16/09/2013
Caetano
Veloso homenageia Dona Canô, que faria 106 anos
Caetano ainda bebê no colo de Dona Canô
Hoje
é o primeiro 16 de setembro em que não estamos com minha mãe na missa e na
festa em Santo Amaro. Até o ano passado, quando ela completou 105 anos, Dona
Canô esteve presente e atuante em todos os lugares por onde se estendia o
festejo. Da Igreja da Purificação à nossa casa na Rua do Amparo, ela nunca
pareceu sentir incômodo com a balbúrdia. A casa é até larga, com duas alas ao
lado da porta guarnecida por um portãozinho de ferro rendado. Mas é muito mais
comprida (as outras, vizinhas, quando são estreitas, são igualmente longas, com
corredores que chegam a quintais que vão dar na Estrada dos Carros). As festas
de aniversário de minha mãe pareciam festas de largo, começando na calçada e se
estendendo até o fundo do quintal. Minha mãe percorria várias vezes essa
longura na cadeira de rodas, passando por tantos amigos e parentes de todas as
idades. Para mim é uma data incrivelmente mágica o dia do nascimento de minha
mãe. Ela era a vida. E era toda a sabedoria que a vida pode ter sobre si mesma.
Tenho saudade do tempo em que ela, cabelo todo preto e muito curto, tocava
prato no samba-de-roda (Edith era a mestra, mas minha mãe também tinha a
pegada). Hoje não estou em Santo Amaro. Nem sequer estou no Brasil. Faz muito
frio em Buenos Aires e chove. Mas está tudo bonito assim na madrugada. Sempre
que consigo me sentir um pouco alegre, dou graças a minha mãe.
Caetano
Veloso
(del Blog del sitio web de Caetano Veloso)
15/09/2013
Missa
na segunda-feira lembra nascimento de Dona Canô na Bahia
Matriarca dos Veloso
completaria 106 anos neste 16 de setembro.
'Cerimônia simples, mas bonita, com missa cantada', diz Mabel Veloso.

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