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lunes, 1 de agosto de 2022

1972 - CAETANO VELOSO E GILBERTO GIL no MUNICIPAL - Ronaldo Werneck


"É o maior gênio do Brasil.

É Gilberto Gil"

Caetano Veloso


"É uma inteligência.

É Caetano Veloso"

Gilberto Gil



UH Revista / Rio, 17.03.72


O primeiro show de Caetano Veloso depois da volta,

no Teatro João idem, foi uma loucura. Gilberto Gil

repetiu a dose semana passada. Mas a mocidade vai

ficar mais louca amanhã quando o mano Cae e Gil

vão juntar o som no Teatro Municipal. Nem os preços

altíssimos espantaram a moçada. Aqui um papo com Gil.




15/1/1972


Quem atende a porta do apartamento no Flamengo é Sandra, mulher de Gil: “Ah, você quem telefonou... Entre. O Gil está descansando lá no quarto. Sabe... ele está muito cansado, muito rouco, sabe, o show do Teatro João Caetano...”. Enquanto isso, Pedrinho, o filho de Gil, está transando pela sala: “Eu agora não tô mais com medo/ Tô com Pedro”. 

Gil está deitado no quarto, lendo uma revista. Os cabelos são outros, eriçados, black-power, e o corpo também é outro: exatamente 23 quilos mais magro do que quando foi para Londres, em 69. Jogado sobre a cama, um livro de macrobiótica-zen. Mas o sorriso é o mesmo de antes, aberto, baiano: “ O que que há, ô cara, tudo legal?”.

 

Aquele abraço




Fala dos shows do João Caetano, como ele encontrou o público carioca três anos depois, principalmente após os espetáculos feitos “em casa”, em Recife (2, 3, 4 de março) e na Bahia (6, 7, 8), com um público já conhecido, já amigo. 

Pois é, cara, o Rio de Janeiro continua sendo, a gente sente na plateia carioca aquela expectativa, aquela conscientização e ao mesmo tempo aquele entusiasmo que só se encontra aqui no Rio, aquela vibração que acaba se transformando em uma forma de contribuir, de apoiar o que é novo, como por exemplo o que representa Gilberto Gil – após três anos de ausência – cantar 10 músicas inéditas em um espetáculo. No fundo, o público carioca é quem sabe clicar a coisa, é o exemplo vivo de um happening que só o Chacrinha consegue alcançar em termos de Brasil.

 

Nonsense

Gil fala em televisão e eu pergunto até que ponto ele seria capaz de botar música nas novelas que estão sendo feitas na televisão brasileira, aquele negócio de o sujeito encarar a coisa em termos profissionais: “Eu quero a música assim-assim, porque o tema da novela é assim-assim”. 

– Pois é, como experiência, eu acho isso muito bom, muito profissional. É quase um teste: o sujeito pede uma música de tal jeito e você faz. Minha experiência com esse tipo de coisa é em cinema. E sempre foi um troço muito honesto. Agora, em televisão, o negócio não dá pé. De vez em quando, dou uma olhada nas novelas da televisão brasileira e realmente sinto que a jogada não é essa: é puro nonsense, de um baixo astral incrível. 

– Claro, em determinadas circunstâncias econômicas, envolvido pelo esquema, o compositor brasileiro acaba por ceder, por conceder. Mas não acredito que ele possa se satisfazer com o produto final, acabado. Pronta, a novela acaba por deturpar a ideia inicial e a trilha sonora termina se perdendo dentro do nonsense geral. Eu não seria capaz de me arriscar numa aventura desse tipo. 

Cae, Municipal, ingressos

– Você vê, eu e Caetano assinamos um contrato com a Globo para fazermos um show de televisão. Isso ainda em Londres. Pois bem, eu já estou por aqui, Cae está fazendo um espetáculo na Bahia, deve chegar na sexta-feira, e só agora tomo conhecimento – através da imprensa – de que o negócio não é bem esse, de que o espetáculo vai ser realizado no Municipal, com o público pagando preços altíssimos, o que acho incrível. 

– Quer dizer, o show vai ser no sábado e ainda não se fez nada. Inclusive, preciso dar uma ensaiada com o Caetano, pois devemos cantar juntos, ver como fica a coisa, as músicas, sabe como é. E o público, pagando o olho da cara, vai acabar saindo prejudicado, pois o contrato é para a gente fazer um “show de televisão”, onde o timming é diferente, a marcação é outra, essas coisas. Não vai ser um show ao vivo, um espetáculo para o público, como por exemplo esse que fiz no João Caetano. 

Como antes, nas feiras

Gil esteve recentemente em Pernambuco, fugindo da “loucura da confusão turística” em que se transformou a Bahia: “O negócio todo começou com Beira-Mar, uma canção de parceria com Caetano, que gravei em meu primeiro disco, uma música que nós gostamos muito. A partir daí, e quase sem querer, Caetano se transformou numa espécie de arauto da Bahia. Mas a Bahia é muito forte. Ela resiste”. 

A verdade, no entanto, não é bem assim. Gil saiu da Bahia para ver/rever a Banda de Pífanos de Caruaru e principalmente os cantadores nordestinos, a quem está ligado afetivamente. Mais do que isso:eles representam uma “tradição viva”. E Gil reconhece a importância do cantador, tem a intuição exata de como sacar o novo em cima da tradição. Aquele negócio de “rever para aprender, aprender para renovar”. 

– O ideal seria o próprio compositor cantar suas músicas. Como antes, nas feiras medievais: o povo chamava o poeta de cantor. A palavra é soma, caráter & som. No caso de uma parceria, por exemplo, colocar música em determinada letra transforma-se em um processo dialético onde o compositor (cantor) joga com o ritmo, com a melodia exata das palavras com que está trabalhando. Um negócio muito cantabile. O compositor é o homem da praça, o cantor da feira. E sob esse aspecto o cantador é o que existe de mais sofisticado, de mais autêntico. O improviso faz com que a canção fique mais densa. Sacando as palavras na hora, descobrindo seu som, sua música ganha mais substância e se realiza melhor.

 

Safra espanhola

Pedrinho entra no quarto, Gil começa a brincar com o filho, o fotógrafo aproveita para umas fotos, eu me lembro de Volks-Volkswagen Blues, Com Medo, com Pedro, pergunto pelas músicas mais chegadas a ele, aquele negócio. 


Gil e Pedro


– Volks-Volkswagen Blues é a música aqui de casa, da família, eu falo em todo mundo, um troço muito afetivo, como Com Medo, com Pedro. Engraçado é que fiz esta música pensando que a Sandra estivesse grávida. Mas era alarme falso, Pedrinho só nasceu depois, quando a música já estava pronta. Pois é, das músicas antigas, gosto muito de Beira-Mar, que já falei, de Domingo no Parque, Luzia Luluza. Ah, gosto também de Bat-Macumba, resultado do meu contato com os concretistas de São Paulo, uma tentativa de musicar o poema concreto, a funcionalidade do bloco (graficamente), o jogo de palavras, a fragmentação das sílabas, essas coisas. Hoje, minha música é Oriente, Crazy Pop Rock, todas elas feitas durante o verão espanhol.

 

Satélites artificiais

Depois do Municipal, Gil faz um show em São Paulo e em maio volta a Londres onde tem compromissos. Em agosto, Nova York: ali vai terminar o disco que começou a gravar na Inglaterra, e fazer um espetáculo com Caetano e Gal. Pergunto pela música popular brasileira hoje, como ele vê a coisa agora, depois de tanto tempo no exterior. 

– Sabe, eu estou muito na minha, meu caminho hoje é muito solitário. Meu trabalho é uma coisa muito minha. Inclusive, estive discutindo isso com o Caetano em Londres. Continuamos tão ou mais amigos quanto antes, continuamos morando juntos, mesmo agora na Bahia. Mas nosso trabalho é outra coisa. Há muito tempo não compomos juntos. Cada um está na sua. Em Londres, tentamos repensar a realidade econômica, política, as coisas que aconteceram, o mercado brasileiro, tudo isso. 

– Agora no Brasil, tenho ouvido pelo rádio a música de consumo. Engraçado como são as coisas: ficou o que já existia, o Chico Buarque, o Paulinho da Viola, mais um ou outro. O resto é diluição: são meros satélites artificiais a serviço do sistema de telecomunicações.

 

18/3/1972






lunes, 8 de febrero de 2016

2013 - 100 ANOS DA SHELL NO BRASIL - COPACABANA PALACE




A SHELL comemora 100 anos com festa e baile para 200 convidados, no Copacabana Palace, hoje à noite (18/4), no Rio. 

Fernanda Montenegro foi a mestre de cerimônia do evento e, para fechar a noite com chave de ouro, show de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que não se apresentavam juntos há 19 anos. Pouco tempo depois, Caetano e Gil começaram sua turnê "Dois Amigos - Um Século de Música".





Fernanda Montenegro, Mestre de Cerimônia
 




18/4/2013
Set-list SHOW CAETANO VELOSO e GILBERTO GIL

1. DESDE QUE O SAMBA É SAMBA (Caetano Veloso) Caetano e Gil
2. LUZ DO SOL (Caetano Veloso) Caetano Veloso
3. SAMPA (Caetano Veloso) Caetano Veloso
4. TERRA (Caetano Veloso) Caetano Veloso
5. QUALQUER COISA (Caetano Veloso) Caetano Veloso
6. SAUDADE DA BAHIA (Dorival Caymmi) Caetano e Gil
7. REFAZENDA (Gilberto Gil) Gilberto Gil
8. SUPER HOMEM (Gilberto Gil) Gilberto Gil
9. A LINHA E O LINHO (Gilberto Gil) Gilberto Gil
10. THREE LITTLE BIRDS (Bob Marley) Gilberto Gil
11. PANIS ET CIRCENSIS (Gilberto Gil/Caetano Veloso) Caetano e Gil
12. CAJUÍNA (Caetano Veloso) Caetano Veloso
13. MENINO DO RIO (Caetano Veloso) Caetano Veloso
14. O LEÃOZINHO (Caetano Veloso) Caetano Veloso
15. UM ÍNDIO (Caetano Veloso) Caetano Veloso
16. OS ARGONAUTAS (Caetano Veloso) Caetano Veloso
17. NÃO TENHO MEDO DA MORTE (Gilberto Gil) Gilberto Gil
18. DOMINGO NO PARQUE (Gilberto Gil) Gilberto Gil
19. SOY LOCO POR TI, AMÉRICA (Gilberto Gil/José Carlos Capinan)







 





Caetano Veloso cumprimentou o CEO do Grupo Shell, Peter Voser


Gilberto Gil
músico e compositor 

“A Shell foi uma das primeiras
empresas a se preocupar com
a responsabilidade social.
Criou prêmios e apoiou festivais,
reconhecendo novos talentos
através do mérito e fomentando a
cultura nacional. É uma atitude
importante para toda a sociedade.”