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miércoles, 20 de mayo de 2026

1980's - AQUARELA DO BRASIL - TEXTO DATILOGRAFADO E ASSINADO por CAETANO VELOSO

 

Compositor: Ary Barroso

Gravação original com Francisco Alves e orquestra de Radamés Gnatalli, em disco 78 rpm, nº 11768, de 18 de agosto de 1939.

Direitos autorais de Irmãos Vitale S/A Industria e Comércio. 










sábado, 7 de marzo de 2026

1985 - GAL COSTA - Revista STATUS



Jan, Marlene Moura, Guilherme Araújo, Marisa Alvarez Lima, Guto Burgos e João Vitorino




Texto de Caetano Veloso para a Revista Status - fevereiro de 1985


Gal só me surpreendeu uma vez: quando a conheci e a ouvi cantar. Foi uma surpresa tão grande e tão profunda que ainda hoje vivo sob o seu impacto. Na hora eu pensei: "A maior cantora do Brasil". Dai em diante foi só acompanhar os modos com que essa constatação procurou se confirmar. Primeiro era a possibilidade de realização da cantora de bossa nova ideal, com a combinação exata da emissão e feeling que eu não encontrava em nenhuma outra (virtude ainda hoje intacta, a chuva de prata da sua voz cobrindo o País). Depois a realização do rockcarnaval tropicalista que a tornou estrela. Para mim, sempre mais cantora do que estrela, embora esse estrelato tenha sido quase sempre uma exteriorização do brilho de sua personalidade que antes só se revelava (e ocultava) no canto. Ouvi-la e, talvez principalmente, vê-la cantar Força Estranha foi, para mim, tomar contato com um momento de integração equilibrada entre as três dimensões - pessoa, estrela, cantora. Vê-la cantar o Balancê foi entrar em relação direta com o mito: chorei quase duas horas seguidas depois de assistir o show "Gal Tropical" só por causa do Balancê. Marina me alertou para o fato de que é perigoso manter uma fidelidade assim, obstinada, à luz que se vê numa pessoa, independente do que acontece com ela ou do que ela faz: nega-se-lhe o drama, todas as mudanças aparecem ilusões de superfície, aprisiona-se a pessoa. De todo modo, creio que só eu compartilhei com Marina da opinião favorável ao show "Fantasia", no meu entender o melhor espetáculo que Gal apresentou desde "Fatal", com exceção talvez de "Cantar", mas "Cantar" fui eu que dirigiu... os números finais de "Gal Tropical" eram lindos, mas o todo do show era muito estranho pra mim. "Fantasia" não pareceu (a mim e a Marina) forte, grande e sincero. Às vezes tenho certeza de que esse show teria sido um sucesso se tivesse sido lançado em São Paulo, onde o "Tropical" não pegou como temi que o meu "Velô" talvez ão começasse bem no Rio. Mas eu gostaria que as pessoas pudessem ver Gal como eu vi no "Fantasia". Estou absolutamente certo de que é um equivoco profundo e perigoso que assim não seja e muitas coisas não andarão bem enquanto isso não se der. Ali sim, eu a vi lindíssimamente bem vestida e bem nua, no caminho certo e cantando bem. Não se trata de corresponder às subdesenvolvidas exigências brasileiras de que as cantoras sejam ao mesmo tempo manequins elegantes e pensadoras políticas (quem reparou na peruca loura da Ella Fizgerald ou nas botinhas de strass de Sarah Vaughan?). O fundamental é que a roupa se torne sagrada para quem a veste. Um corpo nu é uma mensagem complexa. Quando eu tava entrando na puberdade, eu era nudista, misturava meus desejos exibicionistas à ingênua ideia de que roupa é apenas uma repressão desnecessária, achava que não devíamos nos envergonhar do nosso corpo e não imaginava que o homem nunca é nu. Lembro do festival de rock da ilha de Wight, milhares de pessoas nuas na praia: eu ficava excitado, mas não envergonhado ou escandalizado. Gal estava lá. Eu nem me lembro se ela tirou a roupa. Eu nunca namorei com ela. Uma vez tive uma pequena discussão com o jornalista Ruy Castro (terá sido mesmo esse?) por causa dessa mania atual de se perguntar aos entrevistados se já treparam, se já brocharam, etc. . . Foi na casa do Eduardo Mascarenhas e por causa da entrevista deste (ele já tinha se atrapalhado na resposta á pergunta sobre brochada). Acho uma tolice que as pessoas se sintam na obrigação de narrar suas intimidades. Pois bem, eu e Gal sempre brochamos todas as vezes que tentamos brincar de namorar. No início da nossa carreira, dividíamos a cama de casal de Guilherme Araújo em Sampa. Todas as noites eu tentava seduzi-la com um disco do Bob Dylan e papo-furado. Ela sempre resistiu e terminávamos as noites às gargalhadas. Acho que na época dos Doces Bárbaros, na Bahia, nós tentamos fingir que íamos namorar no hotel onde ela estava hospedada. Foi legal porque aí a vi nua como ela aparece em algumas dessas fotos bonitas e carinhosas que a Marisa fez. Tomando banho. Gal é linda. Tem uma boca linda e é magnifico que por essa boca saia exatamente essa voz. Sempre a senti mulata e uma das coisas melhores de ela ter cortado agora os cabelos e tirado essas fotos nuas é a revelação de sua mulatice. São deslumbrantes sobretudo onde a bunda aparece de perfil, bem negra e bem dura. Há muita alegria física e muita dignidade nesse corpo de mulher madura e menina. eu não sou leitor (voyeur) dessas revistas de nua. Raramente olho, sem muito interesse, essas publicações. Parece que eu não tenho tempo pra isso - é como jogar baralho ou assistir futebol pela TV. Me entedia. Um dia Regina Casé me pediu um conselho se devia ou não liberar fotos suas para uma dessas revistas e eu não soube dar. Gal também me perguntou e eu disse: sou indiferente. Não me sinto, no entanto, indiferente diante de todas as fotos de mulher nua (ou homem nu) que eu vejo. No caso de Gal, especialmente eu sinto mil emoções relacionadas com o encontro de extensões daquela qualidade essencial que um dia eu percebi na sua voz.

 

CAETANO VELOSO

 



1985
Revista STATUS
Fevereiro de 1985
n° 127
Editora Três














Marlene Moura e Gal






jueves, 27 de octubre de 2022

1976 - DESMANDAMENTOS

 


Revista MÚSICA do planeta terra n° 1, 2 e 3




















1976

Revista

MÚSICA do planeta terra N° 5

Ano 1 - n° 5

Editor: Júlio Barroso

 

 

DESMANDAMENTOS

 

Página 9








2022 - MILTON NASCIMENTO - 80 anos

 

Milton “Bituca” Nascimento [Rio de Janeiro, 26/10/1942]



80° aniversário



“Milton hoje faz 80 anos. Tenho orgulho de ter nascido no mesmo ano que ele. O texto que escrevi sobre ele em 2014 vale ser repetido: 

Milton é a força mais intensa da criação musical do Brasil no mundo desde Carmen Miranda e a bossa nova. Como esta, ele influenciou músicos do primeiro time global. Mas não é principalmente por isso que devemos festejar sempre sua miraculosa existência. É principalmente pelo sentido intrínseco de sua arte, cujos mistérios estamos mais aptos a contemplar, que nós brasileiros celebramos seu nascimento. Os sentidos mais ocultos da construção do Brasil estão compactados em seus acordes com quartas desconcertantes, seus ritmos equívocos, suas melodias sobrenaturais. Sua música e sua pessoa contêm a alma do primeiro negro trazido da África e do primeiro Jesuíta que pisou na América. Conseguimos sentir tudo o que não podemos entender. Ou melhor: entendemos sem tomar plena consciência. 

Viva @miltonbitucanascimento, a beleza, a sensualidade, a fé, a música.”

 

Caetano Veloso [26/10/2022, Instagram]




"Milton Nascimento é o maior artista da música de minha geração. Catolicismo mineiro, DNA africano, Milton desceu o vale do Mississipi e subiu os Andes com seus acordes e ritmos cheios de milagre e surpresa. Criou uma escola definida, formou legião de gênios, encantou os gênios do grande mundo e manteve tudo onde o oculto do mistério se escondeu"

Caetano Veloso [26/10/2019, Instagram]



26/10/2022 - Milton Nascimento - Foto: Marcos Hermes





26/10/2022 - Paula Lavigne, Caetano Veloso e Milton Nascimento
 Foto: Marcos Hermes



26/10/2022 - Alceu Valença e Milton Nascimento - Instagram



26/10/2022 - Caetano Veloso, Nando Reis e Alceu Valença - Instagram


26/10/2022 - Simone, Caetano Veloso e Alceu Valença - Instagram



26/10/2022 - Toninho Horta e Caetano Veloso - Instagram




1976

Revista

MÚSICA do planeta terra N° 3

Ano 1 - n° 3

Editor: Júlio Barroso

Co-editor: Antônio Carlos Miguel

Editora Abril

 

 

MILTON 

por 

CAETANO

 

Página 15

   

Texto: Caetano Veloso



Foto: Marta Viana




mil       tons


Milton é música, mistério. A memória da gente é o video-tape: vejo

Roberto Carlos dando uma entrevista de bastidores de festival; em segundo

plano, Edu Lobo põe a mão no ombro de Caetano Veloso e os dois saem

de campo. Não há nada gravado da minha conversa com Chico Buarque

no avião (com medo), indo pra Salvador pra fazer aquele show. Ion me

disse outro dia que Tenório Júnior não veio cumprir o trabalho que havia-

mos combinado porque a formação que eu sugeria era absurda (piano,

tuba, violino, percussões eu e violão), que eu precisava estudar a História

da Música. Ontem eu estava no show de Gil vendo como ele se despoja

sem pena da história de sua música. Que apresentação extraordinária dos

Novosbaianos (Baby rides, again, and how!) no Hallellujah! Suponho que

Edu não curta Jorge Ben tão intensamente quanto eu. Pra que alguém

possa fazer qualquer coisa assim como "Jóia" é preciso que as gravadoras

tenham Odair e Agnaldo: o universitário que tenta me entrevistar e salvar

a humanidade fica indignado diante do meu absoluto respeito profissional

e interesse estético pelo trabalho de colegas meus como Odair e Agnaldo.

Centenas de novos compositores e cantores e dezenas de velhos músicos

não encontram lugar no mercado. Video-tape: em 67 Rita Lee tinha uma

cara de depois de amanhã. Mas Milton nos redime a todos. De certa forma

é a ele que devemos agradecer por coisas como Nana Caymmi ter final-

mente feito um disco tão genial quanto ela de fato é: não é sempre que

as maiores cantoras do mundo chegam onde Nana chegou quando gravou

"Medo de Amar". A História da Música Brasileira de hoje é assinada por

Milton Nascimento. Li numa super-revista underground francesa sobre o

disco de Wayne Shorter: "le veritable auteur est Milton Nascimento". Mas

tudo isso são fragmentos de história reunidos por um ignorante no assunto

que se orgulha em cultivar essa ignorância. Milton é um buraco preto.

Milton é a mãe de Nina Simone, a avó de Clementina, o filho futuro do

neguinho que a gente via upa na estrada do Zumbi de Edu, de Guarnieri,

de Elis. Milton é nossa grande alegria. Milton vinha vindo sozinho pelo

caminho e todas as estrelas brilhantes se apagaram à sua passagem pra

só voltarem a brilhar em sua voz quando ele cantasse. E o céu ficou negro

e sem luz e então houve muita mais luz. Rogério disse que Milton é um

mistério que o Brasil entendeu. Outro dia eu fiz uma música em cinco por

quatro e com uma harmonia um tanto complicada, aí Dedé disse que eu

estava tentando imitar Milton, mas eu queria mesmo era agradar a Milton.

Chico Buarque disse que Milton é o maior cantor do Brasil.

Fui um dia cantar em Belo Horizonte e não tirei o boné de Milton da

cabeça e chamei, Milton de Milton Renascimento porque parecia ter havido

uma revolução sexual em Minas, uma virada de era astral, novo horizonte.

João Gilberto, que tudo ensina a todos nós, me ensina a entender que não

devo querer parar no dizer que Milton destrói minha discussão com Ion

sobre Beatles X John Coltrane, sobre "Domingo" X "Tropicália". Que não

devo querer parar no dizer que várias discussões interessantes são violen-

tamente interrompidas pelo simples som de Milton e que muitos saberes

têm, assim, de ser anulados para que se saiba mais. Som imaginário, som

real. Eu amo Milton. Não me sinto muito à vontade usando palavras pra

me referir a ele. Nem meias palavras bastam. Nem o silêncio. Nem música.










1986 - Toninho Horta, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Maria Bethânia



















miércoles, 16 de junio de 2021

1993 - JOSÉ MIGUEL WISNIK

 




























Gravado e lançado originalmente pela Camerati (TCD 1008-2), o CD foi relançado pela CIRCUS em 2016.

 

Ficha Técnica

Direção musical: José Miguel Wisnik e Ricardo Breim

Direção artístico: José Miguel Wisnik

Técnicos de gravação: Júlio Menezes e Vladimir F. Ganzerla

Produção executiva e mixagem: Claudio Lucci

Gravado no Estúdio Camerati, Santo André (SP), em julho/dezembro de 92

Piano acústico nas faixas Se meu mundo cair, Laser, A olhos nus e Polonaise gravado no Nosso Estúdio (SP).

Capa e projeto gráfico: Célia Euvaldo e Laura Vinci

Arte final: ICON- graph

Foto: Gal Oppido

Figurino: Caio Rocha

 

1. SE MEU MUNDO CAIR (José Miguel Wisnik)

2. MUNDO CRUEL (José Miguel Wisnik)

3. LASER (Ricardo Breim/José Miguel Wisnik)

4. VÍRUS (José Miguel Wisnik)

5. MAIS SIMPLES (José Miguel Wisnik)

6. ESTRANHO JARDIM (José Miguel Wisnik)

7. A OLHOS NUS (José Miguel Wisnik)

8. POLONAISE (Adam Mickiewics/Paulo Leminski/José Miguel Wisnik)

9. A PRIMEIRA VEZ, MAMÃE, QUE EU FUI AO CINEMA (José Miguel Wisnik)

10. VÔO CEGO (José Miguel Wisnik)

11. SUBIR MAIS (José Miguel Wisnik/Paulo Leminski)

12. PESAR DO MUNDO (José Miguel Wisnik/Paulo Neves)

13. SOM E FÚRIA (José Miguel Wisnik/Paulo Neves)

14. SONETO DO OLHO-DO-CU (Zé Celso Martinez Correia e Marcelo Drummond/Verlaine e Rimbaud/José Miguel Wisnik)

15. MESTRES CANTORES (Luiz Tatit/José Miguel Wisnik)