viernes, 30 de noviembre de 2018

jueves, 29 de noviembre de 2018

2018 - BERNARDO BERTOLUCCI


Bernardo Bertolucci [Parma, 16 de março de 1941 – Roma, 26 de novembro de 2018]. Cineasta e roteirista italiano.


"Tenho orgulho de ter tido proximidade, mesmo amizade, com Bertolucci. Uma das maiores figuras do cinema italiano de todos os tempos e uma pessoa que transmitia muita alegria no trato pessoal. Vi "O Conformista" em Londres, na BBC2. O filme ainda era novo. Como todo mundo que gosta de cinema, fiquei impressionado. Depois entrei de volta num Brasil em que "O último tango em Paris" estava proibido e assim ficou por mais de ano. Vi quando liberaram. Nem gostei tanto do filme. Tinha muito lençol sobre os móveis. Mas a presença de
Marlon Brando era forte. Especial. Maria Schneider, apaixonante. E o filme furou a superfície da bolha que blindava o erótico contra o pornô. O Imperador que ganhou o Oscar é bacana. Mas meu filme preferido do Bertolucci maduro é "Assédio", que, além de ter aquele roteiro lindo de Clair, mulher de Bernardo, tem uma construção visual divina que leva a gente de um buraco num sobrado e aos poucos vai deixando ver que estamos na margem da escadaria da Praça de Espanha. Roma vai se revelando das tripas para fora. E o negro africano que toca um instrumento nativo sob uma árvore. Uma vez, na casa de Bernardo e Clair em Notting Hill Gate, Londres, ele me disse que a língua italiana não era boa para o cinema. O inglês seria mais congenial. Discordei aos berros: para mim, eu disse, basta que os personagens falem italiano para as imagens se valorizarem visualmente. Ele riu. No meu preferido "Assédio", as pessoas falam inglês e italiano. As duas línguas com que nos comunicávamos. Aprendi com ele que a palavra "viado" passara a significar travesti em italiano popular por causa da alta frequência de travestis brasileiros em Milão. Bertolucci me apareceu ainda jovem, no teatro Teresa Rachel, apresentado por amigos comuns, e tornou-se uma referência pessoal na minha Europa. Sinto saudade dele."

Caetano Veloso












1968 - APRESENTAÇÃO







1968 - RETRATOS








1969 - RETRATOS









Rodrigo Velloso, Dona Canô e Zezinho Velloso


22/12/1970





2018 - Programa LADY NIGHT



Hoje (26/11), às 22h30, no Multishow, o programa de Tatá Werneck recebe o cantor Caetano Veloso.






Música


Caetano Veloso relembra experiência com ayahuasca, ditadura e elogia Anitta





Caetano Veloso no "Lady Night"
Imagem: Divulgação / Multishow
Jonathan Pereira
Colaboração para o UOL


27/11/2018



Caetano Veloso falou de sua experiência ao tomar ayahuasca e elogiou Anitta no "Lady Night" de segunda-feira (26/11), com Tatá Werneck. O cantor também relembrou o que passou durante o Regime Militar (1964-1985) e criticou quem pede o retorno do período.


"Sou da geração que foi jovem nos anos 60, bebi muita cerveja e cachaça, depois abandonei a cachaça, mas as outras drogas, eu nunca me liguei. Nunca tomei ácido, tomei ayahuasca em 1968. Realmente eu vi umas coisas", disse, descrevendo sua experiência.

"Vi corpos de pessoas indianas, homens e mulheres todos nus, e que dançavam formando também mandalas. Essas mandalas iam aos poucos desenhando um rosto que era o centro de tudo, o Deus. Fiquei horas sofrendo, muito consciente que estava mal", recorda.

Ele falou de suas preferências musicais. "Gosto de estilos muito diferentes. Gosto de Anitta muito. Sabe que Anitta me impressiona? O ensaio parece que já é um disco. E ela é afinada, uma segurança de nota".

Prisão e exílio

Veloso contou o que passou na mão dos militares. "Durante a ditadura fui preso, fiquei dois meses na cadeia. Uma semana na solitária deitado no chão com uma porta de ferro, sem que ninguém me dissesse por quê. Não fui interrogado, havia desorganização, desrespeito pela pessoa humana. Não sofri tortura como algumas que morreram, foram assassinadas dentro de locais".

Parecia um pesadelo. "Durante a prisão fiquei meio como se a vida real tivesse sido um sonho, que a verdade era aquela solitária. Um momento que sofri demais foi quando cheguei em casa e a família não estava. Fiquei mais doido que no dia do ayahuasca. Eu olhava no espelho e não sabia quem era. Meu pai bateu o olho em mim e disse: 'não me diga que você deixou esses filhos da p*** te deixarem nervoso?'".

O cantor precisou deixar o país. "A imprensa não podia dizer nada, era censura prévia. Quando fui para Londres, a unica solução era me exilar. Fiquei muito triste, não gosto de viver fora do Brasil. Fiquei dois anos e meio lá e, quando pude voltar, voltei. Não saio daqui, só se for obrigado"

Ele tem pavor daqueles tempos. "Tem gente que fica elogiando achando que é bom. Não é bom, isso eu não admito. O respeito aos direitos de casa pessoa é uma coisa que, quando se conquista, não se deve abrir mais mão, sob nenhum pretexto. Tem acontecido no mundo inteiro e está acontecendo no Brasil. é uma neurose".

É preciso combater os problemas sociais, aponta. "Somos um país gigante, de tamanho continental, no hemisfério Sul, altamente miscigenado e ainda horrivelmente desigual. A distribuição de renda no Brasil é uma tragédia, é a doença da desigualdade. Vem da escravidão e precisa haver a segunda abolição".