martes, 3 de septiembre de 2019

2019 - #342 AMAZÔNIA


Foco de incêndio na Floresta Amazônia em São Félix do Xingu, no Pará, registrado pelo Greenpeace - Imagem: Daniel Beltrá/Greenpeace






O GLOBO

Os cantores Criolo e Caetano Veloso participam de ato a favor da Amazônia em Ipanema
Foto: Mauro Pimentel / AFP


Ato pela Amazônia reúne multidão em Ipanema
Artistas e políticos participam de marcha apartidária contra desmatamentos

Jan Niklas

25/08/2019

RIO — A ameaça do desmatamento e das intensas queimadas na Amazônia levou artistas, políticos e uma multidão de manifestantes para a orla de Ipanema, no Rio de Janeiro, neste domingo. Nomes como Caetano Veloso, Criolo, Alinne Moraes, Alessandro Molon, Marcelo Freixo, entre outros, puxaram o ato que caminhou em direção ao Leblon, ao som de clássicos da MPB como “Sal da Terra”, “Amor de índio” e “Asa branca” e gritos de ordem contra o governo do presidente Jair Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e em defesa da Floresta Amazônica.

Organizado pelo grupo @342 Amazônia, da produtora e empresária Paula Lavigne, o ato começou às 15h. Segundo os organizadores, a caminhada foi apartidária e reuniu diversos segmentos da sociedade preocupados com a agenda ambiental em meio à crise das queimadas na Amazônia.

Manifestantes levam cartazes com mensagens como “Você vai morrer de velho, eu de colapso ambiental”, alguns deles produzidos pelas crianças e famílias presentes na manifestação. Também foram puxadas palavras de ordem como "Fora Salles", "Todos pela Amazônia" e "Bolsonaro sai, Amazônia fica". Indígenas presentes também entoaram cantos e frases contra o Governo Bolsonaro.

Na divisa entre Ipanema e Leblon, foram atirados ovos sobre as pessoas presentes no ato, vindos da sacada de um prédio da Avenida Vieira Souto. Os manifestantes responderam com gritos de “fascistas”.

Ao fim do ato, Caetano Veloso pegou o microfone e cantou seu sucesso “Um índio”, acompanhado pelos manifestantes que ainda acompanhavam o ato. Dezenas de artistas presentes também fizeram homenagens à roterista Fernanda Young, morta neste domingo aos 49 anos.






Manifestantes fazem ato em Ipanema a favor da preservação da Amazônia

Ato contou com ambientalistas, políticos e organizações sociais da sociedade civil. Outras seis cidades do país tiveram manifestações pela Amazônia.

Por Matheus Rodrigues e Leslie Leitão, G1 Rio e TV Globo
25/08/2019 

Foi realizada na tarde deste domingo (25/8) em Ipanema, Zona Sul do Rio, uma manifestação a favor da Amazônia e contra o presidente da República, Jair Bolsonaro.

O ato contou com artistas, ambientalistas, políticos e organizações sociais da sociedade civil.

Outras seis cidades do país também tiveram manifestações pela Amazônia neste domingo: Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Rio Claro (SP) e Piracicaba (SP).

Os atos criticaram a política ambientalista do Governo Federal e defenderam a preservação da Amazônia. "Amazônia fica, Bolsonaro sai" foi um dos gritos dos manifestantes.

No Rio, cartazes foram estendidos e diversas Organizações Não Governamentais (ONGs) estiveram presentes. Alguns manifestantes pediram a saída do ministro do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles e cantaram o samba deste ano da Mangueira, "Histórias para ninar gente grande".

O cantor e compositor Caetano Veloso participou do protesto. “Estou aqui para levantar a bandeira de preservação do meio ambiente, as queimadas da Amazônia evidenciaram a importância de se fazer isso”, disse Caetano Veloso, que cantou "Podres poderes" durante o ato.

“Atacar a natureza é atacar a nossa existência. É atacar a Deus em segundo lugar. Se a gente não tiver mais ar ou água para beber, não tem mais desavença. A gente não tá lutando pela natureza, estamos lutando pela humanidade. Classe artística em peso aqui porque é muito importante. To aqui como ator em segundo lugar, primeiro como cidadão”, disse o ator Matheus Solano.

A procuradora Fabiana Schneider, da Lava Jato no Rio de Janeiro, também estava no ato. Schneider nasceu em Rondônia e, antes de integrar a equipe do Ministério Público Federal do Rio, atuou na área ambiental no Pará.

Também participaram do ato o também cantor Criolo, o ator Renato Góes, os deputado David Miranda, Marcelo Freixo (PSOL) e Jandira Feghali, e o jornalista Glenn Greenwald.

Criolo e Caetano Veloso participam de ato em Ipanema — Foto: Matheus Rodrigues/G1


Um boneco gigante do ex-presidente Lula, com o texto "Lula livre" escrito na faixa presidencial, foi inflado por um homem na concentração. A pedido dos manifestantes, no entanto, o boneco não foi carregado junto com a passeata rumo ao Leblon.

Também hoje no Rio de Janeiro houve um protesto a favor da Lava Jato, do ministro Sérgio Moro e do governo Bolsonaro.




Queimadas na Amazônia: Caetano, Maitê Proença e mais vão a protesto no RJ

Famosos se reúnem em protesto pela Amazônia na praia de Ipanema, no RJ

Caio Coletti
Do UOL, em São Paulo
25/08/2019


A tarde hoje em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, foi marcada por uma manifestação a favor da Amazônia e contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL). O ato contou com a presença artistas como Caetano Veloso, Maitê Proença e Sônia Braga, além do jornalista Glenn Greenwald e do deputado Marcelo Freixo (PSOL). Outras três cidades também tiveram manifestações pela Amazônia: Belo Horizonte (MG), Porto Velho (RO) e Piracicaba (SP). Os atos criticavam a política ambientalista do Governo Federal, e defendiam a preservação da floresta amazônica, após uma semana em que as queimadas na região dominaram as manchetes.


"Estou aqui para levantar a bandeira de preservação do meio ambiente, as queimadas da Amazônia evidenciaram a importância de se fazer isso", disse Caetano. "Atacar a natureza é atacar a nossa existência. É atacar a Deus em segundo lugar. Se a gente não tiver mais ar ou água para beber, não tem mais desavença", discursou o ator Mateus Solano.


Foto: Mauro Pimentel

Foto: Mauro Pimentel

Foto: Mauro Pimentel


ESTADÃO CONTEÚDO

Liderado por artistas no Rio, ato pela Amazônia critica Bolsonaro
Grupo formado por muitas famílias, ativistas, políticos e artistas percorreu a orla carioca



Foto: Divulgação/Mídia Ninja


25/08/2019 

Com cartazes pedindo o fim da destruição da Amazônia e entoando coros de “Fora Salles“, “Viva a natureza” e “Bolsonaro sai, Amazônia fica” manifestantes se reuniram neste domingo (28/08/2019), na orla do Rio de Janeiro, para protestar contra a política ambiental do governo Jair Bolsonaro (PSL) e a destruição da Amazônia.

O grupo formado por muitas famílias, ativistas, políticos e artistas se reuniu no início da tarde em Ipanema e caminhou até o Leblon, na zona sul do Rio.

A “comissão de frente” da marcha foi formada por Caetano Veloso, Maitê Proença, Antonio Pitanga, Criolo, o jornalista do The Intercept Glenn Greenwald, os deputados federais Alessandro Molon (PSB-RJ), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ) e David Miranda (PSOL-RJ), companheiro de Glenn.

Também estavam presentes os atores Patrícia Pillar, Luisa Arraes, Maria Padilha, Mateus Solano, Patrycia Travassos, Caio Blat, Gregório Duvivier, Alinne Moraes, Paula Burlamaqui e Nanda Costa, entre outros. Os organizadores estimaram a presença de 15 mil pessoas no protesto

“Estou aqui porque estamos defendendo a causa do meio ambiente contra as decisões e as coisas que são ditas pelo poder incumbente do Brasil agora. Nesse momento, com as queimadas na Amazônia e a repercussão mundial, a gente vê o caso muito explicitado e está se articulando. É importante (a repercussão internacional) para que os dirigentes tomem consciência”, disse Caetano.

Molon disse que propôs ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em conjunto com outros dois deputados, a instalação de uma comissão no Dia da Amazônia (5 de setembro). A comissão funcionaria como uma espécie de audiência pública para discutir questões ligadas à preservação da floresta. Ele também iniciou a coleta de assinaturas para a instauração de uma CPI da Amazônia. “O governo Bolsonaro tem uma visão atrasada sobre o papel do meio ambiente em relação ao desenvolvimento econômico. Para ele ou se tem desenvolvimento ou se tem meio ambiente”, criticou Molon.

O ato foi organizado pelo #342 Amazônia, um aplicativo lançado este ano em uma parceria entre o Greenpeace, o coletivo Mídia Ninja e o movimento 342, criado pela empresária Paula Lavigne para defender pautas progressistas no Congresso. A primeira mobilização foi contra um decreto do ex-presidente Michel Temer permitindo a mineração em parte da Amazônia.

Em pronunciamento em rede nacional na sexta-feira, 23, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou medidas de combate às queimadas na região amazônica com ajuda das Forças Armadas. Bolsonaro autorizou que militares atuem no combate ao fogo e contra o desmatamento ilegal, a pedido dos governadores, em operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), usada em situações excepcionais.

Na transmissão acompanhada por “panelaços” em cidades como São Paulo e Rio, o presidente disse que os incêndios florestais não podem ser pretexto para sanções internacionais. Enquanto líderes do G-7 discutiam a questão da Amazônia, Bolsonaro voltou a falar em ataque à soberania nacional. Em seu Twitter, o presidente afirmou neste sábado, 24, que “dói na alma ver brasileiros não enxergando a campanha fabricada contra a nossa soberania na região”.






Foto: AgNews
Foto: Sergio Moraes / Reuters


Foto: Sergio Moraes / Reuters







Foto: @midianinja
Um índio


25/8/2019 - Orla de Ipanema (Rio de Janeiro)



CAETANO VELOSO: "SOU CONTRA AS IDEIAS QUE O GOVERNO TEM SOBRE O MEIO AMBIENTE DESDE A POSSE"
Compositor participou de ato realizado no domingo no Rio contra o desmatamento e as queimadas

Jan Niklas

25/08/2019


Caetano Veloso diz que é preciso manter a "cabeça brasileira" e não aceitar a destruição da Amazônia Foto: MAURO PIMENTEL / AFP



RIO — A ameaça do desmatamento e das intensas queimadas na Amazônia levou artistas, políticos e uma multidão de manifestantes para a orla de Ipanema, no Rio de Janeio, neste domingo. Nomes como Caetano Veloso, Criolo, Aline Morais, Alessandro Molon, Marcelo Freixo, entre outros, puxaram o ato que caminhou em direção ao Leblon, ao som de clássicos da MPB como “Amor de índio” e “Asa branca” e gritos de ordem contra o governo do presidente Jair Bolsonaro, o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, e em defesa da floresta amazônica. Organizado pelo grupo @342 Amazônia, da produtora e empresária Paula Lavigne, o ato começou às 15h. Segundo os organizadores, a caminhada foi apartidária e reuniu diversos segmentos da sociedade preocupados com a agenda ambiental. "Não sei, a importância dessa manifestação. Vamos medir depois. Mas, pra mim foi bom, desde que esse governo entrou que eu sou contra as ideias que eles têm do meio ambiente. E agora houve queimadas e motivação para que as pessoas se manifestassem contra, é natural. Ele próprio (Bolsonaro) teve que abaixar o tom. Acusou as ONGs de estarem queimando, o que é muito mesquinho, né? Não é uma fala de um estadista. Mas a gente tem que manter a cabeça brasileira, verdadeira, corajosa, de se reconhecer como nação, cada indivíduo como um indivíduo respeitado e não aceitar um troço desses", disse Caetano Veloso a ÉPOCA.



viernes, 30 de agosto de 2019

1987 - LUZ E MISTÉRIO




Beto Guedes e Caetano Veloso





1987 - Beto Guedes, Ronaldo Bastos e Caetano Veloso



1987 - Beto Guedes e Caetano Veloso ensaiando para o show no Morro da Urca


 
Ele me mostrou uma música muito bonita, e estas palavras, “Luz e Mistério”, foram sugeridas, ao mesmo tempo, pela música e pelo clima do próprio Beto.”

Caetano Veloso





 




Música: Beto Guedes
Letra: Caetano Veloso
© 1978 EMI/Gapa-Warner Chappell


Oh! Meu grande bem
Pudesse eu ver a estrada
Pudesse eu ter
A rota certa que levasse até
Dentro de ti
Oh! Meu grande bem
Só vejo pistas falsas
É sempre assim
Cada picada aberta me tem mais
Fechado em mim

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério

Doçura de luz
Amargo e sombra escura
Procuro em vão
Banhar-me em ti
E poder decifrar teu coração

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério
O grande mistério, meu bem, doce luz
Abrir as portas desse império teu
E ser feliz






 


29/9/1987 - Jornal do Brasil






 




 

 
 













1987 - BETO GUEDES
Participação Especial: CAETANO VELOSO
63.203.952 / 3:41
Álbum "Beto Guedes ao Vivo"
Gravado no Anfiteatro do Morro da Urca (RJ), nos dias 27 a 29 de agosto de 1987.
EMI-Odeon LP 066 748634 1, A-4.
EMI CD 364 748634 2, Track 4.




1987 - AMOR DE ÍNDIO




28/8/1987 - Jornal do Brasil


1987 - Beto Guedes e Caetano Veloso, show no Morro da Urca



Música: Beto Guedes
Letra: Ronaldo Bastos

Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo cuidado
Meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver pasar
Tudo viver a teu lado
Com o arco da promessa
No azul pintado
Pra durar

Abelha fazendo o mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor
E ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for
E ser tudo

Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado
Meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver

No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser tudo



29/9/1987 - Jornal do Brasil






1987 - BETO GUEDES
Participação Especial: CAETANO VELOSO
63.204.002 / 3:40
Álbum "Beto Guedes ao Vivo"
Gravado no Anfiteatro do Morro da Urca (RJ), nos dias 27 a 29 de agosto de 1987.
EMI-Odeon LP 066 748634 1, A-5.
EMI CD 364 748634 2, Track 5.




miércoles, 7 de agosto de 2019

2019 - CAETANO, 77 anos


“Eu sigo “moleque”. Eu sei que sou velho, mas estou curioso para experimentar a velhice. A verdade é que, se não houver muitas desvantagens, nunca se é velho: a pessoa que você é ainda é o que você tem sido. Eu tenho muitas coisas dos meus 14 anos. E, claro, da minha infância. As coisas mais importantes acontecem quando somos muito novos.”

[Caetano Veloso, 6/8/2019]




C A E T A N O    77



MUITOS PARABÉNS !!!







martes, 6 de agosto de 2019

2019 - MARCELO COSTA





TREM DAS CORES

Do álbum CORES, NOMES (1982)


"Minha estreia com Caetano"
[Marcelo Costa]


1984 - BANDA NOVA [Marcelo Costa, Ricardo Cristaldi, Armando Marçal, Caetano Veloso, Tavinho Fialho, Zé Luiz e Tony Costa]

1984 - Tavinho Fialho, Marcelo Costa, Caetano Veloso e Tony Costa

1986 - O CINEMA FALADO [Marcelo Costa, Armando Marçal e Caetano Veloso]




"Este disco promove o encontro de artistas que estiveram e estão comigo. Cantando, tocando e celebrando a música do Brasil. Ao invés de dar uma festa, fiz esse disco"
[Marcelo Costa]



Foto: Reprodução / Facebook Marcelo Costa





2019
Álbum "Marcelo Costa - Vol. 1"
Biscoito Fino CD



01. MEU BOM
Intérprete: Caetano Veloso
Autoria: Marcelo Costa Santos
Editora: Emi (Sony ATV)


08. FEITIÇO DA VILA
Intérprete: Caetano Veloso e Zeca Assumpção
Autoria: Noel Rosa / Vadico
Editora: Mangione



1. MEU BOM
Compositor: Marcelo Costa Santos

Eu sou um Mar.... Celo
Eu sou só um som
Valeu meu bom, véio
Valeu dom, meu brow
Vou de costa à costa
Com todos os santos
Cantar pra quem gosta
Em todos os cantos
Grande força, cara
A tua presença



8. FEITIÇO DA VILA

Samba
Letra: Noel Rosa
Música: Vadico
1934

Quem nasce lá na vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos do arvoredo
E faz a lua nascer mais cedo

Lá em Vila Isabel
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba
São Paulo dá café,
Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba

A Vila tem
Um feitiço sem farola
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem

O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
Sol pelo amor de Deus não venha agora
Que as morenas vão logo embora...

A Vila tem
Um feitiço sem farola
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem

Eu sei tudo que faço
Sei por onde passo
Paixão não me aniquila
Mas tenho que dizer,
Modéstia à parte meus senhores
Eu sou da Vila!







Baterista Marcelo Costa celebra trajetória em álbum cheio de convidados

O músico já trabalhou com a elite da MPB e trouxe para o disco nomes como Caetano Veloso e Gal Costa

Irlam Rocha Lima
10/09/2019 

Marcelo Costa: tocou com Chico Buarque, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Marisa Monte e Gal Costa 
Foto: Jorge Bispo / Divulgação


De Chico Buarque a Mart’nália, de Gilberto Gil a Ana Carolina, de Maria Bethânia a Marisa Monte, de Gal Costa a Maria Gadú. É longa e eclética a lista de cantores, cantoras e instrumentistas com os quais o requisitadíssimo baterista e percussionista Marcelo Costa tocou em 45 anos de carreira.

Músico desde os 14 anos, quando passou a integrar o lendário grupo A Barca do Sol, que tinha o, hoje, imortal Geraldo Carneiro como componente. Dois anos depois Marcelo faria sua primeira gravação profissional no álbum Limite das águas, de ninguém menos que Edu Lobo, mestre da MPB.

Quando completou 25 anos de música, o baterista planejou lançar um disco, mas o projeto acabou sendo adiado. Agora, finalmente, para celebrar quatro décadas e meia de trajetória, ele lança Marcelo Costa – Vol. 1, CD que reúne registros feitos em estúdio entre 1994 e 1999. Nesse projeto, pela primeira vez, Marcelo canta em algumas faixas. Uma delas, Na cadência do samba (Ataulfo Alves) – a única gravada há dois anos – ganhou clipe, com direção e fotografia de Batman Zavarese.

Entre as 12 faixas do 10 conta com a participação de convidados, entre eles Caetano Veloso (Feitiço da Vila, Noel Rosa e Vadico), Gal Costa (Beija-me, Roberto Martins e Mário Rossi), Adriana Cavalcanti (Do fundo do meu coração, Roberto e Erasmo Carlos), Lulu Santos (Ela falava nisso todo dia, Gilberto Gil), Igreja da Pilar (Toninho Horta) e Boca Livre (Alegria, Arnaldo Antunes).

Em quatro décadas de carreira, quais foram os momentos mais marcantes vividos por você?
A ideia inicial era lançar o disco para comemorar os 25 anos de profissão, mas acabou que ele só está saindo agora, que já tenho 45 anos de carreira. Em vez de dar uma festa, fiz esse disco. Foram muitos momentos marcantes, não teria como destacar apenas alguns. O que eu acho mais incrível é o fato de eu ter me tornado uma pessoa que faz parte da música brasileira, de alguma forma.

Entre os tantas cantores e cantoras que acompanhou, com quem tem 
uma maior identificação?
Identifico-me com muitas pessoas que já tive a alegria de acompanhar nesses 45 anos de carreira.

Quando fez os registros das músicas já imaginava reuni-las num disco?
Quando eu comecei a gravar essas músicas, meu plano era fazer um disco. Eu não lancei antes porque tentei negociar com algumas gravadoras, mas elas não toparam. O plano, porém, sempre foi esse desde o inicio. Fazer um disco.

A escolha das músicas que estão no Vol. 1 foi sua.
Sim, a escolha do repertório foi minha. Algumas canções têm significado especial para mim, como Beija-me, uma música que eu ouvia na minha infância. Meus pais ouviam no disco da Elizete Cardoso com o Cyro Monteiro. Outras, eu escolhi pelo que dizem as letras, mas todas elas têm um significado muito forte dentro da música brasileira, além de serem muito bonitas.

Em a algumas faixas você canta. Já havia vivido essa experiencia ao vivo ou isso ficou restrito a estúdio?
Eu cantei muito pouco na vida. No final do grupo A Barca do Sol, houve o lançamento do terceiro disco, e tinha uma música que eu cantava. Em uma turnê que fiz com Lulu Santos, eu falava aquele texto inteiro do rap de Cachimbo da paz, do Gabriel O Pensador. São as minhas experiências de cantar ao vivo, até agora.

Foi você quem selecionou as músicas que seus convidados interpretaram, ou a opção foi deles?
São ao todo 10 convidados no disco, dos quais quatro interpretam composições próprias, sendo que duas são instumentais. O Zé Miguel Wisnik, o Péricles Cavalcanti, o Toninho Horta e o meu irmão, Muri Costa. As outras canções, gravadas por Caetano, Gal, Adriana, Boca Livre e Lulu Santos, foram escolhidas por mim para eles cantarem.

Caetano Veloso transformou Feitiço da Vila, samba de Noel Rosa e Vadico, numa bossa. Quem criou os arranjos para essa e outras músicas
Não faço distinção entre a bossa nova e o samba. Para mim, é tudo a mesma coisa. Essa é a maneira do Caetano de cantar a música uma música que ele gosta. Diria que é um samba tocado de outra maneira, afinal, a bossa nova é um tipo de samba, né?