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martes, 24 de julio de 2018

2013 - HÉLIO EICHBAUER / MALEVICH


Os shows serão no Vivo Rio. 
No dia 16 de agosto será com mesas e cadeiras e no dia 17 em formato pista.







Vivo Rio – 16 e 17 de agosto de 2013

Confira a entrevista de Caetano Veloso e Hélio Eichbauer para o Segundo Caderno do jornal O Globo sobre o cenário do show "Abraçaço", que será filmado hoje e amanhã no Vivo Rio.

Pela primeira vez, o público carioca poderá ver no palco os quatro quadros de Kasimir Severinovich Malevich (1878/1935) e os losangos sobre o pano de fundo preto.

Quadrado negro sobre fundo branco, que está completando 100 anos. Os outros três são: o Círculo negro sobre fundo branco, a Cruz negra sobre fundo branco e o Quadrado vermelho sobre fundo branco.

“Todas essas obras têm a ver com o show, com a geometria, a arte moderna e principalmente com Caetano”, conclui Hélio.




O GLOBO
Caetano manda um abraçaço para Malevich e sua bossa nova

Hélio Eichbauer leva telas do artista russo para o cenário do show do cantor, que será filmado no Rio

por Leonardo Lichote
16/08/2013





Geometria. Eichbauer e Caetano: ideia inicial do baiano de um show sem cenário acabou virando uma homenagem ao centenário de “Quadrado negro”, marco do suprematismo Foto: Fabio Seixo 



RIO - Caetano havia pedido ao amigo Hélio Eichbauer — cenógrafo que o acompanha desde “Estrangeiro”, de 1989 — que fosse aos ensaios do show de “Abraçaço” para uma tarefa simples: pensar uma capa para o livrinho onde ele leria a letra de “Alexandre”. Afinal, a ideia do compositor era que dessa vez não houvesse cenário. “Quero um fundo preto”, disse.

— Aí Hélio falou: “Há pretos e pretos”. E começou a pensar. Acabou ficando um negócio incrível, um preto mais fosco, um mais brilhante, um mais transparente... — conta Caetano.

O fundo do palco, com quadrados virados como losangos, costurados um no outro, com três texturas diferentes que reagem de forma diversa à iluminação, poderá ser visto pela primeira vez pela plateia carioca nesta sexta-feira e sábado, quando Caetano retorna com a turnê de “Abraçaço” à cidade onde a estreou (em março, no Circo Voador). Desta vez, ele está no Vivo Rio (ingressos de sexta já esgotados), às 22h, para gravar o DVD do show. Além do pano, ele vem com o cenário completo de Hélio: quatro telas da fase suprematista do artista russo Malevich (na estreia, em palco menor, havia apenas “Quadrado negro”).

Dos quadrados-losangos do fundo às telas de Malevich, o cenógrafo foi guiado por uma cadeia de referências que teve como detonadores o centenário de “Quadrado negro” e a canção “A bossa nova é foda”.

— Hélio ligou os quadrados do fundo aos cem anos do “Quadrado negro” e quis fazer essa homenagem — lembra Caetano. — E, ao ver os ensaios, ele pensou como “Quadrado negro” se relacionava com “A bossa nova é foda” (música que abre o disco e o show “Abraçaço”).

O cenógrafo explica:

— Isso é a bossa nova russa, de 1913. E também a bossa nova brasileira do fim dos anos 1950, quando foi realizada a “Exposição de arte concreta”, em São Paulo (1956) e no Rio (1957). Eles são filhos e netos de Malevich.

A relação entre a potência sintética do violão de João Gilberto e do suprematismo de Malevich, detalha o cenógrafo, vem primeiro como intuição, e só depois como conceito.

— É sempre a partir da música. E Malevich é abstrato como a música. É ritmo. E o suprematismo é a sensação suprema, a intuição suprema. Ali, ele reduziu o mundo objetivo ao mundo não objetivo da geometria — avalia. — A palavra vem depois. Primeiro vêm todas as sensações que a música provoca. A suprema sensação.

A partir de “Quadrado negro”, Eichbauer imaginou que outras telas da série suprematista de Malevich poderiam conversar com o repertório do show. Ele escolheu mais três delas: “Cruz negra”, “Quadrado vermelho” e “Círculo negro”. Todas armadas sobre cavaletes.




2013 - Cenário de Helio Eichbauer para show Abraçaço - Divulgação


— É como se o show estivesse acontecendo num museu de arte futurista. E cada quadro é iluminado em trechos do show, relacionando-os às canções. Eles funcionam como janelas, também.

Caetano cita um exemplo:

— Em “Estou triste”, enquanto Pedro (Sá, guitarrista) está solando, ando para o “Quadrado negro” e fico olhando para ele, como uma janela — diz o cantor, ecoando involuntariamente o que Malevich disse sobre a concepção do “Quadrado negro” (“Eu sentia apenas noite dentro de mim”).

Conceito minimalista

Há outros exemplos. O “Quadrado vermelho” dialoga com “Um comunista” e “O império da lei”, e o “Círculo vermelho” refere-se a “Eclipse oculto”. Tudo dentro de um conceito minimalista que se afina à cenografia dos outros shows da trilogia completada pelos discos “Cê” e “Zii e Zie”.

— Acredito que Hélio tenha sido levado a isso ao perceber como é tudo muito conciso desde o “Cê”. Realmente são cenários bem diferentes dos outros que ele fez para mim — diz Caetano, referindo-se a trabalhos como as inscrições rupestres de “Circuladô” e o mural de Diego Rivera em “Fina estampa”. 

A grande mudança para o show que os cariocas viram no Circo é mesmo o cenário, adianta Caetano. No roteiro, pouco mudou. Mais especificamente, duas músicas: a saída de “Alexandre” e a inclusão de “De noite na cama”.

— Retirei “Alexandre” porque não consigo decorar e fico cansado de ler. Isso também desconcentra as pessoas, porque não me dirijo a elas. Eu devia saber a letra e cantar para o público. “De noite na cama” foi escolha do Pedro Sá (além do guitarrista, a BandaCê inclui o tecladista e baixista Ricardo Dias Gomes e o baterista Marcelo Callado). Ele adora a gravação de Erasmo e tinha vontade de fazer aquele (cantarola o riff de guitarra gravado em “Carlos, Erasmo”).

No Circo (“Um lugar lindo, talvez o mais bonito do Rio”, define Eichbauer), “Um índio” entrou como comentário (e tomada de posição) sobre a polêmica em torno da Aldeia Maracanã. Desta vez, Caetano diz não ter definido nenhuma canção que faça referência à atualidade, mas acena com uma possibilidade:

— Acho bacana que no show da Gal a gente tenha posto “Divino maravilhoso”, que é sobre as passeatas daquele período. Queria cantar “Enquanto seu lobo não vem”, outra canção sobre aquelas passeatas. “Vamos passear na avenida...” (canta). Não ensaiei, mas até posso tocar, porque a harmonia é facílima. Mas também não quero fazer nenhuma menção muito direta a isso. Só me tocou lembrar dessa canção.

Uma canção que, apesar da referência temporal marcada, talvez estabeleça, por citar Caymmi, uma ponte com o essencial, o supremo de Malevich.



16/8/2013 - Vivo Rio - Foto: André Muzell / AgNews

16/8/2013 - Vivo Rio - Foto: André Muzell / AgNews


16/8/2013 - Vivo Rio - Foto: André Muzell  / AgNews

16/8/2013 - Vivo Rio - Regina Casé - Foto: André Muzell / AgNews


Coluna Glamurama

17/8/2013


Caetano dá um “Abraçaço” em Débora Bloch, Amora Mautner e Regina Casé

Caetano Veloso subiu no palco do Vivo Rio, no Aterro do Flamengo, nessa sexta-feira (16/8) e deu de presente para seu público carioca o show de gravação do DVD de “Abraçaço”.

Na plateia, muitos amigos dele: Regina Casé mais a filha, Benedita, Adriana Varejão, que acaba de dar à luz Violeta, com Pedro Buarque de Hollanda, Amora Mautner, Maria Ribeiro e Caio Blat, Paula Burlamaqui, Glória Perez e Felipe Veloso, que assina o figurino do músico. 


Fotos: Juliana Rezende


16/8/2013

16/8/2013 - Zeca e Moreno Veloso

16/8/2013 - João Pedro, Benedita e Regina Casé

Paula Burlamaqui e Amora Mautner

Foto: Isac Luz / EGO

Foto: Isac Luz / EGO

Foto: Isac Luz / EGO

Foto: Isac Luz / EGO



Coluna Heloisa Tolipan

19/08/2013

Com verve política, Caetano Veloso grava DVD de seu 'Abraçaço', no Rio

Em show no Vivo Rio, astro arrebatou, mais uma vez, a plateia carioca

Se os quatro show que Caetano Veloso fez, em março deste ano, no Circo Voador, no Rio de Janeiro, eram algum indicativo, não restavam dúvidas de que o público carioca estava ávido por mais apresentações de Caê na Cidade Maravilhosa. Atendendo prontamente ao pedido - e aproveitando para gravar seu novo DVD -, o cantor e compositor subiu ao palco do Vivo Rio, nesta sexta e sábado (16 e 17/8).

Se a amiga Gal Costa arrebatou a multidão que lotou o Vivo Rio semana passada, Veloso não faria muito diferente: casa cheia, público empolgado e clima de celebração no ar ditavam a atmosfera do show, neste sábado (17).

Seguindo o roteiro estabelecido desde o início da atual turnê, Caetano subiu ao palco da casa carioca poucos minutos depois das 22h, horário marcado para o início. Na primeira parte do show, desfile de hits do álbum 'Abraçaço'. 'A bossa nova é foda', 'Quando o galo cantou', 'Um abraçaço' e 'Parabéns' foram entoadas em coro pelo público, já ganhando ares de hits da carreira do cantor.

Sem interrupções para a gravação do DVD (dirigido por Fernando Young, diretor criativo do conceito do álbum de Veloso), Caê mostrou sua usual desenvoltura, esbanjando vitalidade, do alto de seus recentes 71 anos. Abrindo os botões de sua camisa, por exemplo, Caetano ainda é vítima de gritinhos assanhados, que gritavam "lindo!".


'Um comunista', 'Triste Bahia' e 'Estou triste' embalam um momento mais reflexivo da noite, em que Caetano perguntou, inclusive, "cadê o Amarildo?", em referência ao caso do pedreiro desaparecido na favela da Rocinha, no Rio. Com suas colocações e saudações sempre recebidas com entusiasmo, Veloso ainda misturou hits antigos ('Eclipe Oculto', 'A luz de Tieta') com canções recentes ou pouco conhecidas, como seu ousado 'Funk Melódico' e a poética 'Mãe'.


Caetano Veloso: 'abraçaço' emocionado em show-gravação, no Rio de Janeiro

Ovacionado, o mais doce dos doces bárbaros fechou a noite com 'Outro', hit de seu álbum 'Cê', de 2006, primeiro da agora encerrada trilogia com 'Zii e Zie' e 'Abraçaço'. Noite catártica para celebrar a vitalidade exuberante de um dos ídolos máximos da música brasileira.




17/8/2013 - Foto: Ricardo Nunes / Divulgação





17/8/2013 - Chico Buarque conferiu a apresentação em família
Foto: André Muzell/AgNews e Ricardo Nunes - Divulgação
 




miércoles, 14 de junio de 2017

2013 - 23° FESTIVAL DE INVERNO - Garanhuns




“Que beleza de Garanhuns”

Foto: Renand Zovka




CULTURA. PE

Festival de Inverno │Fundarpe │ Música │ Secretaria de Cultura

21/07/2013


A primeira vez de Caetano a gente nunca vai esquecer

Após grande expectativa, o cantor baiano veio ao 23º FIG, com o seu show “Abraçaço”



Caetano foi performático do início ao fim - Foto: Pri Buhr


por Leonardo Vila Nova

“Abraçaço“. Neologismo criado para significar abraço grande, imenso. O mais adequado para definir, então, o abraço inteiro de uma cidade em torno de um artista? Garanhuns foi privilegiada ao dar e também receber um desses abraços, daqueles que não se esquece tão fácil assim. Privilegiado maior o homem que, nesse entrelaçar único de braços, soube retribuir o mimo com o seu melhor: música e poesia vestidas de rock, samba, maracatu e muitos tropicalismos mais. Foi assim a primeira vez de Caetano Veloso no Festival de Inverno de Garanhuns… e foi inesquecível. Na noite deste último sábado (20/7), adentrando na madrugada do domingo, o músico que se diz “baiano-pernambucano” recebeu um abraçaço inteiro, há muito guardado. E, acarinhado pelo imenso público, surpreendeu expectativas.

Para a sua estreia no 23º FIG, Caetano trouxe o show da turnê do seu mais recente álbum, “Abraçaço”, que vem até agora sendo apresentado em casas de show pelo País. Esta foi a sua quarta passagem por Pernambuco este ano (anteriormente, se apresentou no Carnaval do Recife e mostrou o show “Abraçaço” em Petrolina e, depois, voltou à capital pernambucana). O disco foi responsável por fechar uma trilogia festejada pelo seu público, onde o artista mais uma vez ousou se arriscar no campo das imprevisibilidades. A Cidade das Flores teve, então, o prestígio de ter o acesso livre e, não por acaso, a Esplanada Guadalajara ficou lotada.


Público da Guadalajara sábado, dia 20/7 - Foto: Pri Buhr
A atitude rock e o próprio rock como formato para vestir as suas canções poderia parecer inadequado para um “senhor” de 70 anos, mas foi mais uma oportunidade de o artista passear, desenvolto, no limiar dos riscos, como ele gosta de fazer e onde parece sempre estar mais à vontade. Acompanhado da bandaCê – Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (contrabaixo e teclado) e Marcelo Callado (bateria) – ele subiu ao Palco Guadalajara sob olhares atentos. Os comentários sobre a expectativa de ver esse show há um bom tempo já corriam à boca miúda na cidade (e fora dela), indicando que sua presença no FIG era uma das mais aguardadas nesta edição do festival.
À primeira vista, o jovem senhor parece frágil, pequeno. Mas ao abrir o show com “A Bossa nova é foda”, Caetano já faz cair por terra qualquer impressão antecipada a esse respeito. Um rock realmente. Uma porrada sonora que o faz vigoroso em palco. E, a cada canção, ele parece se comunicar diretamente com o desejo de juventude que emana de cada um de nós. Cada sílaba e respiração da sua voz passeia certeira por entre os grunhidos da guitarra, contaminados de efeitos e “viagens”. Mas, muito além do rock, Caetano e a bandaCê refazem, em linguagem própria, todo um universo que está ao alcance do seu tão amplo lastro de inspiração: lá estão os sambas que falam de amor (e sexo), o pop dançante, o funk carioca, a “suingueira”, os momentos de calmaria, as baladas ácidas, as dedicatórias mais íntimas.

Caetano é desses tropicalistas adepto da antropofagia até de si mesmo. No show, além do repertório do disco “Abraçaço”, ele se reinventa em algumas canções mais antigas, readaptadas à sonoridade rock. Do aclamado disco “Transa” – recorrente referência a esse momento atual do artista – ele pinçou “Triste Bahia”, onde as batidas de agogô são simuladas pela guitarra. Mas Caetano também evoca outros momentos, quando ataca de “Eclipse oculto”, “De noite na cama” – com direito a um desabotoar de camisa que pretende atiçar ainda mais a plateia -, “Odeio você”, já concebida nessa sua fase roqueira. E do “Abraçaço”, o balanço malicioso da canção-título do disco, o balanço diferente de “Parabéns”, o maracatu de “Império da lei”, momentos introspectivos como “Estou triste”, e o “Funk melódico”, para descer até o chão com guitarras distorcidas.

Do início ao fim do show, o público se viu diante de um habilidoso provocador de sensações. Um Caetano que emociona no que tem de mais simples e certeiro, mas sempre dotado de uma capacidade de dialogar com tendências e experimentalismos, e uma rebeldia estética incomum nos ditos “medalhões” da música. É esse sabor de novidade a cada canção do show que faz o público delirar e cantar junto. Com certeza, há algo de misterioso e muito bonito nessa relação tão apaixonada entre Caetano e as pessoas que o assistem. Mas essa zona de conforto é construída à base de muitos riscos. Qualquer passo em falso pode lhe render as mais duras críticas. No entanto, ele não se amedronta diante disso e segue firme, se jogando, de braços abertos para o que der na telha. A noite foi linda. Caetano mereceu esse caloroso abraçaço. O festival também.

Um novaiorquino de Garanhuns

Ao fim do seu show, uma surpresa trouxe ainda mais emoção. Caetano convidou ao palco o músico Arto Lindsay. Novaiorquino de alma garanhuense (Arto viveu na cidade dos quatro aos 17 anos), ele é responsável pela sonoridade de discos como “Estrangeiro” e “Circuladô”. Após 41 anos, ele se reencontrou com o seu lar pernambucano. Um sorriso emocionado no rosto, guitarra em mãos, ele mandou ver em noises - que são sua marca registrada – na canção “Você não entende nada”.



Da última vez que se apresentou ao lado de Caetano Veloso, ele disse não se recordar. Mas lembra que foi muito bom, como sempre é. A intimidade e a amizade entre ambos esteve presente no palco, seja tocando música de um ou do outro. Para Arto, a felicidade dobrada, triplicada. Ele também participou do show da Orquestra Contemporânea de Olinda e aproveitou a rápida passagem pela cidade para rever o que há muito deixou apenas na memória. Em um rápido passeio por Garanhuns, ele se deparou com algo curioso: a casa onde morava se tornou a Galeria das Artes, que está abrigando exposições e oficinas durante o FIG 2013. No seu antigo quarto, fotos da exposição fotográfica “Na trilha do cangaço: um ensaio pelo Sertão que Lampião pisou”. A velha pitangueira já não está mais no quintal. As primeiras aulas de piano ficaram registradas com afeto. A cidade mudou. Mas as imagens continuam lá.

Um reencontro que reapresentou a Garanhuns um filho seu que se jogou no mundo para dar cria a uma música incomum e admirável. Foi no abraçaço de Caetano Veloso, durante o show deste sábado, que Arto se reencontrou com parte de sua história de vida, tendo como elo fundamental a música. Após o show, de 1h30, Fafá de Belém deu continuidade à noite.




Festival de Inverno de Garanhuns leva boa programação gratuita à cidade natal de Lula
Caetano Veloso e Arto Lindsay juntos no palco

Pedro Sá, Arto Lindsay e Caetano Veloso - Foto: Costa Neto/Secult-PE

Por ANTÔNIO DO AMARAL ROCHA, DE GARANHUNS

23 de Julho de 2013

A 23ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns, que começou no último dia 18 e continua até 27 de julho, trouxe à cidade pernambucana, nas três primeiras noites, Naná Vasconcelos, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Chico César, Zeca Baleiro, Dado Villa-Lobos e Karina Buhr, entre outros nomes.

O festival é o que se pode chamar de festa superlativa. Durante dez dias, o município, situado na região serrana de Pernambuco, também famoso por ser a cidade natal do ex-presidente Lula, oferece uma programação de shows musicais, circo, teatro, cinema, dança, literatura e artes visuais, somando 570 diferentes atividades, com um orçamento público estimado em R$ 12,5 milhões declarados pelo secretário de Cultura de Pernambuco, Fernando Duarte. A cidade, nesta época do ano, apresenta uma temperatura baixa para os padrões do Nordeste (média de 16º C) e recebe grande número de estudantes e turistas da região, lotando os hotéis, restaurantes e bares.
Entre toda a programação destacam-se os shows que acontecem no palco principal, montado na Esplanada Guadalajara, ao lado do palco Pop, que fica no imenso Parque Euclides Dourado, no centro da cidade. Nos três primeiros dias, de 18 a 20, o palco Guadalajara recebeu um público estimado em 150 mil pessoas, com shows que se iniciavam às 21h e prosseguiam até as 3 horas da manhã.

Quinta, 18 de julho
A primeira apresentação da quinta, 18, muito bem recebida, foi da Ópera Bajado, uma orquestra de 30 elementos, entre metais, cordas e percussão, dirigida pelo maestro Ivan do Espírito Santo. O repertório de choros, frevos e serestas é inspirado nas telas do artista plástico Bajado, extremamente popular em Olinda.
Enquanto o telão projetava as telas de Bajado, a orquestra executava os temas e o público, estimado em 30 mil pessoas naquele momento, se protegia de uma chuva fininha com guarda-chuvas coloridos. Em seguida foi a vez da banda alternativa Gaiamálgama, que trouxe um lado neo-hippie da world music, baseado em uma proposta com mantras, música indiana e árabe, com os integrantes maquiados e fantasiados de índios.
O incansável percussionista Naná Vasconcelos e a banda Batucafro, com forte marcação de alfaias, mais sopros, cavaquinho, bandolim, percussão e vocais, trouxeram a música de raiz pernambucana no terceiro e curto show da noite, e botaram fogo no público, que se pôs a dançar na praça. Depois, foi dito nos bastidores que Ney Matogrosso, a atração seguinte, tinha uma exigência de entrar no palco antes da meia-noite e por isso os shows foram encurtados. Pontualmente à 0h, o céu da Praça Guadalajara se iluminou com explosões de fogos de artifício e Ney Matogrosso entrou no palco.
Como era de se esperar, Ney foi muito ovacionado, a essa altura por um público já estimado em 50 mil pessoas. Nem é necessário dizer que o intérprete tem uma presença magnética e que sua performance vem deixando o público boquiaberto há 40 anos. E não foi diferente desta vez. Sem nenhuma concessão aos hits da carreira, Ney apresentou o set list da turnê Atento aos Sinais de forma impecável abrindo com “Rua de Passagem” (de Lenine e Arnaldo Antunes) e “Incêndio” (Pedro Luís), mostrando o quanto está antenado com o que acontece hoje pelas ruas do Brasil. Momento especialmente impactante foi a versão que Ney fez para o quase bolero “Freguês da Meia-Noite”, do rapper Criolo. Depois de mais de uma hora de show, Ney voltou para o bis com “Ex-Amor”, que gravou no DVD que comemora os 75 anos de Martinho da Vila. O povo cantou junto.

Sexta, 19 de julho
A abertura da segunda noite na praça trouxe o show da banda do carioca Zé Ricardo, com participação da paulista Paula Lima. O som de Zé Ricardo é uma mistura de black music, samba-rock e jazz com pitadas de soul, funk e groove. A presença de Paula Lima cantando “É Isso Aí” só reforçou essa tendência, bem aceita pelo público que começava a lotar o espaço.
O veterano da cena manguebeat DJ Dolores veio em seguida, acompanhado pela Orquestra Santa Massa, formada por samplers, guitarra, rabeca, metais e percussão. Como convidado estava o paraibano Chico César, que também atua como secretário da Cultura de João Pessoa. Foi um show improvisado, tanto que Chico só tomou contato com os músicos quando subiu ao palco. Mas, ao som para lá de pesado da Santa Massa, foi uma dos apresentações mais energéticas do festival. Chico César mostrou parte do seu conhecido repertório, como “Beradero” e “Brilho de Beleza” (de Negro Tenga), da qual ele mudou a letra de um dos versos para “Quando Chico Science morreu foi aquele chororô”.
Depois deste show incendiário, Karina Buhr tinha certamente um grande público a conquistar e não decepcionou com sua performance sempre radical, acompanhada do guitar-hero Edgard Scandurra. Dançando e rolando pelo palco, ela aproveita bastante as suas experiências como atriz na hora de se apresentar ao público.
Depois, foi a vez de Dado Villa-Lobos e banda e Tony Platão como convidado. Dado bem que tentou na primeira parte do show emplacar o repertório próprio, mas acabou por conquistar o público somente quando atendeu aos pedidos de “toca Legião”. Daí foi um desfilar de hits, acompanhandos em coro pela praça. Foi o show mais aplaudido e emocionante da noite. Dado saiu do palco e deixou com Zeca Baleiro a responsabilidade de não permitir que a festa perdesse o pique. Experiente, Zeca fez um show só de hits e manteve as emoções nas alturas. E de quebra trouxe ao palco Chico César, com quem fez uma homenagem a Dominguinhos.

Sábado, 20 de julho
A programação do sábado, 20, noite nobre do evento, foi aberta com o show do cantor e compositor garanhuense Hercinho, seguido do Mundo Livre S/A do vocalista Fred Zero Quatro, que ainda preserva a estética do manguebeat, embora radicalize a proposta. O Mundo Livre, ao lado da Nação Zumbi, é banda icônica para a cena pernambucana e tem seguidores fiéis. A receptividade já era esperada.
Com a praça Guadalajara já lotada, a Orquestra Contemporânea de Olinda, com seu naipe de metais, guitarra, baixo, bateria, percussão e vocais fez o terceiro show da noite, destilando o seu energético set list de frevos, cirandas e maracatus modernos, tendo como convidado o inclassificável guitarrista Arto Lindsay. A praça virou uma grande celebração ao som do hit “Ciranda de Maluco”, como acontece em todos os shows da Orquestra pelo Brasil.

Nos bastidores, a expectativa era pela chegada de Caetano Veloso, o nome mais festejado da noite. Meia hora antes do show, ele chegou escoltado por seguranças e não quis falar com a imprensa. Caetano, que ainda não havia se apresentado em Garanhuns, trouxe quase todo o repertório do disco Abraçaço, e foi uma surpresa a reprodução literal do que foi registrado no álbum. A banda Cê, (Pedro Sá, na guitarra, Ricardo Dias Gomes, nos teclados e baixo, e Marcelo Callado, na bateria) com uma energia juvenil e tocando como veteranos, dá a segurança que Caetano necessita para a apresentação ao vivo.

Empunhando um belo violão branco, Caê fez um repertório de 21 músicas, abrindo com “A Bossa Nova é Foda”, “Lindeza” (de Circuladô), “Quando o Galo Cantou” e “Abraçaço”. Depois desta, foi provocado pela plateia com um coro de “benvindo”. Em reposta, Caetano perguntou “quem aqui faz aniversário hoje?” e dedicou aos aniversariantes a canção “Parabéns”. Depois fez “Homem”, do disco , e uma recriação moderna de “Triste Bahia” (de Transa). O quase refrão “Escapulário” deu o tom de samba enredo que faltava para a plateia cantar junto. Vieram ainda “Funk Melódico”, “Alguém Cantando” (do disco Bicho, no qual foi registrada na voz de Nicinha), “Quero Ser Justo”, “Eclipse Oculto” e a belíssima “Mãe”.

Caetano soube alternar canções que exigiam atenção e outras que eram puro deleite como a antiga “De Noite na Cama”, quando abriu os botões da camisa e insinuou uma dança maliciosa. A sua indignação com as mazelas violentas do Brasil ficou registrada em “O Império da Lei”, mas o ponto alto do show se deu com “Reconvexo”, conhecida na voz de Maria Bethânia, com aplausos emocionados para dona Canô, mãe de Caetano e Bethânia, citada na letra. O guitarrista Arto Lindsay, apresentado como “alguém da terra”, foi então chamado ao palco. Juntos, eles encerraram com “Você não Entende Nada”. Atendendo aos pedidos de bis, Caetano voltou e, ao lado de Lindsay, fez “Copy Me” (do Ambitious Lovers) e “A Luz de Tieta”, regendo um coro de setenta mil vozes no refrão.

A programação foi encerrada com Fafá de Belém cantando hits da carreira, incluindo no repertório temas bem ao gosto do público como “Anunciação”, de Alceu Valença.


viernes, 26 de mayo de 2017

2013 - FESTIVAL LITERÁRIO DE NATAL [FLIN]



Os natalenses esta semana vão poder desfrutar das presenças de grandes nomes da literatura nacional e lusa, no Festival Literário de Natal (Flin), que inicia suas atividades nesta quarta-feira, 6/11, e segue até o sábado, 9/11, com show de encerramento do cantor e compositor Caetano Veloso.

Sábado (9/11) 

Mesa 2
19h30 – Tema: “A POESIA NA CANÇÃO, A CANÇÃO NA POESIA
Caetano Veloso
Eucanaã Ferraz 

Show de Encerramento 
23h – Caetano Veloso – “Abraçaço"






Tribuna do Norte

Prosa e verso


Publicação: 09/11/2013


QQCoisa - Dácio Galvão
daciogalvao@globo.com


Letra e música formam a união hoje no Festival Literário de Natal
Na companhia do poeta, amigo Eucanaã Ferraz, Caetano Veloso falará sobre escritas, canções, percursos reflexivos, livros. Depois, fecha o FLIN com um “Abraçaço”:


Livros lançados (“Alegria, alegria”, “Verdade Tropical”, “O mundo não é chato”, “Letra só”) trazendo artigos, crônicas, pensamentos traduzindo também um percurso reflexivo da cultura moderna brasileira e correlações ao cosmopolitismo.


A prosa amplia e dialoga com a poética cantada? Ou tudo termina em poesia?
Espero que a prosa dialogue com as canções e o resto.

Vladimir Maiakovski, John Donne, Gregório de Matos Guerra, Sousândrade, Ferreira Gullar, Augusto e Haroldo de Campos, Agripino de Paula, Paulo Leminski, Torquato Neto, Antonio Cícero... Poetas que você cantou ampliando o repertório saindo da página do livro para a oralidade de canções. Um exercício íntimo sem fronteiras de códigos?
Fiquei surpreso com o número de casos assim. Me dei conta de que faltou Waly nela. Tem sido tudo muito circunstancial. Nunca parei para pensar muito no que significa o conjunto dessas colaborações.


E Oswald de Andrade aonde entra nisso tudo?
Bem, musiquei “Escapulário”, um grande pequeno poema. E ele foi uma figura estimulante. Cheio de inteligência, cultura e ousadia, criou ambiente para a desprovincianização da arte brasileira.

No CD Abraçaço há uma homenagem a Carlos Marighella. Sentimentos e memórias?
Sim. Memórias que já estavam em Verdade Tropical, mas que precisaram voltar em forma de canção. Houve o livro, o filme, o rap... Acho que o monumento a Marighella, que Jorge Amado tanto sonhava em construir na Bahia, achou seu tempo. A minha é uma canção estranha. Tem ecos das canções de protesto dos anos 1960 e enfia ideias que nunca caberiam numa delas. E faz isso de modo aparentemente prosaico e didático demais, além de relativamente equívoco. Para mim, o conjunto dessas características dá encanto poético a uma peça aberrante.

Há no ar de Natal uma positividade, uma expectativa da sua fala no Festival Literário de Natal-FLIN. O jornalista Woden Madruga assim falou sem tietagem: Caetano vindo e ficando mudo já disse tudo. Que expectativa você remete para a plateia?
Espero não ficar mudo.


No show ‘Abraçaço’ para além da sonoridade, da poética há remessas para a gestualidade e a celebração de Kazimir Malevich?
Foi Helio Eichbauer quem trouxe Malévich para o palco do nosso show. Ele assistu a um ensaio e logo ficou com a imagem do quadrado negro na cabeça. Eu terminei adorando o resultado.

Waly Salomão aqui lançou o livro ‘Armarinho de Miudezas’. Na entrevista que nos concedeu, falou: “Natal, agulha de luz”. Você em entrevista se referindo à cidade: “Diamante do nordeste”. Metafóricos brilhos de uma cidade na leitura de dois olhares baianos?
Natal impressiona mesmo muito. Parece que é o nordeste destilado.

No FLIN você e Eucanaã Ferraz discorrerão sobre o tema “A poesia na canção e a Canção na poesia”. Um bom porto para uma boa ancoragem?
Espero que sim.







Caetano Veloso e Eucanaã Ferraz conversam sobre “A poesia na canção, a canção na poesia”

  
10/11/2013


Mediada pelo presidente da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), Dácio Galvão, a segunda mesa do último dia do Festival Literário de Natal (Flin) versou sobre o tema “A poesia na canção, a canção na poesia”. O poeta Eucanaã Ferraz disse que começou a publicar na década de 1990. Ele comentou que teve a grande sorte de ler poetas estrangeiros e ter a mãe que cantava para seu deleite. “Assim que saía um disco do Caetano o mundo ficava melhor. Eu ficava emocionado”, contou.

Ressaltou que quando ouviu a música “O estrangeiro”, de Caetano, foi um aprendizado. Disse que todo mundo depois de ouvir os baluartes da MPB não ficam imunes: ”Era um privilégio”,

Em seguida, Caetano Veloso fez sua participação inteligente no debate. Ele disse que para a geração dele, Vinícius de Morais foi um divisor de águas. O primeiro contato com a obra do Poetinha foi a peça “Orfeu da Conceição”. A partir daí, procurou conhecer a obra poético-musical de Vinícius: “Pensei que Vinícius de Morais fosse negro. Confundia Vinícius com Haroldo Costa”, assinalou.

Caetano citou, ainda, a obra de Lou Reed, morto há poucos dias, destacando que Reed citava nos shows William Shakespeare, Lord Byron e Edgar Allan Poe. “Rock era coisa de subúrbio e de gente ignorante até os Beatles aparecerem”, disparou. Disse que quando começou a fazer as canções já conhecia a obra poética de Vinícius, além de Carlos Drummond, Cecília Meireles e Manoel Bandeira. “A demarcação entre a música popular e a erudita foi irrelevante para a minha geração”, observou.

Para Caetano, o artista pop de vanguarda, Andy Warhol, quebrou o gelo entre a pop-art e os museus sofisticados. “Os Beatles deram uma virada. Eram muito sofisticados. Gil me chamou a atenção para os Beatles e a Betânia para o Roberto Carlos”, informou.

Na sua opinião, Oswald de Andrade precedeu Marshall McLuhan e Andy Warhol. Lembrou que musicou o poema “Escapulário”, de Oswald de Andrade, além dos irmãos Augusto (“Pulsar”) e Haroldo de Campos (“Circuladô de Fulô”).

Respondendo a platéia, Caetano disse que Nara Leão foi uma figura histórica de enorme importância para a música brasileira. Confessou que foi influenciado por poesia e ensaio, na infância. Só depois passou a gostar do romance.

Ao final, Eucanaã Ferraz recitou letras de Caetano (“Itapoã”), e o compositor baiano, por sua vez, leu poemas de Eucanaã, do livro “Sentimental”.


 
Foto: Claudio Abdon


Foto: Claudio Abdon

Foto: Claudio Abdon


 






 

Encerrando o Festival Literário de Natal, Caetano Veloso - Foto: Márlio Forte




Abraçaço
14 de novembro de 2013

 
Foto: Alexis Régis

Por Tácito Costa (*)

Trinta anos depois voltei a assistir um show de Caetano Veloso. A primeira vez foi na década de 1980, no estádio Juvenal Lamartine, ali no Tirol. Não lembro exatamente o ano, mas é bem provável que algum pluralista também tenha visto e lembre.  Ele veio outras vezes a Natal e embora minha admiração seja grande passei batido.

Poxa, trinta anos é um bocado de tempo, mas no último sábado o Caetano que se apresentou na Ribeira, no encerramento do Festival Literário de Natal (FLIN) não era muito diferente daquele de trinta anos atrás, claro, não me refiro a aspectos físicos (rugas, cabelos grisalhos, óculos etc), mas ao vigor, criatividade, trejeitos e provocações no palco. Era o mesmo Caetano que cantou “eu sou neguinha” (“Totalmente terceiro sexo totalmente terceiro mundo terceiro”) no Juvenal Lamartine, não tenho a menor dúvida.

Eu sempre gostei muito do trabalho dele, que considero um dos mais inquietos e arrojados artistas brasileiros. E o seu show “Abraçaço” na Ribeira foi revelador nesse sentido. Como eu só tinha ouvido duas ou três músicas do álbum, de forma isolada, não tinha uma idéia mais precisa do CD, que tem uma pegada bem chegada ao rock.

Algumas pessoas reclamaram porque ele dedicou grande parte do show ao CD “Abraçaço”, Ruim pra uns melhor pra outros. Pois foi justamente isso, a execução das canções de “Abraçaço”, o que mais curti. As interpretações mais conhecidas dele eu não tinha tanto interesse em assistir.  Embora tenha gostado de ouvi-las na etapa final da apresentação.

Vi o show de bem perto, embora a praça estivesse lotada (um público social heterogêneo), achei um cantinho próximo ao palco.  Se não me engano foi o primeiro show de Caetano em Natal ao ar livre e eu gostei por demais, da banda, do cantor, da seleção das músicas, do público. Um show pra ficar na história.

Um dia depois da apresentação comentei com um amigo que gostei de ver tantas gentes, juntas e misturadas na praça, na paz, curtindo uma boa música. Ontem ele me ligou para contar, horrorizado, que na academia de ginástica que ele frequenta uma jovem senhora estava chateada porque tinha muito “povão” no show. Ele me disse que, por essas e outras, vai deixar essa academia, o que conta com o meu mais entusiasmado apoio.

(*) Tácito Costa
Jornalista formado em 1984 pela UFRN. Trabalhou nos principais veículos de comunicação e assessorias de imprensa do RN. Foi professor da UNP, editou a revista PREÁ e coordenou o Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães.




Blog do Walter Baptista
Glamuor e bom gosto ! Foi a marca registrada no fim do Flin em Natal


Foto: Márlio Forte

Neste sábado, dia (09/11/2013), quem desembarcou em Natal/RN, para encerrar o Festival Literário de Natal (Flin), foi o cantor tudo de bom com Caetano Veloso.

A vinda do baiano é fruto da sensibilidade e competência de Dácio Galvão, que no contraponto do sempre..., mostrou com verdade que a cultura pode acontecer em Natal/RN, com bom gosto, qualidade e refinamento... Como diz a jornalista Laurita Arruda "dando uma pausa no rotineiro besteirol, onde a cultura é confundido com tanta coisa…", e que coisas...né?

Foi assim, que a primeira edição do Flin, foi encerrado ontem, depois de quatro dias de painéis e mesas redondas, expondo sobre da gastronomia a literatura. Caetano Veloso, aconteceu falando sobre “A poesia na canção, e vice-versa” ao lado do escritor Eucanaã Ferraz.

Além do debate, o astro baiano encerrou o Festival com toda a brazilidade do seu novo show “Abraçaço”. "Dando a Cesar o que é de Cesar", palmas para quem merece, no caso em tela, Dácio Galvão, que reaparece na batuta do Flin, como uma luz no fim do túnel para a cultura na capital potiguar, e também para o prefeito de Natal, Carlos Eduado Alves, que mostrou que a coisa publica pode ter qualidade, sim. Quanto custou a luxuosa participação de Caetano Veloso no festival, com certeza, não foi tão barato assim. Mas, também vamos combinar de depois de anos afio de atraso cultural, com escandalos e desabores com o nosso rico e pobre dinheirinho, curtir um show com a qualidade de Caetano Veloso, com certeza, não faz mal a ninguém.





"... O Festival Literário de Natal teve também uma destacada parte musical, com o tema “A poesia na canção, a canção na poesia”, a cargo do cantor e compositor Caetano Veloso, hoje em muita evidência por causa da discussão nacional em torno do tema das biografias autorizadas (sim ou não?). A sua apresentação foi feita pelo especialista Eucanaã Ferraz, poeta nascido no Rio de Janeiro e que é autor de uma bem sucedida Antologia Poética. Foi a noite em que a FLIN recebeu o seu maior e mais entusiasmado público, o que, aliás, não surpreendeu, pelo prestígio de Caetano. ..."  


[28/11/2013, Arnaldo Niskier, Membro da Academia Brasileira de Letras, Presidente do CIEE/RJ e ex-Secretário de Estado de Educação e Cultura do RJ; Folha Dirigida (RJ)]