sábado, 13 de diciembre de 2014

1995 - PROJETO AXÉ



 
 

















FOLHA DE S.PAULO
São Paulo, quarta-feira, 6 de setembro de 1995

Caetano confirma apresentação extra

DA REPORTAGEM LOCAL

Uma apresentação extra do show "Fina Estampa, de Caetano Veloso, com renda revertida para o Projeto Axé foi confirmada para a próxima segunda-feira, dia 11, às 21h, na Tom Brasil, em São Paulo.

Caetano enviou uma carta ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, convidando-o para o show beneficente.

Caetano Veloso e toda a equipe -músicos, técnicos, roadies- vão abrir mão do cachê em benefício do projeto, que atende 3.087 crianças carentes em Salvador.

Toda a bilheteria arrecadada -se todos ingressos forem vendidos, a renda chega a R$ 55 mil, segundo Paulo Amorim, 41, um dos proprietários da Tom Brasil- será doada à instituição.

O Axé vem enfrentando dificuldades desde maio deste ano, quando um "pool" de empresas baianas, que cobria a folha de pagamentos e os encargos sociais, deixou de contribuir com o projeto.

Segundo o presidente do Axé, o italiano Cesare Florio de La Rocca, 57, "Caetano vem dando muito apoio ao projeto.

Um estande do Projeto Axé montado na Tom Brasil vende camisetas e recolhe contribuições (veja texto nesta página).

Os ingressos para o show extra já estão à venda, com preços de R$ 35,00 a R$ 80,00. A Tom Brasil fica na r. Olimpíadas, 66, tel.: 011/820-2326.











1997








 


Caetano curtiu o desfile da platéia com seu filho Tom, 3 anos. Foto: Valter Pontes




3/4/2014

Caetano Veloso participa de evento do "Projeto Axé"




"A Bahia tá viva ainda lá. Fui fazer uma palestra musicada em Salvador, para o pessoal do Projeto Axé. Essa organização se dedica à educação dos meninos e meninas de rua de Salvador. “De rua”, aliás, é uma caracterização que os dirigentes do Axé não aprovam. Eles vêm realizando um trabalho importante na Bahia há quase 25 anos. Discípulo de Anísio Teixeira e de Paulo Freire, Cesare Rocco tem encontrado, com sua admirável turma de colaboradores, meios de estimular uma garotada arrancada da desesperança a desejar crescer intelectual, afetiva e moralmente. A “aula” que eu me comprometi a dar era sobre Caymmi. Melhor assunto não há. Levei meu violão e cantei algumas das muitas canções que sei desse autor (antigamente eu tinha a ilusão de que sabia todas: ele não tem um repertório muito extenso, tendo sempre preferido concentrar-se na qualidade, ou melhor, na necessidade do aparecimento de certas canções). Foi uma ida relâmpago a minha terra. Antes eu tinha estado em Belém, uma das cidades mais bonitas e condutoras da imagem que o Brasil faz de si mesmo. Ao menos através de mim. ..." 
[Caetano Veloso, 6/4/2014, O GLOBO, "Cidades e canções"]





O Projeto Axé realizou, mais uma formação de seus trabalhadores visando o planejamento para realização das atividades artísticas e pedagógicas em 2014. A Formação se deu em homenagem ao centenário de Dorival Caymmi, cantor e compositor maior da Bahia, que deu voz e realçou a humanidade a partir de sua vivência com a música e a poesia, e o cantor, compositor, poeta e escritor Caetano Veloso, os quais serão à luz do nosso trabalho anual.

Pelo quarto ano consecutivo a formação foi realizada no Hotel Portobello, em Ondina, e contou com a participação de toda a equipe educante do Projeto Axé: coordenadores, gerentes, técnicos, educadores, arteducadores, motoristas e nutrição. Todos ávidos de mais viver e mais saber, numa comunhão de esforços para acolher os educandos ainda melhor preparados.

Este ano, o Axé contou com a presença ilustre de Caetano Veloso, unindo expoentes da cultura brasileira para aprofundar conhecimentos e enriquecer ainda mais os nossos saberes.

O Centenário de Caymmi contemplado pelo olhar de Caetano Veloso para o Projeto Axé.
















Valdemir Santana
Coluna do dia 4/4/2014

Recordações tropicalistas em sorveteria Cubana

Caetano Veloso aproveitou o convite do “Projeto Axé” para participar da cerimônia anual de formação profissional das crianças atendidas pela famosa ONG, e depois de sair do Pelourinho, onde aconteceu o evento, esticou o passeio pelo centro. O criador do movimento tropicalista foi parar naquelas mesinhas charmosas da “Cubana Sorvetes”, ao lado do Elevador Lacerda. E se esbaldou com uma taça do icônico Maltado, o milk shake sensação da famosa sorveteria.

A aventura turística no centro rendeu foto nas redes sociais postada pelo próprio artista. E fez sucesso entre os internautas que não pararam de comentar sobre a casa. E não era para menos. A sorveteria foi fundada em 1930, quando o sorveteiro Baltazar Moas fugiu de Havana e veio tentar a vida em Salvador. Na época, Cuba era um protetorado dos Estados Unidos, dominada pela famosa “Emenda Pratt”, e a vida política local, um inferno quase igual ao de hoje.

Depois que Baltazar Moas fugiu, Fulgêncio Batista tomou o poder, fez de Cuba um balneário de sonhos, em seguida o cortejo de Fidel Castro desceu gloriosamente da Sierra Maestra e fez o que fez, mas bem distante, a “Cubana Sorvetes” virou ícone entre os jovens de Salvador. Caetano Veloso estudou Filosofia na Ufba nos anos 1960, quando a sorveteria estava no auge. Deve ter passado um filme e tanto na cabeça do cantor, enquanto tomava o famoso maltado da Cubana.



6/4/2014

Coluna VIP

Telma Alvarenga

Caê no Pelô

Caetano Veloso veio a Salvador, onde foi homenageado pelo Projeto Axé, no Pelourinho.

A cada ano, um tema serve de base para os trabalhos dos alunos. Em 2014, o escolhido é Poética e Música de Dorival Caymmi e Caetano Veloso. Caê aproveitou a visita ao Centro Histórico para matar as saudades da Cubana.

O cantor tomou um milk shake na sorveteria e a foto foi postada nas redes sociais.


3/4/2014 - 


“ . . .
Você nasceu em Santo Amaro, viveu um período importante em São Paulo, mora e cria seus filhos mais jovens no Rio. Quando voltou de Londres, disse que Curitiba tornara-se a sua cidade favorita, mas que imaginava uma recuperação como a da cidade paranaense na época - que resgatara o Largo da Ordem - na Cidade da Baía. Gostaria que falasse sobre Salvador e sua relação com a cidade.

Salvador foi minha primeira cidade grande. Nunca nenhuma foi maior. Tomei meu primeiro milk-shake na Cubana quando tinha uns 8 anos. Nunca me esqueci. Faz poucos dias, estive na Cubana e tomei um milk-shake com aqueles bolinhos de lá, que são sempre os mesmos. A prefeitura horrível, que Lelé fez para ser provisória, está pintada de branco, o que a deixou leve e salvou a visão da Praça Municipal. O sol estava se pondo por trás dos vidros do Elevador Lacerda. Havia uma grande beleza. Passei pela Barra e vi os trabalhos de finalização do calçadão. Tomara que fique bom. Eu queria que ACM Neto ganhasse a eleição e espero não ter do quê me arrepender. Quando vi o Largo da Ordem tão bem em Curitiba, nos anos 1970, achei que se a região do Pelourinho fosse restaurada - de qualquer maneira - o Brasil teria jeito. O fato é que isso aconteceu. Mesmo com os recuos e as dificuldades, quando vejo que a Bahia, mesmo desfigurada por tudo o que aconteceu nessas décadas (do "milagre brasileiro", que mais serviu para apressar o despovoamento das áreas rurais e superlotar as cidades do que para qualquer outra coisa, às administrações ruinosas de Fernando José e João Henrique, para não falar no boi que Waldir Pires deixou para nós quando abandonou o governo), está viva ainda. Há esperança. Precisamos ver a Praça Castro Alves revitalizada, com o Cine Glauber Rocha, meu amado antigo Cine Guarani, funcionando a todo vapor e outros empreendimentos prosperando. Moro no Rio principalmente porque meus filhos cresceram lá. Quando voltei de Londres, morei em Salvador por três anos. Eu queria fazer psicanálise e aqui não tinha. Planejei ir para São Paulo. Sempre amei o Rio, mas viver e trabalhar em São Paulo me parecia mais concentrado e produtivo. Dedé não queria ir para São Paulo - e eu, afinal, sou um homem do litoral. Fomos, ela, Moreno e eu, para o Rio. Mas, fosse Rio ou São Paulo, eu tinha certeza de que era uma estada provisória: queria voltar para a Bahia. A verdade é que nunca deixei a cidade de todo: mantive a casa de Ondina com Dedé e, depois, comprei uma casa no Rio Vermelho com Paulinha (onde estou neste momento em que respondo a estas perguntas). Sempre passei os verões aqui. Nos últimos anos, tenho ficado menos tempo em Salvador. E este último Carnaval nem vim ver. Sinto falta. Penso menos em voltar a morar aqui do que antes. Mas me sinto ligado ao lugar. Fora do Brasil, acho que só poderia viver em Nova Iorque. Mas não tenho vontade nenhuma de viver fora do Brasil. Me sinto em casa no Rio, a cidade em que mais longamente tenho vivido. Mas a Bahia ocupa um lugar mais central dentro de mim. . . ."

[Caetano Veloso, 4/5/2014 – Entrevista Marina Novelli, Revista Muito, A TARDE]



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