domingo, 1 de febrero de 2026

2015 - ABRAÇAR E AGRADECER - 50 anos de carreira

 


Maria Bethânia celebra 50 anos de carreira com show no Rio em janeiro


29/12/2014

 

Foi em 13 de janeiro de 1965, no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, que uma menina de 17 anos estreava nos palcos. Era Maria Bethânia, que chegava do interior da Bahia, por indicação de Nara Leão, para substituí-la no espetáculo Opinião. 50 anos depois Bethânia virou uma das maiores vozes do país, com talento reconhecido, aclamada pela crítica e pelo público, não só aqui, mas também lá fora. 

Meio século depois daquela noite em que ela conquistou o público após interpretar 'Carcará', a cantora celebra sua trajetória com um show em que vai celebrar seus 50 anos de carreira. Vai ser nos dias 10, 11, 15, 17 e 18 de janeiro, no Vivo Rio.

 O novo espetáculo se chama 'Abraçar e Agradecer' e nele Bethânia canta músicas de todos os tempos, inéditas em sua voz ou não, com canções compostas especialmente para ela por nomes como Paulo Cesar Pinheiro, Dori Caymmi e Chico Cesar, e trará textos de Wally Salomão, Clarice Lispector e Carmem Oliveira, além de apresentar compositores novos e uma versão inédita feita especialmente para ela por Nelson Motta. Não ficarão de fora músicas do repertório do seu último CD 'Meus Quintais', como 'Dindi' (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), 'Xavante' (Chico César) e 'Uma Iara' (Adriana Calcanhotto e Cid Gomes). A turnê segue para São Paulo em março, com shows agendados entre os dias 14 e 22 no HSBC Brasil, e depois seguirá viagem durante todo o ano de 2015.
















Maria Bethânia canta Piaf em show de 50 anos de carreira



13/01/2015

 

Maria Bethânia deu a largada às comemorações de seus 50 anos de carreira com a estreia da turnê Abraçar e Agradecer no Vivo Rio, neste fim de semana. Dividido em dois atos, o show – que tem direção de Bia Lessa - trouxe alguns de seus grandes sucessos, como Rosa dos Ventos, A tua presença, Gostoso demais, além de canções de seu mais recente álbum, Meus Quintais. Intercalando canções com textos de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Wally Salomão e dela própria, Bethânia tinha algumas surpresas para o seu fiel público, entra elas, o clássico francês Non, je ne regrette rien, lançada por Edith Piaf no início dos anos 1960. A letra, que a cantora recitou trechos em português, diz “Não me arrependo de nada”. Nada mais apropriado, não? A baiana deu o seu recado.

A cantora ainda brindou o público, no bis, com Brincar de Viver, canção de Guilherme Arantes, feita para o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum, exibido pela TV Globo em 1983. Bethânia jamais a havia cantando em um show. A tão esperada Carcará, música que a projetou nacionalmente, em 1965, aparece apenas em uma pequena brincadeira de Bethânia. A turnê Abraçar e Agradecer chega a São Paulo em março.


Foto: Alexandre Moreira

























Foto: Marcos Ramos



Foto: Marcos Ramos

Foto: Marcos Ramos





Brasília, 6 de março de 2015



Foto: Karina Zambrana



Foto: Karina Zambrana


Foto: Karina Zambrana


Foto: Karina Zambrana




Maria Bethânia comemora carreira com muito trabalho e sem arrependimentos

 
 
Flavia Guerra
Do UOL, em São Paulo
15/03/2015

 

“Tem que ser mulher! Dá trabalho fazer 50 anos”, bradou Maria Bethânia ao ser ovacionada no final da primeira apresentação de "Abraçar e Agradecer" que fez em São Paulo, na noite de sábado (14/3), no HSBC Brasil. A cantora, que comemora com a turnê (iniciada no Rio em 11 de janeiro e, em seguida com show em Brasília, no dia 06 de março) cinco décadas na estrada, presenteou seu público com um show tão espontâneo quanto bem planejado.

“Agradeço aos amigos que gostam de mim. Apesar de mim”, declamou ela logo de início. Acompanhada da banda formada por Jorge Helder (regência e contrabaixo), Túlio Mourão (piano e acordeom), Paulo Dafilim (violas e violão), Pedro Franco (violão, bandolim e guitarra), Marcio Mallard (cello). Pantico Rocha (bateria) e Marcelo Costa (percussão), Bethânia mostrou vigor e se movimentou com força e delicadeza por um repertório que variou do ‘universo exterior’, no primeiro ato, ao ‘universo interior’, no segundo.

Uma viagem pelas canções que escreveram sua carreira, iniciada oficialmente em 13 de fevereiro de 1965, quando substituiu Nara Leão no espetáculo Opinião, no Rio, com direção de Augusto Boal. Desde então, e de sua interpretação lendária de "Carcará", que a tornou famosa em todo o País, muitos foram os espetáculos. Nesta história, que ela relembra, abraça e agradece, não há espaço para saudosismo. Ela revisita seu passado, mas finca os pés descalços no presente e mira o futuro.

Vestindo dourado no primeiro ato de um show milimetricamente dirigido por Bia Lessa (direção e cenografia) e por Guto Graça Mello (direção musical), ela abriu com "Eterno em Mim" (Caetano Veloso, 1996) e seguiu com "Dona do Dom" (Chico César, 2001) para, então, cantar pela primeira vez "Gitâ" (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) em versão integral. Como se ouvíssemos uma biografia musical, cada canção que sucede a outra conta um pouco da vida, dos trabalhos, dos amores, paixões, acertos, desvios, retornos, deuses e orixás desta mulher que “tem mais coragem do que homem” e que completa 69 anos em junho.

No roteiro do show idealizado pela própria Bethânia, praticamente não há pausa entre uma música e outra; e os acordes mudam também com a mesma rapidez. Vez ou outra, como já é tradição, ela declama textos de Clarice Lispector, Waly Salomão, Fernando Pessoa, e até mesmo de sua autoria. Estes, assim como as canções, dizem muito sobre ela.

Enquanto alternava clássicos como "Tatuagem" (Chico Buarque, 1973) e "Dindi" (Tom Jobim Aloysio de Oliveira, 1959) com composições novas, como "Voz de Mágoa" (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2015) e "Silêncio" (Flávia Wenceslau, 2015), sobre cada um dos músicos havia apenas uma luminária de acrílico. Sobre Bethânia e o palco, feixes de luz ora coloridos ora brancos, criavam tanto uma noção espacial quanto uma atmosfera propícia a cada música.


Chão de LED e de estrelas


Além da iluminação de Binho Schaefer, outro recurso cenográfico acertado foram os telões  de LED sob o palco, em que imagens de águas claras, cenas bucólicas, entre outras, criavam um imaginário para as canções. Para os que viram o show do alto, as imagens  dos telões também eram exibidas sob os pés de Bethânia, criando, no chão de LED, ora um tapete de rosas, ora um mar agitado, um céu cheio de nuvens ou de estrelas. Era este universo de Bethânia que se completava com o figurino criado por Gilda Midani (que também a vestiu em outras turnês e no show que fez em Santo Amaro da Purificação, em fevereiro).

A propósito, a saia, a blusa e o colete dourados que ela vestiu no primeiro ato evocam as cores de Oxum, que cantou em "Oração de Mãe Menininha" (Dorival Caymmi, 1972), no início do segundo ato. Para a segunda metade de um show longo, com 37 canções, voltou ao palco de dourado e vermelho, a cor de Iansã, a quem ela homenageou em "Vento de lá" (Roque Ferreira, 2007).

Depois de seu passeio pelo interior, foi com "Motriz" (Caetano Veloso, 1983) que ela celebrou sua força e entoou as palavras de Clarice Lispector: “Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.”

Por fim, depois da inédita "Eu te Desejo Amor" (versão de Nelson Motta para "Que reste-t-il de nos amours", de Charles Trenet), admite, entoando Fernando Pessoa: “Sou eu, eu mesmo. Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.” E encerra, sem arrependimentos, entoando "Non, Je ne Regrette Rien" (Charles Dumont e Michael Vaucair, 1935) e, em seguida, pede "Silêncio", “pra me lembrar de tanta coisa que sonhei”. E sob os acordes da vinheta de "Carcará", um presente dos músicos para ela, gesticulou: “Pega, mata e come!”
 

Esfuziante, a plateia pediu bis, mas Bethânia disse que não havia preparado nada. E emendou os primeiros versos de "O Que é, o Que é?" (Gonzaguinha). “Esta música eu vou cantar em minha vida, enquanto eu cantar, eu vou cantá-la. Gonzaguinha!  Viver… Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”, arrancando arrepios até dos mais céticos da plateia. “É a vida. É bonita.”


Serviço
Abraçar e Agradecer 
Local: HSBC Brasil (Rua Bragança Paulista, 1281 - Chácara Santo Antonio)
Data: 15, domingo, 19, quinta, 21 e 22 de março, sábado e domingo
Horário: sábado e quinta-feira: 22hs e domingo: 20hs
Classificação: 14 anos. Menores desta idade somente acompanhados dos pais ou responsáveis
Preços: de R$ 280,00 a R$ 140,00 - INGRESSOS ESGOTADOS
Capacidade: 4 mil lugares


 

Foto: Sebastian Freire


Foto: Sebastian Freire