Após uma década de história e uma curadoria dedicada à vanguarda da nova música brasileira, o Coala Festival consolidou-se como uma referência no cenário cultural do Brasil. Na sua expansão para Portugal, o festival amplia a sua proposta, trazendo consigo essa identidade com um olhar para além das fronteiras brasileiras. Com um foco na música de língua portuguesa como um todo, o Coala une as pontas do triângulo Brasil, Portugal e África (PALOPs), criando uma conexão poderosa entre culturas, celebrando as suas raízes e projetando novos diálogos sonoros.
O Coala Festival regressa a
Portugal para a sua terceira edição consecutiva como o primeiro festival do
Verão, reunindo o que há de melhor da música de língua portuguesa em dois dias
de evento em Cascais.
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| Foto: Jordan Alves |
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Fantasiado
de pierrot, Zeca Veloso conquista público no Coala Festival em Cascais |
Maio 30, 2026
Cantor embalou o público com músicas de seu
primeiro álbum, além do sucesso de “Todo Homem”
Entre confetes imaginários, rosto pintado e um
figurino de pierrot digno de um bloco de carnaval melancólico, Zeca Veloso
abriu o Coala Festival neste sábado (30), em Cascais, transformando a estreia
do festival em Portugal em um espetáculo quase teatral. E foi justamente nesse
clima lúdico — e um tanto poético — que o cantor foi, literalmente, se
desmontando no palco ao longo da apresentação, retirando aos poucos os
elementos da fantasia enquanto conduzia o público por um show intimista, solar
e cheio de referências da música brasileira.
No repertório, Zeca apostou nas faixas do álbum
inaugural “Boas Novas”, mas também abriu espaço para clássicos e canções
afetivas. “Garota de Ipanema” apareceu como um daqueles momentos que fazem a
plateia cantar em coro sem esforço, enquanto “Todo Homem” — composição assinada
ao lado do irmão Moreno Veloso e do pai Caetano Veloso — trouxe um dos momentos
mais emocionantes da tarde.
Após o show, Zeca recebeu a EntreRios e contou como pensou a curadoria da
apresentação para o festival português.
“A ideia era trazer músicas de outros compositores
que tivessem a ver com o ‘Boas Novas’. Pensei na ‘Garota de Ipanema’, que não
tem tradução, do Noel Rosa, e tem a ver com o disco, músicas como ‘Desenho de
Animação’, ‘Carolina’ e essa sessão bem coesa, bem legal”, explicou.
O artista também falou sobre as participações
especiais presentes no disco, que reúne nomes como Xande de Pilares e Dora
Morelenbaum.
“O Xande faz parte da concepção da música ‘O Sal desse Chão’. Mostrei pra ele a música ainda sem letra e ele mostrou um caminho para a segunda parte. Completei a canção sozinho e depois chamei ele pra gravar comigo. Ele nem se lembrava”, contou, aos risos.
Abrindo o festival justamente no dia em que Caetano
Veloso será a atração de encerramento, Zeca revelou que os dois sequer
conversaram antes da apresentação — o que deixou a surpresa ainda melhor.
“Não falamos nada, não nos encontramos ainda. Ele
não sabia nada, apareci de pierrot, com a cara toda pintada… deve ter visto na
transmissão”, brincou.
Se para o público português a apresentação marcou
um encontro inédito com o universo musical de Zeca, para o cantor o momento
também teve sabor especial. Apaixonado por Portugal, ele celebrou a estreia no
país com entusiasmo de turista apaixonado.
“Adoro o país, a comida, amêijoas à Bulhão Pato,
perceves, toda gente por aí, a arquitetura…”



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