cordas & Máquinas de Ritmo', com grandes sucessos de sua carreira, nas noites de sexta-feira e sábado (15 e 16/3).



Gal Costa aplaude o amigo Gilberto Gil em São Paulo


Publicado em 16/03/2013

A cantora Gal Costa reservou a noite deste sábado, 16/3, para prestigiar o amigo e conterrâneo Gilberto Gil, que se apresentou no Auditório do Ibirapuera, São Paulo.


Foto: Francisco Cepeda 









jueves, 26 de septiembre de 2024

2013 - EDU LOBO - 70 anos

 



29 de agosto de 2013


Show comemorativo de 70 anos do artista e 50 de carreira musical, gravado ao vivo no dia de seu aniversário, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde Edu Lobo canta seus grandes sucessos. 

Destaque para as participações especiais de Maria Bethânia, Chico Buarque, Mônica Salmaso e seu filho Bena Lobo, além do sexteto que acompanha o cantor e a Orquestra de Cordas.

 





Cirandeiro (Edu Lobo/José Carlos Capinam (1967)

Pra dizer adeus (Edu Lobo/Torquato Neto (1967)


Foto: Ricardo Amaral



Foto: Isabel Lobo



Bena Lobo, Edu Lobo, Mônica Salmaso, Chico Buarque e Maria Bethânia



martes, 4 de junio de 2024

2012 - OÁSIS DE BETHÂNIA / CARTA DE AMOR

 

O GLOBO

30/03/2012

Bem acompanhada, Maria Bethânia lança disco ‘solitário’

Álbum soa como resposta, ora doce, ora dura, às críticas recebidas por blog de poesia


Leonardo Lichote


Mônica Imbuzeiro 


RIO - No fim de 2011, Maria Bethânia teve o impulso de entrar em estúdio para preparar um disco. Só sabia, então, que queria fazê-lo sozinha. 

— Queria assinar, arcar com toda a responsabilidade. Meu desejo era por algo solitário, me expressar só. Se pudesse, faria à capela — exagera, sorrindo. — Porque nasci só, vou morrer só, não tenho filhos... Sou só. 

Paradoxalmente, porém, o núcleo do CD "Oásis de Bethânia" (Biscoito Fino) está em "Carta de amor" — com refrãos de Paulo César Pinheiro e texto da cantora —, que já na abertura anuncia o oposto da solidão: "Não mexe comigo/ Que eu não ando só". Em seguida, Bethânia declama: "Eu tenho Zumbi, Besouro, o chefe dos Tupis/ (...) Eu tenho Jesus, Maria e José". E continua: "Eu posso engolir você/ Só pra cuspir depois". Palavras que podem ser lidas como resposta às críticas dirigidas a ela quando se soube que o Ministério da Cultura autorizou a captação de R$ 1,3 milhão para o projeto que ficou conhecido como "blog da Bethânia" — proposto a ela por Hermano Vianna, ele consistia na publicação de 365 vídeos com a cantora declamando poemas. 

— Eram palavras que eu precisava dizer. Uma urgência. Quem quiser vestir a carapuça que vista — diz a cantora sobre "Carta de amor", justificando o longo silêncio desde a polêmica, há um ano. — Estava fazendo coisas, mas nada que precisasse que eu falasse com a imprensa. Até porque o assunto ia ser só um. 

Musicalmente, Bethânia também não anda só. Apesar da instrumentação econômica que confirma seu desejo de solidão (muitas vezes há apenas um músico a seu lado), ela se cercou de boa companhia em "Oásis de Bethânia". Depois de ter Jaime Alem como fiel arranjador por 30 anos, a cantora convidou Jorge Helder (que assina com ela a "criação geral" do CD), Djavan, Hamilton de Holanda, Lenine, Mauricio Carrilho, Marcelo Costa e André Mehmari, além do próprio Alem, para assinar os arranjos — ao espalhar a autoria entre muitos, ela acaba reafirmando sua assinatura, solitária, como a mais forte do disco. 

Das dez faixas, cinco são inéditas

Para cada faixa escolhida, vinha à sua mente o arranjador ideal. "O velho Francisco", de Chico Buarque — compositor ao qual a cantora planeja dedicar uma série de CDs ("No mínimo 12!", diz, rindo) — ficou a cargo de Lenine ("Seu Lenine é o que há de mais tradicional e mais moderno, traz uma novidade no entendimento rítmico"). Alem faz "Fado" ("A exuberância dele na viola, para mim, seu forte"). Carrilho está em "Calúnia" ("Seu violão filho de Baden"). 

— A primeira que pensei foi "Lágrima". Ouvia muito com Orlando Silva, já cantei, mas nunca pensei em gravá-la. Quis logo chamar o Hamilton (de Holanda, bandolinista). Gravamos juntos, ao vivo. Quase todo o CD foi assim. Ouvi "Salmo" (de Raphael Rabello e Paulo César Pinheiro) com Amélia Rabello e o próprio Raphael. Quando ouvi o violão dele, pensei: "Não posso gravar com violão". Chamei o (pianista André) Mehmari, que foi lindo. Aliás, depois que me botaram no pelourinho, tive muita sorte com essas pessoas que chamei. Vieram com tanta doçura, parecia uma coisa de Deus, unguentos de Maria de Bethânia mesmo. 

Ela faz referência à personagem bíblica que ungiu os pés de Cristo e batizou a cidade israelense Maria de Bethânia, que inspirou o nome do CD: 

— Conheci a cidade, que fica num oásis — conta, lembrando que o nome foi retirado do texto de "Carta de amor". — E meu oásis é o sertão, como na foto de Gringo Cardia na capa do disco. 

Com dez faixas, "Oásis de Bethânia" — lançado junto com o aplicativo da cantora para iPhone — traz cinco inéditas: "Vive", de Djavan; "Casablanca" e "Fado", de Roque Ferreira (que tem três no CD); "Calmaria", de Jota Velloso; e "Carta de amor": 

— Djavan me disse: "Desde 1978 não componho para você, quero fazer isso agora". Falei para escrever sobre o que quisesse e ele veio com uma de suas melhores. Já "Calmaria" tem a ver com meu momento de isolamento. E Roque, fora do samba de roda, mostra sua grande admiração pelo Caymmi romântico. 

Num acaso, "Vive" acaba tocando numa ideia central do CD: o saber viver. Ou seja, chorar quando for para chorar ("Lágrima"), louvar a grandeza da existência ("Salmo"), ter a consciência da calmaria e da tempestade ("Calmaria"), assim como da passagem do tempo ("O velho Francisco"). E, acima de tudo (referência ao episódio do blog?), marcar a poesia como uma instância superior da vida. Bethânia sorri com a observação sobre a repetição no CD de palavras como poesia e poeta e destaca uma ocorrência: 

— Fiquei muito com o repertório de Dalva (de Oliveira) para fazer o disco. E "Calúnia", sobre essa mulher que foi traída, caluniada, me pareceu uma boa preparação para "Carta de amor". "Deixa a calúnia de lado se de fato és poeta" (cita o verso de "Calúnia"). Boa parte da grandeza da canção está aí.
















Foto: José Raphael Berrêdo 



29 de março de 2012

Bethânia lança 50º disco e prepara show para o segundo semestre

De fora do álbum, Caetano terá música incluída no palco, promete cantora.

Aplicativo e rádio são lançados nesta quarta (28/3); CD sai na sexta (30/3).

José Raphael Berrêdo (Do G1 RJ)


A foto de Gringo Cardia na capa do 50º CD de Maria Bethânia, que chega às lojas na próxima sexta-feira (30), mostra o sertão de Alagoas, numa paisagem silenciosa. Trata-se do "Oásis de Bethânia", título do disco, e o retrato do lugar que a cantora imagina para se manter centrada, com os pés no chão. 

"Sertão é onde não tem nada. Não tem água. Falta tudo. É um limite que Deus coloca. Para mim, é como se fosse uma fonte, uma nascente pura. Tenho sempre que lembrar que existe esse lugar no meu país. Me bota do tamanho que eu sou. É a vida seca. É o filho de Deus, criado sem apoio, sem ajuda, sem nada. Retrata muito a coisa árida do mundo, e ao mesmo tempo o amor que o sertanejo tem por sua terra", explicou a cantora nesta quarta-feira (28), na entrevista coletiva para o lançamento do novo trabalho, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro.

 

 

"O sertão me coloca do 
tamanho que eu sou"

 

Bethânia

 

Em cada uma das 10 faixas (metade delas inéditas), Bethânia convidou um artista para fazer arranjo original, sobre música autoral ou não. Djavan assina sua própria e inédita "Vive", na qual ainda toca violão. Lenine cria sobre "Velho Francisco", de Chico Buarque ("Precisava de mais pegada, o Chico é suave e o Lenine dá uma pancada", explicou). Hamilton de Holanda, Jorge Helder, Jaime Além, Maurício Carrilho, Marcelo Costa e André Mehmari também assinam canções intepretadas pela Abelha Rainha da MPB. 

"Como o Brasil tem apresentado uma geração de extraordinários músicos, queria estar perto deles de algum modo. Como sou muito intérprete, mais do que cantora, era um sonho que não sabia se poderia realizar. Tive a alegria de eles se interessarem. E vieram lindos, amorosos. O resultado saiu como eu queria." 

Um compositor em especial ficou de fora: o irmão Caetano Veloso. "Na primeira lista ele estava, com uma canção estranhíssima, que fez em 1967 para mim. Ele musicou um poema de Sá de Miranda. Mas quando eu terminei, vi que estava sobrando. É mais uma coisa que eu posso guardar para a cena. O espetáculo que pretendo para o disco tem que ser diferente." 


Na rede

Bethânia concordou em fazer da internet o principal meio de divulgação do CD. Ignorante confessa do meio, no entanto, deixou a cargo da gravadora as questões virtuais. "Agora tudo é internet. Vocês estarem aqui hoje eu sei que é uma coisa antiquíssima, do século 18. A gravadora procurou ver a melhor maneira e me falou que seria pela internet, como todos hoje, Chico (Buarque) e Marisa (Monte). Acho maravilhoso, legal que façam. Eu só sei fazer o que  sempre fiz, sentar e falar sobre o meu trabalho. Sei que tem um monte de coisa aí e se é útil para a música, para o trabalho, é interessantíssimo, mas confesso total ignorância", disse, provocando risos. 

O "monte de coisa" a que se refere inclui a pré-venda no iTunes Brasil - em uma semana o disco conquistou o quinto lugar entre os mais vendidos, ao lado de "21" de Adele, "The Wall" do Pink Floyd e "Nothing but the beat" de David Guetta -; um aplicativo, disponível a partir desta quarta (28) nos gadgets da Apple (iPhone, iPod e iPad), com fotos, discografia e informações sobre o novo disco; e a Rádio Maria Bethânia, com todas as músicas dela no site da Biscoito Fino e com links para o iTunes e redes sociais da gravadora.

 

'Mundo grosseiro'

Com 50 discos no currículo ("Soube ontem [terça-feira] que eram 50", confessou), a baiana ainda se emociona ao ver o trabalho concluído. "Sempre me comove. Sinto uma coisa forte porque, como artista, sou muito verdadeira, lido com coisas muito finas. Poesia, música, corda vocal, que é mais tênue que um fio de cabelo. O mundo tá grosseiro, sem classe, sem delicadeza, sem querer prestar atenção aos detalhes. Quando vejo o trabalho pronto, é sinal de que eu andei assim mesmo. É o que me conforta e me faz vaidosa. Quando penso que talvez eu fragilize e depois vejo que fiz, é um prazer." 

Primeira brasileira a atingir a marca de 1 milhão de discos vendidos, com "Álibi", em 1978, Bethânia finalmente expõe no disco outra paixão sua, a poesia. Na faixa "Carta de amor", recita, entre a letra e melodia de Paulo César Pinheiro, um texto autoral. Um dos poucos, aliás, que não foram queimados. Ela explica: "Escrevo e queimo. Acho purificador. Aquilo existe em um momento e deve desaparecer. Não pretendo ser escritora".


 

Maria Bethânia: "A estupidez faz mais barulho

No lançamento do disco "Oásis de Bethânia", na sede gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro, a cantora Maria Bethânia comentou, pela primeira vez, os ataques ao projeto de divulgação de poesia na internet, através de um blog, coordenado pelo cineasta Andrucha Waddington e pelo antropólogo Hermano Vianna. Os produtores foram autorizados a captar até R$ 1,3 milhão na Lei Rouanet. Bombardeado por críticas, o projeto terminou arquivado. Na conversa com jornalistas, Bethânia abordou de forma indireta e, por um momento, sem sutilezas, sobre a polêmica. 

"O blog, eu não abortei. Primeiro que eu nem engravidei dele (sorri). Depois, o blog é do Hermano (Vianna) e do Andrucha, meus dois amigos amados. A ideia, a sugestão, tudo deles. Eles assistiram a uma leitura minha, na Casa dos Saberes, e ficaram encantados, me passaram a ideia. Foram me convidar para ser a intérprete desses projetos, dizendo os textos. Fiquei honradíssima e falei: se me chamarem, eu vou correndo", relatou a cantora baiana. "Mas aí teve aquele desagravo tão pesado, soturno. Hermano se zangou muito e escreveu: afinal o Brasil não merecia, não precisava de poesia. E cancelou o projeto, com toda razão. Mas o projeto é dos dois. Espero que um dia eles possam fazer. Porque era útil. É bonito. (...) O meu nome ficou assim, entre o Hermano e o Andrucha, o nome que podia mais causar um frisson. E aproveitaram. Como há muito tempo, desde que eu me entendo por gente, sou muito séria, faço meu trabalho, faço minha vida sossegada, não sou de turma, não me dou, minha praia é minha praia... Isso, há muitos anos, vem causando muita reverência, muito respeito, muito reconhecimento... Chega uma hora que incomoda". 

Com pequenas pausas, ela relatou o que sentiu após os ataques, citando um trecho da música "Querido diário", presente no disco recém-lançado de Chico Buarque: "Aí aproveitaram essa coisa pra me bater. Me bateram. Mas eu andei. E eu sou como Chico Buarque: não quebro, não, porque sou macia." 

Antes desse comentário, Bethânia afirmou que "o mundo está grosseiro, está sem classe, sem delicadeza". Terra Magazine questionou se, a partir dessa percepção, ela considera que o interesse por poesia diminuiu no País. "Não diminuiu nada. É uma fome que você não imagina. Mas é assim alucinante. Não só poesia, mas literatura de um modo geral", defendeu a artista. "Você vê a bienal infantil, a loucura que é. Vi ontem que o Brasil bateu recorde mundial de visita a uma exposição. Isso é maravilhoso. A vontade, a sede, a fome de cultura é cada vez maior. Cresce no mesmo volume da estupidez. Agora, a estupidez faz mais barulho. A poesia... A Neide Archanjo repete o Baudelaire, se não me engano: a poesia é uma pétala que cai sobre o abismo... A cavalaria vem e explode sobre ela. Mas a fome existe", comparou.

 Com doze músicas, o disco "Oásis de Bethânia" inclui uma canção que não deixa de pesar como uma resposta aos detratores: "Calúnia" (Marino Pinto/Paulo Soledade), consagrada pela voz de Dalva de Oliveira, uma das principais referências da cantora ¿ "Quiseste ofuscar minha fama/ E até jogar-me na lama/ Só porque vivo a brilhar/ Sim, mostraste ser invejoso/ Viraste até mentiroso/ Só para caluniar". Brincou com os jornalistas: quem quiser que vista a carapuça. O disco traz ainda um texto escrito pela cantora em 2010: "Carta de amor", que dialoga com os versos do auge das farpas públicas trocadas por Dalva e Herivelto Martins. "Eu escrevi esse texto, entre milhares, no ano passado, nem lembro quando, e foi bom escrever. Eu precisava escrever essas palavras. Escrevi e eu precisava dizer depois essas palavras. Disse. Não sei se é bom, se é mau, se é bonito, se é feio... Certo ou errado." 

Mais adiante, Bethânia procurou não limitar o alcance da junção de letras, mas reconheceu que pode favorecer a interpretação de que representa uma resposta às críticas ao projeto de poesia. "Na verdade, primeiro que eu não escrevo pra quem eu acho que não possa compreender. Eu escrevo pra mim. Acho que eu posso me compreender um pouquinho. Pro meu analista, mostro muitas coisas pra ele, pros meus amigos, atores, diretores, Fauzi Arap, Elias (Andreato)... Pessoas de dentro da minha vida e do meu coração. Pra essas pessoas, eu escrevo. Eu acho que serviu... A escolha de 'Calúnia'. Eu sempre passo no repertório de Dalva, em qualquer trabalho. Me veio 'Calúnia' e eu disse: pronto, é um bom prólogo pra esse texto", contou Bethânia. E sugeriu: "Dentro desse contexto e de todos os outros contextos que funciona. É como roteirista de show. Tá nítido ali. Na dramaturgia, eu acho que está claro. Então, escolhi assim. Mas eu não posso dedicar: fiz isso pensando... Porque fica pequeno. Eu faço. Atinge... A brincadeira de 'Carta de amor' é porque é, sinceramente, uma carta de amor para mim. Eu escrevendo pra me livrar de demônios, angústias, dores, mágoas ". 

Segundo a cantora, o disco "se dirige para uma mudança cênica". Mas não quis adiantar detalhes do show que nascerá do seu "Oásis", cuja capa traz uma foto de Gringo Cardia do sertão de Alagoas. "O sertão é o silêncio, a resignação e a dignidade", disse. Ela também analisou, na entrevista, os trabalhos recentes de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gal Costa. "Chico fez um dos discos mais bonitos do mundo". 

"Caetano que me deu ("Recanto"), no dia de Natal. Passamos na casa de minha mãe. Me deu de presente: 'Eu dediquei a você e ao Gil'. Eu disse: 'É o quê? Gilberto, tudo bem, músico e compositor da vida de Gal. Mas, eu?'... Ouvi o disco inteiro, lógico. É um disco que não é para ouvir toda hora, nem todo dia. Caetano é exuberante, cruel, dorido demais. Fiquei apaixonada pela primeira faixa", declarou Bethânia. Na análise do disco da companheira geracional, ela destacou a marca da autoria de Caetano. "Achei muito bem cantado. Não é um disco simples, não é um disco comum, não é um disco qualquer. Primeiro de tudo, eu acho que o Brasil, que tem no mesmo ano um disco inédito de Caetano Veloso e de Chico Buarque, isso é privilégio dos maiores. Caetano chamou a Gal para interpretar o seu ineditismo. Chico fez ele e os parceiros de música, João (Bosco) tocando... Tudo lindo. Eu acho dois trabalhos lindos, completamente diferentes, apaixonantes... Acho que é merecido, é um reconhecimento à cantora que sustentou o movimento que ele e Gil criaram. Por isso eu não entendi ser dedicado (a mim) ... Ele, Gil e Gal foram o centro do Tropicalismo. E Gal sempre foi a intérprete disso. Nada mais justo do que reconhecê-la, homenageá-la e reverenciá-la fazendo o disco. Não é um disco qualquer. É o Caetano". 

Ao fim da coletiva, a filha de Iansã correu para a frente casa da Biscoito Fino: "Vim pegar um pouco de chuva!".



"Vim pegar um pouco de chuva!"

 




Capa do CD 'Oásis de Bethânia' - Foto: Divulgação




1 – Lágrima (Candido das Neves)
2 – O Velho Francisco (Chico Buarque)
3 - Vive (Djavan) - Inédita
4 - Casablanca (Roque Ferreira) Inédita
5 - Calmaria (Jota Velloso) - Inédita
*Citação: Não Sei Quantas Almas Tenho (Bernardo Soares) Edição Fauzi Arap
6 - Fado (Roque Ferreira) - Inédita
7 - Barulho (Roque Ferreira)
8 – Calúnia (Marino Pinto / Paulo Soledade)
* Citação: Lágrima (Sebastião Nunes / Garcia Jr. / Jackson do Pandeiro)
9 - Carta de amor (música e letra: Paulo Cesar Pinheiro) - Inédita
* Texto: Maria Bethânia
10 – Salmo (Rafael Rabelo / Paulo Cesar Pinheiro)













28/4/2012 - Folha de S.Paulo
Foto: Daryan Dornelles




Estreia do show: Domingo 18 de novembro de 2012


BETHÂNIA RELÊ CLÁSSICOS E CONTEMPORÂNEOS


20/11/2012 - Folha de S.Paulo



































Foto: Thyago Andrade / Foto Rio News


Foto: Thyago Andrade / Foto Rio News


Foto: Thyago Andrade / Foto Rio News



Foto: Anderson Borde/AgNews




Fernanda Montenegro assiste apresentação da cantora Maria Bethânia no Rio de Janeiro (18/11/12) - Foto: Thyago Andrade / Foto Rio News





Fernanda Montenegro - Rio de Janeiro - Foto: Anderson Borde/AgNews





Renata Sorrah


Renata Sorrah


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2013

Revista Contigo!

N° 1961 - 18 de abril 2013





















2013 –MARIA BETHÂNIA
Álbum “Carta de amor”
Gravado em 13 e 14 de abril de 2013, em apresentações na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). 
Biscoito Fino 2 CD’s BF 258-2 / BF 259-2|
DVD BF 260-3