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martes, 11 de junio de 2024

2022 - ZECA VELOSO - O SOPRO DO FOLE

 

Maria Bethânia grava pela primeira vez uma música de autoria do sobrinho Zeca Veloso, artista carioca revelado como compositor há seis anos na voz de Gal Costa – com o registro da canção "Você me deu" no álbum Estratosférica (2015) – e projetado há quatro anos no show Ofertório (2017), feito por Zeca em família com o pai, Caetano Veloso, e com os irmãos Moreno Veloso e Tom Veloso.


‘O sopro do fole’, composto por Zeca Veloso e apresentada como canção de exílio de inspiração nordestina, é uma das onze músicas que formam o repertório de "Noturno", álbum que Maria Bethânia lançará em 30 de julho de 2021, em edição da gravadora Biscoito Fino, inclusive no formato de CD.


03/7/2021 - Álbum "Noturno"



- Agora fale sobre 'O Sopro do Fole', composição do Zeca Veloso.

Pois é. Meu sobrinho. Acho deslumbrante essa música, porque tem um escuro noturno dentro dela, uma força que se agiganta no ser humano. Quando me mostrou a música, Zeca não me pediu para gravar, era apenas para eu saber que ele se inspirou em mim. Só disse isso. Mas, quando ele começou a cantar, notei que, no primeiro verso, tem a palavra vento. Tenho uma ligação muito forte com essa palavra, pois tem relação com meu orixá. Já fico louca quando se fala em vento, me aproximo. Fui ouvindo e achando cada verso mais bonito que outro. E fiquei muito encantada em ver o Zeca, que é tão urbano, tão carioca, fazer uma canção regional, do sertão. É um vislumbre, uma sensibilidade. E eu ter inspirado esse pensamento, esse passeio por essa área, me alegra muito porque é uma área deslumbrante, musical, nobre. Acabei fazendo o arranjo, que ganhou força com o acordeão do Toninho Ferragutti, que atendeu ao meu pedido: quero frases entre as palavras. Uma conversa paralela porque a letra se refere à amplidão do fole. Não importa que seja ilustrativo, pois acho que me traduz tão lindamente. “Moço, esse vento que vem ali / Tirou meu chapéu, balançou meu cordão” - é muito forte, guerreiro. E se parece comigo. Tanto acredito que pedi para gravar.

Ubiratan Brasil entrevista Maria Bethânia, 30/7/2021 



Escrita por Zeca com inspiração na guarânia sertaneja e nas músicas caipiras que sua tia Maria Bethânia canta, a canção tem dois momentos: Bethânia emprestou sua interpretação à composição e gravou a primeira versão da música para o álbum “Noturno”, de 2021. A inspiração transbordou e Zeca completou “O Sopro do Fole” com uma segunda parte, que traz mais do interior e celebra a música rural.



6/5/2022


O SOPRO DO FOLE

Letra e música: Zeca Veloso

 

“Moço, esse vento que ali

Tirou meu chapeu, balançou meu cordão

É o sopro do fole de festa que aqui

Chegou do sertão

É nota tão clara bem na minha mão

Apertando os baixo do meu coração

É tudo que eu deixo pra trás sem mais não

No seco do chão

Eu

Sou passarinho sem casa

Mexendo a asa

Eu vivo no mundo mas não sou daqui

Pinga um pouco de água

Quando não consigo mais voar

Passa o trabaio e a boiada

É pousar na viola e tocar um modão

Não me diga que não gosta não

Moço, esse vento que aqui

Beijou meu cavalo na beira do mar

É o canto-seresta de quem já passou

E tá pra voltar

É o sopro que acende a máquina do Rio

Que vem lá do fundo do nosso Brasil

Quem viu, quem cantou, quem chorou, quem sorriu

Falou e subiu

Ê

É ferro, é fogo, é pisada

Ê, vaquejada

Ô, boa-nova, notícia-clarão

Eu já tenho em minha mão a senha, a cela e o esporão

O alazão a esperar o sertão virar mar

O mar acender em fogo então

É o fim, é o início, eu cantei

É a festa da volta do rei”

 



Dezembro de 2021, Santo Amaro - Maria Bethânia, Rodrigo Velloso e Zeca Veloso
Foto: Hick Duarte



Dezembro de 2021, Santo Amaro - Maria Bethânia, Rodrigo Velloso e Zeca Veloso
Foto: Hick Duarte



ZECA VELOSO LANÇA “O SOPRO DO FOLE” COM INSPIRAÇÃO NA GUARÂNIA SERTANEJA 

A FAIXA É A PRIMEIRA DE SEU ÁLBUM DE ESTREIA


Redação

06.05.2022

 



Foto: Hick Duarte

Assim como o fole, que, em um instrumento musical, mantém o fluxo constante de ar, permitindo a emissão dos sons, Zeca Veloso refresca as nuances do interior e circula entre diferentes perspectivas a partir da música que vem de lá em “O Sopro do Fole”. Homenageando a arte e os costumes, ele narra uma conversa do campo para a cidade, do interior para o litoral. A faixa é a primeira de seu álbum de estreia. 

Escrita por Zeca Veloso com inspiração na guarânia sertaneja e nas músicas caipiras que sua tia Maria Bethânia canta, a canção tem dois momentos: Bethânia emprestou sua indiscutível interpretação à composição e gravou a primeira versão da música para o álbum “Noturno”, de 2021. A inspiração transbordou e Zeca completou “O Sopro do Fole” com uma segunda parte, que traz mais do interior, além de celebrar a música de nomes como a saudosa Marília Mendonça e João Gomes.

 


Foto: Hick Duarte


“Pode-se dizer que ‘O Sopro do Fole’ é sobre o sertanejo na cidade grande, no litoral, no Rio. O sertão que me inspirou a fazer essa música é tanto o de Elomar, quanto o de Marília Mendonça, é tanto o de Cascatinha e Inhana, quanto o de Zé Neto e Cristiano ou Gusttavo Lima. É tanto o de Almir Sater, Sérgio Reis… a moda de viola, quanto o de Maiara & Maraísa. Tanto o de Xangai, quanto o de Zé Vaqueiro, João Gomes, mas, embora minha música possa parecer mais com a dos primeiros, foi principalmente por ver o Rio de Janeiro tomado pela música dos segundos que eu compus essa canção. Fole é um jeito de chamar o acordeom, mas também é um instrumento usado para acender o fogo”, explica. 

“O Sopro do Fole” chega acompanhada de clipe que apresenta o conceito elaborado pelo artista. O vídeo estabelece uma sensível relação traduzida nas imagens que acompanham a canção, como explica Zeca: “Na música, um homem sertanejo fala com um moço do Sudeste sobre a vinda da gente do interior para a cidade grande, e da música rural com ela, usando o acordeom como símbolo. No clipe, que dirigi com meu parceiro Pedro Koeler, apareço com o fole no peito, no Rio, e em cenas no campo e na roça, filmadas em Minas. De alguma forma, talvez eu interprete esse eu lírico da música. Mas penso melhor no vídeo sentido do que explicado”. 

Sobre a letra, ele acrescenta: “Eu tinha acabado de ouvir uma guarânia gravada por um cantor sertanejo mineiro, e a melodia de ‘O Sopro do Fole’ apareceu na minha cabeça enquanto pensava nas músicas caipiras que minha tia Bethânia canta. Junto com as primeiras notas do refrão, eu ouvia ‘eu sou passarinho sem casa…’ e fiquei com a ideia, que eu chamava de ‘passarinho’, um tempo na cabeça. Terminei fazendo em volta dela a primeira parte da letra: um homem sertanejo fala com um rapaz do litoral. 'Moço, esse vento que aqui | Tirou meu chapéu, balançou meu cordão | É o sopro do fole de festa que aqui | Chegou do sertão' e termina com ‘Passa o trabaio e a boiada | É pousar na viola e tocar um modão | Não me diga que não gosta não’. 

Ele continua: “Era, pra mim, principalmente uma canção que se opunha ao preconceito contra a música e cultura sertanejas. Mostrei a Thiago Amud, que logo disse ‘você já sabe quem vai gravar, né?’. Eu pensei também em minha tia Bethânia, mas não imaginei que ela realmente fosse gravar. Ela ouviu a música, e algumas semanas depois tinha gravado e lançado no seu disco ‘Noturno’. Fiquei felicíssimo”. 

“Comecei a trabalhar no meu álbum e sentia que faltava uma segunda parte para aquela letra. Logo em seguida morreu uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, Marilia Mendonça. Talvez eu tenha tido coragem de escrever uma outra parte um dia antes, ou dois. Pra minha surpresa, me apareceu uma letra tão inspirada quanto a primeira. Menos consistente, mas maior por outro lado. Fala de mais coisas do sertão, faz referência a outras músicas do meu disco. Pra mim, tem Marília, tem uma homenagem ao grande João Gomes, que na época era #1 do Brasil”, finaliza.


martes, 14 de diciembre de 2021

2021 - 19° FESTIVAL DE MÚSICA EDUCADORA FM - Show de Maria Bethânia

 

Maria Bethânia na premiação do 19º Festival de Música Educadora FM

 









TVE 

Maria Bethânia é a homenageada do Festival de Música Educadora FM 

Uma das maiores artistas da história da música brasileira, a cantora e compositora baiana Maria Bethânia é a homenageada da 19ª edição do Festival de Música Educadora FM. 

Nascida em Santo Amaro e com 75 anos recém-completados, ela se apresenta no Teatro Castro Alves, em Salvador, no dia 12 de dezembro, após a cerimônia de premiação do maior festival de música da Bahia. Bethânia cantará canções de seu último trabalho, ‘Noturno’, além dos grandes sucessos que marcaram sua carreira, e os fãs poderão acompanhar ao vivo pela Rádio Educadora FM e pela TVE para toda a Bahia. 

Lançado em julho deste ano pela gravadora Biscoito Fino, o álbum ‘Noturno’ teve produção musical de Jorge Helder, produção artística de Ana Basbaum, direção musical e arranjos de Letieres Leite e direção geral de Kati Almeida Braga. No novo trabalho, a artista traz interpretações refinadas de músicas inéditas e o clássico Bar da noite, de Bidu Reis e Haroldo Barbosa. O álbum de 12 canções conta com a participação do cantor Xande de Pilares e tem composições de Adriana Calcanhoto e Tim Bernardes. 

Este ano, o Festival bateu mais uma vez o próprio recorde no número de músicas inscritas totalizando 1.329 composições. Além disso, o Festival bateu recorde também de cidades participantes. No total, foram contabilizadas inscrições de 111 municípios, distribuídos pela Bahia e em seis outros estados brasileiros. Na Bahia, o número de cidades também foi superior à última edição, contabilizando 96. Este ano, o festival recebeu pela primeira vez uma inscrição internacional, de um baiano residente no Reino Unido. 

O maior festival de composições inéditas da Bahia vai premiar músicos baianos com valores que variam entre R$ 1.000 e R$ 12.000, distribuídos nas categorias de melhor música com letra, melhor música instrumental, melhor intérprete de música com letra, melhor intérprete de música instrumental, melhor arranjo para música com letra, melhor arranjo para música instrumental e a música escolhida pelo público. Além disso, as 50 músicas selecionadas serão incorporadas à programação permanente da rádio. 

Nas últimas edições, o Festival de Música Educadora FM homenageou Tom Zé, Elza Soares, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Mateus Aleluia que realizaram suas apresentações nas cerimônias de premiação. 


SERVIÇO: 

Maria Bethânia na premiação do 19º Festival de Música Educadora FM 

Quando: 12 de dezembro, às 19h

Onde: Educadora FM, TVE e redes sociais

 


entretenimento

Ana Cristina Pereira

11.12.2021


Bethânia apresenta Noturno em primeira mão no TCA

Show da da cantora acontece neste domingo (12/12), no TCA, com transmissão na TVE, Educadora FM e YouTube

 

Ainda não vai ser agora que vamos ver Maria Bethânia, ao vivo, interpretando seu belo álbum Noturno. Mas a apresentação da cantora neste domingo (12/12), na festa de premiação do 19º Festival de Música Educadora FM, serve de aperitivo para o trabalho, lançado em julho pela gravadora Biscoito Fino. O evento acontece no Teatro Castro Alves, a partir das 19h, sem presença de público, mas com transmissão, ao vivo, pela Rádio Educadora FM e TVE, além do YouTube dos dois veículos.

Noturno tem produção musical de Jorge Helder, produção artística de Ana Basbaum, direção musical e arranjos do maestro Letieres Leite - que morreu em outubro - e direção geral de Kati Almeida Braga. No trabalho, todo produzido durante a pandemia, a artista traz interpretações minimalistas e fortes de doze canções, incluindo inéditas de Adriana Calcanhotto, Tim Bernardes, Chico César e Roque Ferreira.

“Meu disco tem muito voz e violão, voz e piano, porque era uma maneira de realizar. Foi a solução que encontramos. Fiz o disco em duas semanas e meia. Tinha todo o repertório, todas as ideias. As músicas chegaram e me carregaram”, disse Bethânia ao CORREIO na época do lançamento. Este clima intimista chega ao palco com os músicos Zé Manoel, Paulo Dáfilin, João Camarero e Marcelo Costa Real - que estiveram na gravação do álbum.

Ainda sem show comercial anunciado, Bethânia segue tocando projetos como o podcast Tabuleiro - cujo último episódio foi divulgado ontem, na rádio virtual Batuta, do Instituto Moreira Salles. Ela lê Luiz de Camões, Fernando Pessoa e outros autores contemporâneos de Portugal e canta um repertório que inclui a diva portuguesa Amália Rodrigues. Nos episódios anteriores, passou por Drummond, Augusto de Campos e Clarice Lispector, entre outros autores.

Neste domingo, às 19h, na Educadora FM, TVE e YouTube dos veículos.

FONTE: Correio





Foto: Ana Basbaum



Foto: Érico Pereira










1. MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS (Carlos Lyra/Vinicius de Moraes) 1962

2. YAYÁ MASSEMBA (Roberto Mendes/José Carlos Capinan) 2003

3. LAPA SANTA (Paulo Dáfilin/Roque Ferreira, 2021)

4. DE ONDE EU VIM (Paulo Dáfilin) 2021

5. MOTRIZ (Caetano Veloso) 1983

6. FELICIDADE (Antônio Almeida/João de Barro) 1953

7. BRISA (Paquito - sobre poema de Manuel Bandeira) 1996

8. GOSTOSO DEMAIS (Dominguinhos/Nando Cordel) 1986

9. ESTADO DE POESIA (Chico César) 2015

10. O CIÚME (Caetano Veloso) 1987

11. NA PRIMEIRA MANHÃ (Alceu Valença) 1980

12. BALADA DE GISBERTA (Pedro Abrunhosa) 2007

13. DECLAMAÇÃO / BAR DA NOITE (Bidu Reis/Haroldo Barbosa) 1953

14. PRUDÊNCIA (Tim Bernardes) 2021

15. LAMA (Aylce Chaves/Paulo Marques) 1952

16. OLHOS NOS OLHOS (Chico Buarque) 1976

17. DECLAMAÇÃO / LÁGRIMA (Roque Ferreira) 2006

18. VOLTA POR CIMA (Paulo Vanzolini) 1962

19. DECLAMAÇÃO / MEU AMOR É MARINHEIRO (Alan Oulman/Manuel Alegre) 1974

20. DOCE (Roque Ferreira) 2008

21. EU E ÁGUA (Caetano Veloso) 1988

22. VENTO DE LÁ (Roque Ferreira) 2007

23. IMBELEZÔ (Roque Ferreira) 2004

24. RECONVEXO (Caetano Veloso) 1989

25. COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ (Gonzaguinha) 1976

26. DECLAMAÇÃO / CANÇÃO DA MANHÃ FELIZ [Luminosa manhã] (Luiz Reis/Haroldo Barbosa) 1962 

 

 

MÚSICOS

Jorge Helder

Marcelo Costa

Paulo Dáfilin

João Camareiro

Zé Manoel


 

Realização

TVE

Uma emisora do IRDEB

Governo da Bahia


miércoles, 11 de agosto de 2021

2021 - NOTURNO - MARIA BETHÂNIA

 

Maria Bethânia lança 26 de junho de 2021, "A flor encarnada", primeiro single do álbum ‘Noturno’


Capa do primeiro single do álbum "Noturno", "A flor encarnada", de Maria Bethânia — Foto: Divulgação

 



Maria Bethânia lança single ‘Lapa Santa’, do álbum ‘Noturno’


“Lapa Santa” é o segundo single do novo álbum de Maria Bethânia, “Noturno“. A música, de Paulo Dafilin e Roque Ferreira, chega às plataformas digitais amanhã, dia 16 julho de 2021. O novo disco sai em 30 de julho pela gravadora Biscoito Fino.


Maria Bethânia deve lançar novo trabalho, com músicas inéditas, em 30 de julho

Crédito: Divulgação





Capa do segundo single do álbum "Noturno", "Lapa santa", de Maria Bethânia — Foto: Divulgação



Inicialmente prometido para abril/maio, o novo álbum da cantora Maria Bethânia, “Noturno”, tem data de lançamento confirmada para o próximo dia 30 de julho. O primeiro single do novo trabalho, “A Flor Encarnada”, letra e música de Adriana Calcanhotto, foi lançado em 26 de junho. Agora, chegou a vez de “Lapa Santa”, composição de Paulo Dafilin e Roque Ferreira, que está nas plataformas digitais desde a última sexta-feira (16/7). 

“Lapa Santa” fala de religiosidade -- tema caro à cantora --, sobretudo da praticada na região sertaneja cortada pelo Rio São Francisco. A canção é inteiramente inédita para os fãs da cantora -- não fez parte de seu último show, “Claros Breus”. Tampouco foi cantada na live que a artista fez, em fevereiro deste ano. 

Na letra, são enaltecidos costumes atualmente raros nas grandes cidades, como romeiros e romarias, festas no terreiro, candeeiros em torno dos santos e moradores que abrem suas casas para receber os devotos em procissão. 

Com arranjos de Letieres Leite, responsável pela direção musical do álbum, “Lapa Santa” tem piano e sintetizador de Zé Manoel, violão de João Camarero, baixo elétrico e acústico de Jorge Helder, percussão de Marcelo Costa, viola de Marco Catto, cello de Marcos Ribeiro e violinos de Priscila Rato e Marcio Sanchez. Esse segundo single contrasta com o primeiro, “Flor Encarnada”, de tom melancólico. A canção de Calcanhotto tem versos que dizem: “O amor não gosta mais de mim/ Nunca mais vi seu clarão/ Serviu pra me trazer aqui/ A esse canto sem função”. Nessa gravação, Bethânia é apenas acompanhada pelo piano do pernambucano Zé Manoel. 

Bethânia, que completou 75 anos no último dia 18 de junho, já havia cantado “Flor Encarnada” na turnê Claros Breus (2019/2020), interrompida com a chegada da pandemia do novo coronavírus. Esse show serviu como inspiração para o novo álbum, gravado no ano passado. Noturno, que será lançado pela gravadora Biscoito Fino, terá, além de arranjos e direção de Letieres Leite, a produção musical de Jorge Helder. 

Outras faixas já anunciadas do álbum “Noturno” são “Prudência”, de Tim Bernardes, compositor que Bethânia grava pela primeira vez; “De Onde Eu Vim”, de Paulo Dafilin; “Luminosidade”, de Chico César; “2 de Junho”, de Adriana Calcanhotto; e “Bar da Noite”, de Bidu Reis e Haroldo Barbosa. 



Foto: Jorge Bispo


Foto: Jorge Bispo


Foto: Jorge Bispo






28/7/2021











       Foto: Zélia Gattai                             Capa CD Biscoito Fino




Lançamento 30/7/2021 em todas as plataformas digitais e CD.
Foto: Jorge Bispo














Apesar da tristeza, preocupação e riscos na saúde e na política, estamos vivos e somos brasileiros'

30/7/2021


Ubiratan Brasil entrevista Maria Bethânia em 'Apesar da tristeza, preocupação e riscos na saúde e na política, estamos vivos e somos brasileiros', Bethânia fala de ‘Noturno’, disco que será lançado nesta sexta-feira e que traz sua lucidez como marca. 

O processo não seguiu como de costume - para gravar um disco, Maria Bethânia gosta de estabelecer uma relação próxima com os músicos e os técnicos, criar uma intimidade entre as pessoas. Com o novo trabalho, porém, Noturno (Biscoito Fino), que será lançado nesta sexta, 30/7/2021, foi diferente por causa da pandemia. Gravado em dois momentos distintos (em setembro e outubro de 2020 e em maio de 2021), o disco exigiu que a cantora ficasse rodeada por divisórias de acrílico transparente, a fim de permitir uma proximidade mas não contato. 

“Foi complicado, mas eu precisava fazer - então, meti a cara”, disse Bethânia ao Estadão, em conversa por telefone. Como de hábito, foi um disco moldado à sua personalidade forte, única. No repertório, canções que tanto homenageiam a memória de grandes intérpretes da MPB (como Bar da Noite) como a própria cantora, em O Sopro do Fole, criação do sobrinho Zeca Veloso, inspirada nela. E, no encerramento, a leitura do trecho do poema Uma Pequena Luz, do português Jorge de Sena, indicação do também poeta Eucanaã Ferraz. 

Na conversa, Bethânia orgulha-se do gosto por baladas (“sou baladeira”), ignora as críticas à brancura da capa do novo álbum e, apesar de preocupada com o momento atual, diz: “o Brasil não vai acabar”. 

Como foi gravar o disco em condições tão extraordinárias? 

Pois é, foi com a dificuldade imposta pela pandemia, que exige da gente uma mudança radical em tudo, até no comportamento. Você se assusta às vezes com um gesto normal - beber um copo d’água já é diferente: o modo de pegar, de respirar. Talvez por isso preferi fazer um disco com voz e piano, voz e acordeão, sem a presença de uma banda. Isso me ajudou e também aos músicos, ao maestro, aos técnicos. Foi complicado, mas eu precisava muito fazer, então meti a cara.

Você teve de gravar cercada por um acrílico? 

Sim, porque enquanto ensaiava, precisei ficar na área técnica, onde fizeram uma casinha de acrílico para que eu ficasse distante da mesa, dos técnicos. E os músicos ficaram no salão de gravação com isolamento também. 

Fale sobre o título do disco, 'Noturno', que remete a um jogo entre luz e sombra. 

A noite é escura, mas cintila, tem nuances. Gosto dessa palavra, é a correta para esse momento. Existe um escuro sobre nós, sobre a humanidade, sobre o planeta. Um escuro, às vezes, sem nenhum reflexo de luz, mas a noite incendeia, aquece, faz vibrar, ela tem vida própria, é ousada. Gosto do título do disco porque se relaciona com o repertório e com meu sentimento - passando pela noite, pelo escuro, e chegando à luz. A noite traz o sentimento romântico da solidão, da paixão perdida e traída, uma afirmação do noturno até que clareia pela dor, pela morte, pela vida.

Você faz referência à primeira canção do disco, 'Bar da Noite', do repertório de Nora Ney... 

É uma coisa linda. Aprendi ouvindo música brasileira na minha casa, em Santo Amaro, porque o rádio era o grande evento na cidade, nas casas. Sou a caçula de oito irmãos, então aprendi com o gosto de cada um até formar o meu. Foi um aprendizado, uma escola ótima. Minha mãe, Dona Canô, cantava óperas e todos ouvíamos a Rádio Nacional com Carmen Miranda, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, a Nora, minha querida Aracy de Almeida. O modo melhor de estudar sem ser obrigada e aprendendo tudo. 

Agora fale sobre 'O Sopro do Fole', composição do Zeca Veloso. 

Pois é. Meu sobrinho. Acho deslumbrante essa música, porque tem um escuro noturno dentro dela, uma força que se agiganta no ser humano. Quando me mostrou a música, Zeca não me pediu para gravar, era apenas para eu saber que ele se inspirou em mim. Só disse isso. Mas, quando ele começou a cantar, notei que, no primeiro verso, tem a palavra vento. Tenho uma ligação muito forte com essa palavra, pois tem relação com meu orixá. Já fico louca quando se fala em vento, me aproximo. Fui ouvindo e achando cada verso mais bonito que outro. E fiquei muito encantada em ver o Zeca, que é tão urbano, tão carioca, fazer uma canção regional, do sertão. É um vislumbre, uma sensibilidade. E eu ter inspirado esse pensamento, esse passeio por essa área, me alegra muito porque é uma área deslumbrante, musical, nobre. Acabei fazendo o arranjo, que ganhou força com o acordeão do Toninho Ferragutti, que atendeu ao meu pedido: quero frases entre as palavras. Uma conversa paralela porque a letra se refere à amplidão do fole. Não importa que seja ilustrativo, pois acho que me traduz tão lindamente. “Moço, esse vento que vem ali / Tirou meu chapéu, balançou meu cordão” - é muito forte, guerreiro. E se parece comigo. Tanto acredito que pedi para gravar. 

Entre as parcerias que você retoma aqui está 'A Flor Encarnada', da Adriana Calcanhotto, uma canção melancólica, pungente.

A música de um amor. Eu tinha pedido uma canção potente, amorosa, bem cantada. Aí veio A Flor Encarnada... Adriana é muito cronista em tudo que escreve. E a canção tem frases difíceis de se dizer: “o amor não gosta mais de mim, nunca mais vi seu clarão”. Não é uma frase boa para se dizer. Já tenho 75 anos e sei que não é fácil. E Adriana se impõe como cronista - ela fala de Ipanema em uma canção e parece uma crônica do Rubem Braga. 

Como você chegou ao Jorge de Senna?

Leio muita poesia portuguesa, mas pedi uma indicação ao (poeta) Eucanaã Ferraz. E ele se lembrou do Jorge e me mandou uma série, onde encontrei Uma Pequena Luz. O poema revela essa vontade de ter a luz enquanto está escuro entre nós. É nela que temos de nos agarrar. O final tem o desejo de energia positiva. É teatral, dramático, do meu jeito, do meu estilo. Sem teatro, fico esvaziada. Minhas coisas têm dramaturgia. Um final de disco com minha assinatura. 

Por que você colocou dedicatória em cada música?

Me deu vontade. Eu nem sabia que ia ter disco, achei que só gravaríamos as canções. Mas, quando disseram que seriam feitos discos físicos, adorei e coloquei, em cada música, a intenção com que gravei. É bonito saber qual foi o sentimento que levou a cada canção, pensando em quem e como, qual a razão. 

Em 'Dois de Junho', você dedica aos indiferentes. É a canção da Calcanhotto que fala sobre o menino Miguel, que caiu de um edifício no Recife.

É leitura com dramaturgia. A música é muito doída, forte, clara, nua, crua. É dilacerante. Traz um berro, um grito. A guitarra do Pedro Sá traz todo os “ais”. Dei sorte com esses músicos, todos embarcaram comigo nesse disco.

Ponto positivo também para os arranjos do Letieres Leite, não?

Sim, ele recupera um sertão nobre, assim como um bolero mexicano na música Prudência, do Tim Bernardes, que é um samba-canção que podia chegar a um bolero. Como diz Caetano, sou muito baladeira, o que muito me orgulha (risos). Adorei quando chegou aquele violão mexicano.

Gosto muito de 'Vidalita'.

É um deslumbrante drama cigano. Canto essa música há mais de 20 anos com a interpretação da Mayte Martín, que é a autora. Sou apaixonada por essa cantora. Ouvi inúmeras gravações do Vidalita e todas são extraordinárias.

A capa inteiramente branca do disco dividiu opiniões - como foi a escolha para um disco chamado 'Noturno'?

Pois é. Branco com noturno, escrito em marinho. Mas não precisa compreender tudo, não. Deixa sem entender. Pode gostar ou não gostar, não tem que ficar explicando tudo. Acho austero. E, como diz meu irmão Caetano, estou imitando os Beatles e seu Álbum Branco. Você vê como sou metida? (risos).

Em dezembro, ao ‘Estadão’, você disse que estava muito desesperançada em relação ao Brasil. E hoje, como se sente?

Não estou esperançosa - estou preocupada com o Brasil. Enquanto isso, a neta de um ministro do Hitler visita nossos governantes. Isso é demais. É preciso ter um limite. Dentro do palácio do governo. Trocando figurinha. Não pode. Olha para o mar, para o céu, olha para as pessoas. É o Brasil. Eu estou preocupada. A vacinação ainda está atrasada. Mas, apesar de toda a tristeza, toda a preocupação e dos riscos na saúde e na política, estamos vivos e somos brasileiros. Caetano me disse: o Brasil não vai acabar. Eu acredito nisso.



Maria Bethânia fala do novo álbum "Noturno"

por Leonardo Lichote | El País 

 

"Eu estava em casa desde 13 de março de 2020, no meio dessa temporada de isolamento, tive o impulso, um desejo incontrolável. Venci o medo e as dificuldades e fiz esse disco novo. Era uma necessidade orgânica, eu precisava cantar, exercer o meu ofício" 

Bethânia diz que se mantém em casa à espera de quando puder ocupar o palco sem as limitações. "Eu estou cansada, como você também deve estar. O medo permanente, a falta de naturalidade nos encontros, no convívio. Apliques obrigatórios em nosso corpo, máscara, álcool...Mas há uma esperança", acrescenta. 

Como é voltar ao estúdio em um período de pandemia de Covid-19?

“Eu quis entrar em estúdio, me deu vontade. Primeiro de tudo, porque eu tinha um repertório, um repertório pronto, que me animava. Composições inéditas, que é a maneira como gosto de fazer os meus discos, com regravações ou gravações de canções já há muito existentes, mas gosto, necessito que tenham canções inéditas. E, como eu tinha um repertório bonito, eu quis então fazer esse disco.

O Brasil de 2021 que Bethânia descreve não se assemelha em nada ao país de beleza profunda e luminosa que ela cantou com ternura em Brasileirinho, disco de 2003. Mas ela afirma que aquela pátria de sussuaranas, Heitor Villa-Lobos e cigarros de palha ainda permanece: 

— O Brasil ainda é aquele, mas está adormecido, apavorado, acuado, doente e triste. Não gosto mais de falar do Brasil. Tenho vontade de chorar.

Noturno, novo disco de Bethânia, não é uma resposta a esse estado de coisas (“Não me inspira esse Brasil”). Mas, ela esclarece, o álbum não ignora seu chão, seu tempo. 

Seu repertório inclui, por exemplo, 2 de junho, lançada por Adriana Calcanhotto em 2020 sobre a morte do menino Miguel Otávio, que caiu do prédio de alto padrão em Recife enquanto a mãe empregada doméstica passeava com o cachorro da patroa ―o caso de marcada negligência dos empregadores expõe (e a canção evidencia) nós profundos da questão racial e da desigualdade social que formaram e formam o Brasil.

— Noturno invoca uma sobriedade, uma calma, uma maturidade — define Bethânia. — 

Mas é um disco de uma mulher de 75 anos, cantora brasileira, dentro da pandemia, com as angústias e as situações implicadas aí. Então, traz também uma canção como Lapa santa, inédita de Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro, que canta este Brasil de hoje, de um jeito forte, nordestino, íntegro. Num dos versos, ela pergunta: “Cadê o dono da casa?”. 

No país que não vê saída, a pergunta poderia estar inscrita na bandeira.

ÁLBUM 

Com onze músicas e 12 faixas, o álbum Noturno é fechado com leitura de trecho do poema Uma pequenina luz (1972), de autoria de Jorge de Sena (1912 – 1978), poeta português naturalizado brasileiro em 1963. 

Entre bolero inédito de Tim Bernardes, Prudência, Bethânia registra no álbum Noturno músicas então inéditas que apresentou no show Claros breus (2019), como A flor encarnada (Adriana Calcanhotto), Luminosidade (Chico César) e Músicas, música (Roque Ferreira), além do samba-canção Bar da noite (Bidu Reis e Haroldo Barbosa, 1953). 

Completam o repertório De onde eu vim (Paulo Dáfilin), Dois de junho (Adriana Calcanhotto, 2020) e Lapa santa (Paulo Dáfilin e Roque Ferreira).

O álbum será lançado no próximo dia 30/7, em todas as plataformas digital e também em CD.



Foto: Jorge Bispo / Divulgação





Maria Bethânia lança novo album ‘estratosférica’

Por Redação

24 de julho de 2021



Foto: Jorge Bispo / Divulgação


LANÇAMENTO Cantora da MPB também interpreta samba dos compositores Serginho Meriti e Xande de Pilares no disco programado para ser lançado em 30 de julho


Maria Bethânia grava pela primeira vez uma música de autoria do sobrinho Zeca Veloso, artista carioca revelado como compositor há seis anos na voz de Gal Costa – com o registro da canção Você me deu no álbum Estratosférica (2015) – e projetado há quatro anos no show Ofertório (2017), feito por Zeca em família com o pai, Caetano Veloso, e com os irmãos Moreno Veloso e Tom Veloso.

 

MÚSICA

‘O sopro do fole’, composto por Zeca Veloso e apresentada como canção de exílio de inspiração nordestina, é uma das onze músicas que formam o repertório de Noturno, álbum que Maria Bethânia lançará em 30 de julho, em edição da gravadora Biscoito Fino, inclusive no formato de CD.

 

REPERTÓRIO 

Outra novidade do repertório do disco é Cria da comunidade, samba dos compositores Serginho Meriti e Xande de Pilares, autores que mostraram em 2020 no YouTube um samba então inédito, apresentado com o título de Filha da comunidade.

No álbum Noturno, Bethânia também dá voz à canção Vidalita (2000), música de estilo flamenco, da lavra da cantora e compositora espanhola Mayte Martín. A música foi lançada pela autora há 21 anos no álbum Querência (2000). 

ÁLBUM 

Com onze músicas e 12 faixas, o álbum Noturno é fechado com leitura de trecho do poema Uma pequenina luz (1972), de autoria de Jorge de Sena (1912 – 1978), poeta português naturalizado brasileiro em 1963.

Entre bolero inédito de Tim Bernardes, Prudência, Bethânia registra no álbum Noturno músicas então inéditas que apresentou no show Claros breus (2019), como A flor encarnada (Adriana Calcanhotto), Luminosidade (Chico César) e Músicas, música (Roque Ferreira), além do samba-canção Bar da noite (Bidu Reis e Haroldo Barbosa, 1953). 

Completam o repertório De onde eu vim (Paulo Dáfilin), Dois de junho (Adriana Calcanhotto, 2020) e Lapa santa (Paulo Dáfilin e Roque Ferreira), faixa lançada na sexta-feira, 16 de julho, como segundo single do álbum, anunciado oficialmente em 25 de junho com o single A flor encarnada. 



O disco Noturno, de Maria Bethânia chega comemorando os 75 anos de vida e os 55 como cantora - Foto: Jorge Bispo





‘Esse disco foi feito no auge da pandemia, tivemos que fazer com muito rigor’, diz Maria Bethânia - Foto: Jorge Bispo