Mostrando entradas con la etiqueta Doutor Honoris Causa. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta Doutor Honoris Causa. Mostrar todas las entradas

sábado, 16 de noviembre de 2024

2024 - DOUTORA HONORIS CAUSA - Universidad Federal do Ceará (UFC) - MARIA BETHÂNIA

 



15/11/2024 - Foto: Ismael Soares (Sistema Verdes Mares)



“Estou aqui, em primeiro lugar, como mulher, e digo isso a fim de marcar essa necessidade sempre urgente de ampliar o lugar das mulheres na sociedade civil brasileira. E mais, estou aqui como trabalhadora: como uma das muitas trabalhadoras desse imenso, formidável e difícil País. Mas falo a partir de um lugar específico: a música popular".

Maria Bethânia - Cantora, compositora e doutora honoris causa da UFC


Maria Bethânia foi recebida pelo reitor da UFC, 

Custódio Almeida, e pelo governador do Ceará, 

Elmano de Freitas - Foto: Ismael Soares







Custódio Almeida foi quem entregou à artista as chamadas "vestes talares" ou "vestes doutorais", mas, quando foi entregar a ela o capelo, "símbolo doutoral", deixou que a própria se trajasse: "Uma rainha se coroa a si mesma", celebrou o reitor.



















Discurso de Maria Bethânia na sua Titulação de Doutora Honoris Causa, pela UFC.


15 de novembrode 2024

Ao ser homenageada nesta Universidade, devo, primeiramente, eu mesma homenagear aqueles que ao logo desses muitos anos me constituíram como artista. Minha dívida não é pequena. Minha vontade de agradecer não é menor. Mas seriam tantos nomes que é impossível listá-los e reconstituir tudo o que se passa no meu coração. Assim, limito-me a dizer que, comigo, pisam neste chão uma série infinita de escritores, poetas, compositores, cantores, artistas, amigos. 

Agradeço aos membros da Universidade Federal do Ceará, ao Excelentíssimo Senhor Reitor, Custódio Luís Silva de Almeida; ao excelentíssimo Senhor Reitor da Universidade Federal da Bahia, Paulo Cesar Miguez de Oliveira e ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação, Camilo Santana. 

Saúdo também todas as demais autoridades acadêmicas presentes. 

Agradeço ainda ao professor e poeta Eucanaã Ferraz que me ouviu e orientou nesse discurso. 

Minha gratidão vai, por fim, para todas as autoridades presentes e para cada um dos senhores que aqui vieram para participar dessa solenidade. 

Não me formei em nenhuma Universidade. No entanto, o espaço universitário não me é estranho. Para ser mais clara, preciso voltar no tempo. O ano é 1960. Tenho apenas 13 para 14 anos. Como é costume em minha família, vou para Salvador cursar o antigo ginásio no Colégio Severino Vieira. Não é um momento fácil para mim. Não quero sair de Santo Amaro, não quero ficar longe de minha família, de minha mãe, de minha cidade, de Nossa Senhora da Purificação, nossa padroeira. Mas vou. Sigo com Caetano para Salvador, onde já estão outros dois irmãos, Roberto e Rodrigo, e logo nossa irmã mais velha, Nicinha, se junta a nós. Estou triste, mas da janela de nosso apartamento vejo as águas do dique do Tororó e uma promessa de alegrias vem das suas águas, calmas, verde escuro, silenciosas. 

O tempo passa e guiada por Caetano sou tomada pelo cenário artístico, cultural e humano da capital. Teatro é a minha paixão. Ouvir os textos e ver o preparo dos atores me encanta e me revela a mim mesma. Um desejo se acende com intensidade: viver no palco. 

A UFBA, tendo à frente seu reitor, o professor Edgard Santos, é o centro que sintetiza este momento incrivelmente singular, de grande otimismo transformador. De lá irradia-se uma série de ideias e ações de modernização cultural e educacional da Bahia. Trata-se de um projeto de vanguarda: a criação está livre! a inteligência está solta! Cursos de música, teatro e dança, o Centro de Estudos Afro-Orientais, uma imensa ciranda na qual giram a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, Glauber Rocha e o melhor do cinema, o melhor da dança, o teatro mais arrojado, a música clássica experimental, a excelência da música popular.  

Estamos em 1963, na montagem de Boca de Ouro. A convite do diretor, Álvaro Guimarães, minha voz soa entoando a capela, “Na cadência do samba”, de Ataulfo Alves”. 

Também a convite de Álvaro Guimarães Caetano é chamado para compor a trilha sonora do curta-metragem Moleques de rua e sou chamada para interpretar. Minha vida vai, assim, tomando um rumo que eu não previa. E tudo gira em torno da Universidade, de sua atmosfera, de suas iniciativas e de sua capacidade de inventar vidas, de “lançar mundos no mundo”. É o que deve ser um verdadeiro projeto educacional. 

Como eterna aprendiz de trapezista, dou um salto – no tempo. Seguimos para 2014. Em parceria com a inesquecível professora de literatura portuguesa Cleonice Berardinelli, grande nome da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Faço com ela uma leitura que viraria o documentário O vento lá fora, no qual apresentamos um panorama da poesia de Fernando Pessoa e de seus heterônimos. 

A convite da Universidade Federal de Minas Gerais, tenho a oportunidade de levar ao auditório do campus um recital composto por obras das literaturas brasileira e portuguesa, do qual resultaram no ano seguinte, 2015, o registro audiovisual Bethânia e as palabras e o  intitulado Caderno de Poesias. 

No ano seguinte, a Universidade Federal da Bahia concedeu a mim o título de Doutora Honoris Causa. De lá veio a indicação de meu nome por um grupo de acadêmicos para ocupar a cadeira número 18 da Academia de Letras da Bahia, o que se deu oficialmente em abril de 2023. 

Não posso deixar de registrar, por fim, que em 2019 a Universidade Federal Rural de Pernambuco concedeu a mim a Láurea do Mérito Cultural.  

Eu e a Universidade temos, portanto, uma longa e fértil amizade. 

Poderia dizer que daremos agora um salto para fora dos muros da Universidade; mas uma verdadeira casa de ensino não tem muros – apenas portas, sempre abertas. Uma dessas portas leva a uma de minhas grandes paixões: os trabalhos em escolas públicas que tomam como ponto de partida o trabalho que realizo como intérprete de música popular e, inseparável dele, minha atuação como leitora.  

Citarei apenas três exemplos, a fim de dividir com vocês minha alegria, meu entusiasmo e minha gratidão. O primeiro teve lugar na Cidade do Rio de Janeiro, no Colégio Estadual Vicente Jannuzzi, sob a responsabilidade da professora de filosofia Vânia Aparecida Silva Corrêa Pinto. O álbum Brasileirinho, de 2003, foi convertido em mote para que os estudantes debatessem a importância da literatura e da canção na cultura brasileira, estimulando-os para a escuta atenta, a leitura, a escrita, a pintura, um conjunto de ações, enfim, voltadas para a educação sensível, criativa e ética. O projeto, com o título Brasileirinho: os tons da aquarela cultural de nosso país, teve sua importância reconhecida para além da sala de aula quando, em 2008, a professora Vânia foi uma das vencedoras do prêmio “Professores do Brasil”, do Ministério da Educação.  

A segundo exemplo vem de Pernambuco, de uma escola pública de Camaragibe, onde a professora Ana Cláudia Xavier desenvolveu o projeto Dra. Maricotinha — Poesia da teoria à prática, destinado a estudantes de diversos níveis e voltado para o desenvolvimento da escrita criativa. A professora Ana Cláudia foi uma das vencedoras do prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, em 2018. 

A terceira iniciativa também nasceu em Camaragibe, na Escola Municipal XV de Novembro, sob a responsabilidade da professora Audaci Maria, no âmbito da primeira etapa do ensino básico, voltada para crianças de até cinco anos de idade. Em 2015, a professora criou o Projeto Bethânia Fulozinha, voltado para atividades lúdicas que promovem o aprendizado e o desenvolvimento motor, cognitivo, social, emocional e físico dos alunos. O trabalho culminou no jornalzinho Isso é onça!, feito pela turma do 4° ano da Educação Infantil, que divulga a cada bimestre as invenções, brincadeiras, desenhos e falas das crianças. O nome do jornal faz referência à canção “Moda da onça”, tema popular adaptado por Paulo Vanzolini que gravei em 2014. 

Quero registrar ainda uma iniciativa desenvolvida no campo da saúde mental. Em 2015, o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, por ocasião da exposição Maria de todos nós, que comemorou meus cinquenta anos de carreira, reuniu diversas obras plásticas realizadas por pacientes em oficinas intituladas Sextas Bethânicas. Devo lembrar que muitos anos antes, em 1971, a cenografia do show Rosa dos ventos, assinada por Flávio Império, foi desenvolvida com os internos da Casa das palmeiras, que tinha à frente a pioneira doutora Nise da Silveira. 

Hoje, mais uma vez, a Universidade me acolhe e reconhece meu trabalho. Fosse eu uma professora, como tantos de vocês aqui, falaria de escritores notáveis como Emília Freitas e Gerardo Melo Mourão, ou de Rachel de Queiroz, a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras, entre outros filhos desta terra. Deveria falar do mítico Cego Aderaldo, nascido no Crato em 1878, andarilho, tocador, improvisador. Limito-me, porém a citar seus nomes. 

Detenho-me um pouco, no entanto, na figura de Patativa do Assaré, nascido em 1909. Mesmo nascido no seio de uma família pobre, frequentou a escola, o que lhe garantiu a alfabetização. Por volta dos doze anos, começou a fazer repentes e a se apresentar em festejos e cerimônias. Por volta dos vinte anos, adotou definitivamente o pseudônimo Patativa, porque sua poesia falada era comparável ao canto fino e melodioso dessa ave brasileiríssima. Teve seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, editado em 1956.

Patativa do Assaré, artista raro, brilhante. Sempre me emociono ao dizer seus versos:

 

Sou um poeta do mato

Vivo afastado dos meios

Minha rude lira canta

Casos bonitos e feios

Eu canto meus sentimentos

E os sentimentos alheios.

Canto da mata frondosa

A sua imensa beleza,

Onde vemos os sinais

Do pincel da natureza,

E quando é preciso eu canto

A mágoa, a dor e a tristeza.

 

O Crato e os poetas populares me levam ao nome que, nesse dia tão especial, concentra todo o sentimento que sustenta a verdade da palavra homenagem: Violeta Arraes Gervaiseau. 

Maria Violeta Arraes de Alencar nasceu aqui, no Ceará, em Araripe. Graduou-se em Sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e, em Pernambuco, foi presidente da Juventude Universitária Católica de 1948 a 1950, tornando-se assistente de dom Hélder Câmara, arcebispo de Recife e Olinda.  

Em 1951, estudou no Centro Internacional de Economia e Humanismo, em Paris, onde conheceu Pierre Gervaiseau, com quem se casou. Na cidade, participou do Movimento de Cultura Popular, ao lado do grande educador Paulo Freire. Esteve ao lado do irmão Miguel Arraes nos momentos que culminaram com sua deposição e sua prisão na primeira hora do golpe militar, no dia 1º de abril de 1964. Violeta foi presa com o marido e alguns meses depois seguiu para o exílio na França. Lá, Violeta se pós-graduou em psicologia, exercendo a função de psicoterapeuta. 

Desde cedo, Violeta esteve ligada à vida acadêmica, mas se expandiu para muito além dela, ligando-se fortemente aos meios artísticos, culturais e políticos do Brasil e do exterior. Tornou-se bastante conhecida pelo apoio que daria aos exilados brasileiros na França durante a ditadura militar. Assim, ficou conhecida pelo belíssimo nome de “Rosa de Paris”. Nada mais apropriado. 

Caetano, em seu livro de memórias, Verdade tropical, disse muito bem: “ela nos acolheu com um misto de carinho e firmeza que só se encontra nos verdadeiros nordestinos”. Sua casa em Paris foi um pouso seguro para intelectuais e artistas brasileiros perseguidos pelo regime militar, e depois se transformou em algo mais amplo, convertendo-se num verdadeiro centro de divulgação da arte e da cultura brasileiras na França. 

Violeta apoiou também os movimentos anticolonialistas em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.  

Com a anistia, em 1979, Violeta regressou ao Brasil, mas cinco anos depois retornou à França, agora como adida cultural na Embaixada brasileira. Mas o Ceará a trouxe de volta em 1987, para assumir a Secretaria de Cultura do Estado. Dez anos depois, seria nomeada reitora da Universidade Regional do Cariri, com sede no Crato. Agora sou “Magnífica”, ela me dizia, rindo. Em seguida, juntamente com Pierre, criou a Fundação Araripe, voltada para preservação da região onde nasceu. No Rio de Janeiro, no dia 7 de junho de 2008, ela nos deixou. 

Pisando este chão cearense, é irresistível afirmar que ela era uma “fortaleza” – porque ela era sólida, segura, dona de uma força moral, de uma energia e de uma constância extraordinárias. Doce e bela fortaleza.  

Lembrá-la me enche de emoção. Extraordinária, engraçada, forte, lúcida, grande senhora e, como ela gostava de se dizer, sertaneja. Ela foi para mim uma “outra” universidade, que me apresentou a poesia do sertão e me deu muitos e altos ensinamentos. Gravei para ela um dos sucessos de dona Inezita Barroso, a canção “Caipira de fato”. 

Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau, patrimônio inestimável do Ceará, flor do sertão, cidadã do mundo, dedicou sua vida à ação cultural e política movida pelo sonho de fazer deste país uma terra de justiça, plena de igualdade e de beleza.  

Como intérprete da canção popular, concluo minha fala rendendo homenagem a um nome fundamental do nosso imenso e deslumbrante cancioneiro: Humberto Teixeira. 

Cearence de Iguatu, onde nasceu em 1915, mostrou sua grandeza com a palavra cantada graças ao encontro com aquele que seria seu principal parceiro, Luiz Gonzaga. Um encontro de gigantes. Compuseram em parceria “Asa Branca”. Ao tratar das desventuras do homem nordestino vitimado pela seca, a canção se converteu numa espécie de hino nacional, um retrato que vai muito além de uma realidade regional e alcança algo universal: o sofrimento e a esperança como forças antagônicas, mas que se equilibram dentro de cada um de nós. 

Este filho notável do Ceará é motivo de orgulho e gratidão para todos os brasileiros, a quem devemos aclamar permanentemente. 

A Universidade Federal do Ceará concede a mim o honroso título de Doutora Honoris Causa, e isso me enche de alegria. Agradeço mais uma vez. Mas acrescento que estou aqui, em primeiro lugar, como mulher; e digo isso a fim de marcar a necessidade, sempre urgente, de ampliar o lugar das mulheres na sociedade civil brasileira. E mais, estou aqui como trabalhadora, como uma das muitas trabalhadoras deste imenso, formidável e difícil país. Mas falo a partir de um lugar específico: a música popular. Aqui está ela: a canção e sua história, a canção e sua força, a canção e seu sangue, a canção e suas asas – o ritmo de suas asas –, a canção e suas dores, a canção e suas alegrias, suas aleluias.  

No Ceará, na Bahia, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, não importa onde, é sempre o palco que me conduz, este lugar sagrado, lugar de festa, onde a menina de Santo Amaro fincou seus pés, e de onde, em reverência, olha nos olhos da vida. E canta.

“Viver…” (Bethânia canta o refrão da música “O que é, o que é?” de Gonzaguinha.)

 

Obrigada, senhores.

Maria Bethânia, Novembro de 2024

 


sábado, 2 de septiembre de 2023

2023 - DOUTOR HONORIS CAUSA - Universidad de Salamanca

 





29 de agosto de 2023

 

La Universidad de Salamanca da el honoris causa al poeta Caetano Veloso

 

Europa Press 


Salamanca. El músico y poeta brasileño Caetano Veloso será investido doctor honoris causa por la Universidad de Salamanca, el lunes 4 de septiembre, en una ceremonia solemne en latín, presidida por el rector Ricardo Rivero.

Su candidatura fue presentada por la Facultad de Filología y el Departamento de Filología Moderna, con la adhesión del Centro de Estudios Brasileños, y fue defendida ante el Claustro de Doctores por el catedrático de filología gallega y portuguesa Pedro Serra, en una sesión celebrada el 21 de abril de 2022, explica la institución académica por medio de un comunicado.

 

Artista en diversos ámbitos

Cantante, compositor, arreglista, productor musical y, no menos importante en su larga trayectoria artística e intelectual, también escritor, el brasileño Caetano Veloso es considerado “uno de los mejores músicos mundiales del siglo XX y XXI, al integrar una selectísima constelación en la que tienen lugar seguro figuras de talla universal como Bob Dylan, John Lennon, Paul McCartney o Patti Smith o, del ámbito específicamente de la música brasileña, Tom Jobin, Gilberto Gil, Milton Nascimiento o Djavan”, refirió la universidad. 

Hasta la actualidad ha hecho acopio de más de 50 discos que siguen disponibles en el mercado y en el campo de la música del mundo, una ingente y fulgurante obra que sigue viva cuando se cumplen 50 años de carrera, concluye el comunicado de la institución.

 

 







Cancionero breve


Para conmemorar la efeméride, Ediciones Universidad de Salamanca ha editado un libro titulado “Cancionero breve” en el que se recopilan las letras de 16 temas escritos por Caetano Veloso, que permiten hacer un mínimo repaso por algunas de las mejores composiciones del autor, que suma más de cuatrocientos temas de su autoría.







sábado, 10 de diciembre de 2016

2016 - MARIA BETHÂNIA - Doutor Honoris Causa da UFBa



“Logo eu, dona Maricotinha, uma doutora”.
“Estou muito feliz, pois esse é o palco mais diferente que já pisei, para receber o aplauso mais caloroso e inesperado da minha vida, que muito me comove e enaltece”. 
“É daqui que poderá nascer o Brasil que queremos: educado e, portanto, livre”.




Maria Bethânia recebe título de Doutor Honoris Causa da UFBA
04/12/2016 
Cerimônia acontece no dia 9/12, às 17h, na Reitoria

O reitor da Universidade Federal da Bahia, professor João Carlos Salles, concederá o Título de Doutor Honoris Causa à cantora e intérprete baiana Maria Bethânia Vianna Teles Velloso, em cerimônia que acontece no próximo dia 9 de dezembro, às 17 horas, no Salão Nobre da Reitoria da UFBA, no Canela.

A outorga do título a Maria Bethânia foi proposta por iniciativa da Faculdade de Arquitetura e das Escolas de Belas Artes, Teatro, Dança e Música, que, nos 70 anos da UFBA, “prestam uma homenagem à baiana que nasceu junto com a universidade é responsável pela divulgação e preservação, através de sua voz, de dois importantes patrimônios imateriais brasileiros, sua voz e sua poesia”.

Salvador

CORREIO

Maria Bethânia recebe título de Doutor Honoris Causa e brinca: 'Doutora Maricotinha'

Bastante aplaudida, a cerimônia aconteceu na Reitoria da Ufba, com a presença de professores da instituição, familiares da cantora e artistas como Capinam, Tuzé de Abreu e Margareth Menezes.
Hilza Cordeiro
09/12/2016

Fez-se silêncio absoluto para a performance que acabaria com uma rosa sendo entregue à menina dos olhos de Oyá, agora Doutora Maricotinha, no prédio da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no fim da tarde desta sexta-feira (9). Em seguida, aplausos que duraram cerca de três minutos. “Este é o aplauso mais caloroso e mais inesperado da minha vida”, discursou a cantora Maria Bethânia após ser diplomada Doutora Honoris Causa pelo reitor João Carlos Salles.

 
Foto: Almiro Lopes/CORREIO

A condecoração, que é concedida às personalidades que contribuíram para o desenvolvimento das diversas áreas do conhecimento, foi solicitada pelos representantes da Escola de Arquitetura e acatada com unanimidade no Conselho Universitário (Consuni) pelas Escolas de Belas Artes, Teatro, Dança e Música da universidade. A premiação chega no aniversário de 70 anos da instituição, mesma idade de Bethânia, e na véspera dos 50 anos do movimento tropicalista.
Como uma das requerentes, a professora de Arquitetura Griselda Kluppel, justificou que a “arquitetura é onde se desenvolve a vida humana, na qual a música se faz e se desfaz. Música e arquitetura dialogam com o seu tempo e vão além dele”, disse. O reitor acrescentou que Bethânia atravessa as disciplinas, “ela reinventa a ligação íntima entre a música e a poesia. Por isso mesmo, esse título poderia ter sido dado ainda pelas Escolas de Letras e Filosofia”, completou.
Nos discursos, os professores relembraram os feitos da intérprete e exaltaram suas distintas formas de expressão, como a plasticidade e a dramaticidade, além do seu papel educativo na difusão da literatura poética. “Bethânia fez o Brasil ser apresentado ao Brasil, recuperando suas raízes, a religiosidade, a legitimidade do povo negro e a cultura do interior”, afirmou Meran Vargens, professora da Escola de Teatro. “Ela também coleciona feitos como ter sido a primeira mulher a alcançar um milhão de discos vendidos com o álbum Álibi”.

Foto: Almiro Lopes/CORREIO
 
Familiares da cantora, como os irmãos Rodrigo, Clara e Mabel Veloso, acompanharam a cerimônia - o irmão Caetano foi condecorado em 1998, em cima de um trio elétrico, como símbolo de quebra das fronteiras da academia com a sociedade. Gilberto Gil foi homenageado em 2005. A Ufba concedeu 125 títulos à personalidades desde 1948. Também estiveram presentes o poeta José Carlos Capinam, a cantora Margareth Menezes e o compositor Tuzé de Abreu. 
O diretor e dramaturgo Gil Vicente Tavares, relembrou ainda a importância do reitor Edgard Santos, um dos fundadores da Ufba, na promoção da cultura. “O grande mérito dele foi que ele revolucionou não apenas nossa província, mas o país inteiro, e Bethânia é fruto desse caldeirão. Essa homenagem é um ciclo, é ela retornando a esse espaço. Além disso, para a Ufba, isso é importante porque demonstra sensibilidade e acolhe a comunidade”, avaliou.
Comovida, a cantora agradeceu o carinho. “Recebo isto com humildade e emoção. Minha voz hoje soa como agradecimento. Deus colocou em meu caminho a missão de fazer chegar nas pessoas as palavras, os pensamentos e a poesia”, finalizando com um trecho da canção Yá Yá Massemba, de Roberto Mendes e Capinam. “Vou aprender a ler para ensinar os meus camaradas”, entoou.


Bethânia recebe das mãos do reitor João Carlos Salles o título de Doutor Honoris Causa (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)


No evento apenas “como fã da cantora”, a secretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Olívia Santana, disse que a admira como entidade. “Ela é mais que uma artista, é forte, se impõe e nos inspira a seguir”, exaltou.
A professora de filosofia Marina Gonzalez chegou, na quinta-feira (7), do Uruguai especialmente para participar do momento. “Ela é um ícone, o título é merecidíssimo. O que me comove nela é a humildade e a personalidade”, disse. Para o doutorando em Teatro, Rafael Almeida, 29, o “prêmio vem como um reconhecimento dessa estrada de 50 anos de carreira muito bem percorridos”.

Foto: Vagner Souza
 
Foto: Vagner Souza




A cantora recebeu o título no Palácio da Reitoria da Universidade Federal da Bahia