domingo, 31 de mayo de 2026

2026 - ZECA VELOSO - Coala Festival - Portugal

 

Após uma década de história e uma curadoria dedicada à vanguarda da nova música brasileira, o Coala Festival consolidou-se como uma referência no cenário cultural do Brasil. Na sua expansão para Portugal, o festival amplia a sua proposta, trazendo consigo essa identidade com um olhar para além das fronteiras brasileiras. Com um foco na música de língua portuguesa como um todo, o Coala une as pontas do triângulo Brasil, Portugal e África (PALOPs), criando uma conexão poderosa entre culturas, celebrando as suas raízes e projetando novos diálogos sonoros. 

O Coala Festival regressa a Portugal para a sua terceira edição consecutiva como o primeiro festival do Verão, reunindo o que há de melhor da música de língua portuguesa em dois dias de evento em Cascais.









Foto: Jordan Alves




Fantasiado de pierrot, Zeca Veloso conquista público no Coala Festival em Cascais

Foto: Carol Ribas



















Maio 30, 2026


Jordan Alves - Lisboa


Cantor embalou o público com músicas de seu primeiro álbum, além do sucesso de “Todo Homem”


Entre confetes imaginários, rosto pintado e um figurino de pierrot digno de um bloco de carnaval melancólico, Zeca Veloso abriu o Coala Festival neste sábado (30), em Cascais, transformando a estreia do festival em Portugal em um espetáculo quase teatral. E foi justamente nesse clima lúdico — e um tanto poético — que o cantor foi, literalmente, se desmontando no palco ao longo da apresentação, retirando aos poucos os elementos da fantasia enquanto conduzia o público por um show intimista, solar e cheio de referências da música brasileira.

No repertório, Zeca apostou nas faixas do álbum inaugural “Boas Novas”, mas também abriu espaço para clássicos e canções afetivas. “Garota de Ipanema” apareceu como um daqueles momentos que fazem a plateia cantar em coro sem esforço, enquanto “Todo Homem” — composição assinada ao lado do irmão Moreno Veloso e do pai Caetano Veloso — trouxe um dos momentos mais emocionantes da tarde.

Após o show, Zeca recebeu a EntreRios e contou como pensou a curadoria da apresentação para o festival português.

“A ideia era trazer músicas de outros compositores que tivessem a ver com o ‘Boas Novas’. Pensei na ‘Garota de Ipanema’, que não tem tradução, do Noel Rosa, e tem a ver com o disco, músicas como ‘Desenho de Animação’, ‘Carolina’ e essa sessão bem coesa, bem legal”, explicou.

O artista também falou sobre as participações especiais presentes no disco, que reúne nomes como Xande de Pilares e Dora Morelenbaum.

“O Xande faz parte da concepção da música ‘O Sal desse Chão’. Mostrei pra ele a música ainda sem letra e ele mostrou um caminho para a segunda parte. Completei a canção sozinho e depois chamei ele pra gravar comigo. Ele nem se lembrava”, contou, aos risos. 

Abrindo o festival justamente no dia em que Caetano Veloso será a atração de encerramento, Zeca revelou que os dois sequer conversaram antes da apresentação — o que deixou a surpresa ainda melhor.

“Não falamos nada, não nos encontramos ainda. Ele não sabia nada, apareci de pierrot, com a cara toda pintada… deve ter visto na transmissão”, brincou.

Se para o público português a apresentação marcou um encontro inédito com o universo musical de Zeca, para o cantor o momento também teve sabor especial. Apaixonado por Portugal, ele celebrou a estreia no país com entusiasmo de turista apaixonado.

“Adoro o país, a comida, amêijoas à Bulhão Pato, perceves, toda gente por aí, a arquitetura…”











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