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sábado, 7 de marzo de 2026

1985 - GAL COSTA - Revista STATUS



Jan, Marlene Moura, Guilherme Araújo, Marisa Alvarez Lima, Guto Burgos e João Vitorino




Texto de Caetano Veloso para a Revista Status - fevereiro de 1985


Gal só me surpreendeu uma vez: quando a conheci e a ouvi cantar. Foi uma surpresa tão grande e tão profunda que ainda hoje vivo sob o seu impacto. Na hora eu pensei: "A maior cantora do Brasil". Dai em diante foi só acompanhar os modos com que essa constatação procurou se confirmar. Primeiro era a possibilidade de realização da cantora de bossa nova ideal, com a combinação exata da emissão e feeling que eu não encontrava em nenhuma outra (virtude ainda hoje intacta, a chuva de prata da sua voz cobrindo o País). Depois a realização do rockcarnaval tropicalista que a tornou estrela. Para mim, sempre mais cantora do que estrela, embora esse estrelato tenha sido quase sempre uma exteriorização do brilho de sua personalidade que antes só se revelava (e ocultava) no canto. Ouvi-la e, talvez principalmente, vê-la cantar Força Estranha foi, para mim, tomar contato com um momento de integração equilibrada entre as três dimensões - pessoa, estrela, cantora. Vê-la cantar o Balancê foi entrar em relação direta com o mito: chorei quase duas horas seguidas depois de assistir o show "Gal Tropical" só por causa do Balancê. Marina me alertou para o fato de que é perigoso manter uma fidelidade assim, obstinada, à luz que se vê numa pessoa, independente do que acontece com ela ou do que ela faz: nega-se-lhe o drama, todas as mudanças aparecem ilusões de superfície, aprisiona-se a pessoa. De todo modo, creio que só eu compartilhei com Marina da opinião favorável ao show "Fantasia", no meu entender o melhor espetáculo que Gal apresentou desde "Fatal", com exceção talvez de "Cantar", mas "Cantar" fui eu que dirigiu... os números finais de "Gal Tropical" eram lindos, mas o todo do show era muito estranho pra mim. "Fantasia" não pareceu (a mim e a Marina) forte, grande e sincero. Às vezes tenho certeza de que esse show teria sido um sucesso se tivesse sido lançado em São Paulo, onde o "Tropical" não pegou como temi que o meu "Velô" talvez ão começasse bem no Rio. Mas eu gostaria que as pessoas pudessem ver Gal como eu vi no "Fantasia". Estou absolutamente certo de que é um equivoco profundo e perigoso que assim não seja e muitas coisas não andarão bem enquanto isso não se der. Ali sim, eu a vi lindíssimamente bem vestida e bem nua, no caminho certo e cantando bem. Não se trata de corresponder às subdesenvolvidas exigências brasileiras de que as cantoras sejam ao mesmo tempo manequins elegantes e pensadoras políticas (quem reparou na peruca loura da Ella Fizgerald ou nas botinhas de strass de Sarah Vaughan?). O fundamental é que a roupa se torne sagrada para quem a veste. Um corpo nu é uma mensagem complexa. Quando eu tava entrando na puberdade, eu era nudista, misturava meus desejos exibicionistas à ingênua ideia de que roupa é apenas uma repressão desnecessária, achava que não devíamos nos envergonhar do nosso corpo e não imaginava que o homem nunca é nu. Lembro do festival de rock da ilha de Wight, milhares de pessoas nuas na praia: eu ficava excitado, mas não envergonhado ou escandalizado. Gal estava lá. Eu nem me lembro se ela tirou a roupa. Eu nunca namorei com ela. Uma vez tive uma pequena discussão com o jornalista Ruy Castro (terá sido mesmo esse?) por causa dessa mania atual de se perguntar aos entrevistados se já treparam, se já brocharam, etc. . . Foi na casa do Eduardo Mascarenhas e por causa da entrevista deste (ele já tinha se atrapalhado na resposta á pergunta sobre brochada). Acho uma tolice que as pessoas se sintam na obrigação de narrar suas intimidades. Pois bem, eu e Gal sempre brochamos todas as vezes que tentamos brincar de namorar. No início da nossa carreira, dividíamos a cama de casal de Guilherme Araújo em Sampa. Todas as noites eu tentava seduzi-la com um disco do Bob Dylan e papo-furado. Ela sempre resistiu e terminávamos as noites às gargalhadas. Acho que na época dos Doces Bárbaros, na Bahia, nós tentamos fingir que íamos namorar no hotel onde ela estava hospedada. Foi legal porque aí a vi nua como ela aparece em algumas dessas fotos bonitas e carinhosas que a Marisa fez. Tomando banho. Gal é linda. Tem uma boca linda e é magnifico que por essa boca saia exatamente essa voz. Sempre a senti mulata e uma das coisas melhores de ela ter cortado agora os cabelos e tirado essas fotos nuas é a revelação de sua mulatice. São deslumbrantes sobretudo onde a bunda aparece de perfil, bem negra e bem dura. Há muita alegria física e muita dignidade nesse corpo de mulher madura e menina. eu não sou leitor (voyeur) dessas revistas de nua. Raramente olho, sem muito interesse, essas publicações. Parece que eu não tenho tempo pra isso - é como jogar baralho ou assistir futebol pela TV. Me entedia. Um dia Regina Casé me pediu um conselho se devia ou não liberar fotos suas para uma dessas revistas e eu não soube dar. Gal também me perguntou e eu disse: sou indiferente. Não me sinto, no entanto, indiferente diante de todas as fotos de mulher nua (ou homem nu) que eu vejo. No caso de Gal, especialmente eu sinto mil emoções relacionadas com o encontro de extensões daquela qualidade essencial que um dia eu percebi na sua voz.

 

CAETANO VELOSO

 



1985
Revista STATUS
Fevereiro de 1985
n° 127
Editora Três














Marlene Moura e Gal






miércoles, 27 de noviembre de 2024

domingo, 28 de julio de 2024

1973 - MARIA BETHÂNIA E ANTÔNIO MARCOS

 

Foto: Marisa Alvarez Lima












Junho de 1973 - Maria Bethânia e Antônio Marcos




1973
TV SUCESSO
Revista semanal de Bloch Editores
Ano I – n° 5
Rio de Janeiro, 22 de junho de 1973


























2005 - MARIA BETHÂNIA - Depoimentos

 


25 de maio de 2005


DEPOIMENTOS


Tu és para mim...

''Uma esfinge, um pierrô, uma astronave. Apenas o rosto de uma mulher, pequena e franzina, que deixa o espírito sair pela boca e queima a carne com a luz dos olhos'', diz o irmão Caetano. Outros fãs declaram admiração pela musa


Foto: Marisa Alvarez Lima / Divulgação



...A Janis (Joplin) é fantástica. Mas ela e Maysa não eram ídolos, não. As duas me apavoravam. Justamente por terem tanta coisa escancaradamente em comum, tanto nos fatores doces e talentosos da vida, como nos amargos e dolorosos. Ídolo mesmo, realmente, foi a Bethânia, que é ligeiramente mais velha que eu. Eu cantava, imitando ela, de brincadeira em casa. Era fã de ir em show, de me emocionar, de chorar, de ficar pentelhando no camarim...

Angela Ro Ro, na revista G Magazine


Absoluta! Necessária! Sagrada! Maria Bethânia. Única! E porque a Maria Bethânia é única? Porque ela é a única que continua igual cada vez melhor! Rarará! E ela entrando no palco? Gente, ela não parece gente. Parece santo. Um orixá ao vivo! E aí uma bichinha gritou: ''Com essa cinturinha eu já tava em Paris!'' Rarará!

José Simão, na Folha de S.Paulo (03/05/1994)


O perfil de Bethânia é um dos mais belos perfis de mulher que já houve. Sua testa avança numa convexidade incomum e o homem superior logo nota que ali se guarda um cérebro incomum. Sob a testa, cujo arrojo estanca na linha descendente da sobrancelha, que é como que uma versão suave da máscara da tragédia, desenha-se o nariz espantoso: é o nariz do chefe indígena norteamericano, é o nariz da bruxa, o nariz de Cleópatra e, no entanto, é o único nariz assim - os outros são apenas uma referência a ele. Se esse nariz, na vanguarda de uma batalha que o homem superior adivinhou tramar-se no cérebro por trás daquela testa, aponta orgulhosamente para o futuro da beleza, a boca parece desmentir a armada: emergindo a um tempo brusca e suavemente à flor do visível, ela anuncia o mel que destilará e consumirá: em palavras, em beijos, em mel. Sim, porque se os olhos traem o corpo por serem uma revelação do espírito inscrita na carne, a boca trai o corpo por ser uma revelação do próprio corpo. Insondáveis são os mistérios do espírito e olhos que vêem, inquietam-se diante de olhos que vêem. Mas os mistérios do corpo não são menos insondáveis e a boca, esse transbordamento do lado de dentro de um corpo vivo para o seu exterior, é um pequeno escândalo permanente. Assim, a boca de Maria Bethânia, vista aqui de perfil, primeiro parece negar e depois explica e aprofunda a informação plástica estampada na parte superior da sua cabeça: traduz em doçura e amargor o que fora enunciado em dureza e alegria. O que seu queixo arremata numa curva fresca de felicidade infantil. Que nos dá as costas para falar com alguém do outro lado e depois se volta, agora de frente pra nós, indecifrável.

Caetano Veloso, na Revista Careta.


Maria Bethânia é uma estrela. Não apenas no sentido convencional, como metáfora de um corpo celeste distante de nós, um astro que possui luz própria e fulgurante. Mas, como uma estrela, ela é sobretudo fonte de energia, uma energia que ilumina generosamente toda a galáxia em que vive. Ou, muito simplesmente, uma rainha do Brasil.

Cacá Diegues, cineasta.



Maria Bethânia se tornou uma estrela da noite para o dia no Rio de janeiro, no início de 1965. Tudo nela era diferente de todas as outras, muito diferente: voz, figura, gestos, sexualidade, sotaque baiano. Atitude. Voltei muitas vezes ao teatro para vê-la e ouvi-la e uma noite, levado por Dori Caymmi, troquei algumas palavras com ela no camarim, quando também fui apresentado a seu irmão, magro, tímido e delicado. Caetano sorria com grande doçura e irradiava sensibilidade e inteligência.

Nelson Motta, em Noites Tropicais.



De jeans e camiseta, cabelo preso, aos gritos de ''pega, mata e come!'', Bethânia já foi musa da esquerda, tempos do show Opinião. Graças ao acaso - se acaso existe e não, destino - que trouxe a menina Berré de Santo Amaro da Purificação, Bahia, para os palcos do centro do país. Peruca canecalon, coberta de colares e pulseiras, gestos largos, recitando Fernando Pessoa e Clarice Lispector - Bethânia foi musa. A voz muito grave, sussurrando versos sensuais, embalou os amores dos casais pelos motéis, rivalizando na vendas de discos com o rei Roberto Carlos. Prendeu, soltou os cabelos, calçou, tirou os sapatos, largou as gravadoras comerciais, no auge do sucesso, trajetória inversa, tornou-se independente: conquistou o direito de gravar o que gosta, num repertório coerente e fiel à musica brasileira.

Caio Fernando Abreu, escritor em 1988.



Vê-la ou simplesmente ouvi-la é para mim uma festa e uma liturgia. Lembro da primeira vez: Nara fazia o show Opinião, e havia indicado Bethânia - que conhecera da Bahia, acho para substituí-la no espetáculo. Havia aquela montoeira de gente pra ver que baiana era aquela, totalmente desconhecida para nós. Lembro-a descalça, camisa amarrada na cintura, já desafiante, os cabelos não me lembro se já eram soltos - lembro apenas que tudo nela era absolutamente estranho, estranho? Estranho, sim: já abelha-de-fogo, já liderando o enxame tão logo pisou o palco, mostrando os ferrões, latifundiária de colméias.

Hermínio Bello de Carvalho, no livro Sessão Passatempo
(Ed. Relume Dumará, 1995)



Corajosa. Perspicaz. Mandona. Sensual. Inflexível. Irmã. Mulher de roupas vermelhas. Deusa de contas roxas. Uma menina bonita. Uma guerreira. Uma flor e um florim.
Maria Bethânia?
Não, Iansã. Iansã? Não, Maria Bethânia Vianna Telles Veloso. A que nasceu em Santo Amaro, a que cresceu nos palcos.
Como Iansã, comanda os ventos e as tempestades. Como Bethânia, comanda-se. Como Iansã, ganha o mundo ao lado do marido Xangô. Como Bethânia, ganha a gente e, pelo tempo de um CD, faz com que a gente se sinta um pouco Xangô. Como Iansã, Bethânia nasceu madura. A testa grande. O nariz adunco. Os pés no chão.
Mas, se nasceu madura, segue menina. Os cabelos longos. O corpo esguio. Os pés no chão. É que Iansã sabe olhar a vida sem medo, sem preconceito. Maria Bethânia também. É Maria, é Bethânia, a que sabe as coisas melhor. E antes. Ela é beta, raio, veio de metal precioso, mancha, matiz. E, por ser tão substantiva, virou adjetivo. Um lugar pode ser Bethânia (Roma). Uma pessoa pode ser Bethânia (Edith Piaf). Um texto pode ser Bethânia (Fernando Pessoa). Até um orixá (Iansã) pode ser Bethânia. Que Santa Bárbara perdoe essa intimidade.

Washington Olivetto, publicitário na revista Vogue nº 261 (2000)


viernes, 31 de mayo de 2024

1998 - MARIA BETHÂNIA - Uma biografia

 


Foto: Marisa Alvarez Lima


Maria Bethânia Vianna Telles Velloso nascida no dia 18 de Junho de 1946 em Santo Amaro da Purificação tinha como sonho subir no palco como atriz. Não estava nos seus planos fazer do canto a sua profissão. Em casa porém, o irmão Caetano já brincava de fazer música. 

Em 1960, Bethânia e Caetano saíram de Santo Amaro para estudar em Salvador. Lá Caetano foi convidado pelo amigo Álvaro Guimarães para musicar a peça BOCA DE OURO de Nélson Rodrigues, montada em 63. Pela primeira vez Bethânia subiu no palco para cantar em público. E foi com um samba de Ataulfo Alves que ela abriu o espetáculo. Antes o que Bethânia conhecia de música era Nora Ney, Aracy de Almeida, Silvio Caldas, Orlando Silva e Maysa. 

Neste mesmo ano, em 63, Bethânia e Caetano conheceram Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Djalma Corrêa, Pitti, Alcivando Luz, Fernando Lona e passaram a cantar e a trabalhar juntos, já com João Gilberto e a bossa nova interferindo e modificando as suas vidas. 

Em junho de 1964, o grupo foi convidado para apresentar um show de música popular na semana de inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador. E surgiu o show NÓS POR EXEMPLO. O segundo espetáculo montado pelo grupo se chamou NOVA BOSSA VELHA, VELHA BOSSA NOVA Ainda em 64, novo show: MORA NA FILOSOFIA. Dessa vez só com Maria Bethânia em cena, lançada oficialmente cantora por Caetano Veloso. Nesse show, Bethânia é vista e aplaudida pela então musa da bossa nova, Nara Leão. 

No ínicio de 65 arrumou as malas às pressas e acompanhada pelo irmão Caetano veio para o Rio de Janeiro, atendendo a um convite de Nara Leão para substituí-la na peça OPINIÃO (participação de Zé Keti e João do Vale, direção musical de Dory Caymmi e direção de Augusto Boal). Bethânia estreou no dia 13 de fevereiro. Começou cantando manso mas em CARCARÁ sua voz explodiu marcando seu primeiro sucesso nacional e popular. A música de João do Vale marcou sua estréia em disco (LP Maria Bethânia lançado pela RCA em 1965) Bethânia assumia uma umagem de cantora de protesto, imagem essa forçada pela proposta e sobretudo pelo sucesso do show OPINIÃO. Ao sentir que o sucesso poderia desviar o curso de seu trabalho, antes mesmo de ter feito a sua opção profissional, Bethânia arrumou as malas de volta a Salvador. 

Disposta a prosseguir cantando, retornou ao Rio de Janeiro em 1966. Pouco depois assinou contrato com a TV Record por seis meses e dirigida por Augusto Boal participou ao lado de Gal, Gil, Caetano, Pitti e Tom Zé do show ARENA CANTA BAHIA no Teatro de Arena. Ainda no ano de 66 e mais uma vez dirigidos por Augusto Boal, os baianos fizeram o show TEMPO DE GUERRA no mesmo Teatro de Arena. 

Maria Bethânia, Vinicius de Moraes e Gilberto Gil no mês de setembro apresentaram no Teatro Opinião o show POIS É, roteiro de Capinam, Torquato Neto e Caetano Veloso, direção musical de Francis Hime e direção geral de Nélson Xavier. E no mês seguinte, outubro de 66, Maria Bethânia enfrentava o público do Maracanãzinho defendendo a música BEIRA MAR de Caetano Veloso e Gilberto Gil, não incluída entre as finalistas do I Festival Internacional da Canção. Em 1967, Bethânia aceitou o convite de Edu Lobo para gravar o disco EDU LOBO E MARIA BETHÂNIA, lançado pela Elenco. Nesse disco, pela voz de Bethânia está o samba SÓ ME FEZ BEM, o primeiro da parceria Edu Lobo- Vinicius de Moraes. 

Sua força no palco marcaria as sucessivas apresentações de Maria Bethânia em boites e teatros do Rio e São Paulo até 1970. Entre elas se destacam: RECITAL BOITE CANGACEIRO (Rio), RECITAL BOITE BARROCO (Rio), YES, NÓS TEMOS MARIA BETHÂNIA (Teatro de Bolso, Rio), COMIGO ME DESAVIM (o primeiro show dirigido por Fauzi Arap, Teatro Miguel Lemos, Rio), RECITAL NA BOITE BLOW UP (SP), BRASILEIRO PROFISSÃO ESPERANÇA (direção de Bibi Ferreira com Ítalo Rossi, Teatro Casa Grande, Rio) 

Em 1968 ela participou do LP Veloso, Gil e Bethânia lançado pela RCA. Caetano e Gil e Bethânia dividiam o lado A do disco cantando uma faixa cada um. Do lado B somente músicas de Noel Rosa interpretadas por Maria Bethânia. 

Ainda em 68, contratada pela Odeon,Bethânia lançou o LP RECITAL NA BOITE BARROCO. Em 69 e 70,respectivamente, Bethânia lançou os LPs MARIA BETHÂNIA e MARIA BETHÂNIA AO VIVO. 

Em 1971, dois acontecimentos marcaram o ínicio de uma nova fase na carreira de Maria Bethânia. Em janeiro ela gravou em estúdio, o LP A TUA PRESCENÇA, seu primeiro disco lançado pelo selo Philips e também o primeiro a receber generosos e unânimes elogios da crítica por sua qualidade técnica e artística. Em julho, dirigida por Fauzi Arap, acompanhada pelo Terra Trio, Bethânia estreava, no Teatro da Praia (Rio), o show ROSA DOS VENTOS. Um espetáculo diferente que dava a Bethânia possibilidade de mostrar sua versatilidade no palco, atuando com atriz e intérprete dos mais variados gêneros de música popular, de bolero ao baião, passando pelo frevo, tango, samba, música jovem ou inspirada nos temas de candomblé. 

Do show ROSA DOS VENTOS, resultou o disco do mesmo nome, lançado em setembro de 71, pela Philips, com produção de Roberto Menescal. Em 71 ainda, ela fez sua primeira viagem internacional, apresentando seus maiores sucessos no MIDEM. 

No ano seguinte, ao lado de Chico Buarque e Nara Leão, Maria Bethania participou do filme QUANDO O CARNAVAL CHEGAR, dirigido por Cacá Diegues. A trilha sonora do filme foi lançado em agosto de 72 pela Philips. 

Em novembro do mesmo ano chegava as lojas o disco DRAMA, produzido por Caetano Veloso. Bethânia apresenta-se no exterior (Itália, Alemanha, Austria, Dinamarca e Noruega). 

Em 1973, Antônio Bivar e Isabel Câmara assinam a direção do show DRAMA, LUZ DA NOITE. Mais uma vez Bethânia lotou o Teatro da Praia. O show está registrado no disco LUZ DA NOITE lançado em dezembro do mesmo ano. 

Em 1974, Bethânia e Fauzi Arap se reencontram para montar o show A CENA MUDA. Com esse show Bethânia comemorou 10 anos de carreira. E foi justamente em cima do tema sucesso que ela e Fauzi traçaram o roteiro musical. O disco A CENA MUDA foi gravado ao vivo no Teatro Casa Grande e lançado em novembro de 1974. 

Chico Buarque e Maria Bethânia despontaram o cenário musical brasileiro praticamente na mesma época. Entretanto nunca tinham pisados juntos num mesmo palco. Esse memorável encontro aconteceu no dia 6 de junho de 1975, idealizado por Caetano Veloso, Rui Guerra e Oswaldo Loureiro. Desse encontro surgiu o lp CHICO BUARQUE E MARIA BETHÂNIA GRAVADO AO VIVO NO CANECÃO, lançado pouco depois da estréia, reunindo os melhores momentos do show. 

No início de 1976, Bethânia entrou mais uma vez em estúdio. Dessa vez para gravar o lp PÁSSARO PROIBIDO, marco de sua carreira. Além do primeiro disco de ouro recebido pela vendagem deste lp, Maria Bethânia, através da música OLHOS NOS OLHOS de Chico Buarque, deixou de ser uma cantora executada somente nas rádios FM para ocupar os primeiros lugares das emissoras AM e ser definitivamente consagrada como uma cantora popular. 

Em julho de 1976 se realizou um encontro histórico: após 10 anos de carreiras individualmente vitoriosas Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa assumiram a identidade de um novo grupo OS DOCES BÁRBAROS. A estréia nacional ocorreu no dia 24 de junho no Anhembi, de São Paulo. 

Toda a efervescente trajetória de OS DOCES BÁRBAROS foi captada pelo diretor Jom Tob Azulay e transformada num divertido, controvertido e satírico longa metragem musical. O registro em disco está num album duplo lançado pela Philips em novembro de 1976. 

No dia 13 de janeiro de 1977, estreava no Teatro da Praia, PÁSSARO DA MANHÃ, um show leve, menos tenso que os anteriores, dirigido por Fauzi Arapi e cenários de Flávio Império. O show ficou registrado num belo lp do mesmo nome. trata-se de um registro de estúdio e não de um disco ao vivo. Com este lp, Maria Bethânia recebeu o segundo disco de ouro da sua carreira. 

Em maio de 1978, Caetano e Bethânia subiram no palco do teatro Santo Antônio. O espetáculo, roteiro de Caetano e Bethânia com sua direção geral, está registrado no lp MARIA BETHÂNIA E CAETANO VELOSO AO VIVO, gravado na Bahia e no Rio (Canecão). 

Pouco antes do natal de 1978 foi lançado o lp ALIBI que pela vendagem antecipada já chegava às lojas como disco de ouro. Todo esse sucesso foi mostrado ao vivo. Dirigida por Fauzi Arapi e cenário de Flávio Império, Maria Bethânia estreou no Teatro Cine Show Madureira (24-29 de julho). 

No mesmo de dezembro de 1979 aconteceu o lançamento do disco MEL. A década de 70 encerraria para Maria Bethânia de um modo particularmente especial. Ela foi a única cantora convidada para participar do especial de fim de ano de Roberto Carlos, produzido pela Rede Globo. Em janeiro de 80, Bethânia pisava no palco do Canecão com o show MEL, dirigida por Wally Salomão. 

Em 1980 a década é aberta com lp TALISMÃ, outro sucesso de vendas e que manteria a sua consagração junto ao grande público e crítica. 

Em 1981 volta ao Teatro da Praia, 10 anos depois de ROSA DOS VENTOS, para estrear o espetáculo ESTRANHA FORMA DE VIDA novamente dirigida por Fauzi Arapi e com cenário de Flávio Império. São apresentados 54 números - entre músicas e textos - que compõem o roteiro. No mesmo ano sai o disco ALTEZA. 

Em 1982 volta ao Canecão (Rio) dirigida por Bibi Ferreira no show NOSSOS MOMENTOS, uma colagem de seus shows anteriores entremeados de canções novas, algumas compostas especialmente para o show. O disco homônimo sai a seguir. 

Em 1983 desgastada com a super exposição alcançada pelo grande sucesso e as super vendas de seus discos e a consequente pressão das gravadoras, volta ao disco com CICLO. Nele ouvem-se canções acústicas e letras sofisticadas, quebrando regras que pareciam permanentes em sua discografia. Aclamado pela crítica e recebido com estranhamento pelo grande público, liberta a cantora de compromissos e à traz de volta à liberdade que sempre a caracterizou na elaboração de seu trabalho. 

No ano de 1984 estréia no Canecão (Rio) o show A HORA DA ESTRELA dirigido por Naum Alves de Souza baseado na obra de Clarice Lispector, um projeto ambicioso com linguagem teatral com música. O repertório trazia canções de Chico Buarque e Caetano Veloso feitas especialmente para o espetáculo. A seguir é lançado o disco A BEIRA E O MAR. Pouco divulgado pela gravadora, passaria desapercebido não fosse o repertório impecável que misturava algumas canções do show A HORA DA ESTRELA com canções inéditas e regravações. Neste disco encontra-se a gravação antológica da canção NA PRIMEIRA MANHÃ de Alceu Valença. 

Em 1985 estréia no Canecão o espetáculo 20 ANOS, novamente uma colagem de espetáculos anteriores, dirigido por Bibi Ferreira. 

Em 1986 Bethânia assina contrato com a RCA para a gravação de 3 discos, o primeiro é DEZEMBROS, disco com canções inéditas de Tom Jobim, Chico Buarque e Caetano Veloso, e uma feita especialmente para ela por Milton Nascimento chamada CANÇÕES E MOMENTOS escrita em homenagem à comovente interpretação da canção A PRIMEIRA MANHÃ feito por ela. 

Em 1988 sai o disco MARIA com participações especiais de Jeanne Moreau e Gal Costa. Na capa uma negra em vez de uma foto da cantora "Simbolizando todas as Marias do mundo." Estréia no Scala (Rio) o show MARIA dirigido por Fauzi Arapi. 

No ano de 1989 é lançado o disco MEMÓRIA DA PELE com canções de Djavan, Chico Buarque entre outros. No Scala (Rio) é apresentado o espetáculo DADAYA - AS 7 MORADAS dirigido por Ulysses Cruz feito para ser apresentado no exterior. 

1990. Os 25 anos de carreira é celebrado com disco e show 25 ANOS. O disco traz participações especiais de Nina Simone, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, João Gilberto entre outros. O show dirigido por José Possi Netto estréia no Imperator (Rio) e trazia textos de Fausto Fawcett e uma interpretação comovente de EXPLODE CORAÇÃO à capela. 

O disco OLHO D´ÁGUA é lançado em 1982. Sem o apoio da gravadora, mais uma vez o trabalho passa quase desapercebido, não ser pela inclusão da canção ALÉM DA ÚLTIMA ESTRELA em uma novela de televisão. 

O ano de 1993 traz de volta a recordista de vendas do tempo do disco ÁLIBI. O disco AS CANÇÕES QUE VOCÊ FEZ PRA MIM com músicas de Roberto e Erasmo Carlos é um estrondoso sucesso de público e crítica ultrapassando todos os limites de venda daquele ano. O show homônimo dirigido por Gabriel Villela no Canecão (Rio), traz de volta em termos de números e prestígio a consagração da cantora. 

Novamente um rompimento com a gravadora para manter a qualidade inabalável e despreocupada com números de sua carreira. Assina contrato com a gravadora EMI Odeon e lança o disco ÂMBAR com canções de novos compositores como Chico César, Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhoto. O show homônimo dirigido por Fauzi Arapi traz os poemas de Fernando Pessoa declamados por ela entremeados de canções inéditas e outras conhecidas do público. 

Em 1997 sai o registro do show ÂMBAR em um cd duplo intitulado IMITAÇÃO DA VIDA.