miércoles, 13 de diciembre de 2017

2017 - INFINITIVAMENTE PESSOAL - CAETANO VELOSO E SUA VERDADE TROPICAL





SINOPSE

Em sua vastíssima produção cultural, Caetano Veloso sempre teve uma aptidão para fundir questões privadas com discussões públicas. Um dos ícones do Tropicalismo, ele sempre apresentou formas originais para se discutir e interpretar o Brasil e sua cultura.

Neste livro, Rafael Julião busca compreender como a obra do artista lança um olhar original e revelador sobre a cultura brasileira, sobre a força da canção popular e sobre o próprio país.

Para isso, a análise de Rafael Julião multiplica também em um abrangente olhar sobre personagens fundamentais da cultura (brasileira e internacional) do século XX, tais como Carmen Miranda, Roberto Carlos, Chacrinha, Andy Warhol, Fellini, Godard, Chico Buarque, Nara Leão, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Jorge Ben, Mutantes, Gal Costa, Tom Zé, Elis Regina, Paulinho da Viola, João Gilberto, Torquato Neto, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, José Celso Martinez Corrêa e Oswald de Andrade.

Nesse vasto panorama, o livro entrelaça canção popular, cinema, teatro, artes plásticas, literatura, tropicalismo, carnaval, política, ditadura, exílio, luta armada, contracultura, universo pop e muito mais.

Um verdadeiro retrato sobre o Brasil.





JULIÃO, Rafael. Infinitivamente pessoal: Caetano Veloso e sua Verdade Tropical. Editora Batel. 2017: 1ª Edição.



2018 - DOCES BÁRBAROS


Caetano, Bethânia, Gal e Gil não se desgrudavam na época - Foto: Divulgação


ACONTECE

Maria Bethânia não descarta volta dos Doces Bárbaros: "Eu adoraria"

Cantora sente saudades dos shows com Gil, Gal e Caetano


Por: Bruno Brandão
25/11/2017 

A cantora Maria Bethânia surpreendeu ao falar sobre os "Doces Bárbaros", grupo formado por ela, Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil, nos anos 70. 

Durante entrevista para o Diário Catarinense, ela confessou que adoraria ver esse retorno, embora ela ache que a diferença na agenda impossibilite o reencontro. "Ah, eu adoraria! Tenho muita vontade, fico inventando histórias, quero que a gente cante no show da (escola de samba) Mangueira, do qual já fomos enredo (em 1994)… Mas é difícil, cada um com uma agenda muito grande, muito diversa. Quem sabe? Milagres acontecem!, respondeu ao jornalista Emerson Gasperin.




O GLOBO

Coluna GENTE BOA

Show de verão da Mangueira pode ter Caetano, Bethânia, Gal e Gil

por Cleo Guimarães
06/12/2017

Os Doces Bárbaros | Acervo O Globo
Se depender de Maria Bethânia, o “show de verão” que a Mangueira faz todos os anos com o objetivo de arrecadar fundos para o seu desfile, desta vez reunirá os Doces Bárbaros — ela, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Eles foram tema do carnaval da verde e rosa de 1994 e têm um carinho especial pela escola e pelo samba daquele ano (“Caetano e Gil ôô / Com a tropicália no olhar... No Teatro Opinião / Bethânia explode coração / Domingo no parque amor... A flor na festa do interior / Seu nome é Gal...”). Bethânia vem articulando essa reunião.




Foto:  Antônio Carlos Miguel

martes, 12 de diciembre de 2017

2017 - MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TETO (MTST)







O GLOBO
Um mês após proibição de show, Caetano se apresenta em evento do MTST em SP
Em outubro, a Justiça alegou falta de segurança para show em ocupação do movimento


POR ALESSANDRO GIANNINI

10/12/2017

Caetano Veloso faz show no Largo da Batata em São Paulo - Marcos Alves / Agência O Globo


SÃO PAULO — Depois de ver frustrada a tentativa de se apresentar em uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto (MTST) em São Bernardo do Campo, em outubro, Caetano Veloso transferiu o show para este domingo no Largo da Batata, na Zona Oeste de São Paulo. Com o cantor e compositor baiano se apresentaram Criolo, Maria Gadú e Péricles, entre outros.

Depois de discursos da empresária Paula Lavigne e da atriz Sônia Braga, Caetano abriu o show às 18h24, cantando “Sampa” ao violão, acompanhado de seus principais convidados. Emendou com “Desde que o samba é samba” e, depois, passou a alternar a presença no palco com os outros artistas. No repertório, clássicos como “Quereres”, “Odeio” e “Menino do Rio” — este último em dueto com Criolo.

A concentração começou às 14h. O caminhão onde foi montado o palco estava tocando música gravada. Pouco antes do início da apresentação, uma chuva rápida afugentou parte dos espectadores. Mas o tempo logo melhorou e a praça principal, no largo, foi totalmente ocupada. O policiamento em volta do local era apenas preventivo, segundo a Polícia Militar, que não deu estimativa de público.

Nos bastidores, a atriz Sônia Braga disse que este é um "dia muito importante para a democracia":
— Nós estamos aqui não pelo MTST, estamos aqui por nós mesmos. Porque temos que lutar pela democracia, que está em perigo. Se você não está preocupado com o que está acontecendo, só pode estar louco — disse ela.

O líder do MTST, Guilherme Boulos, agradeceu a presença do público.
— Essa proibição fez com que um show para 7 mil pessoas na ocupação de São Bernardo do Campo se transformasse em um show para 30 mil pessoas no Largo da Batata — disse ele.

Em outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu a realização do show na ocupação "Povo sem Medo", em São Bernardo, em razão de segurança e, também, porque já havia liminar pela reintegração de posse. No seu despacho, a juíza Ida Inês Del Cid disse que "o brilhantismo e a voz inigualável de Caetano" levariam muitas pessoas para o evento e que o local não teria as condições necessárias para garantir a segurança de tantas pessoas. Ela determinou uma multa de R$ 500 mil caso a ordem fosse desobedecida.










Caetano Veloso faz show em ato pelos 20 anos do MTST em SP

Também se apresentaram o rapper Criolo, o sambista Péricles e a cantora Maria Gadu. Discursos criticaram governo federal e a reforma da Previdência.

Por Paula Paiva Paulo e Fábio Tito, G1 SP
10/12/2017 

O cantor Caetano Veloso se apresentou no Largo da Batata, na Zona Oeste de São Paulo, neste domingo (10), em ato que celebra os 20 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O artista cantou com o rapper Criolo, o sambista Péricles e Maria Gadu.

Caetano pretendia cantar na ocupação no Bairro Planalto, em São Bernardo do Campo, no ABC, em 30 de outubro, mas a juíza Ida Inês Del Cid, da 2ª Vara da Fazenda Pública da cidade, proibiu o show. Em sua decisão, ela disse que a ocupação não possuía "estrutura a suportar show, mormente para artistas da envergadura de Caetano Veloso, um dos requeridos nesta ação”.


Caetano e Maria Gadu tocam em show do MTST no Largo da Batata
Foto: Fábio Tito/G1


"É um momento histórico ter artistas como Caetano Veloso e todos que virão fazer um evento público como esse de apoio à luta do MTST”, disse ao G1 o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, antes do início da apresentação.

“Um reconhecimento da legitimidade da mobilização dos sem-teto. Um reconhecimento da força que essa mobilização ganhou na sociedade e, no nosso caso, é a melhor maneira de comemorar os 20 anos do movimento", acrescentou.


Público encheu o Largo da Batata para ver o show de Caetano Veloso e convidados
Foto: Fábio Tito/G1


Show

Caetano abriu o show por volta das 18h20 com "Sampa", música que homenageia a capital paulista, e emendou com "Desde que o samba é samba", outro clássico de sua autoria.

Ao lado de Maria Gadu, cantou "O quereres", música de abertura da novela "A Força do Querer", da TV Globo. Caetano também agitou o público com "Alegria, alegria", "Leãozinho", entre outros sucessos.

O show terminou pouco depois das 20h10 com a canção "Tieta".


Caetano (ao centro) ouve leitura de carta por Sônia Braga
Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo

Discursos

A produtora Paula Lavigne, do Movimento 342 Artes (um dos idealizadores do evento), abriu a rodada de discursos agradecendo a juíza que proibiu o show na ocupação. Segundo ela, a decisão possibilitou involuntariamente a realização de um ato maior na capital.

Em seguida, Boulos assumiu o microfone e criticou o governo federal e a reforma da Previdência. “Não contentes com tudo que têm feito no Brasil, querem aprovar uma reforma que tira o direito à aposentadoria do povo brasileiro. E nós não podemos permitir”, disse.

“Foi a intolerância, como disse a Paula [Lavigne], que proibiu o show do Caetano na ocupação. (...) O que eles conseguiram é que o show do Caetano, que ia ser pra 7 mil pessoas em São Bernardo, virasse um show para mais de 30 mil pessoas no Largo da Batata”, acrescentou.

Depois, a atriz Sônia Braga leu uma carta sobre os direitos humanos. Após sua apresentação, a cantora Maria Gadu gritou "Fora, Temer" duas vezes. O público ecoou a crítica ao presidente da República diversas vezes.

A líder indígena Sônia Guajajara subiu no palco e ficou ao lado de Caetano durante a execução de “Um Índio”. Em seguida, ela falou em nome de minorias e puxou o coro de “demarcação já”.


Caetano canta 'Um Índio' ao lado da índia Sônia Guajajara durante festa dos 20 anos do MTST - Foto: Fábio Tito/G1

Criolo se diverte no canto do palco durante show de Caetano no Largo da Batata (Foto: Fábio Tito/G1)

Sônia Braga, Caetano Veloso, Maria Gadú e Criolo agradecem ao público no final do show pelos 20 anos do MTST (Foto: Fábio Tito/G1)




Público começa a chegar a ato do MTST (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)




Música

Em ato do MTST, Caetano deixa discurso de lado por show de tom amoroso

Tiago Dias
Do UOL, em São Paulo
10/12/2017


Caetano Veloso chega ao Largo da Batata para o ato-show nos 20 anos do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) Imagem: Marcelo Justo/UOL


No show que encerrou as comemorações de 20 anos do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), Caetano Veloso resgatou canções históricas de 1967, que inauguraram o movimento tropicalista e canalizaram o sentimento da contracultura na época da Ditadura.

"Alegria Alegria" e "Tropicália" foram cantadas em uníssono pelo público que tomou o Largo da Batata, em São Paulo, neste domingo (10), para comemorar o aniversário do movimento, mas o paralelo entre a época e o Brasil de 2017 ficou restrito apenas à música.

Sem fazer qualquer discurso, Caetano deixou para a plateia o coro de “Fora, Temer”. No refrão de “Odeio”, canção sobre o fim de um relacionamento, como de praxe o público respondeu: "Odeio você, Temer". Segundo Guilherme Boulos, coordenador do MTST, havia 30 mil pessoas no local.


Caetano Veloso com a líder indígena Sônia Bone Guajajara
Imagem: Reprodução/Facebook


No momento mais forte da apresentação, enquanto Caetano cantava "Um Índio", a líder indígena Sônia Bone Guajajara fez um discurso a favor dos sem-teto e da demarcação de terras indígenas: "É a nossa missão tirar das mãos das grandes cooperações esse poder podre que eles têm na mão. Nós podemos lutar pelo direito de lutar e existir."

A presença de Guajajara, junto com “Podres Poderes”, cantado em seguida, foi o momento mais explicitamente político de um show que privilegiou mensagens mais amorosas e manifestos à beleza do Brasil, entremeada por músicas de Criolo, Maria Gadú e Péricles. O ex-Exaltasamba cantou "Eu e Você Sempre" e resumiu o tom da apresentação: "Vamos falar de amor, o mundo está precisando."

Enquanto “Tigreza” e “Vaca Profana” eram cantadas como eco do movimento feminista, em peso no show, “Gente”, com o verso “gente é para viver, não morrer de fome”, trazia à tona as preocupações de um artista sempre muito crítico à esquerda, mas que recentemente tem participado de forma mais ativa de movimentos sociais.
“Minha primeira motivação para colocar-me à esquerda se mantém até hoje: a horrenda desigualdade da sociedade brasileira”, ele diz no capítulo que introduz o relançamento de seu livro, “Verdade Tropical”. “E só faz exacerbar-se no clima dos meses recentes, em que o horror dos conservadores finge se dirigir à corrupção quando é nojo e medo dos pobres, pretos e desorganizados, além de impaciência com estes.”

Convidado do show, Criolo pulou no trio durante toda a apresentação e atiçou a plateia: "Uma salva de palmas para o maloqueiro Caetano", pediu. Vestindo trajes de estilo urbano da Lab, marca de roupas do rapper Emicida, o cantor e compositor de 75 anos sorriu.

No final de “Força Estranha”, após os versos “Por isso é que eu canto, não posso parar, por isso essa voz tamanha”, no entanto, olhou para a plateia que o acompanhava e disse incisivamente: “Esta é a voz”.






Show foi impedido na Justiça

Vestindo a camiseta dos 20 anos do MTST, a empresária Paula Lavigne acompanhou todo o ato com o celular na mão.

Ela é o nome por trás da apresentação, que aconteceria no dia 30 de outubro, na ocupação da Frente Povo Sem Medo, em um terreno de quase 70 mil m² que abriga cerca de oito mil famílias em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Paula e Caetano chegaram a ir ao local, mas foram impedidos se apresentar por determinação da Justiça. Caetano reagiu: "Não sei dizer se foi censura, não sou um técnico. Mas dá impressão de que não é um ambiente democrático", disse. "Pode ser um modo de reprimir uma ação que seria legítima."

Ao lado das atrizes Sonia Braga, Aline Moraes e Marina Person, Paula fez um breve discurso antes da apresentação: "Promessa feita, promessa cumprida. Quero agradecer apenas a juíza que impediu o show em São Bernardo. Você nos deu força, nos deu garra e determinação", disse.

viernes, 8 de diciembre de 2017

2003 - Revista ELLE


Terça, 6 de maio de 2003.

A revista Elle comemora 15 anos no Brasil com exposição




Criada por Paulo Borges, uma exposição comemora 15 anos da revista Elle no Brasil.

O evento, que foi inaugurado no Shopping Iguatemi, em São Paulo, é o primeiro de uma série de comemorações do aniversário.

A exposição conta a trajetória da moda brasileira, através de reportagens que estiveram presentes nas 180 edições da revista.

Composta de painéis, biombos e cubos iluminados, a exposição mostra imagens das capas e de celebridades que já fizeram parte de matérias.

Entre as personalidades retratadas estão Xuxa, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil, João Gordo, Glória Maria, entre outros.


Caetano Veloso e Gilberto Gil são destaques da exposição 
Foto: Reinaldo Marques/Redação Terra

A exposição fica em cartaz até o dia 18 de maio. O horário de funcionamento é de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h.


















Caetano Veloso já exibiu um estilo despojado na Elle
Foto: Reinaldo Marques/Redação Terra



2001 - A MELHOR BANDA DE TODOS OS TEMPOS DA ÚLTIMA SEMANA


Em 2001, os Titãs assinaram com a Abril Music e estavam prestes a iniciar a gravação de mais um trabalho. Porém, no dia 11 de Junho de 2001, o guitarrista Marcelo Fromer foi atropelado por uma moto em São Paulo e morreu dois dias depois.

Pensou-se na época que a morte de Fromer seria o fim da banda. João Augusto, então diretor da Abril Music, chegou a declarar que concordaria com qualquer decisão, caso a banda anunciasse uma possível separação. Porém, eles decidiram seguir em frente.

Fromer era o responsável pela guitarra base da banda. Com o início das gravações de A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, houve dúvidas sobre a gravação: Tony Bellotto, guitarrista solo, pensou em gravar todas as guitarras do disco, porém mudou de ideia. Chegou-se a propor que Paulo Miklos e Branco Mello se revezassem no instrumento, porém a decisão final foi convidar o músico Emerson Villani, que já tinha tocado com a banda durante alguns shows e turnês, inclusive substituindo Marcelo no ano de 1998, quando ele foi convidado para comentar a Copa do Mundo FIFA de 1998 pelo canal SporTV.

O repertório permaneceu inalterado: as 16 faixas já haviam sido escolhidas antes da morte de Fromer.



Quarta, 03 de outubro de 2001

Quarentões, Titãs não querem carregar rótulo adolescente

Ricardo Ivanov / Redação Terra


Titãs novamente reunidos: Miklos acha que Fromer teria dado um "pito" nas carreiras solo do grupo. - Foto: Alexandre Tahira / Terra


Em uma casa noturna bem gueto na Avenida Rio Branco, a Green Express, em pleno centro velho de São Paulo, o grupo Titãs fez sua volta depois de férias solo e recente morte de Marcelo Fromer. De gravadora nova, a Abril Music, depois de um casamento longuíssimo com a Warner, lançam Titãs A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana. A idéia do título é ironizar as listas de "melhores" que a imprensa gera, influenciando o público, e até auto-ironizar a própria banda, que vive nessas listas, querendo ou não. Sem a presença de Tony Bellotto, que saiu correndo para o Rio logo no começo da coletiva para a estréia de seu filme, Bellini, foram unânimes ao afirmar que o CD foi um "desafio da reinvenção, como um novo debute".

Sentados à frente de enormes caixas de som amarelas - em um cenário que mais parecia o palco de um show do Van Halen na década de 80 com David Lee Roth -, os cinco integrantes se esforçavam para não rir das perguntas dos jornalistas. Rodados, esperavam as boas e velhas questões sobre a banda. Logo de cara tiveram de justificar os supostos temas adolescentes nas letras do novo álbum: "Não vemos desta maneira. É um mal-entendido. Sentir-se deslocado, com dificuldades de adaptação ao dia-a-dia, não é um privilégio dos adolescentes. Isso é algo que podemos ter a vida inteira. Você pode ser um pai de família e não se encaixar", explicou Sérgio Britto, de óculos escuros e boné virado para trás.

Com 2 milhões de cópias vendidas do Acústico, mais 1 milhão do Volume 2 e 400 mil das Dez Mais, Titãs a Melhor Banda... quer ser mais autoral, com uma volta às guitarras e distância de violões e arranjos de cordas. "Nos sentimos recompensados com os discos anteriores", disse Branco Mello. Para eles, esses trabalhos foram sucessos artísticos e comerciais. Nando Reis até dissipou a fama de preguiça que poderia estar pairando sobre a cabeça titã: "As pessoas pensam que com esses três discos não trabalhamos, que foi fácil. Não foi. Excursionamos muito". O baixista, cantor e compositor da banda era o mais inquieto em sua cadeira e falava pouco para não espetar muito os jornalistas. Para Mello, os Titãs não tinham escolha a não ser gravar um novo CD de inéditas.

Fromer no disco
A nova empreitada vem recheada com 16 músicas, todas pinçadas antes da morte de Fromer. A guitarra do ex-integrante morto em um acidente de trânsito este ano não consta no CD. Os Titãs até pensaram em usar parte do material gravado na demo do disco, mas tecnicamente foi impossível. No CD e ao vivo a segunda guitarra está nas mãos de Emerson Villani, que os Titãs se apressam em dizer que não substituiu o amigo. "Somos seis, mas no palco vão ser oito. Logicamente o Villani foi escolhido porque tem a ver com a banda, não poderia ser só um músico contratado", explica Nando. O outro integrante no palco é um percussionista.

Marcelo Fromer, aliás, ganhou voz nessa volta do grupo. Miklos: "Fico imaginando o que o Marcelo diria e ele certamente estaria dando um tremendo pito em nossas carreiras solos, perguntando 'E a banda? Como é que é? Cadê ela?'". Essa parece ser a realidade atual dos seis membros: ou voltam, ou voltam. E juntos, cada um deles parece mais forte, resistente às críticas, aparados por uma longa carreira de êxitos, mas também fracassos retumbantes.

A escolha do repertório seguiu a idéia do consenso. "O pessoal tem uma produção grande", diz o baterista Charles Gavin. "No final das contas, se há uma discussão interminável, partimos para uma simples votação. Mas mesmo assim, depois disso, nós continuamos a discutir, pois as pessoas não se conformam", finaliza. Para Nando, no fundo, tenta-se fazer um equilíbro de estilos, que forma a cara dos Titãs.

Titãs, já nas bancas
Uma das novidades (que ganhou caráter real de novidade com Lobão, um ano atrás), é que o disco será vendido em bancas de jornais, encartado com uma pseudo-revista - uma lei proibe que se venda CDs nesses locais, a não ser que ele seja uma espécie de "brinde" de uma publicação editorial. "Achamos esquisito no início, mas depois gostamos da idéia. Tem lugares no Brasil em que não se tem realmente lojas de disco, mas uma banca sim", argumenta Gavin. Além disso, o preço do disquinho vai ter valor máximo sugerido de R$ 19,90 (ou R$ 20, para quem não se incomoda com 10 centavos). Desta forma, a chance do grupo vender como água é gigantesca, mesmo se o disco não for bem aceito pela crítica.

"Não é o momento para trabalhos solo. Já passamos essa etapa, agora estamos juntos", diz Mello sobre a pergunta de projetos paralelos. "Queremos voltar com tudo", acrescenta Miklos. No entanto, Branco lança logo mais um CD de rock'n'roll para crianças chamado Eu e Meu Guarda-Chuva, que estará nas bancas pela Editora Globo. A ligação com faixas etárias foi um dos pontos da entrevista e Gavin se saiu melhor com essa: "Vi vovôs e netos em nossa platéia. Todos nós aqui já estamos perto dos 40 e quem não fez, já deveria ter feito", brincou. Nando finalizou ressaltando que a família de Fromer está com dificuldades em prosseguir com as investigações que apuram as causas da morte do guitarrista. "Nos acostumamos com isso no Brasil, mas temos que fazer alguma coisa".


Os Titãs lançam o novo disco no dia 18 de outubro no Credicard Hall, em São Paulo, e no dia 1º de novembro no Canecão, Rio.


                                                                       Alexandre Tahira / Terra
São Paulo, 2 de outubro de 2001
Titãs encaram novo CD como volta ao básico do grupo e um novo desafio

Alexandre Tahira / Terra
São Paulo, 2 de outubro de 2001
 "O pessoal tem uma produção muito grande", disse Charles Gavin sobre os Titãs e escolha do repertório do novo CD


Alexandre Tahira / Terra
São Paulo, 2 de outubro de 2001
Nando Reis, que disse que a banda não parou de trabalhar nos tempos do Acústico



“Nós perdemos o Marcelo no primeiro dia de gravações, o que simplesmente destruiu a todos. Todo o trabalho parou. Parecia que o mundo inteiro havia parado. Mas depois de uma semana os Titãs decidiram que tinham que continuar. A melhor maneira de lidar com a tragédia foi trabalhar muito duro. Era o que Marcelo nos diria para fazer, e todos sabiam disso. Mas foi muito difícil naquelas condições. Para mim, particularmente, uma das razões foi que toquei várias partes de guitarra que eram do Marcelo. As partes mais rock. Eu havia assistido todos os ensaios, sabia as músicas e como o Marcelo as tocava. Foi muito estranho fazer aquilo. Normalmente não gosto de tocar em álbuns que estou produzindo, mas parecia ser algo que eu tinha que fazer. O Tony não queria tocar as partes do Marcelo. Ele e o Charles me disseram: ‘Jack, se havia alguma hora para você tocar conosco, então esta é a hora’.” [Jack Endino, produtor americano do disco]



CD



 Single





FOLHA DE S.PAULO

20/10/2001

AGORA É COM VOCÊS

Paula Lavigne sentou-se à mesa de som durante toda a apresentação dos Titãs, na quinta.

Não quería perder o controle do espetáculo que produziu. Depois do show, os amigos foram recebidos no 3° andar do Credicard Hall com champanha. “Resolvemos recebê-los em um espaco aconchegante. É normal que as pessoas queiram cumprimentar os músicos depois de um show”. Explicou Paula.

Foi um evento discreto. Tanto cuidado se deveu a um tremendo sufoco: Cuca Fromer, irmã de Marcelo, que morreu este ano, ficou chateada com a notícia de que haveria um “festão” para os convidados. Paula telefonou para ela e disse que não era nada disso. Nando Reis também. Não adiantou, Malu Mader, mulher de Tony Bellotto, ficou tiririca: “Não gosto de fofocas”


19/10/2001 - Paula Lavigne acompanha show dos Titãs, em São Paulo
Foto: Carol Quintanilha / Folhapress






1/11/2001 - Set List do Show - Canecão (RJ)


2001
Revista ISTOÉ Gente
Edição n° 119


Titãs embalam romance de Ciro e Patrícia

Ciro Gomes e Patrícia Pillar cumpriram juntos mais um compromisso da agenda social. Chegaram distribuindo sorrisos e simpatia ao show de lançamento do álbum A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, dos Titãs, na casa de espetáculos carioca Canecão.

Não ficaram o tempo todo sós. Malu Mader e Caetano Veloso fizeram companhia ao casal durante a apresentação da banda.


Foto: Fred Pontes