martes, 30 de octubre de 2018

1965 - MOLEQUES DE RUA


























Categoria: Curta-metragem / Sonoro / Não ficção
Material original: 35mm, BP, 24q
Data e local de produção: Ano: 1960 – BR
Produção: Glauber Rocha
Direção de produção: Fernando Lona
Assistência de produção: Jurandir
Argumento/roteiro: Álvaro Guimarães
Direção: Álvaro Guimarães
Assistência de direção: Jurandir
Direção de fotografia: Valdemar Lima
Assistência de fotografia: Efigenio Matos
Fotografia de cena: Angelo Sá
Montagem: Caetano Veloso

Direção de arte
Cenografia: Valdemar Lima

Identidades/elenco:
Sonia Noronha
Aidil Linhares
Mirian Tourinho
Betania Veloso
Nice

Fontes utilizadas: JCB/BTC
Suplemento Diário de Notícias, Salvador-BA, 07.04.1963, p. 3.
Fontes consultadas: LFM/DCB

Observações:
LFM/DCB, p.164, indica curta realizado em 1962.

Suplemento Diário de Notícias indica os "pequenos": Raimundo; Dino; Osvaldo; Milton; Agapito; e Manoel.


29/6/1965






sábado, 27 de octubre de 2018

1971 - VOLTA AO BRASIL


                                                                                              Reprodução / Instagram
27/10/2018 - “Em nome de Thereza Aragão, Violeta Arraes, meu pai, meu irmão e todos os meus amigos que foram exilados”.

[Maria Bethânia, 27/10/2018] 













 










 
 
 







9/2/1971 - JORNAL DO BRASIL



JORNAL DO BRASIL 


1971
O PASQUIM
Não é Irene mas dá sua risada
N° 84
Rio, de 11 a 17 de fevereiro de 1971

Fotos: Luiz Carlos Maciel

EU ESTOU AQUI
Caetano nu e cru


2018 - OFERTÓRIO - Pernambuco



Caê mostrou-se mostrou orgulhoso ao falar que Zeca era estreante no palco e até cantarolou uma cantiga que Gilberto Gil teria feito para Moreno [Cantiga de ninar Moreno] quando ele era criança. “Ninguém sabe dessa música”, explicou Moreno e Caetano, em resposta, “Eu sei”, arrancando risos da plateia. O público estava concentrado. 

Guardou silêncio durante as histórias contadas, cortado apenas por alguns gritos de manifestações políticas.''


DIARIO DE PERNAMBUCO

'O Recife é um dos lugares que mais amo nesse mundo', diz Caetano Veloso durante show em Pernambuco

O músico baiano se apresentou ao lado dos filhos, no Teatro Guararapes

Por Caio Ponciano

17/09/2018

No último sábado (15/9), o cantor Caetano Veloso desembarcou em Pernambuco com os filhos Moreno, de 45 anos, Zeca, 26, e Tom, 21, para apresentar a bem-sucedida turnê, que leva o nome dos quatro: Caetano Moreno Zeca Tom Veloso. Com ingressos esgotados, o show foi realizado no Teatro Guararapes, em Olinda. As músicas Alegria, alegria e O seu amor deram início à apresentação. Logo depois do samba Boas-vindas, feita para o nascimento de seu segundo filho, Caetano cumprimentou o público. "O Recife é um dos lugares que mais amo nesse mundo", disse, antes de anunciar o mais recente sucesso, Todo homem, composto e cantado em falsete por Zeca.

Fugindo do roteiro e surpreendendo até os próprios filhos, Caetano puxou uma canção, nunca antes gravada, feita por Gilberto Gil para Moreno Veloso, ainda criança. Em determinado momento, o eterno tropicalista revelou que Tom diz não gostar de cantar, mas aprecia músicas sofisticadas. "Eu canto, mas meu pai vai me ajudar", respondeu o caçula, antes de mostrar seu timbre nas faixas Clarão e De tentar voltar. A apresentação seguiu com A tua presença morena e Um só lugar, composição de Tom Veloso e Cézar Mendes. Durante a canção Alexandrino, Tom deixou a timidez de lado e arrancou gritos do público ao dançar funk. Os sucesos Oração ao tempo e Alguém cantando deram continuidade ao show.

Quando a apresentação já chegava na metade, Caetano falou da religiosidade dos filhos e revelou que, apesar de se considerar agnóstico, compôs uma letra religiosa a pedido de sua irmã Mabel. A faixa ganhou o nome de Ofertório, título dado ao CD e DVD do quarteto, lançado em maio. Um dos pontos altos foi durante a música Reconvexo, eternizada na voz de Maria Bethânia, e cantada em coro pelo público.

Outro sucesso de Caetano, O leãozinho, ganhou uma nova versão por Moreno. "Até que ela é bonitinha", brincou o primogênito. Além de ser uma homenagem à memória de Dona Canô (1907-2012), essa turnê também é dedicada às mães dos meninos. Por este motivo, o músico baiano incluiu no repertório as faixas Ela e eu, que ele compôs para a sua primeira esposa, Andreia Gadelha, mãe de Moreno, e Não me arrependo, feita para Paula Lavigne, mãe de Zeca e Tom, e sua atual companheira.

Perto do final do show, Moreno cantou Um canto de afoxé para o bloco do Ilê, que ele fez aos 9 anos, e Caetano cantou Força estranha e o samba de roda em inglês, How beautiful could a being be. Antes de se despedirem, Moreno puxou "Lula livre", sendo acompanhado pela multidão que ocupava o teatro. O show terminou com Tá escrito, sucesso eternizado pelo Grupo Revelação, e os Veloso agradecendo os incansáveis aplausos da plateia.



Fotos: Pedro Pereira /Vagalume Comunicação













viernes, 26 de octubre de 2018

2018 - OFERTÓRIO - Fortaleza




Caetano Veloso: Inventivo e contínuo

De volta a Fortaleza, Caetano Veloso comenta a turnê que divide com os filhos e declara que teme pela qualidade da democracia brasileira

26/10/2018


O clã Veloso: Tom, Zeca, Caetano e Moreno - Divulgação

"Temo que a democracia brasileira perca qualidade com essa conjuntura. Mas, quem sabe, talvez estejamos escrevendo certo por linhas muito tortas"
É o que diz Caetano Veloso diante de um Brasil às portas do segundo turno das eleições presidenciais. Sem esconder suas preferências políticas, ele busca tranquilidade na família e se cerca dos filhos na turnê Ofertório, que volta este fim de semana a Fortaleza. Em única apresentação no Centro de Eventos, o show traz o ídolo baiano ao lado de Zeca, Tom e Moreno, e todos apresentam suas experiências em música num encontro de afetos e histórias pessoais.

Em entrevista ao O POVO, por email, Caetano narra esse percurso que saiu de dentro de casa e ganhou os palcos do mundo.


O POVO- Imagino que haja uma diferença grande entre ser um pai presente em casa e sair em turnê com a família. Como tem sido essa experiência?
Caetano Veloso - Pra mim tem sido uma felicidade. Eles já estão crescidos, esse é um jeito de eu ficar mais tempo perto deles. E é uma maravilha que eles cantem e toquem comigo. É bom ver que eles também se sentem bem, se comovem e se divertem.

O POVO - É muito natural que boa parte do público vá ao show querendo ver Caetano Veloso. De que forma você pode apresentar o trabalho dos seus filhos para que o público perceba que este é mais que um show de Caetano Veloso?
Caetano - É um show meu, mas o conteúdo é místico e meus filhos são os raios de uma luz que vem da minha família em Santo Amaro. Além disso, cada um deles é um artista genuíno em si mesmo. Em todos os lugares por que passamos as plateias são tomadas pela atmosfera que emana da nossa turma - e fica extasiada com Zeca cantando Todo homem, Moreno cantando Um passo à frente ou Tom dançando passinho. Também os quatro cantando em vozes O seu amor, de Gil, é um fato cultural que tem valor único. Diz respeito à parte essencial da história da música brasileira moderna. Nós somos a experiência de um momento da vida brasileira que engrandece as pessoas.

O POVO - No texto que você escreveu sobre o novo show, existe muita afirmação sobre o caráter sentimental do projeto, mas você também fala da "responsabilidade de apresentar números com qualidade profissional". Como é hoje sua autocobrança pela qualidade do trabalho? Com o tempo, isso cresceu, diminuiu, se manteve?
Caetano - Escrevi aquilo antes de termos o show ensaiado. À medida que ia ficando pronto, me surpreendi com a dedicação de Zeca e a naturalidade do talento de Tom. Moreno já é profissional há muitos anos, com uma obra refinada. Mas primeiro pensamos que iríamos convidar instrumentistas profissionais pra tocar conosco. Aos poucos, vimos que era mais bonito o som especial que produzimos nós mesmos. Não somos virtuoses, mas fazemos a música com respeito e cuidado. O sentimento dos temas e dos nossos afetos dá intensidade emocional ao que seria apenas correto. E mesmo alguns leves tropeços vêm com seu encanto.

O POVO - O "berço" sempre foi muito presente na sua música. Além de Bethânia, Nicinha esteve nos seus discos, você tem músicas dedicadas a Dona Canô, a Paula Lavigne e a Santo Amaro. Como esses elementos foram costurados no novo show? Isso foi um facilitador na hora de selecionar o repertório?
Caetano - Foi facilitador e também dificultador, porque tem muitas músicas feitas pra Dedé e pra Paulinha, tem muitas feitas para eles e tem muitas sobre meus pais, meus irmãos: o tema da família é abundante em meu trabalho. A questão era fazer um roteiro que tivesse estrutura e passasse pelo tempo como um filme passa.

O POVO - Ainda sobre o repertório, o que foge a essa ideia de celebrar a casa e a família no show?
Caetano - As coisas da vida, o gosto da música. Tom me pediu que cantássemos O seu amor, que pertence ao repertório dos Doces Bárbaros. Achamos que tinha ficado tão bonito que íamos abrir o show com ela. Zeca sugeriu que eu cantasse Alegria, alegria antes. Isso já mudou o show - e já mostra quão abrangente, para além da família, é nosso espetáculo. E há também o mero gosto: Tom e Zeca pediram pra eu cantar o Trem das cores. O cristal vai-se abrindo para mil lados, mostrando planos e arestas diferentes. Quando canto Gente, é ainda celebração de sermos gente real, uma família, mas já é a família humana toda.

O POVO - Passados 50 anos, ainda é comum usar expressões como "eterno tropicalista" para se referir a você. O que você acha desse tipo de expressão? Você se vê assim, como um "eterno tropicalista"?
Caetano - Eu gostaria de ser um eterno tropicalista. Bem, gostaria de ser eterno, de todo modo. O que desbravamos no tropicalismo me trouxe até aqui. Meus filhos nasceram depois de tudo aquilo e são também resultado daquilo tudo. Não haveria o tropicalismo sem Dedé e eu não encontraria Paulinha se não tivesse havido o tropicalismo. Quando Tom toca bem o violão e canta seus próprios versos bem escritos, vejo resultado do que Gil e Mutantes e Duprat e Tom Zé e Gal e eu fizemos entre 1967 e 1968.

O POVO - Lá em 1967, você era capaz de imaginar que, 50 anos depois, ainda estaríamos falando de tropicalismo?
Caetano - Às vezes é capaz que sim. Mas não tinha tempo para pensar em futuro tão longínquo. Eu queria fazer ainda algumas coisas em música e deixar isso para fazer filmes. Aí veio a prisão e veio o exílio e eu, ao fim de três anos de sofrimento, já não tinha forças para mudar a direção da minha vida. E a música é uma coisa muito forte entre nós brasileiros.

O POVO - Seu show acontece na véspera de um segundo turno que será disputado por dois candidatos com pensamentos bem distintos. Que leitura você faz desse momento histórico e quais suas expectativas para o Brasil a partir de 2019?
Caetano - Neste momento, preparo-me para votar em Haddad. Votei em Ciro Gomes no primeiro turno. E gostaria que Lula tivesse se abstido de se dizer candidato e de ter candidatura própria do PT. Bolsonaro, embora seja um fenômeno genuíno dentro da sociedade brasileira, representa ideias opostas às que me interessam. Temo que a democracia brasileira perca qualidade com essa conjuntura. Mas, quem sabe, talvez estejamos escrevendo certo por linhas muito tortas. Eu tenho fé no Brasil e não deixei de ter porque essas tensões se apresentam.

Show Ofertório 
Quando: sábado, 27/10, às 20 horas
Onde: Centro de Eventos (av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz)
Quanto: R$ 160 (arquibancada), R$ 200 (plateia B) e R$ 260 (plateia A) - Preços de inteira. À venda nas lojas Feitiço e Aliança de Ouro







A política do afeto
Pela segunda vez, Ofertório emocionou o público no Centro de Eventos

30/10/2018


AO LADO dos filhos, Caetano Veloso voltou a Fortaleza com o show Ofertório
 Maria Clara Medeiros / Especial para O POVO

Quem esperava muitos "ele não" na noite do último sábado, 27, véspera da eleição, deve ter saído decepcionado do Centro de Eventos. Na segunda passagem da turnê Ofertório por Fortaleza, a maior parte dos comentários políticos foi feita pelo público, que não se furtou o direito de usar camisas, adesivos e puxar palavras de ordem. Já no palco, Caetano Veloso e seus filhos Zeca, Tom e Moreno contaram histórias que saíram de Santo Amaro da Purificação e ganharam o mundo. Ainda assim, na hora do bis, sozinho no palco, Moreno puxou o assunto com um "primeiramente, ele não" e se disse do orgulho de ter antepassados cearenses.

O tom de Ofertório era outro. Caetano e os filhos falaram de muitos brasis, de família, de respeito, da Bahia, do Rio de Janeiro, do mundo todo. Logo na abertura, Alegria Alegria transportou o público - que encheu o espaço sem aperto - para o fim dos anos 1960, tempos de ditadura e tropicalismo, de festivais de música, luta por democracia, contracultura e sol nas bancas de revista. Seguindo o roteiro, que já foi registrado em CD e DVD, a canção foi a largada para uma grande viagem entre muitas memórias.

Em entrevista ao O POVO, publicada no dia do show, Caetano contou que chegou a cogitar a presença de músicos profissionais em Ofertório. No fim, a ideia foi dispensada e figuram apenas ele e os filhos em cena, com suas qualidades e limitações técnicas. Abraçados por um lindo cenário de Hélio Eichbauer, que remete a Guimarães Rosa e cresce os sentidos com iluminação impecável, os quatro estavam à vontade para conversar sobre religião, gostos musicais e outros temas, à medida que emendavam Trem das Cores, Deusa do Amor, A Luz de Tieta, Alguém Cantando e Genipapo Absoluto. Muitas delas acompanhadas de histórias sobre como e quando nasceram.

Mesmo sem sair do roteiro (e sendo a segunda passagem por Fortaleza), o público não deixou de aplaudir os momentos mais esperados do show. Zeca Veloso garantiu a concentração em Todo Homem e ainda tentou ensaiar uns passos duros de samba. Tom fez a dança do passinho em Alexandrino, antes de sentar e entornar uma garrafa inteira de água. Moreno também sambou ao lado do pai e era o mais sorridente dali. E Caetano, visivelmente rouco, exalava a sobriedade da experiência e a realização de estar ao lado dos filhos. Orgulhoso, mas discreto, em muitos momentos, era possível vê-lo atento aos movimentos deles, como se fosse um jurado do The Voice. Mas ali ninguém seria "excluído do programa", já que Ofertório é uma bela cerimônia familiar, uma passagem de bastão para uma nova geração de compositores que, como disse Moraes Moreira em 1980, "vai botar pra quebrar lá pelos anos 2000".




jueves, 25 de octubre de 2018

2018 - ATO DA VIRADA







23/10/2018
Haddad faz ato da virada no Rio com Chico e Caetano e reúne multidão nos Arcos da Lapa

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Caetano Veloso, Chico Buarque, Mano Brown e mais 70 mil pessoas com Haddad no Rio

A virada da democracia começa nos Arcos da Lapa
23 de outubro de 2018

Fernando Haddad, o candidato da democracia, foi abraçado por milhares de pessoas nos Arcos da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (23/10). Ao lado de sua vice, Manuela D’Ávila, e de sua esposa, Ana Estela Haddad, nosso candidato foi recebido por Chico Buarque, Caetano Veloso, Antônio Pitanga, Leonardo Boff, Marieta Severo, Criolo, Mano Brown e mais 70 mil pessoas.





Jornal do Brasil - Foto: Bruno Kaiuca

Fernando Haddad participa de comício no Rio com a vice Manuela D'avila e os compositores Chico Buarque e Caetano Veloso - Foto: RICARDO MORAES / REUTERS

Arcos da Lapa, Rio de Janeiro; Chico Buarque, Manuela D'Avila, Fernando Haddad e Caetano Veloso - Foto: Bruno Kaiuca / Jornal do Brasil







VEJA

24 out 2018

Ao lado de Haddad, Mano Brown critica PT e diz que não espera virada

Evento foi organizado para demonstrar apoio da classe artística à candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República

Por Redação


Caetano Veloso, Mano Brown, Fernando Haddad e Chico Buarque em ato de artistas em apoio ao presidenciável do PT, no Rio - 23/10/2018 (Ricardo Stuckert/Divulgação)


Em ato para demonstrar apoio da classe artística à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República, na noite desta terça (23/10), no Rio, o rapper Mano Brown criticou o clima de festa e culpou a falha de comunicação do partido com os eleitores das classes populares pela eventual eleição de Jair Bolsonaro (PSL), que considera definida.

“Falar bem do PT para a torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que não está aqui que precisa ser conquistada”, disse o cantor e compositor no palco montado nos Arcos da Lapa, ponto turístico do bairro boêmio do Centro da cidade.

“Não tá tendo (sic) motivo para comemorar. Tem, sei lá, quase 30 milhões de votos para alcançar. Não temos nem expectativa nenhuma para alcançar, para diminuir essa margem. Não estou pessimista, estou realista”, disse ele. “Se em algum momento a comunicação do pessoal aqui falhou, vai pagar o preço. Porque a comunicação é a alma. Se não está conseguindo falar a língua do povo vai perder mesmo”, afirmou. “Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base.”

“Não vim aqui para ganhar voto, porque eu acho que já está decidido”, completou.

Presente no evento, o cantor e compositor Caetano Veloso, apoiou o colega: “Eu acho que a fala de Mano Brown é muito importante, porque traz a complexidade do nosso momento”. Além deles, Chico Buarque também estava no comício.

Ao discursar, Haddad disse que entendia e respeitava as críticas de Brown. “O que ele disse é sério”, afirmou, defendendo que é preciso “dar razão” às pessoas que estão votando no rival não porque confiam nele, mas porque “estão desesperadas”. “Temos que, nesta semana, abraçar essas pessoas, que sempre estiveram conosco”, afirmou o petista.

Apesar da fala de Brown, Haddad deu um tom otimista para a reta final da campanha eleitoral. No encerramento do evento, o petista disse sentir, “desde ontem (segunda-feira)”, um clima de “virada” no ar, defendeu que se “abrace” o eleitor de baixa renda que sempre votou no PT.

A mais recente pesquisa Ibope, divulgada na noite desta terça, mostrou que diferença entre os dois presidenciáveis caiu quatro pontos porcentuais. Além disso, a rejeição ao capitão da reserva subiu enquanto a convicção de votos diminuiu.

“Vamos ganhar a eleição. Não tenho dúvida”, afirmou o ex-prefeito de São Paulo. “Bolsonaro disse em discurso transmitido na Avenida Paulista no domingo que, depois das eleições, eu teria dois destinos: a prisão ou o exílio. Resolvi derrotar Jair Bolsonaro no domingo”, disse.




Em comício no Rio, Mano Brown critica PT e é defendido por Chico e Caetano


Rapper disse não gostar de 'clima de festa' e chegou a ser vaiado por parte do público 


Chico Buarque e Caetano Veloso durante ato em apoio a Fernando Haddad (PT) no Rio de Janeiro. Eles defenderam o rapper Mano Brown (ao fundo) de críticas feitas ao partido - Mauro Pimentel/AFP
O rapper Mano Brown quebrou o clima festivo do comício de Fernando Haddad na noite desta terça (23/10). Em um discurso de pouco mais de três minutos, ele disse achar que a eleição já estava decidida e disse que se o PT "não conseguiu falar a língua do povo, tem que perder mesmo". Diante de Fernando Haddad, ele criticou a falha de comunicação da campanha.

"Vim apenas me representar. Não gosto de clima de festa. A cegueira que atinge lá, atinge aqui também. Isso é perigoso. Não tá tendo clima pra comemorar", disse o cantor, que calou o público nos arcos da Lapa.

"Tá tendo quase 30 milhões de votos pra tirar. Não estou pessimista. Sou realista. Não consigo acreditar, pessoas que me tratavam com carinho se transformaram em monstros. Se em algum momento a comunicação falhou aqui, vai pagar o preço. A comunicação é a alma. Se não conseguir falar a língua do povo, vai perder mesmo.

Falar bem do PT para torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que precisa ser conquistada ou vamos cair no precipício. Tinha jurado não subir no palanque de mais ninguém", acrescentou Brown.

O rapper chegou a ser vaiado por parte do público, mas foi até o final.
"Não vim aqui ganhar voto. Acho que já tá decidido. Se errou, tem que pagar mesmo", afirmou o cantor.

"Não gosto do clima de festa. O que mata a gente é o fanatismo e a cegueira. Deixou de entender o povão, já era. Se somos o Partido dos Trabalhadores, tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar entender. As minhas ideias são essas. Fechou", completou.

O público ensaiou uma vaia à fala de Mano Brown. Caetano Veloso pegou o microfone e saiu em defesa do rapper.

Segundo Caetano, o discurso de Brown representa a complexidade do momento. Caetano disse que o país vive a "imbecilização da sociedade" e concordou com Brown que não seria hora de festa. "A fala do Mano traz a complexidade do momento".

O Brasil tem sido bombardeado há décadas por discursos de sociólogos que usam palavrões em suas análises e apostam na imbecilização da sociedade. Temos que encontrar meios de dizer a esses eufóricos [eleitores do Bolsonaro] do perigo à democracia. Me oponho a 'cafajestização' do homem brasileiro", disse. Caetano declarou apoio a Haddad na semana passada após ter declarado voto em Ciro Gomes (PDT) no primeiro turno.

Chico Buarque também aproveitou seu discurso para defender Mano Brown. Segundo o cantor, ele entende o sentimento de Brown, mas afirmou que ainda acredita na vitória de Haddad no segundo turno.

"Eu entendo o Mano Brown, tendo a concordar, sei que vai ser difícil, mas eu ainda acredito ser possível", disse.

Chico disse que pode ocorrer de pessoas que votaram em Bolsonaro no primeiro turno se sensibilizem com discursos agressivos do capitão da reserva e episódios de violência política nas últimas semanas.

"Talvez aqueles eleitores que votaram em Bolsonaro, os chamados coxinhas, se sensibilizem com essa onda de boçalidade, com morte de gays, trans, travestis, mulheres, negros e capoeiras. Quem sabe o povo pobre, que votou em Bolsonaro, contra si mesmo porque a proposta dele vai contra essas pessoas, mude de ideia na hora do voto. Não queremos mais mentira, não queremos mais a força bruta. Queremos Fernando e Manuela", disse ele, seguido de gritos de "eu acredito" do público. 

Com informações da Folhapress.