Ginásio Charles Edgar Moritz
Acervo digitalizado de la obra de Caetano Veloso, organizado por Evangelina Maffei [Buenos Aires, Argentina] Fecha de inicio: 2/12/2010. Sitio oficial de Caetano Veloso: http://www.caetanoveloso.com.br
![]() |
| Foto: Fernando Young (2021) - Divulgação |
NEW MAG
‘Inteligência Artificial Me Fascina E Amedronta’
Créditos:
Christovam de Chevalier (texto e perguntas) e divulgação (imagem)
Caetano Veloso fala de longevidade, da fé no país, do orgulho pela trajetória de Maria Bethânia e da relação mais distanciada das novelas
O Brasil é profícuo em grandes compositores. Muitos são mestres em seus ofícios. Alguns podem ostentar a merecida alcunha de gênios. Caetano Veloso, por exemplo. Com uma carreira fonográfica iniciada em 1967, ele construiu, ao longo de quase seis décadas, um cancioneiro através do qual faz um retrato pungente do mundo e da sociedade nos quais estamos inseridos. Aliando sensibilidade e lucidez, Caetano Emanuel Viana Teles Velloso ilumina nossas belezas, mesquinharias e desgraças com seu olhar crítico e sempre apaixonado pelo país. É sobre ele que o artista conversa com NEW MAG nesta entrevista, fruto de encontro inesperado em recente festival de cinema, segmento que é uma de suas paixões. Ele fala a seguir sobre sua participação em ato recente que mobilizou artistas contra a anistia aos envolvidos na tentativa do golpe de 08 de janeiro, externa sua fé por uma nação mais igualitária, aplaude sua irmã Maria Bethânia pelas seis décadas de sua carreira e diz que as novelas ainda são úteis no impulsionamento de uma canção. E, sim, ele irá às urnas exercer seu direito nas eleições de 2026. Lá vem o mano Caetano: menino encantado e, aos 83 anos, o Rei dos Animais.
Você e alguns dos seus companheiros de ofício e de geração
estiveram juntos, em setembro, no ato público contra a anistia aos envolvidos
na tentativa de golpe do 08 de janeiro. O que foi mais emocionante no
reencontro entre vocês e no ato em si?
Muita
coisa ali foi emocionante. Paulinho da Viola, Chico, todos nós ali juntos e
aquele público, né? Aquela quantidade de pessoas e aquela energia harmônica
daquela gente, isso é que foi o mais importante. Acho que isso há de seguir
sendo útil para o amadurecimento do Poder Legislativo no Brasil, e a
respeitabilidade deste Poder, que vem tomando decisões importantes como esta em
relação à questão tributária, que veio da Presidência da República, e o
Congresso tratou dela de uma maneira impressionante.
“Podres Poderes” ganhou muito vulto nas redes sociais após o ato
e foi muito procurada também nas plataformas de streaming. Esperava que essa
canção se mantivesse um retrato fiel do país 40 anos depois de lançada?
Cara,
eu gosto muito dessa canção e a escolhi juntamente com outras para os shows que
tenho feito em festivais e que, em comum, têm isso que posso chamar, sei lá, de
vigor com uma temática social. E “Podres poderes” é uma delas. E acho que
terminou sendo bom para que houvesse o evento em Copacabana naquele domingo e
que o Congresso tenha agido de uma maneira consideravelmente respeitável e
saudável.
“Podres Poderes” está presente no show com que Maria Bethânia
celebra seus 60 anos de carreira, num espetáculo em nada óbvio e com forte viés
político. Como você vê essa grande artista festejar as seis décadas de uma
trajetória tão importante para a Cultura?
Maravilhosamente
bem. Assisti ao show na véspera da última noite no Rio, antes de ela seguir
para São Paulo, e fiquei maravilhado, maravilhado… Este é um show ao qual
assistiria outras sete mil vezes (Caetano alude aqui à canção de sua autoria e
com que Bethânia abre o show).
Teremos eleições no ano que vem. Do alto dos teus 83 anos,
pretende fazer jus ao direito ao voto?
Sem
dúvida! Não tenho obrigação mais, mas eu gosto de votar.
E você espera que, a partir das próximas eleições, possamos
estar mais perto do que você canta em “Falou, amizade”: um país mais que
divino; masculino, feminino e plural?
E
plural, sobretudo! Eu espero que a gente possa trazer alguma coisa boa. A gente
tem de melhorar muita coisa no Brasil para suportar a loucura do mundo.
Você esteve presente na trilha sonora de Vale Tudo em três
temas: como intérprete do samba de Ary Barroso, participando da faixa dos
Garotin e como autor de ”Gente”, interpretada pelo Xande de Pilares. Uma novela
ainda é vital para projetar uma canção?
Acho
que é. Não vejo hoje muitas novelas, eu via mais quando era mais novo, e via
sob o olhar de um sociólogo, sobretudo quando voltei do exterior. Hoje não vejo
muito, não, mas acho importante porque muita gente vê.
Chegou a assistir a um ou outro capítulo de “Vale Tudo”?
Sim,
adorava ouvir a voz de Gal.
Você é um leitor voraz…
Sim,
leio muita coisa, muita coisa…
O que exatamente? Ficção, ensaios, sociologia?
Tudo
isso junto. Leio mais de uma coisa, e as leituras acontecem de forma
simultânea.
E, como naquela sua canção, melhor do que o silêncio só João
(Gilberto)?
Exatamente,
só João.
A Inteligência Artificial te fascina ou amedronta?
Ela
me fascina um pouco e me amedronta muito. Tenho pensado muito sobre isso.
Você se vê hoje mais próximo daquele personagem da canção “O
homem velho”, de 1985, ou mais próximo do “vovô nervoso e manhoso” de “Não vou
deixar”?
Eu
me identifico com os dois (risos), mas me pareço mais com o personagem de “O
homem velho”.
O Rei dos Animais então?
É
(risos)… Sou Leão, né? O Rei dos Animais.
https://newmag.com.br/inteligencia-artificial-me-fascina-e-amedronta/
Maria Bethânia na Hora de Naná
3 de abril de 2019
Apresentação: Naná Karabachian
Direção:
Monique Gardenberg
Quase todas as pessoas mais próximas de Maria Bethânia ficaram surpresas com a entrevista que ela deu, semana passada, no canal da amiga Naná Karabachian no Youtube. Pela primeira vez, a cantora abriu o jogo e falou de temas nunca antes expostos por ela. Bethânia confessou ser namoradeira, mas admitiu que não tem talento para sedução: “Não sei seduzir nada. Eu sei cantar. Se você me mandar seduzir alguém, eu vou errar total”
A cantora também falou sobre sua relação com Santo Amaro, a
importância do irmão Caetano Veloso e sobre o que mais a atrai nos homens.
“Acho bonito homem viril. Meu pai era um homem alto, elegante, muito bonito e
forte, mulato. Talvez seja esse espelho que eu goste. Meus namorados masculinos
sempre foram assim: rapazes corajosos, valentes, mas doces demais, suaves e
amorosos, encantadores e poéticos”.
UM POETA: Fernando Pessoa, como Caetano, como Chico Buarque
UM FILME: “Deus e o Diabo na Terra do Sol”
UM LIVRO: “O coração é um caçador solitario (Carson McCullers, 1940)
UMA VIDA INVENTADA: "Eu nao inventaria outra"
UMA CANÇÃO: MELODIA SENTIMENTAL (Villa-Lobos)
“Acorda vem ver a lua / E dorme na noite escura / Que fuje tao bela e branca /
Derramando docura”
1 de abril de 2019
NAMORADEIRA ASSUMIDA, MARIA BETHÂNIA DIZ GOSTAR DE HOMENS VIRIS E QUE MULHERES A CONQUISTAM PELO
Bethânia se diz uma mulher namoradeira, mas admite que nunca teve talento para sedução. "Não sei seduzir nada. Eu sei cantar. Se você me mandar seduzir alguém, eu vou errar total. Eu faço o que eu tenho que fazer, só o meu ofício", diz ela no canal do Youtube "Hora de Naná".
Quando perguntada o que mais a atraía nos homens, a cantora foi direta: "Acho bonito homem viril. Desde menina sou atraída. Meu pai era um homem alto, elegante, muito bonito e forte, mulato. Talvez seja esse espelho que eu gosto. Meus namorados masculinos sempre foram assim: rapazes corajosos, valentes, mas doces demais e suaves e amorosos, encantadores e poéticos".
Maria Bethânia falou ainda que é o
olhar o que mais a encanta nas mulheres: "Gostava do olhar de minha mãe,
um modo muito sabido e irônico. Continuo gostando. Acho que o olho é uma
bandeira. Às vezes, você é perversa e seu olho é de criança pedindo socorro.
Olho e mão são muito fortes para mim".
80
Caetano Veloso: IDEIAS ALÉM DA MÚSICA
Foto
de capa: Leo Aversa
Organização
e edição: Mànya Millen
Design:
Télio Navega
Coordenação:
André Miranda
SUMÁRIO
Apresentação
Introdução
‘Um
dia’ Caetano chegou para ficar
Os
críticos musicais, segundo Caetano Veloso
Caetano,
o furioso
A
petulância de viver a verdade tropical
‘A
estrela baiana sou eu’
Antena
ligada na luz e na treva
Profeta
da utopia brasileira
‘Sinto
a angústia instalada na cidade’
‘As
pessoas têm vergonha de me elogiar’
‘O mundo parece assustador’
‘O
Brasil deve repensar tudo’
Pós-verdade
tropical
Quem
jamais te esqueceria
‘Meu
desejo é confundir o algoritmo’
Venha
para a luz
Introdução
A primeira entrevista de Caetano Veloso ao GLOBO ocorreu em novembro de 1966. Foi um mês depois de ele ter conquistado, no Festival da Música Brasileira, o troféu concedido pelo GLOBO para a melhor letra por “Um dia” — o evento foi promovido pela TV Record, e recebeu apoio do jornal.
Mesmo sem ter ficado entre os cinco vencedores — o primeiro lugar foi dividido entre “A banda”, de Chico Buarque, defendida pelo autor ao lado de Nara Leão, e “Disparada”, de Geraldo Vandré, interpretada por Jair Rodrigues —, o “moço”, como é descrito o jovem de 24 anos pela reportagem, conquistou a atenção (e uma viagem à Itália) com seu talento.
Nos jornais do dia seguinte à final do concurso, aliás, ele é identificado como o “irmão de Maria Bethânia, famosa pela sua interpretação de ‘Carcará’, de João do Vale”. Como a reportagem do GLOBO lembra, Caetano veio parar no Rio acompanhando a irmã mais nova, convidada por Nara Leão, em 1965, para substituí-la no antológico espetáculo musical “Opinião”, dirigido por Augusto Boal e iniciado no ano anterior, poucos meses depois do golpe militar. No palco do Teatro de Arena, num show considerado “subversivo”, Bethânia imortalizaria “Carcará” e se tornaria a irmã famosa de Caetano.
Na conversa com o GLOBO, o cantor e compositor já revela sua vocação para o debate ao refutar a ideia da existência de um “grupo baiano” (“Não existe grupo. Há, sim, baianos”, diz um dos futuros idealizadores da Tropicália), mostra sua atenta observação do cenário musical brasileiro (como o papel fundamental da bossa nova), e também deixa claro saber que o caminho iniciado ali seria longo e frutífero. Ou, como aponta o título da reportagem, que ele tinha chegado “para ficar”.
— Começo a sentir os primeiros sintomas de uma nova virada. Ela está para acontecer, não tenham dúvidas.
Daí em diante foram muitas e muitas entrevistas, nas quais Caetano não se furtou a comentar, criticar, polemizar, debater, bater, elogiar, sem se preocupar em manter opiniões cristalizadas sobre nada. Ou sobre tudo.
Da arte à política, assunto que permeia muitas e muitas conversas, assim como sua relação nem sempre pacífica com a própria imprensa. Por meio destas reportagens selecionadas no vasto acervo do jornal — que, aliás, teve Caetano como colunista no Segundo Caderno entre 2010 e 2014 —, é possível acompanhar a trajetória do Caetano músico, mas também do escritor, do leitor, do cinéfilo e do cineasta.
O homem que, ao completar 80 anos, ainda consegue se encantar e exaltar generosamente em sua arte a arte de recém-chegados. Que continua destemido para falar de sexo, masculinidade, tesão, ternura, e se reconhecer fluido. Atento aos avanços da tecnologia e à mudança na sociedade provocada pelas redes, mas mantendo sua rebeldia em relação a elas. Sempre de olho no que acontece no país e no mundo. Sempre mostrando as ideias que vão muito além da música.
Mànya Millen, editora
![]() |
| Foto: Leo Aversa - 11/1/2022 |
![]() |
| Foto: Arquivo - 23/11/1966 |
![]() |
| Foto: Rodolpho Machado - 11/1/1972 |
![]() |
| Foto: Adalberto Diniz - 22/11/1972 |
![]() |
| Foto: Athayde dos Santos - 2/5/1986 |
![]() |
| Foto: Márcia Foletto - 23/10/1997 |
![]() |
| Foto: Camilla Maia - 23/9/2001 |
![]() |
| Foto: Leo Aversa - 24/5/2001 |
![]() |
| Foto: Leo Aversa - 2/12/2002 |
![]() |
| Foto: Ricardo Noblat - 19/1/2007 |
![]() |
| Foto: Leo Aversa - 13/4/2009 |
![]() |
| Foto: Monica Imbuzeiro - 5/10/2010 |
![]() |
| Foto: Leo Aversa - 24/4/2014 |
![]() |
| Foto: Márcio Alves - 15/8/2018 |
![]() |
| Reprodução: Janeiro de 1969 |
![]() |
| Foto: Leo Aversa - 30/04/2009 |
![]() |
| Foto:
Leo Aversa - 21/10/2021 |
![]() |
| Foto: Leo Aversa - 11/1/2022 |