sábado, 1 de junio de 2024

2023 - MARIA BETHÂNIA - Medalha de Mérito Cultural - Portugal

 

Foto: Stefani Costa


“Olha que linda!”, reagiu Maria Bethânia ao receber a condecoração. A artista mostrou de seguida a medalha ao público, que aplaudia em uníssono, em Oeiras.






A cerimónia de entrega da Medalha de Mérito Cultural, que foi presidida pelo ministro da Cultura, aconteceu no sábado à noite, em Oeiras, no final do concerto da artista inserido na 3ª edição do festival Jardins do Marquês, cujo cartaz inclui nomes como Michael Bolton, Joss Stone, Liniker e Sara Correia. 

Maria Bethânia apresentou o espetáculo “Fevereiros”, que parte de um documentário de Marcio Debellian sobre a artista. 




Durante show, Maria Bethânia comemora inelegibilidade de Bolsonaro: 'Viva o Brasil!'


Redação Alô Alô Bahia


Durante um show que fez no sábado (1º) em Lisboa, Portugal, a cantora baiana Maria Bethânia comemorou a decisão da última sexta-feira (30/6) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que o deixa inelegível pelos próximos oito anos. 

"Inelegível! Oito anos! Viva o Brasil", gritou a cantora em uma pausa enquanto cantava a canção "Cálice", que é contra as restrições de liberdade impostas durante a Ditadura Militar no Brasil. A plateia vibrou e aplaudiu a fala de Bethânia. 

 









2 de julho de 2023


“Inelegível! Viva o Brasil!”: Bethânia celebra justiça durante show em Portugal




Num show realizado em Oeiras no último sábado (1), nos arredores de Lisboa, em Portugal, na noite do último sábado, Maria Bethânia comemorou em cima do palco a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Por cinco votos a dois, a corte decidiu que ele não poderá se candidatar a cargos públicos por oito anos. 

Nas redes sociais, circulam vários vídeos com imagens da cantora fazendo seu posicionamento político no Festival Jardins do Marquês – Oeira Valley.

“Inelegível”, disse a baiana após cantar ‘Cálice’. “Oito anos. Viva o Brasil!”.

 


2 Julho, 2023

Governo português atribui Medalha de Mérito Cultural à cantora brasileira Maria Bethânia


O Governo atribuiu a Medalha de Mérito Cultural à cantora brasileira Maria Bethânia, que atuou no sábado à noite em Oeiras, “pelo inestimável trabalho que tem feito na divulgação dos poetas portugueses”, anunciou hoje o Ministério da Cultura.

Em comunicado, o gabinete do ministro Pedro Adão e Silva destacou que Maria Bethânia tem divulgado os poetas portugueses “declamando-os, cantando-os e contribuindo de forma ímpar para a sua popularização não só no Brasil como em diversas partes do mundo”. 

Citado na nota enviada à agência Lusa, Pedro Adão e Silva destaca a “ideia verdadeiramente luminosa de Maria Bethânia fazer dos poetas artistas populares”. 

A cerimónia de entrega da Medalha de Mérito Cultural, que foi presidida pelo ministro da Cultura, aconteceu no sábado à noite, em Oeiras, no final do concerto da artista inserido na 3ª edição do festival Jardins do Marquês, cujo cartaz inclui nomes como Michael Bolton, Joss Stone, Liniker e Sara Correia. 

Maria Bethânia apresentou o espetáculo “Fevereiros”, que parte de um documentário de Marcio Debellian sobre a artista. 

A cantora brasileira, que nasceu em Santo Amaro da Purificação, no estado da Baía, em 1946, mudou-se para Salvador, para estudar, tendo feito aí, em 1963, a sua estreia como cantora, na peça “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues.  

No ano seguinte, participou no espetáculo “Nós, Por Exemplo”, ao lado do irmão Caetano Veloso, de Gal Costa, de Gilberto Gil e de Tom Zé, na inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador.  

“Carcará” é considerado o primeiro grande sucesso de Maria Bethânia, cantora que adquiriu projeção nacional, no Brasil, quando em janeiro de 1965 substitui Nara Leão – a convite desta – no histórico espetáculo “Opinião”, no Rio de Janeiro. 

Desde o primeiro LP, publicado em 1965, Bethânia lançou dezenas de álbuns, tanto gravados em estúdio quanto ao vivo, e tem estabelecido muitas parcerias com nomes marcantes da música brasileira e internacional. 

Na biografia da artista enviada à lusa pela tutela lê-se que “como talvez nenhuma outra intérprete fora de Portugal, Maria Bethânia cultivou desde sempre uma relação muito estreita com a poesia portuguesa, desempenhando um papel incomparável na sua divulgação”. 

Gravou autores como Sá de Miranda (“Comigo me desavim”, título de um seu espetáculo de 1968), José Régio (“Cântico Negro”, incluído no álbum “Nossos Momentos”, de 1982), ou Manuel Alegre (“Senhora do Vento Norte”, no álbum “Diamante Verdadeiro”, de 1998), e dedicou álbuns inteiros a Fernando Pessoa (“Imitação da Vida”, de 1997) e a Sophia de Mello Breyner Andersen (“Mar de Sophia”, de 2006). 

A Universidade Federal da Baía atribuiu-lhe em 2016 o Doutoramento Honoris Causa, pelo contributo dado para a Música Popular Brasileira. 

Nesse mesmo ano, a escola de samba da Mangueira prestou-lhe homenagem ao desfilar com o enredo “Maria Bethânia: a Menina dos Olhos de Oiá”. 

Em Portugal, o Presidente da República agraciou-a com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, a 26 de novembro de 1987, e dez anos depois, a 18 de agosto de 1997, receberia o grau de Comendadora da mesma Ordem. 

Também a Câmara Municipal de Lisboa distinguiu-a com a Medalha de Mérito Municipal, em 07 de junho de 2011.  

A artista recebeu ainda, em março de 2010, a medalha da Ordem do Desassossego, homenagem da Casa Fernando Pessoa pelo seu papel na divulgação da obra do poeta português.

 








O sopro anticolonial de Maria Bethânia


Texto: Jorge Filho 

O vento desconfortável não passou despercebido junto do público que presenciou a terceira edição do festival Jardins do Marquês, em Oeiras. A brisa do mar incomodava porque parecia um vento de mudança. Eram ares baianos, ventania latino-americana. Era o sopro de Dona Canô a dar fôlego a uma das maiores vozes da música brasileira, a da sua filha, Maria Bethânia. 

E haja fôlego!

Aos 77 anos, a cantora conduziu o espetáculo com energia e disposição do início ao fim, presenteando o público com a sua voz única, inconfundível e poderosa. Com este ‘axé’, Bethânia e banda fizeram o palco parecer ínfimo — tal e qual as dimensões geográficas de Brasil e Portugal.
 

Acompanhada pelos batuques da majestosa percussionista Lan Lanh e dos acordes viscerais do jovem violonista João Camarero, Bethânia apresentou uma atuação com o tamanho das milhões de vozes indígenas, negras e imigrantes. Vozes que foram ouvidas através do seu timbre único, inconfundível e poderoso.

A cantora abriu o concerto com ‘Gema’, escrita pelo cantor, compositor e seu irmão Caetano Veloso, que também compôs a canção seguinte, ‘Salve as folhas’. Nesta introdução, o mesmo sopro forte que cruzava o oceano Atlântico e agitava os longos cabelos da artista, era também o que vinha da floresta amazônica e dos suspiros dos orixás.

Com tão vasto e rico repertório, escolher os temas para uma hora e meia de apresentação não deve ter sido tarefa fácil. Sorte do público, que cantou cada canção junto com Bethânia como se todas fossem êxitos.

Convenhamos, é impossível até para os mais inexpressivos permanecerem indiferentes num concerto com temas como ‘Estado de Poesia’, ‘Onde Estará o Meu Amor’, ‘Gostoso Demais’ e ‘Sonho Meu’ (neste último tema Bethânia lembrou a cantora e amiga Gal Costa, que morreu em novembro de 2022), e ainda com interpretações de ‘Cálice’, ‘Sampa’, ‘Noite dos Mascarados’, ‘Tocando em Frente’ e muitas outras composições próprias e de outros artistas.

Ao fim de ‘Cálice’ (escrita por Chico Buarque e Gilberto Gil em 1973, censurada pela ditadura militar no Brasil e presente no álbum ‘Álibi’), Maria Bethânia proferiu em notório tom de alívio a frase “Inelegível! Oito anos. Viva o Brasil!”, levando o público à euforia. Alegria retribuída e repetida em coro: “Inelegível!”.

A artista referiu-se à condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, que o tornou impedido de concorrer a qualquer cargo público até 2030. O ex-presidente brasileiro ainda é alvo de mais de 600 processos.

 

MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL


Após Maria Bethânia se ter despedido do público, o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, apareceu de surpresa no palco e chamou a cantora para lhe conceder a Medalha de Mérito Cultural atribuída pelo governo português.

Entretanto, Maria também tinha um recado a transmitir. Era o seu próprio sopro a juntar-se ao de Dona Canô, dos imigrantes brasileiros e das mulheres trabalhadoras de todos os países.

Na tradicional convocação feita pela plateia para que a artista regressasse ao palco, Bethânia deixou claro o grito pela liberdade e a expressão do poder feminino com o clásico ‘A-la-la-ô / Chiquita Bacana / Chuva Suor Cerveja’, finalizando com ‘O que é o que é?’, de Gonzaguinha, afinal, viver é “não ter a vergonha de ser feliz”.



 Fotos: Stefani Costa







































viernes, 31 de mayo de 2024

1972 - MARIA BETHÂNIA

 



1972
Revista Amiga
n° 89
Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 1972
























1980 - MARIA BETHÂNIA

 

1980
Revista Ilusão
nº 353
Setembro de 1980











1980's - CAETANO VELOSO

 


Guilherme Araújo, Gal Costa e Caetano Veloso - Foto: Thereza Eugênia


Guilherme Araújo e Caetano Veloso - Foto: Thereza Eugênia








1981 - 10 anos - JOÃO GILBERTO / CAETANO VELOSO / GAL COSTA - Programa Especial da TV Tupi

 


1981
Revista TV contigo
n° 340
2a quinzena de setembro de 1981



















1998 - MARIA BETHÂNIA - Uma biografia

 


Foto: Marisa Alvarez Lima


Maria Bethânia Vianna Telles Velloso nascida no dia 18 de Junho de 1946 em Santo Amaro da Purificação tinha como sonho subir no palco como atriz. Não estava nos seus planos fazer do canto a sua profissão. Em casa porém, o irmão Caetano já brincava de fazer música. 

Em 1960, Bethânia e Caetano saíram de Santo Amaro para estudar em Salvador. Lá Caetano foi convidado pelo amigo Álvaro Guimarães para musicar a peça BOCA DE OURO de Nélson Rodrigues, montada em 63. Pela primeira vez Bethânia subiu no palco para cantar em público. E foi com um samba de Ataulfo Alves que ela abriu o espetáculo. Antes o que Bethânia conhecia de música era Nora Ney, Aracy de Almeida, Silvio Caldas, Orlando Silva e Maysa. 

Neste mesmo ano, em 63, Bethânia e Caetano conheceram Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Djalma Corrêa, Pitti, Alcivando Luz, Fernando Lona e passaram a cantar e a trabalhar juntos, já com João Gilberto e a bossa nova interferindo e modificando as suas vidas. 

Em junho de 1964, o grupo foi convidado para apresentar um show de música popular na semana de inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador. E surgiu o show NÓS POR EXEMPLO. O segundo espetáculo montado pelo grupo se chamou NOVA BOSSA VELHA, VELHA BOSSA NOVA Ainda em 64, novo show: MORA NA FILOSOFIA. Dessa vez só com Maria Bethânia em cena, lançada oficialmente cantora por Caetano Veloso. Nesse show, Bethânia é vista e aplaudida pela então musa da bossa nova, Nara Leão. 

No ínicio de 65 arrumou as malas às pressas e acompanhada pelo irmão Caetano veio para o Rio de Janeiro, atendendo a um convite de Nara Leão para substituí-la na peça OPINIÃO (participação de Zé Keti e João do Vale, direção musical de Dory Caymmi e direção de Augusto Boal). Bethânia estreou no dia 13 de fevereiro. Começou cantando manso mas em CARCARÁ sua voz explodiu marcando seu primeiro sucesso nacional e popular. A música de João do Vale marcou sua estréia em disco (LP Maria Bethânia lançado pela RCA em 1965) Bethânia assumia uma umagem de cantora de protesto, imagem essa forçada pela proposta e sobretudo pelo sucesso do show OPINIÃO. Ao sentir que o sucesso poderia desviar o curso de seu trabalho, antes mesmo de ter feito a sua opção profissional, Bethânia arrumou as malas de volta a Salvador. 

Disposta a prosseguir cantando, retornou ao Rio de Janeiro em 1966. Pouco depois assinou contrato com a TV Record por seis meses e dirigida por Augusto Boal participou ao lado de Gal, Gil, Caetano, Pitti e Tom Zé do show ARENA CANTA BAHIA no Teatro de Arena. Ainda no ano de 66 e mais uma vez dirigidos por Augusto Boal, os baianos fizeram o show TEMPO DE GUERRA no mesmo Teatro de Arena. 

Maria Bethânia, Vinicius de Moraes e Gilberto Gil no mês de setembro apresentaram no Teatro Opinião o show POIS É, roteiro de Capinam, Torquato Neto e Caetano Veloso, direção musical de Francis Hime e direção geral de Nélson Xavier. E no mês seguinte, outubro de 66, Maria Bethânia enfrentava o público do Maracanãzinho defendendo a música BEIRA MAR de Caetano Veloso e Gilberto Gil, não incluída entre as finalistas do I Festival Internacional da Canção. Em 1967, Bethânia aceitou o convite de Edu Lobo para gravar o disco EDU LOBO E MARIA BETHÂNIA, lançado pela Elenco. Nesse disco, pela voz de Bethânia está o samba SÓ ME FEZ BEM, o primeiro da parceria Edu Lobo- Vinicius de Moraes. 

Sua força no palco marcaria as sucessivas apresentações de Maria Bethânia em boites e teatros do Rio e São Paulo até 1970. Entre elas se destacam: RECITAL BOITE CANGACEIRO (Rio), RECITAL BOITE BARROCO (Rio), YES, NÓS TEMOS MARIA BETHÂNIA (Teatro de Bolso, Rio), COMIGO ME DESAVIM (o primeiro show dirigido por Fauzi Arap, Teatro Miguel Lemos, Rio), RECITAL NA BOITE BLOW UP (SP), BRASILEIRO PROFISSÃO ESPERANÇA (direção de Bibi Ferreira com Ítalo Rossi, Teatro Casa Grande, Rio) 

Em 1968 ela participou do LP Veloso, Gil e Bethânia lançado pela RCA. Caetano e Gil e Bethânia dividiam o lado A do disco cantando uma faixa cada um. Do lado B somente músicas de Noel Rosa interpretadas por Maria Bethânia. 

Ainda em 68, contratada pela Odeon,Bethânia lançou o LP RECITAL NA BOITE BARROCO. Em 69 e 70,respectivamente, Bethânia lançou os LPs MARIA BETHÂNIA e MARIA BETHÂNIA AO VIVO. 

Em 1971, dois acontecimentos marcaram o ínicio de uma nova fase na carreira de Maria Bethânia. Em janeiro ela gravou em estúdio, o LP A TUA PRESCENÇA, seu primeiro disco lançado pelo selo Philips e também o primeiro a receber generosos e unânimes elogios da crítica por sua qualidade técnica e artística. Em julho, dirigida por Fauzi Arap, acompanhada pelo Terra Trio, Bethânia estreava, no Teatro da Praia (Rio), o show ROSA DOS VENTOS. Um espetáculo diferente que dava a Bethânia possibilidade de mostrar sua versatilidade no palco, atuando com atriz e intérprete dos mais variados gêneros de música popular, de bolero ao baião, passando pelo frevo, tango, samba, música jovem ou inspirada nos temas de candomblé. 

Do show ROSA DOS VENTOS, resultou o disco do mesmo nome, lançado em setembro de 71, pela Philips, com produção de Roberto Menescal. Em 71 ainda, ela fez sua primeira viagem internacional, apresentando seus maiores sucessos no MIDEM. 

No ano seguinte, ao lado de Chico Buarque e Nara Leão, Maria Bethania participou do filme QUANDO O CARNAVAL CHEGAR, dirigido por Cacá Diegues. A trilha sonora do filme foi lançado em agosto de 72 pela Philips. 

Em novembro do mesmo ano chegava as lojas o disco DRAMA, produzido por Caetano Veloso. Bethânia apresenta-se no exterior (Itália, Alemanha, Austria, Dinamarca e Noruega). 

Em 1973, Antônio Bivar e Isabel Câmara assinam a direção do show DRAMA, LUZ DA NOITE. Mais uma vez Bethânia lotou o Teatro da Praia. O show está registrado no disco LUZ DA NOITE lançado em dezembro do mesmo ano. 

Em 1974, Bethânia e Fauzi Arap se reencontram para montar o show A CENA MUDA. Com esse show Bethânia comemorou 10 anos de carreira. E foi justamente em cima do tema sucesso que ela e Fauzi traçaram o roteiro musical. O disco A CENA MUDA foi gravado ao vivo no Teatro Casa Grande e lançado em novembro de 1974. 

Chico Buarque e Maria Bethânia despontaram o cenário musical brasileiro praticamente na mesma época. Entretanto nunca tinham pisados juntos num mesmo palco. Esse memorável encontro aconteceu no dia 6 de junho de 1975, idealizado por Caetano Veloso, Rui Guerra e Oswaldo Loureiro. Desse encontro surgiu o lp CHICO BUARQUE E MARIA BETHÂNIA GRAVADO AO VIVO NO CANECÃO, lançado pouco depois da estréia, reunindo os melhores momentos do show. 

No início de 1976, Bethânia entrou mais uma vez em estúdio. Dessa vez para gravar o lp PÁSSARO PROIBIDO, marco de sua carreira. Além do primeiro disco de ouro recebido pela vendagem deste lp, Maria Bethânia, através da música OLHOS NOS OLHOS de Chico Buarque, deixou de ser uma cantora executada somente nas rádios FM para ocupar os primeiros lugares das emissoras AM e ser definitivamente consagrada como uma cantora popular. 

Em julho de 1976 se realizou um encontro histórico: após 10 anos de carreiras individualmente vitoriosas Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa assumiram a identidade de um novo grupo OS DOCES BÁRBAROS. A estréia nacional ocorreu no dia 24 de junho no Anhembi, de São Paulo. 

Toda a efervescente trajetória de OS DOCES BÁRBAROS foi captada pelo diretor Jom Tob Azulay e transformada num divertido, controvertido e satírico longa metragem musical. O registro em disco está num album duplo lançado pela Philips em novembro de 1976. 

No dia 13 de janeiro de 1977, estreava no Teatro da Praia, PÁSSARO DA MANHÃ, um show leve, menos tenso que os anteriores, dirigido por Fauzi Arapi e cenários de Flávio Império. O show ficou registrado num belo lp do mesmo nome. trata-se de um registro de estúdio e não de um disco ao vivo. Com este lp, Maria Bethânia recebeu o segundo disco de ouro da sua carreira. 

Em maio de 1978, Caetano e Bethânia subiram no palco do teatro Santo Antônio. O espetáculo, roteiro de Caetano e Bethânia com sua direção geral, está registrado no lp MARIA BETHÂNIA E CAETANO VELOSO AO VIVO, gravado na Bahia e no Rio (Canecão). 

Pouco antes do natal de 1978 foi lançado o lp ALIBI que pela vendagem antecipada já chegava às lojas como disco de ouro. Todo esse sucesso foi mostrado ao vivo. Dirigida por Fauzi Arapi e cenário de Flávio Império, Maria Bethânia estreou no Teatro Cine Show Madureira (24-29 de julho). 

No mesmo de dezembro de 1979 aconteceu o lançamento do disco MEL. A década de 70 encerraria para Maria Bethânia de um modo particularmente especial. Ela foi a única cantora convidada para participar do especial de fim de ano de Roberto Carlos, produzido pela Rede Globo. Em janeiro de 80, Bethânia pisava no palco do Canecão com o show MEL, dirigida por Wally Salomão. 

Em 1980 a década é aberta com lp TALISMÃ, outro sucesso de vendas e que manteria a sua consagração junto ao grande público e crítica. 

Em 1981 volta ao Teatro da Praia, 10 anos depois de ROSA DOS VENTOS, para estrear o espetáculo ESTRANHA FORMA DE VIDA novamente dirigida por Fauzi Arapi e com cenário de Flávio Império. São apresentados 54 números - entre músicas e textos - que compõem o roteiro. No mesmo ano sai o disco ALTEZA. 

Em 1982 volta ao Canecão (Rio) dirigida por Bibi Ferreira no show NOSSOS MOMENTOS, uma colagem de seus shows anteriores entremeados de canções novas, algumas compostas especialmente para o show. O disco homônimo sai a seguir. 

Em 1983 desgastada com a super exposição alcançada pelo grande sucesso e as super vendas de seus discos e a consequente pressão das gravadoras, volta ao disco com CICLO. Nele ouvem-se canções acústicas e letras sofisticadas, quebrando regras que pareciam permanentes em sua discografia. Aclamado pela crítica e recebido com estranhamento pelo grande público, liberta a cantora de compromissos e à traz de volta à liberdade que sempre a caracterizou na elaboração de seu trabalho. 

No ano de 1984 estréia no Canecão (Rio) o show A HORA DA ESTRELA dirigido por Naum Alves de Souza baseado na obra de Clarice Lispector, um projeto ambicioso com linguagem teatral com música. O repertório trazia canções de Chico Buarque e Caetano Veloso feitas especialmente para o espetáculo. A seguir é lançado o disco A BEIRA E O MAR. Pouco divulgado pela gravadora, passaria desapercebido não fosse o repertório impecável que misturava algumas canções do show A HORA DA ESTRELA com canções inéditas e regravações. Neste disco encontra-se a gravação antológica da canção NA PRIMEIRA MANHÃ de Alceu Valença. 

Em 1985 estréia no Canecão o espetáculo 20 ANOS, novamente uma colagem de espetáculos anteriores, dirigido por Bibi Ferreira. 

Em 1986 Bethânia assina contrato com a RCA para a gravação de 3 discos, o primeiro é DEZEMBROS, disco com canções inéditas de Tom Jobim, Chico Buarque e Caetano Veloso, e uma feita especialmente para ela por Milton Nascimento chamada CANÇÕES E MOMENTOS escrita em homenagem à comovente interpretação da canção A PRIMEIRA MANHÃ feito por ela. 

Em 1988 sai o disco MARIA com participações especiais de Jeanne Moreau e Gal Costa. Na capa uma negra em vez de uma foto da cantora "Simbolizando todas as Marias do mundo." Estréia no Scala (Rio) o show MARIA dirigido por Fauzi Arapi. 

No ano de 1989 é lançado o disco MEMÓRIA DA PELE com canções de Djavan, Chico Buarque entre outros. No Scala (Rio) é apresentado o espetáculo DADAYA - AS 7 MORADAS dirigido por Ulysses Cruz feito para ser apresentado no exterior. 

1990. Os 25 anos de carreira é celebrado com disco e show 25 ANOS. O disco traz participações especiais de Nina Simone, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, João Gilberto entre outros. O show dirigido por José Possi Netto estréia no Imperator (Rio) e trazia textos de Fausto Fawcett e uma interpretação comovente de EXPLODE CORAÇÃO à capela. 

O disco OLHO D´ÁGUA é lançado em 1982. Sem o apoio da gravadora, mais uma vez o trabalho passa quase desapercebido, não ser pela inclusão da canção ALÉM DA ÚLTIMA ESTRELA em uma novela de televisão. 

O ano de 1993 traz de volta a recordista de vendas do tempo do disco ÁLIBI. O disco AS CANÇÕES QUE VOCÊ FEZ PRA MIM com músicas de Roberto e Erasmo Carlos é um estrondoso sucesso de público e crítica ultrapassando todos os limites de venda daquele ano. O show homônimo dirigido por Gabriel Villela no Canecão (Rio), traz de volta em termos de números e prestígio a consagração da cantora. 

Novamente um rompimento com a gravadora para manter a qualidade inabalável e despreocupada com números de sua carreira. Assina contrato com a gravadora EMI Odeon e lança o disco ÂMBAR com canções de novos compositores como Chico César, Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhoto. O show homônimo dirigido por Fauzi Arapi traz os poemas de Fernando Pessoa declamados por ela entremeados de canções inéditas e outras conhecidas do público. 

Em 1997 sai o registro do show ÂMBAR em um cd duplo intitulado IMITAÇÃO DA VIDA.

 


2011 - Maria Bethânia - 65 anos

 


Maria Bethânia vai completar 65 anos no próximo sábado, 18 de junho de 2011.


 




Para celebrar a data, a Universal Music põe nas lojas duas caixas, Maria e Bethânia, que embalam os 26 álbuns lançados pela intérprete nas gravadoras Elenco e Philips entre 1967 e 1995. 

Cada caixa agrega 13 CDs, sendo 12 álbuns originais e uma coletânea - Anos 70 na caixa Maria e Anos 80 e 90 na caixa Bethânia - que reúne gravações feitas pela intérprete em projetos coletivos e discos de colegas. 

Tais compilações são iscas para os fãs de Bethânia, já que a obra da cantora na Universal Music já foi relançada de forma avulsa em 2006 em edições remasterizadas e com textos de Rodrigo Faour sobre cada título. 

Além das coletâneas, as atuais reedições incluem os discos Quando o Carnaval Chegar (1972) e Doces Bárbaros (1976), omitidos na coleção posta nas lojas em 2006. 

Eis o conteúdo das caixas Maria e Bethânia e suas respectivas coletâneas:


MARIA

* Edu & Bethânia (1967)
* A Tua Presença (1971)
* Rosa dos Ventos - O Show Encantado (1971)
* Quando o Carnaval Chegar (1972)
* Drama - Anjo Exterminado (1972)
* Drama 3º Ato - Luz da Noite (1973)
* A Cena Muda (1974)
* Chico Buarque & Maria Bethânia ao Vivo (1975)
* Pássaro Proibido (1976)
* Doces Bárbaros (1976)
* Pássaro da Manhã (1977)
* Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo (1978)


Coletânea Anos 70
1. De Manhã
2. Apelo
3. O que Tinha de Ser
4. Viramundo
5. Asa Branca / Último Pau-de-Arara / Pau-de-Arara
6. Não Tem Solução
7. Preciso Aprender a Só Ser
8. Oração de Mãe Menininha
9. Coração Ateu
10. Esotérico
11. O Seu Amor
12. São João, Xangô Menino
13. Cavalgada

BETHÂNIA

* Álibi (1978)
* Mel (1979)
* Talismã (1980)
* Alteza (1981)
* Nossos Momentos (1982)
* Ciclo (1983)
* A Beira e o Mar (1984)
* Memória da Pele (1989)
* Maria Bethânia 25 Anos (1990)
* Olho d'Água (1992)
* As Canções que Você Fez pra mim (1993)
* Maria Bethânia ao Vivo (1995)





Coletânea Anos 80 e 90
1. Brincar de Viver
2. Salva Vida
3. Sereia Guiomar
4. Hino a Nossa Senhora da Purificação
5. Roda Ciranda
6. Caminhemos
7. Tarde em Itapoã
8. Morena do Mar
9. Libertar
10. Frevo nº 2 do Recife
11. Segue o Teu Destino
12. O Navio Negreiro
13. Pássara
14. Preciso Aprender a Ser Só
15. Linda Flor (Yaya)