Acervo digitalizado de la obra de Caetano Veloso, organizado por Evangelina Maffei [Buenos Aires, Argentina] Fecha de inicio: 2/12/2010. Sitio oficial de Caetano Veloso: http://www.caetanoveloso.com.br
viernes, 13 de junio de 2025
miércoles, 15 de mayo de 2024
2024 - CANCIONERO GERAL [1962-2023] - JOSÉ CARLOS CAPINAN
“Eu acho que a letra de música não é inferior à poesia do livro. Eu trabalho com esse espírito. Quando decidi utilizar mais a música como suporte, alguns poetas recriminaram a minha opção, achando que era inferior em termos de poética. Mas o ato de criar, tanto para o livro quanto para suporte musical, exige o mesmo comportamento de mim. É como se fosse um transe, em que meu orixá é a palavra, e eu recebo a minha poesia”
José Carlos Capinan
Cancioneiro geral [1962-2023], organizado por Claudio Leal e Leonardo Gandolfi, abarca mais de sessenta anos de trabalho artístico de Capinan, reunindo todos os seus livros de poesia, além de poemas esparsos e uma vasta seleção das canções escritas pelo poeta entre 1965 e 2023, seguidos de um posfácio do jornalista Claudio Leal e textos críticos assinados por José Guilherme Merquior, Ênio Silveira, Gilberto Gil e Luiz Carlos Maciel.
Lançamento 16 de maio de 2024, na Academia Baiana de Letras (ABL).
- BONINA (gravada por Marília Medalha, 1968)
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| José Carlos Capinan - Crédito: Divulgação/Rodrigo Sombra |
Grande parte de nossa melhor poesia chega ao
público pelas ondas do rádio. Do samba ao rap, da bossa nova aos vários ramos e
gerações da mpb, temos chamado de letristas alguns dos
grandes poetas da língua portuguesa, que muitas vezes não chegam a reunir suas
palavras em livros. Nessa longa tradição, o nome de José Carlos Capinan — ou
simplesmente Capinan — é uma presença das mais significativas.
Desde os anos da Tropicália, seus versos são musicados por parceiros como Edu Lobo, Fagner, Gilberto Gil, Jards Macalé e Paulinho da Viola, cantados por vozes como as de Gal Costa, Caetano Veloso, Elis Regina, João Bosco e Maria Bethânia, regravados por gerações de artistas e, acima de tudo, cantarolados por milhões de ouvintes, que talvez não saibam que devem ao poeta baiano as letras de “Soy loco por ti, América” ou “Papel machê”, entre centenas de outros grandes sucessos que sabemos de cor.
Em paralelo às parcerias musicais, Capinan também esteve sintonizado com outros caminhos da poesia de sua época, tendo publicado diversos livros em que sua rara e combativa sensibilidade social se expressa tão intensamente quanto nos discos.
Como afirma Maria Bethânia, na orelha desta edição,
“Capinan escrevendo é lírico, político, guerreiro, autor raro, brilhante, vivendo
na carne cada verso, cada rima, cada expressão”.
sábado, 1 de octubre de 2022
1986 - MINISTÉRIO DA CULTURA / DIREITOS AUTORAIS / Revista ÍMÃ
Aluísio Pimenta [Peçanha,
9/8/1923 — Belo Horizonte, 9/5/2016]
Ministro da Cultura (1985-1986)
Pimenta foi convidado para assumir o recém-criado Ministério da Cultura (Minc), deixando, com isso, a presidência da Fundação João Pinheiro. Empossado em maio de 1985, propôs a descentralização das atividades da pasta, prometendo discutir todos os projetos com a comunidade do setor. Segundo afirmou, não caberia ao Estado a imposição de nenhuma política oficial, mas apenas a coordenação e o incentivo à produção cultural.
Apesar destas declarações, o ministério foi visto com desconfiança por alguns setores da classe artística, descrentes da necessidade de existência do órgão e preocupados com a burocratização que ele poderia trazer à cultura do país. Além disso, a retórica de Pimenta em defesa de algumas tradições brasileiras foi encarada como sinal de populismo e de manifestação de um novo patriotismo. Na imprensa, notadamente no jornal Folha de S. Paulo, passaram a ser recorrentes as ironias à sua valorização da broa de milho e das “bandinhas” de música do interior como aspectos importantes da cultura nacional. Em resposta, Pimenta sustentava que a cultura incluía não apenas a arte, mas também a alimentação, o vestuário e a linguagem e que, a seu ver, “certas pessoas (tinham) medo de se identificar com o Brasil subdesenvolvido”. Ao apoiar as manifestações regionais, denunciava o “colonialismo cultural” brasileiro, embora negasse a vinculação de sua idéias com teses esquerdistas.
Esses princípios manifestaram-se, por exemplo, durante a organização da Semana da Pátria de setembro de 1985, a primeira após 21 anos de ditadura militar. No plano apresentado a um dos patrocinadores do evento constava que o Minc pretendia realizar “uma festa popular articulada nacionalmente, onde o povo não figurasse como simples espectador, mas como ativo participante”. Tais intenções foram censuradas em reportagens da Folha, que acusaram o ministro de ufanismo ao pretender uma festa tão grandiosa.
A despeito das críticas, a gestão de Pimenta tinha aprovação em vários segmentos da classe artística, resultado de sua atuação na defesa do direito autoral e da nomeação de alguns escritores, músicos e cineastas para o Conselho Nacional do Direito Autoral (CNDA), órgão responsável pela condução da política do setor. Assim, em janeiro de 1986, quando era tida como certa a sua substituição à frente do ministério, recebeu “apoio incondicional” dos principais representantes da música popular brasileira, que iniciaram um movimento pela sua permanência no cargo. Todavia, Pimenta não conseguiu vencer as resistências a seu nome. Ainda em janeiro, o anúncio da construção da sede do Minc em Brasília foi duramente combatido por alguns artistas e arquitetos e até mesmo por integrantes do governo federal, que não viam a obra como prioritária e criticavam o fato de o projeto ter sido encomendado ao arquiteto Oscar Niemeyer sem a abertura de concurso público. De acordo com Pimenta, a escolha do arquiteto — um dos responsáveis pela construção de Brasília — justificava-se pela necessidade de manutenção da “linha arquitetônica” da cidade.
No
início de fevereiro, confirmando os rumores de sua saída, Pimenta antecipou-se
à reforma ministerial de Sarney e demitiu-se do Minc. Na ocasião, declarou que
o governo não havia perdido o “ranço autoritário” e que a juventude estava
perplexa diante da impossibilidade de participação nas decisões do regime,
visto que “uma minoria continuava a mandar” no país. Substituído pelo
economista Celso Furtado, responsabilizou o governador de Minas Gerais, Hélio
Garcia, pela sua saída.
. . .
Conselho Nacional do Direito Autoral (CNDA), do Ministério da Cultura.
1986
Revista
ÍMÃ
Número 2
Edição
de texto: Sandra Medeiros – Waly Salomão
Edição gráfica: Sandra Medeiros e Ivan Alves
Capa
de César Cola
A ÍMÃ número 2 publicou: Antonio Cícero, Roberto Almada, Bernadeth Lyra, Adilson Vilaça, Amylton
de Almeida, Waldo Motta, Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Júlio Bressane,
Stephania Medeiros, Carlos Renó, Maurício Stycer, Matinas Suzuki, Ademir
Assunção, Paulo Leminski, Oliverio Girondo, Léo Ferreira, Chacal, Juó Bananeri,
Roberto Piva, Jorge Salomão, Vicente Huidobro, Alice Ruiz, Waly Salomão, Iran
Caetano, Elisa Lucinda, Luciano Figueiredo.
REVISTA IMÃ POESIA, à parte entrevista com CAETANO VELOSO
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| Entrevista: Sandra Medeiros |
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| Foto: Vânia Toledo |
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| 28/4/1986 |











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