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domingo, 18 de mayo de 2025

2025 - UM BAIANA


15/3/2025



Comecei a compor “Um Baiana” antes de nosso show estrear. Queria que a voz de Bethânia e a minha expressassem força de paz e de elegância, contra as feiúras que o mundo tem exibido. Mas não pude concluir a canção. A ideia veio da animação não-violenta que o Baiana System alimenta em Salvador, com as clareiras que se abrem na multidão para solos, duos, trios, todos mostrando excitação carnavalesca sem truculência ou disputa. É a paz.

Caetano Veloso, 15 de março de 2025 (*)


Letra e música: Caetano Veloso

Os da guerra acreditam
Que mandam na terra
E agora ainda mais
Mas nós que vemos tudo
Não vamos ser mudos
É a Paz!

Já que eles não desistem
Nossas vozes disparam
Um Baiana System
Para abrir clareiras de paz


Nas fronteiras
Nas eiras, nas leiras,
Nas beiras e nos quintais

Um Baiana System
Um Baiana System
Um Baiana System

Um Baiana
Um Baiana
Um Baiana



(*) Turnê CAETANO&BETHÂNIA

15 de março de 2025 -  Farmasi Arena - Rio de Janeiro 

22 de março de 2025 -  Arena do Grêmio - Porto Alegre 

CAETANO NOS FESTIVAIS

17 de maio de 2025 - FESTIVAL COOLRITIBA - CURITIBA 



sábado, 23 de junio de 2018

1981 - DEIXA ESCORRER




“… E a presença de Caetano... A música me foi apresentada por Luis Antonio Correa, e foi feita para a peça O percevejo de Maiakovski. É Caetano, um jeito novo de cantar, que a gente tenta, ousa e pode. …” 
[Elba Ramalho]


"... e a gente escuta coisa como Deixa escorrer, de Caetano, e se surpreende de ser Elba e ser Caetano – alguma alquimia misteriosa tirou tudo do lugar. ..."
[Ana Maria Bahiana]















Gravado e mixado no período de 15 de março a 15 de abril de 1982 nos estúdios Sigla - RJ 
Lançamento: maio de 1982



9/10/1982 - Tárik de Souza - Jornal do Brasil



























 
 


22/10/1982 - Correio Braziliense











1982
Revista FATOS E FOTOS – GENTE
N° 1.108
Rio de Janeiro, 18 de novembro de 1982

Fotos: Rui de Campos

















1982
Revista Amiga – TV Tudo
Novembro - n° 652
Editora Bloch





CAETANO NEM SE LEMBRA DA MÚSICA PROIBIDA
Durante show em São Paulo Caetano falou da censura.


“Não me lembro da letra… disse Caetano”. Teria que ler novamente. Chamou a mulher Dedé Gadelha e perguntou: “Quando é que eu fiz aquela letra para a peça tal?”. Dedé respondeu que foi em abril desse ano para a peça O Percevejo. Mesmo demonstrando total dessinteresse pelo fato de ter mais uma letra proibida, Caetano que tem sido um dos compositores mais visados pelo orgão censor ainda esclareceu “Até agora não me interessei na letra como canção. Quem sabe para o futuro?”.


Para dar por encerrado o assunto, negou-se a dar sua opinião sobre a censura brasileira, preferindo falar sobre o show que realizou para as crianças da Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor) … “Eu achava que ia ser um show normal, pois já havia cantado para crianças carentes em Porto Alegre. Aconteceu o contrário. Foi um negócio emocionante. A meninada cantou e dancou comigo…







“… A Censura proibiu Deixa Escorrer em nome da “moral e dos bons costumes”. Foi proibida para gravação por ter sido considerada “indecorosa” (“Deixa escorrer, deixa melar, deixa crescer… que o amor nao dá para compartimentar”. Na peça, porém, tal letra não causou problemas…”

[Folha de S.Paulo, 19/12/1982]






DEIXA ESCORRER
Letra e música: Caetano Veloso
Da peça teatral “O Percevejo”
Intérprete: NEY COSTA SANTOS

Deixa escorrer
Deixa melar
Deixa bater
Deixa sangrar
O amor não dá pra compartimentar

Deixa subir
Deixa crescer
Deixa cair
Deixa voar
A vida deixa-se contaminar

Pra que viver sem vodca, sem fumo e sem amor
Melhor morrer de vodca, do que de tédio e dissabor

Deixa esquecer
Deixa lembrar
Deixa esconder
Deixa mostrar
A luz, a sombra, o sonho, o sol e o mar

Deixa meter
Deixa tirar
Deixa acender
Deixa pra lá
Não cabe numa estrofe pra cantar
















domingo, 23 de agosto de 2015

2015 - AS CAMÉLIAS DO QUILOMBO DO LEBLON


Inédita.
Presentada el 20 de agosto de 2015 en San Pablo, Citibank Hall.
Primer show de la temporada paulista de "Dois amigos, um século de música".


"... Agora vamos cantar a mais nova. Terminamos de fazer de madrugada. Ainda mal sabemos, mas é a canção inédita que vamos lançar aqui agora". (*)

(Caetano Veloso, 20/8/2015)

 


Buenos Aires, Luna Park, 9/9/2015

Autores: Caetano Veloso e Gilberto Gil
© 2015


As camélias do Quilombo do Leblon
As camélias do Quilombo do Leblon
As camélias do Quilombo do Leblon
As camélias

As camélias do Quilombo do Leblon
As camélias do Quilombo do Leblon
As camélias do Quilombo do Leblon
Nas lapelas

Vimos as tristes colinas logo ao sul de Hebron
Rimos com as doces meninas sem sair do tom
O que fazer chegando aqui
As camélias do Quilombo do Leblon brandir

Somos a Guarda Negra da Redentora
Somos a Guarda Negra da Redentora
Somos a Guarda Negra da Redentora

As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias

As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
Cadê elas?

Somos assim, capoeiras das ruas do rio
Será sem fim o sofrer do povo do Brasil?
Nele, em mim, vive o refrão
As camélias da segunda abolição virão





(*) Es la 18a. canción compuesta por ambos despues de 1993.





“…
Laura Fernandes:
No DVD Dois Amigos, Um Século de Música você comenta que o repertório vai da música mais antiga, De Manhã (1963) até a recente As Camélias do Quilombo do Leblon, feita para o show após a turnê internacional. O que o inspirou?

Caetano Veloso: Fazia já um bom tempo, eu tinha lido um artigo de Eduardo Silva sobre o Quilombo do Leblon e suas camélias, que se tornaram o símbolo do movimento abolicionista. Antes de ir para a Europa, li A História da Princesa Isabel, de Regina Echeverria e Brasil, Uma Biografia, de Lilia Schwarcz e Heloísa Starling, livros onde há referência a esse quilombo. De volta da Europa, me veio à cabeça, enquanto tomava banho em minha casa de Salvador, fazer uma canção sobre o tema. A sonoridade percussiva das palavras “as camélias do quilombo do Leblon” me sugeriram a frase melódica, a primeira parte. Esbocei uma segunda parte parecida com No Tabuleiro da Baiana, de Ary Barroso (1903-1964). Fui à casa de Gil e mostrei o que tinha feito, pedindo que ele refizesse a segunda parte sem abandonar de todo a parecença com a música de Ary. Ele fez isso e ainda arrematou com a frase final. Nós adoramos essa música. Ela fala desse episódio bonito de nossa história (que não nos ensinam nas escolas!), comenta os caminhos do samba, encontra sentido na rima de Leblon com Ebron, ao comentar a passagem pela Cisjordânia, e conclama o ouvinte à realização da Segunda Abolição. ...”
(21/12/2015, Correio, Salvador)






SILVA, Eduardo. As camélias do Leblon e a abolição da escravatura - Uma investigação de história cultural. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, 136 págs.