sábado, 25 de septiembre de 2021

1984 - GAL PROFANA

 
































































































1984
Revista Veja
Editora Abril – n° 845
14 de novembro de 1984
























Gal Costa em entrevista a Leda Nagle 


















































































Beth Carvalho e Gal Costa







Renata Sorrah e Gal Costa

Gal Costa e Elba Ramalho

Elba Ramalho, Amin Khader e Lúcia Veríssimo

Gal Costa e Marisa Alvarez Lima

Baby Consuelo e Lúcia Veríssimo









































































GAL COSTA ESPECIAL - PROFANA





Especial musical televisivo "Profana", que foi ao ar pela Rede Manchete no ano de 1985, na época de lançamento do LP homônimo de Gal Costa.

  

Direção: Maurice Capovilla

Repertório:

 

1. MEU NOME É GAL (Roberto/Erasmo Carlos)

2. NADA MAIS [Lately] (Stevie Wonder - Versão: Ronaldo Bastos)

3. CHUVA DE PRATA (Ed Wilson/Ronaldo Bastos)

4. LUZ DO SOL (Caetano Veloso)

5. AÇAÍ (Djavan)

6. CABEÇA FEITA (Jackson do Pandeiro/Sebastião Batista da Silva)

7. TILILINGO (Almira Castilho)

8. TEM POUCA DIFERENÇA (Durval Vieira)

9. RUMBA LOUCA (Moacir Albuquerque/Tavinho Paes)

10. VACA PROFANA (Caetano Veloso)

11. BEM ME QUER (Rita Lee/Roberto de Carvalho)

12. FORÇA ESTRANHA (Caetano Veloso)

13. ATRÁS DA LUMINOSIDADE (Teca Calazans/Luis Carlos Sá)

14. ONDE ESTÁ O DINHEIRO (José M. de Abreu/Paulo Barbosa/Francisco Mattoso)


































































1985
Revista STATUS
Fevereiro de 1985
n° 127
Editora Três










"Gal só me surpreendeu uma vez: quando a conheci e a ouvi cantar. Foi uma surpresa tão grande e tão profunda que ainda hoje vivo sob o seu impacto. Na hora eu pensei: "A maior cantora do Brasil". Dai em diante foi só acompanhar os modos com que essa constatação procurou se confirmar. Primeiro era a possibilidade de realização da cantora de bossa nova ideal, com a combinação exata da emissão e feeling que eu não encontrava em nenhuma outra (virtude ainda hoje intacta, a chuva de prata da sua voz cobrindo o País). Depois a realização do rockcarnaval tropicalista que a tornou estrela. Para mim, sempre mais cantora do que estrela, embora esse estrelato tenha sido quase sempre uma exteriorização do brilho de sua personalidade que antes só se revelava (e ocultava) no canto. Ouvi-la e, talvez principalmente, vê-la cantar Força Estranha foi, para mim, tomar contato com um momento de integração equilibrada entre as três dimensões - pessoa, estrela, cantora. Vê-la cantar o Balancê foi entrar em relação direta com o mito: chorei quase duas horas seguidas depois de assistir o show "Gal Tropical" só por causa do Balancê. Marina me alertou para o fato de que é perigoso manter uma fidelidade assim, obstinada, à luz que se vê numa pessoa, independente do que acontece com ela ou do que ela faz: nega-se-lhe o drama, todas as mudanças aparecem ilusões de superfície, aprisiona-se a pessoa. De todo modo, creio que só eu compartilhei com Marina da opinião favorável ao show "Fantasia", no meu entender o melhor espetáculo que Gal apresentou desde "Fatal", com exceção talvez de "Cantar", mas "Cantar" fui eu que dirigiu... os números finais de "Gal Tropical" eram lindos, mas o todo do show era muito estranho pra mim. "Fantasia" não pareceu (a mim e a Marina) forte, grande e sincero. Às vezes tenho certeza de que esse show teria sido um sucesso se tivesse sido lançado em São Paulo, onde o "Tropical" não pegou como temi que o meu "Velô" talvez não começasse bem no Rio. Mas eu gostaria que as pessoas pudessem ver Gal como eu vi no "Fantasia". Estou absolutamente certo de que é um equivoco profundo e perigoso que assim não seja e muitas coisas não andarão bem enquanto isso não se der. Ali sim, eu a vi lindíssimamente bem vestida e bem nua, no caminho certo e cantando bem. Não se trata de corresponder às subdesenvolvidas exigências brasileiras de que as cantoras sejam ao mesmo tempo manequins elegantes e pensadoras políticas (quem reparou na peruca loura da Ella Fizgerald ou nas botinhas de strass de Sarah Vaughan?). O fundamental é que a roupa se torne sagrada para quem a veste. Um corpo nu é uma mensagem complexa. Quando eu tava entrando na puberdade, eu era nudista, misturava meus desejos exibicionistas à ingênua ideia de que roupa é apenas uma repressão desnecessária, achava que não devíamos nos envergonhar do nosso corpo e não imaginava que o homem nunca é nu. Lembro do festival de rock da ilha de Wight, milhares de pessoas nuas na praia: eu ficava excitado, mas não envergonhado ou escandalizado. Gal estava lá. Eu nem me lembro se ela tirou a roupa. Eu nunca namorei com ela. Uma vez tive uma pequena discussão com o jornalista Ruy Castro (terá sido mesmo esse?) por causa dessa mania atual de se perguntar aos entrevistados se já treparam, se já brocharam, etc. . . Foi na casa do Eduardo Mascarenhas e por causa da entrevista deste (ele já tinha se atrapalhado na resposta á pergunta sobre brochada). Acho uma tolice que as pessoas se sintam na obrigação de narrar suas intimidades. Pois bem, eu e Gal sempre brochamos todas as vezes que tentamos brincar de namorar. No início da nossa carreira, dividíamos a cama de casal de Guilherme Araújo em Sampa. Todas as noites eu tentava seduzi-la com um disco do Bob Dylan e papo-furado. Ela sempre resistiu e terminávamos as noites às gargalhadas. Acho que na época dos Doces Bárbaros, na Bahia, nós tentamos fingir que íamos namorar no hotel onde ela estava hospedada. Foi legal porque aí a vi nua como ela aparece em algumas dessas fotos bonitas e carinhosas que a Marisa fez. Tomando banho. Gal é linda. Tem uma boca linda e é magnifico que por essa boca saia exatamente essa voz. Sempre a senti mulata e uma das coisas melhores de ela ter cortado agora os cabelos e tirado essas fotos nuas é a revelação de sua mulatice. São deslumbrantes sobretudo onde a bunda aparece de perfil, bem negra e bem dura. Há muita alegria física e muita dignidade nesse corpo de mulher madura e menina. eu não sou leitor (voyeur) dessas revistas de nua. Raramente olho, sem muito interesse, essas publicações. Parece que eu não tenho tempo pra isso - é como jogar baralho ou assistir futebol pela TV. Me entedia. Um dia Regina Casé me pediu um conselho se devia ou não liberar fotos suas para uma dessas revistas e eu não soube dar. Gal também me perguntou e eu disse: sou indiferente. Não me sinto, no entanto, indiferente diante de todas as fotos de mulher nua (ou homem nu) que eu vejo. No caso de Gal, especialmente eu sinto mil emoções relacionadas com o encontro de extensões daquela qualidade essencial que um dia eu percebi na sua voz." 

                                                                                        CAETANO VELOSO




1985
Revista Amiga
n° 764 – 9 de janeiro de 1985

























































































































































29/12/1985


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