martes, 3 de noviembre de 2015

2003 - XI BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO



19/5/2003

“A palavra poética” homenageia Waly Salomão, que faria parte da mesa. Caetano Veloso se junta a Antônio Cícero, Armando Freitas Filho e Claudia Roquette-Pinto, lendo trechos de poemas de Waly. No Café Literário. 

19/05/2003
Caetano Veloso homenageia Waly Salomão na Bienal

GIOVANA MOLLONA
free-lance para a Folha Online, no Rio

Com a morte do poeta e letrista da música popular brasileira Waly Salomão, no último dia 5, o Café Literário "A palavra poética", realizado hoje no Pavilhão Verde do Riocentro, transformou-se numa grande homenagem a ele.

Secretário Nacional do Livro e Leitura, Waly participaria da mesa que, mesmo com sua ausência, seguiu a programação, mas com uma presença a mais: a do cantor e compositor Caetano Veloso, amigo do poeta havia 40 anos.

"Até na hora de morrer Waly foi muito pessoal: foi embora de forma surpreendente e intensa. Falo aqui de forma alegre sobre ele, mas ainda não me acostumei com sua partida", disse Caetano, visivelmente emocionado.

Na platéia, estavam os filhos de Waly, Kalid e Omar, as irmãs de Caetano Veloso, Mabel e Clara Maria, e sua sobrinha, a cantora Belô Veloso. O café ficou lotado.

O evento, cujo nome foi escolhido pelo próprio Waly, contou também com as participações dos poetas Antonio Cícero e Cláudia Roquette-Pinto, além do presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Pedro Corrêa do Lago, que assumiu interinamente a direção da Secretaria Nacional do Livro e da Leitura.

"Minha amizade com Waly foi de apenas quatro meses, mas sinto que neste pouco tempo fizemos uma longa caminhada", comentou Corrêa do Lago que, em seguida, leu um poema em sua homenagem.

"Acho que eu não o agradei de início", disse Caetano, lembrando do momento em que conheceu o poeta. Em seguida, leu um trecho de seu livro, "Verdade Tropical", relembrando passagens da amizade com o poeta, e cantou um trecho de "Mel", cuja letra é de Waly Salomão.

Ao contar passagens de sua amizade com Salomão, Caetano Veloso fez o público rir. "Ele me falava: 'dizem que Deus não dá asas às cobras, mas para esta [Caetano], ele deu", contou o cantor, que disse considerar a frase que o poeta repetia como um elogio. "Ele também costumava me chamar de 'Soninha, toda pura', por causa desse meu jeito, mais calmo, apaziguador."

Outro que também provocou risos na platéia ao lembrar do poeta foi Antonio Cícero. Os dois se conheceram nos anos 70 e, para Cícero, o que mais lhe chamava a atenção em Salomão era seu espírito anárquico.

"Nos conhecemos na casa de d. Mariá, mãe de Gal Costa. Naquela ocasião, lembro-me que ele entrou na sala e começou a declamar uns poemas horrorosos. Todos já estavam se entreolhando quando a mãe de Gal Costa, furiosa, começou a esbravejar: 'Ladrão! Ladrão!'. O Waly teve a capacidade de decorar os poemas de d. Mariá para nos pregar uma peça."

No encontro, Caetano Veloso e Antonio Cícero também frisaram a importância de Hélio Oiticica na carreira do poeta. "Hélio foi o primeiro a ver o Waly como escritor", disse Caetano.

Durante o bate-papo, os convidados leram poesias, inclusive as de autoria do homenageado. Questionado sobre o que ela achava ter mudado em Waly desde a época em que se conheceram, Caetano, em tom de brincadeira, resumiu: "Ele era mais magro".

Waly Salomão morreu no último dia 5, na Clínica São Vicente, na Gávea (zona sul do Rio), onde estava internado para tratamento de um câncer no fígado.



 




Agencia Estado
05 Maio 2003

Amigos dão adeus a Waly Salomão

O velório do poeta e compositor Waly Salomão, no sagüão nobre da Biblioteca
Nacional, na Cinelândia, é acompanhado por amigos de uma vida inteira, como acolega de tropicalismo Gal Costa. Ela lembrou a irreverência de Waly e se
mostrou chocada com a morte rápida - ele descobrira o câncer no intestino haviaapenas duas semanas. Gal disse que a morte do compositor - autor de seu grande sucesso Vapor Barato, em parceria com Jards Macalé - foi uma supresa para ela.
 
"Para mim foi uma surpresa, a pior possível. Estou chocada, angustiada, triste esaudosa. É horrível ver morrer um cara tão jovem e num momento legal da vidadele", disse, em referência ao cargo de Secretário Nacional do Livro e da
Leitura, que lhe foi dado pelo amigo Gilberto Gil, ministro da Cultura, e lhe
deixara empolgado. Gal lembrou da convivência com Waly, baiano como ela e
natural de Jequié, na época do movimento tropicalista. "Ele cresceu com a gente.

Foi um cara importantíssimo na minha vida. Era um amigo presente, que me davaforça e me incentivava, um cara catalizador, que foi um nome importante namúsica, na literatura e nas artes plásticas." A cantora destacou ainda a maniade Waly de fazer piadas sobre tudo, o que também foi lembrado pela cantora Preta Gil, que foi ao velório com a mãe, Sandra Gadelha. "Ele era a pessoa maisescrachada que eu conheci, depois de mim. Grande parte da minha personalidadefoi influenciada por ele, já que cresci com sua presença. 

Ele era como um tio, irmão da minha mãe. São todos da mesma geração, vieram juntos da Bahia", disse Preta. O velório estava marcado para as 16 horas, mas o corpo só chegou às 17h30, quando já era aguardado por amigos como Jards Macalé, Antônio Cícero,Scarlet Moon e André Midani. Também Caetano Veloso e Adriana Calcanhotoatenderam ao velório do amigo. O ministro Gilberto Gil, pai de Preta, é esperado na Biblioteca Nacional à noite, já que esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da polêmica envolvendo as novas diretrizes deconcessão de patrocínios pelas empresas estatais, rechaçadas por cineastas e produtores. Jorge Salomão, irmão do poeta, contou que esteve com ele pela última vez há uma semana. "Foi tudo muito rápido. Da última vez que o vi, ele percebeu que eu estava choramingando e, daquele jeito dele, me mandou cuidar da minha vida." Salomão contou que ele e o irmão tiveram contato com os livros desde crianças. "Waly foi estudar em Salvador e me estimulou a ir também. Em Salvador, ele e os outros baianos fizeram uma verdadeira revolução." O produtor cultural Ricardo Cravo Albim disse que Waly "era muito mais do que um poeta, do que um extradionário agitador cultural, do que um estupendo diretor de shows - os mais lindos que a MPB já teve. Waly era múltiplo, poliforme, quase tanto quanto Mário de Andrade. Ele ele era uma centena." Albim disse que "todos nós ficamos desoladamente mais pobres." Trinta músicos do Grupo Cultural Afroreggae, formadopor jovens da Favela Vigário Geral e apoiado por Waly, também prestaram homenagem.




6/5/2003
Waly Salomão fará falta no Ministério da Cultura, diz Gil
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Ministro da Cultura Gilberto Gil admitiu que terá dificuldades em substituir Waly Salomão na Secretaria Nacional do Livro e da Leitura. A declaração foi feita durante o velório do poeta que acontece até as oito da manhã desta terça-feira na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
"Não há indicação ainda para o cargo. Vai ser uma tarefa difícil. Waly vai fazer muita falta na equipe do ministério. Ele era a pessoa certa para o cargo que ocupava", comentou.
Gil ressaltou a importância de Waly para a cultura nacional. "Ele fazia parte de um grupo de artistas baianos que movimentou a cultura do país, entre eles, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia".
O ministro chegou no final da noite de segunda-feira ao velório depois de uma reunião em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A pedido do escritor não haverá enterro. O corpo vai ser cremado às 9h desta terça-feira no Cemitério do Caju, na zona portuária do Rio.
Waly, de 59 anos, morreu às 7h40m, na Clínica São Vicente, no bairro Gávea, no Rio de Janeiro, onde estava internado há duas semanas para tratamento de um câncer.
A produção do programa "Comentário Geral", veiculado pela Rede Brasil de emissoras educativas, no qual Salomão era um dos comentaristas, disse à Reuters que estão sendo estudadas formas para homenagear o poeta.
A equipe realizou uma reunião na segunda-feira para discutir formas de abordar a morte do poeta na próxima edição do programa, na quarta-feira. Uma das possibilidade é reprisar antigas participações de Waly. Outra proposta é a de realizar um programa inteiro sobre ele com os demais comentaristas falando da importância de Waly para a cultura nacional.
Em nota oficial, o Ministério da Cultura lamentou a morte do poeta. "A tristeza tomou conta do Ministério da Cultura e de toda a inteligência brasileira", diz a nota.
"A morte do poeta, um apaixonado pelos livros, pelas bibliotecas, pelo prazer da leitura, pelo texto bem construído e pela poesia ousada, musical, deixa um vácuo imensurável na cultura brasileira", destacou. Nascido em Jequié, na Bahia, Waly já trabalhara na esfera política com Gil na administração municipal de Salvador nos anos 80, junto com outros atuais homens de confiança do ministro da Cultura, como Antonio Rizério e Roberto Pinho.
Além de poeta premiado, Waly é letrista de diversos clássicos da canção brasileira, em parcerias com Macalé, Caetano Veloso e com o próprio Gilberto Gil.
Waly também escreveu letras para músicas gravadas por Gal Costa, Maria Bethânia, Cazuza, Lulu Santos e João Bosco, entre outros.
Ele participou do movimento cultural Tropicália, na década de 60, que misturou temas e palavras americanas aos utilizados pela popular Bossa Nova.
Em abril de 1998, dois meses depois de sofrer um infarto Waly Salomão escreveu um poema intitulado "Post-mortem", incluído no livro "Lábia":



Waly Dias Salomão (Jequié, 3/9/1943 — Rio de Janeiro, 5/5/2003 


Jorge Mautner e Jards Macalé

Velório do poeta Waly Salomão na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. 




Segunda-Feira, 5 de Maio de 2003  
Corpo de Waly Salomão será cremado no Rio
(Por Luiz André Ferreira, especial para Reuters)
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O corpo do poeta Waly Salomão estava sendo velado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro na tarde de segunda-feira, enquanto família e amigos se reuniam para prestar uma última homenagem ao também secretário nacional do Livro e da Leitura do Ministério da Cultura.
A pedido do escritor não haverá enterro. O corpo será cremado às 9h de terça-feira no Cemitério do Caju, na zona portuária do Rio.
Waly morreu aos 59 anos na manhã desta segunda-feira na Clínica São Vicente, onde estava internado há duas semanas para tratamento de um câncer.
A produção do programa "Comentário Geral", da Rede Brasil, do qual Salomão participava, revelou à Reuters que também pretende fazer um preito ao artista baiano em sua próxima exibição na quarta-feira.
Algumas das opções de homenagem discutidas pela equipe de produção seriam reprisar antigas participações de Waly ou realizar um programa inteiro sobre ele com todos os demais comentaristas falando de sua importância.
Em nota oficial, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, lamentou a morte do poeta. "A tristeza tomou conta do Ministério da Cultura e de toda a inteligência brasileira. A morte do poeta, um apaixonado pelos livros, pelas bibliotecas, pelo prazer da leitura, pelo texto bem construído e pela poesia ousada, musical, deixa um vácuo imensurável na cultura brasileira".
Nascido em Jequié, na Bahia, Salomão foi parceiro de Gil na administração municipal de Salvador nos anos 1980, juntamente com outros homens de confiança do ministro como Antonio Rizério e Roberto Pinho.
Além de poeta premiado, ele foi letrista de diversos clássicos da canção brasileira, em parcerias com Jards Macalé, Caetano Veloso e com o próprio Gil.
Salomão também escreveu letras para músicas gravadas por Gal Costa, Maria Bethânia, Cazuza, Lulu Santos e João Bosco. Ele participou da Tropicália, na década de 1960.
Em abril de 1998, dois meses depois de sofrer um infarto, Waly Salomão escreveu um poema intitulado "Post-mortem", incluído no livro "Lábia".
Seu primeiro livro, "Me Segura que Eu Vou Dar um Troço", de 1971, foi diagramado pelo artista plástico Hélio Oiticica, amigo íntimo e de quem escreveu a biografia "Qual É o Parangolé".
Publicou também "Gigolô de Bibelôs", "Surrupiador de Souvenirs", "Algaravias", "Tarifa de Embarque" e "O Mel do Melhor", lançado em 2001.
 

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